Autoconfiança para o manejo inicial das intercorrências de saúde na escola: construção e validação de uma escala visual analógica

Autoconfiança para o manejo inicial das intercorrências de saúde na escola: construção e validação de uma escala visual analógica

Autores:

Jaqueline Brosso Zonta,
Aline Helena Appoloni Eduardo,
Aline Cristiane Cavicchioli Okido

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.22 no.4 Rio de Janeiro 2018 Epub 13-Set-2018

http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2018-0105

INTRODUÇÃO

Intercorrências de saúde seja por doença ou acidentes são frequentes no ambiente escolar, haja visto o tempo de permanência das crianças nas escolas e a exposição às atividades recreativas.1-3 Na escola, as crianças estão expostas a quedas, ferimentos, contusões, afogamento e queimaduras, bem como podem apresentar condições clínicas próprias às principais doenças da infância, como febre, convulsões e síncopes.4 Nessa direção, a escola representa um espaço de relevante contribuição para a implementação de ações de prevenção de acidentes e, também, para a prestação dos primeiros socorros.4-8

Entende-se por primeiros socorros, as ações iniciais realizadas por profissional da saúde ou não com o objetivo de auxiliar pessoas que se encontram em sofrimento ou em risco de morte.9 É o manejo de qualquer lesão ou doença antes da disponibilidade do profissional de saúde habilitado e tem como objetivo evitar agravamentos, garantir recuperação, minimizar sequelas, preservar e salvar vidas.3,10 Para tanto, a presente investigação adotou como sinônimos os termos "primeiros socorros" e "manejo inicial das intercorrências de saúde".

Em âmbito nacional e internacional, no contexto escolar, o manejo inicial das intercorrências de saúde são, geralmente, realizados pelos professores.11-13 Todavia, há lacunas quanto ao preparo dos mesmos diante de intercorrências de saúde.1,2 A literatura internacional corrobora ao identificar em seus resultados, baixos níveis de conhecimento com relação aos primeiros socorros.12,13 Nessa perspectiva, inúmeros sentimentos podem ser potencializados pelo desconhecimento como insegurança, medo e nervosismo, por exemplo.5 Segundo investigação recente realizada na Coreia, tais sentimentos fragilizam a autoconfiança dos professores.14

Entende-se por autoconfiança, a perspectiva de um indivíduo se sentir seguro, de manifestar convicção com relação as suas próprias habilidades.15 A autoconfiança aliada às experiências prévias e ao conhecimento subsidia o sucesso das ações.16 A autoconfiança é um elemento fundamental para um adequado desempenho diante de situações de urgência e emergência, trata-se de uma variável que pode ser influenciada por sentimentos negativos oriundos da situação de emergência.17

Instrumentos vêm sendo construídos a fim de mensurar a autoconfiança de profissionais da saúde e estudantes em diferentes contextos clínicos.16,17 Todavia, inexiste um instrumento específico que contemple a autoconfiança dos professores diante das intercorrências de saúde. Diante do exposto, justifica-se o desenvolvimento de uma escala com potencialidade para mensurar a autoconfiança dos professores para o manejo inicial das intercorrências de saúde na escola fortalecendo, assim, o planejamento de intervenções educativas efetivas entre os professores. Dessa forma, o objetivo deste estudo é descrever a construção e validação da escala visual analógica de autoconfiança dos professores com relação ao manejo inicial das intercorrências de saúde na escola.

MÉTODO

Trata-se de um estudo metodológico à medida que possibilita a elaboração de instrumentos ou métodos de investigação confiáveis para serem empregados em novos estudos ou na prática clínica.18 A construção do instrumento seguiu os pressupostos de Pasquali.19 Segundo o autor, faz-se necessário seguir três procedimentos para a construção e validação de um instrumento, os quais são: procedimento teórico, procedimento empírico e procedimento analítico.

O procedimento teórico corresponde à explicitação dos fundamentos teóricos que orientaram a criação dos itens do instrumento. Na presente investigação, a construção dos itens foi embasada em análise da literatura nacional e internacional e discussões entre membros de um grupo de pesquisa de uma universidade pública localizada no interior do estado de São Paulo voltado à saúde da criança com experiência assistencial e de pesquisa na área. A busca na literatura objetivou aprofundar a compressão do constructo autoconfiança, bem como, reconhecer as principais intercorrências de saúde que ocorrem no ambiente escolar. A seguir, foi elaborado a primeira versão da escala com oito itens e definido que o instrumento teria o objetivo de mensurar o nível de autoconfiança de professores de educação infantil e fundamental I para oferecer os primeiros socorros ao escolar.

Optou-se pelo emprego de uma escala visual analógica (EVA), uma vez que é de fácil e rápida aplicação, além de ser capaz de favorecer a variabilidade de respostas e emprego de diferentes análises estatísticas.20 Desse modo, a EVA desenvolvida possui uma linha horizontal de 10 centímetros com os seguintes descritores nas extremidades: "nada confiante" à esquerda e "completamente confiante" à direita. Para estabelecer a pontuação, o respondente deve indicar ao longo da linha o nível de autoconfiança que possui. A interpretação dos resultados se dá mediante a mensuração do espaço compreendido entre a extremidade à esquerda e o ponto sinalizado pelo respondente, com uma régua graduada em centímetros. A escala permite mensurar o nível de autoconfiança para cada item e, também, mensurar a média geral de autoconfiança.

Diante da primeira versão da escala, iniciou-se o processo de validação de conteúdo por 12 profissionais com expertise no assunto. Os critérios de elegibilidade para a escolha dos profissionais foram: profissionais especialistas na área de enfermagem pediátrica e/ou primeiros socorros, com experiência acadêmica e/ou assistencial de pelo menos um ano. Vale ressaltar que os especialistas foram recrutados utilizando a técnica bola de neve, ou seja, especialistas, inicialmente, selecionados sugeriram potenciais participantes.21 Considerou-se como critério de exclusão, os profissionais que não responderam ao formulário para avaliação dos itens da escala no tempo determinado.

A validação de conteúdo considerou quatro aspectos os quais foram: organização, clareza, abrangência e pertinência dos itens. Os profissionais especialistas foram orientados a analisar cada item por uma escala Likert com as seguintes possibilidades de escolha: discordo fortemente, discordo, não sei, concordo e concordo fortemente. Havia espaço reservado para comentários e sugestões. Para análise, foram consideradas as sugestões e computado o Índice de Validação de Conteúdo (IVC) por item, em cada aspecto analisado (organização, clareza, abrangência e pertinência) e da escala total.22 Para análise do IVC por item, as escolhas "concordo" e "concordo fortemente" foram somadas e divididas pelo número total de profissionais especialistas. Para cálculo do IVC da escala total, utilizou-se a média do IVC de cada item. Para fins de validação do conteúdo, foi considerado IVC igual ou superior a 0,80, tanto por item como total.22

A seguir, deu-se início ao procedimento empírico, com o intuito de avaliar as propriedades psicométricas do instrumento. O procedimento empírico foi composto pelas etapas de análise semântica e teste piloto. Para ambas as etapas, estabeleceu-se como critérios de elegibilidade, professores que atuavam na educação infantil e fundamental I de escolas públicas de um município do interior do estado de São Paulo, idade acima de 18 anos e pelo menos três meses de experiência profissional. Os critérios de exclusão foram: professores em férias ou licença no período. Vale ressaltar que, embora os critérios de elegibilidade e exclusão tenham sido os mesmos, os participantes da análise semântica e do teste piloto foram distintos, totalizando 25 e 36 professores, respectivamente.

A análise semântica buscou verificar se todos os itens da escala estavam compreensíveis. Os professores responderam a escala e, a seguir, avaliaram cada item quanto à clareza na redação, compreensão de termos e orientações sobre o preenchimento, a partir de uma escala do tipo Likert com as seguintes possibilidades de respostas: entendi, está claro, tive dúvidas, está pouco claro e não entendi, está confuso. Havia espaço para sugestões.

O procedimento analítico deu-se mediante as respostas obtidas no teste piloto. Desse modo, com vistas à análise e à validação estatística da consistência interna da escala, as respostas dos 36 professores foram inseridas e armazenadas em planilha eletrônica Excel® e, posteriormente, por meio do programa computacional "Statistical Analysis System for Windows", versão 9.2, esses dados foram analisados e correlacionados para a determinação do coeficiente do teste de Alpha de Cronbach. Partindo do pressuposto de que quanto mais elevadas forem as correlações entre os itens, maior é a homogeneidade dos itens e a consistência com que medem a mesma dimensão ou construto teórico, foi considerado satisfatório alfa maior ou igual a 0,70.23

Considerando o envolvimento de seres humanos na pesquisa, o estudo seguiu os pressupostos éticos da Resolução 466/12 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Conselho Nacional de Saúde. O projeto foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa e aprovado sob o número CAEE 62949716.7.0000.5504, em 24 de fevereiro de 2017.

RESULTADOS

Após revisão da literatura nacional e internacional e discussões entre membros do grupo de pesquisa constitui-se a primeira versão da escala a qual continha oito itens. Os itens eram referentes à confiança dos professores em avaliar e garantir a segurança do local onde ocorre a intercorrência, em avaliar e constatar a necessidade de chamar por ajuda, em avaliar e oferecer o primeiro atendimento nas seguintes intercorrências de saúde: febre, engasgo, crise convulsiva, queda, ferimento profundo e sangramento e parada cardiorrespiratória.

Dentre os 12 especialistas que participaram da validação do conteúdo, 33,3% possuíam título de doutor, com tempo médio de experiência profissional de 9,5 anos. O IVC total da escala foi de 0,86, no entanto, o IVC para o critério clareza foi inferior ao limite estabelecido em cinco itens, conforme apresentado na Tabela 1.

Tabela 1 Índice de validação de conteúdo (IVC) da Escala visual analógica de autoconfiança dos professores para manejo das intercorrências de saúde na escola por item e total. São Carlos, São Paulo, 2017 

IVC – Item* Organização Clareza Abrangência Pertinência
1. Eu me sinto confiante para avaliar e garantir a segurança do local diante de uma intercorrência clínica ou traumática na escola. 0,83 0,50 0,83 1,00
2. Eu me sinto confiante para avaliar e constatar a necessidade de chamar ajuda pelo 192. 0,92 0,75 0,83 1,00
3. Eu me sinto confiante para avaliar e oferecer o primeiro atendimento a uma criança em crise convulsiva. 0,92 0,75 0,83 0,92
4. Eu me sinto confiante para avaliar e oferecer o primeiro atendimento a uma criança que sofreu uma queda. 0,92 0,92 0,92 0,83
5. Eu me sinto confiante para avaliar e oferecer o primeiro atendimento a uma criança que sofreu um ferimento profundo com sangramento. 0,92 0,67 0,83 0,92
6. Eu me sinto confiante para avaliar e oferecer o primeiro atendimento a uma criança encontrada inconsciente e sem respirar. 0,92 0,83 0,92 1,00
7. Eu me sinto confiante para avaliar e oferecer o primeiro atendimento a uma criança em situação de engasgo. 0,83 0,83 0,83 0,92
8. Eu me sinto confiante para avaliar e oferecer o primeiro atendimento a uma criança febril. 0,92 0,67 0,92 1,00
IVC Total** 0,86

*Índice de validação de conteúdo por item;

**Índice de validação de conteúdo da escala.

Dentre as sugestões, para melhorar a clareza dos itens, destacam-se: substituir o termo "intercorrência clínica ou traumática" por "intercorrência de saúde, seja por doença ou acidente"; substituir "ferimento profundo" por "ferimento que está sangrando muito"; substituir "crise convulsiva" por "convulsão" e "criança encontrada inconsciente" por "criança se encontra desacordada"; acrescentar a especificação "chamar ajuda do Serviço Médico de Urgência (SAMU) pelo número telefônico 192". Outra sugestão importante, diz respeito à dissociação dos itens que analisam a autoconfiança de duas ações distintas simultaneamente, ou seja, o professor pode ter autoconfiança para avaliar uma determinada situação, contudo, pode não se sentir autoconfiante em oferecer o primeiro atendimento na mesma situação.

A partir das sugestões, foi proposta uma nova versão da escala com 12 itens, compreendendo os mesmos temas anteriormente descritos. Essa nova conformação foi submetida à segunda rodada de avaliação de conteúdo pelos mesmos especialistas, resultando em IVC total da escala e dos itens igual a 1,00.

Diante de versão validada, 25 professores da Educação Infantil e Fundamental I foram convidados a participar da etapa de análise semântica. Todos do sexo feminino e tempo médio de experiência profissional de 16 anos. Com relação à compreensão dos itens, 22 (88%) professores indicaram que todos os itens da escala estavam claros, três (12%) professores assinalaram pouca clareza no item 1 e 9, mas não apresentaram sugestão de redação. Nenhum item foi considerado "confuso", portanto, no geral considerou-se que os itens da escala eram compreensíveis.

Após certificação da clareza dos itens, deu-se início ao teste piloto. Nessa etapa, participaram 36 professores da Educação Infantil e Fundamental I, sendo 94% do sexo feminino, média de idade de 38,3 anos, tempo médio de experiência profissional de 12,3 anos. Quanto à formação, a maioria era graduada com especialização (38,9%). No que se refere à experiência prévia com intercorrências de saúde, 77,8% afirmaram já ter vivenciado. A Tabela 2 apresenta os escores médios de autoconfiança por item entre os professores (n=36).

Tabela 2 Escores médios de autoconfiança para manejo das intercorrências de saúde na escola entre os professores da Educação Infantil e Fundamental I. São Carlos, São Paulo, 2017 

Itens da escala Escore médio D.P. Mín. Máx. Mediana
Item 1: Eu me sinto confiante para avaliar a segurança do local diante de uma criança apresentando uma intercorrência de saúde, seja por doença ou acidente. 3.43 2.68 0.00 10.00 2.70
Item 2: Eu me sinto confiante para identificar a necessidade de chamar ajuda do Serviço Médico de Urgência (SAMU) pelo número telefônico 192. 6.56 2.92 0.00 10.00 7.00
Item 3: Eu me sinto confiante para reconhecer quando uma criança está convulsionando. 3.92 2.78 0.00 9.90 4.10
Item 4: Eu me sinto confiante para oferecer o primeiro atendimento a uma criança que está convulsionando. 2.09 2.64 0.00 10.00 0.65
Item 5: Eu me sinto confiante para oferecer o primeiro atendimento a uma criança que sofreu uma queda. 4.11 2.82 0.00 10.00 3.85
Item 6: Eu me sinto confiante para oferecer o primeiro atendimento a uma criança que sofreu um ferimento que está sangrando muito. 3.95 3.04 0.00 10.00 3.35
Item 7: Eu me sinto confiante para reconhecer quando uma criança se encontra desacordada e sem respirar. 3.20 2.95 0.00 10.00 2.35
Item 8: Eu me sinto confiante para oferecer o primeiro atendimento a uma criança desacordada e sem respirar. 1.49 2.48 0.00 10.00 0.35
Item 9: Eu me sinto confiante para reconhecer quando uma criança se encontra engasgada. 4.52 2.62 0.20 10.00 4.70
Item 10: Eu me sinto confiante para oferecer o primeiro atendimento a uma criança encontrada engasgada. 3.21 2.73 0.00 10.00 3.35
Item 11: Eu me sinto confiante para reconhecer quando uma criança está com febre. 8.22 1.85 4.00 10.00 8.65
Item 12: Eu me sinto confiante para oferecer o primeiro atendimento a uma criança que está com febre. 6.42 2.97 0.00 10.00 7.20

O valor do α de Cronbach da escala de autoconfiança foi de 0,89, verificando alta consistência interna (>0.70) para a escala. A Tabela 3 apresenta a correlação dos itens e o valor do α de Cronbach.

Tabela 3 Correlação e valor do a de Cronbach por item da Escala visual analógica de autoconfiança dos professores para manejo das intercorrências de saúde na escola. São Carlos, São Paulo, 2017 

Itens da escala Correlação item/total α de Cronbach se o item for retirado
Item 1 0.627 0.884
Item 2 0.543 0.888
Item 3 0.625 0.884
Item 4 0.703 0.879
Item 5 0.595 0.885
Item 6 0.716 0.879
Item 7 0.711 0.879
Item 8 0.591 0.885
Item 9 0.651 0.882
Item 10 0.767 0.876
Item 11 0.332 0.899
Item 12 0.403 0.895

DISCUSSÃO

A versão final da escala de autoconfiança foi constituída por 12 itens, os quais referem-se às principais intercorrências de saúde ocorridas no ambiente escolar, corroborando com a literatura. Nessa direção, dentre as intercorrências clínicas que compõem a EVA-autoconfiança dos professores para manejo das intercorrências de saúde na escola destaca-se a febre. A febre apresenta-se como um evento comum na infância sendo responsável por 19 a 30% dos atendimentos em unidades de pronto-atendimento infantil.24 A febre quando não controlada, torna-se um potencial risco para complicações, como convulsões ou dano cerebral.25-26 Para além da crise convulsiva febril, outra condição prevalente entre as crianças também apresentada na escala é a epilepsia.27

No que diz respeito às intercorrências relacionadas aos acidentes, a escala contempla as situações de queda, ferimentos com sangramento e engasgos, que estão em consonância com resultados de outras investigações. Estudo que analisou o perfil dos atendimentos de emergência por acidentes e violências envolvendo crianças menores de 10 anos, no Brasil, revelou que as quedas foram frequentes entre a população estudada.28 Na mesma direção, estudo norte americano reafirma que a aspiração de corpo estranho/engasgo é uma emergência pediátrica comum sendo a sexta causa de mortes por acidentes entre as crianças.29

No que se refere à utilização de escalas analógicas, há inúmeros estudos que a utilizam, em especial para avaliação da dor.30 A escala visual analógica é mais sensível a pequenas diferenças e possui maior concordância entre os avaliadores.31 Estudo que comparou a escala visual analógica com a escala do tipo likert afirmou que, a escala visual analógica apresenta-se menos vulnerável a confusões de interpretação, além disso, apresenta vantagens com relação ao tempo de resposta, ou seja, é respondida mais rapidamente.20

Na validação de conteúdo, os juízes sugeriram alterações em alguns itens a fim de melhorar a clareza e ampliar a abrangência da escala. A incorporação destes apontamentos possibilitou 100% de concordância, evidenciando adequada compreensão do instrumento. Galindo e colaboradores, também obtiveram concordância de todos os especialistas com relação à relevância do conteúdo da cartilha "Primeiros Socorros na Escola" e a sua aplicabilidade.1

Embora este não tenha sido objetivo, os baixos índices de autoconfiança dos professores para manejo das intercorrências de saúde na escola corroboraram com os achados de uma investigação internacional.14 Valorizando a importância de pesquisas que explorem o efeito de intervenções educativas sobre o atendimento de primeiros socorros.

CONCLUSÕES E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA

O presente artigo apresentou o processo de construção e validação da Escala visual analógica de autoconfiança dos professores para manejo das intercorrências de saúde na escola. A escala demonstrou validade de conteúdo na opinião de especialistas (IVC 86% na primeira rodada e 100% na segunda), foi considerada compreensível pelo público-alvo e apresentou alta consistência interna entre os itens. Portanto, a escala mostrou-se fidedigna para atender à dimensão da autoconfiança dos professores em relação ao manejo inicial das intercorrências de saúde na escola, mostrou ser uma ferramenta de fácil utilização e compreensível.

A enfermagem, bem como, os profissionais que atuam na gestão da educação infantil podem apropriar-se dessa escala à medida que sua aplicação pode fornecer subsídios para o planejamento e organização de estratégias educativas sistematizadas e efetivas que promovam maior confiança entre os professores e, consequentemente, um manejo seguro das intercorrências de saúde no ambiente escolar.

No que se refere às limitações do estudo, aponta-se o reduzido número de participantes para as análises iniciais da consistência interna e a impossibilidade de acessar as demais propriedades de medida para reforçar sua utilização. Considera-se que ampliar as investigações sobre a validade e fidedignidade do instrumento deva ser considerado em pesquisas futuras.

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