Avaliação da ingestão alimentar e excreção de metabólitos na nefrolitíase

Avaliação da ingestão alimentar e excreção de metabólitos na nefrolitíase

Autores:

Évellyn Alves Gordiano,
Larissa Marques Tondin,
Renata Costa de Miranda,
Deise Regina Baptista,
Mauricio Carvalho

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Nephrology

versão impressa ISSN 0101-2800

J. Bras. Nefrol. vol.36 no.4 São Paulo out./dez. 2014

http://dx.doi.org/10.5935/0101-2800.20140063

Introdução

A nefrolitíase é uma doença crônica1 e frequente que acomete entre 5% e 15% da população mundial,2 - 4 sendo considerada um problema de saúde pública.3 A litíase renal afeta jovens adultos,5 - 7 em especial homens,2 , 7 com seu pico de incidência durante a terceira e quarta décadas de vida,5 - 7 porém, também ocorre comumente em crianças.2 A taxa de recorrência da litíase renal é alta, atingindo cerca de 50% dos doentes não tratados em um período de cinco anos.8

Ocupa o terceiro lugar entre as doenças mais frequentes do aparelho geniturinário, sendo ultrapassada apenas pelas infecções urinárias e enfermidades da próstata. A nefrolitíase cálcica representa 85% do total das litíases renais e ocorre devido ao aumento dos níveis de oxalato, cálcio e ácido úrico urinários ou diminuição do citrato urinário.8

A maior proporção dos cálculos renais é de constituição mista, sendo composta por aproximadamente 30% de monominerais.8 Dentre os minerais mais frequentes, está o oxalato de cálcio,8 , 9 que apresenta de 40% a 50% da excreção urinária proveniente da dieta.10 O oxalato é um componente presente em espécies vegetais, o que torna sua ingestão inevitável na dieta humana. Está presente em sementes, incluindo grãos de cereais, espinafre e algumas raízes, tais como a beterraba, que é particularmente rica em oxalato.11

A formação das litíases ocorre por um processo multifatorial e complexo. Dentre os fatores que as influenciam, têm-se: clima,7 , 8 profissão,8 , 10 fatores nutricionais,8 , 7 idade,2 , 8 sexo,2 , 8 , 10 fatores genéticos7 , 8 e distúrbios metabólicos.8 , 10

A supersaturação urinária pode ser considerada o evento inicial do processo de calculogênese,4 , 12 podendo resultar de três principais alterações: excesso de substâncias promotoras, redução de substâncias inibidoras da cristalização4 , 8 e redução do volume urinário.4 Como resultado disto ocorre cristalúria anormal, com nucleação, agregação e crescimento dos cristais, desenvolvendo, assim, a nefrolitíase.8

Estudos que apontam relação entre fatores dietéticos,9 , 13 , 14 presença de hipertensão arterial sistêmica,4 , 15 peso corporal2 , 15 , 16 e excreção de metabólitos9 , 14 , 17 no processo de litogênese, destacando a importância de investigações mais aprofundadas sobre estes aspectos, visando identificação e correção dos desequilíbrios que ocasionam a litíase renal.

O objetivo do presente trabalho é descrever e comparar o perfil nutricional, dietético e metabólico de indivíduos com e sem nefrolitíase.

Métodos

Este é um estudo do tipo observacional, transversal, realizado com pacientes atendidos no Ambulatório de Nefrologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná e controles saudáveis. Foram estudados pacientes portadores de nefrolitíase com ao menos um dos critérios de inclusão: cólica renal com hematúria confirmada, evidência radiológica de nefrolitíase ou histórico de eliminação espontânea ou por remoção cirúrgica de cálculo urinário. Foi definido que todos os pacientes fossem portadores de nefrolitíase recorrente possuíssem mais de dois cálculos formados comprovados radiologicamente e tivessem sido atendidos pelo menos duas vezes no ambulatório. Além destes aspectos, foi utilizado como critério de inclusão da amostra a ausência de orientação dada por nutricionista, de forma prévia a este estudo. Para participar da pesquisa, os indivíduos deveriam ter idade superior a 18 anos e serem capazes de compreender e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A presença de distúrbios do metabolismo do cálcio como hiperparatireoidismo primário, rim espongiomedular, acidose tubular renal, malignidade e déficit de função renal (depuração de creatinina menor que 70 ml/min) constituíram critérios de exclusão. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

Em relação aos dados metabólicos, as análises bioquímicas referentes à excreção de citrato e oxalato urinário foram obtidas por meio de exame de urina de 24 horas. Os exames laboratoriais foram considerados adequados quando o valor mínimo de referência para citrato excretado era de 320 mg/24h,18 já para oxalato excretado, o valor máximo de referência era de 45 mg/ dia.19 Quanto à presença de hipertensão arterial sistêmica (HAS), o paciente foi considerado hipertenso quando já realizava tratamento farmacológico ou apresentava diagnóstico médico prévio.

Os pacientes foram submetidos à avaliação nutricional composta por anamnese e avaliação antropométrica. A anamnese englobou questionamentos referentes à identificação do sujeito, fatores relacionados à alimentação e ingestão de líquidos.

Como instrumento para avaliação dietética da ingestão de oxalato nos grupos, foi utilizado o Questionário de Frequência Alimentar Semiquantitativo (QFA),20 que consiste na abordagem da frequência mensal de consumo de uma variedade de grupos de alimentos. Como complemento ao QFA, foi realizada a aplicação do Recordatório 24 horas21 para estimar a ingestão dos demais nutriente. Para análise dos dados dietéticos obtidos no Recordatório 24 horas, utilizou-se o software Avanutri online ®.

Para verificação da adequação da ingestão dos micronutrientes, exceto oxalato, os indivíduos foram comparados um a um com os valores de referência da Recommended Dietary Allowances (RDA) presente na Dietary Reference Intakes (DRI),22 segundo idade e gênero. Os valores de vitamina C, cálcio, potássio e fósforo foram considerados adequados quando o valor foi igual ou superior a RDA. Quanto ao oxalato ingerido, sua estimativa foi realizada com base na aplicação do QFA. Cada alimento consumido teve seu teor de oxalato calculado23 de acordo com a quantidade em medida caseira e a frequência mensal de consumo referidas pelo paciente. Foram somados todos os teores de oxalato, obtendo-se a ingestão habitual total de oxalato. Com a finalidade de se conhecer a média diária de ingestão, o total de oxalato ingerido foi, finalmente, dividido por 30 dias. A ingestão de oxalato foi considerada adequada quando inferior a 55 mg/dia.24

A adequação de sódio teve como valor de referência a ingestão máxima de 2000 mg/dia, definida pela Organização Mundial de Saúde,25 sendo considerada uma ingestão inadequada quando superior a este valor. Na avaliação da ingestão de sódio, este estudo considerou, a partir da utilização do software composto por tabelas de composição nutricional, tanto o sódio intrínseco no alimento, quanto o sódio presente em algumas preparações acrescidas de sal. Porém, o sódio presente de adição não pode ao menos ser estimado de acordo com os padrões de consumo da população brasileira, já que o software utilizado já contabiliza o sal de adição, e, portanto, o sódio, de determinadas preparações.

Quanto à ingestão de proteína, foi estimada a necessidade de acordo com Martin & Cardoso,26 em que a classificação considerou uma dieta normoproteica quando ingerido de 1 a 1,2 g de proteína por quilograma de peso corporal por dia. Quanto à ingestão de líquidos, os pacientes foram questionados em relação ao consumo de água e demais líquidos.

Na avaliação antropométrica, realizada após a entrevista, foram coletados peso atual e estatura. Para obtenção do primeiro dado, foi utilizada uma balança portátil com capacidade de 150 kg e precisão de 100 g, com o paciente portando o mínimo de roupa possível. Para aferição da estatura, foi utilizado o antropômetro da balança mecânica, posicionando o paciente descalço no centro do equipamento, com a cabeça livre de adereços, em pé, ereto, com os braços estendidos ao longo do corpo, cabeça erguida, olhando para um ponto fixo na altura dos olhos. A partir do peso e estatura, foi calculado o Índice de Massa Corporal (IMC) e classificado de acordo com a Organização Mundial de Saúde.27

As análises estatísticas foram efetuadas no software SPSS 17.0 versão Windows ® (SPSS, Chicago, IL), a fim de serem avaliados comparativamente os parâmetros nutricionais e de bioquímica urinária.

Para comparação entre variáveis numéricas, foram utilizados o Teste t de Student e Mann-Whitney, o último para dados não paramétricos. Os testes Qui-Quadrado (χ2), teste Exato de Fisher e Mann-Whitney foram empregados para comparar as variáveis categóricas. Quando os pressupostos para aplicação do Teste χ2 não foram contemplados, optou-se pela utilização do Teste Mann-Whitney, que a verifica a diferença entre os grupos de acordo com a soma dos postos. Para variáveis categóricas dicótomas, o Teste Exato de Fisher foi utilizado. O nível de significância das análises foi estabelecido em 0,05.

Resultados

Dos 49 indivíduos estudados, 31 pertenciam ao grupo nefrolitíase (NE) e 18 ao grupo controle. Quanto aos gêneros, 16,67% dos indivíduos pertencentes ao grupo NE eram homens, já no grupo controle este gênero ocupou 25,81% do total do grupo. Os dois grupos obtiveram igualdade neste aspecto, com p = 0,322 (Exato de Fischer).

Para avaliação de idade, IMC e classificação dietética, foram usadas as informações de 31 pacientes no grupo NE e de 18 no grupo controle. Quanto ao citrato e oxalato excretados, foram obtidas informações de 21 pacientes do grupo NE e 9 do grupo controle.

A média de idade, IMC médio e a excreção de oxalato de ambos os grupos apresentaram-se estatisticamente iguais. Contudo, com relação ao citrato excretado, o grupo NE obteve maior excreção (p = 0,039), como aponta a Tabela 1.

Tabela 1 Caracterização da amostra - grupos 

  CONTROLE NE  
  N Méd. (DP) n Méd. (DP) Valor de p
Idade 31 52,23 (10,56) 18 52,78 (14,05) 0,877a
IMC 31 29,44 (4,92) 18 31,44 (5,30) 0,189a
Oxalato excretado 21 23,19 (12,52) 8 25,56 (15,05) 0,659a
Citrato excretado 21 812,45 (566,67) 9 458,00 (387,83) 0,039b *

aTeste t-student;

bMann-Whitney;

*Valor estatisticamente significante (p < 0,05).

Foi observada hipertensão arterial em 64,5% do grupo NE e 72,2% do grupo controle, não havendo diferença significativa entre eles (qui-quadrado; p = 0,579). Com relação à classificação do IMC, no grupo NE 12,9% estavam em eutrofia, 51,6% em sobrepeso e 35,5% em obesidade. Já no grupo controle, 11,1% estavam em eutrofia, 33,3% em sobrepeso e 55,6% em obesidade. Não foi verificada diferença estatística entre os grupos (p = 0,236).

Quanto à ingestão de sódio, cálcio, potássio, vitamina C, oxalato e proteína, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos (Tabela 2).

Tabela 2 Ingestão média de micronutrientes e oxalato pelo grupo NE e controle 

  NE (n = 31) CONTROLE (n = 18)
  Méd. (DP) Méd. (DP) Valor de p
Sódio (mg/dia) 1670,35 (871,62) 1914,20 (1356,12) 0,756
Cálcio (mg/dia) 520,66 (436,76) 427,52 (235,60) 0,709
Potássio (mg/dia) 1783,50 (1037,91) 1412,01 (667,62) 0,431
Vitamina C (mg/dia) 48,96 (88,59) 37,26 (43,54) 0,967
Oxalato (mg/dia) 159 (119,27) 115,15 (46,51) 0,29

Teste Mann-Whitney.

Em relação à adequação de micronutrientes e oxalato ingeridos, apenas metade do grupo NE apresentou consumo ideal de sódio. A inadequação da ingestão de cálcio no grupo NE foi observada em 93,50% dos pacientes. O mesmo aconteceu para 100% deste grupo em relação ao potássio e 83,90% para vitamina C. Quanto ao oxalato ingerido, a maior parte da população estudada apresentou ingestão superior à recomendada (Tabela 3). Quanto à excreção de metabólitos, a excreção de citrato teve maior adequação no grupo NE. Em relação ao oxalato, não houve diferença significativa entre os dois grupos (p = 0,367), contudo, nota-se que a maior parte dos indivíduos NE apresentou adequação na excreção deste mineral (Tabela 3).

Tabela 3 Percentual de adequação da ingestão e excreção de micronutrientes e metabólitos urinários 

  NE CONTROLE  
  Adequado Adequado Valor de p
Sódio 54,80% 61,10% 0,669a
Cálcio 6,50% 0% 0,526b
Potássio 0% 0% -
Vitamina C 5,10% 16,70% 1,00b
Oxalato 0% 5,60% 0,367b
Citrato excretado 90,50% 55,60% 0,049b *
Oxalato excretado 90,50% 87,50% 1,00b

aQui-quadrado;

bExato de Fischer;

*Estatisticamente significante.

Em relação ao consumo proteico, não houve diferença estatisticamente significante grupo NE e grupo controle (Mann-Whitney; p = 0,313). O grupo NE apresentou 33,3% de ingestão hipoproteica, 12,5% de normoproteica e 54,2% de hiperproteica. Já no grupo controle, 55,6% dos indivíduos apresentaram ingestão hipoproteica, 11,1% normoproteica e 33,3% hiperproteica.

Quanto à ingestão hídrica, no grupo NE 12,90% dos indivíduos apresentaram ingestão inferior a um litro, 54,80% entre um e dois litros e 32,30% mais de dois litros. Já no grupo controle, 22,20% apresentaram ingestão inferior a um litro, 44,40% entre um e dois litros, e 33,30% mais de dois litros. Contudo, a ingestão hídrica dos dois grupos não diferiu estatisticamente (Qui-quadrado; p = 0,335).

Discussão

Os cuidados com a alimentação devem focar a redução da incidência e recorrência da nefrolitíase,4 já que existem estudos demonstrando que o tratamento dietético reduz eficazmente a formação de cálculos renais.9 , 12 , 28 , 29 Também é interessante o estudo metabólico do indivíduo, visando à identificação e correção, de forma econômica e eficiente, dos desequilíbrios entre as substâncias que podem influenciar no processo litogênico.8

A nefrolitíase tem sido associada com hipertensão arterial sistêmica.2 No presente estudo, não foi observada diferença significativa entre pacientes portadores de litíase e controles saudáveis em relação a este aspecto. Contudo, 64,5% do grupo NE era hipertenso. Em estudo de Ferraz et al.,3 foi observado que 19,3% dos pacientes com nefrolitíase apresentavam HAS. Outros estudos verificaram que pacientes hipertensos tem maior excreção urinária de cálcio e oxalato,4 , 15 podendo também haver maior frequência de hipocitratúria nesses pacientes.30 No entanto, Taylor et al.30 não encontraram relação entre excreção urinária de cálcio e hipertensão. Há ainda a indicação de que histórico positivo de formação de litíase renal está associado a maior risco de desenvolver hipertensão arterial.31

A nefrolitíase tem sido associada com a obesidade.2 Em relação ao IMC, não foi observada diferença significativa entre os grupos, no entanto, 87,1% do grupo NE apresentou excesso de peso. Diversos estudos observaram relação entre elevado IMC e formação de litíases renais.2 , 15 , 16 Powell et al.32 citam que a obesidade por si só não aumenta o risco de recorrência da litíase renal, no entanto, tal dado é interessante, já que indivíduos com elevado IMC são mais propensos à cristalização urinária.4 Dentre os principais distúrbios metabólicos vistos em indivíduos obesos, têm-se a hipercalciúria, hiperoxalúria e hiperuricosúria.4 Powell et al.,32 ao avaliarem pacientes com nefrolitíase do gênero masculino, divididos em grupo de obesos e não obesos, notaram que homens obesos tiveram maior excreção urinária de oxalato. Quanto à excreção de citrato, não houve diferença entre os dois grupos. Concluiu-se que, de modo geral, apesar das diferenças, a recorrência de litíases renais entre obesos e não obesos foi semelhante. O mesmo estudo, ao avaliar mulheres com nefrolitíase, obesas e não obesas, verificou que mulheres obesas apresentaram ligeiro aumento no número de episódios de litíases renais quando comparadas com mulheres não obesas portadoras de litíase renal. Em estudo de Souza et al.,4 metade da amostra de pacientes com nefrolitíase apresentava elevado IMC e baixa ingestão hídrica.

Na presente pesquisa, não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos em relação à ingestão de sódio. No entanto, grande parte dos litisiáticos (45,2%) possuía ingestão maior do que a recomendada. Ainda assim, esta ingestão pode ter sido subestimada, já que o presente estudou não considerou o sódio proveniente do sal de adição utilizado pelos pacientes. A Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 (POF 2008-2009),33 por exemplo, apontou que a ingestão diária de sódio de brasileiros do sexo masculino, com a mesma faixa etária do presente estudo, variou de 3637,6 mg a 3186,5 mg e 2809,3 mg a 2608,0 mg entre o sexo feminino.

Alguns estudos apontam que a alta ingestão de sódio pode elevar o risco de hipercalciúria,7 , 13 , 15 podendo, inclusive, haver benefícios diante da restrição de sódio em casos de hipercalciúria idiopática.13 Também há hipótese de que o sódio reduza a excreção de citrato.7 No entanto, outro estudo não encontrou relação entre a ingestão de sódio e o aumento do risco de litíases renais.34 Em hipertensos, a ingestão de cloreto de sódio merece ser considerada, pois mantém pressão arterial elevada e induz o aumento da excreção de cálcio.15

Quanto ao cálcio ingerido, não foi observada diferença significativa entre os dois grupos; no entanto, em 93,5% do grupo NE houve ingestão menor do que a recomendada de acordo com gênero e idade. A relação do cálcio com a formação das litíases renais deve-se provavelmente ao fato do cálcio formar no intestino um complexo com o oxalato, fazendo com que a ingestão abaixo da recomendação ocasione aumento da absorção de oxalato,10 , 14 , 34 , 35 além de comprometer a densidade mineral óssea.10 Considerando que a maioria das litíases renais apresentam cálcio em sua composição e que a hipercalciúria tem sido associada com a formação das litíases, a restrição de cálcio foi tida como recomendação em pacientes com litíases renais.14 Curhan et al.,14 ao avaliarem a dieta de cerca de 45 mil homens, por um período de 4 a 5 anos, observaram que o grupo que ingeriu mais cálcio (mais de 1050 mg/ dia) apresentou um risco significativamente menor de desenvolver cálculos renais, se comparados ao grupo com ingestão inferior a 605 mg/dia. Borghi et al.28 citam que a diminuição na ingestão do cálcio reduz a excreção de cálcio urinária, contudo, pode ocasionar maior excreção de oxalato urinário, propiciando o aumento do risco de desenvolvimento da nefrolitíase. Há estudos que apontam maior risco de nefrolitíase em dietas com baixo consumo de cálcio,9 , 29 havendo outros que não demonstram relação entre elevada ingestão de cálcio e formação de litíases renais.14 , 34 Outros estudos apontam ainda diminuição da formação de litíases em alimentação com maiores quantidades de cálcio.17 , 34 Segundo Voss et al.,29 dieta com aporte adequado de cálcio (1000 a 1200 mg/dia) é importante em pacientes com tendência à formação de litíases de oxalato de cálcio. Taylor et al.,17 ao avaliarem um grupo de homens, encontraram que maior ingestão de cálcio foi associada à redução do risco de litíase renal. No entanto, quando se tratava de homens com 60 anos ou mais não foi observada tal relação. Outro estudo apontou que dieta adequada em cálcio, com baixa concentração proteica e baixa quantidade de sal diminui a excreção urinária de oxalato, podendo explicar a redução do risco de recorrência da nefrolitíase se comparada à dieta apenas com baixo teor de cálcio. Os autores comentam que tal diferença parece estar relacionada à excreção de oxalato apresentar-se diferenciada em cada dieta.28 Alguns estudos indicam que quando o cálcio é administrado como suplemento ocorre aumento de 20% no risco relativo da formação dos cálculos.36 , 37 É sugerida, então, uma ingestão de 800 a 1200 mg de cálcio ao dia, proveniente dos alimentos.7

Em relação ao potássio ingerido, ambos os grupos possuíram baixa ingestão. Redução dos níveis de potássio ingeridos aumentam a excreção urinária de cálcio, aumentando o risco de formação de cálculos.17 Taylor & Curhan9 avaliaram os estudos The Health Professionals Follow-up Study (HPFS) e The Nurses' Health Studies I and II (NHS I and NHS II) e concluíram que a ingestão de potássio foi inversamente associada com o risco de formação de litíase renal; no entanto, este efeito não foi visto em mulheres jovens. Outros estudos também observaram que a ingestão de potássio está inversamente relacionada à formação de litíase renal,14 , 17 podendo ser importante na diminuição da recorrência de litíases renais.17

Quanto à ingestão de vitamina C, não houve diferença significativa entre os grupos, porém nota-se que 83,9% do grupo nefrolitíase apresentava baixa ingestão. Em estudo realizado com grupo de homens, ao ajustar-se a quantidade de vitamina C ingerida com a idade, não foi encontrada associação entre a formação de litíases renais e ingestão de vitamina C.17 Outro estudo demonstrou que altas doses de vitamina C, quando suplementada, resultam em um risco para formação de litíases de oxalato de cálcio.35 Traxer et al.38 apontaram que 1000 mg de suplementação de vitamina C ingerida duas vezes ao dia aumentou a excreção urinária de oxalato em 20% a 33%. Contudo, Auer et al.39 verificaram que uma ingestão de até 4 g/dia de vitamina C não eleva a excreção de oxalato. É provável que o benefício gerado pela ingestão de suco de limão ou laranja seja ocasionado pelo aumento da ingestão hídrica desses pacientes.

As médias de ingestão de vitamina C observadas neste estudo foram 48,96 mg/dia para o grupo NE e 37,26 mg/ dia para o grupo controle. Nota-se que o valor obtido no presente estudo foi inferior ao observado na POF 2008-200933 quanto à população brasileira e da região Sul.

De acordo com a POF 2008-2009,33 a média brasileira de ingestão de vitamina C com a mesma faixa etária utilizada neste estudo variou entre 155,9 mg/ dia até 167,2 mg/dia para o gênero masculino, e 142,7 mg/dia até 167,9 mg/dia para o gênero feminino. Para população da região Sul, de acordo com o mesmo estudo, a ingestão média para o gênero feminino variou de 102 mg/dia até 122,6 mg/dia e para o gênero masculino de 115,9 mg/dia até 83,2 mg/dia. Contudo, é importante ressaltar que o inquérito alimentar utilizado pela POF (2008-2009)33 foi o método de registro alimentar (dois dias não consecutivos), enquanto o presente estudo utilizou o R24 h, que pode promover a subestimação.

Quanto ao oxalato ingerido, não foi observada diferença significativa entre os grupos, no entanto o grupo NE apresentou média de ingestão de 159 mg/dia (± 119,27), estando 100% da amostra em inadequação. Em contrapartida, 90,5% do grupo NE apresentou excreção adequada de oxalato, apontando possível superestimação na avaliação da ingestão deste composto. Tal fato pode, provavelmente, ser explicado pelo inquérito alimentar aplicado, o QFA, por tratar-se de um método mais subjetivo e pelas etapas metodológicas realizadas na tentativa de se estimar a ingestão diária de oxalato. Estudo de Holmes et al.11 apontou que a excreção de oxalato urinário aumenta na medida em que se aumenta a ingestão de oxalato. Também há autores que consideram essencial a restrição de alimentos ricos em oxalato em pacientes com hiperoxalúria de origem dietética.8 Já foi também observado que pacientes com nefrolitíase apresentam maior absorção de oxalato,11 , 29 até mesmo em dietas com baixo nível de ingestão, como 10 mg/dia de oxalato, há efetiva absorção e contribuição significativa para excreção urinária de oxalato.11 Contudo, no estudo de Curhan et al.14 não foi estabelecida associação entre a ingestão de alimentos ricos em oxalato e o risco de formação de litíases renais. Voss et al.29 sugerem que sejam feitos testes para verificar a absorção de oxalato do paciente, visando identificar pacientes com alta absorção, propiciando uma terapia individualizada.

Quanto à proteína, não houve diferença estatística entre os dois grupos; no entanto, 54,2% do grupo nefrolitíase apresentou alta ingestão proteica. Há hipótese de que o aumento da ingestão proteica possa aumentar a formação de litíases renais, devido ao fato da ingestão de proteína animal aumentar a excreção urinária de cálcio7 , 10 , 17 , 40 e oxalato,7 diminuindo a excreção de citrato7 , 8 , 10 , 17 e o pH urinário.10 Em estudo de Curhan et al.,14 foi verificado que a ingestão de proteína animal aumenta a excreção de ácido úrico e cálcio, e diminui a excreção de citrato, predispondo à formação de litíases renais. Outro estudo, realizado somente com homens, observou que o risco associado à ingestão de proteína animal variou de acordo com o IMC. O consumo de proteína animal foi associado ao aumento de formação de litíases renais apenas em homens com IMC < 25 kg/m2.17 Também há hipótese de que a redução da ingestão proteica possa resultar na diminuição da síntese endógena de oxalato.41 No entanto, trabalhos apontam para resultados controversos, onde em alguns há aumento da taxa de recorrência da nefrolitíase a partir da restrição de proteína animal,42 enquanto em outros não foi encontrada relação entre a ingestão proteica e o aumento do risco de formação de litíases.32

No presente estudo, verificou-se que a ingestão hídrica entre os grupos não diferiu estatisticamente. Contudo, é recomendável que pacientes com litíase renal tenham ingestão hídrica de pelo menos 2,5 litros/ dia,36 tornando a ingestão dos pacientes NE inadequada no presente estudo, considerando que 67,7% ingeriam no máximo 2 litros. Uma adequada ingestão hídrica é considerada fundamental em pacientes com litíase renal, já que ela é responsável por diminuir a saturação urinária, prevenindo várias fases da litogênese.8 Outros estudos também apontam que a ingestão hídrica está inversamente relacionada ao risco de formação de litíase renal.8 , 14 , 17

Borghi et al.,43 ao estudarem pacientes com nefrolitíase cálcica idiopática notaram que ingestão adequada de água, mesmo quando não acompanhada por mudanças dietéticas, pode exercer efeito positivo contra recorrências em grande número de pacientes. Em estudo que acompanhou pacientes após orientações, como aumento da ingestão hídrica, foi notado um aumento significativo no volume urinário.12 No estudo de Carvalho et al.,12 após orientações relativas ao aumento da ingestão hídrica, diminuição do consumo de sal e proteína (em torno de 1 g/kg/dia), além da ingestão de 800 mg/dia de cálcio, houve aumento significativo na excreção de citrato (368 ± 238 vs. 502 ± 221 mg/dia). Dieta normal em cálcio e com baixas quantidades de sal e proteína diminui a excreção urinária de oxalato e de cálcio, que em combinação com o aumento da ingestão de água gera diminuição da saturação urinária, causando redução na recorrência de nefrolitíase.28

Quanto ao citrato excretado por indivíduos deste estudo, foi observada maior adequação na excreção do grupo NE do que no grupo controle. No grupo NE, 90,5% dos pacientes apresentaram adequada excreção, contra 55,6% do grupo controle, resultado que contradiz a literatura. Em estudo de Peres et al.,2 a hipocitratúria foi observada em 23,5% dos pacientes com nefrolitíase. Ferraz et al.,3 ao estudarem 150 pacientes com nefrolitíase, encontraram 29,5% destes com hipocitratúria. No estudo de Carvalho et al.,12 44% dos pacientes com nefrolitíase avaliados apresentaram média de excreção de 178 ± 93,3 mg/ dia, sendo considerados com hipocitratúria, segundo o autor. Assim, a hipocitratúria tem sido considerada um risco para o processo de formação das litíases.8 , 14 , 17 O resultado do presente estudo pode ser justificado por uma possível orientação dada pelo médico quando diagnosticada a nefrolitíase.

Em relação ao oxalato urinário excretado, no presente estudo não foi encontrada diferença significativa entre os grupos. No entanto, 9,5% do grupo NE apresentou excreção inadequada. Oxalato urinário é um dos mais importantes fatores litogênicos em pacientes com nefrolitíase por oxalato de cálcio,29 , 44 e até mesmo um pequeno aumento na excreção urinária de oxalato pode elevar o risco de cálculos de oxalato de cálcio.9 , 14 , 17 Em estudo de Peres et al.,2 foi observada hiperoxalúria em 8,0% dos pacientes com nefrolitíase, sendo o resultado semelhante ao observado no presente estudo.

Como limitação deste estudo, tem-se o número reduzido de indivíduos analisados, o que destaca a importância de estudos com amostras maiores.

Além disto, têm-se o uso do Recordatório 24 horas, que é utilizado para quantificar a ingestão alimentar do dia anterior, devendo ser aplicado, de preferência, em mais de um dia não consecutivo, possibilitando, com isso, melhor estimativa do real consumo alimentar do paciente.45 Este instrumento de avaliação tem boa aplicação em estudos epidemiológicos, pois não há variação na média da ingestão populacional de um dia para o outro.46 Também é fator considerável a simplicidade e rapidez em sua aplicação, tornando este instrumento amplamente utilizado no mundo. Ainda que este método não interfira no comportamento alimentar do indivíduo e dependa da memória de um passado próximo, o Recordatório 24 horas parece subestimar a ingestão de certos nutrientes, principalmente quando aplicado em um só dia.47 , 48 Também é considerável a dependência deste método quanto à percepção das porções consumidas por parte do entrevistado.49

Conclusão

Este trabalho serviu como base para conhecimento do perfil metabólico e de ingestão alimentar de pacientes com litíase renal atendidos no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Verificou-se nos dois grupos a elevada prevalência de pacientes com sobrepeso, alta ingestão de oxalato e sódio, além de inadequação nas ingestões de cálcio, potássio e vitamina C. No grupo NE, foi observada alta ingestão proteica e maior excreção de citrato. O conhecimento dos fatores que podem desencadear a formação das litíases renais poderá otimizar a intervenção nutricional neste processo.

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