Avaliação da tolerabilidade do micofenolato sódico com revestimento entérico versus micofenolato mofetil em receptores de transplante renal

Avaliação da tolerabilidade do micofenolato sódico com revestimento entérico versus micofenolato mofetil em receptores de transplante renal

Autores:

Alvaro Pacheco e Silva Filho,
Roberto Ceratti Manfro,
Fabiana Loss de Carvalho Contieri,
Marilda Mazzali,
Valter Duro Garcia,
Deise de Boni Monteiro de Carvalho,
Saitovitch David,
Paula Machado,
Carolina Araujo Rodrigues

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Nephrology

versão impressa ISSN 0101-2800versão On-line ISSN 2175-8239

J. Bras. Nefrol. vol.37 no.3 São Paulo jul./set. 2015

http://dx.doi.org/10.5935/0101-2800.20150048

Introdução

O micofenolato mofetil (MMF, Cellcept®, Roche, Nutley, NJ) é uma pró-droga esterificada do ácido micofenólico (MPA) que inibe a enzima inosina monofosfato desidrogenase e, consequentemente, a via da síntese de novodo nucleotídeo guanosina. Diferentemente de outras linhagens celulares, os linfócitos T e B dependem dessa via para síntese de purinas, que são essenciais para proliferação celular.1

O MMF foi introduzido no mercado norte-americano em 1995 e no mercado brasileiro em 1998. Seu uso em combinação a outro imunossupressor da classe dos inibidores de calcineurina está associado a excelentes resultados de eficácia a curto e longo prazo após o transplante renal: melhora na sobrevida do enxerto e redução na incidência de rejeição aguda.2

No entanto, eventos adversos gastrointestinais relacionados ao uso de MPA podem limitar a qualidade de vida dos pacientes e sua adesão ao tratamento. Na prática clinica, as reduções de doses, interrupções ou descontinuações de MMF devido a esses eventos ocorrem em aproximadamente 50% dos pacientes, limitando ou comprometendo a eficácia do tratamento.3,4

A forma entérica do MPA (EC-MPS, micofenolato sódico de revestimento entérico, Myfortic ®, Novartis Pharma AG; East Hanover, NJ), indicado para a profilaxia da rejeição aguda no transplante renal, foi desenvolvida com a intenção de reduzir os eventos adversos gastrointestinais associados ao MPA. Devido ao revestimento entérico, essa formulação permite que a liberação do MPA seja retardada até o duodeno, onde o pH entérico é aproximadamente 5, evitando assim os eventos gastrointestinais associados.1

A equivalência terapêutica de MMF e MPS foi avaliada em um estudo de fase III, multicêntrico, randomizado, duplo-cego, de grupo paralelo com 423 receptores de transplante renal de novo. Nesse estudo, a falha de tratamento (definida como rejeição aguda confirmada por biópsia, perda do enxerto, óbito e perda de seguimento após 6 meses de transplante) foi similar entre os tratamentos (25,8 versus 26,2% para EC-MPS e MMF, respectivamente). Houve uma tendência de menor frequência de reduções de doses de EC-MPS (15%) comparado a MMF (19,5%), mas não houve diferença na incidência de eventos adversos gastrointestinais entre esses dois tratamentos.5

Por outro lado, estudos retrospectivos que avaliaram a tolerabilidade de EC-MPS comparada a MMF apresentaram menor incidência de eventos adversos e necessidade de redução de doses em pacientes com EC-MPS.6,7

Resultados favoráveis para o EC-MPS também foram observados em estudos abertos e prospectivos que avaliaram a conversão de MMF para EC-MPS e mostraram uma redução significativa de eventos adversos gastrointestinais e melhora na qualidade de vida.8,9

Diante dos resultados conflitantes já publicados, o presente estudo avaliou retrospectivamente a tolerabilidade de EC-MPS e MMF em receptores de transplante renal acompanhados em centros brasileiros.

Métodos

Esse estudo retrospectivo e multicêntrico incluiu 1380 pacientes que foram submetidos a um transplante renal de novo entre 1º de julho de 2004 e 31 de julho de 2007 em 18 centros. O estudo foi aprovado pelos comitês de ética em pesquisa de cada centro.

População de estudo

A população de estudo foi composta por receptores adultos de transplante renal, de doadores vivos ou falecidos, que iniciaram tratamento imunossupressor primário com MMF ou EC-MPS combinado a um inibidor de calcineurina e corticosteroides. Foram excluídos do estudo pacientes que receberam transplante duplo (pâncreas-rim) ou de outros órgãos sólidos, pacientes em monoterapia com MPA ou combinado a inibidor do sinal de proliferação (sirolimo ou everolimo) e pacientes que perderam o enxerto devido a causas técnicas ou que não apresentaram função primária.

Imunossupressão

Todos os pacientes receberam imunossupressão inicial com MMF ou EC-MPS combinada a ciclosporina ou tacrolimo e corticosteroides, com ou sem indução com anticorpos monoclonais ou policlonais. Os critérios para indução e doses dos imunossupressores, assim como tratamentos profiláticos concomitantes, foram seguidos conforme pratica de cada centro. O mesmo ocorreu para a redução ou interrupção do tratamento com MPA.

Parâmetros e desfechos avaliados

Para análise de eficácia, avaliamos o desfecho composto de falha de eficácia, que incluiu rejeição aguda confirmada ou não por biópsia, perda do enxerto e óbito.

Entre os parâmetros de segurança avaliados, estão: a incidência de eventos adversos gastrointestinais, função renal, tempo de hospitalização e episódios de infecção.

Para avaliação da tolerabilidade, foram obtidas informações sobre redução (qualquer redução na dose diária total) e interrupção (interrupção completa da terapia baseada em MPA) de MMF e EC-MPS.

Dados de cada paciente foram obtidos retrospectivamente a partir do transplante até 12 meses de acompanhamento ou até 24 meses no caso dos pacientes transplantados entre 2004 e 2005.

Análise estatística

O teste t de Student foi usado para comparar os dados quantitativos entre os grupos de tratamento desde que fossem variáveis homogêneas com hipóteses de normalidade aceitas. Caso contrário, os dados foram analisados pelo teste não paramétrico de Mann- Whitney. Os dados qualitativos (redução e interrupção de doses, eventos adversos, infecções) foram comparados entre os grupos utilizando o teste do Qui-quadrado ou o teste exato de Fisher quando apropriado. A curva de sobrevida cumulativa livre de redução ou interrupção de MPA (curva de Kaplan Meier ) foi analisada com o uso do teste de long rank. Todos os testes estatísticos foram bilaterais com um nível de significância de p < 5%.

Resultados

Características demográficas e clínicas

A coorte final foi composta por 1380 pacientes, sendo 702 no grupo EC- MPS e 678 no grupo MMF. As principais características clínicas e demográficas estão descritas na Tabela 1. A idade média dos pacientes foi de 42,3 (± 12,3) anos, 60% era do gênero masculino e 62,5%, de etnia caucasiana. No geral, cerca de 20% dos pacientes apresentaram glomerulonefrite como etiologia da doença de base enquanto 21,5% por causas desconhecidas. Comparando os dois grupos de tratamento, observamos que o grupo EC-MPS apresentou mais receptores de rim de doadores falecidos e entre eles houve também uma incidência maior de doadores com critérios expandidos em relação ao grupo MMF. Cerca de 50% dos pacientes receberam algum tipo de indução, sendo o antagonista do receptor da interleucina 2 o anticorpo mais utilizado (32,2%). Quanto ao inibidor de calcineurina utilizado, 73% dos pacientes utilizaram tacrolimo e 27% ciclosporina, sem diferença entre os grupos, como demonstrado na Tabela 2.

Tabela 1 Características demográficas 

Parâmetros Total (N =1380) EC- MPS (N = 702) MMF (N = 678)
Idade, anos 42,3 ± 12,3 43,0 ± 12,4 41,7 ± 12,2
Gênero (%)      
Masculino      
Feminino* 55,9 58,8 52,8
Etnia (%) 44,1 41,2 47,2
Caucasiano 62,5 61,4 63,5
Negro 16,0 18,7 13,3
Oriental 0,5 0,3 0,8
Outras 16,5 16,1 16,9
Etiologia da doença renal (%)      
Diabetes mellitus 6,7 6,7 6,7
Glomerulonefrite 20,4 16,3 24,7
Desconhecida 21,5 24,4 18,5
Outras 51,3 52,6 50,0
Tempo em diálise, meses 44,6 ± 40,5 46,1 ± 39,2 43,0 ± 41,9
Re-transplante (%) 5,3 6,1 4,7
Doador, falecido (%)* 54,5 62,3 46,3
Doador de critério expandido (%)* 13,9 16,6 9,7
Tempo de isquemia fria, horas 20,9 ± 6,6 20,5 ± 6,6 21,3 ± 6,6

*p < 0,05.

Tabela 2 Terapia imunossupressora inicial 

Indução e terapia imunossupressora EC-MPS MMF
Indução (%)    
Anti- IL2R 34,3 30
OKT3 0,09 1,2
Timoglobulina 17,1 12,2
Sem indução 47,7 56,6
Inibidor de calcineurina (%)    
Ciclosporina 25,3 27,9
Tacrolimo 74,5 71,6
Micofenolato, g 1350,1 ± 240,5 19274 ± 299,0
Prednisona (%) 99,7 99,4

Eficácia

A incidência de eventos avaliados no desfecho composto de eficácia não foi diferente entre os grupos ao final de 24 meses de acompanhamento (22,9% para EC-MPS vs. 19,9% para MMF, p = 0,203). Os eventos individuais de rejeição aguda, perda do enxerto e óbito também não foram diferentes entre os grupos, como demonstrado na Tabela 3.

Tabela 3 Desfechos de eficácia 

Desfechos (%) EC-MPS MMF
Função tardia do enxerto* 62 51
Rejeição aguda, tratada 49,4 50,5
Rejeição aguda, comprovada por biópsia 19,1 16,7
Perda do enxerto 3,8 2,4
Óbito 2,6 2,1

*p <0,005.

Segurança

Os pacientes tratados com EC-MPS apresentaram maior incidência de eventos adversos gastrointestinais comparados com os pacientes tratados com MMF (57,7% versus 52,5%), mas não houve diferença estatística entre os grupos. Os eventos mais reportados foram diarreia (45,2 vs. 37,4%), dor abdominal superior (10,9 vs. 10,3%), vômito (8,3 vs. 10,1%), dor abdominal (8,1 vs. 8,7%) e náusea (4,8 vs. 8,7%), para MPS e MMF, respectivamente. Esse resultado foi verificado tanto nos eventos gastrointestinais gerais quanto aqueles com intensidade moderada a grave, apenas.

A incidência de função tardia do enxerto (FTE) foi significativamente maior no grupo EC-MPS (62%) comparado com o grupo MMF (51%), p = 0,007.

A função renal avaliada durante esse período não foi diferente entre os grupos, sendo o valor médio de TGF de 60,6 ± 24,8 ml/min para EC-MPS e 59,9 ± 20,7 ml/min para MMF, ao final de 24 meses de transplante, p = 0,311. O mesmo ocorreu na análise de proteinúria.

O tempo médio de internação hospitalar logo após o transplante foi maior para os pacientes do grupo EC- MPS (22,4 ± 31,7 dias) comparado com o grupo MMF (18,6 ± 34,9 dias), p = 0,035.

Episódios de infecção também foram mais comuns no grupo EC-MPS comparado com MMF (69,0 versus 54,8%), sendo as mais frequentes: infecção do trato urinário e infecção por citomegalovírus. Uma subanálise considerando apenas as infecções virais revelou uma incidência de 38,2% entre os pacientes do grupo EC-MPS comparada a 32,6% do grupo MMF, p = 0,051.

Tolerabilidade

As doses dos dois fármacos foram ajustadas de forma equimolar (360 mg de MPS equivalentes a 500 mg de MMF) e não houve diferença nos valores médios de dose tolerada no final 12 meses (1187 ± 344 mg vs. 1209 ± 426 mg, p = 0,294) e 24 meses (1172,3 ± 347 mg vs. 1197,4 ± 430,6 mg, p = 0,241) após o transplante.

A necessidade de redução de doses e interrupção do tratamento foi maior no grupo MMF comparado com EC-MPS, tanto nos primeiros 12 meses (76% vs. 65%, p < 0,001) quanto após 24 meses de transplante (79 vs. 84%, p = 0,015), Tabela 4.

Tabela 4 Redução e descontinuações das doses de micofenolato 

  EC-MPS MMF
12 meses* 64,7 75,9
24 meses* 78,8 84,1

*p < 0,05.

No entanto, tanto no grupo MMF quanto no EC-MPS, o principal motivo de descontinuação do tratamento foi administrativo, decorrente de mudança de medicamento fornecido gratuitamente pela secretaria de saúde dos estados brasileiros. Em alguns estados, o MMF foi substituído por EC-MPS e, em outros estados, ocorreu o oposto. Essa situação foi responsável por 46% das descontinuações no grupo MMF e 24% no grupo EC-MPS. O segundo motivo mais comum para descontinuações nos dois grupos foram eventos gastrointestinais (18 vs. 21%), seguido de causas desconhecidas ou não reportadas (14 vs. 17% para MMF e EC-MPS, respectivamente).

As Figuras 1A e 1B representam a análise de Kaplan-Meier para taxa de redução e interrupção de MPA por grupo de tratamento em 12 e 24 meses, respectivamente.

Discussão

As reduções ou omissões de doses e a falta de adesão ao tratamento com MPA em consequência dos eventos gastrointestinais foram previamente reportadas como riscos para rejeição aguda3,4 e perda do enxerto,4 além de maior custo associado ao tratamento em curto prazo.10,11

Nesse estudo retrospectivo, além da semelhança nas doses médias toleradas de MPA no final de 12 e 24 meses após o transplante, não foi possível avaliar diferenças de tolerabilidade, devido ao elevado número de casos em que as mudanças de tratamento foram por causas administrativas e não clínicas.

As incidências de eventos gastrointestinais e infecções virais foram maiores em pacientes com EC-MPS, mas a diferença não foi estatisticamente significante. Aqui, merecem considerações os seguintes parâmetros demográficos e clínicos dos pacientes tratados com EC-MPS que possam ter afetado os desfechos clínicos, pois atribuíram maiores riscos a esse grupo: maior tempo em diálise, maior número de retransplantes e maior número de doadores com critério expandido. A maior incidência de FTE e tempo de hospitalização mais prolongado confirmaram o risco esperado nesse grupo de pacientes.

O resultado de FTE também pode ter contribuído para maior incidência de eventos adversos entre os pacientes que utilizaram EC-MPS, uma vez que a função renal insatisfatória pode influenciar a exposição ao MPA devido à redução da excreção de MPAG (glicuronídeo fenólico, principal metabólito do MPA).12 Além disso, uremia elevada reduz a ligação do MPA à albumina, aumentando a concentração de MPA livre.13 Pacientes em FTE apresentam, portanto, exposição maior ao MPA, o que pode levar à maior toxicidade relacionada nesse período.1

Nesse estudo, o grupo de pacientes tratados com EC-MPS recebeu mais tratamento de indução com anticorpos, em relação ao grupo tratado com MMF. A indução é um conhecido fator de risco associado à infecção viral, que também foi numericamente superior nos pacientes desse grupo.

Estudos observacionais com amplo banco de dados mostraram que reduções nas doses de micofenolato aumentam o risco de rejeição aguda e perda do enxerto.5,6 Recentemente, uma avaliação retrospectiva de 1709 receptores de transplante renal que receberam MMF (1111) ou EC-MPS (598) mostrou que, apesar das semelhanças entre os grupos na sobrevida do enxerto e função renal, a incidência de rejeição aguda comprovada por biópsia foi significativamente maior na coorte tratada com MMF (30,2% vs. 21,9%) após 2 anos.6 Uma análise retrospectiva de 379 pacientes mostrou menor incidência de rejeição aguda confirmada por biópsia no tratamento com EC-MPS (14%) comparado com MMF (23,1%); no entanto, não houve diferença na incidência de eventos gastrointestinais entre os grupos.14 Outra análise que compilou os resultados de vários estudos prospectivos mostrou menor falha de tratamento em receptores de transplante renal tratados com EC-MPS (23,9%) comparado com MMF (28,9%).5

Diferentemente desses estudos já publicados, nesta série não houve diferença na incidência de rejeição aguda confirmada por biópsia, apesar do maior risco imunológico observado no grupo com EC-MPA.

As limitações do estudo são relevantes e devem ser consideradas: além da natureza retrospectiva da análise, alterações no tratamento por causas não clínicas, relacionadas ao fornecimento dos medicamentos, influenciaram diretamente as análises do estudo. Além disso, elevado número de informações ausentes como, por exemplo, os motivos para reduções de doses, limitou as comparações entre os grupos. Outra limitação foi a distribuição dos pacientes no período do estudo (de 2004 a 2009): a maior parte de pacientes em uso de EC-MPS foi acompanhada nos últimos 2 anos. Nessa condição, é importante considerar que a comunidade médica teve um período de aprendizado com MMF e a prática adquirida com MMF pode facilitar o tratamento de pacientes com EC-MPS.

Conclusão

A dose média tolerada de MPA foi semelhante entre os grupos. Apesar dos parâmetros demográficos e clínicos de maior risco no grupo EC-MPS, não houve diferença estatística na incidência de rejeição aguda, FTE e eventos gastrointestinais entre os tratamentos.

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