Association between pain and agricultural workload

Association between pain and agricultural workload

Autores:

Laurelize Pereira Rocha,
Marta Regina Cezar-Vaz,
Marlise Capa Verde de Almeida,
Diéssica Roggia Piexak,
Clarice Alves Bonow

ARTIGO ORIGINAL

Acta Paulista de Enfermagem

On-line version ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.27 no.4 São Paulo Aug. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201400056

Introdução

A agricultura abrange a produção de produtos alimentícios, desde o plantio, a colheita até a comercialização, o uso e a manutenção de máquinas, ferramentas e instalações agrícolas, dentre outros.(1) O agricultor desenvolve seu trabalho mediante condições específicas do processo de trabalho agrícola, as quais são produtoras de carga de trabalho: diferentes condições climáticas; rotina intensificada de trabalho em determinados períodos do ano, de acordo com a necessidade de execução das atividades agrícolas; variedade de tarefas que o mesmo trabalhador precisa executar (capina, trato das culturas, colheita, carregamento dos produtos e etc).

As atividades desenvolvidas expõem o trabalhador ao contato com animais peçonhentos e plantas, que podem ocasionar picadas, mordidas, intoxicações, alergias, infecções, entre outras. Em sua maioria, são árduas e demandam exigências energéticas da capacidade humana, como força muscular, permanência em condições ambientais e de trabalho desgastantes, a permanência em posições corporais incômodas por longos períodos de tempo, ritmo intenso de produtividade, movimentos repetitivos, utilização de instrumentos de trabalho que o expõem a cargas de trabalho contínuas, possíveis geradoras de lesões, doenças e acidentes de trabalho.(1)

Considera-se a carga de trabalho como resultado da inter-relação entre os elementos do processo de trabalho e os reflexos no corpo do trabalhador, que podem traduzir-se em dores, lesões e adoecimentos como um nexo causal biopsíquico. Nesse sentido, há necessidade de analisar o processo de trabalho específico, compreendendo suas particularidades, para poder investigar a carga de trabalho e o seu desfecho.(2)

Muitas evidências relacionadas a outros problemas de saúde oriundos do processo de trabalho desenvolvido pelo agricultor têm sido identificadas. A preocupação dos agricultores com relação à saúde para o trabalho em dias de clima quente, lesões musculares, lesões oculares e as quedas em ambientes de trabalho, desencadeadoras de luxações e fraturas foi foco de estudo.(3)

O National Center for Farmworker Health destaca o trabalho físico árduo e o trabalho com máquinas pesadas oriundos do trabalho agrícola como promotor de lesões musculoesqueléticas.(4) As lesões podem, inicialmente, surgir com dores e evoluir para problemas maiores, como a Lesão por Esforço Repetitivo e o Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho – LER/DORT, dois dos maiores problemas de saúde na agricultura nos países europeus.(5)

Dessa forma, visualiza-se a necessidade dos enfermeiros contribuírem na produção do conhecimento em saúde do trabalhador e atuar no cuidado deste, em seus processos produtivos, na perspectiva de prevenção, vigilância e promoção da saúde. Assim, investigar a relação do processo saúde-trabalho-ambiente no âmbito da carga de trabalho é uma importante contribuição ao conhecimento na área de enfermagem do trabalho.

Considerando que a atenção prestada pelo enfermeiro à saúde do agricultor requer o conhecimento sobre a natureza do processo de trabalho, dos aspectos socioambientais e das implicações à saúde, justifica-se este estudo. Para tanto, apresenta-se como objetivo analisar a associação entre a carga de trabalho agrícola e a dor atribuída pelos agricultores.

Métodos

Estudo transversal realizado em dois ambientes rurais do estado do Rio Grande do Sul no Brasil: Ilha dos Marinheiros e zona rural de Uruguaiana, com a participação de 259 agricultores, 129 da Ilha dos Marinheiros e 130 da zona rural de Uruguaiana. Os critérios de seleção foram: agricultores residentes nas regiões mencionadas; idade mínima de dezoito anos completos; atuação na agricultura de hortifrutigranjeiros. Excluíram-se os que não realizavam atividades na agricultura no período de coleta de dados.

Diante da ausência do número de agricultores em fontes oficiais, os sujeitos foram selecionados intencionalmente por meio de uma amostragem não probabilística por conveniência. Realizou-se o cálculo amostral por meio da ferramenta StatCalc do programa EpiInfo versão 3.5.2., à qual foi inserido o número total de habitantes das regiões rurais com nível de confiança de 95%. Assim, obteve-se um cálculo amostral de 369 sujeitos: 179 na Ilha dos Marinheiros e 190 em Uruguaiana.

Em consonância à inexatidão do número de agricultores, buscaram-se estratégias para alcançar o maior número de sujeitos possíveis. A primeira iniciativa foi entrar em contato com os órgãos oficiais do estado e município, vinculados à assistência aos agricultores, como Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural e Secretaria Municipal da Agricultura. Somando-se às estratégias de rastreamento dos sujeitos, realizaram-se buscas, casa a casa, localizando agricultores e residências, mediante indicação dos próprios entrevistados. Considerando as regiões rurais de difícil acesso, obteve-se o total de 26 recusas e 36 perdas, a partir da não localização do trabalhador e estabelecidas por no mínimo cinco tentativas de contato em visitas à residência.

O processo de coleta dos dados ocorreu no período de março a outubro de 2013, por meio de um questionário semiestruturado com questões mistas referentes à caracterização dos agricultores, do processo de trabalho, implicações do trabalho para a saúde e estratégias para amenização de sintomas. A fim de analisar as dores relacionadas ao trabalho, utilizou-se um diagrama com a imagem do corpo humano, face anterior e posterior, para facilitar a localização de áreas dolorosas. Neste estudo, utilizou-se a seguinte definição de dor: experiência sensorial desagradável, portanto também emocional, associada a uma lesão tecidual real ou potencial, considerando a subjetividade do indivíduo.(6)

Para mensurar a carga de trabalho, utilizou-se o instrumento NASA-TLX, desenvolvido pela National Aeronautics and Space Administration. Trata-se de um procedimento multidimensional, que avalia seis demandas: exigências mental, física, temporal, nível de esforço total, de desempenho e de frustração. O procedimento de avaliação envolve duas etapas: Primeira - o trabalhador marca em uma escala contínua, não numérica de vinte pontos, com duas âncoras nas extremidades (baixa e alta), o quanto à demanda contribui para a carga de trabalho (taxas). Segunda - apresentam-se aos trabalhadores quinze pares distintos de demandas combinadas; em cada um é assinalada a demanda que mais contribui para a carga de trabalho (pesos).(7,8)

A análise ocorreu por meio do software Statistical Package for the Social Sciences versão 20.0., realizando-se análise descritiva com base nos percentuais de respostas; o teste Qui-quadrado de Pearson2) buscando-se identificar possíveis associações entre as variáveis relacionadas à dor nas regiões corporais e atividades agrícolas desenvolvidas pelo agricultor. A partir de associações significativas, calculou-se o coeficiente V-Cramer (V) para verificar o tamanho do efeito da associação, considerando-se como efeito pequeno r < 0,3; moderado quando 0,4<V <0,5 e grande quando r > 0,5. Na análise da carga de trabalho, foi realizada a média ponderada das demandas (taxas x pesos) e a taxa global ponderada de cada sujeito entrevistado; após, foi realizado o teste Mann-Whitney relacionando a variável carga de trabalho com a ocorrência de dor, o auxílio ao agricultor no trabalho e com transtornos do sistema nervoso. Para todos os testes realizados considerou-se o nível de significância de α < 0,05.

O desenvolvimento do estudo atendeu as normas nacionais e internacionais de ética em pesquisa envolvendo seres humanos.

Resultados

O estudo envolveu 148 (57,1%) trabalhadores homens e 111 (42,9%) mulheres, com média geral de idade de 51,2 anos. Os resultados relativos às características do trabalho dos agricultores são apresentados na tabela 1.

Tabela 1 Características do processo de trabalho dos agricultores 

Variáveis n(%)
Atividades desenvolvidas na agricultura  
 Planejar produção 217(83,8)
 Comercializar 189(73)
 Administrar produção 194(74,9)
 Preparar o solo 214(82,6)
 Plantar 248(95,8)
 Realizar tratos culturais 238(91,9)
 Colher 253(97,7)
Possui auxílio no trabalho da agricultura  
 Não 26(10,1)
 Sim 232(89,6)
Pessoa que auxilia  
 Esposo(a) 180(69,5)
 Filho(s) 72(27,8)
 Irmão(s) 21(8,1)
 Funcionário(s) 20(7,7)

Conforme o teste de Mann-Whitney (p=262) verificou-se não haver diferença significativa entre a carga de trabalho do agricultor que possui auxílio no desenvolvimento do trabalho da agricultura para o trabalhador que não possui tal auxílio.

Apresenta-se a relação de associação entre as variáveis referentes ao processo de trabalho agrícola e às dores atribuídas pelos agricultores. As associações com maior magnitude ficaram entre a comercialização dos produtos e a dor nos pés (V = 0,176), e o preparo do solo associado às lombalgias (V = 0,164) (Tabela 2).

Tabela 2 Associação entre as atividades desenvolvidas pelo agricultor e a autorreferência de dores relacionadas ao trabalho 

Variáveis Planejar produção n(%) Comercializar produtos agrícolas n(%) Administrar produção n(%) Preparar solo n(%) Plantar culturas n(%) Realizar tratos culturais n(%) Colher produtos agrícolas n(%)
Cabeça 18(6,9) 15(5,8) 17 (6,6)**** 16(6,2) 18(6,9) 16(6,2) 18(6,9)
Pescoço 12(4,6) 9(3,5) 9(3,5) 9(3,5) 12(4,6) 12(4,6) 12(4,6)
Ombros 42(16,2) 40(15,4) 41(15,8) 45(17,4) 52(20,1) 48(18,5) 52(20,1)
Tórax 9(3,5) 9(3,5) 8(3,1) 8(3,1) 9(3,5) 9(3,5) 9(3,5)
Coluna Cervical/Torácica 74(28,6) 65(25,1) 68(26,3) 73(28,2) 88(34) 87(33,6) 94(36,3)
Coluna Lombar/Sacral 123(47,5) 110(42,5) 116(44,8) 116(44,8)2 142(54,8) 135(52,1) 138(53,3)
Braços 22(8,5) 19(7,3) 19(7,3) 24(9,3) 28(10,8) 26(10) 26(10)
Cotovelos 15(5,8) 13(5,0) 13(5,0) 14(5,4) 15(5,8) 15(5,8) 15(5,8)
Antebraços 11(4,2) 10(3,9) 9(3,5) 11(4,2) 11(4,2) 11(4,2) 10(3,9)
Punhos 5(1,9) 5(1,9) 5(1,9) 5(1,9) 5(1,9) 5(1,9) 5(1,9)
Mãos 8(3,1)* 8(3,1) 8(3,1) 10(3,9) 12(4,6) 11(4,2) 12(4,6)
Abdome 8(3,1) 8(3,1) 9(3,5) 3(1,2) 10(3,9) 9(3,5) 10(3,9)
Coxas 23(8,9) 21(8,1) 20(7,7) 26(10) 30(11,6) 28(10,8) 30(11,6)
Joelhos 33(12,7) 28(10,8) 28(10,8) 35(13,5) 37(14,3) 37(14,3) 40(15,4)
Pernas 18(6,9) 17(6,6) 17(6,6) 21(8,1) 23(8,9) 21(8,1) 23(8,9)
Panturrilhas 25(9,7) 22(8,5) 21(8,1) 22(8,5) 29(11,2) 24(9,3)3 29(11,2)
Tornozelos 18(6,9) 18(6,9) 18(6,9) 20(7,7) 21(8,1) 20(7,7) 22(8,5)
Pés 12(4,6)** 8(3,1)*** 10(3,9)1 14(5,4) 17(6,6) 18(6,9) 17(6,6)

* χ 2=4,985; p<0,026; V = 0,026; ** χ 2=4,172; p<0,041. V = 0,127; *** χ 2=7,983; p<0,005; V = 0,176; **** χ 2= 3,929; p<0,047; V = 0,123; 1 χ 2=3,852; p<0,050; V = 0,122; 2 χ 2 = 6,953; p<0,008; V = 0,164;

3 χ 2=6,440; p<0,011; V = 0,158

A realização de tratos culturais mostrou-se associada a dores na região das panturrilhas (V = 0,158). As cefaleias (V = 0,123) e dores nos pés (V = 0,122) estiveram associadas à administração da produção. Dores nos pés (V = 0,127) também mostraram associação significativa com o planejamento da produção; as dores nas mãos tiveram uma associação baixa entre os trabalhadores que realizaram o planejamento da produção (V = 0,026).

Verificou-se que os agricultores que apresentam dor em decorrência da realização do trabalho (n=221) evidenciam maior carga de trabalho (mediana = 15,60; p=0,002) em comparação com os que não apresentam dor (mediana = 12,53). A partir da definição de dor adotada neste estudo, entende-se como necessária a análise dos índices da carga de trabalho na relação com os transtornos mentais e do sistema nervoso relacionados ao trabalho. Desse modo, identificou-se diferença significativa da carga de trabalho para os agricultores que apresentaram os transtornos estresse (n= 98; 37,8%; p = 0,006; mediana 16,40), ansiedade (n=94; 36%; p = 0,007, mediana = 16,49) e transtorno do ciclo vigília-sono (n=70; 26,9%; p = 0,025; mediana = 16,46) do que para aqueles que não apresentaram. Foram ainda citados outros transtornos relacionados ao trabalho, como episódios depressivos (n=38; 14,6%).

Observaram-se também as estratégias que os agricultores (n=221) utilizam para minimizar as dores: 124 (77%) automedicação; 120 (77,7%) realizam cuidados com o corpo por meio da realização de caminhadas ou descanso; 49 (57%) recorrem à Unidade Básica de Saúde; 40 (51,7%) recorrem à especialista; 19 (33,1%) realizam massagens com infusões ou pomadas; 18 (32,7%) recorrem ao pronto socorro; 10 (19,3%) não realizam qualquer estratégia; 09 (18,9%) ingerem medicações caseiras e 08 (18,5%) realizam tratamento medicamentoso prescrito.

Discussão

Os limites dos resultados deste estudo estão relacionados ao desenho transversal que não possibilita o estabelecimento de relações de causa e efeito. Além disso, a característica subjetiva da variável dor e a ausência da análise da sua intensidade e frequência, bem como de suas características sensoriais somatórias.

Os resultados deste estudo indicam a necessidade do planejamento de ações em saúde, buscando a prevenção de dores, lesões e distúrbios relacionados à carga de trabalho do agricultor. Tais achados contribuem em potencial para que os enfermeiros promovam intervenções em saúde fundamentadas na Enfermagem do trabalho.

A análise da carga de trabalho mostrou-se não modificável diante do auxílio de outra pessoa no trabalho da agricultura, o que sugere que esta se mantém de acordo com a natureza do processo de trabalho desenvolvido. No presente estudo, verificou-se que a maioria dos agricultores recebe ajuda da família, perspectiva que caracteriza o processo de trabalho voltado à agricultura familiar, considerada a principal atividade sócio-econômica no meio rural.(9)

Na análise do processo de trabalho desenvolvido pelo agricultor, identificou-se a diversidade de tarefas realizadas, com a predominância da colheita, plantio e trato das culturas agrícolas, o que pode ser justificado pela necessidade de maior força de trabalho diante da particularidade da produtividade e da relação com a CT exigida. Essas etapas do trabalho agrícola são mencionadas em estudo com agricultores na Nova Zelândia.(9) A carga de trabalho oriunda das atividades agrícolas também é destacada em países como Holanda, França e Reino Unido, na relação com o aparecimento de sintomas gerados por distúrbios musculoesqueléticos associados às posturas inadequadas, longos períodos em pé, temperaturas extremas, jornada de trabalho prolongada.(5)

Associações significativas foram identificadas entre as atividades agrícolas e a localização de dores como: a comercialização dos produtos e dores nos pés, o preparo do solo com lombalgias e dor em região sacral, a realização dos tratos culturais e dor em região das panturrilhas, a administração da unidade com cefaleia e dor nos pés. Isso pode estar atrelado à exigência do processo de trabalho no corpo humano em função das posições assumidas pelo trabalhador, as quais em sua maioria são ou se tornam inadequadas pela rotina do trabalho ou em decorrência da dor adquirida; as cargas pesadas e repetições excessivas praticadas também são causadoras de dorsalgias, lombalgias, inflamações nos músculos, tendões e articulações.(5,10)

Sintomas dolorosos em agricultores estão atrelados às atividades desenvolvidas, como é o caso das tarefas manuais (plantio, colheita, inspeção e embalagem dos produtos, poda, carregamento, transporte de mercadorias, aplicações de produtos químicos etc.). Considerando tais ações, várias podem ser as implicações para a saúde, entre elas: fadiga generalizada; transtornos traumáticos cumulativos; contraturas musculares, dores e lesões na região cervical, lombar, membros superiores e inferiores, articulares e musculoesqueléticas; lesões de mão e pulso.(11) Além disso, o esforço gerado pela carga de trabalho das atividades associado à exposição a fatores ambientais, como temperaturas elevadas, pode levar o trabalhador a um estresse térmico por um desequilíbrio eletrolítico, o que pode acarretar em cefaleias e síncopes relacionadas às alterações orgânicas, decorrentes da inadequada reposição hídrica.(1)

A relação entre distúrbios musculoesqueléticos e dorsalgias, lombalgias, dor no pescoço, ombros, membros superiores, joelhos, mãos e pés com o processo de trabalho e condições de trabalho, como o levantamento de peso, movimentos bruscos, de flexão e má posição no trabalho são apresentados em pesquisas com agricultores.(4,9-11)

Neste estudo, identificou-se que a carga de trabalho é percebida como superior para os agricultores que apresentaram dor em comparação aos que não apresentaram. Confirmando o achado, estudo com agricultores irlandeses apresenta elevado índice de lesões musculoesqueléticas no período de um ano, evidenciadas por dores em distintas regiões corporais como costas, ombros, pescoço, cotovelo, punhos, mãos, quadril, joelhos, tornozelos e pés. Tais aspectos foram associados às horas de trabalho diárias e anos de cultivo.(12) Considera-se que a carga de trabalho abarca todas as condições de trabalho, as quais incluem o tempo que o trabalhador utiliza para desenvolver as tarefas, assim como as posturas exigidas: longas períodos em pé, em posições curvadas e cócoras, como no caso do agricultor.

A evidência do diagnóstico de dorsalgia ressalta a preocupação com o crescimento do número de trabalhadores afastados por DORT indefinida. Entre as categorias profissionais em benefício de auxílio-doença, o trabalhador rural predominou com média de 23%, ao longo de três anos.(13)

Identificou-se associação significativa entre os transtornos mentais e os do sistema nervoso relacionados ao trabalho com a carga de trabalho entre os trabalhadores que sofrem de estresse, ansiedade e transtorno do ciclo vigília-sono. Na Carolina do Norte (EUA) são evidenciados sintomas depressivos em agricultores latinos, sendo o ritmo de trabalho um dos estressores situacionais.(14) Estudo apresenta a relação de sintomas depressivos relacionados com problemas musculoesqueléticos em agricultores.(15) Outro estudo identifica além da depressão a alta sonolência durante o dia entre trabalhadores agricultores, o que pode sugerir algum transtorno do ciclo vigília-sono.(16)

Entre as estratégias utilizadas pelos agricultores para minimizar as dores, observou-se a automedicação, os cuidados com o corpo e as medicações caseiras. O fato é identificado em outras publicações com trabalhadores rurais, relacionando o difícil acesso aos serviços de saúde e ao tratamento à dificuldade pela distância e ao tempo para iniciar o tratamento.(9,10,17) Dessa forma, o estudo propicia um repensar dos profissionais da saúde na relação de ações direcionadas ao trabalhador rural e ao acesso a orientações e tratamento adequado à saúde.

O fato dos agricultores apenas realizarem cuidados com o corpo, como caminhadas e descanso, é confirmado em estudo que caracteriza trabalhadores desta categoria como resilientes, de modo que relacionam a dor com a carga de trabalho; porém, utilizam como um enfrentamento ignorar, pois é preciso seguir o trabalho, e muitos se habituam com ela.(9)

Cabe ao agricultor efetuar escolhas no modo de realizar o seu trabalho e adaptar técnicas que minimizem a carga de trabalho, o que pode ser sugerido por meio da Enfermagem do trabalho.

Conclusão

As cargas de trabalho oriundas do processo de trabalho agrícola exercem influências na saúde e podem levar ao desgaste físico e emocional do agricultor, ocasionando dores e possíveis distúrbios e doenças relacionadas ao trabalho.

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