Associação entre indoxil sulfato e histomorfometria óssea em pacientes renais crônicos pré-diálise

Associação entre indoxil sulfato e histomorfometria óssea em pacientes renais crônicos pré-diálise

Autores:

Fellype Carvalho Barreto,
Daniela Veit Barreto,
Maria Eugênia Fernandes Canziani,
Cristianne Tomiyama,
Andrea Higa,
Anaïs Mozar,
Griet Glorieux,
Raymond Vanholder,
Ziad Massy,
Aluizio Barbosa de Carvalho

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Nephrology

versão impressa ISSN 0101-2800

J. Bras. Nefrol. vol.36 no.3 São Paulo jul./set. 2014

http://dx.doi.org/10.5935/0101-2800.20140042

Introdução

Distúrbios dos metabolismos ósseo e mineral são comuns na doença renal crônica (DRC) e estão associados a um aumento da morbidade e redução da qualidade de vida dos pacientes.1,2 As várias alterações patológicas ósseas encontradas em pacientes com DRC são referidas coletivamente como osteodistrofia renal (ODR) e incluem alterações na histologia óssea, que podem ser quantificadas pela avaliação histomorfométrica de biópsias ósseas.

Sabe-se que a ODR começa muito cedo no curso da DRC.3,4 Muitos fatores têm sido considerados na fisiopatologia desta condição, incluindo cálcio, fosfato, hormônio da paratireóide (PTH), vitamina D e seus análogos, fator de crescimento de fibroblastos 23 (FGF-23) e, mais recentemente, esclerostina.5 Vários outros solutos quantificáveis importantes que têm efeitos biológicos negativos e são retidos no corpo à medida que a condição urêmica progride - as chamadas toxinas urêmicas - têm também sido implicados.

O sulfato de indoxil (SI) é uma toxina urêmica ligada à proteína derivada do metabolismo do triptofano presente na dieta. Resumidamente, o triptofano é metabolizado em Indol por bactérias intestinais e, após a absorção intestinal, é ainda convertido em SI no fígado. É excretado pelos rins através de secreção tubular proximal. Consequentemente, o SI se acumula no sangue de pacientes com insuficiência renal. Além disso, a alta afinidade de ligação do SI para com a albumina significa que ele não pode ser removido eficientemente pela hemodiálise convencional.6 O papel do SI como toxina urêmica foi revelado pela primeira vez pelos seus efeitos de aceleração da progressão da DRC,7 possivelmente através de uma redução na viabilidade das células tubulares proximais devido ao aumento do estresse oxidativo.8 Posteriormente, Iwazaki e colaboradores9 usaram um modelo de rato com insuficiência renal associada a baixo volume de remodelação óssea para mostrar que o acúmulo de SI foi relacionado à menor taxa de formação óssea e à redução na regulação de genes relacionados a osteoblastos. Esta condição foi melhorada pelo tratamento com o adsorvente oral AST-120 (provavelmente reduzindo os níveis de SI). Posteriormente, o mesmo grupo mostrou que o SI reduz a produção de AMPc induzida pelo PTH, a expressão gênica do receptor de PTH (PTH1R) e a viabilidade celular em culturas de osteoblastos primários.10 Mais recentemente, Mozar e colaboradores11 demonstraram que o SI inibe a diferenciação e função dos osteoclastos. Na clínica, Goto e colaboradores12 relataram uma associação negativa entre SI e marcadores sorológicos de remodelação óssea independente dos níveis de PTH, em uma coorte de 47 pacientes em hemodiálise. Estas observações levaram à hipótese de que o acúmulo de SI está envolvido no desenvolvimento de osteodistrofia renal. Até o momento, nenhum estudo avaliado por histomorfometria óssea foi realizado para analisar esta hipótese.

O presente estudo procurou avaliar a associação entre o sulfato de indoxil (SI) circulante - uma toxina urêmica ligada à proteína, e parâmetros bioquímicos relacionados ao metabolismo mineral [tais como cálcio, fosfato, fosfatase alcalina óssea específica, PTH intacto, FGF-23, o 25(OH); a vitamina D3 (25D), a vitamina D3 1,25 (OH)2 e a vitamina D3 (1,25 D)] e parâmetros histomorfométricos em uma coorte de pacientes com DRC pré-diálise sem tratamento prévio.

Material e Métodos

Indivíduos e tipo do estudo

Esta é uma análise post-hoc de um estudo transversal que avaliou a associação entre a calcificação da artéria coronária e os parâmetros histomorfométricos em uma coorte de pacientes ambulatoriais com DRC em pré-diálise, de uma clínica de nefrologia em São Paulo, Brasil.13 Os pacientes tinham 18 anos de idade ou mais, com valores de clearance de creatinina de 24 horas entre 15 e 90 ml/min/m2. Todos haviam sido acompanhados por um nefrologista por pelo menos 3 meses e não receberam quaisquer aglutinantes de fosfato, análogos da vitamina D ou corticosteróides. Os pacientes incluídos foram submetidos a exames clínicos e físicos. Não havia evidência de doença inflamatória, neoplásica ou infecciosa em qualquer dos indivíduos. Peso e altura foram utilizados para calcular o índice de massa corporal (IMC). Todos os pacientes foram submetidos a exames laboratoriais e biópsia óssea no prazo de 30 dias após a seleção da amostra.

Todos os pacientes forneceram consentimento informado por escrito. O protocolo do estudo foi revisado e aprovado pelo Conselho de Revisão Institucional local e foi realizado de acordo com os princípios éticos da Declaração de Helsinque.

Exames laboratoriais

As amostras de sangue sob jejum foram analisadas para creatinina, cálcio ionizado, fósforo, fosfatase alcalina (valores de referência: < 270 U/L para os homens e < 240 U/L para as mulheres), fosfatase alcalina óssea específica (ensaio imunoenzimático da Metra Biosystems Inc, Mountain View, CA, EUA; intervalo de referência: 11,6-42,7 U/L para os homens e 15-41,3 U/L para as mulheres), PTH intacto (PTHi; Immulite Assay, DPC, Los Angeles, CA, EUA; intervalo de referência: 10 a 65 pg/ml), FGF-23 (ELISA da Kainos Laboratories, Tóquio, Japão; intervalo de referência: 28,9 ± 1,1 pg/ml), 1,25 D (radioimunoensaio, contador Gamma, Perkin Elmer, Brasil, intervalo de referência: 15,9 a 55,6 pg/ml) e 25D (radioimunoensaio, DiaSorin®, Stillwater, MN, EUA; intervalo de referência: 18 a 62 ng/dL). Para a determinação de níveis séricos totais de SI as amostras foram desproteinizadas por desnaturação térmica e analisadas por cromatografia líquida de alta eficiência de fase inversa. As concentrações foram determinadas por detecção de fluorescência (excitação a 280 nm e emissão a 340 nm para SI).14 O mesmo método foi utilizado para determinações de SI livre; entretanto, as amostras de soro foram ultrafiltradas por uma Centrifree (Millipore) antes da desproteinização. Os valores de referência para SI total e livre em nossos indivíduos saudáveis de controle (n = 20) foram 0,090 ± 0,034 mg/dL e 0,016 ± 0,004 mg/dL, respectivamente.

Para estimar a verdadeira TFG com a maior precisão possível a partir dos níveis de creatinina sérica, aplicamos a equação "CKD-EPI" - recém-publicada.6 Para fins descritivos, os pacientes foram classificados em estágios de DRC de acordo com as diretrizes K/DOQI da Fundação Nacional do Rim.15 Como tínhamos poucos pacientes com DRC nos estágios 2 e 5, a população do estudo foi separada em dois grupos (DRC estágios 2-3 e estágios 4-5) para fins descritivos e analíticos.

Biópsia óssea

As amostras ósseas foram retiradas da crista ilíaca após marcação dupla com tetraciclina. Fragmentos de ossos foram submetidos ao processamento histológico padrão.8 A análise histomorfométrica óssea semiautomática foi conduzida utilizando o software Osteomeasure (Osteometrics Inc, Atlanta, GA), como descrito anteriormente.13 Os parâmetros histomorfométricos analisados foram aqueles propostos pelo Comitê de Nomenclatura da Sociedade Americana de Histomorfometria de Pesquisa Mineral e Óssea.16 Os valores de referência utilizados para os parâmetros estáticos foram obtidos a partir de controles locais,17 ao passo que os parâmetros dinâmicos seguiram aqueles descritos por outros.18

Parâmetros histomorfométricos selecionados para a remodelação óssea [taxa de formação óssea/superfície óssea (BFR/BS)]; mineralização [tempo de retardo da mineralização (MLT)] e volume [volume ósseo trabecular (BV/TV)], bem como a superfície de osteoblastos/superfície óssea (Ob.S/BS); volume de osteóide/volume ósseo (OV/BV); a superfície de osteoclastos/superfície óssea (Oc.S/BS); erosão da superfície/superfície óssea (ES/BS) e volume de fibrose (Fb.V), foram descritos de acordo com as diretrizes publicadas na classificação ROD.1

Análise estatística

Os dados são expressos como média ± DP, mediana e amplitude ou frequência. Para os parâmetros que apresentam uma distribuição não-gaussiana, os valores foram normalizados para log antes de serem utilizados em testes que exigem variáveis normalmente distribuídas. Comparações intergrupos foram realizadas utilizando um teste χ2 para variáveis categóricas e teste-t de Student ou o teste de Mann-Whitney para variáveis contínuas. Modelos de regressão linear univariada foram utilizados para verificar as associações entre níveis séricos totais de SI e marcadores do metabolismo mineral, bem como parâmetros histomorfométricos ósseos. As variáveis selecionadas na análise univariada foram usadas em modelos de regressão linear multivariada para verificar a independência das associações identificadas. Um valor de p< 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. Todas as análises estatísticas foram realizadas utilizando o software de estatística PASW®, versão 18.0.

Os autores tiveram acesso total aos dados e assumem total responsabilidade por sua integridade. Todos os autores leram e aceitaram o manuscrito como está escrito.

Resultados

Os pacientes eram predominantemente do sexo masculino (67%) e da raça branca (49%), com 40% apresentando diabetes mellitus como comorbidade. A média ± DP da idade foi de 52 ± 10 anos, e o tempo médio desde o diagnóstico da DRC foi de 30 meses (variando de 15 a 83 meses). Nefroesclerose hipertensiva foi a etiologia mais frequente de DRC (39%), seguida de nefropatia diabética (31%). A TFG média estimada na coorte do estudo foi de 36 ± 17 ml/min (10% na DRC estágio 2; 49% na DRC estágio 3; 35% na DRC estágio 4 e 6% em DRC estágio 5, de acordo com as diretrizes K/DOQI da Fundação Nacional do Rim (National Kidney Foundation)).19 Os valores médios de albumina e hemoglobina (4,3 ± 0,4 g/dl e 13 ± 2 g/dL, respectivamente) estavam dentro dos valores de referência normais. É digno de nota que a maioria dos pacientes (60%) tinha níveis suficientes de 25D (ou seja, 25D > 30 ng/ml) e apenas 10% dos pacientes estudados apresentaram deficiência de vitamina D (definido como 25D < 15 ng/ml).20

A Tabela 1 apresenta informações sobre as características bioquímicas e hormonais, por estágio da DRC. Os níveis séricos de fosfato, iPTH, FGF-23, fosfatase alcalina óssea específica, assim como SI total e livre estavam significativamente elevados em pacientes com DRC estágios 4 e 5, em comparação com aqueles com DRC nos estágio 2 e 3. Além disso, os níveis séricos de bicarbonato, 25D e 1,25 D estavam mais baixos em pacientes com DRC nos estágios 4 e 5 do que naqueles com DRC nos estágios 2 e 3. Como esperado (Figura 1), houve uma significativa associação negativa entre o SI sérico total e a TFGe. Curiosamente, os níveis séricos total e livre de SI já estavam elevados em pacientes com DRC nos estágios 2 e 3, quando comparados com 20 controles saudáveis (média ± DP total de SI foi de 0,165 ± 0,079 vs. 0,090 ± 0,034 mg/dL, p = 0,001, e a média ± DP de SI livre foi de 0,030 ± 0,006 vs. 0,016 ± 0,004 mg/dL, p < 0,001, respectivamente). Vale ressaltar que não houve diferenças entre os subgrupos de estágios da DRC em termos de idade, gênero, raça, IMC, diabetes ou o tempo decorrido desde o diagnóstico da DRC (dados não exibidos).

Tabela 1 Características bioquímicas e hormonais da população do estudo, por estágio da DRC 

  Estágio da DRC
2 e 3 4 e 5 p
n = 29 n = 20  
Bicarbonato (mM) 24,6 ± 2,9 22,6 ± 2,9 0,03
Cálcio ionizado (mM) 1,31 ± 0,04 1,28 ± 0,07 0,1
Fosfato (mg/dL) 3,5 ± 0,6 4,3 ± 0,6 < 0,001
PTH intacto (pg/ml) 75 (41-99) 195 (99-366) < 0,001
Fosfatase alcalina total (U/L) 113 (69-163) 118 (76-167) 0,6
bAP (U/L) 23 (17-28) 31 (21-46) 0,007
FGF-23 (pg/ml) 45,8 ± 30,1 95,8 ± 69,5 0,001
25 (OH) vitamina D (pg/ml) 33 ± 9 28 ± 10 0,05
1,25 (OH)2 vitamina D (ng/dL) 38 (33-49) 33 (25-39) 0,02
Sulfato de indoxil total (mg/dL) 0,16 (0,09-0,22) 0,44 (0,35-0,68) < 0,001
Sulfato de indoxil livre (mg/dL) 0,028 (0,025-0,032) 0,041 (0,035-0,050) 0,003

Dados listados como media ± DP ou, para variáveis com distribuição não-Gaussiana, mediana (percentil 25º-75º). bAP: fosfatase alcalina óssea específica; FGF: Fator de crescimento de fibroblastos; PTH: Hormônio paratireóideo.

Figura 1 Associação exponencial entre os níveis séricos totais de SI e a taxa estimada de filtração glomerular; r2 = 0,47, p < 0,001, n = 49. A linha tracejada indica o valor de referência em 20 indivíduos saudáveis do grupo controle. 

A Tabela 2 mostra os parâmetros histomorfométricos ósseos selecionados por estágio da DRC. Pacientes com DRC estágios 2 e 3 apresentaram notavelmente baixa taxa de formação óssea. Em comparação com estes, os pacientes com DRC nos estágios 4 e 5 apresentaram significativamente maior volume de osteóide, superfície de osteoblastos, superfície de osteoclastos, volume de fibrose e taxa de formação óssea, e mostrou uma tendência de menor tempo de retardo na mineralização. Não houve diferença entre os grupos em termos de volume de osso trabecular. É importante ressaltar que nenhum dos membros da coorte teve coloração positiva para o alumínio na superfície óssea. Análise por regressão univariada confirmou associações lineares significativamente negativas entre a taxa estimada de filtração glomerular, por um lado, e o volume de osteóide (r2 = 0,17, p = 0,004), a superfície de osteoblastos (r2 = 0,26, p < 0,001), o volume de fibrose (r2 = 0,10, p = 0,03) e taxa de formação óssea (r2 = 0,21, p < 0,001) por outro, bem como uma associação positiva entre a TFGe e o tempo de retardo na mineralização (r2 = 0,09, p = 0,03).

Tabela 2 Parâmetros histomorfométricos ósseos da população do estudo, por estágio da DRC 

  Estágio da DRC
  2 e 3 4 e 5 p Valores de referência
  n = 29 n = 20    
BV/TV (%) 17,02 ± 5,46 17,50 ± 5,67 0,9 20,95 ± 5,94
OV/BV (%) 0,95 (0,27-2,32) 2,31 (1,41-4,60) 0,003 2,18 ± 2,98
Ob.S/BS (%) 0,66 (0,16-1,34) 2,22 (1,05-4,35) 0,001 1,26 ± 2,44
ES/BS (%) 7,29 ± 6,72 8,72 ± 6,09 0,4 1,51 ± 1,27
Oc.S/BS (%) 0,22 (0,05-0,87) 0,70 (0,31-1,62) 0,015 0,01 ± 0,03
Fb.V (%) 0,6 (0-2) 1,5 (0,7-9,7) 0,02 < 0,5
BFR/BS (μm3/μm2/d) 0,001 (0,001-0,020) 0,010 (0,008-0,037) 0,004 0,04 ± 0,002
Mlt (d) 151 (34-655) 78 (31-181) 0,06 19 ± 7

Os dados estão listados como média ± DP (para variáveis com distribuição não-Gaussiana) ou mediana (percentil 25-75). BV/TV: Volume de osso trabecular/volume tecidual; OV/BV: Volume de osteóide/volume de osso trabecular; Ob.S/BS: Superfície de osteoblasto/superfície óssea; ES/BS: Superfície erodida/superfície óssea; Oc.S/BS: Superfície de osteoclasto/superfície óssea; Fb.V: Volume de fibrose óssea; BFR/BS: Taxa de formação óssea/superfície óssea; Mlt: Tempo de retardo da mineralização.

As associações entre os níveis séricos totais de SI e os parâmetros bioquímicos relacionados ao metabolismo mineral são apresentados na Tabela 3. Também percebemos uma associação positiva linear com fosfato, FGF-23 e níveis de iPTH e uma associação negativa com os níveis de 1,25 D.

Tabela 3 Associações lineares univariadas entre os níveis séricos totais de si e parâmetros do metabolismo mineral 

  R2 β (95% Cl) p
Bicarbonato 0,13 -0,03 (-0,05- -0,007) 0,01
Cálcio ionizado 0,07 -1,1 (-2,2- -0,1) 0,1
Fosfato 0,22 0,16 (0,07-0,25) 0,001
PTH intacto 0,27 0,15 (0,08-0,23) < 0,001
Fosfatase alcalina total 0,002 0,40 (-0,15-0,10) 0,7
Fosfatase alcalina óssea específica 0,25 0,15 (-0,02-0,32) 0,1
FGF-23 0,25 0,002 (0,001-0,003) < 0,001
25 (OH) vitamina D 0,03 -0,004 (-0,01-0,003) 0,2
1,25 (OH)2 vitamina D 0,16 -0,26 (-0,43- -0,10) 0,004

CI: Intervalo de confiança; FGF: Fator de crescimento de fibroblastos; PTH: Hormônio da paratireóide.

Quanto aos parâmetros histomorfométricos, o SI esteve positivamente associado à taxa de formação óssea, volume osteóide, à superfície de osteoblastos e ao volume da fibrose (Tabela 4). Associações similares foram observadas entre níveis de iPTH e os mesmos parâmetros histomorfométricos. Modelos de regressão multivariada (Tabela 5), revelaram que as associações positivas entre níveis séricos de SI por um lado, e a superfície de osteoblastos e volume de fibrose óssea do outro não dependeram das características demográficas da coorte e dos parâmetros bioquímicos relacionados ao metabolismo mineral, tais como iPTH, FGF-23, 25D e bicarbonato. Observamos tendência semelhante com relação à taxa de formação óssea.

Tabela 4 Associações lineares univariadas entre parâmetros histomorfométricos ósseos por um lado e níveis de SI sérico total e PTH intacto do outro lado 

  Sulfato de Indoxil PTH intacto
  R2 β (95% Cl) p R2 β (95% Cl) p
BV/TV 0,002 -0,002 (-0,01-0,01) 0,8 0,001 0,004 (-0,04-0,05) 0,8
OV/BV 0,15 0,07 (0,02-0,12) 0,006 0,33 0,34 (0,20-0,49) < 0,001
Ob.S/BS 0,26 0,11 (0,05-0,17) < 0,001 0,18 0,30 (0,10-0,50) 0,004
ES/BS 0,03 0,006 (-0,004-0,02) 0,2 0,03 0,02 (-0,16-0,06) 0,3
Oc.S/BS 0,04 0,04 (-0,02-0,10) 0,2 0,12 0,23 (0,04-0,42) 0,02
Fb.V 0,31 1,31 (0,73-1,90) < 0,001 0,19 3,5 (1,3-5,6) 0,002
BFR/BS 0,16 0,06 (0,02-0,10) 0,004 0,14 0,19 (0,06-0,33) 0,007
Mlt 0,04 -0,04 (-0,09-0,02) 0,2 < 0,001 -0,006 (-0,19-0,18) 0,9

CI: Intervalo de confiança; as outras abreviações estão listadas junto àTabela 2 .

Tabela 5 Modelos de regressão linear multivariada. Associações entre níveis de SI e parâmetros histomorfométricos ósseos 

    β (95% Cl) p
Modelo OV/BV Sulfato de indoxil 0,7 (-1,0-2,4) 0,4
r2 = 0,35a PTH intacto 1,1 (0,4-1,7) 0,002
Modelo Ob,S/BS Sulfato de indoxil 1,6 (0,1-3,1) 0,04
r2 = 0,34b
Modelo Fb,V Sulfato de indoxil 0,2 (0,1-3,2) 0,001
r2 = 0,44c Cálcio ionizado -0,7 (-1,2- -0,1) 0,01
Modelo BFR/BS Sulfato de indoxil 1,8 (-0,2-3,8) 0,07
r2 = 0,24d PTH intacto 0,5 (-0,03-1,2) 0,06

aVariáveis incluídas no modelo: sulfato de indoxil, cálcio ionizado, FGF-23, PTH intacto;

bVariáveis incluídas no modelo: sulfato de indoxil; FGF-23, 1,25-OH-vitamina D3, PTH intacto;

cVariáveis incluídas no modelo: sulfato de indoxil, idade, cálcio ionizado, PTH intacto;

dVariáveis incluídas no modelo: sulfato de indoxil, idade, PTH intacto; As abreviações estão listadas junto àTabela 2 .

Discussão

O presente estudo sugere que, em condições de "vida real" os níveis de SI estão positivamente associados à taxa de formação óssea. Esta observação parece contradizer estudos in vitro e em animais, que relataram um efeito inibitório da SI na formação óssea, na expressão de genes relacionados a osteoblastos e também na viabilidade celular de osteoblastos e osteoclastos.9-11,21 No entanto, estudos com animais sobre esse assunto foram realizados em ratos urêmicos tireo-paratiroidectomizados em que as concentrações plasmáticas fisiológicas de PTH foram restauradas por infusão.9,21 A incapacidade de desenvolver hiperparatireoidismo secundário representa uma limitação deste modelo. Embora válidos como dados experimentais controlados, as observações relatadas podem não ser reprodutíveis sob condições clínicas reais, onde a função renal prejudicada é mais frequentemente associada a aumentos supranormais na secreção de PTH.22

Outro ponto importante desse estudo é que confirmamos estudos anteriores que sugeriram que a baixa taxa de remodelação óssea pode caracterizar ODR no início da DRC.23 Como sugerido por observações em um modelo murino de DRC sem hiperparatireoidismo secundário23 e em uma série de estudos clínicos,4,24,25 o discreto aumento nos níveis de PTH em DRC de estágio inicial pode não ser suficiente para contrabalançar alguns fatores supressivos já presentes no anabolismo ósseo (tais como deficiência de hormônio gonadal, diabetes e diminuição do calcitriol).23,26 É importante notar que nenhum dos pacientes incluídos no estudo já haviam sido tratados com análogos da vitamina D, cálcio ou aglutinantes de fosfato à base de alumínio ou drogas associadas a baixo volume de remodelação óssea. Assim, em contraste com relatórios anteriores sobre pacientes em hemodiálise, possíveis efeitos iatrogênicos dessas drogas não podem ser implicados na menor taxa de remodelação óssea observada neste estudo.

Uma explicação para o aparente conflito entre a nossa presente observação clínica e o trabalho pré-clínico relatado na literatura refere-se ao fato de que níveis mais altos de SI podem afetar a secreção de PTH por participação na resistência óssea ao PTH ou diminuindo a síntese/ação do calcitriol. O hiperparatiroidismo, comumente presente no estado urêmico, então substituiria clinicamente a ação inibitória local do SI sobre a remodelação óssea. Há pelo menos dois grandes argumentos a favor dessa hipótese.

Em primeiro lugar, foi demonstrado que a uremia está associada a uma redução/dessensibilização do PTH1R, que contribui para a resistência esquelética ao PTH observada na uremia.27 Importante, é que esta condição não é nem prevenida, nem corrigida pela paratireoidectomia.28 Foi subsequentemente relatado que outros fatores além do PTH presentes no ultrafiltrado urêmico reduziram a geração de AMPc estimulada por PTH em culturas de células semelhantes a osteoblastos por meio de uma diminuição nos níveis de PTH1R RNAm.29 Mais especificamente, Nii-Kono e colaboradores demonstraram que o SI reduziu a produção de AMPc induzida por PTH, a expressão do gene PTH1R e viabilidade celular em culturas primárias de osteoblastos.10 Assim, as toxinas urêmicas e, particularmente, o SI, podem estar diretamente envolvidos no desenvolvimento da resistência óssea ao PTH. Esta última condição pode estimular a síntese de PTH, agravando o hiperparatireoidismo secundário e causando maior taxa de remodelação óssea nos estágios tardios da DRC. De acordo com esta hipótese, os nossos pacientes com DRC em estágio inicial, que apresentaram níveis discretamente elevados de iPTH, mas com níveis séricos significativamente elevados de SI, tiveram taxa de formação óssea excessivamente baixa. Isto possivelmente reflete uma ação inicial, preponderante inibitória do SI sobre a remodelação óssea antes da grande elevação dos níveis de PTH.

Em segundo lugar, a disponibilidade de calcitriol pode ser afetada pelo SI. Além dos fatores clássicos conhecidos por reduzirem a síntese de calcitriol (isto é, diminuição da massa renal, hiperfosfatemia, elevados níveis de FGF-23 e acidose metabólica), também foi comprovado que o plasma urêmico livre de fosfato inibe diretamente a atividade da 1α-hidroxilase e, consequentemente, diminui a disponibilidade de calcitriol.30 O calcitriol exerce a sua ação biológica por ligação ao receptor nuclear de vitamina D (VDR). Sob condições normais, o calcitriol suprime a secreção de PTH por ligação direta ao VDR na glândula paratireóide. Patel e colaboradores,31 elegantemente demonstraram que VDR isolados a partir de ratos com insuficiência renal e, posteriormente, incubados com ultrafiltrado urêmico apresentaram uma redução na capacidade específica de ligação do DNA, que não pode ser explicado pela expressão prejudicada de VDR. Os autores concluíram que as toxinas presentes no ultrafiltrado urêmico interagiram com o VDR para prejudicar a capacidade de ligação do DNA dentro de células e poderia, assim, diminuir a resposta do calcitriol na insuficiência renal. Embora outros estudos identificaram uma função das purinas neste processo,32,33 é provável que haja outros compostos envolvidos. Ao estudar subfrações de plasma urêmico, Hsu e colaboradores32 ainda demonstraram que outras substâncias, incluindo o SI, também podem interferir no metabolismo do calcitriol. Além disso, um estudo preliminar mostrou que ratos com insuficiência renal alimentados com uma dieta rica em proteína apresentaram níveis significativamente mais baixos de calcitriol do que animais alimentados com uma dieta normal, na ausência de diferenças entre os grupos na ingestão de fosfato e clearance de creatinina.32,34 Uma vez que uma maior ingestão proteica resulta em níveis mais altos de SI,35 esta observação sugere ainda que o SI tem efeito negativo sobre a síntese de calcitriol. Nossa descoberta de uma associação negativa entre 1,25 D e níveis séricos de SI na presente coorte corrobora essa hipótese.

As questões importantes do nosso estudo incluem a primeira avaliação já feita em ambiente clínico de fatores bioquímicos e hormonais relacionados ao metabolismo mineral e à histomorfometria óssea e sua associação com o SI, um protótipo de toxina urêmica ligada à proteína em pacientes assintomáticos, virgens de tratamento, em diferentes estágios de DRC de pacientes em pré-diálise. As limitações deste estudo incluem o pequeno tamanho da amostra. Além disso, devido à relação inversa entre a taxa de filtração glomerular e níveis de SI (conforme ilustrado na Figura 1), não é possível diferenciar se a associação observada entre esta toxina urêmica e parâmetros histomorfométricos não depende da perda da função renal. Na verdade, esse desenho epidemiológico transversal do estudo não permite a análise de relações causa-efeito. Assim, o presente estudo deve ser considerado como gerador de hipóteses, que devem ser testadas em estudos de perfusão em animais, e depois confirmados por estudos clínicos intervencionistas.

Conclusões

Os resultados do presente estudo demonstraram que a toxina urêmica SI está positivamente associada à taxa de formação óssea, ao volume osteóide, à superfície de osteoblastos e ao volume de fibrose em uma condição de DRC - possivelmente por aumentar a secreção de PTH (através de um aumento da resistência óssea ao PTH ou através de inibição do calcitriol) - sugerindo que o SI pode desempenhar um papel na patogênese ou ODR na situação de pré-diálise.

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