Ansiedade e Depressão e a sua Relação com a Baixa Qualidade de Vida em Pacientes com Síndrome Metabólica

Ansiedade e Depressão e a sua Relação com a Baixa Qualidade de Vida em Pacientes com Síndrome Metabólica

Autores:

Mariane Lopes da Silva,
Mariana Alievi Mari

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.111 no.6 São Paulo dez. 2018

https://doi.org/10.5935/abc.20180221

Caro Editor,

Lemos o artigo intitulado "Intervenção de Estilo de Vida na Síndrome Metabólica e seu Impacto na Qualidade de Vida: Um estudo Controlado Randomizado" de Saboya et al.1 com grande interesse e gostaríamos de contribuir com algumas sugestões.

Primeiramente com relação ao método. Não há relatos a cerca do cegamento dos avaliadores, tanto para as entrevistas como para as medidas de índice de massa corporal e circunferência abdominal. Esse é um fator considerado de alto risco de viés pela "Avaliação do risco de viés de ensaios clínicos randomizados pela ferramenta da colaboração Cochrane",2 uma vez que o entrevistador, mesmo de forma inconsciente, pode influenciar as respostas e o seu olhar sobre o participante.

Em segundo com relação aos resultados. Os investigadores relataram que a qualidade de vida dos pacientes com síndrome metabólica é afetada não só pelo quadro clínico, mas de forma significativa com a presença de depressão e ansiedade.1 A prevalência de depressão e ansiedade foram 41,7% e 22,2%, respectivamente, e estes dados não estão associados aos componentes da síndrome metabólica.

A ansiedade e depressão já foram muito associadas a quadros de síndrome metabólica quanto a outras doenças crônicas não transmissíveis pela característica limitadora que a doença impõe a vida dos indivíduos. No presente estudo não foi possível ver esta associação, talvez pelo número de amostra que se caracteriza como sendo muito pequeno para um estudo com tantas etapas e variáveis para avaliação. A perda substancial de sujeitos pode ter comprometido os resultados. A maioria dos estudos3,4 que associa síndrome metabólica a depressão e ansiedade, bem como avalia a qualidade de vida desses pacientes, apresenta número de amostra mais expressivos.

REFERÊNCIAS

1 Saboya PP, Bodanase LC, Zimmermann PR, Gustavo AS, Macagnan FE, Feoli AP, et al. Intervenção de estilo de vida na síndrome metabólica e seu impacto na qualidade de vida: um estudo controlado randomizado. Arq Bras. Cardiol. 2017;10108(1):600-9.
2 Carvalho APV , Silva V, Grande AJ. Avaliação do risco de viés de ensaios clínicos randomizados pela ferramenta da colaboração Cochrane. Diagn Tratamento. 2013;18(1):38-44.
3 Saboya PP, Bodanase LC, Zimmermann PR, Gustavo AS, Assumpção CM, Londero F. Síndrome metabólica e qualidade de vida: uma revisão sistemática. Rev Lat Am Enfermagem. 2016 Nov 28;24:e2848.
4 Ribeiro RP, Marziale MHP, Matins JT, Ribeiro PHV, Robazzi MLC, Dalmas JC. Prevalence of Metabolic Syndrome among nursing personnel and its association with occupational stress, anxiety and depression. Rev Lat Am Enfermagem. 2015;23(3):435-40.