Avaliação do volume renal total por imaginologia na DRPAD

Avaliação do volume renal total por imaginologia na DRPAD

Autores:

Gioacchino Li Cavoli,
Francesca Finazzo,
Rosalia Mongiovi,
Luisa Bono,
Angelo Ferrantelli,
Vitalba Azzolina,
Calogera Tortorici,
Barbara Oliva,
Antonio Amato,
Carlo Giammarresi,
Carmela Zagarrigo,
Camillo Carollo,
Franca Servillo,
Onofrio Schillaci,
Angelo Tralongo

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Nephrology

versão impressa ISSN 0101-2800versão On-line ISSN 2175-8239

J. Bras. Nefrol., ahead of print Epub 17-Abr-2020

http://dx.doi.org/10.1590/2175-8239-jbn-2019-0218

Prezado Editor:

A doença renal policística autossômica dominante (DRPAD) afeta cerca de 12 milhões de indivíduos em todo o mundo e figura como a mais comum das doenças renais hereditárias. A imaginologia radiológica desempenha um papel fundamental em seu manejo bem-sucedido. Até recentemente, os tratamentos visavam apenas o controle de sintomas, mas a EMA em 2017 e o FDA em 2018 aprovaram o tolvaptan para o tratamento da DRPAD. A imaginologia renal proporciona importantes orientações diagnósticas e dados para o manejo e monitoramento da progressão da doença. No passado, as imagens radiográficas padrão não forneciam a precisão necessária para avaliar o volume renal com confiabilidade. Com os avanços na tecnologia diagnóstica, o crescimento do volume renal foi promovido ao papel de principal marcador preditor substituto para o declínio da função renal na DRPAD. O papel do volume renal total (VRT) tem sido desde então investigado como medida de desfecho substituta em ensaios clínicos randomizados. O VRT pode ser medido por ultrassonografia (US), tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) por meio de técnicas de processamento de dados manuais, semiautomáticas ou totalmente automatizadas.1 A US é o primeiro passo para a avaliação da progressão da DRPAD, mas suas imprecisões limitam sua aplicação na prática clínica. Em relação ao monitoramento da progressão da DRPAD, rins com comprimento >17 cm não devem ser submetidos a exame ultrassonográfico.2 Medidas precisas do VRT podem ser obtidas por planimetria ou estereologia de imagens de TC/RM. A TC fornece medições precisas e confiáveis do VRT e do volume de cistos na DRPAD, mas não é rotineiramente utilizada em estudos diagnósticos ou de seguimento por expor os pacientes a radiação. TC é mais onerosa que US, que por sua vez é mais amplamente disponível e acessível que a primeira, ainda que apresente maior variabilidade interobservadores do que a RM. Tais elementos elevam a complexidade da avaliação da progressão da doença ao longo do tempo e exigem um registro preciso dos diâmetros renais reformatados para reproduzir as imagens. Medições precisas e reprodutíveis de VRT por meio de protocolo de TC de ultra baixa dose e medição de volume são comparáveis ao padrão de referência com planimetria de RM. Portanto, o protocolo de CT de ultra baixa dose representa uma alternativa viável em locais onde o acesso à RM é limitado. As diretrizes da ERA-EDTA recomendam que a RM seja utilizada na prática clínica para identificar pacientes com DRPAD com doença de rápida progressão.3 Portanto, a medição por ressonância magnética do VRT é considerada o padrão ouro para avaliar a resposta terapêutica a novos medicamentos desenvolvidos para retardar a progressão da doença (Figura 1).

Figura 1 Corte axial ponderado em T1 (RM): múltiplos cistos nos dois rins, a maioria hipointensa (cistos simples) e alguns hiperintensos (produtos de degradação do sangue ou material proteináceo ou coloide). Cistos hepáticos. 

Com o auxílio da ressonância magnética de alta resolução, o Consortium of Radiologic Imaging Studies of PKD (CRISP), um estudo de coorte observacional com indivíduos com DRPAD, investigou a progressão da doença, destacando que a RM media com precisão e confiabilidade o VRT de rins císticos.4 A experiência do CRISP foi posteriormente utilizada pelo Mayo Clinic Translational Polycystic Kidney Disease Center para identificar critérios baseados em imaginologia e VRT ajustado para estatura (ht-VRT) determinado por CT/RM usando a equação do elipsoide, produzindo uma classificação prática para pacientes com DRPAD típicos e atípicos. O ht-VRT e alterações na TFGe ao longo do tempo apresentaram fortes associações em pacientes típicos.5 Tais indivíduos podem ser atrelados a uma de cinco subclasses (1A a 1E) à medida que o ht-VRT se eleva com o tempo. Há evidências crescentes para corroborar a importância do ht-VRT como marcador prognóstico na DRPAD. A classificação com base no ht-VRT e na idade desempenha um papel central no manejo dos pacientes e permite avaliar o risco de progressão da doença.

REFERÊNCIAS

1 A.B. Chapman, O. Devuyst, Kai-Uwe Eckardt, R.T. Gansevoort, T. Harris, S. Horie et al. Autosomal Dominant Polycystic Kidney Disease (ADPKD): Executive Summary from a Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) Controversies Conference Kidney Int. 2015 July ; 88(1): 17-27.
2 Magistroni R, Corsi C, Martí T, Torra R. A Review of the Imaging Techniques for Measuring Kidney and Cyst Volume in Establishing Autosomal Dominant Polycystic Kidney Disease Progression. Am J Nephrol. 2018;48(1):67-78.
3 Gansevoort RT, Arici M, Benzing T, Birn H, Capasso G, Covic A, et al. Recommendations for the use of tolvaptan in autosomal dominant polycystic kidney disease: a position statement on behalf of the ERA-EDTA Working Groups on Inherited Kidney Disorders and European Renal Best Practice. J Am Soc Nephrol 2016; 31: 337-348.
4 Chapman AB, Bost JE, Torres VE, et al. Kidney volume and functional outcomes in autosomal dominant polycystic kidney disease. Clin J Am Soc Nephrol 2012; 7: 479-486.
5 Irazabal MV, Rangel LJ, Bergstralh EJ et al. Imaging classification of autosomal dominant polycystic kidney disease:a simple model for selecting patients for clinical trials. J Am Soc Nephrol 2014; 26: 160-172
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