Atitudes e práticas de profissionais atuantes na Estratégia Saúde da Família quanto à abordagem aos usuários de drogas no município de Campina Grande, Paraíba, Brasil

Atitudes e práticas de profissionais atuantes na Estratégia Saúde da Família quanto à abordagem aos usuários de drogas no município de Campina Grande, Paraíba, Brasil

Autores:

Lunna Farias,
Ítalo de Macedo Bernardino,
Renata Cardoso Rocha Madruga,
Sérgio d’Avila,
Rilva Suely de Castro Cardoso Lucas

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.10 Rio de Janeiro out. 2019 Epub 26-Set-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320182410.16772017

Introdução

O uso abusivo e a dependência do crack, álcool e outras drogas, constituem um problema complexo, impactando de forma acentuada na saúde dos indivíduos, suas famílias e na comunidade onde vivem1-4. Esta situação ganha destaque com o aumento do consumo de drogas e, dessa maneira, apresenta-se como relevante no âmbito da saúde pública, tanto brasileira quanto mundial, requisitando dos diversos campos do conhecimento científico estudos que problematizem essa questão complexa, levando em conta o seu impacto no contexto psicossocial atual5,6.

Nessa perspectiva, diretrizes de cuidado e políticas públicas relacionadas à drogadição vêm sendo elaboradas e discutidas em vários países, constituindo um tema desafiador para os sistemas de saúde7-9. Analisando as políticas de saúde no Brasil e os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), com enfoque na universalidade, têm-se os consumidores de drogas como sujeitos de direito ao acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de atenção8-10.

A inclusão da Atenção Primária à Saúde (APS) nos serviços prestados a esses usuários aumenta a qualidade dos cuidados oferecidos, sendo recomendada a sua participação de modo ativo e integral com outros serviços especializados6,11. Este nível de assistência conta com o trabalho de equipes multiprofissionais que, por sua vez, devem estar capacitadas para reconhecer os usuários de drogas, tratar e acompanhar as ações pertinentes às suas necessidades e às de seus familiares6.

O Ministério da Saúde (MS) tem reunido esforços nos últimos anos para articular ações estratégicas para o tratamento e prevenção do uso abusivo de drogas. Em 2003, a Política Nacional para a Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas12 destacou a relevância da descentralização das ações em saúde nesse contexto e, mais recentemente, em 2010, o governo brasileiro instituiu o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, que visa, dentre outros objetivos, promover a capacitação de profissionais, a reabilitação e a reinserção social de drogadictos, contemplando famílias e grupos de risco6,7,13,14.

Após realizar uma revisão crítica da literatura, constatou-se que são escassos os estudos que objetivaram investigar as práticas e atitudes dos profissionais atuantes na Estratégia Saúde da Família (ESF) quanto a abordagens a usuários de drogas1,3,6. Estudos deste tipo poderão fornecer subsídios para a capacitação dos profissionais, bem como para a elaboração de abordagens preventivas e terapêuticas, com ênfase em estratégias de redução de dano, o que possivelmente permitirá melhor prognóstico para os usuários.

Diante deste contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar as práticas e atitudes de profissionais vinculados à ESF quanto à abordagem aos usuários de drogas.

Metodologia

Caracterização do estudo

Tratou-se de estudo transversal e exploratório, desenvolvido por meio de pesquisa de campo, envolvendo os profissionais atuantes na ESF, em Campina Grande-PB, município do nordeste do Brasil que possui uma população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010) em aproximadamente 405.000 habitantes15. A sua rede de serviços da APS do SUS está distribuída territorialmente em seis Distritos Sanitários, com 74 Unidades Básicas de Saúde (UBS), que abrangem toda a sua extensão territorial e a de seus dois distritos municipais: São José da Mata e Galante. Os distritos sanitários caracterizam-se por serem áreas geográficas que comportam um grupo populacional com suas características socioeconômicas, epidemiológicas, necessidades e recursos de saúde para atendê-los. Os distritos municipais referem-se às subdivisões administrativas de nível municipal que não gozam de autonomia política, onde existem povoamentos expressivos em termos populacionais, mas que estão afastados da área urbana principal.

A coleta em campo aconteceu no segundo trimestre de 2015 e foi precedida da autorização pela Secretaria Municipal de Saúde, através do Termo de Autorização Institucional (TAI) para a realização da pesquisa nas UBS. Seguindo as normatizações da Comissão Nacional de Ética em Pesquisas (CONEP), presentes na resolução do CNS 466/12 e Capítulo IV da Resolução 251/97, o projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba, tendo sido aprovado sem ressalvas. Todos os participantes que aceitaram participar do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

O estudo consistiu em um censo, no qual a população objeto constou de todos os profissionais da saúde de nível superior que formavam as equipes mínimas atuantes na ESF do município, abrangendo, portanto, as categorias profissionais de médicos, enfermeiros e dentistas. Foram considerados como perdas: profissional de saúde em férias, de licença maternidade ou de atestado médico, e que não se encontrava no serviço de saúde após realizar três visitas agendadas em horários diferentes. A lista dos profissionais em cada Distrito Sanitário foi fornecida pela Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande, constituindo-se de 219 indivíduos no total. Durante a condução da pesquisa, constatou-se que apenas 189 se encontravam em atuação. Destes, 126 profissionais (66,6%) aceitaram participar e preencheram o questionário.

Com relação às perdas por categoria profissional, no período da pesquisa havia 81 enfermeiros em atuação no local, e destes, 54 participaram (66,7%). No que se refere aos médicos, atuavam 65 indivíduos e 43 (66,2%) participaram do estudo. Quanto aos dentistas, foram contabilizados 43 profissionais, sendo que destes, 29 participaram (67,4%). Portanto, não houveram perdas diferenciais, isto é, não houve um perfil diferenciado na não adesão à pesquisa.

Teoricamente, em estudos epidemiológicos, por razões de natureza estatística, recomenda-se a realização de um censo quando a população de referência for inferior ou igual a 250 indivíduos16. Idealmente, a adesão de todos os profissionais ao estudo geraria resultados ainda mais consistentes nestas situações. No entanto, isto nem sempre é possível na prática e a literatura atual não traz muitos esclarecimentos sobre o percentual de perda esperado e aceitável após conduzir um censo nestas situações limítrofes. Optando por realizar um cálculo amostral de população finita com auxílio do software Epidat versão 4.1, considerando que a população de referência dos profissionais era de 189 e fixando os seguintes parâmetros: precisão de 5%, nível de confiança de 95% e proporção esperada de 50%; verifica-se que uma amostra de 126 profissionais poderia ser considerada representativa. Portanto, apesar do percentual de perdas ter sido elevado, depreende-se que ele é aceitável para um estudo desta natureza, não comprometendo as validades interna e externa da investigação.

Variáveis investigadas

Como instrumento de pesquisa, utilizou-se um questionário estruturado em duas partes. A primeira incluiu variáveis sociodemográficas e relacionadas à atuação profissional dos participantes, enquanto que a segunda abrangeu perguntas relacionadas às atitudes e práticas sobre a abordagem aos usuários de drogas nas UBS, construídas pelos pesquisadores com base no Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas (Decreto Nº 7.179, de 20 de maio de 2010)7. Conceitualmente, atitude caracteriza-se por ser um comportamento habitual do participante que se verifica em circunstâncias diferentes; prática refere-se ao ato ou efeito de realizar algo; percepção pode ser entendida como a forma que o indivíduo enxerga, julga, conceitua ou qualifica algo3,17,18.

Dependendo da forma como a pergunta é construída, o que se entende por atitude, prática e percepção, comumente é interpretado de modo inter-relacionado. A investigação das atitudes e práticas pode refletir a visão dos profissionais em relação aos sentimentos, opiniões e percepções sobre o tema estudado3,18.

A pesquisa, iniciada em março de 2015, abrangeu todas as UBS e sua conclusão se deu em julho do mesmo ano. As variáveis foram categorizadas da seguinte forma: (i) dados sociodemográficos e atuação profissional: faixa etária (≤ 25 anos / 26 a 35 anos / 36 a 45 anos / 46 a 55 anos / 56 a 65 anos); sexo (feminino / masculino); situação conjugal (solteiro / separado ou viúvo / casado ou união estável); categoria profissional (dentista / enfermeiro / médico); tempo de trabalho de modo geral na ESF (< 1 ano / 1 a 5 anos / 6 a 10 anos); tempo de formado (1 a 10 anos / 11 a 20 anos / > 20 anos); local de trabalho (distrito sanitário 1 / distrito sanitário 2 / distrito sanitário 3 / distrito sanitário 4 / distrito sanitário 5 / distrito sanitário 6); (ii) atitudes e práticas sobre a abordagem aos usuários de drogas nas UBSs: conhece os usuários de drogas (tanto lícitas como ilícitas) em sua área de abrangência? (todos / alguns / nenhum); na anamnese, questiona quanto ao uso de drogas (tanto lícitas como ilícitas)? (sempre / às vezes / nunca); em casos de urgência, como overdose e intoxicação com suspeita de dependência química, saberia abordar clinicamente? (sim / não); em casos de urgência, saberia como e para onde encaminhar o atendimento? (sim / não).

Análise dos dados

Inicialmente, realizou-se a análise descritiva com as variáveis sociodemográficas dos participantes, bem como as relacionadas à atuação profissional e às percepções sobre a abordagem aos usuários de drogas, com o objetivo de caracterizar a população objeto de estudo. Posteriormente, empregou-se a Análise de Correspondência Múltipla (ACM), método de análise multivariada, com a finalidade de definir a estrutura dos dados e explorar relações conjuntas entre as categorias profissionais e as demais variáveis investigadas. Essa é uma técnica estatística de caráter exploratório, apropriada para situações nas quais se deseja analisar dados categóricos com grande número de variáveis, além de posicionar categorias de resposta em um mesmo sistema de eixos/dimensões19.

Em ACM, as dimensões 1 e 2 referem-se às características dos objetos estudados que irão servir como parâmetro de comparação, podendo ser exploradas em termos teóricos e conceituais. Elas são formadas mediante as estimativas de autovalores e inércia de cada variável. Dependendo do estudo, as dimensões são classificadas em objetivas (quando se referem a características tangíveis ou físicas) ou subjetivas (quando indicam características intangíveis ou percebidas)19.

O ponto de partida para realizar a ACM foi a estruturação de uma matriz de dados, na qual têm-se nas linhas os profissionais de saúde atuantes na ESF e, nas colunas, as variáveis de interesse (dados sociodemográficos e características relacionadas à atuação profissional e às atitudes e práticas sobre a abordagem a usuários de crack, álcool e outras drogas). Ao realizar o cruzamento entre linhas e colunas, obtém-se um “perfil” definido do conjunto de dados19. No mapa perceptual gerado, encontram-se dois eixos, chamados de dimensão 1 e 2, respectivamente, e todas as categorias das variáveis localizadas dentro do gráfico. Quando os indivíduos possuem características semelhantes, percebe-se maior proximidade geométrica entre as categorias investigadas e, portanto, a formação de grupos19.

As medidas de discriminação (MD) indicam as variáveis mais relevantes para a formação de cada eixo/dimensão e as coordenadas dos centroides (CC) ajudam o leitor a localizar cada categoria no mapa perceptual19,20. Quanto maior o valor da medida de discriminação de uma variável, maior será a será a diferença das categorias da variável entre os grupos formados e sua relevância para a formação de cada uma das dimensões. Entretanto, variáveis que embora apresentem baixo valor discriminatório em uma determinada dimensão, podem ser levadas em consideração tendo em vista sua relevância prática20.

A análise também calcula a inércia e o autovalor para cada dimensão, bem como o coeficiente alfa de Cronbach para verificar a confiabilidade interna das dimensões formadas e gerar uma estimativa apropriada da variância explicada pela inércia21,22. Apenas recentemente, este tipo de análise vem ganhando popularidade em pesquisas na área da saúde pública e tem demonstrado ser uma ferramenta valiosa para subsidiar os planejamentos estratégicos22-27. Todas as análises foram feitas usando o software IBM SPSS Statistics versão 20.0 (IBM Corp., Armonk, NY, USA).

Resultados

A Tabela 1 mostra a distribuição dos profissionais de acordo com as variáveis sociodemográficas e relacionadas à atuação profissional e às atitudes e práticas sobre a abordagem aos usuários de drogas. A maioria era do sexo feminino (88,9%), pertencente à faixa etária de 26 a 45 anos (65,0%), apresentando tempo de trabalho na ESF igual ou superior a 10 anos (46,0%) e a categoria profissional mais participativa foi de enfermeiros (42,9%).

Tabela 1 Distribuição dos profissionais atuantes na Estratégia de Saúde da Família de acordo com dados sociodemográficos e características relacionadas à atuação profissional e às atitudes e práticas sobre a abordagem a usuários de crack, álcool e outras drogas. 

Variáveis n %
Características sociodemográficas
Faixa etária
≤ 25 anos 5 4,0
26 a 35 anos 41 32,5
36 a 45 anos 41 32,5
46 a 55 anos 27 21,4
56 a 65 anos 12 9,5
Sexo
Feminino 112 88,9
Masculino 14 11,1
Situação Conjugal
Solteiro 34 27,0
Separado/Viúvo 20 15,9
Casado/União Estável 72 57,1
Características relacionadas à atuação profissional
Categoria Profissional
Dentista 29 23,0
Enfermeiro 54 42,9
Médico 43 34,1
Tempo de trabalho na Estratégia Saúde da Família
< 1 ano 10 7,9
1 a 5 anos 30 23,8
6 a 10 anos 28 22,2
> 10 anos 58 46,0
Tempo de formado
1 a 10 anos 46 36,5
11 a 20 anos 41 32,5
> 20 anos 39 31,0
Local de trabalho
Distrito Sanitário 1 33 26,2
Distrito Sanitário 2 25 19,8
Distrito Sanitário 3 19 15,1
Distrito Sanitário 4 25 19,8
Distrito Sanitário 5 11 8,7
Distrito Sanitário 6 13 10,3
Atitudes e práticas sobre a abordagem a usuários de crack, álcool e outras drogas
Conhece os usuários de drogas em sua área de abrangência?
Todos 4 3,2
Alguns 109 86,5
Nenhum 13 10,3
Na anamnese, questiona quanto ao uso de drogas?
Sempre 50 39,7
Às vezes 67 53,2
Nunca 9 7,1
Em casos de urgência, saberia abordar clinicamente?
Sim 79 62,7
Não 47 37,3
Em casos de urgência, saberia como e para onde encaminhar o atendimento?
Sim 98 77,8
Não 28 22,2
Total 126 100,0

Quase a totalidade dos participantes relatou conhecer apenas alguns dos usuários de drogas em sua área de abrangência (86,5%), bem como questionar apenas às vezes quanto ao uso de drogas durante a anamnese (53,2%). Além disso, diante de situações de urgência, 37,3% responderam que não saberiam abordar clinicamente e 22,2% destacaram que não saberiam como e nem para onde encaminhar o atendimento.

Na ACM, a primeira e a segunda dimensão apresentaram, respectivamente, autovalor 3,180 e 2,029; inércia 0,289 e 0,184; alfa de Cronbach 0,754 e 0,558. Estas estimativas indicam que as dimensões formadas possuem consistência interna aceitável, tornando possível extrair conclusões confiáveis a partir dos resultados gerados pela ACM.

A Tabela 2 mostra a distribuição das medidas de discriminação das variáveis investigadas e as coordenadas dos centroides de cada categoria resultantes da ACM para as duas primeiras dimensões. Hierarquicamente, as variáveis com maior poder discriminatório para a dimensão 1 foram: tempo de formado (0,776), tempo de trabalho na ESF (0,688), faixa etária (0,656) e se em casos de urgência saberia abordar clinicamente (0,271); enquanto que para a dimensão 2 foram: categoria profissional (0,383) e se conhece os usuários de drogas em sua área de abrangência (0,166). As variáveis faixa etária, tempo de trabalho na ESF e tempo de formado demonstraram ser relevantes para a formação de ambas as dimensões. Essas associações são mais bem representadas graficamente.

Tabela 2 Distribuição das medidas de discriminação das variáveis investigadas e coordenadas dos centroides de cada categoria resultantes da ACM para as duas primeiras dimensões. 

Variáveis* MD CC
Dimensão Dimensão
1 2 1 2
Faixa etária 0,656 0,651
≤ 25 anos -1,855 -2,521
26 a 35 anos -0,937 0,381
36 a 45 anos 0,488 0,655
46 a 55 anos 0,700 -0,558
56 a 65 anos 0,732 -1,234
Sexo 0,075 0,003
Feminino 0,097 0,020
Masculino -0,777 -0,162
Situação Conjugal 0,252 0,033
Solteiro -0,826 -0,298
Separado/Viúvo 0,294 0,111
Casado/União Estável 0,308 0,110
Categoria Profissional 0,194 0,383
Dentista 0,631 -0,705
Enfermeiro 0,090 0,703
Médico -0,539 -0,407
Tempo de trabalho na Estratégia Saúde da Família 0,688 0,294
< 1 ano -1,614 -1,677
1 a 5 anos -0,974 0,263
6 a 10 anos 0,083 0,482
> 10 anos 0,742 -0,080
Tempo de formado 0,776 0,277
1 a 10 anos -1,161 0,181
11 a 20 anos 0,630 0,517
> 20 anos 0,707 -0,758
Local de trabalho 0,139 0,102
Distrito Sanitário 1 0,122 -0,143
Distrito Sanitário 2 -0,013 -0,280
Distrito Sanitário 3 -0,504 0,488
Distrito Sanitário 4 0,411 -0,194
Distrito Sanitário 5 -0,777 0,657
Distrito Sanitário 6 0,319 0,005
Conhece os usuários de drogas em sua área de abrangência? 0,014 0,166
Todos -0,254 0,061
Alguns 0,047 0,141
Nenhum -0,318 -1,200
Na anamnese, questiona quanto ao uso de drogas? 0,046 0,074
Sempre -0,154 0,037
Às vezes 0,019 0,104
Nunca 0,712 -0,977
Em casos de urgência, saberia abordar clinicamente? 0,271 0,009
Sim -0,401 -0,074
Não 0,675 0,124
Em casos de urgência, saberia como e para onde encaminhar o atendimento? 0,069 0,037
Sim -0,140 0,103
Não 0,491 -0,362

Nota. MD: medidas de discriminação; CC: coordenadas dos centroides. Valores em negrito referem-se às variáveis cujas medidas de discriminação foram próximas ou superiores aos valores de inércia da dimensão.

A Figura 1 apresenta o mapa perceptual resultante da ACM. Observou-se a formação de três grupos de profissionais com perfis distintos. O Quadro 1 ilustra as principais diferenças entre os grupos de profissionais formados a partir da ACM para as duas primeiras dimensões.

Figura 1 Mapa perceptual das categorias das variáveis investigadas (dados sociodemográficos e características relacionadas à atuação profissional e às atitudes e práticas sobre a abordagem a usuários de crack, álcool e outras drogas). Faixa etária (FE1: ≤ 25 anos / FE2: 26 a 35 anos / FE3: 36 a 45 anos / FE4: 46 a 55 anos / FE5: 56 a 65 anos); Sexo (GP1: feminino / GP2: masculino); Situação conjugal (SC1: solteiro / SC2: separado ou viúvo / SC3: casado ou união estável); Categoria profissional (CP1: dentista / CP2: enfermeiro / CP3: médico); Tempo de trabalho na Estratégia Saúde da Família (TESF1: < 1 ano / TESF2: 1 a 5 anos / TESF3: 6 a 10 anos); Tempo de formado (TF1: 1 a 10 anos / TF2: 11 a 20 anos / TF3: > 20 anos); Local de trabalho (DS1: distrito sanitário 1 / DS2: distrito sanitário 2 / DS3: distrito sanitário 3 / DS4: distrito sanitário 4 / DS5: distrito sanitário 5 / DS6: distrito sanitário 6); Conhece os usuários de drogas em sua área de abrangência? (CAB1: todos / CAB2: alguns / CAB3: nenhum); Na anamnese, questiona quanto ao uso de drogas? (QAD1: sempre / QAD2: às vezes / QAD3: nunca); Em casos de urgência, saberia abordar clinicamente? (UAC1: sim / UAC2: não); Em casos de urgência, saberia como e para onde encaminhar o atendimento? (UEA1: sim / UEA2: não). 

Quadro 1 Principais diferenças entre os grupos de profissionais formados a partir da ACM para as duas primeiras dimensões. 

Grupo Características
G1 - Médicos homens e solteiros;
- Tinham de 26 a 35 anos de idade, com tempo de formação mais curto (de 1 a 10 anos) e tempo de trabalho na ESF de 1 a 5 anos, lotados nos distritos sanitários 3 e 5;
- Relataram conhecer todos os usuários de crack, álcool e outras drogas em sua àrea de abrangência e sempre questionar, durante a anamnese quanto ao uso de drogas;
- Responderam que, diante de situações de urgência, saberia abordar clinicamente, como e para onde encaminhar o atendimento.
G2 - Enfermeiras, do sexo feminino, que ora eram casadas/ viviam em união estável, ora eram separadas/ viúvas;
- Tinham entre 36 e 45 anos de idade, com tempo de formação intermediário (11 a 20 anos) e tempo de trabalho na ESF de 6 anos ou mais, lotados no distrito sanitário 1, 4 e 6;
- Relataram conhecer apenas alguns dos usuários de crack, álccol e outras drogas em sua área de abrangência, e somente às vezes questionar, durante a anamnese, quanto ao uso de drogas;
- Responderam que, diante de situações de urgência, não saberia abordar clinicamente.
G3 - Dentistas, com 46 anos de idade ou mais, com tempo maior de formação (> 20 anos);
- Relataram nunca questionar, durante a anamnese, quanto ao uso de drogas e não saber, diante de situações de urgência, como e para onde encaminhar o atendimento

O grupo 1 (G1) foi formado, principalmente, por médicos, do sexo masculino, solteiros, de 26 a 35 anos de idade, com tempo de formação mais curto (de 1 a 10 anos) e tempo de trabalho na ESF de 1 a 5 anos, lotados nos distritos sanitários 3 e 5. Os membros desse grupo, geralmente, relataram conhecer todos os usuários de crack, álcool e outras drogas em sua área de abrangência e sempre questionar, durante a anamnese, quanto ao uso de drogas. Além disso, responderam que, diante de situações de urgência, saberiam abordar, clinicamente, como e para onde encaminhar o atendimento.

O grupo 2 (G2) foi composto essencialmente por enfermeiros, do sexo feminino, que ora eram casadas/viviam em união estável, ora eram separadas/viúvas, tinham entre 36 e 45 anos de idade, com tempo de formação intermediário (11 a 20 anos) e tempo de trabalho na ESF de 6 anos ou mais, lotadas no distrito sanitário 1, 4 e 6. Os membros desse grupo, geralmente, relataram conhecer apenas alguns dos usuários de crack, álcool e outras drogas em sua área de abrangência e somente às vezes questionar, durante a anamnese, quanto ao uso de drogas. Além disso, responderam que, diante de situações de urgência, não saberiam abordar clinicamente.

O grupo 3 (G3) foi formado majoritariamente por dentistas, com 46 anos de idade ou mais, com tempo maior de formação (> 20 anos), que relataram nunca questionar, durante a anamnese, quanto ao uso de drogas e não saber, diante de situações de urgência, como e para onde encaminhar o atendimento.

Discussão

Nas duas últimas décadas, a Política Nacional de Combate ao Uso de Drogas sofreu modificações, saindo de uma política ligada à repreensão dos usuários para uma estratégia preocupada com ações multiprofissionais de caráter abrangente e com o planejamento adequado à prevenção e tratamento dos adictos7. O uso deliberado e prejudicial de álcool e outras drogas vêm se firmando como uma séria questão de saúde pública. Nesse sentido, conhecer as atitudes e práticas dos profissionais atuantes na ESF é essencial para a avaliação das ações dos serviços de saúde e o direcionamento efetivo das políticas públicas sobre a temática estudada.

Os dados mostraram que a maior parte dos profissionais conhecia apenas alguns dos usuários de drogas em sua área de abrangência, o que não está em consonância com as normatizações do MS7. Garantir o direito de receber tratamento adequado a toda pessoa com problemas decorrentes do uso indevido de drogas constitui uma das metas prioritárias. E para que esta meta possa ser operacionalizada, há a necessidade de os profissionais rastrearem e identificarem a maior parte dos usuários de drogas residentes em cada área de abrangência.

Estudo prévio objetivou investigar as atitudes dos profissionais da APS frente a pessoas com transtornos relacionados ao uso de álcool, em um município de Minas Gerais e os resultados mostraram que elas foram positivas18. Conforme a Portaria Nº 2.488, de 21 de outubro de 2011, que aprovou a Política Nacional de Atenção Básica, participar do processo de mapeamento de sua área de atuação, identificando grupos, famílias e indivíduos que estão expostos a riscos e vulnerabilidades tomando-os como de sua responsabilidade, refere-se a uma atribuição comum às equipes da ESF11. Portanto, torna-se relevante que os profissionais conheçam toda a comunidade na qual trabalham para que possam intervir efetivamente nos agravos à saúde.

O método proposto da ACM possibilitou estabelecer o perfil dos participantes a partir das características sociodemográficas, relacionadas à atuação profissional e às atitudes e práticas sobre a abordagem a usuários de drogas. No presente estudo, pode-se notar a formação de três grupos de profissionais com características distintas.

O tempo de formado, o tempo de trabalho na ESF e a faixa etária apresentaram elevado poder discriminatório, sinalizando a importância destas variáveis durante o processo de avaliação das atitudes e práticas dos profissionais frente à abordagem a usuários de drogas. O não conhecimento de usuários de drogas na sua área de abrangência demonstrou estar mais associado a profissionais com faixa etária mais baixa e com menos tempo de trabalho na ESF. Estes achados reforçam a necessidade de envolver também os profissionais que atuam há menos tempo na UBS nas atividades de prevenção, de atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas.

Outro resultado que chamou atenção foi que os dentistas, com idade mais avançada e com maior tempo de formação, apontaram não saber, diante de situações de urgência, como e para onde encaminhar o atendimento de um usuário de droga. Este resultado pode ser compreendido porque apenas recentemente, saber abordar os usuários e encaminhá-los para serviços especializados, passou a serem pontos contemplados nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), ainda em implantação na maioria dos cursos formadores28. Todas as categorias profissionais devem ser capacitadas para saber abordar, prestar os cuidados iniciais e encaminhar o usuário para o serviço que melhor se adéqua às situações de urgência.

Pode-se depreender das respostas dos profissionais ao questionário a ausência da abordagem de temas importantes na formação dos profissionais da saúde como o uso prejudicial de drogas, assunto atual na sociedade e na ciência. Essa deficiência começa na graduação, considerada o primeiro espaço de construção do saber. Percebe-se uma clara diferença no conhecimento adquirido durante a formação para os diferentes grupos de profissões, com ênfase no tempo de formado, considerando-se que os currículos mais atuais dos cursos de saúde contam com a inserção deste tema, por recomendação das DCN. É essencial que as universidades modifiquem e acrescentem em sua proposta de ensino as problemáticas consideradas questões de saúde pública que se destacam ao longo do tempo, com o objetivo de tornar os profissionais aptos para diagnosticar e intervir nesses agravos à saúde28,29.

Quanto ao uso de drogas pelo usuário, os resultados evidenciaram que a maioria dos participantes só faz esse levantamento às vezes e, ainda, verificou-se que o G3, formado majoritariamente por dentistas, nunca o faz, mostrando a grande lacuna de conhecimento que existe sobre a importância desse interrogatório inicial para o diagnóstico e tratamento do usuário. De acordo com pesquisa desenvolvida para determinar a importância da adequada comunicação verbal profissional-usuário durante a consulta, o valor da anamnese minuciosa muitas vezes é menosprezado, evidenciando a necessidade do estudo sistemático que procure, em pormenores, avaliar as condições de saúde da população, visto que a anamnese desempenha um papel cada vez mais relevante no detalhamento do estado de saúde do usuário30.

É por meio da anamnese, deste contato inicial, que se inicia a formação de um vínculo de confiança, através do conhecimento por parte do profissional do contexto social no qual o usuário está inserido, dos fatores de risco para o uso abusivo de drogas aos quais estão expostos, entre outros pontos importantes para o estabelecimento de um tratamento direcionado para a situação de agravo à saúde de cada indivíduo em particular, buscando maior efetividade na redução de danos e reabilitação.

Além da anamnese, outros instrumentos podem ser usados na APS com a finalidade de auxiliar na elaboração de plano de tratamento para o uso de drogas mais eficazes para cada usuário de modo particular. Um exemplo é a aplicação de questionários-modelo para detecção do padrão de consumo da substância psicoativa, como o AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test) relacionado ao álcool, que direciona a intervenção adequada a partir da identificação do nível de uso da droga pelo usuário12,31.

Um método de capacitação disponível atualmente é o curso SUPERA (Sistema para detecção do Uso abusivo e dependência de substâncias Psicoativas: Encaminhamento, intervenção breve, Reinserção social e Acompanhamento), promovido pela SENAD (Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas) em conjunto com o Ministério da Saúde e universidades do Brasil, que tem como um dos objetivos habilitar profissionais da área de saúde para produzir e utilizar instrumentos de detecção do padrão de uso do álcool e outras substâncias psicoativas13. Esse curso ganhou mais visibilidade com o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas (2010)7, que tem como proposta de um de seus eixos a capacitação dos profissionais da saúde, como também de líderes comunitários, conselheiros municipais e lideranças religiosas.

Além do profissional da saúde, cada família, profissional da educação e representantes da comunidade, tem papel importante na orientação dos usuários, apresentando-lhes a oportunidade de adquirir informações e cooperando para que se tornem habilitados a realizar escolhas com o objetivo de viver com qualidade. Um estudo sobre o uso de álcool e tabaco na adolescência refere à necessidade de se envolver a família e a comunidade na realização de programas voltados à prevenção do uso de tabaco, álcool e outras drogas32. É preciso que, no campo da atenção à saúde de usuários de drogas, sejam trilhados caminhos para tornar realidade uma atenção integral, justa e humanizada33.

Os resultados apontam para a necessidade de capacitar os profissionais da saúde vinculados à ESF para intervir de modo adequado e interdisciplinar no uso abusivo de álcool e outras drogas, havendo a necessidade de se implementar ações abrangentes para todos os usuários, realização do cuidado integral e da inserção da família, da rede social de apoio e da comunidade.

O presente estudo apresenta algumas limitações. Uma delas refere-se ao percentual de perdas encontradas e a não utilização de um questionário validado. No entanto, a construção de instrumentos de pesquisa como este, mesmo com finalidades exploratórias, representa o primeiro passo para a elaboração subsequente de um instrumento validado para investigar as atitudes e práticas dos profissionais frente à abordagem aos usuários de drogas.

Este estudo contribuiu com o avanço no conhecimento sobre as atitudes e práticas de profissionais atuantes na ESF quanto à abordagem a usuários de álcool e outras drogas por dois motivos principais. Primeiro, trata-se do primeiro estudo sobre este tema na região estudada e que, apesar de ser restrito a um município de médio porte brasileiro, abre caminhos para a discussão de várias questões sobre este tema de extrema relevância para o aperfeiçoamento das práticas de assistência à saúde na ESF de todo o país.

Segundo, este é um dos primeiros estudos que buscou explorar relações conjuntas entre dados sociodemográficos, características relacionadas à atuação profissional e às atitudes e práticas sobre a abordagem a usuários de crack, álcool e outras drogas, baseando-se nos principais itens contemplados no Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas. Espera-se com os resultados obtidos chamar a atenção dos gestores e dos profissionais para a questão do uso abusivo das drogas e para a deficiência de conhecimento científico e técnico para lidar com essa problemática.

Conclusão

Os resultados sugerem que existem diferenças importantes no conhecimento e nas atitudes entre os profissionais da ESF acerca da abordagem dos usuários de drogas dentro da APS. Tal fato implica, por conseguinte, em dificuldades de planejamento e execução de ações multiprofissionais voltadas para o cuidado dessa população de risco na UBS, diminuindo a eficácia do serviço oferecido e ampliando a vulnerabilidade do usuário.

É preciso que os gestores e os profissionais de saúde estejam atualizados sobre o tema. Esse conhecimento deve ser adquirido por meio de incentivos à capacitação profissional, estratégias de educação permanente e de atualização dos currículos dos cursos de graduação em saúde, exigindo enfoques reflexivos sobre o serviço disponível aos usuários de álcool e outras drogas, dentro de uma expectativa de intervenção precoce e de redução de danos.

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