Assistência Farmacêutica: um campo em consolidação

Assistência Farmacêutica: um campo em consolidação

Autores:

Claudia Garcia Serpa Osorio-de-Castro,
Maria Auxiliadora Oliveira,
Daniela Maciel Moulin de Vasconcelos

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.22 no.8 Rio de Janeiro ago. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232017228.13492017

Segundo a OMS, a Assistência Farmacêutica é um “grupo de serviços e atividades relacionados com o medicamento, destinados a apoiar as ações de saúde que demanda a comunidade”. O papel deste conjunto ‘operativo’ deve ser efetivado por meio de ações sequenciais e complementares, garantindo que os usuários recebam serviços e insumos de qualidade para a consecução exitosa da farmacoterapia.

Nos países da América Latina e da América do Norte o termo Assistência Farmacêutica corresponde a pharmaceutical services, evidenciando uma visão mais restrita do campo, focando em organização e prestação de serviços e ações que envolvem o medicamento. A Assistência Farmacêutica se estabeleceu no Brasil nos últimos trinta anos, a princípio, delimitando o campo de prática da profissão farmacêutica. No nosso país o termo tomou ‘asas’, englobando desde a pesquisa e o desenvolvimento à utilização, e por isso agregando profissionais de várias inserções na saúde, na tecnologia e nas ciências sociais. Ao longo do tempo, o campo vem evoluindo cada vez mais no sentido de incorporar novos saberes, conhecimentos, conformando-se como campo multiprofissional e multissetorial. A Assistência Farmacêutica passa a mostrar as diversas interfaces que permeiam o trabalho conjunto relacionado aos medicamentos, para a produção de desfechos em saúde. Essa diversidade confere riqueza, complementariedade e complexidade ao campo.

Este número temático em Assistência Farmacêutica intenciona justamente mostrar o variado escopo de atuação e a inserção de múltiplos profissionais no tema. Muita gente hoje escreve sobre Assistência Farmacêutica, e bem. Especialmente, é importante sinalizar a apropriação da Assistência Farmacêutica pela Saúde Coletiva, tendo como resultado o reconhecimento do papel dos medicamento e dos serviços nas ações sanitárias. Este casamento deu certo.

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva sempre abriu espaço para o campo. Nada mais adequado, portanto, que este número se materializasse na Revista Ciência e Saúde Coletiva. A CSC vem recebendo muito da produção nacional em Assistência Farmacêutica, cada vez com maior qualidade, refletindo a melhor formação dos profissionais envolvidos e a pujança da pesquisa no tema. O grande influxo de artigos implica em maior concorrência, mas ao mesmo tempo, e em decorrência, na permanente presença do campo nas páginas da Revista.

O número foi organizado buscando congregar diferentes aspectos relacionados ao tema, ainda que não fosse intenção, ou mesmo possível, esgotar o escopo da Assistência Farmacêutica. O debate foca no Painel de Alto Nível da ONU sobre Acesso a Medicamentos e seus desdobramentos. É apresentada uma análise dos avanços da Política de Medicamentos do Brasil, bem como seus desafios futuros. A seguir uma série de artigos destacam a prática da Assistência Farmacêutica nos diferentes níveis de atenção, e trazem análises de programas e políticas vigentes, bem como questões pontuais e candentes relacionadas à produção, ao mercado, ao cuidado e ao uso racional. Dois artigos se debruçam sobre temas que ultrapassam as fronteiras do país. Duas revisões sistemáticas e uma resenha complementam a grade do fascículo.

Este número temático foi inicialmente concebido como uma celebração dos 20 anos de formação do Núcleo de Assistência Farmacêutica, Centro Colaborador em Política de Medicamentos da OPAS/OMS, e, desde 2015, Departamento de Política de Medicamentos e Assistência Farmacêutica da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz. Para que a comemoração fosse mais abrangente, sentiu-se a necessidade de congregar parceiros acadêmicos de outras instituições, aqueles mais próximos da nossa rede de colaboração. O resultado é um número temático variado e, de certa forma, representativo do nosso campo comum de atuação.

Boa Leitura!

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