Associação entre Níveis Elevados de Cistatina C e o Desenvolvimento de Eventos Cardiovasculares ou Mortalidade: Uma Revisão Sistemática e Meta-Análise

Associação entre Níveis Elevados de Cistatina C e o Desenvolvimento de Eventos Cardiovasculares ou Mortalidade: Uma Revisão Sistemática e Meta-Análise

Autores:

Caroline Fuchs Einwoegerer,
Caroline Pereira Domingueti

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.111 no.6 São Paulo dez. 2018 Epub 21-Set-2018

https://doi.org/10.5935/abc.20180171

Resumo

Fundamento:

A cistatina C tem-se mostrado promissora para avaliação do risco de eventos cardiovasculares e mortalidade.

Objetivo:

Avaliar a associação entre níveis elevados de cistatina C e o desenvolvimento de eventos cardiovasculares ou mortalidade.

Métodos:

A seleção dos artigos foi realizada por meio das bases de dados Medline/PubMed, Web of Science e Scielo. Os critérios de elegibilidade foram estudos observacionais de coorte prospectivos que avaliaram a associação entre níveis séricos elevados de cistatina C e o desenvolvimento de eventos cardiovasculares ou mortalidade em indivíduos com função renal normal. Apenas os estudos que avaliaram o desfecho mortalidade, que compararam o quarto com o primeiro quartil de cistatina C e que realizaram análise de regressão multivariada de riscos proporcionais de Cox foram incluídos na meta-análise. Foi considerado significativo o valor p < 0,05.

Resultados:

Dentre os 647 artigos encontrados, 12 foram incluídos na revisão sistemática e dois na meta-análise. O risco de desenvolvimento dos desfechos adversos foi avaliado por oito estudos por meio do cálculo do hazard ratio. Dentre estes, seis estudos encontraram um maior risco de eventos cardiovasculares ou mortalidade. A análise de regressão multivariada foi realizada por seis destes estudos, e o risco de desenvolvimento dos desfechos adversos permaneceu significativo após realização desta análise em quatro destes estudos. O resultado da meta-análise [HR = 2,28 (1,70-3,05), p < 0,001] indicou que há uma associação significativa entre níveis elevados de cistatina C e o risco de mortalidade nos indivíduos com função renal normal.

Conclusão:

Há uma associação significativa entre níveis elevados de cistatina C e o desenvolvimento de eventos cardiovasculares ou mortalidade em indivíduos com função renal normal.

Palavras-chave: Doenças Cardiovasculares/mortalidade; Cistatina C; Doença da Artéria Coronariana; Infarto Agudo do Miocárdio; Insuficiência Renal Crônica; Metanálise como Assunto

Abstract

Background:

Cystatin C seems promising for evaluating the risk of cardiovascular events and mortality.

Objective:

To evaluate the association between high levels of cystatin C and the development of cardiovascular events or mortality.

Methods:

The articles were selected in the Medline/PubMed, Web of Science, and Scielo databases. The eligibility criteria were prospective cohort observational trials that assessed the association of high serum levels of cystatin C with the development of cardiovascular events or mortality in individuals with normal renal function. Only studies that evaluated the mortality outcome compared the fourth with the first quartile of cystatin C and performed multivariate Cox’s proportional hazard regression analysis were included in the meta-analysis. A p value < 0,05 was considered significant.

Results:

Among the 647 articles found, 12 were included in the systematic review and two in the meta-analysis. The risk of development of adverse outcomes was assessed by eight studies using the hazard ratio. Among them, six studies found an increased risk of cardiovascular events or mortality. The multivariate regression analysis was performed by six studies, and the risk of developing adverse outcomes remained significant after the analysis in four of these studies. The result of the meta-analysis [HR = 2.28 (1.70-3.05), p < 0.001] indicated that there is a significant association between high levels of cystatin C and the risk of mortality in individuals with normal renal function.

Conclusion:

There is a significant association between high levels of cystatin C and the development of cardiovascular events or mortality in individuals with normal renal function.

Keywords: Cardiovascular Diseases/mortality; Cystatin C; Coronary Artery Disease; Myocardial Infarction; Renal Insufficiency, Chronic; Meta-Analysis as Topic

Introdução

As doenças cardiovasculares consistem na principal causa de morte no mundo, sendo responsáveis por 31% de todas as mortes. Em 2015, estima-se que cerca de 17,7 milhões de pessoas tenham morrido em decorrência de doenças cardiovasculares, principalmente doença coronariana, doença cerebrovascular e doença arterial periférica.1 Além da elevada mortalidade, as doenças cardiovasculares também estão associadas com elevada morbidade, contribuindo para uma parcela significativa dos gastos públicos com saúde.2

A doença renal crônica é um fator de risco importante para o desenvolvimento de eventos cardiovasculares, sendo ainda responsável por aumento de morbidade e mortalidade em pacientes com doença cardiovascular.3 A cistatina C é um marcador da disfunção renal que se mostrou mais sensível do que a creatinina sérica para avaliação dos estágios iniciais da insuficiência renal.4 Ela consiste em um inibidor de cisteíno proteases relativamente estável, produzida em todas as células nucleadas a uma taxa constante.5

Devido à maior sensibilidade da cistatina C para detecção dos estágios iniciais e mais leves da disfunção renal, a avaliação dos seus níveis séricos tem-se mostrado promissora para avaliação do risco de eventos cardiovasculares e mortalidade em indivíduos com função renal aparentemente normal. Nos últimos anos, alguns estudos têm demonstrado uma associação entre os níveis séricos de cistatina C e o desenvolvimento de IAM.6 Além disso, a cistatina C ainda mostrou-se útil para a estratificação de prognóstico em pacientes com SCA.7

Contudo, há divergência entre os resultados dos estudos realizados até o momento sobre a utilidade clínica da cistatina C para avaliação do risco de eventos cardiovasculares e mortalidade em indivíduos com função renal normal.3,7,8 Apesar de algumas meta-análises9-12 terem sido publicadas sobre o tema, a população dos estudos selecionados nestas não foi constituída apenas por pacientes com função renal normal. Portanto, o objetivo desta revisão sistemática e meta-análise foi avaliar a associação entre níveis elevados de cistatina C e o desenvolvimento de eventos cardiovasculares ou mortalidade em indivíduos com função renal normal.

Métodos

Esta revisão sistemática seguiu as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-analyses (PRISMA) statement.13

Seleção dos artigos

A seleção dos artigos foi realizada por meio das bases de dados Medline (PubMed) e Web of Science, utilizando os descritores “cystatin C”, “post-gamma-globulin”, “post gamma globulin”, “neuroendocrine basic polypeptide”, “basic polypeptide, neuroendocrine”, “cystatin 3”, “gamma-trace”, “gamma trace”, em combinação com os descritores “acute coronary syndrome”, “acute coronary syndromes”, “coronary syndrome, acute”, “coronary syndromes, acute”, “syndrome, acute coronary”, “syndromes, acute coronary”, “myocardial infarction”, “infarction, myocardial”, “infarctions, myocardial”, “myocardial infarctions”, “cardiovascular stroke”, “cardiovascular strokes”, “stroke, cardiovascular”, “strokes, cardiovascular”, “heart attack”, “heart attacks”, “myocardial infarct”, “infarct, myocardial”, “infarcts, myocardial”, “myocardial infarcts”, “myocardial ischemia”, “ischemia, myocardial”, “ischemias, myocardial”, “myocardial ischemias”, “ischemic heart disease”, “heart disease, ischemic”, “disease, ischemic heart”, “diseases, ischemic heart”, “heart diseases, ischemic”, “ischemic heart diseases”, utilizando-se o conector “AND” entre os termos. O Medical Subject Headings (MeSH) foi utilizado para definição destes descritores.

A seleção dos artigos também foi realizada por meio da base de dados Scielo, utilizando os descritores "cystatin C” com os operadores booleanos "acute coronary syndrome”, “coronary disease”, “coronary heart disease”, “myocardial infarction”, “heart attack”, “cardiac attack”, “myocardial ischemia”, “heart disease, ischemic”, “ischemia, myocardial”, “isquemic heart disease”, utilizando-se o conector “AND” entre os termos. O Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) foi utilizado para definição destes descritores.

Critérios de elegibilidade

Os critérios de elegibilidade foram estabelecidos de acordo com a recomendação PRISMA,13 e consistem em estudos observacionais de coorte prospectivos, redigidos em inglês, português ou espanhol, que avaliam a associação entre níveis elevados de cistatina C e o desenvolvimento de eventos cardiovasculares ou mortalidade em indivíduos com função renal normal. Não houve restrição de período de publicação dos artigos na pesquisa. Foi utilizada a estratégia PECOS para elaboração da questão de pesquisa, sendo ela:

  1. População de interesse: Indivíduos com função renal normal.

  2. Exposição: Níveis elevados de cistatina C.

  3. Desfecho: Eventos cardiovasculares ou mortalidade.

  4. Desenho do estudo: Coorte prospectiva.

Extração de dados dos artigos selecionados

Foram extraídos os seguintes dados dos estudos que atenderam aos critérios de elegibilidade: método utilizado para dosagem dos níveis séricos de cistatina C, tamanho do grupo de pacientes, tempo de acompanhamento dos pacientes, faixa etária dos pacientes, critério utilizado para definição da função renal normal, resultado obtido no estudo, desfecho avaliado, população do estudo, classificação dos pacientes e parâmetros incluídos na análise de regressão multivariada de riscos proporcionais de Cox.

Qualidade dos artigos selecionados

O processo de avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos na revisão foi realizado por dois revisores, utilizando-se o questionário Newcastle-Ottawa Scale (NOS)14 para estudos de coorte, o qual contém as seguintes categorias de avaliação: seleção da coorte; comparabilidade da coorte e desfecho. A qualidade do estudo é indicada com o máximo de nove estrelas, sendo que no máximo uma estrela pode ser atribuída nas categorias seleção e desfecho, e duas estrelas na categoria comparabilidade. Aqueles artigos que atingiram uma pontuação de cinco a seis estrelas foram considerados como artigos de boa qualidade metodológica e aqueles com sete ou mais estrelas foram considerados artigos de excelente qualidade metodológica.

Meta-Análise

Foram incluídos na meta-análise apenas os estudos que avaliaram o desfecho mortalidade por qualquer causa, que compararam o quarto quartil de cistatina C com o primeiro quartil e que realizaram análise de regressão multivariada de riscos proporcionais de Cox. O valor de hazard ratio e o intervalo confiança de 95% ajustados pela análise de regressão multivariada foram empregados na meta-análise e o teste I2 foi utilizado para avaliação da heterogeneidade entre os estudos. Os estudos foram considerados heterogêneos quando I2 > 50% e p < 0,10. Na presença de homogeneidade, o hazard ratio foi calculado utilizando o modelo de efeito fixo. A distribuição dos estudos incluídos na meta-análise foi analisada por meio de funnel plot. O programa estatístico Review Manager versão 5.3 foi empregado na realização da análise estatística. Foi considerado significativo o valor p < 0,05.

Resultados

Busca na literatura

A busca inicial por meio dos descritores nas bases de dados eletrônicas resultou em um total de 647 artigos. Após a conclusão das etapas de seleção, 12 artigos foram incluídos na revisão sistemática e dois foram incluídos na meta-análise. O fluxograma de seleção dos artigos de acordo com os critérios de elegibilidade está apresentado na Figura 1.

Figura 1 Fluxograma dos artigos selecionados para a revisão segundo os critérios de elegibilidade empregados no estudo 

Características e resultados dos artigos selecionados

Os estudos que estavam em conformidade com os critérios de elegibilidade foram publicados entre o ano de 2007 e 2016 e suas características se encontram na Tabela 1.

Tabela 1 Características dos estudos selecionados 

Autor/Ano Número de pacientes/Faixa etária População estudada Tempo de acompanhamento dos pacientes Desfecho avaliado
Sai et al., 201619 277 / 64 Pacientes submetidos à ICP 5 anos e 3 meses Morte cardiovascular, morte cerebrovascular, SCA incluindo IAM não fatal e angina instável, AVE não fatal e hospitalização devido ao agravamento da ICC
Bansal et al., 201615 2410 / 40,2 ± 3,6 Pacientes com risco de eventos cardiovasculares que realizaram ecocardiograma 10 anos Hipertrofia do ventrículo esquerdo
Abid et al., 20167 127 / 58 ± 11,65 Pacientes com STEMI e NSTEMI 1 ano Morte cardiovascular, reinfarto do miocárdio, NSTEMI, IC
Woitas et al., 201318 2356 / 64 ± 10 Pacientes com DAC e indivíduos saudáveis 10 anos Morte cardiovascular e morte por qualquer causa
Dupont et al., 20128 615 / 65 ± 11 Pacientes com ICC que foram submetidos a angiografia coronária 3 anos Morte por qualquer causa, IAM não fatal e AVE não fatal
Gao et al., 201121 13 8/ 65,4 ± 11,0 Pacientes com ICC sistólica crônica ou de início novo 3 anos Morte cardiovascular, desenvolvimento ou progressão de IC que exigia hospitalização, tratamento por via intravenosa da IC nos primeiros 3 dias após a admissão, transplante cardíaco
Keller et al., 200917 1827 / 62 Pacientes com DAC estável ou SCA 4 anos Morte cardiovascular
Ge et al., 200922 160 / 60 Pacientes com angina estável, instável e IAM e indivíduos saudáveis 6 meses IAM, morte cardiovascular, angina refratária, ICP e angiografia
Alehagen et al., 200920 464 / 65 a 87 Pacientes com ICC 10 anos Morte cardiovascular
Acuna et al., 200916 203/ 66,6 ± 13,16 Pacientes com STEMI e NSTEMI 1 ano e 3 meses Morte cardiovascular e IC
Koenig et al., 200724 466 3/ ≥ 65 Indivíduos idosos (≥ 65 anos) 9,3 anos Morte por qualquer causa, morte cardiovascular, IC incidente, AVE e IAM
Ix et al., 200723 990 / 67 Pacientes com história de IAM, evidência angiográfica de estenose maior que 50% em 1 ou mais vasos coronários, evidência de isquemia induzida por exercício por esteira ou teste nuclear e ou história de revascularização coronária 3 anos e 1 mês Morte cardiovascular, IAM não fatal, AVE, morte por qualquer causa e IC

AVE: acidente vascular encefálico; IAM: infarto agudo do miocárdio; IC: insuficiência cardíaca; ICC: insuficiência cardíaca congestiva; NSTEMI: infarto do miocárdio sem elevação do segmento ST; ICP: intervenção coronária percutânea; SCA: síndrome coronariana aguda; STEMI: infarto do miocárdio com elevação do segmento ST; DAC: doença arterial coronariana.

População

A população dos estudos analisados era constituída por pacientes com risco de eventos cardiovasculares,15 com infarto do miocárdio com elevação do segmento ST (STEMI), infarto do miocárdio sem elevação do segmento ST (NSTEMI),7,16 doença arterial coronariana (DAC) estável,17,18 SCA,17pacientes submetidos a intervenção coronária percutânea,19 com insuficiência cardíaca congestiva (ICC),20,21 com ICC que foram submetidos a angiografia coronária,9 com angina estável e IAM,22 com história de IAM que tivesse evidência angiográfica de estenose maior que 50%23 ou indivíduos idosos saudáveis (idade superior a 65 anos).24

Tamanho amostral, faixa etária e tempo de acompanhamento

O tamanho amostral dos estudos variou de 127 a 4.663 indivíduos, sendo que o número amostral de 25% (n = 3)8,20,23 dos estudos estava compreendido entre 400 e 1000 indivíduos, 41,67% (n = 5)7,16,19,21,22 dos estudos obtiveram um número amostral menor que 300 pacientes e 33,33% (n = 4)15,17,18,24 possuíram tamanho amostral superior a 1000. A idade média variou de 37 a 87 anos sendo que 41,66% (n = 5)7,8,16,18,21 dos estudos avaliaram população tanto adulta quanto idosa (acima de 60 anos), 50% (n = 6)17,19,20,22-24 avaliaram apenas população idosa e um estudo [8,33% (n = 1)]15 analisou apenas população adulta (abaixo de 60 anos). O tempo de acompanhamento dos estudos foi compreendido entre 6 meses e 10 anos, sendo que 25% (n = 3)7,16,22 acompanharam os pacientes por um período inferior a 15 meses, 41,67% (n = 5)8,17,19,21,23 acompanharam durante 3 a 6 anos e 33,33% (n = 4)15,18,20,24 acompanharam por um período superior a 9 anos.

Desfecho

Os principais desfechos avaliados pelos estudos foram morte cardiovascular (n = 10; 83,33%),7,16-24 insuficiência cardíaca (n = 6; 50%)7,16,19,21,23,24 e infarto agudo do miocárdio (n = 6; 50%)7,8,19,22-24 seguidos por acidente vascular encefálico (n = 4; 33,33%),8,19,23,24 morte por qualquer causa (n = 3; 35%)8,23,24 e angina instável (n = 2; 16,67%).19,22 Apenas um estudo (8,33%) avaliou cada um dos seguintes desfechos: morte cerebrovascular,19 hipertrofia do ventrículo esquerdo,15 reinfarto do miocárdio,7 necessidade de intervenção coronária percutânea22 e de angiografia.22

Método de dosagem da cistatina C e critério para definição da função renal normal

O método de dosagem da cistatina C e o critério utilizado para definição da função renal normal nos estudos selecionados encontram-se na Tabela 2. Os métodos empregados para dosagem da cistatina C foram imunonefelometria [41,67% (n = 5)],15-18,23 imunoturbimetria [33,33% (n = 4)],7,8,19,20 e ensaio imunoenzimático [8,33% (n = 1)].22 Dois estudos (16,66%)21,24 não relataram o método empregado para dosagem de cistatina C. Os critérios utilizados para definição da função renal normal foram a TFG estimada por meio da equação MDRD acima de 60 mL/min/1,73m2 [66,67% (n = 8)],7,8,16-19,23,24 a TFG estimada pela equação CKD-EPI baseada na cistatina C acima de 60 mL/min/1,73m2 e albuminúria normal [8,33% (n = 1)]15 e níveis de creatinina sérica inferiores a 115 µmol/L [8,33% (n = 1)].20 Dois estudos (16,67%)21,22 não citaram o método de avaliação da função renal.

Tabela 2 Método de dosagem da cistatina C e critério utilizado para definição da função renal normal nos estudos selecionados 

Autor/Ano Método de dosagem da cistatina C Critério utilizado para definição da função renal normal
Sai et al., 201619 Imunoturbimetria TFG calculada usando a equação MDRD > 60 mL/min/1,73m2
Bansal et al., 201615 Imunonefelometria TFG baseada na cistatina C usando a equação CKD-EPI > 60 mL/min/1,73m2 e albuminúria normal
Abid et al., 20167 Imunoturbimetria TFG calculada usando a equação MDRD > 60 mL/min/1,73m2
Woitas et al., 201318 Imunonefelometria TFG calculada usando a equação MDRD > 60 mL/min/1,73m2
Dupont et al., 20128 Imunoturbimetria TFG calculada usando a equação MDRD > 60 mL/min/1,73m2
Gao et al., 201121 NI NI
Keller et al., 200917 Imunonefelometria TFG calculada usando a equação MDRD > 60 mL/min/1,73m2
Ge et al., 200922 Ensaio imunoenzimático NI
Alehagen et al., 200920 Imunoturbimetria Creatinina < 115 µmol/L
Acuna et al., 200916 Imunonefelometria TFG calculada usando a equação MDRD > 60 mL/min/1,73m2
Koenig et al., 200724 NI TFG calculada usando a equação MDRD > 60 mL/min/1,73m2
Ix et al., 200723 Imunonefelometria TFG calculada usando a equação MDRD > 60 mL/min/1,73m2

MDRD: modificação da dieta na doença renal; NI: não informado; TFG: taxa de filtração glomerular.

Classificação dos pacientes e variáveis incluídas na análise de regressão multivariada

O modo como foi realizada a classificação dos pacientes em cada um dos estudos selecionados e as variáveis incluídas na análise de regressão multivariada de riscos proporcionais de Cox são apresentados na Tabela 3, enquanto que os resultados dos estudos são apresentados na Tabela 4. Dentre os estudos incluídos nesta revisão sistemática, cinco (41,66%)8,17,18,20,23 classificaram os pacientes de acordo com os quartis de cistatina C; três (25%)8,21 classificaram os pacientes de acordo com o desenvolvimento ou não de eventos cardiovasculares fatais ou não fatais; dois (16,66%)19,21 dividiram os pacientes de acordo com a mediana da cistatina C; um estudo (8,33%)17 classificou os pacientes de acordo com o desenvolvimento ou não de morte cardiovascular; outro estudo (8,33%)18 comparou os pacientes com doença coronariana em relação ao grupo controle saudável; um estudo (8,33%)22 classificou os pacientes em quatro grupos: com angina estável, com angina instável, com IAM e grupo controle saudável; outro estudo (8,33%)15 classificou os pacientes de acordo com a TFG estimada pela equação CKD-EPI baseada na cistatina C: entre 60 e 75 mL/min/1,73 m2, entre 76 e 90 mL/min/1,73 m2 e acima de 90 mL/min/1,73 m2; outros dois estudos (16,66%)7,16 ainda dividiram os pacientes em dois grupos de acordo com níveis de cistatina C acima ou abaixo de 0,95 mg/L e acima e abaixo de 1,2 mg/L; e um estudo24 dividiu-os de acordo com níveis elevados ou reduzidos de cistatina C sem citar o ponto de corte.

Tabela 3 Classificação dos pacientes e variáveis incluídas na análise de regressão multivariada de riscos proporcionais de Cox nos estudos selecionados 

Autor/Ano Classificação dos pacientes Variáveis incluídas na análise de regressão multivariada
Sai et al., 201619 Pacientes com níveis de cistatina C acima (n = 138) e abaixo (n = 139) da mediana. (Mediana = 0,637) IMC, hipertensão, HbA1c, HDL, PNB, cistatina C.
Bansal et al., 201615 TFG entre 60 e 75 mL/min/1,73 m2 (n = 29).TFG entre 76 e 90 mL/min/1,73 m2 (n = 153).TFG entre > 90 mL/min/1,73 m2 (n = 2.228). Idade, sexo, raça, tabagismo, DM, LDL, HDL, albuminúria, IMC, pressão arterial sistólica.
Abid et al., 20167 Pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais (n = 6) ou não fatais (n = 26) e pacientes não desenvolveram estes eventos.Pacientes com níveis de cistatina C > 1,2 mg/L e < 1,2 mg/L NA
Woitas et al., 201318 Pacientes com doença coronariana (n = 2.346) e grupo controle (n = 652).Primeiro quartil < 0,8 mg/L (n = 731).Segundo quartil 0,81 a 0,91 mg/L (n = 769).Terceiro quartil 0,91 a 1,06 mg/L (n = 752).Quarto quartil > 1,07 mg/L (n = 746) Hipertensão, HDL, LDL, triglicérides, uso de estatina, tabagismo, DM, usPCR, TFG CKD-EPI baseada na creatinina, idade, sexo, IMC
Dupont et al., 20128 Quartis de cistatina C. NA
Gao et al., 201121 Pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais ou não fatais (n = 21) e pacientes que não desenvolveram estes eventos (n = 117).Pacientes com níveis de cistatina C acima da mediana e abaixo da mediana (0,9 mg/L). Sexo masculino, história de hipertensão, creatinina elevada, triglicérides reduzidos, homocisteína elevada, usPCR elevada, cistatina C elevada.
Keller et al., 200917 Pacientes com morte cardiovascular (n = 66) e pacientes sem morte cardiovascular (n = 1761).Quartis de Cistatina C Idade, sexo, IMC, tabagismo, DM, hipertensão, taxa LDL/HDL, PCR, PNB.
Ge et al., 200922 Pacientes com angina estável (n = 34), pacientes com angina instável (n = 56), pacientes com IAM (n = 36) e grupo controle (n = 34).Pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais ou não fatais (n = 26) e pacientes que não desenvolveram estes eventos (n = 22). NA
Alehagen et al., 200920 Primeiro quartil: < 1,22 mg/L (n = 109).Segundo quartil: 1,22 a 1,42 mg/L (n = 120).Terceiro quartil: 1,43 a 1,66 mg/L (n = 117).Quarto quartil: > 1,66 mg/L (n = 118) NA
Acuna et al., 200916 Pacientes com níveis de cistatina C > 0,95 mg/L (n = 63) e ≤ 0,95 mg/L (n = 76) NA
Koenig et al., 200724 Pacientes com níveis elevados (n = 1261) e reduzidos de cistatina C (n = 1347) NA
Ix et al., 200723 Primeiro quartil: ≤ 0,91 mg/L (n = 239).Segundo quartil: 0,92 a 1,05 mg/L (n = 248).Terceiro quartil: 1,06 a 1,29 mg/L (n = 262).Quarto quartil: ≥ 1,30 mg/L (n = 241). Idade, sexo, raça, tabagismo, DM, hipertensão, IAM prévio, tabagismo, HDL, IMC, PCR.

DM: diabetes mellitus; HDL: lipoproteínas de alta densidade; IAM: infarto agudo do miocárdio; IMC: índice de massa corporal; LDL: lipoproteínas de baixa densidade; NA: não se aplica; PCR: proteína C reativa; TFG: taxa de filtração glomerular; usPCR: proteína C reativa ultrassensível.

Tabela 4 Resultados dos estudos selecionados 

Autor/Ano Resultado
Sai et al., 201619 Proporção de pacientes com níveis de cistatina C > 0,637 mg/L que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais ou não fatais foi maior do que dos pacientes com níveis de cistatina C < 0,637 mg/L [22 (15,9%) x 7 (5,0%), p = 0,0025].Risco de eventos cardiovasculares fatais ou não fatais dos pacientes com níveis de cistatina C > 0,637 mg/L foi maior do que dos pacientes com níveis de cistatina C < 0,637 mg/L [HR (univariada) = 1,37 (1,10 - 1,66), p = 0,004; HR (multivariada) = 1,30 (1,01 - 1,63), p = 0,0038].
Bansal et al., 201615 Risco de hipertrofia do ventrículo esquerdo foi maior nos pacientes com TFG entre 60 e 75 mL/min/1,73m2 do que naqueles com TFG > 90 mL/min/1,73m2 [HR (análise univariada) = 10,12 (5,22 - 15,02), p < 0,001; HR (análise multivariada) = 5,63 (0,90 - 10,36), p = 0,02].Risco de hipertrofia do ventrículo esquerdo foi maior nos pacientes com TFG entre 76 e 90 mL/min/1,73m2 do que naqueles com TFG > 90 mL/min/1,73m2 [HR (análise univariada) = 3,48 (1,29 - 5,68), p = 0,002].
Abid et al., 20167 Pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares não fatais apresentaram níveis maiores de cistatina C do que pacientes que não desenvolveram estes eventos (1,19 ± 0,4 mg/L x 1,01 ± 0,35 mg/L, p = 0,01).Pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais apresentaram níveis maiores de cistatina C do que pacientes que não desenvolveram estes eventos (1,21 ± 0,36 mg/L x 0,96 ± 0,27 mg/L, p = 0,03).Sobrevivência dos pacientes com níveis de cistatina C < 1,2 mg/L foi maior do que dos pacientes com níveis de cistatina C > 1,2 mg/L (p < 0,01).
Woitas et al., 201318 Pacientes com DAC apresentaram níveis maiores de cistatina C do que grupo controle (1,02 ± 0,44 mg/L x 0,92 ± 0,26 mg/L, p = 0,065).Risco de morte cardiovascular e morte por qualquer causa dos pacientes do quarto quartil foi maior do que dos pacientes do primeiro quartil [HR (univariada) = 4,82 (3,69 - 6,29), p < 0,001; HR (multivariada) = 2,05 (1,48 - 2,84), p < 0,001].Risco de morte cardiovascular e morte por qualquer causa dos pacientes do terceiro quartil foi maior do que dos pacientes do primeiro quartil [HR (univariada) = 2,11 (1,58 - 2,81), p < 0,001; HR (multivariada) = 1,20 (0,88 - 1,65,) p = 0,243].
Dupont et al., 20128 Risco de morte por qualquer causa e de evento cardiovascular não fatal dos pacientes do quarto quartil foi maior do que dos pacientes do primeiro quartil (p = 0,002).
Gao et al., 201121 Pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais ou não fatais apresentaram níveis maiores de cistatina C do que pacientes que não desenvolveram estes eventos (1,63 ± 0,81 mg/L x 0,91 ± 0,27 mg/L, p < 0,001).Risco de eventos cardiovasculares fatais ou não fatais foi maior nos pacientes com níveis de cistatina C > 0,9 mg/L do que naqueles com níveis de cistatina C < 0,9 mg/L [HR (univariada) = 3,58 (2,61 - 4,82), p = 0,033; HR (multivariada) = 7,10 (3,36 - 23,75), p = 0,006].
Keller et al., 200917 Pacientes com morte cardiovascular apresentaram níveis maiores de cistatina C do que pacientes sem morte cardiovascular [0,94 (0,79 - 1,08 x 0,79 (0,70 - 0,90), p < 0,001].Risco de morte cardiovascular dos pacientes do quarto quartil foi maior do que dos pacientes dos outros quartis [OD (univariada) = 3,87 (2,33-6,42), p < 0,001; OD (multivariada) = 1,86 (0,90-3,81), p = 0,09].
Ge et al., 200922 Pacientes com IAM e com angina instável apresentaram níveis maiores de cistatina C do que grupo controle (2873,55 ± 1148,48 ng/mL x 1509,99 ± 408,65 ng/mL, p < 0,01 e 2013,83 ± 633,85 ng/mL x 1509,99 ± 408,65 ng/mL, p < 0,05, respectivamente).Pacientes com IAM e com angina instável apresentaram níveis maiores de cistatina C do que pacientes com angina estável (2873,55 ± 1148,48 ng/mL x 1348,41 ± 369,62 ng/mL, p < 0,01 e 2013,83 ± 633,85 ng/mL x 1348,41 ± 369,62 ng/mL, p < 0,01, respectivamente).Pacientes com IAM apresentaram níveis maiores de cistatina C do que pacientes com angina instável (2873,55 ± 1148,48 ng/mL x 2013,83 ± 633,85 ng/mL, p < 0,05).Pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais ou não fatais apresentaram níveis maiores de cistatina C do que pacientes que não desenvolveram estes eventos (2356,73 ± 897,64 ng/mL x 1469,51 ± 574,83 ng/mL, p = 0,006).
Alehagen et al., 200920 Risco de morte cardiovascular dos pacientes do quarto quartil foi maior do que dos pacientes do primeiro quartil [HR (análise univariada) = 3,61 (1,81 - 7,14)].
Acuna et al., 200916 Proporção de pacientes com níveis de cistatina C > 0,95 mg/L que apresentaram morte cardiovascular foi maior do que dos pacientes com níveis de cistatina C ≤ 0,95 mg/L [16 (27,1%) x 6 (7,8%), p = 0,01].Proporção de pacientes com níveis de cistatina C > 0,95 mg/L que desenvolveram IC foi maior do que dos pacientes com níveis de cistatina C ≤ 0,95 mg/L [22 (40,7%) x 6 (7,5%), p = 0,01].
Koenig et al., 200724 Cada aumento de 0,18 mg /L de cistatina C foi associado a um aumento do risco de morte cardiovascular [OD = 1,42 (1,30 -1,54)], morte por qualquer causa [OD = 1,33 (1,25 - 1,40)], IC [OD = 1,28 (1,17 - 1,40)], AVE [OD = 1,22 (1,08 - 1,38)] e IAM [OD = 1,20 (1,06 - 1,36)].Pacientes com níveis elevados de cistatina C apresentaram mais eventos adversos do que aqueles com níveis reduzidos de cistatina C (p < 0,001).
Ix et al., 200723 Risco de morte por qualquer causa dos pacientes do quarto quartil foi maior do que dos pacientes do primeiro quartil [HR (univariada) = 5,7 (3,1 - 10,5), p < 0,001; HR (multivariada) = 3,6 (1,8 - 7,0), p < 0,001].Risco de eventos cardiovasculares dos pacientes do quarto quartil foi maior do que dos pacientes do primeiro quartil [HR (univariada) = 3,8 (2,1 - 6,9), p < 0,001; HR (multivariada) = 2,0 (1,0 - 3,8), p = 0,04].Risco de ICC dos pacientes do quarto quartil foi maior do que dos pacientes do primeiro quartil [HR (univariada) = 6,1 (2,5 - 14,5), p = 0,001; HR (multivariada) = 2,6 (1,0 - 6,9), p = 0,05].

AVE: acidente vascular encefálico; DAC: doença arterial coronariana; IAM: infarto agudo do Miocárdio; TFG: taxa de filtração glomerular; HR: Hazard Ratio.

Resultados dos estudos

Dentre os estudos incluídos, dois (16,66%)16,19 analisaram a diferença entre a proporção de pacientes com níveis elevados de cistatina C que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais ou não,19 morte cardiovascular16 e ICC16 em comparação com a proporção de pacientes com níveis reduzidos de cistatina C que desenvolveram estes eventos e todos eles encontraram uma diferença significativa. Um estudo (8,33%)(24 )ainda observou que pacientes com níveis elevados de cistatina C apresentaram mais eventos cardiovasculares adversos do que aqueles com níveis reduzidos de cistatina C. A diferença entre os níveis de cistatina C dos pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais ou não fatais e aqueles que não desenvolveram estes eventos foi avaliada por quatro estudos (33,33%),7,17,19,21 e todos encontraram níveis significativamente maiores de cistatina C no grupo de pacientes que desenvolveram os eventos. Um estudo (8,33%)18 ainda verificou que os níveis de cistatina C dos pacientes com DAC foram maiores do que do grupo controle e outro estudo (8,33%)22 observou que os níveis de cistatina C dos pacientes com IAM foram maiores do que dos pacientes com angina instável, angina estável e grupo controle, e que os níveis de cistatina C dos pacientes com angina instável foram maiores do que daqueles com angina estável e do grupo controle. Outro estudo (8,33%)7 verificou uma maior sobrevivência dos pacientes que possuem níveis menores de cistatina C.

O risco de desenvolvimento de desfechos adversos foi avaliado por oito estudos (66,66%)15,17-21,23,24 por meio do cálculo do hazard ratio. Dentre estes, dois estudos (22,22%)19,21 encontraram um maior risco de eventos cardiovasculares fatais ou não fatais nos pacientes com níveis maiores de cistatina C; um estudo (11,11%)18 observou um maior de risco de morte por qualquer causa e de eventos cardiovasculares não fatais; outro estudo verificou um maior risco de morte cardiovascular e morte por qualquer causa; dois estudos (22,22%)17,20 encontraram um maior risco de morte cardiovascular; um estudo (11,11%)23 verificou um maior risco de morte por qualquer causa, de eventos cardiovasculares e de ICC; e um estudo (11,11%)15 ainda observou um maior risco de hipertrofia do ventrículo esquerdo. Por fim, um estudo24 verificou que cada aumento de 0,18 mg/L de cistatina C foi associado a um aumento do risco de morte cardiovascular, morte por qualquer causa, IC, Acidente vascular encefálico (AVE) e IAM. A análise de regressão multivariada foi realizada por seis (50%)15,17-19,21,23 destes estudos, sendo que o risco de desenvolvimento dos desfechos adversos avaliados permaneceu significativo após realização desta análise em quatro destes estudos.18,19,21,23

Qualidade metodológica

O resultado da avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos nesta revisão é mostrado na Tabela 5, sendo que a descrição detalhada dos critérios utilizados para a distribuição das estrelas é apresentada na legenda. Após a análise da qualidade, foi verificado que um estudo (8,33%)22 apresenta boa qualidade metodológica e 11 estudos (91,66%) possuem excelente qualidade metodológica.

Tabela 5 Avaliação da qualidade dos estudos, segundo Newcastle-Ottawa Scale 

Autor/Ano Seleção 1 2 3 4 Comparabilidade 5 Desfechos 6 7 8 Total de pontos
Sai et al., 201619 * * * - ** * * * 8
Bansal et al., 201615 * * * - ** * * * 8
Abid et al., 20167 * * * - * * * * 7
Woitas et al., 201318 * * * - ** * * * 8
Dupont et al., 20128 * * * - * * * * 7
Gao et al., 201121 * * - - ** * * * 7
Keller et al., 200917 * * * - ** * * * 8
Ge et al., 200922 * * - - * * - * 5
Alehagen et al., 200920 * * * - * * * * 7
Acuna et al., 200916 * * * - * * * * 7
Koenig et al., 200724 * * - * * * * * 7
Ix et al., 200723 * * * - ** * * * 9

1- Representatividade da coorte exposta: todos os estudos receberam uma estrela, pois a coorte exposta foi um pouco representativa da média na comunidade; 2- Seleção da coorte não exposta: todos os estudos receberam uma estrela, pois a coorte não exposta foi obtida na mesma comunidade da coorte exposta; 3- Determinação da exposição: somente os estudos que dosaram a cistatina C utilizando os métodos de imunonefelometria ou imunoturbidimetria receberam uma estrela; 4- Demonstração de que o desfecho de interesse não estava presente no início do estudo: estudos em que os pacientes não apresentavam nenhuma doença cardiovascular no início do estudo receberam uma estrela; 5- Comparabilidade da coorte baseada no desenho e análise: estudos que realizaram análise de regressão multivariada de riscos proporcionais de Cox e que definiram a função renal normal como TFG > 60 mL/min/1,73m2 receberam 2 estrelas. Os estudos que apenas definiram a função renal normal como TFG > 60 mL/min/1,73m2, mas que não realizaram análise de regressão multivariada de riscos proporcionais de Cox receberam 1 estrela.; 6- Determinação do desfecho: todos os estudos receberam uma estrela, pois a avaliação do desfecho foi realizada pelos médicos de modo independente; 7- Período de acompanhamento suficiente para ocorrência do(s) desfecho(s): os estudos em que os pacientes foram acompanhados por pelo menos seis meses receberam uma estrela e os estudos em que os pacientes foram acompanhados por menos de seis meses não receberam estrela; 8- Adequação do período de acompanhamento da coorte: os estudos em que pelo menos 90% dos pacientes foram acompanhados até o final ou que não comentaram se houve perda significativa de pacientes durante o acompanhamento dos mesmos receberam uma estrela.

Meta-análise

Apenas dois estudos avaliaram o desfecho mortalidade por qualquer causa, compararam o quarto quartil de cistatina C com o primeiro quartil e realizaram análise de regressão multivariada de riscos proporcionais de Cox e, portanto, foram incluídos na meta-análise, cujo resultado se encontra na Figura 2. Foi observada presença de homogeneidade entre os estudos (I2= 53,423 e p = 0,14) e, portanto, o modelo de efeito fixo foi utilizado para o cálculo do hazard ratio. O resultado da meta-análise [HR = 2,28 (1,70 - 3,05), p < 0,001] indica que há uma associação significativa entre níveis elevados de cistatina C e o risco de mortalidade por qualquer causa nos indivíduos com função renal normal. Foi observada uma distribuição simétrica dos artigos incluídos na meta-análise no funnel plot, indicando que não há viés de publicação.

Figura 2 Meta-análise dos estudos que avaliaram a associação entre níveis elevados de cistatina C e o risco de mortalidade por qualquer causa por meio da comparação entre o quarto e o primeiro quartis de cistatina C. 

Discussão

O presente estudo teve como objetivo avaliar a associação entre níveis elevados de cistatina C e o risco de eventos cardiovasculares ou mortalidade em indivíduos com função renal normal por meio de uma revisão sistemática da literatura científica e meta-análise.

A diferença entre a proporção de pacientes com níveis elevados de cistatina C que desenvolveram eventos cardiovasculares ou mortalidade em comparação com a proporção de pacientes com níveis reduzidos de cistatina C que desenvolveram estes eventos foi avaliada por dois estudos e ambos encontraram uma diferença significativa. A diferença entre os níveis de cistatina C dos pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais ou não fatais e aqueles que não desenvolveram estes eventos foi avaliada por quatro estudos (33,3%) e todos encontraram níveis significativamente maiores de cistatina C no grupo de pacientes que desenvolveram os eventos. O risco de desenvolvimento de desfechos adversos foi avaliado por oito estudos (66,6%) por meio do cálculo do hazard ratio. Dentre estes, seis estudos encontraram um maior risco de eventos cardiovasculares ou mortalidade. A análise de regressão multivariada foi realizada por seis (50,0%) destes estudos, sendo que o risco de desenvolvimento dos desfechos adversos permaneceu significativo após realização desta análise em quatro destes estudos.

A meta-análise ainda demonstrou que há uma associação significativa entre níveis elevados de cistatina C e o risco de mortalidade por qualquer causa. Dessa forma, os resultados apresentados pelos estudos incluídos nesta revisão sistemática e meta-análise indicam que há uma associação significativa entre níveis elevados de cistatina C e o desenvolvimento de eventos cardiovasculares ou mortalidade em indivíduos com função renal normal avaliada por meio da TFG baseada na creatinina sérica.

Um possível mecanismo para a associação entre níveis elevados de cistatina C e o desenvolvimento de eventos cardiovasculares está relacionado ao processo aterogênico. O desenvolvimento de lesões no endotélio das artérias resulta no acúmulo de colesterol na parede das mesmas e no desenvolvimento da placa aterosclerótica.25 Tem sido sugerido que catepsinas lisossomais, cuja produção é estimulada por citocinas inflamatórias, podem contribuir para a degradação da placa aterosclerótica. Como a cistatina C é capaz de inibir as catepsinas lisossomais, é possível sugerir que níveis elevados de cistatina C podem contribuir para a não degradação da placa aterosclerótica, resultando em aumento do risco de eventos cardiovasculares.26,27

Outro possível mecanismo está relacionado ao fato de que a cistatina C apresenta uma maior sensibilidade para a detecção dos estágios iniciais da disfunção renal do que a creatinina sérica ou a TFG baseada na creatinina.28,29 Vários autores já demonstraram que a disfunção renal está associada com um aumento do risco de eventos cardiovasculares.30,31 Assim, é possível sugerir que pacientes que possuem função renal normal avaliada por meio da TFG baseada na creatinina ou da creatinina sérica, mas que possuem níveis elevados de cistatina C, podem apresentar disfunção renal em um estágio mais precoce, o que poderia estar associado a um maior risco de eventos cardiovasculares.

Apesar da cistatina C consistir em um marcador mais sensível para a detecção dos estágios iniciais da DRC do que a creatinina, principalmente em grupos de risco para DRC, tais como pacientes com diabetes mellitus e transplantados renais, ela possui algumas limitações.32,33 Doses elevadas de glicocorticoides e hipertireoidismo podem resultar em aumento dos níveis séricos de cistatina C, enquanto que o hipotireoidismo pode resultar em diminuição.34 Alguns fatores, tais como idade, sexo masculino, peso corporal, tabagismo, proteína C reativa, câncer, processos inflamatórios e terapia com esteroides também podem influenciar os níveis séricos da cistatina C, limitando a sua avaliação na prática clínica.35

O peso e o volume renal diminuem gradativamente entre as idades de 30 a 90 anos, resultando em um declínio natural da função renal com o aumento da idade.36 Dessa forma, pacientes idosos apresentam uma menor TFG, o que pode estar associado a maiores níveis de cistatina C e a um maior risco de eventos cardiovasculares.28 Como a maioria dos estudos que realizaram a análise de regressão multivariada [66,66% (n = 4)]15,17,18,23 incluíram a idade nesta análise, e mesmo assim encontraram uma associação significativa entre níveis elevados de cistatina C e o desenvolvimento dos desfechos adversos, é possível concluir que esta associação independe da idade. Cabe ressaltar que os dois estudos20,25 que foram incluídos na meta-análise estão compreendidos entre estes estudos que incluíram a idade na análise de regressão multivariada, indicando que a associação entre níveis elevados de cistatina C e a mortalidade por qualquer causa observada na meta-análise é independente da idade.

Todos os estudos selecionados descreveram a função renal dos pacientes como sendo normal. A TFG estimada, calculada pela fórmula MDRD, superior a 60 mL/min/1,73 m2, foi utilizada como critério de função renal normal por 66,67% dos estudos e 8,33% utilizaram como critério níveis séricos de creatinina inferiores a 115 µmol/L. A TFG estimada consiste em um melhor marcador para avaliação da função renal do que a creatinina sérica, já que esta sofre interferência da massa muscular, sexo, idade, prática de atividade física e dieta. Além disso, ao contrário da TFG, a creatinina sérica não é capaz de detectar precocemente a presença de doença renal crônica, pois seus níveis aumentam somente quando a doença renal já está em estágio avançado.31 A inclusão de indivíduos com TFG estimada superior a 60 mL/min/1,73 m2 pela maioria dos estudos, inclusive os estudos incluídos na meta-análise, reforça que a associação entre níveis elevados de cistatina C e o risco de eventos cardiovasculares ou mortalidade independe da função renal do paciente avaliada por meio da TFG estimada baseada na creatinina, a qual consiste em um marcador que apresenta boa sensibilidade para a detecção da disfunção renal nos estágios iniciais.

A imunonefelometria e a imunoturbidimetria foram os métodos mais utilizados pelos estudos [75% (n = 9)] para a dosagem laboratorial da cistatina C, sendo inclusive utilizados pelos estudos incluídos na meta-análise. Estes métodos apresentam boa precisão, especificidade, tempo hábil para resultado e quantidade mínima de amostra necessária, consistindo nos métodos de escolha para dosagem da cistatina C.37,38 Portanto, o emprego destes métodos pela maioria dos estudos incluídos na revisão sistemática traz uma maior confiabilidade aos resultados.

O tamanho amostral dos estudos variou de 127 a 4.663 indivíduos, sendo que em sua maioria o tamanho amostral foi superior a 400 indivíduos [58,33% (n = 7)].8,15,17,18,20,23,24 O estudo7 que obteve o menor tamanho amostral ainda incluiu mais de 100 indivíduos, o que pode ser considerado um número significativo se o acompanhamento for realizado por tempo adequado.39 Cabe ressaltar que este estudo encontrou diferença significativa entre os pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais ou não e aqueles que não desenvolveram estes eventos.

Esta revisão sistemática apresentou algumas limitações, como a população estudada, que variou amplamente entre os estudos. Apenas um estudo24 incluiu indivíduos idosos saudáveis, enquanto que a população dos demais estudos era constituída por pacientes com risco de eventos cardiovasculares,15 com STEMI e NSTEMI,7,16 DAC estável,17,18 SCA,17 pacientes submetidos a intervenção coronária percutânea,19 com ICC,20,21 com ICC que foram submetidos a angiografia coronária,8 com angina estável e IAM,22 e com história de IAM que tivesse evidência angiográfica de estenose maior que 50%.23 Essa variação pode ocasionar viés nos resultados, uma vez que o comprometimento cardiovascular variou entre as populações no início dos estudos, o que pode influenciar nos níveis de cistatina C, já que pacientes com ICC ou IAM poderiam apresentar maiores níveis de cistatina C no início do estudo do que pacientes que apenas apresentam risco de eventos cardiovasculares.23 Como a maioria dos estudos avaliou uma população com risco de eventos cardiovasculares ou que já possui algum grau de comprometimento cardiovascular, é possível sugerir que a cistatina C consiste em um marcador interessante para avaliação do risco de eventos cardiovasculares ou mortalidade nestes grupos populacionais, podendo complementar os marcadores atualmente disponíveis.

Além da variação da população do estudo, o tempo de acompanhamento, classificação dos pacientes e os desfechos também variaram amplamente entre os estudos. O tempo de acompanhamento variou de seis meses a dez anos, sendo que três estudos (25%)7,16,22 acompanharam os pacientes por um período inferior a 15 meses e quatro estudos (33,33%)15,18,20,24 acompanharam por um período superior a nove anos. Prevaleceu entre os estudos o acompanhamento durante três a seis anos [41,67% (n = 5)].8,17,19,21,23 O tempo de acompanhamento deve ser adequado para o desfecho que se pretende observar, devendo ser maior para a detecção de mortalidade do que de eventos cardiovasculares. O estudo22 com menor tempo de acompanhamento (seis meses) encontrou níveis maiores de cistatina C dentre os pacientes que desenvolveram eventos cardiovasculares fatais e não fatais em comparação com os pacientes que não desenvolveram estes desfechos, indicando que mesmo este menor tempo de acompanhamento foi suficiente para a detecção de ambos os desfechos e para a observação de uma associação significativa com os níveis de cistatina C. Ambos os estudos incluídos na meta-análise avaliaram o desfecho mortalidade por qualquer causa. Um deles acompanhou os pacientes por três anos e o outro por dez anos, sendo estes tempos adequados para a avaliação do desfecho.

A classificação dos pacientes para realização da análise estatística também variou bastante entre os estudos. Apenas cinco estudos (41,66%),8,17,18,20,23 inclusive os estudos incluídos na meta-análise, classificaram os pacientes de acordo com os quartis de cistatina C, a qual consiste na melhor classificação para se estabelecer um ponto de corte acima do qual o risco de desenvolvimento de eventos cardiovasculares ou mortalidade seria maior.

Apesar dessas limitações do estudo, dentre os artigos selecionados nessa revisão sistemática, 11 possuem excelente qualidade metodológica e apenas um possui boa qualidade.

Conclusão

A revisão sistemática demonstrou que há uma associação significativa entre níveis elevados de cistatina C e o risco de eventos cardiovasculares ou mortalidade em indivíduos com função renal normal. A meta-análise corroborou este resultado, demonstrando que há uma associação significativa entre níveis elevados de cistatina C e o risco de mortalidade por qualquer causa. Como os indivíduos incluídos nos estudos apresentavam função renal normal, é possível concluir que a associação entre níveis elevados de cistatina C e o risco de eventos cardiovasculares ou mortalidade independe da presença de disfunção renal avaliada por meio da TFG baseada na creatinina sérica. Portanto, a cistatina C é em um marcador bastante interessante para avaliação do risco de eventos cardiovasculares ou mortalidade, especialmente em populações com risco de eventos cardiovasculares ou que já possuem algum grau de comprometimento cardiovascular, podendo complementar os marcadores atualmente disponíveis.

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