Câncer de boca e orofaringe: epidemiologia e análise da sobrevida

Câncer de boca e orofaringe: epidemiologia e análise da sobrevida

Autores:

Juliana da Silva Moro,
Marília Cunha Maroneze,
Thiago Machado Ardenghi,
Luisa Machado Barin,
Cristiane Cademartori Danesi

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.16 no.2 São Paulo 2018 Epub 07-Jun-2018

http://dx.doi.org/10.1590/s1679-45082018ao4248

INTRODUÇÃO

As neoplasias de cabeça e pescoço representam um sério problema de saúde pública, devido a alta incidência, prevalência e mortalidade.(¹) Neste grupo, os tumores de boca e orofaringe estão entre os mais frequentes,(2) sendo responsáveis por mais de 219 mil mortes em todo o mundo, em 2012.(3) Aproximadamente 90% dessas malignidades correspondem ao tipo carcinoma de células escamosas (CCE).(4)

O tabagismo e o etilismo estão presentes na maioria dos pacientes diagnosticados com câncer de boca e orofaringe, tornando-os importantes fatores etiológicos.(5) Ainda, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) tem sido associada ao desenvolvimento do câncer de orofaringe.(6)

As taxas de sobrevida em 5 anos dos carcinomas oral e orofaríngeo são aproximadamente 50%, e a maioria desses pacientes sobrevivem pouco tempo após o diagnóstico.(7) Isso se deve ao fato de que a maioria dos tumores é identificada tardiamente, comprometendo o tratamento, o prognóstico e a sobrevida dos pacientes.(8,9) Por isso, a divulgação de informações e dados estatísticos sobre o câncer de boca e orofaringe é necessária, para estimular os profissionais a realizarem ações para detecção precoce, contribuir para um melhor entendimento da doença e de propostas terapêuticas mais viáveis, otimizando, consequentemente, as taxas de sobrevida.(10)

OBJETIVO

Analisar o perfil epidemiológico e a sobrevida dos pacientes diagnosticados com câncer de boca e orofaringe em um hospital universitário.

MÉTODOS

Realizou-se um estudo transversal por meio da análise dos laudos anatomopatológico dos pacientes diagnosticados com câncer de boca e orofaringe em um hospital universitário na Região Sul do país, entre o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2014. Trata-se de um hospital-escola integrado a uma universidade federal no município de Santa Maria (RS), considerado referência para a região centro do Estado.

As informações coletadas estavam armazenadas em um sistema digital, denominado Sistema de Informação para o Ensino, do Departamento de Patologia da universidade. Nestes laudos, foram selecionados os pacientes que tiveram diagnóstico de CCE de boca e orofaringe. As seguintes variáveis foram obtidas: município, sexo, idade, etnia, nível educacional, grau histológico e localização anatômica. Foram excluídos laudos incompletos, e os dados dos pacientes que tiveram recidivas do câncer de boca e orofaringe.

A etnia foi dicotomizada em brancos e não brancos. O nível educacional foi dividido em 8 anos ou menos de educação e mais de 8 anos, e a idade foi dividida em décadas (≤49, 50-59, 60-69 e ≥70 anos).

O grau histológico foi dividido em três categorias: bem diferenciado, moderadamente diferenciado, pouco diferenciado. Referente à localização anatômica do tumor, os casos foram considerados de acordo com os códigos da Classificação Internacional de Doenças (CID), décima edição, em que C00 e C06 correspondem ao câncer de boca, e C10, ao de orofaringe.

Os dados sobre a mortalidade foram adquiridos no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) (NIS/DAT/CEVS/SES/RS - http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=060701). Para o cálculo da análise de sobrevida, utilizou-se o método de Kaplan-Meier, considerando a partir da data do diagnóstico histopatológico até a data de óbito. Após a análise descritiva, foi utilizado o teste de log-rank, para a avaliação dos fatores relacionados à sobrevida. A análise foi realizada por meio do modelo de regressão de Cox, e o p<0,05 foi considerado estatisticamente significativo. Os dados foram analisados utilizando o programa Stata 12.0 (Stata Corporation; College Station, Texas, Estados Unidos).

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Maria, parecer 924.661, CAAE: 39197314.5.0000.5346.

RESULTADOS

Dos 254 pacientes diagnosticados com câncer de boca e orofaringe entre os anos de 2004 a 2014, somente 155 foram incluídos no estudo por apresentarem dados completos nos laudos analisados. Entre os 155 pacientes, 39% eram provenientes do município de Santa Maria, e os outros 61% eram residentes de municípios próximos a Santa Maria. Em relação ao sexo, 87% eram do masculino e 13% do feminino. A faixa etária mais acometida entre os pacientes foi a quinta década de vida, com idade mínima de 25 e máxima de 86 anos. Em relação à raça, a maioria era branca, correspondendo a 95% dos casos em relação aos não brancos, com 5%. Referente ao nível educacional, 90% dos indivíduos avaliados tinham menos de 8 anos de educação formal.

A língua foi a localização da lesão mais prevalente (28%), seguida de outras partes da boca (23%), lábio (20%), orofaringe (15%) e assoalho (14%). Com relação à distribuição dos casos, de acordo com o grau histológico da lesão, 49% apresentaram CCE moderadamente diferenciado, 33% bem diferenciado e 12% pouco diferenciado (Tabela 1).

Tabela 1 Características do paciente e do tumor 

Variáveis n (%)
Município
Santa Maria 61 (39)
Outros municípios 94 (61)
Sexo
Masculino 135 (87)
Feminino 20 (13)
Etnia
Brancos 148 (95)
Não brancos 7 (5)
Nível educacional, anos
<8 139 (90)
≥8 anos 16 (10)
Idade, anos
≤40 37 (24)
50-59 48 (31)
60-69 43 (28)
≥70 27 (17)
Localização anatômica
Língua 43 (28)
Outras partes da boca 34 (23)
Lábio 31 (20)
Orofaringe 24 (15)
Assoalho 23 (14)
Grau histológico
Bem diferenciado 55 (36)
Moderadamente diferenciado 77 (49)
Pouco diferenciado 19 (12)
Não especificado 4 (3)

Em relação à taxa de óbito dos pacientes, 49% morreram devido ao câncer de boca e orofaringe no período de 10 anos. O tempo médio de sobrevida foi de 4 anos (intervalo de confiança de 95% − IC95% 4,44-5,90). Em 5 e 10 anos, a taxa de sobrevida foi, respectivamente, 42% e 38%. A sobrevida global dos pacientes está representada na figura 1. Não houve diferenças estatisticamente significativas em relação à sobrevida de acordo com idade, sexo, etnia, escolaridade e grau histológico (Tabela 2). No que se refere à sobrevida em relação a localização, esta obteve diferença estatística (p=0,001), sendo que pacientes com câncer no lábio obtiveram uma melhor taxa de sobrevida (p=0,04) e pacientes com câncer na orofaringe, pior sobrevida (p=0,03) (Figura 2).

Figura 1 Análise de Kaplan-Meier para a sobrevida do câncer de boca e orofaringe 

Figura 2 Análise de Kaplan-Meier para a sobrevida referente à localização do câncer de boca e orofaringe 

Tabela 2 Sobrevida do câncer de boca e orofaringe, de acordo com as variáveis do paciente e tumor 

Variáveis Não óbito n (%) Óbito n (%) Valor de p
Sexo
Masculino 66 (49) 69 (51) 0,78
Feminino 11 (55) 9 (45)
Etnia
Brancos 75 (51) 73 (49) 0,8
Não brancos 3 (43) 4 (57)
Nível educacional, anos
<8 65 (47) 74 (53)
≥8 11 (69) 5 (31) 0,08
Idade, anos
≤40 13 (35) 24 (65)
50-59 25 (52) 23 (48)
60-69 23 (53) 20 (47)
≥70 16 (59) 11 (41) 0,3
Localização anatômica
Língua 20 (47) 23 (53)
Outras partes da boca 18 (53) 16 (47)
Lábio 24 (77) 7 (23)
Orofaringe 7 (29) 17 (71)
Assoalho 8 (35) 15 (65) 0,001
Grau histológico
Bem diferenciado 33 (59,9) 25 (43,1)
Moderadamente diferenciado 44 (55) 36 (45)
Pouco diferenciado 11 (55) 9 (45) 0,54
Não especificado 44 (51,16) 42 (48,84)

Valor de p: teste de Log-rank.

DISCUSSÃO

O câncer de boca e orofaringe é caracterizado por alta prevalência, mortalidade e baixos índices de sobrevida.(11) No presente estudo, foram avaliados o perfil epidemiológico e a taxa de sobrevida dos pacientes com câncer de boca e orofaringe, diagnosticados em um hospital no interior do Rio Grande do Sul. Os resultados mostraram baixo índice de sobrevida nesses indivíduos. Além disso, a localização anatômica do tumor apresentou associação significativa com a sobrevida, uma vez que indivíduos com câncer de lábio apresentaram melhores percentuais, enquanto os que se encontravam na orofaringe demonstraram piores índices.

Neste estudo, a maioria dos pacientes que procuraram tratamento no hospital era proveniente de municípios vizinhos, destacando a importância deste serviço e de hospitais de referência para o atendimento da população. De modo geral, o perfil epidemiológico destes pacientes demonstrou semelhança com o de outras pesquisas encontradas na literatura.(12,13) Os homens foram mais diagnosticados com câncer de boca do que as mulheres, provavelmente por estarem mais expostos aos fatores de risco. Porém, o índice de mulheres acometidas por esta neoplasia vem aumentado ao longo dos anos, por elas estarem se expondo mais ao tabaco e ao álcool.(14) Foram também encontrados nesta pesquisa maior acometimento do câncer em indivíduos brancos e na quinta década de vida, assim como maior prevalência na região da língua e grau histológico moderado, características também descritas em outros estudos.(1517)

Em relação à sobrevida, neste estudo, foi observado um baixo índice, correspondendo em 5 e 10 anos, respectivamente, a 42% e 38%. Estes resultados são melhores que o encontrado na região sul da Tailândia, onde a sobrevida em 5 e 10 anos foi, respectivamente, de 24,1% e 25,95%. Os autores atribuíram esses achados devido ao estágio avançado da doença em que os pacientes foram diagnosticados e ao tipo de tratamento realizado nesses indivíduos.(18) No entanto, estudo realizado na Holanda, no período de 1989 a 2011, demonstrou que os pacientes diagnosticados com CCE oral e de orofaringe responderam melhor aos tratamentos, aumentando a taxa de sobrevida para 67% nos cânceres na cavidade oral e 48% nos de orofaringe.(19) A partir disso, pode-se observar que, em países mais desenvolvidos, as taxas de sobrevida são melhores, se comparadas às de países em desenvolvimento.(8)

O presente estudo demonstrou que as variáveis idade, sexo, etnia e escolaridade não apresentaram associação significativa com as taxas de sobrevida do câncer de boca e orofaringe, tal qual estudo de Schneider et al.(20) Porém, em pesquisa realizada em São Paulo, no período de 1999 a 2002, os autores observaram que indivíduos com idades mais avançadas apresentaram piores índices de sobrevida e isto, segundo os autores, poderia estar relacionado com a ocorrência de doenças debilitantes e outras complicações associadas ao envelhecimento.(21) Recentemente, um estudo buscou avaliar a influência da etnia na sobrevida de pacientes com câncer orofaríngeo e, ao contrário do presente estudo, tal variável apresentou associação significativa. Os autores observaram que pacientes negros obtiveram piores índices de sobrevida, atribuídos, provavelmente, às piores condições socioeconômicas desses indivíduos, dificultando o acesso ao tratamento.(22)

Foi também observado que o grau histológico não apresentou relação significativa na sobrevida dos pacientes com câncer de boca e orofaringe. No entanto, Kademani et al.,(23) demonstraram que o grau histológico foi um fator preditivo para o câncer de boca, sendo que tumores que apresentavam grau pouco diferenciado tiveram piores índices de sobrevida. Segundo os autores, esse achado foi justificado pelo fato de as neoplasias com essa característica histológica apresentarem maiores prevalências de metástase cervical. Aqui, o grau histológico pode não ter apresentado associação com as taxas de sobrevida devido às limitações do desenho do estudo − uma vez que estudos retrospectivos avaliam os prontuários dos pacientes, que apresentaram dados incompletos, diminuindo a amostra na presente pesquisa.

Em relação ao sítio anatômico do tumor, pacientes com câncer na região do lábio obtiveram melhores índices de sobrevida, e aqueles que estavam localizados em orofaringe apresentaram piores índices. Regiões com maiores redes vasculares e linfáticas, além de locais de difícil acesso, que dificultem o diagnóstico e tratamento, podem influenciar na evolução e no prognóstico do tumor.(24) Nesse sentido, a região do lábio é mais acessível, facilitando a detecção e o diagnóstico precoces, resultando, consequentemente, em melhores índices de sobrevida.(25)

Tumores de orofaringe estão fortemente associados à metástase cervicais, com incidência em 50 a 70%,(26) devido à sua maior disseminação tumoral, além de estarem localizados em regiões de difícil visualização e diagnóstico, contribuindo negativamente na sobrevida dos pacientes,(27) tal qual observado neste estudo. Além disso, pacientes HPV positivos, diagnosticados com câncer de orofaringe, estão relacionados a um melhor prognóstico em relação aos pacientes HPV negativos. Esse fato pode estar relacionado ao baixo percentual de mutação presente nesses tumores, predispondo a melhores respostas ao tratamento e altos índices de sobrevida,(28) diferentemente do encontrado neste estudo. No entanto, nesse estudo, não foi possível avaliar essa associação, pela ausência de dados relativos à presença do HPV no sistema de dados. Estudos adicionais podem ser realizados, para avaliar a influência do HPV na ocorrência dos cânceres de orofaringe.

CONCLUSÃO

A taxa de sobrevida dos pacientes com câncer de boca e orofaringe se demonstrou baixa neste estudo. A localização anatômica influenciou na sobrevida dos pacientes, sendo que tumores localizados na região de orofaringe apresentaram piores índices de sobrevida, enquanto os que se localizavam no lábio obtiveram os melhores índices.

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