Análise do índice de cessação do tabagismo e perfil de ex-fumantes residentes em Belo Horizonte e Região Metropolitana

Análise do índice de cessação do tabagismo e perfil de ex-fumantes residentes em Belo Horizonte e Região Metropolitana

Autores:

Luana Maria Oliveira Claudino,
Mery Natali Silva Abreu

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.12 no.1 São Paulo jan./mar. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S1679-45082014GS2899

INTRODUÇÃO

O cigarro é a droga mais utilizada e disseminada no mundo, sendo responsável por aproximadamente 50% das cinco milhões de mortes registradas no ano 2000 nos países em desenvolvimento.(1) O hábito de fumar associa-se à causalidade de doenças respiratórias e cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC), úlcera péptica, câncer do trato respiratório superior(2) e superficial da bexiga.(3)

No que se refere à realidade brasileira, dados demonstram quais as capitais em que a população adulta mais fuma: Porto Alegre (RS) com 23%, Curitiba (PR) com 20% e São Paulo (SP) com 19%. Em contrapartida, a região Nordeste apresenta os menores índices de fumantes por capital: Maceió (AL) apresenta prevalência de 8% e João Pessoa (PB), Aracajú (SE) e Salvador (BA) 9% de fumantes.(4)

No ano de 2003, o Brasil assinou, junto de mais 192 países, a Convenção-Quadro para o Controle do Tabagismo (CQCT), que propõe obrigações internacionais de regime multilateral de colaboração e ações intersetoriais para reverter o quadro do tabagismo nos países participantes. Essa convenção determinou que fosse incluída na agenda nacional a política de combate ao tabaco. Dessa forma, o país se lançou no combate, na promoção da cessação e no controle do tabaco de forma sistemática. Isso culminou em políticas públicas de saúde, ações de conscientização da população, financiamento de ações de controle do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS) e o controle e fiscalização dos produtos derivados do tabaco no país.(5)

O reconhecimento do poder nocivo do uso do tabaco fumado e o elevado custo para o tratamento no setor de saúde pública sugerem estratégias para amenizar essa situação. As políticas de controle do tabaco de maior sucesso no mundo apontam que a tentativa prévia é um fator importante para a manutenção da cessação.(6,7) Com relação à cessação do hábito de fumar, Belo Horizonte (MG), no ano de 2007, apresentava índices de cessação ao tabagismo de 21,6% − semelhante aos dos Estados Unidos, na população adulta.(8) Compreende-se o índice de cessação do tabagismo “como o percentual de ex-fumantes entre aqueles que já fumaram alguma vez na vida”.(8)

OBJETIVO

Considerando o exposto e utilizando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do ano de 2008, este estudo teve como objetivo estimar o índice de cessação do tabagismo, identificar os principais métodos utilizados para a cessação do fumo e o perfil dos ex-fumantes, entre os residentes de Belo Horizonte e Região Metropolitana.

MÉTODOS

Trata-se de estudo observacional do tipo transversal realizado com os dados do Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) em sua Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab).(9)

Por tratar de dados de domínio público, este estudo ficou isento de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).

Foram considerados os indivíduos residentes em Belo Horizonte e Região Metropolitana (RMBH), com 15 anos de idade ou mais. Essa amostra foi composta por 26 municípios, 248 setores, 4.693 unidades domiciliares. A amostra totalizou 1.297 pessoas que responderam ao capítulo 27 do questionário PNAD, intitulado: “Pesquisa Especial de Tabagismo dos Moradores de 15 anos ou mais de idade (i.e., nascidos até 27/09/1993)”.(10)

Instrumentos e procedimentos para coleta de dados

A PETab foi uma pesquisa domiciliar com plano amostral semelhante ao da PNAD. O plano de amostragem da PNAD consistiu de uma amostra probabilística de domicílios com três estágios de seleção: unidades primárias − municípios; unidades secundárias − setores censitários; e unidades terciárias − unidades domiciliares (por exemplo: domicílios particulares). No primeiro estágio, as unidades (os municípios) foram classificadas em duas categorias: autorrepresentativas (por exemplo: probabilidade 1 de pertencer à amostra) e não autorrepresentativas. Os municípios pertencentes à segunda categoria passaram por um processo de estratificação e, em cada estrato, foram selecionados dois municípios sem reposição e com probabilidade proporcional à população residente obtida no último censo demográfico (por exemplo: o Censo Demográfico 2000). No segundo estágio, as unidades (por exemplo: os setores censitários) foram selecionadas em cada município da amostra, também com probabilidade proporcional e sem reposição, sendo utilizado o número de unidades domiciliares existentes por ocasião do Censo Demográfico 2000 como medida de tamanho. No terceiro estágio foram selecionados, com equiprobabilidade, os domicílios particulares e as unidades de habitação em domicílios coletivos para investigação das características dos moradores e da habitação. O questionário da PETab foi respondido pelo próprio morador selecionado, o que implicou em uma modificação na metodologia padrão da PNAD que utiliza informante proxy para obter informações sobre os moradores que não estão presentes no momento da visita do entrevistador ao domicílio. Sendo assim, a PETab foi aplicada em uma subamostra de domicílios da PNAD em todos os setores pertencentes à amostra dessa pesquisa.(10)

Variáveis estudadas

A variável resposta do estudo foi a cessação do tabaco e foram considerados como ex-fumante todo não fumante que já fumou em alguma época de sua vida.(8)

Como possíveis fatores associados ao tabagismo, foram aferidas variáveis sociodemográficas e socioeconômicas, como: gênero, idade, renda per capita e escolaridade em anos de estudo.

Para identificar algumas características dos ex-fumantes, bem como os métodos utilizados na cessação do hábito de fumar, foram utilizadas algumas variáveis, como unidade de medida usada para indicar o tempo que parou de fumar (i.e., v2731); se foi em algum atendimento do SUS que foi aconselhado a parar de fumar (i.e., v2726); se, nos últimos 12 meses, como procedimento para parar de fumar, usou reposição de nicotina (i.e., v7222); se, nos últimos 12 meses, como procedimento para parar de fumar, usou chás, ervas ou plantas medicinais (i.e., v7225); se, nos últimos 12 meses, como procedimento para parar de fumar, usou serviços de ajuda por telefone (i.e., v7226); número de meses que ficou sem fumar na última vez que tentou parar de fumar (i.e., v7244); se, atualmente, fuma algum produto do tabaco (i.e., v2701); se, no passado, fumou algum produto do tabaco (i.e., v2703).

Análise estatística

Inicialmente foi feita uma estimativa do índice de cessação do tabaco na população estudada com respectivo intervalo de confiança de 95% (IC95%), além de análise descritiva de todas as variáveis estudadas.

Para verificar fatores associados à cessação do tabagismo, realizou-se análise univariada, por meio do teste χ2 de Pearson, para as variáveis categóricas, ou teste t Student, para as contínuas.

Na análise multivariada, foi construído um modelo de regressão de Poisson com variâncias robustas. O ajuste do modelo utilizou o critério backward, com retirada das variáveis uma a uma, de acordo com sua significância, permanecendo no modelo aquelas com valor de p<0,05. Foram estimados os valores de razão de prevalência (RP), com respectivos IC95%.

Os dados foram analisados por meio do software Stata10®. Todas as análises levaram em consideração as ponderações impostas pelo desenho amostral e foi utilizado um nível de significância de 5%.

RESULTADOS

De acordo com os resultados apresentados na tabela 1, a amostra para o presente trabalho inclui 1.297 residentes da RMBH, que responderam à PETab − PNAD 2008. A distribuição por gênero correspondeu a 53,9% de mulheres. A renda per capita média foi de R$ 920,30. A média de idade foi de 41,8 anos e de escolaridade de 9,2 anos de estudo.

Tabela 1 . Estatísticas descritivas dos fatores demográficos e socioeconômicos, Região Metropolitana de Belo Horizonte, ano de 2008 (n=1.297) 

Características Média (±DP) Mínimo Máximo
Idade (anos) 41,8 (±17,0) 15 97
Escolaridade (anos) 9,2 (±4,3) 1 17
Renda (per capita) R$ 920,30 (±1.782,2) R$ 00,00 R$ 33.000,0
Gênero (%)
Feminino 699 (53,9)
Masculino 598 (46,1)

Segundo os resultados apresentados na tabela 2, o percentual de uso diário e atual de tabaco foi de 14,4%. Considerando o total de fumantes atuais, pode-se afirmar que a prevalência de tabagismo foi de 16,7%.

Tabela 2 . Estatísticas descritivas associadas ao tabagismo, entre indivíduos de 15 anos ou mais, Região Metropolitana de Belo Horizonte, ano de 2008 

Prevalência de tabagismo entre indivíduos de 15 anos ou mais, Região Metropolitana de Belo Horizonte, ano de 2008 (n=1.297) n (%)
Fuma atualmente
Diariamente 187 (14,4)
Menos que diariamente 29 (2,2)
Não fuma 1.081 (83,4)
Ex-fumantes entre indivíduos de 15 anos ou mais que relataram não fumar atualmente, Região Metropolitana de Belo Horizonte, ano de 2008 (n=1.081) n (%)
Ex-fumante 283 (26,2)
Nunca fumou 798 (73,8)
Ex-fumantes entre indivíduos de 15 anos ou mais que relataram não fumar atualmente, Região Metropolitana de Belo Horizonte, ano de 2008 (n=1.081) n (%)
Não fuma atualmente 283 (56,71)
Fumante atual 216 (43,29)
Não fuma atualmente 283 (56,71)

Dos 1.081 indivíduos que relatam não fumar atualmente, 798 (73,8%) nunca fumaram. Por outro lado, 283 eram ex-fumantes, totalizando 499 entrevistados que já fumaram alguma vez na vida. Dessa forma, o índice de cessação do tabaco entre os indivíduos de 15 anos ou mais da RMBH foi de 56,7% (IC95%: 52,3-61,1). Como demonstrado na tabela 3, observou-se diferença significativa entre a idade dos fumantes e dos ex-fumantes (p<0,05). A média de idade dos ex-fumantes foi mais elevada se comparada à dos fumantes. Também houve diferença significativa para a renda dos ex-fumantes, que foi superior quando comparada a dos fumantes. Em relação ao nível de escolaridade, não houve diferença significativa entre os grupos (p>0,05). Observaram-se percentuais de cessação de 57,7% entre os homens e de 55,5% entre as mulheres. Entretanto, a comparação não apresentou diferença significativa (p>0,05).

Tabela 3 . Análise univariada dos fatores demográficos e socioeconômicos, fumantes atuais e ex-fumantes de 15 anos ou mais, Região Metropolitana de Belo Horizonte, ano de 2008 (n=499) 

Fumante atual
Ex-fumante
Valor de p
Média (±DP) Média (±DP)
Idade (anos) 41,1 (±13,9) 49,9 (±16,1) &lt;0,001*
Renda (per capita) R$ 677,20 (±839,5) R$ 1.245,30 (±2.401,7) &lt;0,001*
Escolaridade (anos) 8,6 (4,3) 8,5 (4,6) &lt;0,950*
Gênero, n (%)
Feminino 98 (44,6) 122 (55,5) &lt;0,254**
Masculino 118 (42,3) 161 (57,7)

Foi apresentado também o tempo de cessação dos ex-fumantes, sendo verificado que a maioria (93,3%) havia parado de fumar há mais de um ano. A análise dos métodos utilizados para cessação do fumo foi realizada apenas para aqueles que pararam de fumar há menos de 12 meses (n=19), já que a pergunta do questionário era direcionada apenas aos ex-fumantes que pararam há menos de 1 ano. Entre estes, 52,6% (n=10) foram atendidos por médico ou profissional de saúde nos últimos 12 meses, dos quais 60% (n =6) foram aconselhados a parar de fumar, mas apenas 16,7% (n=1) foram aconselhados no SUS.

Foram identificados alguns métodos utilizados pelas pessoas que pararam de fumar nos últimos 12 meses, sendo eles: reposição de nicotina com adesivos, pastilhas, spray, inalador, ou goma de mascar; outros medicamentos com receita médica; homeopatia e acupuntura; chás, ervas ou plantas medicinais; serviços de ajuda por telefone; troca por outro produto do tabaco que não faz fumaça, além de algum outro não citado no questionário

O único método relatado entre os 19 ex-fumantes que pararam há menos de 1 ano foi o serviço de ajuda por telefone, relatado por 1 indivíduo (5,3%). Outros 4 indivíduos (21,0%) relataram outros métodos não citados no questionário. Nenhum dos métodos foi aconselhado pelo SUS.

Também na análise multivariada (Tabela 4) foi observada maior probabilidade de o indivíduo ser ex-fumante entre aqueles com maior idade (RP=1,013) e maior renda (RP=1,040). O aumento de 1 unidade na idade aumenta em 1,3% a probabilidade de ser ex-fumante e o aumento de R$1.000,00 na renda aumenta essa probabilidade em 4%.

Tabela 4 . Análise multivariada por meio do modelo de regressão de Poisson dos fatores demográficos e socioeconômicos associados à condição de ex-fumantes entre moradores de 15 anos ou mais da Região Metropolitana de Belo Horizonte, ano de 2008 (n=499) 

RP IC95% Valor de p
Idade (aumento de 1 ano) 1,013 1,001-1,018 &lt;0,001
Renda (aumento de R$ 1.000,00) 1,040 1,024-1,057 &lt;0,001

DISCUSSÃO

O índice de cessação entre os indivíduos residentes na RMBH foi elevado, e a cessação teve associação significativa com maior idade e renda. Além disso, o único método utilizado para parar de fumar relatado pelos ex-fumantes que pararam há menos de 12 meses foi o serviço de ajuda por telefone.

Observa-se que o índice de cessação, na RMBH, foi alto em relação aos valores encontrados em outros países, como na Espanha, onde a população maior de 15 anos apresentou um índice de cessação de 32,4% na Catalunha e 40,1% em Barcelona. Nos Estados Unidos, o índice foi de 50,3% na população adulta e no Brasil há uma variação entre 44 e 58,3% nas capitais da pesquisa feita pelo Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos não Transmissíveis: Brasil, 15 capitais e Distrito Federal.(8)

Nosso trabalho aponta para um índice de cessação na RMBH para homens e mulheres acima dos resultados apresentados por Giovino et al.(11) em estudo que avaliou adultos com mais 15 anos em 16 países, dentre eles o Brasil. No referido estudo, o índice de ex-fumantes homens no Brasil foi de 46,4% (IC95%: 44,9%-47,8%) e de 47,7% (IC95%: 46,0%-49,4%) para as mulheres. Esse índice coloca o Brasil como terceiro país com maior índice de ex-fumantes, ficando atrás apenas do Reino Unido (homens com 57,1%, e mulheres com 51,4%) e dos Estados Unidos (homens com 48,7% e mulheres com 50,5%).

Na análise dos fatores relacionados à cessação do hábito de fumar, observou-se maior idade entre os ex-fumantes. Segundo Peixoto et al.,(8) o índice de cessação pode ser influenciado pela idade por três fatores: (1) por ser uma medida acumulativa, a probabilidade de indivíduos mais velhos reportarem a interrupção do hábito de fumar é maior do que entre os mais jovens; (2) o hábito de fumar reduz com a idade como consequência de problemas de saúde e/ou devido a preocupações com a mesma; e (3) viés de sobrevivência, devido à maior sobrevida dos ex-fumantes, em comparação aos indivíduos que permanecem fumando.

Outro fator que apresentou associação significativa com a cessação do tabagismo foi a renda. Otero et al.(12) ressaltam a importância de discutir o investimento do SUS entre pessoas de baixa renda, já que essa é uma população que tem parado de fumar menos.

Neste estudo, não foi observada associação entre parar de fumar e as variáveis gênero e escolaridade. Entretanto, Peixoto et al.(8) relataram que tal associação é encontrada em países desenvolvidos, em que a cessação é maior em indivíduos mais velhos, com renda mais alta e escolaridade elevada e, em geral, acredita-se que pessoas com menor escolaridade tenham maior dificuldade para parar de fumar, por baixa motivação e falta de recursos.

Aconselhamento para cessação do hábito de fumar oferecido por profissionais do SUS, de acordo com presente estudo, não apresentou bons resultados, pois nenhum dos indivíduos relatou ter sido aconselhado a parar de fumar por profissionais do SUS, nem utilizou métodos para parar de fumar oferecidos pelo sistema público de saúde. Apesar dos resultados encontrados no presente estudo, Otero et al.(12) ressaltaram que a abordagem intensiva no tratamento do fumante, aliada ao uso de adesivos, tem uma associação positiva com a cessação de fumar aos 12 meses após a intervenção.

Dentro dessa perspectiva, Carvalho(13) relatou que as estratégias de controle do tabaco devem prever a identificação dos fumantes para atingir os que desejam parar de fumar, bem como as terapias de cessação adotadas pelo governo, em quaisquer esferas de poder, não podem priorizar “essa ou aquela terapia”, pois sua eficácia, aceitabilidade e relação custo-efetividade podem variar. Cabe, então, o fortalecimento da gestão pública de saúde para superar as dificuldades (descentralização do sistema, esferas políticas e administrativas, e a heterogeneidade regional) e desigualdade (sociais, culturais e econômicas) encontradas no cenário brasileiro.

Deve-se ressaltar, ainda, a importância do papel dos órgãos públicos, no que diz respeito às estratégias de promoção à saúde, principalmente na população de baixa renda − estratégias estas que parecem não estar tendo a eficácia necessária, já que, como relatado anteriormente, os métodos para parar de fumar oferecidos pelo SUS não foram relatados pelos ex-fumantes analisados neste estudo.

Conforme destacado por Abreu et al.,(14) os gestores de saúde devem propor políticas de combate ao fumo, com ações que vão além do nível individual, já que é necessário desenvolver intervenções voltadas para a comunidade, escola e família, sendo estas realizadas no plano da Atenção Primária da Saúde.

Segundo o Relatório Final Carga das Doenças Tabaco-Relacionadas para o Brasil, coordenado pela Aliança de Controle do Tabagismo,(5) os custos, tanto para o SUS quanto para a saúde suplementar, no ano passado, foram de R$ 21 bilhões com os males do cigarro, especialmente com as doenças cardíacas, pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão e AVC que, juntas, correspondem a 83% dos gastos. Dessa forma, os gestores deveriam aumentar os investimentos em campanhas de prevenção e combate ao fumo, o que poderia gerar redução nos gastos com problemas relacionados ao tabagismo.

O estudo apresenta limitações, pois o desfecho foi avaliado por meio de respostas a um questionário, podendo ocorrer, assim, subestimação da prevalência do tabagismo, pois somente o morador com 15 anos ou mais selecionado poderia responder ao questionário e, além disso, poderia haver a sonegação de informações.

Por ser um estudo transversal, não se usou a temporalidade como critério causal, pois, evento e desfecho são considerados no mesmo ponto do tempo.

Além do mais, devido ao direcionamento das perguntas do questionário analisar somente os métodos utilizados pelos ex-fumantes com menos de 12 meses de cessação, em 93,29% dos entrevistados não foi possível analisar a aplicação dos métodos disponibilizados pelo SUS. Isso impossibilitou maior análise e discussão sobre o assunto.

CONCLUSÃO

O presente estudo verificou um alto índice da cessação entre os adultos com 15 anos ou mais residentes em Belo Horizonte e Região Metropolitana em 2008. No entanto, os métodos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde para cessação ao tabagismo não apresentaram bons resultados, levando em consideração o instrumento de avaliação utilizado na coleta de dados. Com isso, é necessário um aumento dos programas de saúde, que tenham como objetivo a redução do percentual de fumantes na população. Tais medidas podem repercutir positivamente a longo prazo, na redução das taxas de mortalidade e morbidade associadas ao tabagismo, e nos custos para os serviços de saúde.

REFERÊNCIAS

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