Associação entre sintomas de disfunção temporomandibular e fatores demográficos, odontológicos e comportamentais em idosos: um estudo transversal de base populacional

Associação entre sintomas de disfunção temporomandibular e fatores demográficos, odontológicos e comportamentais em idosos: um estudo transversal de base populacional

Autores:

Claudia Maria Czernaik,
Francisco Wilker Mustafa Gomes Muniz,
Paulo Roberto Grafitti Colussi,
Cassiano Kuchenbecker Rösing,
Eliane Lucia Colussi

ARTIGO ORIGINAL

BrJP

versão impressa ISSN 2595-0118versão On-line ISSN 2595-3192

BrJP vol.1 no.3 São Paulo jul./set. 2018

http://dx.doi.org/10.5935/2595-0118.20180044

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, o envelhecimento populacional deixou de ser uma característica apenas dos países desenvolvidos. Nesse sentido, a Organização Mundial de Saúde (OMS)1 estima que o Brasil terá a sexta maior população de idosos em um curto período. Portanto, é fundamental observar as particularidades inerentes a esse ciclo de vida2, pois elas efetivamente representam um grande impacto socioeconômico para o país e um desafio para os gestores de políticas públicas3-5.

Com o avanço do processo do envelhecimento, as mudanças morfofisiológicas acontecem no organismo de forma mais acelerada, o que aumenta a predisposição a doenças. Essas alterações também podem afetar o sistema estomatognático (SE), incluindo as articulações temporomandibulares (ATM). Dentre essas mudanças estão as disfunções temporomandibulares (DTM), que compõem um grupo de doenças que afeta os músculos mastigatórios e demais estruturas relacionadas ao SE. Alguns estudos reportam a DTM como a segunda maior causa de lesões musculoesqueléticas, com um papel importante na ocorrência de dor orofacial (DOF) e na incapacitação das atividades diárias6. A etiologia das DTM é multifatorial e dinâmica. Isso inclui estresse emocional, interferências oclusais, perda dentária, má posição dos dentes, atividades parafuncionais, distúrbio dos músculos mastigatórios e até mesmo uma combinação de um ou mais fatores7,8. Os sinais e sintomas mais comuns da DTM são dor nos músculos mastigatórios ou na ATM, ruídos articulares, sensibilidade em toda a musculatura do SE e cervical, cefaleia, capacidade limitada dos movimentos mandibulares e desvios nos padrões de movimento. A dor é o sintoma mais frequente da DTM, com maior prevalência na musculatura mastigatória do que nas articulações. Em relação aos idosos, cerca de 12% apresentam dor muscular, e 5% dor articular, sendo que a DOF pode comprometer a funcionalidade e pode impactar a qualidade de vida (QV)9,10.

Ao longo do tempo, foram conduzidos estudos para avaliar a etiologia, a prevalência e as formas de tratamento das DTM11-14. No entanto, parece não existir um consenso, especialmente com relação à sua prevalência. Isso pode ser atribuído às metodologias aplicadas, aos métodos de diagnóstico utilizados e a outros motivos15,16. Diante disso, alguns instrumentos foram desenvolvidos para avaliar, diagnosticar e estimar a prevalência da DTM, dentre os quais está o Índice Anamnésico de Fonseca (IAF)17. Trata-se de um instrumento desenvolvido no Brasil, validado e utilizado com frequência em estudos epidemiológicos brasileiros. Ele é útil em estudos epidemiológicos conduzidos em grandes populações18 por sua simplicidade e seu menor tempo de aplicação.

Os estudos com base domiciliar demonstram prevalência da DTM entre 3319,20 e 63%21,22, e um dos principais fatores determinantes é a condição de saúde bucal. No Brasil, as condições de saúde bucal dos idosos são precárias, com alta média de perda dentária, bem como o percentual de idosos com necessidade de reabilitação com prótese23. Isso pode causar um desequilíbrio no funcionamento do sistema mastigatório e acarretar DTM24,25. Além disso, existem outros fatores associados à DTM em idosos, como precárias condições socioeconômicas e de saúde geral26-28. Deve-se destacar as grandes diferenças regionais em relação à saúde bucal observadas no Brasil23. Nesse contexto, é importante conhecer a gravidade dos sintomas de DTM e seus fatores de risco entre os idosos das diferentes regiões brasileiras.

O objetivo do presente estudo foi avaliar a prevalência de sintomas de DTM e seus fatores associados em idosos de uma cidade da região Sul do Brasil.

MÉTODOS

Estudo observacional transversal de domicílios residenciais, que entrevistou e examinou idosos com idade entre 65 e 74 anos29 na área urbana de Cruz Alta. O município está localizado no norte do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. A cidade conta com uma população de aproximadamente 62.821 habitantes30. Desses, 3.730 enquadram-se na faixa etária entre 65 e 74 anos, sendo 42% do sexo masculino e 58% do sexo feminino. Mais de 95% da população vive na área urbana. O Índice de Gini, em 2010, foi 0,541931.

Realizou-se um cálculo amostral levando em consideração a população de idosos de 65 a 74 anos, assumindo um erro alfa de 5%, a um nível de confiança de 95%, uma expectativa de prevalência da DTM moderada/grave de 19%21 e uma taxa de atrição de 15%, totalizando um número amostral de 273 idosos.

Uma amostra probabilística por conglomerado foi conduzida para visitar 300 domicílios. A cidade, que possui 68 bairros ou vilas, foi dividida em cinco áreas, numeradas de zero a 4, conforme o número de habitantes idosos de cada bairro ou vila e o percentual de idosos na área. Um total de 17 bairros ou vilas foi sorteado (25%), de forma aleatória, de acordo com o número de vilas ou bairros constantes na área, obedecendo à proporcionalidade de idosos (Tabela 1). Cada vila ou bairro sorteado foi dividido em quarteirões, que foram numerados. Os quarteirões foram sorteados de forma aleatória simples. As esquinas dos quarteirões sorteadas foram numeradas de um a quatro, e um novo sorteio foi conduzido para determinar o ponto de partida da primeira entrevista. Após a primeira entrevista, as visitas seguiram no sentido horário até a conclusão do trabalho previsto. Quando necessário, novos quarteirões foram sorteados para contemplar o número aproximado de domicílios a ser visitado.

Tabela 1 Número de habitantes idosos de cada bairro 

Área População total de idosos com mais de 60 anos residentes nos bairros ou vilas % de idosos na área Número de bairros ou vilas Número de bairros ou de vilas sorteados Número de domicílios sorteados por vila ou bairro Número total de domicílios por área
0 >301 12,90 1 1 39 39
1 Entre 301 e 202 19,68 5 2 30 60
2 Entre 201 e 102 29,20 14 3 29 87
3 Entre 101 e 52 26,32 24 6 14 84
4 ≤51 11,90 24 5 6 30
Total 100,00 68 17 300

Os critérios adotados para inclusão no estudo foram os de indivíduos com idade entre 65 e 74 anos e residentes nos domicílios dos bairros ou vilas sorteados. O presente estudo incluiu indivíduos com condição física, médica e mental que possibilitassem sua realização. Se no domicílio houvesse mais residentes que se enquadrassem nos critérios de elegibilidade, também seriam incluídos no estudo. Edifícios residenciais poderiam incluir apenas um apartamento no estudo. No caso de ausência no dia do levantamento de dados, duas novas tentativas seriam realizadas por domicílio. Foram excluídos do estudo domicílios comerciais e desabitados, pessoas visitantes no domicílio e Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI).

Foi aplicado um questionário estruturado que incluiu dados sociodemográficos, comportamentais, dentre outros, obtidos por meio da utilização de blocos de perguntas do instrumento PCATool-SB Brasil32. O instrumento utilizado para avaliação da DTM foi o IAF17. As condições de saúde bucal foram avaliadas pela contagem de dentes e pela verificação do uso e da necessidade de prótese dentária. Os exames clínicos de contagem de dentes e do uso e da necessidade de prótese foram realizados com o auxílio de espátula de madeira, sem o uso de iluminação artificial e sem o auxílio de espelhos. A contagem dos dentes foi realizada excluindo-se o terceiro molar.

Os indivíduos foram examinados e entrevistados nos meses de julho e agosto de 2016, por equipes compostas de um entrevistador e um examinador de saúde bucal. Os examinadores foram previamente treinados para garantir a uniformidade na coleta de dados. O treinamento consistiu em aulas teóricas e discussão sobre as perguntas do questionário, bem como em explicações sobre os exames de saúde bucal. Antes da coleta de dados foi realizado um treinamento com a aplicação do questionário e com o exame de saúde bucal em pacientes nas clínicas da Faculdade de Odontologia da Universidade de Passo Fundo (UPF). A reprodutibilidade interexaminador do exame clínico foi verificada em 5% dos examinados, escolhidos por sorteio aleatório. O índice Kappa para a necessidade de prótese e para a contagem de dentes foi de 1 e de 0,85, respectivamente.

A variável dependente foi prevalência de sintomas de DTM, por meio do instrumento IAF. O instrumento classifica os indivíduos pela gravidade dos sintomas como: sem DTM, DTM leve, DTM moderada e DTM grave. Para a análise dos dados, os idosos foram categorizados em três grupos: sem DTM, DTM leve e DTM moderada/grave. As variáveis independentes incluíram condições sociodemográficas, aspectos comportamentais e condições de saúde bucal e geral.

A idade foi dicotomizada em dois grupos, um com idade ≤69 anos e outro com idade ≥70 anos. Essa divisão foi baseada na mediana da idade encontrada nessa amostra. A etnia/cor da pele foi categorizada como branca ou não branca. O grupo não branco incluiu os idosos que se referiram como sendo da cor negra, amarela, parda ou indígena. O nível educacional foi categorizado como escolaridade baixa, que inclui idosos com, no máximo, ensino fundamental completo, incluindo os analfabetos; escolaridade média, para aqueles com ensino médio incompleto ou completo; e escolaridade alta, para os idosos com ensino superior incompleto ou completo.

A necessidade de prótese foi categorizada em sim, para necessidade de algum tipo de prótese, e não, para os idosos sem nenhuma necessidade de prótese. O uso de prótese em edêntulos foi categorizado da seguinte maneira: dentados, os idosos que possuíam dentes independentemente do uso de próteses parciais, edêntulos usuários de duas próteses totais e edêntulos usuários de apenas uma prótese total ou não usuários de prótese total. O item fumo foi categorizado em dois grupos, um com idosos sem nenhum histórico com fumo e outro com idosos que atualmente fumam ou que já fumaram. Os problemas de saúde foram categorizados em dois grupos, um com idosos que referiram não ter ou não saber se tinham problemas de saúde e outro grupo com idosos que disseram ter algum problema de saúde. O uso de fármacos foi categorizado em dois grupos, um com idosos que relataram o uso de um ou mais fármacos e outro que referiram não fazer uso.

O presente estudo foi revisado e aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade de Passo Fundo (UPF). Todos os idosos leram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) antes de participarem do estudo.

Análise estatística

A análise dos dados foi realizada com o uso do pacote estatístico SPSS 21 (SPSS Inc., Chicago, Estados Unidos). As associações entre a variável dependente e as independentes foram avaliadas pelos testes de Qui-quadrado ou Mann-Whitney, apresentadas por distribuição de frequências. As análises uni e multivariadas foram realizadas utilizando-se regressão de Poisson com variância robusta para verificar a associação entre a variável dependente e as variáveis independentes. Apenas aquelas variáveis que apresentaram p<0,20 na análise univariada foram incluídas no modelo multivariado. A manutenção das variáveis independentes no modelo final foi determinada pela combinação de valor de p<0,05 e análise de modificações de efeito. As análises de multicolinearidade entre as variáveis independentes foram realizadas e nenhuma foi observada.

RESULTADOS

Um total de 287 idosos foram entrevistados e examinados em 260 domicílios, dos 292 domicílios visitados. A taxa de resposta do presente estudo foi de 89,04%. Em 32 domicílios houve recusa de participação no estudo (Figura 1). A média de idade da amostra foi de 69,30±3,52 anos, dos quais 102 (35,5%) foram do sexo masculino e 185 (64,5%) do sexo feminino. Quanto à etnia/cor da pele, 196 (68,3%) declararam-se brancos e 91 (31,7%) relataram ser não brancos. Em relação ao nível educacional, 190 (62,6%) apresentaram baixa escolaridade, sendo que, desses, 17 (5,9%) declararam-se analfabetos. Cerca de 60% dos idosos eram casados, enquanto cerca de 40% estavam divididos entre solteiros, divorciados ou viúvos. Declararam-se aposentados 76,3% dos idosos. Algum tipo de problema de saúde foi observado em 86,4% dos idosos, além disso, aproximadamente 42% reportaram histórico de exposição ao fumo (Tabela 2).

Figura 1 Fluxograma do estudo 

Tabela 2 Características demográficas da amostra e distribuição de frequência das exposições em relação ao desfecho disfunção temporomandibular entre idosos com idade entre 65 e 74 anos, Cruz Alta, 2016 

Variáveis Sem DTM
(n=129; 44,9%)
DTM leve
(n=120; 41,8%)
DTM moderada/grave
(n=38; 13,2%)
Valor de p
n (%) n (%) n (%)
Idade (anos) 0,036*
≤69 58 (45,0) 73 (60,8) 22 (57,9)
≥70 71 (55,0) 47 (39,2) 16 (42,1)
Sexo 0,392*
Masculino 51 (39,5) 40 (33,3) 11 (28,9)
Feminino 78 (60,5) 80 (66,7) 27 (71,1)
Etnia/cor da pele 0,429*
Não branco 46 (35,7) 34 (28,3) 11 (28,9)
Branco 83 (64,3) 86 (71,7) 27 (71,1)
Escolaridade 0,236*
Alta 77 (59,7) 88 (73,3) 25 (65,8)
Média 28 (21,7) 18 (15,0) 6 (15,8)
Baixa 24 (18,6) 14 (11,7) 7 (18,4)
Situação conjugal 0,587*
Casado 69 (53,5) 76 (63,3) 20 (52,6)
Solteiro 15 (11,6) 10 (8,3) 6 (15,8)
Divorciado 18 (14,0) 10 (8,3) 4 (10,5)
Viúvo 27 (20,9) 24 (20,0) 8 (21,1)
Aposentadoria 0,396*
Sim 103 (79,8) 87 (72,5) 29 (76,3)
Não 26 (20,2) 33 (27,5) 9 (23,7)
Média de perda dentária (Média ±DP) 18,71±8,90 20,77±7,24 19,63±8,41 0,313#
Necessidade de prótese 0,246*
Não 49 (38,0) 53 (44,2) 20 (52,6)
Sim 80 (62,0) 67 (55,8) 18 (47,4)
Edentulismo 0,909*
Não 92 (71,3) 83 (69,2) 26 (68,4)
Sim 37 (28,7) 37 (30,8) 12 (31,6)
Uso de prótese em edêntulos 0,573*
Dentados 92 (71,3) 83 (69,2) 26 (70,3)
Edêntulos com duas próteses 34 (26,4) 31 (25,8) 8 (21,6)
Edêntulos sem prótese ou somente com uma prótese 3 (2,3) 6 (5,0) 3 (8,1)
Acesso ao dentista nos últimos 12 meses 0,281*
Sim 66 (51,2) 55 (45,8) 14 (36,8)
Não 63 (48,8) 65 (54,2) 24 (63,2)
Exposição ao fumo 0,353*
Não fumantes 51 (39,5) 50 (41,7) 20 (52,6)
Fumantes e ex-fumantes 78 (60,5) 70 (58,3) 18 (47,4)
Algum problema de saúde 0,001*
Sim 102 (79,1) 108 (90,0) 38 (100,0)
Não/nãosabe 27 (20,9) 12 (10,0) 0 (0,0)
Uso de fármaco 0,355*
Não/nãosabe 27 (20,9) 18 (15,0) 5 (13,2)
Sim 102 (79,1) 102 (85,0) 33 (86,8)

n = valor absoluto; % = valor relativo;

*teste Qui-quadrado;

#teste de Mann-Whitney; DP = desvio padrão.

Foram diagnosticados 158 (55,1%) idosos com sintomas de DTM, sendo que desses, 120 (41,8%) com DTM leve, 29 (10,1%), moderada e 9 (3,2%) grave. Para a análise dos resultados, 129 (44,9%) idosos foram considerados sem DTM, 120 (41,8%) com DTM leve e 38 (13,3%) com DTM moderada/grave. A idade (p=0,036) e o relato de algum problema de saúde geral (p<0,001) (Tabela 2) foram significativamente associados com DTM. Não apresentaram significância estatística com sintomas de DTM o sexo (p=0,392), a cor da pele (p=0,429), o nível educacional (p=0,236), a necessidade de prótese (p=0,246) e o acesso ao dentista nos últimos 12 meses (p=0,281) (Tabela 3).

Tabela 3 Modelo de análise univariada associando exposições em relação à disfunção temporomandibular entre idosos com idade entre 65 e 74 anos, Cruz Alta, 2016 

Variáveis DTM leve
Razão de prevalência (IC 95%)
Valor de p DTM moderada/grave
Razão de prevalência (IC 95%)
Valor de p
Idade (anos)
≤69 Ref. 0,014 Ref. 0,165
≥70 0,715 (0,546 - 0,936) 0,669 (0,379 - 1,180)
Sexo
Masculino Ref. 0,320 Ref. 0,246
Feminino 1,152 (0,872 - 1,522) 1,449 (0,774 - 2,713)
Etnia/cor da pele
Não branco Ref. 0,231 Ref. 0,450
Branco 1,197 (0,892 - 1,608) 1,272 (0,682 - 2,373)
Escolaridade
Alta Ref. Ref.
Média 1,062 (0,612 - 1,842) 0,830 0,782 (0,295 - 2,074) 0,620
Baixa 1,448 (0,932 - 2,248) 0,099 1,085 (0,520 - 2,265) 0,827
Situação conjugal
Casado Ref. Ref.
Solteiro 0,763 (0,461 - 1,246) 0,294 1,271 (0,584 - 2,770) 0,546
Divorciado 0,681 (0,405 - 1,147) 0,149 0,809 (0,308 - 2,127) 0,668
Viúvo 0,898 (0,646 - 1,249) 0,522 1,017 (0,495 - 2,091) 0,963
Aposentadoria
Sim Ref. 0,153 Ref. 0,634
Não 1,222 (0,928 - 1,607) 1,170 (0,612 - 2,238)
Média de perda dentária 1,017 (1,000 - 1,034) 0,051 1,010 (0,977 - 1,043) 0,563
Necessidade de prótese
Não Ref. 0,317 Ref. 0,109
Sim 1,140 (0,882 - 1,474) 1,578 (0,904 - 2,755)
Edêntulo
Não Ref. 0,708 Ref. 0,729
Sim 1,054 (0,800 - 1,389) 1,111 (0,612 - 2,020)
Uso de prótese em edêntulos
Dentados Ref. Ref.
Edêntulos com duas próteses 1,006 (0,746 - 1,355) 0,971 0,864 (0,425 - 1,758) 0,688
Edêntulos sem prótese ou somente com uma prótese 1,406 (0,863 - 2,289) 0,171 2,269 (0,951 - 5,412) 0,065
Acesso ao dentista nos últimos 12 meses
Sim Ref. 0,402 Ref. 0,127
Não 1,117 (0,862 - 1,448) 1,576 (0,878 - 2,830)
Exposição ao fumo
Não fumantes Ref. 0,731 Ref. 0,153
Fumantes e ex-fumantes 1,047 (0,807 - 1,358) 1,502 (0,860 - 2,625)
Uso de fármaco
Não/não sabe Ref. 0,254 Ref. 0,307
Sim 1,250 (0,852 - 1,834) 0,639 (0,271 - 1,508)

DTM = disfunção temporomandibular; IC = intervalo de confiança.

A idade esteve significativamente associada com maior razão de prevalência de DTM leve. A idade mais elevada (≥70 anos) demonstrou ser um fator protetor para DTM leve quando comparada com indivíduos sem DTM. Idosos com idade ≥70 anos tiveram uma razão de prevalência de 28,5% menor quando comparado com idosos com até 69 anos (p=0,014). Nenhuma das variáveis independentes apresentou-se significativamente associada com DTM moderada/grave (Tabela 4).

Tabela 4 Modelo de análise multivariada associando exposições em relação à disfunção temporomandibular entre idosos com idade entre 65 e 74 anos, Cruz Alta, 2016 

Variáveis DTM leve
Razão de prevalência (IC 95%)
Valor de p DTM moderada/grave
Razão de prevalência (IC 95%)
Valor de p
Idade (anos)
≤69 Ref. 0,004 Ref. 0,121
≥70 0,674 (0,516 - 0,881) 0,638 (0,361 - 1,125)
Média de perda dentária 1,022 (1,004 - 1,039) 0,013 1,015 (0,983 - 1,048) 0,375

DTM = disfunção temporomandibular; IC = intervalo de confiança.

As seguintes variáveis foram incluídas no modelo multivariado inicial: idade, escolaridade, estado civil, aposentadoria, média de perda dentária, necessidade de prótese e uso de prótese em edêntulos. No modelo final, apenas a idade e a média de perda dentária permaneceram associados à DTM leve. Idade elevada (≥70 anos) demonstrou ser um fator protetor contra DTM leve. Os idosos com idade mais avançada tiveram 32,6% menor razão de prevalência quando comparado com idosos com até 69 anos (p=0,004). A perda dentária demonstrou ser um fator de risco para DTM leve quando comparada a idosos sem DTM. A cada dente perdido, o indivíduo apresenta 2,2% maior razão de prevalência (p=0,013). Nesse modelo, nenhuma associação estatisticamente significativa foi observada para DTM moderada/grave.

DISCUSSÃO

A avaliação dos sintomas da DTM é importante, pois torna possível o reconhecimento precoce dos portadores, o que pode ajudar na prevenção e/ou no controle da sua cronicidade e possíveis degenerações. Isso é particularmente importante nos idosos, pois essa faixa etária vem aumentando nas últimas décadas. Além disso, os dados do presente estudo podem auxiliar no planejamento de políticas de saúde pública.

Em 158 (55,1%) idosos foi detectado algum sintoma de DTM. Os resultados deste estudo demonstraram alta prevalência de sintomas de DTM e tiveram características semelhantes a outras pesquisas que utilizaram o IAF, tanto em estudos com base domiciliar11,15 quanto em outros desenvolvidos em universidades ou centros de convivência19,20,33, nos quais existe uma tendência de prevalência ao redor de 50%, independentemente da gravidade. Do mesmo modo, estudos transversais que utilizaram outros instrumentos e/ou exames clínicos também reportaram prevalências semelhantes20,22,34-36. Em geral, independentemente do desenho do estudo e dos instrumentos utilizados, a prevalência da DTM revelou-se elevada entre os idosos.

Os estudos epidemiológicos apontaram alta prevalência da DTM. No entanto, estima-se que o número de pessoas que realmente necessitam de algum tipo de tratamento gire em torno de 10 a 15%. Esse percentual abrange, em geral, as pessoas portadoras de sintomas de DTM moderada/grave7,17. No presente estudo, a prevalência de sintomas de DTM moderada/grave foi de 13,3%. Esses resultados são semelhantes a outros trabalhos, independentemente do instrumento utilizado15,19,22. Esses indivíduos deveriam estar em algum tipo de tratamento com o objetivo de reduzir a dor, aumentar a amplitude articular, prevenir novas lesões, reduzir morbidades e melhorar a QV37,38. As más condições de saúde bucal estão entre as principais causas da DTM. No presente estudo, a perda dentária foi associada ao maior risco da DTM leve. De fato, algumas pesquisas confirmam que a perda dos dentes naturais tem sido considerada como um dos principais fatores de risco para DTM24,25,39, visto que vários problemas bucais se relacionam diretamente com a falta de dentes naturais. Dados do último levantamento nacional demonstraram que os idosos com idade entre 65 e 74 anos apresentaram uma média de 25,29 dentes perdidos e uma prevalência de 54% de edentulismo23. Além disso, a maioria dos idosos brasileiros ainda necessita de reabilitação com algum tipo de prótese40. Embora não tenha havido associação estatisticamente significativa com DTM, a necessidade de prótese é resultado direto das perdas dentárias, e provavelmente um dos fatores associados com DTM.

Da mesma forma, a idade foi estatisticamente associada à prevalência de sintomas de DTM. Ter idade ≥70 anos foi um fator de proteção para DTM leve. Esses resultados foram semelhantes a outras investigações que associaram a idade mais avançada como um fator protetor para DTM19,22. Com relação à idade, acredita-se que as pessoas mais velhas tendem a desenvolver melhor resiliência no SE, adequando-se às alterações decorrentes do envelhecimento5,41. Além disso, no decorrer do processo de envelhecimento, os idosos, na sua maioria, tendem a se conformar com a deterioração de sua saúde e, dessa forma, acreditam que os problemas bucais são uma consequência inevitável do envelhecer4,42. No presente estudo, apenas indivíduos idosos com idade entre 65 e 74 anos foram incluídos, tendo por base os critérios recomendados pela OMS para estudos epidemiológicos em saúde bucal29. Essa estratégia é recomendada, pois permite comparações entre diversos estudos, além de tornar a estratégia amostral viável.

Em contrapartida, a presente pesquisa não encontrou associação estatisticamente significativa entre sexo e sintomas de DTM. Esses resultados foram semelhantes aos de outras pesquisas que observaram que as diferenças de sexo em relação à DTM não foram tão importantes para os grupos etários mais velhos24,43. Alguns estudos têm associado o nível educacional e a renda com DTM11,14, embora o nível educacional não tenha, neste trabalho, sido associado com DTM. No entanto, a perda dentária pode ser utilizada como um proxy do nível educacional e da renda. É importante ponderar que a escolaridade e a renda estão inseridas entre os principais fatores determinantes da perda dentária. Com relação aos condicionantes socioeconômicos, deve-se destacar o baixo nível educacional dos idosos da cidade de Cruz Alta. A média entre homens e mulheres, a média de indivíduos brancos e não brancos e o nível educacional dos idosos neste estudo são semelhantes aos observados no último censo nacional para essa cidade30. Além disso, os examinadores foram treinados para coleta dos dados de modo a respeitar um padrão.

Com relação ao IAF17, a literatura demonstrou algumas vantagens, entre elas, a simplicidade para a avaliação baseada na percepção, o menor tempo de aplicação, um menor custo, sendo útil para utilização em estudos epidemiológicos envolvendo grandes populações18. O IAF não é um instrumento de diagnóstico, é utilizado para fazer um rastreamento da DTM, permitindo classificar o indivíduo ainda em estágio precoce, como portador de sintomas compatíveis com a DTM. De outro lado, esta pesquisa apresentou algumas limitações. A primeira delas refere-se ao desenho transversal, que não permite avaliar a temporalidade das associações entre DTM e as variáveis exploratórias. Além disso, não foram clinicamente avaliados os sinais e os sintomas da DTM e a capacidade mental de resposta dos idosos. Apesar das limitações, o delineamento do estudo permite a generalização de dados para comparações com outros estudos com base domiciliar com amostra representativa.

O interesse em conhecer a prevalência da DTM na população idosa vem aumentando, principalmente nas últimas décadas. Isso ocorre porque a DTM tem um papel importante na ocorrência de DOF e na incapacitação das atividades diárias6. Embora a literatura disponibilize vários estudos epidemiológicos, não existe um consenso quanto à sua prevalência e os seus fatores de risco. Essas diferenças na prevalência podem ser causadas pelo delineamento dos estudos, pela heterogeneidade dos métodos de diagnóstico, pela falta de representatividade das amostras, entre outras razões15,16. De qualquer forma, um dos aspectos importantes deste trabalho se traduz no melhor entendimento da relação entre o envelhecimento e a saúde bucal, especialmente em relação à DTM.

CONCLUSÃO

No presente estudo, verificou-se alta prevalência de sintomas de DTM, com predomínio do grau leve. A idade e as perdas dentárias foram associadas com a DTM. Os resultados sugerem a necessidade da melhoria nas condições de saúde bucal dos idosos e evidenciam a importância de mais estudos epidemiológicos sobre a prevalência da DTM nessa população.

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