As pessoas que têm melhor olfato são mais afetadas pela saciedade?

As pessoas que têm melhor olfato são mais afetadas pela saciedade?

Autores:

Seckin Ulusoy,
Mehmet Emre Dinc,
Abdullah Dalgic,
Murat Topak,
Denizhan Dizdar,
Abdulhalim İs

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

versão impressa ISSN 1808-8694versão On-line ISSN 1808-8686

Braz. j. otorhinolaryngol. vol.83 no.6 São Paulo nov./dez. 2017

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.08.011

Introdução

Todas as funções corporais são afetadas pela perda de energia, inclusive o olfato; a fome pode alterar a percepção do odor. Mudanças na avaliação subjetiva de um estímulo alimentar imutável são condizentes com as mudanças no estado de fome;1 evidências recentes sugerem que o estado de fome pode afetar de maneira semelhante a aprazia do aroma de alimentos.2 Embora os mecanismos subjacentes às alterações para estímulos alimentares e olfativos (p.ex., de positivo para negativo após saciedade) ainda não estejam totalmente compreendidos, a perda de energia está ligada a mudanças na atividade do bulbo olfatório3 e sensibilidade olfativa em ratos.1,4

O sistema olfatório é afetado pelo equilíbrio nutricional e estado químico do corpo, que serve como um sensor interno.1 Os sistemas endócrino e olfatório são estreitamente ligados. Os hormônios e peptídeos metabólicos podem ser orexígenos ou anorexígenos, depende da inibição ou estimulação da ingestão de alimentos. O hipotálamo e outras partes do cérebro, inclusive as regiões olfatórias, são estimulados por leptina e insulina, causam um efeito anorexígeno.5

Farhadian et al.6 estudaram a relação entre o comportamento pós-jejum e mudanças na capacidade de resposta olfativa e sugeriram que o sistema olfatório é afetado pelo estado nutricional: as moscas em jejum foram mais receptivas aos odores atraentes, se comparadas com moscas saciadas. Esse fenômeno foi demonstrado nos nematódeos C. elegans. Os vermes tipicamente reagem ao cheiro de octanol quando se movem para trás, mas na ausência de alimentos essa resposta é significativamente menos rápida.7

Neste estudo, investigamos o efeito do jejum na percepção olfativa em seres humanos e avaliamos alterações perceptuais durante saciedade. O teste olfativo Sniffin Sticks foi administrado durante o jejum do Ramadã e durante períodos subsequentes de saciedade. Os escores de identificação, limiar e discriminação foram avaliados. Os escores para todos os itens do teste pertencentes a essas três categorias foram significativamente maiores durante o jejum do que durante a saciedade.

Método

Foram incluidos 48 indivíduos (20 homens, 28 mulheres) internados na Clínica de Otorrinolaringologia do Gaziosmanpaşa Tak-sim Education and Research Hospital entre 28 de junho de 2014 e 27 de agosto de 2014. Todos os pacientes participavam do jejum do Ramadã. O teste olfativo Sniffin Sticks foi aplicado após 16 horas de jejum e novamente pelo menos uma hora após a ceia do Ramadã, durante um período de saciedade. A idade média dos pacientes foi de 33,5 ± 9,6 anos.

Todos os participantes foram informados sobre os procedimentos do estudo e forneceram o consentimento informado. O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Gaziosmanpaşa Tak-sim Education and Research Hospital (09/07/2014 n° 60). O estudo foi conduzido de acordo com os princípios básicos da Declaração de Helsinque.

Seleção dos pacientes

Os seguintes critérios de inclusão foram aplicados: (1) participação no jejum do Ramadã, (2) nenhuma comorbidade clínica, cirúrgica ou psiquiátrica pré-existente; (3) nenhuma deficiência física ou psicológica que interferisse na participação; (4) nenhuma história de uso de medicação, exceto vitaminas suplementares diárias e comprimidos de ferro; (5) nenhum diagnóstico prévio de doença das vias respiratórias superiores ou histórico de cirurgia nasal; (6) e no primeiro período do ciclo menstrual. Fumantes e mulheres na menopausa foram excluídos. Todos os indivíduos foram submetidos a exame otorrinolaringológico, conduzido por otorrinolaringologistas, para confirmar a ausência de doença das vias respiratórias superiores.

Avaliação da função olfativa

O teste olfativo Sniffin Sticks (Burghart, Wedel, Alemanha)8,9 - ou seja, dispositivo de distribuição do odor semelhante a caneta - foi usados para avaliar o olfato. O limiar de odor, a discriminação e os parâmetros de identificação foram medidos. Para apresentar cada odor, as tampas das "canetas" foram removidas pelo pesquisador, com a ponta então mantida aproximadamente 2 cm à frente de ambas as narinas do participante por cerca de três segundos. Os indivíduos foram vendados para impedir a identificação visual das canetas que continham odor. Para o teste do limiar, o tampão de cada caneta foi preenchido com álcool fenil etílico (AFE; caracterizado por um odor semelhante a rosas) diluído em propileno glicol (razão de diluição = 1:2, começa com 4%). O limiar de odor do AFE foi avaliado com um procedimento único em escada, entre três opções de escolha forçada (3-AEF). Três canetas novas foram apresentadas a cada indivíduo aleatoriamente; duas continham um solvente inodoro (propileno glicol) e a terceira continha um odorante de uma determinada diluição. Três canetas novas foram apresentadas em intervalos de 20 segundos e o indivíduo tinha de indicar a caneta que continha o odorante. A concentração da caneta com odor era aumentada se o indivíduo selecionasse uma das canetas inodoras e diminuída se o odorante fosse selecionado. A média das quatro anteriores, de sete pontos de reversão totais, foi aceita como o limiar de detecção (variação 1-16).10 Para a discriminação de odor, foram apresentados 16 conjuntos de três canetas, dois dos quais continham odorantes idênticos; o terceiro continha o odorante alvo. Os participantes foram convidados a identificar a amostra original; o número de odores corretamente identificados foi somado para produzir o escore do teste. A identificação do odor foi avaliada com 16 odores comuns e um design de múltipla escolha forçada; os indivíduos identificaram odores ao selecionar os mais apropriados de quatro descrições diferentes.

Análise estatística

Foi feita com o pacote do programa SPSS para Windows (versão 22.0, SPSS, Chicago, IL, EUA). De acordo com os resultados do teste de Kolmogorov-Smirnov, quando o valor p é menor que do 0,05, as variáveis não são distribuídas normalmente. Assim, foram usados métodos não paramétricos no estudo. Na primeira fase de análise estatística básica dos dados, os valores da mediana e variação são fornecidos. Na segunda fase que envolve o teste de diferenças entre os grupos, foram usados os testes de Wilcoxon e McNemar, esse último bilateral.

Resultados

Este estudo prospectivo incluiu 48 indivíduos (20 homens, 28 mulheres), com média de 33,6 ± 9,7 anos (variação 20-72); altura média de 169,1 ± 7,6 cm (variação 150-185); peso médio de 71,2 ± 17,6 kg (variação de 50-85); e IMC médio de 24,8 ± 5,3 (variação de 19,5-55,9). As características de linha de base dos pacientes estão resumidas na tabela 1.

Tabela 1 Características de momento basal dos indivíduos do estudo 

Mín-Máx Mediana Média ± DP/n (%)
Idade 20-72 32 33,6 ± 9,7
Sexo
Mulheres 28 (58%)
Homens 20 (42%)
Duração 150-185 170 169,1 ± 7,6
Peso 50-175 70 71,2 ± 17,6
IMC 19,5-55,9 23,9 24,8± 5,3

Os resultados do teste de jejum e período de saciedade são apresentados na tabela 2 e figura 1.

Tabela 2 Função olfativa geral em jejum e em saciedade 

Jejum Saciedade p
Média ± DP/n (%) Med (mín-máx) Média ± SD/n (%) Med (mín-máx)
Identificação 13,7 ± 1,1 14 (11-16) 12,8 ± 1,1 13 (11-15) 0,000
Limiares 7,7 ± 1,9 7,3 (4,5-13) 6,5 ± 1,4 6,3 (2,5-10) 0,000
≤ 9 39 (81%) 46 (96%) 0,008
> 9 9 (19%) 2 (4%)
Discriminação 13,8 ± 1,0 14 (11-15) 13,2 ± 1,1 13 (11-15) 0,000
TDI 35,2 (3,5) 35 (28-43) 32,6 (3,0) 33 (26-39) 0,000

Teste de Wilcoxon/Teste de MC Nemar.

Figura 1 Função olfativa geral na fome e na saciedade. 

Resultados de identificação (I): escores de identificação foram significativamente maiores durante o jejum (mediana = 14) vs. período de saciedade (mediana = 13).

Resultados do limiar (T): os escores de limiar foram significativamente maiores durante o jejum (mediana = 7,3) vs. período de saciedade (mediana = 6,2).

Resultados de discriminação (D): escores de discriminação foram significativamente maiores durante o jejum (mediana = 14) vs. período de saciedade (mediana = 13).

Os escores totais de TDI foram de 35,2 (jejum) vs. 32,6 (saciedade).

Um valor limiar de jejum do > 9 foi usado para definir Grupo A; o valor limiar do período de jejum foi significativamente maior em comparação com o período de saciedade (p ˂ 0,05).

Um valor limiar de jejum de ≤ 9 foi usado para definir o Grupo B; o valor limiar do período de jejum foi significativamente maior em comparação com o período de saciedade (p ˂ 0,05) (tabela 3).

Tabela 3 Comparação de valor limiar de jejum de ≤ 9 e > 9 com saciedade 

Limiares de jejum ≤ 9 Limiares de saciedade > 9 p
Média ± DP/n (%) Med (mín-máx) Média ± DP/n (%) Med (mín-máx)
Jejum 7,1 ± 1,1 7,0 (4,5-9,0) 10,5 ± 2,1 0,5 (6,3-13,0)
Saciedade 6,1 ± 1,1 6,3 (2,5-9,0) 8,2 ± 1,4 8,3 (6,0-10,0)
Diferença 0,9 ± 0,8 1,0 (-1,0-3,5) 2,3 ± 1,0 3,0 (0,3-3,3) 0,001
p 0,000 0,007

Teste de Wilcoxon/Teste U de Mann-Whitney.

Quando comparamos os Grupos A e B, a diferença entre os limiares de jejum e de saciedade foi significativamente maior no grupo A (p ˂ 0,05).

Discussão

Nos mamíferos, o sentido do olfato é modulado pelo estado de saciedade, sinalizado principalmente por hormônios peptídicos de circulação no sangue. No entanto, os mecanismos subjacentes que ligam o olfato e a ingestão de alimentos são mal compreendidos. O olfato é um fator importante na decisão de comer um alimento ou recusá-lo. Os hormônios estimulantes e supressores do apetite também têm efeitos sobre o comportamento conduzido pelo olfato.

Moléculas orexigênicas (estimulantes) incluem grelina, neuropeptídeo Y, orexinas, endocanabinoides11 e opioides endógenos.11 As moléculas anorexigênicas (inibitórias) incluem insulina,12 leptina,13 colecistoquinina14 e glicose nutriente7 e foram estudadas por vários autores. Quando com fome ou saciados, estômago, intestinos, pâncreas e outros órgãos periféricos regulam várias moléculas periféricas.14 A mucosa olfativa e o bulbo, bem como o hipotálamo, são atingidos pelo sangue com essas moléculas. Em resposta, fatores metabólicos são liberados pelo hipotálamo para controlar a homeostase nutricional. O sistema olfatório também é afetado por essas mudanças, adapta-se às necessidades nutricionais do corpo.

A serotonina pode mediar sinais de fome, porque a sua administração precipita alimentação em ensaios de comportamento olfativos.7 Além disso, em moscas, os neurônios de projeção do lobo antenal são reforçados por serotonina em determinadas condições.15 A serotonina, ou uma molécula secretada semelhante, pode também regular a sensibilidade de 3-metil-tio-1-propanol em moscas pós-fome.

A modulação de desempenho olfativo tem sido estudada em perturbações metabólicas, tais como obesidade, diabetes e anorexia nervosa. A alteração dos níveis de moléculas de modificação olfativa modifica a ativação do cérebro e a resposta a odores de alimentos. Os distúrbios metabólicos perturbam o desempenho olfativo, interrompem assim o balanço de energia.16 Alterações nos níveis hormonais e de glicose são detectadas por receptores e peptídeos relacionados com a alimentação. O hipotálamo e o sistema olfatório comunicam-se por meio do bulbo olfativo e a ingestão calórica e a velocidade do metabolismo são influenciados pelo sistema olfatório.16

Aime et al.4 sugeriram que o olfato desempenha um papel fundamental no comportamento da alimentação. A relação entre a acuidade olfativa e o estado de alimentação não foi determinada com precisão em modelos animais; no entanto, esses autores avaliaram a detecção olfativa em ratos em jejum e saciados sujeitos a um esquema de ingestão de alimentos rigorosamente controlado e obtiveram dados originais ao verificar a hipótese de a sensibilidade olfativa estar aumentada em animais em jejum. Como os resultados foram obtidos com um odor neutro, os autores sugerem que aumentos de acuidade olfativa que ocorrem durante o jejum possibilitem aos animais detectar mais facilmente os odores ambientais que se destacam, inclusive itens de alimentos e predadores. Aime et al.4 concluíram que o olfato é relevante para a busca do alimento e tem uma função ecoetológica em ratos; nossos dados estão de acordo com seu estudo.

Goetzl e Stone17 foram os primeiros a discutir a acuidade do olfato e a ingestão alimentar em artigos publicados em 194717 e 1948.18 Quando saciado, o córtex orbitofrontal primata diminui a sua capacidade de resposta a um odor.19 Embora o comportamento orientado pelo olfato em seres humanos ainda não tenha sido demonstrado em estudos clínicos, tem sido bem estabelecido em estudos experimentais. Antes do estudo, Cameron et al.1 foram os primeiros a publicar um relatório de comportamento orientado pelo olfato em seres humanos. Eles afirmaram que as mudanças na função olfativa podem modificar o comportamento alimentar, mas a maneira pela qual o equilíbrio de energia negativa agudo influencia o olfato e a palatabilidade permanece obscura. Em seu estudo, 15 indivíduos (nove homens, seis mulheres), com idade de 28,6 ± 4,5 anos, média de peso corporal inicial de 74,7 ± 4,9 kg e índice de massa corporal (IMC) de 25,3 ± 1,4 kg/m2, foram avaliados no início (alimentados) e pós-privação (em jejum) para o desempenho quimiossensorial nasal com o teste olfativo Sniffin Sticks. As classificações de palatabilidade dos alimentos também foram medidas com escalas visuais analógicas. Melhorias significativas nos escores de limiar de odor, discriminação do odor e odor total (TDI) e classificações de palatabilidade mais elevadas foram observadas durante o jejum. Os autores concluíram que o jejum durante 24 h melhora a função olfativa; esse efeito foi associado ao aumento de classificações de palatabilidade e peso corporal inicial. Mais estudos são necessários para confirmar os papéis de peso corporal e sexo no olfato e paladar. Semelhantemente a Cameron et al.,1 também observamos melhoria da função olfativa durante o jejum, que diminuiu durante a saciedade. Comparados com os de seu estudo, nossos resultados às 16 h foram idênticos aos deles às 24 h e o nosso grupo foi três vezes maior (48 vs. 15).1 Recentemente, Hanci e Altun20 conduziram outro estudo que incluiu 123 pacientes em um design prospectivo; seus resultados foram semelhantes aos nossos em termos de escores de TDI, mas também houve diferenças entre os estudos. Os indivíduos em Hanci e Altun foram programados para check-ups de rotina e jejuaram durante oito horas, em comparação com nosso período de 16 horas de jejum. Sugerimos que, na parte da manhã, os seres humanos apresentam algumas alterações fisiológicas dependentes do tempo decorrido após seu despertar, como o aumento dos níveis de esteroides em comparação com antes do jantar, como em nosso estudo. Por isso, o nosso programa do teste foi aprimorado em comparação com o de Hanci e Altun.20 O nosso estudo é o terceiro relativo a olfato e jejum em seres humanos, mas todos os três diferem em termos do número de pacientes incluídos e das durações do jejum. Além disso, verificou-se que um limiar de jejum de ≤ 9 horas (Grupo A) afetou (ou seja, reduziu) a ingestão de alimentos no jantar em um grau maior, ou seja, o período de saciedade tinha mais efeito sobre os indivíduos com um sentido superior de olfato (Grupo A).

Há várias limitações neste estudo. O número de indivíduos foi baixo e um método mais objetivo (olfatometria) poderia ter sido usado; além disso, também poderíamos ter medido os efeitos de diferentes durações de jejum (p.ex., 8, 16 e 24 horas) em nosso grupo de pacientes.

Sugerimos que, à luz dos nossos resultados referentes à aferição médica do olfato com o uso tanto de olfatometria como de testes odoríferos, avaliações devem ser feitas de maneira consistente durante períodos de fome ou plenitude, para alcançar resultados mais precisos. O trabalho futuro poderia ampliar nossa compreensão, explorar a relação entre o sentido do paladar e jejum e procurar por pontos importantes adicionais que podem melhorar nosso conhecimento sobre a obesidade e doenças associadas. Isso também pode ajudar na descoberta de novos fármacos e terapias antiobesidade.

Conclusão

Não são apenas os estimulantes químicos externos que afetam o sistema olfatório, mas estimulantes químicos e metabólicos internos também são detectados por esse sistema. Os aumentos na sensibilidade olfativa durante o jejum podem estar relacionados com essa via, neurotransmissores e receptores que devem ser objeto de estudo mais aprofundado. Os trabalhos futuros deverão ter como objetivo a ampliação dessa compreensão e a busca por identificar outros pontos importantes no cérebro.

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