Artigo recusado: problema ou oportunidade?

Artigo recusado: problema ou oportunidade?

Autores:

Guilherme Nunes Nogueira Neto

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia em Movimento

versão On-line ISSN 1980-5918

Fisioter. mov. vol.30 no.4 Curitiba out./dez. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1980-5918.030.004.ed01

Estudantes universitários optam ainda na graduação se pretendem fazer pesquisa científica ou trabalhar em empresa. Por vezes, o estudante acredita que não pode unir o melhor dos dois mundos. Curiosamente, algumas analogias podem ser feitas quanto às relações pesquisador-área e empresa-mercado. Uma empresa precisa disseminar sua produção em um mercado. Um pesquisador precisa disseminar seu principal produto (sua produção científica) em uma área de pesquisa. As publicações em periódicos são os grandes ativos do pesquisador. Todavia, e obviamente, ele não será o seu próprio cliente. A sociedade é quem irá consumir sua produção.

Em qualquer mercado, empresas utilizam produtos disponibilizados por outras empresas. Algumas transformarão os próprios processos e métodos ao passo que outras produzirão novos produtos e, talvez, criarão versões concorrentes. O mesmo ocorre na área da pesquisa. Tal qual pesquisadores, empresas associam-se e formam parcerias, almejando maximizar o desempenho, melhorar a produção, e potencializar a aceitação da produção em meio à concorrência. O pesquisador deseja que sua produção seja referenciada positivamente e não ignorada. Ele quer que ela esteja bem acabada, possua objetivos adequados às necessidades a serem supridas ou explicadas. Para isso, diretrizes1 são aplicadas a todos os trabalhos antes da produção chegar aos leitores; os clientes nesse mercado.

Há trabalhos que chegam às revistas com pontos que podem ser melhorados, que precisam seguir rotas não previstas originalmente, agregando mais valor à pesquisa. O processo de revisão deve enfocar a garantia de qualidade do trabalho e, para tanto, deve ser realizado por pessoas com conhecimento na área e sem conflito de interesse. Somente assim, os autores dos trabalhos podem submeter seus trabalhos com tranquilidade sabendo que serão justa e criteriosamente avaliados para o benefício de todos.

O mais interessante é que processo semelhante também ocorre no mercado. As empresas deixam canais abertos de comunicação com os clientes pelos quais tanto reclamações quanto elogios são recebidos. Nesse sentido, o papel do revisor de periódico é de fundamental importância, pois ele é o representante de uma comunidade de leitores. Logo, se ele rejeita ou sugere alterações em um artigo, ele está resguardando a qualidade que deve chegar aos leitores bem como proporcionando o melhoramento da pesquisa submetida.

Existem autores que consideram os revisores como obstáculos a serem vencidos, que se irritam com um presumido fracasso, enquanto há aqueles que alegam vícios e conflitos de interesse2, o que precisa ser investigado. Contudo, não se pode ignorar que o modo com o qual uma empresa trata as queixas dos seus clientes, mesmo que por meio de poucos representantes, pode ser determinante para que ela venha a obter uma vantagem competitiva no mercado3. Por isso, o ideal é que as críticas recebidas dos revisores sejam celebradas como oportunidades de crescimento, pois o artigo poderá ser melhorado de modo a não deixar margem a dúvidas, satisfazer plenamente os leitores e potencializar novas frentes de pesquisa.

Este fascículo é resultado do processo relatado acima. Autores e revisores trabalharam insistentemente para que os trabalhos refletissem as melhores evidências em cada assunto. Por isso, nós agradecemos aos autores pela confiança e aos revisores da Revista Fisioterapia em Movimento pela qualidade das revisões, sua isenção e especial dedicação nesse processo tão importante.

Prof. Dr. Guilherme Nunes Nogueira Neto Editor Associado
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