Aspergiloma pulmonar intracavitário: aspectos endoscópicos

Aspergiloma pulmonar intracavitário: aspectos endoscópicos

Autores:

Evelise Lima,
André Louis Lobo Nagy,
Rodrigo Abensur Athanazio

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Pneumologia

versão impressa ISSN 1806-3713versão On-line ISSN 1806-3756

J. bras. pneumol. vol.41 no.3 São Paulo maio/jun. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132015000000026

Figura 1. Em A, TC de tórax com massa intracavitária sugestiva de fungus ball. Em B, óstio do lobo superior direito com destruição da arquitetura do segmento apical. Em C e D, massa esbranquiçada intracavitária com áreas necróticas e aspecto endoscópico sugestivo de infecção fúngica. 

Paciente do sexo feminino, 49 anos, com diagnóstico de carcinoma de paratireoide desde 2007. Realizou tratamento cirúrgico e quimioterápico.

Após cinco anos, evoluiu com tosse e febre. Em TC de tórax foi observada lesão escavada de paredes finas no lobo superior direito. A broncoscopia com biópsia transbrônquica confirmou o diagnóstico de metástase pulmonar. Após tratamento com radioablação, manteve lesão escavada sequelar acompanhada radiologicamente.

Em TC de tórax de controle no ano de 2013, observou-se um aumento da lesão escavada, espessamento de suas paredes e imagem intracavitária sugestiva de bola fúngica.

A paciente foi submetida à nova broncoscopia, sendo visualizada alteração estrutural do segmento apical do lobo superior direito, com grande cavidade contendo em seu interior massa extensa, irregular, vegetante, de coloração esbranquiçada.

Foram realizadas biópsias e lavado broncoalveolar que confirmaram o diagnóstico de infecção por Aspergillus fumigatus.

A paciente iniciou tratamento com antifúngico via oral e seguimento ambulatorial.

A aspergilose é uma doença multifacetada, cujas manifestações clínicas são determinadas pela resposta imune do hospedeiro; podem se apresentar de forma alérgica, saprofítica ou invasiva.

A aspergilose pulmonar invasiva emergiu como uma doença infecciosa de alta morbidade e mortalidade em imunodeprimidos e deve ser tratada precocemente. O voriconazol é indicado como tratamento de primeira escolha.

Em alguns casos pode ocorrer destruição parenquimatosa arquitetural extensa, permitindo a comunicação com a via aérea central e possibilitando a visualização endoscópica intracavitária; no entanto, esse é um achado raríssimo. Na literatura, os relatos de caso são limitados e citam os aspergilomas endobrônquicos. Endoscopicamente, massas esbranquiçadas de aspecto necrótico sugerem infecção fúngica.No entanto, o diagnóstico deve ser confirmado por documentação histopatológica e cultura positiva de material.

REFERÊNCIAS

Schweer KE, Bangard C, Hekmat K, Cornely OA. Chronic pulmonary aspergillosis. Mycoses. 2014;57(5):257-70.
Patterson KC, Strek ME. Diagnosis and treatment of pulmonary aspergillosis syndromes. Chest. 2014;146(5):1358-68.
Ma JE, Yun EY, Kim YE, Lee GD, Cho YJ, Jeong YY, et al. Endobronchial aspergilloma: report of 10 cases and literature review. Yonsei Med J. 2011;52(5):787-92.
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