Arterite de Takayasu: Diagnóstico e Evolução para Complicação Grave

Arterite de Takayasu: Diagnóstico e Evolução para Complicação Grave

Autores:

Filipa Cordeiro,
Sofia Silva Carvalho,
Fernando Salvador,
Alberto Ferreira,
J. Ilidio Moreira

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.111 no.4 São Paulo out. 2018

https://doi.org/10.5935/abc.20180195

Mulher de cor branca, 52 anos, foi internada com dor epigástrica intensa irradiando para as costas. O exame físico e o eletrocardiograma eram normais. Os exames laboratoriais mostraram leucocitose (11100 células/µl) e aumento dos níveis de proteína C-reativa (15,6 mg/dl). Devido à suspeita de síndrome aórtica aguda (SAA), ela foi submetida a tomografia computadorizada, que mostrou espessamento mural circunferencial da aorta com baixa atenuação (43 Unidades Hounsfield (HU)), havendo aumento da atenuação desse espessamento (73 HU) após administração de contraste (Figuras 1 A-C), sugestivo de aortite.1 O ecocardiograma transesofágico também revelou aorta torácica espessada (Figura D). A ressonância magnética cardiovascular confirmou diagnóstico de aortite e excluiu o hematoma intramural (espessamento mural hipointenso em imagens ponderadas em T1 e hiperintenso em imagens ponderadas em T2)1,2 (Figuras E-F). Sorologias infecciosas foram negativas.

Figura 1 A)Tomografia computadorizada sem contraste mostrando baixa atenuação do espessamento mural concêntrico da aorta torácica e abdominal (43 HU). B e C) Angiotomografia computadorizada revelando aumento da atenuação do espessamento mural da aorta torácica e abdominal (73 HU). D) Ecocardiograma transesofágico apresentando espessamento da aorta torácica após os seios de Valsalva. E e F) Ressonância magnética cardiovascular demonstrando que o espessamento mural foi hipointenso nas imagens ponderadas em T1 (E, seta laranja) e hiperintenso nas imagens ponderadas em T2 (F, seta vermelha), compatível com aortite. G) Tomografia por Emissão de pósitrons após quinze dias de terapia com esteroides, mostrando discreta captação do traçador na aorta torácica (seta branca). H) Angiotomografia computadorizada revelando dissecção aórtica tipo A seis semanas após o diagnóstico inicial de arterite de Takayasu. 

A paciente foi diagnosticada com Arterite de Takayasu (AT) na fase inflamatória inicial e iniciou o tratamento com altas doses de esteroides. Houve redução dos marcadores inflamatórios séricos e da inflamação da parede aórtica. A tomografia por emissão de pósitrons após quinze dias de terapia mostrou uma captação discreta do traçador na aorta torácica (Figura G). Após seis semanas de tratamento, a paciente iniciou uma intensa dor dorsal. A angiotomografia mostrou dissecção aórtica tipo A (Figura H). Foi submetida a cirurgia cardíaca de emergência, que incluiu ressecção de aorta ascendente, substituição por enxerto artificial e obliteração da falsa luz distal. O período pós-operatório foi sem problemas.

A AT é uma vasculite rara, de grandes vasos, caracterizada por uma fase inflamatória seguida por uma fase sem pulso.3,4 O uso da imagem multimodal é útil para o diagnóstico, que pode ser um desafio devido às semelhanças com a SAA, e para seguimento.1,2 A dissecção aórtica é uma complicação excepcionalmente rara.5

REFERÊNCIAS

1 Hartlage GR, Palios J, Barron BJ,Stillman AE, Bossone E, Clements SD, et al. Multimodality imaging of aortitis. JACC Cardiovasc Imaging. 2014;7(6): 605-19.
2 Restrepo CS, Ocazionez D, Suri R, Vargas D. Aortitis: imaging spectrum of the infectious and inflammatory conditions of the aorta. Radiographics. 2011; 31:435-51.
3 de Souza AW, de Carvalho JF. Diagnostic and classification criteria of Takayasu arteritis. J Autoimmun. 2014; 48-49: 79-83.
4 Gornik HL , Creager MA. Aortitis. Circulation. 2008; 117(23): 3039-51.
5 Tyagi S, Bansal A, Gupta MD, Girish MP. Endovascular management of acute aortic dissection in Takayasu Arteritis. JACC Cardiovasc Interv. 2018;11(12):e99-e101.
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