Bibliografia comentada sobre medicalização do parto no Brasil, 2001-2017

Bibliografia comentada sobre medicalização do parto no Brasil, 2001-2017

Autores:

Wanda Weltman

ARTIGO ORIGINAL

História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970versão On-line ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.25 no.4 Rio de Janeiro out./dez. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/s0104-59702018000500010

Abstract

An annotated bibliography on the medicalization of childbirth in Brazil from 2001 to 2017. It includes articles published in Brazilian periodicals retrieved from the Scielo, Hisa, and Lilacs databases. The references from the articles are presented, followed by the authors’ abstracts. The aim is to map out what was written about the medicalization of childbirth in Brazil in the period in question in order to make this scholarly output more accessible to students and researchers interested in the subject.

Key words: bibliography; medicalization of childbirth; childbirth; Brazil

Esta bibliografia é dedicada à temática da medicalização do parto no Brasil no período de 2001 a 2017. Ela foi pensada como uma homenagem à historiadora e pesquisadora feminista brasileira Maria Lúcia de Barros Mott, que publicou na revista Estudos Feministas (v.10, n.2, 2002) a “Bibliografia comentada sobre a assistência ao parto no Brasil (1972-2002)”, incluída no dossiê “Parto”, organizado por ela naquele número da publicação (Lago, Tornquist, 2011).

Maria Lucia de Barros Mott nasceu em 1948. Vinte anos depois, começou o curso de história na Universidade de São Paulo (USP). Segundo Lago e Tornquist (2011), as indefinições da juventude a levaram a interromper por vários anos sua graduação, para viajar por diversos países e se dedicar a diferentes atividades. Em 1976, Mott retornou ao Brasil e começou a trabalhar na Fundação Carlos Chagas, passando a se assumir como feminista e pesquisadora (Lago, Tornquist, 2011). Três anos depois concluiu sua graduação. Sem mesmo fazer mestrado, ingressou no doutorado em história social na USP, onde defendeu, em 1988, a tese Parto, parteiras e parturientes, Madame Durocher e sua época (Mott, 1998). De 1999 a 2000, Maria Lucia completou sua formação com um pós-doutorado na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (Tsunechiro, Riesco, Oguisso, 2011).

Maria Lucia fez parte do comitê editorial da revista Estudos Feministas desde a sua criação, em 1992, até 1994 (período no qual a revista foi editada pelo Ciec/ECO/UFRJ) (Lago, Tornquinst, 2011), e trabalhou em diversas instituições de pesquisa, entre elas, o Instituto de Saúde da Secretaria de Saúde de São Paulo (2004-2009) e o também paulista Instituto Butantan (2009-2011). No âmbito da rede de pesquisa Patrimônio Cultural da Saúde, instituída pela Casa de Oswaldo Cruz, coordenou a equipe de São Paulo, que produziu, entre 2007 e 2009, um levantamento das instituições de saúde de São Paulo desde a Colônia até meados do século XX. Tal pesquisa resultou no livro História da saúde em São Paulo: instituições e patrimônio arquitetônico, da coleção História e Patrimônio da Saúde, publicado em outubro de 2011 (Mott, Sanglard, 2011).

Maria Lucia Mott destacou-se como historiadora no campo dos estudos feministas, com contribuições importantes para os estudos sobre mulheres. Sua tese de doutorado levou-a ao estudo das parteiras e da transformação dessa atividade no contexto de medicalização do parto. De forma semelhante, seu pós-doutorado a conduziu aos estudos sobre a trajetória da enfermagem no Brasil. Seus estudos também se mostram uma importante contribuição à história da saúde. Nesse campo, vários subtemas foram explorados em diversos trabalhos, a saber: estudos sobre assistência ao parto e as profissões relacionadas ao nascimento a respeito de instituições de saúde e personagens relevantes para a história do setor e acerca de diferentes aspectos da formação em saúde. Além disso, sua trajetória intelectual inclui pesquisas sobre escravidão. Maria Lucia faleceu em 26 de junho de 2011, em decorrência de um câncer de pulmão.

Nada melhor que as palavras de sua colega Ana Paula Vosne Martins para definir um pouco do perfil dessa historiadora.

Os traços da personalidade e a forma como Maria Lúcia se relacionava com as pessoas e o mundo podem ajudar a entender como ela se direcionou para certas áreas da investigação histórica, abrindo novas frentes de pesquisa, descobrindo acervos documentais ou então lançando outro olhar sobre acervos já conhecidos ou pouco explorados.

Tratar da sua relação com o fazer histórico talvez seja a melhor maneira de homenageá-la ... Maria Lúcia foi uma historiadora militante, porque sempre esteve comprometida com a produção do conhecimento histórico, bem conduzida do ponto de vista teórico e metodológico. Seus temas de pesquisa tinham uma dimensão social e política inegável ao tratar dos ‘recônditos do mundo feminino’ (Martins, 2013, p.1047; destaques no original).

Esta nova bibliografia, além de homenagear Maria Lucia, constitui um instrumento que possibilitará aos estudantes e profissionais interessados pelo tema o mapeamento do que tem sido produzido, mais recentemente, no campo da medicalização do parto no Brasil. Diferentemente do primeiro trabalho, não temos como objeto a assistência ao parto. De forma diversa, e em conformidade com o projeto de pesquisa a que este texto se filia, temos como foco a medicalização do parto. Tal escolha implicou novos critérios de busca de artigos. O levantamento feito por Mott incluiu dissertações, teses, livros, capítulos e outras publicações, solicitadas aos próprios autores. Neste trabalho, em virtude do maior amadurecimento do campo de pesquisas, a busca limitou-se a bases de dados eletrônicas, restringindo-se, portanto, a artigos produzidos em revistas científicas.

O levantamento dos artigos constantes da presente bibliografia foi feito entre junho e agosto de 2017, por meio de buscas em três bases de dados on-line. As bases pesquisadas foram: (a) Scielo (Scientific Electronic Library Online), base de periódicos científicos e eletrônicos coordenada pela Fapesp/CNPq/Bireme/Opas/OMS; (b) Hisa (Base Bibliográfica em História da Saúde Pública na América Latina e Caribe), base bibliográfica desenvolvida pela Biblioteca da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, com apoio da Opas e da Bireme; e (c) Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), base de dados cooperativa do Sistema Bireme. A escolha dessas bases deveu-se à sua importância para as áreas de ciências da saúde, ciências humanas e sociais, campos de conhecimento nos quais o tema da medicalização do parto se insere. O resultado da pesquisa apontou para a preponderância de artigos na base Scielo, embora tenham sido recuperados artigos em todas as três bases.

A estratégia de buscas utilizada associou o tema “Parto” com o local “Brasil” e o período de 2001 a 2017. Definiu-se que seriam incluídos na bibliografia apenas artigos de periódicos e, entre esses, somente os que se configurassem como artigos originais, frutos de pesquisa e revisões de literatura. Após o levantamento inicial, foram selecionados 187 artigos referentes aos diversos aspectos do processo de medicalização do parto. Na apresentação foram incluídos os resumos dos trabalhos, quando necessário, de forma editada, ou acrescido de informações do corpo do artigo. Cabe ressaltar que há temas não contemplados na atual bibliografia que são também caros e importantes para o campo dos estudos sobre gravidez e nascimento no Brasil – aspectos médicos da gravidez e do nascimento, estudos antropológicos sobre atuação das parteiras em diferentes comunidades, trabalhos epidemiológicos etc. –, e espera-se que venham a ser objeto de futuras bibliografias. Os artigos estão apresentados em ordem alfabética, para facilitar a consulta.

REFERÊNCIAS

LAGO, Mara Coelho de Souza; TORNQUIST, Carmen Susana. Maria Lucia de Barros Mott: pesquisadora militante. Revista Estudos Feministas, v.19, n.2, p.634-636. 2011.
MARTINS, Ana Paula Vosne. Uma historiadora militante: Maria Lúcia Mott (1948-2011). Cadernos de Pesquisa, v.43, n.150, p.1.042-1.053. 2013.
MOTT, Maria Lucia. Bibliografia comentada sobre a assistência ao parto no Brasil. Revista Estudos Feministas, v.10, n.2, p.493-507. 2002.
MOTT, Maria Lucia. Parto, parteiras, parturientes: mme. Durocher e sua época. 1998. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo. 1998.
MOTT, Maria Lúcia; SANGLARD, Gisele (Org.). História da Saúde em São Paulo: instituições e patrimônio arquitetônico (1808-1958). São Paulo: Manole. 2011.
TSUNECHIRO, Maria Alice; RIESCO, Maria Luiza Gonzalez; OGUISSO, Taka. Maria Lucia Mott e a parceria com a enfermagem e a obstetrícia. Cadernos de História da Ciência, v.7, n.2, p.111-115. 2011.
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