Autopercepção positiva de saúde em idosos: estudo populacional no Sul do Brasil

Autopercepção positiva de saúde em idosos: estudo populacional no Sul do Brasil

Autores:

Susana Cararo Confortin,
Maruí Weber Corseuil Giehl,
Danielle Ledur Antes,
Ione Jayce Ceola Schneider,
Eleonora d’Orsi

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0102-311Xversão On-line ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.31 no.5 Rio de Janeiro maio 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00132014

RESUMEN

El objetivo fue identificar factores asociados a la autopercepción positiva de salud en ancianos de Florianópolis, Santa Catarina, sur de Brasil. Se trata de un estudio transversal, de base poblacional, con 1.705 ancianos. La autopercepción de salud fue clasificada como positiva (muy buena y buena) y negativa (regular, mala y muy mala). La regresión bruta y ajustada de Poisson se utilizó para identificar los factores asociados. La prevalencia del desenlace fue 51,2%, asociada positivamente al sexo masculino (RP = 1,13), contar con más de 5 años de estudios, consumo moderado (RP = 1,33) o alto consumo de alcohol (RP = 1,37), ser activo durante el tiempo de ocio (RP = 1,20), utilizar Internet (RP = 1,21), menor número de morbilidades, dependencia leve/moderada (RP = 2,20) o ninguna (RP = 2,67), no sufrir caídas (RP = 1,19) y no polimedicarse (RP = 1,27). Se identificaron diversos factores modificables que pueden interferir en la autopercepción de salud positiva de los ancianos y contribuir al desarrollo de estrategias para mejorar su calidad de vida.

Palabras-clave: Salud del Anciano; Autoevaluación; Estudios Transversales

Introdução

A autopercepção de saúde é considerada bom indicador do estado de saúde em idosos, pois incorpora tanto componentes físicos, cognitivos e emocionais quanto aspectos relacionados ao bem-estar e à satisfação com a própria vida 1 , 2 , 3. Essa medida tem sido amplamente utilizada em estudos populacionais com idosos por estar associada, de forma consistente, à mortalidade e ao declínio funcional nesse grupo etário 4 , 5 , 6 e ainda por servir como ferramenta para o desenvolvimento de políticas de saúde que visem melhorar a situação de saúde da população idosa 6.

A prevalência de autopercepção positiva de saúde difere de forma considerável entre os estudos. Embora as perguntas sobre autopercepção de saúde, assim como as opções de resposta, sejam similares entre as investigações, os achados não são unânimes. Essa discrepância nas prevalências pode ser devido a flutuações de curto prazo na saúde ou doença, ocasionadas por variações cíclicas relacionadas ao bem-estar.

No âmbito nacional, alguns estudos 1 , 2 , 3 , 4 têm investigado a autopercepção de saúde em idosos, abordando a variável, principalmente, na forma de autopercepção negativa 2. No entanto, avaliar a autopercepção na sua forma positiva facilita o entendimento dos fatores que podem ser modificados na busca dos motivos que determinem positivamente a saúde.

As prevalências de autopercepção de saúde positiva entre as investigações de base populacional brasileiras variam de 24,7 a 89,1% 1 , 4 , 7. Enquanto, no âmbito internacional, variam de 35,7% a 63% 8 , 9 , 10.

Haja vista que a autopercepção de saúde tem relação com vários aspectos fundamentais da saúde do idoso, como, por exemplo, sexo 11, idade 11, estado civil 11, escolaridade 3 , 8 , 11 , 12, renda domiciliar mensal 1, atividade física 1 , 3 , 7 , 13 e o consumo de álcool 14, fica fácil entender as discrepâncias nas prevalências entre os estudos.

Além disso, condições de saúde também apresentam relação com a autopercepção de saúde, dentre elas, as quedas 15, a capacidade física 4 , 7 , 16, os sintomas depressivos 1 , 16, e as morbidades 3 , 4 , 17 , 18, além de apresentarem impacto na mortalidade 4 , 6 , 19. O uso de medicamentos 1 , 11 e o uso de serviços de saúde também estão associados, com destaque para o número de consultas médicas 1, número de internações hospitalares e o tipo de seguro de saúde 11.

Compreender os aspectos envolvidos na autopercepção da saúde pode evidenciar o perfil dos idosos que a referem de forma positiva, o que ainda é pouco abordado na literatura brasileira, conforme visto em revisão de literatura sobre o tema, na qual todos os estudos investigados abordavam a variável na forma negativa 2. Ao considerar a relevância do tema como importante indicador para a vigilância da saúde geral do idoso, o objetivo desse estudo é identificar a prevalência de autopercepção positiva de saúde e sua associação com fatores demográficos, socioeconômicos, de estilo de vida e condições de saúde em idosos de Florianópolis, capital de Santa Catarina, Brasil.

Métodos

Área e população de estudo

Os dados deste estudo fazem parte da pesquisa sobre as condições de saúde da população idosa de Florianópolis, denominada EpiFloripa Idoso (http://www.epifloripa.ufsc.br/category/inqueri tos/epi_idoso/epi_idoso_10/fin_idoso_09, acessado em 15/Ago/2014). Trata-se de um estudo transversal, de base populacional e domiciliar, realizado com idosos (60 anos ou mais) residentes na zona urbana do Município de Florianópolis, em 2009-2010.

Detalhes sobre o local, população do estudo e amostragem foram publicados previamente 20 e serão apresentados de forma breve. Foi utilizada estratégia de amostragem em dois estágios para se atingir o tamanho de amostra calculado em 1.599 idosos. No primeiro estágio, 420 setores censitários urbanos da cidade foram estratificados em ordem crescente de renda média mensal do chefe da família (R$ 314,76 a R$ 5.057,77), agregados em decis com 42 setores cada, sorteando-se sistematicamente oito setores em cada decil, de forma a contemplar todos os grupos. As unidades do segundo estágio foram os domicílios, sorteados de maneira sistemática. Todos os idosos residentes nos domicílios sorteados foram convidados a participar do estudo. Consideraram-se perdas as entrevistas não realizadas após quatro tentativas (inclusive no período noturno e no final de semana) e recusas quando as pessoas optaram por não responder ao questionário.

Coleta de dados

Para a coleta dos dados, foi utilizado um instrumento estruturado na forma de entrevistas face a face, utilizando-se o personal digital assistant (PDA) para o registro dos dados.

A consistência dos dados foi verificada semanalmente por meio da frequência simples e comparação com o esperado. As respostas incongruentes eram identificadas, corrigidas pelo supervisor e entrevistador responsável pelas inconsistências, retornando ao responsável pelo banco final. O controle de qualidade foi realizado por meio da aplicação, por telefone, de questionário reduzido em 10% das entrevistas realizadas, as quais foram selecionadas aleatoriamente.

A autopercepção do estado de saúde foi obtida por meio da pergunta “Em geral, você diria que sua saúde é: muito boa, boa, regular, ruim ou muito ruim?” 21. As cinco categorias de resposta para o desfecho foram dicotomizadas em positiva (“muito boa” e “boa”) e negativa (“regular”, “ruim” e “muito ruim”).

Variáveis independentes

  • Demográficas e socioeconômicas: sexo (feminino; masculino), grupo etário (60 a 69 anos, 70 a 79 e 80 ou mais), estado civil (com companheiro casado; sem companheiro solteiro/separado/divorciado e viúvo), trabalha atualmente (não; sim), escolaridade em anos de estudo (sem estudo formal; 1 a 4; 5 a 8; 9 a 11 e ≥ 12) e renda familiar per capita estratificada em quartis (1 o quartil: ≤ R$ 327,50; 2 o quartil: de R$ 327,50 a R$ 700,00; 3 o quartil: de R$ 700,00 a R$ 1.500,00; e 4 o quartil: > R$ 1.500,00).

  • Estilo de vida: tabagismo (fumante atual, ex-fumante ou nunca fumou), consumo de álcool (nunca, moderado, alto ou de risco) verificado por meio das três primeiras perguntas do questionário AUDIT (The Alcohol Use Disorders Identification Test) 22, atividade física de lazer verificada pelo Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), versão longa (insuficientemente ativos: 0 a 149 minutos de atividades físicas/semana e fisicamente ativos: ≥ 150 minutos de atividades físicas/semana) 23.

  • Uso de Internet: capacidade autorreferida em usar computador para envio e recebimento de mensagens pela Internet 24.

  • Condições de saúde: número de morbidades (nenhuma; 1 a 2 morbidades ou 3 ou mais morbidades relatadas) verificadas a partir da pergunta “Algum médico ou profissional de saúde já disse que o(a) Sr.(a) tem/teve...?”, na qual constava 16 opções de agravos (questionário da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD) 25, dependência funcional 26 foi avaliada por meio do Questionário Brasileiro de Avaliação Funcional Multidimensional adaptado do questionário Old Americans Resources and Services (BOMFAQ/OARS), categorizado em sem dependência funcional 26 (ausência de dependência), dependência leve (dependência em uma a três atividades) e moderada/grave (dependência em quatro ou mais atividades). Estado cognitivo (normal e presença de provável déficit cognitivo), investigado pelo Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), com pontos de corte que levam, em consideração, o nível de escolaridade de acordo com Brucki et al. 27. A queda no último ano foi verificada por meio da pergunta: “O(A) Senhor(a) sofreu alguma queda(tombo) no último ano?”, categorizada em sim ou não.

  • Uso de medicamentos e serviços de saúde: a posse de plano de saúde foi verificada a partir da pergunta “O(A) Sr.(a) tem plano de saúde particular, de empresa ou órgão público?” (sim; não); internação nos últimos 6 meses (sim; não) e o uso de polifarmácia 28 (sim; não), obtido a partir das embalagens e/ou receita médica dos medicamentos, coletadas pelo nome comercial e, posteriormente, classificadas segundo a Anatomical Therapeutic Chemical (ATC) 29, considerado uso concomitante de quatro ou mais medicamentos.

Foram excluídas as entrevistas respondidas por informantes (n = 49), devido ao fato de a autopercepção de saúde ser uma informação subjetiva que só poderia ser fornecida pelo idoso.

Análise dos dados

Foram realizadas análises descritivas para todas as variáveis e foram calculadas as prevalências e os respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%) da autopercepção positiva de saúde segundo a natureza das exposições. Para a análise bivariada e ajustada, foi utilizada a regressão de Poisson 30, para estimar as razões de prevalência (RP) brutas e ajustadas com seus respectivos IC95%. Na análise ajustada, utilizou-se o modelo hierárquico, no qual foram incluídas as variáveis demográficas e socioeconômicas (primeiro nível), as variáveis de estilo de vida compuseram o segundo nível, o uso de Internet, o terceiro nível, as variáveis relacionadas às condições de saúde compuseram o quarto nível, e o uso de medicamentos e serviços de saúde compuseram o quinto e último nível, mais proximal à variável dependente. A significância estatística de cada variável do modelo foi verificada por meio do teste de Wald de heterogeneidade ou tendência. A entrada das variáveis no modelo foi feita por nível, sendo incluídas, na análise ajustada, todas aquelas que apresentaram valor de p < 0,20. Considerou-se o nível de significância estatística de 5%.

A análise dos dados foi conduzida no programa estatístico Stata SE 12.0 (Stata Corp., College Station, Estados Unidos). Todas as análises realizadas consideraram o efeito do desenho amostral por conglomerados, incorporando-se os pesos amostrais por meio do comando svy.

Considerações éticas

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina, protocolo n o 352/2008, e foi solicitada, aos entrevistados, a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os autores declaram não haver conflito de interesses.

Resultados

Do total de idosos elegíveis para o estudo (n = 1.911), 1.705 foram entrevistados, taxa de resposta de 89,1%, com as entrevistas realizadas por informantes. Contudo, para essa análise, essas entrevistas foram excluídas (n = 49), totalizando amostra analítica de 1.656 idosos. A mediana de idade dos entrevistados foi de 69 anos (faixa: 60 a 102 anos). Mais da metade era do sexo feminino (62,5%), do grupo etário de 60 a 69 anos (51,7%), relatou ter companheiro (58,9%), não trabalhava no momento da entrevista (86,5%), e 32,5% apresentavam de 1 a 4 anos de estudo. Mais de 60% dos indivíduos não consumiam bebidas alcoólicas, e 59,2% reportaram nunca ter fumado. Menos de 1/3 dos idosos foi considerado suficientemente ativo no lazer (31,5%). A maioria relatou não utilizar Internet (76,7%), referiu 3 ou mais morbidades (52%), apresentou desempenho cognitivo normal (54,3%), não sofreu quedas no último ano (82,1%), possuía plano de saúde privado (66%), relatou internação nos últimos seis meses (92,9%), não fazia uso de polifarmácia (55,4%), e 43,9% relataram dependência leve nas atividades da vida diária (Tabela 1).

Tabela 1 Descrição da amostra e prevalências de autopercepção positiva de saúde de acordo com as variáveis demográficas, socioeconômicas, estilo de vida, uso de Internet, condições de saúde, uso de medicamentos e serviços de saúde em idosos de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, 2009-2010. 

Variáveis n % (IC95%) Autopercepção positiva de saúde [% (IC95%)] Valor de p
Sexo [n = 1.656]       < 0,001
 Feminino 1.058 62,5 (59,7 -65,3) 48,9 (45,0-52,7)  
 Masculino 598 37,5 (34,7-40,3) 61,1 (55,8-66,1)  
Grupo etário (anos) [n = 1.656]       0,001
 80 ou mais 214 12,8 (10,3-15,3) 43,9 (36,7-51,3)  
 70-79 596 35,5 (32,6-38,4) 48,3 (43,2-53,6)  
 60-69 846 51,7 (48,8-54,7) 59,3 (53,6-64,8)  
Estado civil [n = 1.656]       < 0,001
 Com companheiro(a) 974 58,89 (55,4-62,4) 57,2 (52,8-61,4)  
 Sem companheiro(a) 682 41,11 (37,6-44,6) 48,1 (43,8-52,4)  
Trabalha atualmente [n = 1.656]       0,004
 Não 1.429 86,5 (84,1-88,8) 51,8 (47,6-55,9)  
 Sim 227 13,5 (11,2-15,8) 64,1 (57,2-70,5)  
Escolaridade (anos) [n = 1.648]       < 0,001
 Sem escolaridade formal 148 7,4 (5,3-9,5) 35,5 (28,0-43,7)  
 1-4 568 32,6 (27,8-37,3) 39,7 (34,9-44,8)  
 5-8 315 18,6 (16,0-21,3) 49,6 (43,0-56,2)  
 9-11 231 16,2 (12,6-19,8) 62,3 (56,0-68,3)  
 ≥ 12 386 25,2 (20,6-29,8) 73,3 (66,8-70,0)  
Renda per capita (Reais) [n = 1.656]       < 0,001
 1 o quartil (menor) 414 22,5 (18,7-26,4) 46,9 (39,8-52,5)  
 2 o quartil 418 25,2 (21,7-28,8) 41,3 (36,1-46,7)  
 3 o quartil 414 25,4 (22,4-28,4) 56,5 (50,9-62,0)  
 4 o quartil (maior) 410 26,8 (21,7-32,0) 68,2 (62,6-73,2)  
Consumo de álcool [n = 1.656]       < 0,001
 Não consome 1.061 63,3 (59,8-66,8) 43,9 (40,2-47,6)  
 Moderado 315 19,3 (16,0-22,5) 67,2 (60,3-73,3)  
 Alto 280 17,5 (14,5-20,3) 73,0 (62,5-57,0)  
Tabagismo [n = 1.656]       0,004
 Nunca fumou 1.004 59,2 (55,9-62,6) 49,9 (45,9-53,8)  
 Fumou e parou 511 32,2 (29,0-35,4) 57,1 (51,5-62,6)  
 Fuma atualmente 141 8,6 (6,6-10,5) 64,2 (54,5-73,0)  
Atividade física no lazer [n = 1.656]       < 0,001
 Insuficientemente ativo 1.165 68,5 (63,5-73,6) 48,0 (43,8-52,1)  
 Ativo 491 31,5 (26,4-36,4) 65,3 (60,9-69,5)  
Uso de Internet [n = 1.656]       < 0,001
 Não 1.313 76,7 (72,3-81,2) 46,2 (43,0-49,4)  
 Sim 343 23,3 (18,8-27,7) 77,3 (71,3-82,5)  
Número de morbidades [n = 1.637]       < 0,001
 3 ou mais 873 52,0 (48,5-55,5) 36,8 (32,1-41,7)  
 1-2 617 38,5 (35,7-41,4) 70,3 (65,7-74,6)  
 Nenhuma 147 9,5 (7,7-11,3) 78,8 (70,5-85,2)  
Estado cognitivo [n = 1.648]       0,028
 Déficit cognitivo 771 45,7 (40,9-50,4) 49,0 (44,1-53,8)  
 Normal 877 54,3 (49,6-59,1) 57,1 (51,9-62,1)  
Dependência em AVD [n = 1.656]       < 0,001
 Moderada/Grave 491 29,9 (26,6-33,2) 22,1 (18,0-26,7)  
 Leve 707 43,9 (39,7-40,0) 60,2 (54,7-65,4)  
 Ausência de dependência 458 26,2 (22,7-29,8) 77,8 (73,1-81,9)  
Queda no último ano [n = 1.656]       < 0,001
 Sim 308 17,9 (15,6-20,2) 38,3 (31,2-46,0)  
 Não 1.348 82,1 (79,8-84,4) 56,7 (53,1-60,3)  
Plano de saúde [n = 1.656]       < 0,001
 Sim 597 34,0 (28,6-39,3) 45,4 (40,1-50,9)  
 Não 1.059 66,0 (60,7-71,4) 57,6 (53,9-61,1)  
Internação nos últimos 6 meses [n = 1.656]       0,007
 Não 128 7,1 (5,8-8,5) 37,2 (26,6-49,3)  
 Sim 1.528 92,9 (91,5-94,2) 54,7 (51,0-58,3)  
Uso de polifarmácia [n = 1.656]       < 0,001
 Sim 743 44,6 (40,7-48,5) 36,2 (30,6-42,1)  
 Não 913 55,4 (51,5-59,3) 67,4 (63,6-70,9)  

AVD: atividades da vida diária; IC95%: intervalo de 95% de confiança.

A proporção de idosos que apresentou autopercepção positiva de saúde foi de 51,2% (IC95%: 48,8-53,6). Os resultados das associações, na análise bruta e ajustada, entre autopercepção positiva de saúde e variáveis independentes são apresentadas na Tabela 2. Todas as variáveis independentes apresentaram associação significativa com o desfecho. A análise ajustada mostra que a prevalência de autopercepção positiva de saúde foi 1,13 vez maior nos homens quando comparados às mulheres. Observou-se, também, aumento da prevalência de autopercepção de saúde positiva conforme o aumento da escolaridade.

Tabela 2 Análise bruta e ajustada dos fatores associados à autopercepção positiva de saúde em idosos. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, 2009-2010. 

Variáveis Análise bruta Análise ajustada
RP (IC95%) Valor de p RP (IC95%) Valor de p
Bloco 1: Demográficas e socioeconômicas       < 0,001
 Sexo   < 0,001    
  Feminino 1,00   1,00  
  Masculino 1,25 (1,14-1,37)   1,13 (1,02-1,26)  
 Grupo etário (anos)   0,001    
  80 ou mais 1,00   1,00  
  70-79 1,10 (0,88-1,37)   1,07 (0,86-1,34)  
  60-69 1,35 (1,09-1,68)   1,20 (0,94-1,52)  
 Estado civil   < 0,001    
  Com companheiro(a) 1,00   1,00  
  Sem companheiro(a) 0,84 (0,76-0,93)   0,94 (0,82-1,07)  
 Trabalha atualmente   0,003    
  Não 1,00   1,00  
  Sim 1,24 (1,08-1,42)   1,04 (0,90-1,20)  
 Escolaridade (anos)   < 0,001    
  Sem escolaridade formal 1,00   1,00  
  0-4 1,12 (0,84-1,50)   1,05 (0,80-1,39)  
  5-8 1,40 (1,13-1,73)   1,26 (1,03-1,55)  
  9-11 1,76 (1,40-2,21)   1,53 (1,21-1,95)  
  ≥ 12 2,07 (1,62-2,64)   1,68 (1,32-2,13)  
 Renda per capita (Reais)   < 0,001    
  1 o quartil (menor) 1,00   1,00  
  2 o quartil 0,90 (0,73-1,09)   0,87 (0,71-1,06)  
  3 o quartil 1,23 (1,02-1,47)   1,08 (0,90-1,28)  
  4 o quartil (maior) 1,48 (1,28-1,71)   1,12 (0,96-1,31)  
Bloco 2: Estilo de vida       < 0,001
 Consumo de álcool   < 0,001    
  Não consome 1,00   1,00  
  Moderado 1,53 (1,34-1,75)   1,33 (1,18-1,51)  
  Alto 1,66 (1,45-1,91)   1,37 (1,18-1,57)  
 Tabagismo   0,001    
  Nunca fumou 1,00   1,00  
  Fumou e parou 1,14 (1,02-1,28)   1,04 (0,93-1,15)  
  Fuma atualmente 1,29 (1,11-1,48)   1,16 (0,99-1,36)  
 Atividade física no lazer   < 0,001    
  Insuficientemente ativo 1,00   1,00  
  Ativo 1,36 (1,25-1,48)   1,20 (1,12-1,30)  
Bloco 3: Uso de Internet       < 0,001
 Uso de Internet   < 0,001    
  Não 1,00   1,00  
  Sim 1,67 (1,53-1,83)   1,21 (1,07-1,36)  
Bloco 4: Condições de saúde       < 0,001
 Número de morbidades   < 0,001    
  3 ou mais 1,00   1,00  
  1-2 1,91 (1,69-2,16)   1,45 (1,29-1,64)  
  Nenhuma 2,14 (1,79-2,56)   1,52 (1,27-1,82)  
 Estado cognitivo   0,028    
  Déficit cognitivo 1,00   1,00  
  Normal 1,16 (1,02-1,34)   1,05 (0,94-1,18)  
 Dependência em AVD   < 0,001    
  Moderada/Grave 1,00   1,00  
  Leve 2,72 (2,19-3,40)   2,20 (1,74-2,76)  
  Ausência de dependência 3,53 (2,89-4,31)   2,67 (2,10-3,39)  
 Queda no último ano   < 0,001    
  Sim 1,00   1,00  
  Não 1,48 (1,22-1,79)   1,19 (1,05-1,36)  
Bloco 5: Uso de medicamentos e serviços de saúde       < 0,001
 Plano de saúde   < 0,001    
  Não 1,00   1,00  
  Sim 1,27 (1,12-1,43)   1,10 (0,99-1,22)  
 Internação nos últimos 6 meses   0,019    
  Não 1,00   1,00  
  Sim 1,47 (1,07-2,02)   1,04 (0,78-1,41)  
 Uso de polifarmácia   < 0,001    
  Sim 1,00   1,00  
  Não 1,47 (1,07-2,02)   1,27 (1,14-1,41)  

AVD: atividades da vida diária; IC95%: intervalo de 95% de confiança; RP: razão de prevalência.

Bloco 2: ajuste por sexo, grupo etário e escolaridade; Bloco 3: ajuste por sexo, grupo etário, escolaridade, consumo de álcool e atividade física de lazer; Bloco 4: ajuste por sexo, grupo etário, escolaridade, consumo de álcool, atividade física de lazer e uso de Internet; Bloco 5: ajuste por sexo, grupo etário, escolaridade, consumo de álcool, atividade física de lazer, uso de Internet, número de morbidades, dependência em AVD e quedas no último ano.

A prevalência do desfecho foi 33% e 37% maior nos idosos com consumo de álcool moderado e alto, respectivamente, comparados aos que não consomem. Aqueles ativos no lazer apresentaram prevalência 20% maior de autopercepção positiva de saúde quando comparados aos seus pares.

Indivíduos que faziam uso de Internet apresentaram prevalência 21% maior de autopercepção positiva de saúde em relação aos que não utilizavam essa ferramenta. Idosos que não relataram morbidades ou relataram 1 ou 2 morbidades apresentaram 52% e 45% maior prevalência do desfecho quando comparados aos com 3 ou mais morbidades. Aqueles com dependência leve ou com ausência de dependência apresentaram 2,20 e 2,67 vezes maior prevalência de autopercepção positiva de saúde quando comparados aos idosos com dependência moderada/grave.

A prevalência do desfecho foi 19% e 27% maior nos idosos que não sofreram queda no último ano e nos que não fazem uso de polifarmácia, respectivamente, quando comparados aos seus pares.

Discussão

No presente estudo, a prevalência de autopercepção positiva de saúde foi de 51,2%. O resultado é consistente com estudo prévio de Silva et al. 7, o qual verificou que a prevalência desse desfecho foi de 50,4% em três municípios do interior do Brasil nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul. O estudo conduzido em Bambuí, Minas Gerais 1, apresentou prevalência desse desfecho de 24,7%. Enquanto estudo realizado por Borim et al. 4 apresentou prevalência estimada de autopercepção positiva de saúde superior a do presente estudo, de 80,9% em idosos de Campinas, São Paulo. Existem duas possibilidades para explicar as diferenças entre as prevalências dos diversos estudos, primeiro, as diferentes opções de resposta à pergunta de autopercepção de saúde ou mesmo a forma de categorização que não é homogênea, e, segundo, podem existir diferenças entre as regiões estudadas quanto aos aspectos socioeconômicos e demográficos e ambos podem interferir na prevalência da autopercepção de saúde.

A autopercepção positiva de saúde foi associada ao sexo masculino, corroborando com estudos prévios 31 , 32. O processo de envelhecimento é marcado por diferenças quanto ao estado de saúde entre homens e mulheres, as quais podem ser decorrentes de combinação de fatores biológicos, sociais e comportamentais, o que pode ocasionar percepções diferenciadas quanto ao estado de saúde 33 , 34. Ainda, as mulheres tendem a procurar mais por serviços de saúde, apresentam maior expectativa de vida, são suscetíveis a maior número de morbidades e declínio do estado funcional, o que pode influenciar e favorecer a descoberta de agravos à saúde 35, condições menos letais 35 , 36, de modo que essas percebem sua saúde de maneira pior que o sexo masculino.

Na presente pesquisa, a autopercepção positiva de saúde foi associada com o aumento da escolaridade, achado que corrobora com estudo prévio 12. Sabe-se que pessoas com níveis maiores de escolaridade e maior renda têm mais acesso à informação, o que acarreta a adoção de hábitos saudáveis de vida, tais como alimentação adequada e balanceada e a prática regular de atividades físicas 37. Assim, os idosos com maior escolaridade apresentam melhor qualidade de vida relacionada à saúde 31 e, consequentemente, melhor autopercepção de saúde.

Quanto aos comportamentos de saúde, verificou-se, no presente estudo, que a autopercepção positiva de saúde foi associada ao consumo de álcool. Estudo realizado por Poikolainen et al. 14 mostrou que, após ajustes por variáveis sociodemográficas e de estilo de vida, o consumo moderado de álcool apresentou associação com a percepção positiva de saúde. Resultado semelhante foi encontrado por Lang et al. 36, os quais verificaram que pessoas com 50 anos ou mais que bebiam moderadamente apresentavam melhor cognição, melhor qualidade de vida e menos sintomas depressivos. Esses autores relataram que o consumo de álcool em níveis moderados é frequentemente associado com vida social mais ativa, o que pode explicar tais associações. Contudo, esses resultados devem ser interpretados com cautela, visto o risco do consumo excessivo de álcool, especialmente em idosos. Assim, são necessárias outras investigações para compreender melhor essa relação.

Pesquisas 3 , 13 verificaram associação entre ser ativo no lazer e autopercepção positiva de saúde, as quais corroboram com os achados da presente investigação. A prática de atividade física propicia benefícios como a manutenção e/ou melhora da capacidade funcional, manutenção da independência e da autonomia, redução de morbidades 38, melhora da qualidade de vida 13, o que promove mais atividade social e, consequentemente, bem-estar biopsicossocial e preservação da saúde física e mental 38.

No que diz respeito ao uso de Internet, não foram encontrados estudos demonstrando essa associação. Esse é um novo e promissor campo de estudo, pois a inclusão digital de idosos é fenômeno recente com vários efeitos positivos sobre a saúde e a qualidade de vida desses. Estudos mostraram que idosos que fazem uso de Internet mantêm hábitos de vida mais saudáveis 24 , 39, apresentam melhor capacidade funcional 24 , 40 e cognitiva 41, isso pode acarretar melhor percepção de saúde. Além disso, idosos que utilizam as novas tecnologias estão motivados a melhorar a conexão com o mundo, buscam comunicação e interação, principalmente, com familiares e amigos, procuram possibilidades de lazer e querem sentir-se menos excluídos da era digital em que a sociedade se encontra 42. Isso pode estar atrelado à melhora da autoestima, da autoconfiança e da saúde mental 43, o que possivelmente explica a relação entre o uso de Internet e a percepção mais otimista de saúde.

No presente estudo, foi observado que tanto a ausência quanto o menor número de morbidades aumentaram a prevalência de autopercepção positiva de saúde. Esse achado pode ser explicado pelo fato de que idosos que relataram 1 ou 2 doenças crônicas, possivelmente, têm maior facilidade para mantê-las controladas e consideram-se saudáveis e, consequentemente, possuem melhor percepção sobre sua saúde 44. Estudos prévios observaram associação entre morbidades e autopercepção negativa da saúde 3 , 17, quanto maior o número de morbidades, maior a prevalência de autopercepção negativa da saúde. Idosos portadores de três ou mais doenças apresentam pior qualidade de vida 45 , 46, piores condições de saúde 46 e maior dificuldade na realização de atividades da vida diária (AVD), consequentemente, pior capacidade funcional 46. Esses elementos podem fazer com que o idoso que apresenta 3 ou mais morbidades perceba sua saúde de forma menos otimista.

A associação entre autopercepção de saúde e a redução do grau de dependência em AVD foi verificada por outras investigações 7 , 44. Sabe-se que maior dificuldade na realização de AVD pode acarretar pior capacidade funcional 45, implicando na qualidade de vida dos idosos 47. Além disso, a dependência nas AVD pode interferir nas atividades sociais que os idosos realizavam, tais como ir à igreja, visitar amigos 46, frequentar grupos de convivência, entre outros. De certo modo, isso pode explicar a menor prevalência de percepção positiva da própria saúde nos idosos com maior dependência nas AVD.

Em relação à associação entre autopercepção de saúde e não sofrer quedas, essa associação pode ser entendida pela perda de autonomia e independência nas AVD gerada pela queda, que acarreta sentimentos de fragilidade e insegurança, diminuição das atividades sociais e a baixa autoestima 47. Pode afetar negativamente a qualidade de vida dos idosos e fazer com que apresentem menor prevalência de percepção positiva da saúde. Resultado semelhante foi verificado em outro estudo 15.

No que diz respeito à polifarmácia, o não uso dessa está associado à percepção positiva de saúde. Dentre os idosos, uma das intervenções mais usadas para o tratamento de doenças são as medicamentosas. Assim, pode-se dizer que o uso de medicamentos indique ao idoso que algo está inadequado e interfira na sua autopercepção de saúde 48. Além disso, supõe-se que o uso de polifarmácia é atribuído a alguma(s) doença(s) referida(s), o que pode contribuir para alterações clínicas, além de maior frequência de interações medicamentosas com potenciais efeitos adversos, pior condição de saúde 3 , 45 e, consequentemente, autopercepção menos otimista de saúde.

Este estudo apresenta algumas limitações a serem consideradas na interpretação dos resultados. O delineamento transversal não permite estabelecer relações de causalidade entre a autopercepção de saúde e as variáveis de exposição investigadas, porém indica a magnitude das associações e pode trazer novas hipóteses para o desenvolvimento da área em estudo. Em segundo, o uso de medidas autorreferidas (variáveis socioeconômicas, estilo de vida, condições de saúde, uso de medicamento e serviços de saúde) que podem acarretar viés de informação. No entanto, ressalta-se que foram tomadas diversas precauções para evitar vieses, com a utilização de instrumentos padronizados e extensivo treinamento da equipe de campo.

Entre os aspectos positivos, destaca-se que os resultados apresentados são informações de base populacional, com amostra representativa da população idosa de Florianópolis. Esses resultados podem ser diferentes de outros estudos, além dos motivos já apresentados no início, pois a cidade apresenta um dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), além dos índices de renda e educação isoladamente (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013. Ranking – todo o Brasil (2010). http://atlasbrasil.org.br/2013/ranking, acessado em 08/Nov/2014). Isso pode influenciar a qualidade de vida dos residentes e a percepção de saúde.

A percepção de saúde é uma medida subjetiva considerada como bom indicador do estado de saúde em idosos. Este estudo pode evidenciar o perfil dos idosos que possuem percepção de saúde positiva, essencial para a vigilância de sua saúde geral. A partir disso, o desenvolvimento de políticas de saúde pode apoiar ações nas questões associadas com a percepção positiva de saúde e promover, indiretamente, estratégias para melhorar a qualidade de vida dessa população.

Em conclusão, o alto nível de escolaridade, o maior consumo de álcool, ser ativo fisicamente no lazer, utilizar Internet, redução das morbidades, redução da dependência em AVD, ausência de quedas e não fazer uso de polifarmácia foram associados à autopercepção positiva de saúde em idosos do Município de Florianópolis.

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