Avaliação funcional do movimento: incidência do valgo dinâmico do joelho em mulheres praticantes de musculação e sedentárias

Avaliação funcional do movimento: incidência do valgo dinâmico do joelho em mulheres praticantes de musculação e sedentárias

Autores:

Racklayne Ramos Cavalcanti,
Vitória Regina Quirino de Araújo,
Danilo de Almeida Vasconcelos,
Windsor Ramos da Silva Júnior

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão impressa ISSN 1809-2950versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.26 no.2 São Paulo abr./jun. 2019 Epub 18-Jul-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1809-2950/17017026022019

RESUMEN

La evaluación del movimiento se hace importante y necesaria para la identificación de los riesgos de lesión, posibilitando la elaboración de programas de ejercicios preventivos y correctivos, buscando la mejora del desempeño de las actividades funcionales y el consiguiente bienestar. El objetivo de este estudio fue analizar y comparar la incidencia del valgo dinámico de la rodilla en mujeres practicantes de musculación y mujeres sedentarias, e identificar los síntomas álgicos y el potencial de lesión asociados a esa alteración biomecánica. Sesenta mujeres fueron divididas en dos grupos: practicantes de musculación y sedentarias, con edad entre 18 y 30 años. Los datos fueron recolectados a través del sistema Functional Movement Screen y sometidos a análisis estadístico descriptivo e inferencial. El valgo dinámico de la rodilla fue presentado por el 60% de las mujeres sedentarias y por el 33,3% de las mujeres practicantes de musculación, demostrando asociación entre el valgo dinámico y el sedentarismo (p<0,03). En los dos grupos no hubo asociación entre el dolor y el valgo dinámico de la rodilla (p>0,06). De las mujeres sedentarias, el 50% presentó puntuación FMS menor que seis puntos, representando alto riesgo de lesión. Se concluye que las mujeres sedentarias presentan mayor predisposición al valgo dinámico de la rodilla, mayor sintomatología dolorosa y mayor riesgo de lesión en los miembros inferiores.

Palabras clave Fisioterapia; Valgo de la Rodilla; Movimiento

INTRODUÇÃO

A população tem buscado formas de melhorar suas condições de saúde e sua qualidade de vida1. Dentre as alternativas amplamente divulgadas a musculação é a prática mais procurada por indivíduos de diversas faixas etárias e classes socioeconômicas e de ambos os gêneros2, uma vez que trabalha grupos musculares específicos nos mais variados tipos de movimentos, utilizando inúmeros equipamentos especializados3. Apesar da importância da atividade física na manutenção de um padrão de vida saudável, sua prática inadequada ou acompanhada de profissionais despreparados pode determinar o aumento na frequência de lesões4),(5, tornando os praticantes de musculação susceptíveis às lesões osteomusculares, ligamentares e cartilaginosas5),(6.

Dentre os segmentos corporais mais acometidos durante a prática de musculação, o joelho apresenta incidência elevada, em decorrência da sua pouca estabilidade intrínseca, dependendo de estruturas musculares e ligamentares para sua estabilização6. Em meio aos fatores que predispõem às lesões nessa articulação, destaca-se o valgo dinâmico, que é caracterizado pelo desalinhamento do membro inferior no plano frontal, ocasionado pela adução e rotação medial do quadril, sendo diretamente influenciado pela estrutura corporal e pela incapacidade de estabilização da musculatura rotadora externa do quadril, especificamente o glúteo médio, na realização dos padrões de movimentos funcionais7)-(9. As mulheres apresentam diferenças biomecânicas do padrão de movimento do membro inferior quando comparadas aos homens, devido a fatores anatomofisiológicos, como pelve mais larga, retardo na ativação da musculatura medial do joelho, menor rigidez articular e massa corpórea, contribuindo para a maior incidência do valgo dinâmico observada nesse gênero10.

A identificação do valgo dinâmico é muito importante para a prevenção de lesões na articulação do joelho, bem como para a prescrição da atividade física adequada para a biomecânica corporal de cada indivíduo. Deste modo, em 1997 foi criada por Cook et al.11 a Functional Movement Screen (FMS) que surgiu como opção de análise da qualidade do movimento sob o ponto de vista funcional, tendo como base os desequilíbrios musculares e compensações corporais que podem ocasionar lesões musculoesqueléticas. Essa ferramenta é capaz de auxiliar a triagem para o risco de lesões e a identificação dos padrões de movimento que possam ser corrigidos ou estabilizados com um treinamento adequado, oferecendo meios para reconhecer e melhorar quaisquer segmentos fracos que comprometam o corpo e seu movimento saudável11.

Portanto, o objetivo desse estudo foi analisar e comparar a incidência do valgo dinâmico do joelho em mulheres praticantes de musculação e mulheres sedentárias, bem como identificar os sintomas álgicos e o potencial de lesão associados a essa alteração biomecânica. Levantou-se a hipótese de que as mulheres praticantes de musculação apresentariam baixa incidência do valgo dinâmico do joelho em comparação com as mulheres sedentárias.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, comparativo e transversal. Os dados foram coletados durante o mês de novembro de 2016, numa academia de médio porte, especializada em treinamento muscular, na cidade de Campina Grande/PB e nos laboratórios multifuncionais do Departamento de Fisioterapia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Sessenta participantes aparentemente saudáveis, do sexo feminino, com idade entre 18 e 30 anos participaram deste estudo e foram divididas em dois grupos: praticantes de musculação (grupo 1) e sedentárias (grupo 2). Para serem incluídas na amostra, as mulheres praticantes de musculação deveriam apresentar a faixa etária estabelecida e praticar a musculação regularmente, por no mínimo três meses numa frequência de três vezes por semana. Para compor o grupo de mulheres sedentárias, elas deveriam estar sem praticar atividade física regular por um período mínimo de três meses. Foram excluídas da amostra aquelas que apresentaram lesão musculoesquelética, comorbidades ou histórico cirúrgico em membros inferiores (MMII) que impediram ou limitaram a realização da avaliação.

Para a caracterização da amostra utilizou-se uma ficha de avaliação contendo dados sociodemográficos, antropométricos (massa corporal, altura) e história de doenças pregressas nos MMII das participantes. Foram solicitadas informações ao grupo 1 acerca da prática de atividade física, tais como: tempo de prática da musculação, frequência semanal e ocorrência de lesão durante o tempo de prática. Com o indivíduo na posição ortostática, no repouso imediato após a execução dos testes da FMS, foi aplicada a escala visual analógica (EVA) para avaliar a dor articular ou muscular nos MMII de ambos os grupos.

Para avaliar os movimentos, foi utilizada a FMS, que consiste em sete testes que avaliam a estabilidade do tronco, a amplitude de movimento e a qualidade da simetria durante a realização de movimentos funcionais básicos. É composto por sete testes funcionais: agachamento profundo, passo sobre a barreira, avanço sobre linha, mobilidade da cintura escapular, elevação ativa unilateral de perna estendida, flexão de cotovelo com estabilidade do tronco e estabilidade rotacional. Para o estudo em questão foram realizados apenas os três testes iniciais, visto que estes são direcionados para os membros inferiores.

Para cada teste, os escores variam de 0 a 3 pontos, sendo o escore baseado na qualidade do movimento, presença de assimetrias e dificuldade para completar o teste. Era atribuído escore 3 quando o indivíduo era capaz de realizar o padrão de movimento funcional com perfeição; escore 2 quando o indivíduo era capaz de realizar o padrão de movimento funcional, porém apresentando algumas compensações; escore 1 para o indivíduo incapaz de concluir o padrão de movimento funcional; e escore 0 para o indivíduo que apresentasse dor ao executar o movimento. Por fim, foi realizada a somatória dos escores de cada teste11.

A FMS possui um escore total de 21 pontos (escore máximo de 3 pontos para cada um dos 7 testes), sendo esperado que o indivíduo atinja um escore mínimo de 14 pontos (escore de 2 pontos em cada teste) para baixo risco de lesão11. Neste estudo, por utilizar apenas 3 dos 7 testes da FMS, foi considerado o valor de 9 pontos (escore máximo de 3 vezes 3 testes) como escore total, correspondendo aos itens avaliados, sendo o valor de 6 pontos (escore 2 em cada teste) o escore mínimo para baixo risco de lesão.

Para melhor entendimento da participante da pesquisa e objetivando aferir um melhor resultado, foram realizadas três execuções para todos os testes, sendo utilizada a maior pontuação obtida. Entre cada repetição a participante descansava um minuto. Vale ressaltar que todos os testes foram realizados antes da prática de musculação, para o grupo 1.

O material utilizado foi a régua FMS (dimensões 150cm×15cm, barras paralelas de 80cm de comprimento e um bastão de 100cm de comprimento), sendo conduzida por apenas um avaliador não cego. Considerar o uso de vídeos para dar uma nota seria uma limitação do teste, tendo em vista que a FMS é uma ferramenta desenhada para fornecer uma classificação de performance ao vivo12. Desse modo, não foi utilizada câmera para análises posteriores.

Os dados foram analisados com base na interpretação dos resultados obtidos por meio da avaliação FMS e comparando-os com a literatura existente. Os dados numéricos foram analisados por meio da estatística descritiva (média e desvio-padrão) e inferencial. Para verificar a influência das variáveis (idade, altura, índice de massa corporal, dor e valgo dinâmico do joelho) entre grupos foi usada a análise multivariada de variância (Manova) e, para análise comparativa, empregou-se o teste t para amostras independentes. Para todos os testes estatísticos, foi utilizado o software IBM SPSS (Statistical Package for Social Science) versão 19.0, e o nível de significância <0,05.

RESULTADOS

Os dados referentes à idade e ao índice de massa corporal (IMC) não mostram diferenças significativas, refletindo uma amostra homogênea e não influenciando os valores obtidos durante a avaliação (Tabela 1).

Tabela 1 Caracterização da amostra 

Grupo 1 Grupo 2
Média ± desvio-padrão Frequência (valor absoluto - %) Média ± desvio-padrão Frequência
Idade (anos) 24,4±2,7 - 23,0±3,2 -
IMC (kg/m2) 23,3±9,8 - 21,2±8,9 -
Tempo de prática (meses) 18,1±13,8 - -
Frequência semanal
3 vezes 10 (33,4%) -
4 vezes 5 (16,7%) -
5 vezes 15 (50,0%) -
Dominância
Esquerdo 2 (6,7%) 3 (10,0%)
Direito 28 (93,3%) 27 (90,0%)

Por meio dos três testes da FMS foi observado que, durante a realização do teste do agachamento, apenas 10% das mulheres praticantes de musculação apresentaram o valgo dinâmico, enquanto, no grupo das mulheres sedentárias, 43,3% apresentaram a alteração biomecânica, mostrando maior incidência do valgo dinâmico nesse grupo da amostra. Embora observada discreta diferença, a incidência do valgo dinâmico foi maior nas mulheres sedentárias durante o teste do passo sobre barreira, quando comparada à incidência no grupo das mulheres praticantes. No teste do afundo em linha, a incidência do valgo dinâmico foi maior no grupo das mulheres sedentárias em relação ao grupo das mulheres praticantes.

Tabela 2 Comparação entre os grupos com a presença de valgo dinâmico do joelho 

Presença de valgo p
Sim Não
Grupo
Praticantes 10 (33,3%) 20 (66,6%) 0,03
Sedentárias 18 (60,0%) 12 (40,0%)

Ao comparar a incidência do valgo dinâmico do joelho entre os grupos, notou-se maior frequência da alteração biomecânica no grupo das mulheres sedentárias, quando equiparada ao grupo das mulheres praticantes, havendo diferença estatisticamente significativa (p=0,03) entre os grupos da amostra, confirmando a hipótese formulada.

Tabela 3 Presença de sintomas dolorosos entre os grupos 

Grupo 1 Grupo 2
Média ± desvio-padrão Frequência Média ± desvio-padrão Frequência
Presença de dor
SIM 5 (16,7%) 17 (56,7%)
NÃO 25 (83,3%) 13 (43,3%)
Lado dolorido
Nenhum 25 (83,3%) 13 (43,3%)
Esquerdo 3 (10,0%) 6 (20,0%)
Direito 2 (6,7%) 11 (36,7%)
EVA 0,90±1,86 2,97±3,00
Dor em atividades funcionais
Subir escadas 1 (2,7%) 3 (8,1%)
Descer escadas 1 (2,7%) 2 (5,4%)
Agachar 1 (2,7%) 10 (27,0%)
Ajoelhar 1 (2,7%) 4 (10,8%)
Sentar por tempo prolongado 1 (2,7%) 6 (16,2%)
Saltar - 2 (5,4%)
Correr 1 (2,7%) 5 (13,5%)
Caminhar longas distâncias - 5 (13,5%)

Ao analisar os sintomas álgicos (Tabela 3), 56,7% do grupo 2 queixou-se de dor nos MMII, sendo mais prevalente no membro dominante. O percentual de sintomas dolorosos das integrantes da amostra do grupo 1 foi de apenas 16,7%.

Tabela 4 Associação da presença do valgo dinâmico do joelho com a presença de dor 

Presença de dor p
Sim Não
Presença de valgo
Sim 14 (48,3%) 15 (51,7%) 0,06
Não 8 (25,8%) 23 (74,2%)

Ao correlacionar a presença de dor com a incidência do valgo dinâmico, 48,3% da amostra apresentou a alteração biomecânica associada aos sintomas álgicos, não havendo diferença significativa (p=0,06) na comparação entre essas variáveis, rejeitando a hipótese de que a dor estaria associada ao valgo dinâmico do joelho.

Tabela 5 Potencial de lesão 

Escore Grupo 1 Grupo 2
≤5 2 (6,7%) 15 (50,0%)
≥6 28 (93,3%) 15 (50,0%)

Analisando o potencial de lesão por meio do escore da FMS, pode-se observar que 50,0% do grupo 2 apresentou escore abaixo de 6 pontos, o que representa alto risco de lesão nos MMII quando comparado ao escore obtido pelo grupo 1, no qual 6,7% da amostra obteve escore abaixo de 6 pontos.

DISCUSSÃO

O valgo dinâmico do joelho tem como fator desencadeante alterações biomecânicas do pé, fraqueza da musculatura pélvica (core) e, principalmente, fraqueza dos músculos rotadores externos do quadril6),(13),(14, que ocasionam a queda da pelve contralateral e o aumento do valgo dinâmico durante movimentos funcionais15. Tais evidências foram reproduzidas neste estudo, uma vez que mulheres sedentárias apresentaram maior incidência do valgo dinâmico do joelho, bem como maior predisposição a risco de lesão nos MMII.

Os resultados encontrados neste estudo concordam com os estudos supracitados, demonstrando que o fortalecimento da musculatura por meio da prática de musculação se mostrou eficaz para o desenvolvimento e manutenção da adequada biomecânica corporal16. Por outro lado, indivíduos sedentários são mais propensos a desencadearem disfunções musculoesqueléticas devido ao desequilíbrio entre as forças musculares exercidas na articulação do joelho, o que gera desalinhamento articular e maior predisposição à lesão dessa articulação nas atividades funcionais básicas do dia a dia8),(17.

A incidência do valgo dinâmico do joelho foi maior nas mulheres sedentárias, corroborando o estudo18 desenvolvido que observou que a prática adequada e a intensidade certa do exercício físico proporcionam melhor integridade funcional dos joelhos em praticantes de musculação, protegendo, estabilizando e permitindo uma boa função mioarticular dessa articulação.

Vale ressaltar que as alterações no alinhamento do MMII geram uma série de prejuízos funcionais, elevando o risco de lesões ligamentares, síndromes compressivas, síndrome patelofemoral, dores articulares e redução de desempenho nas atividades funcionais13),(19. Nesse sentido, a fisioterapia possui papel indispensável na prevenção e no tratamento dessas alterações biomecânicas por meio de técnicas de conscientização e correção postural, alongamento e fortalecimento muscular das estruturas envolvidas, eliminando padrões de movimentos compensatórios e proporcionando melhora do alinhamento dessa articulação.

Quanto à sintomatologia dolorosa, ao serem questionadas em qual atividade funcional a dor era mais frequente, o grupo 2 se queixou de dor ao agachar, ao sentar por tempo prolongado e ao correr ou caminhar por longas distâncias. Os valores encontrados no grupo 1, que contemplou as diversas opções de atividades funcionais, não foram suficientemente significantes, mas requer atenção dos profissionais que as acompanham a fim de evitar sintomas futuros. Tais resultados reforçam a importância do fortalecimento muscular das estruturas envolvidas para o melhor desempenho dessas atividades funcionais.

Ao correlacionar a presença de dor com a incidência do valgo dinâmico, não houve diferença estatisticamente significativa entre essas variáveis, corroborando o estudo já realizado20 que objetivou verificar a relação entre o ângulo-q com a intensidade da dor e a capacidade funcional, não encontrando qualquer relação entre o valgo do joelho e essas variáveis. Resultados semelhantes já haviam sido encontrados21 ao verificar se o aumento do ângulo-q levaria ao aumento da dor no joelho.

Considerando o potencial de lesão, estudos demonstram que por meio do escore total da FMS é possível caracterizar o risco para futuras lesões, sendo observado que um escore maior está relacionado com a menor propensão à lesão, e escores menores aumentam o risco de lesões12),(22), (23), (24. Os resultados encontrados no estudo evidenciam a importância da prática da atividade física para o bem-estar corporal, sendo o treinamento de força um dos métodos mais eficazes para a manutenção da funcionalidade, força muscular e da saúde. Os baixos escores identificados são reflexos de padrões de movimentos inadequados22),(24, sendo necessário o cuidado na indicação e prescrição do exercício, respeitando as limitações de cada indivíduo6 para que os ganhos da atividade física sejam obtidos.

O fortalecimento muscular proporcionado pela prática da musculação mostrou ser um método eficaz para a aquisição e/ou manutenção do bom equilíbrio da biomecânica corporal, bem como para a prevenção de lesões osteomioarticulares. Da mesma maneira, a FMS se apresenta como método avaliativo eficaz para prevenir lesões e análise de desempenho durante atividades físicas e esportivas12. Para tanto, é indispensável o papel do fisioterapeuta no conhecimento dos mecanismos de lesões e na realização de uma avaliação física detalhada, a fim de embasar a aplicação dos exercícios terapêuticos e propor as intervenções mais adequadas para cada indivíduo.

Este estudo possuiu algumas limitações. Considerando a natureza transversal, o fato de não ter avaliado as praticantes de musculação antes de começarem a prática e não poder acompanhá-las, impediu conclusões mais definitivas. Pode representar um viés o fato de o pesquisador não ter sido cegado. A escassez da literatura para embasar o estudo foi uma dificuldade encontrada. Neste caso, sugerem-se maiores pesquisas sobre a aplicação da FMS como método de avaliação adjuvante ao tratamento fisioterapêutico de disfunções osteomioarticulares.

CONCLUSÃO

Em conclusão, observou-se que as que mulheres sedentárias têm maior incidência do valgo dinâmico do joelho quando comparadas às mulheres praticantes de musculação. As alterações biomecânicas nas mulheres sedentárias se tornaram mais evidentes de maneira qualitativa por meio das posturas adotadas durante a realização dos testes da FMS; e de maneira quantitativa pelo menor escore obtido, refletindo um considerável risco de lesões nos MMII dessa população.

O desequilíbrio muscular e o retardo da ativação do complexo posterolateral do quadril, responsável pelo aumento do ângulo-q, podem ser fatores predisponentes para que as mulheres sedentárias deste estudo tenham maior ocorrência do valgo dinâmico do joelho, assim como maior sintomatologia dolorosa nas atividades funcionais do dia a dia, levando-as à execução de padrões de movimentos compensatórios e inadequados, diferentemente das participantes praticantes de musculação.

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