Câncer de pulmão: mudanças na histologia, sexo e idade nos últimos 30 anos no Brasil

Câncer de pulmão: mudanças na histologia, sexo e idade nos últimos 30 anos no Brasil

Autores:

Maria Teresa Ruiz Tsukazan,
Álvaro Vigo,
Vinícius Duval da Silva,
Carlos Henrique Barrios,
Jayme de Oliveira Rios,
José Antônio de Figueiredo Pinto

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Pneumologia

versão impressa ISSN 1806-3713versão On-line ISSN 1806-3756

J. bras. pneumol. vol.43 no.5 São Paulo set./out. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/s1806-37562016000000339

INTRODUÇÃO

As doenças não transmissíveis (DNTs) são responsáveis por mais de 67% das mortes em todo o mundo.1 No Brasil, o câncer representa a segunda causa de mortes relacionadas às DNTs,2 e o câncer de pulmão é a principal causa de óbitos relacionados ao câncer, apesar das fortes políticas antitabagismo, que reduziram a taxa de tabagismo pela metade de 1989 a 2008.3) De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 1,6 milhão de mortes por ano são atribuíveis ao câncer de pulmão.4) É um dos poucos tipos de câncer com uma causa bem conhecida - o tabagismo.1,3-6 Os grandes esforços para reduzir o tabagismo e para introduzir o uso de filtros nos cigarros alteraram a epidemiologia do câncer de pulmão em países desenvolvidos, com um aumento da incidência de adenocarcinoma e uma diminuição do carcinoma de células escamosas, como observado nos EUA, na Europa e na Ásia.7-18 O número crescente de mulheres com câncer de pulmão também é notável, assim como as mudanças em seu perfil histológico.7

A descrição das mudanças no perfil histológico do câncer de pulmão nos países latino-americanos são escassas na literatura.19 Há poucas informações disponíveis sobre a histologia, diferenças de gênero e tendências sobre o câncer de pulmão sobre a população brasileira. O presente estudo teve como objetivo descrever e melhorar a compreensão da epidemiologia do câncer de pulmão, incluindo sua histologia, a distribuição de gênero, a idade dos pacientes e o estádio da doença no sul do Brasil nos últimos 30 anos.

MÉTODOS

A partir de registros do banco de dados prospectivo de cirurgias da Divisão de Cirurgia Torácica do Hospital São Lucas, na cidade de Porto Alegre (RS), selecionamos todos os pacientes com câncer primário de pulmão do tipo células não pequenas que foram tratados com ressecção anatômica entre 1986 e 2015. Revisamos os relatórios de patologia e os registros médicos de 1.062 pacientes. Foram excluídos 32 registros por falta de dados relacionados ao gênero do paciente, idade do paciente à cirurgia, tipo de ressecção, histologia e classificação do estádio. Portanto, a amostra final foi de 1.030 pacientes. A informação sobre tabagismo estava disponível em menos de 37% dos registros, e essa variável, portanto, não foi considerada. Todos os diagnósticos histológicos foram feitos pelo mesmo grupo de patologia, e todos os estádios foram atualizados de acordo com a 7ª edição do sistema de classificação da Association for the Study of Lung Cancer.20-22

Os pacientes com características clínicas diferentes (em termos de histologia, estádio e tipo de cirurgia) foram analisados por gênero e em três períodos distintos (1986-1995, 1996-2005 e 2006-2015). As proporções foram comparadas pelo teste do qui-quadrado de Pearson ou pelo teste exato de Fisher. A ANOVA de duas vias foi utilizada para comparar a média de idade dos pacientes por gênero e por período. As médias foram comparadas utilizando-se o método dos mínimos quadrados ajustados e o teste de Tukey-Kramer. Todas as análises foram realizadas utilizando-se o software Statistical Analysis System, versão 9.4 (SAS Institute, Cary, NC, EUA), e o nível de significância foi de 5%.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Devido à natureza retrospectiva do estudo, não houve necessidade da obtenção de consentimento livre e esclarecido.

RESULTADOS

Um total de 1.062 pacientes foi submetido à ressecção pulmonar por câncer primário de pulmão no Hospital São Lucas nos últimos 30 anos, e 1.030 preencheram os critérios para inclusão na presente análise. Dos 1.030 pacientes, 665 (64,5%) eram do sexo masculino. A média de idade à cirurgia da foi de 62,8 anos nos homens e de 60,8 nas mulheres. A Tabela 1 mostra as características clínicas dos pacientes na amostra geral e por gênero. Na amostra geral, o tipo histológico predominante foi o adenocarcinoma (44,5%), seguido do carcinoma de células escamosas (40,6%). Os tipos histológicos diferiram por gênero (p < 0,001), sendo o carcinoma de células escamosas mais comum em homens do que em mulheres (com prevalências de 46,9% e 29,0%, respectivamente), enquanto o oposto foi encontrado para o adenocarcinoma (com prevalências de 40,4% e 51,8% entre homens e mulheres, respectivamente). Diferenças entre os gêneros também foram observadas quanto ao grau de invasão tumoral (p < 0,001), classificação linfonodal (p < 0,023) e estadiamento (p < 0,001), sugerindo que a doença estava mais avançada nos homens do que nas mulheres (Tabela 1).

Tabela 1 Características clínicas dos pacientes, na amostra geral e por gênero.a 

Características Total Homens Mulheres p
(N = 1.030) (n = 665) (n = 365)
Tipo histológico < 0,001
Carcinoma de células escamosas 418 (40,6) 312 (46,9) 106 (29,0)
Adenocarcinoma 458 (44,5) 269 (40,4) 189 (51,8)
Tumor carcinoide 36 (3,5) 15 (2,3) 21 (5,8)
Carcinoma de grandes células 32 (3,1) 19 (2,9) 13 (3,6)
Carcinoma mucoepidermoide 7 (0,7) 3 (0,4) 4 (1,1)
Carcinoma adenoescamoso 49 (4,8) 31 (4,7) 18 (4,9)
CPCNP indiferenciado 11 (1,0) 7 (1,0) 4 (1,1)
Outros 19 (1,8) 9 (1,4) 10 (2,7)
Grau de invasão tumoral < 0,001
T1a 144 (14) 73 (11) 71 (19,5)
T1b 109 (10,6) 71 (10,7) 38 (10,4)
T2a 340 (33) 191 (28,7) 149 (40,8)
T2b 152 (14,8) 107 (16,1) 45 (12,3)
T3 237 (23,0) 183 (27,5) 54 (14,8)
T4 48 (4,6) 40 (6,0) 8 (2,2)
Comprometimento linfonodal < 0,023
N0 654 (63,5) 410 (61,6) 244 (66,9)
N1 197 (19,1) 145 (21,8) 52 (14,2)
N2 174 (16,9) 107 (16,1) 67 (18,4)
N3 5 (0,5) 3 (0,5) 2 (0,5)
Estádio < 0,001
IA 188 (18,3) 106 (15,9) 82 (22,5)
IB 225 (21,8) 124 (18,7) 101 (27,7)
IIA 147 (14,3) 102 (15,3) 45 (12,3)
IIB 175 (17,0) 131 (19,7) 44 (12,0)
IIIA 237 (23,0) 157 (23,6) 80 (21,9)
IIIB 21 (2,0) 16 (2,4) 5 (1,4)
IV 37 (3,6) 29 (4,4) 8 (2,2)

CPCNP: câncer de pulmão de células não pequenas. aValores expressos em n (%).

De acordo com ANOVA de duas vias, não houve evidências de uma interação entre gênero e período estudado, o que sugere que a média de idade não diferiu entre homens e mulheres em nenhum dos três períodos (Figura 1). No entanto, independentemente do período, as médias de idade à cirurgia através dos mínimos quadrados ajustados foram de 62,4 e 59,7 anos nos homens e nas mulheres, respectivamente, aproximadamente 2,7 anos a mais nos homens (p < 0,001). De forma semelhante, independentemente do sexo, as médias de idade calculadas pelos mínimos quadrados ajustados foram de 57,7 anos para o período de 1986-1995, de 62,1 anos para o período de 1996-2005 e de 63,4 anos para o período de 2006-2015, representando um aumento de aproximadamente 5,7 anos do primeiro período para o último (p < 0,001).

Figura 1 Média ajustada da idade à cirurgia, por gênero. 

Como pode ser visto na Tabela 2, houve diferenças significativas entre os três períodos em termos do tipo histológico (p < 0,001), especialmente para o carcinoma de células escamosas, cuja prevalência diminuiu de 49,6% no período de 1986-1995 para 43,0% no período de 1996-2005 e para 34,8% no período de 2006-2015. No entanto, nesses mesmos períodos, a prevalência de adenocarcinoma aumentou de 38,1% para 41,2% e para 49,5%, respectivamente. O tipo mais comum de cirurgia foi a lobectomia, que foi realizada em 72,5% dos casos no primeiro período e em 83,6% no terceiro período (p < 0,001). A proporção de casos em que a pneumonectomia foi realizada diminuiu, passando de 19,7% no primeiro período para 9,7% no terceiro período, assim como a realização da bilobectomia, que foi de 7,8% no primeiro período para 4,1% no terceiro período. Houve também uma diferença significativa entre os períodos em termos de estadiamento (p < 0,001), com um aumento na proporção de casos classificados como estádio I.

Tabela 2 Características clínicas dos pacientes, por período.a 

Características Período p
1986-1995 1996-2005 2006-2015
(n = 244) (n = 291) (n = 495)
Tipo histológico < 0,001
Carcinoma de células escamosas 121 (49,6) 125 (43,0) 172 (34,8)
Adenocarcinoma 93 (38,1) 120 (41,2) 245 (49,5)
Tumor carcinoide 9 (3,7) 2 (0,7) 25 (5,0)
Carcinoma de grandes células 6 (2,5) 12 (4,1) 14 (2,8)
Outros CPCNP 15 (6,1) 32 (11,0) 39 (7,9)
Tipo de cirurgia
Lobectomia 177 (72,5) 229 (78,7) 414 (83,6) < 0,001
Segmentectomia 0 0 13 (2,6)
Bilobectomia 19 (7,8) 16 (5,5) 20 (4,1)
Pneumonectomia 48 (19,7) 46 (15,8) 48 (9,7)
Estádio < 0,001
IA 33 (13,5) 44 (15,1) 111 (22,4)
IB 57 (23,4) 46 (15,8) 122 (24,7)
IIA 38 (15,6) 39 (13,4) 70 (14,1)
IIB 51 (20,9) 56 (19,2) 68 (13,8)
IIIA 55 (22,5) 84 (28,9) 98 (19,8)
IIIB 8 (3,3) 8 (2,8) 5 (1,0)
IV 2 (0,8) 14 (5,0) 21 (4,2)

CPCNP: câncer de pulmão de células não pequenas. aValores expressos em n (%).

A distribuição dos tipos histológicos foi determinada por gênero e por período (Figura 2). No período de 2006-2015, o carcinoma de células escamosas e o adenocarcinoma foram os principais tipos histológicos entre os homens, enquanto o adenocarcinoma foi o tipo histológico predominante entre as mulheres. No geral, a prevalência de adenocarcinoma aumentou de 38,1% para 41,2% e para 49,5% nos períodos de 1986-1995, 1996-2005 e 2006-2015, enquanto a prevalência de carcinoma de células escamosas diminuiu de 49,6% para 43,0% e para 34,8%, respectivamente. Na amostra geral, o carcinoma de células escamosas foi o tipo histológico mais comum entre os homens, embora sua prevalência tenha diminuído de 38,9%, no período de 1986-1995, para 23,2%, no período de 2006-2015, sendo igual à prevalência de adenocarcinoma no último período. Embora a proporção de mulheres com câncer de pulmão tenha sido menor que a dos homens em todos os três períodos, a prevalência de adenocarcinoma entre as mulheres parece estar aumentando ao longo do tempo. Outros tipos histológicos foram menos comuns em ambos os sexos e não mostraram uma tendência aparente ao longo do período de estudo.

Figura 2 Tipo histológico, por período e gênero. M: mulheres; H: homens. 

DISCUSSÃO

No sul do Brasil, as características do câncer de pulmão mudaram nos últimos 30 anos. O aumento da média de idade à cirurgia pode ser indicativo do envelhecimento da população de pacientes com câncer de pulmão, não só ao diagnóstico, mas também em pacientes elegíveis para tratamento cirúrgico. Outras doenças crônicas agora são mais bem controladas, levando a um aumento da expectativa de vida e permitindo tempo suficiente para que o câncer de pulmão se desenvolva. Quando comparado com o relatado em nações desenvolvidas, a média de idade dos pacientes à cirurgia foi bastante baixa no presente estudo, mesmo se considerarmos apenas o período mais recente, quando a média de idade foi de 62,8 anos, em comparação com os 71 anos relatados nos EUA nos dados de Surveillance, Epidemiology and End Results para o período de 2004-2008.23

Como observado em países desenvolvidos,9,13,24 nossos dados indicam que as taxas de câncer de pulmão em mulheres aumentaram nas últimas três décadas, mas ainda não superaram as taxas observadas em homens. Isso pode estar relacionado ao fato de que, em termos históricos, as mulheres adotaram a prática de fumar mais tardiamente que os homens, além de poder estar relacionado ao período de latência. As mulheres começaram a fumar nas décadas de 1950 e 1960, período esse quando os filtros também começaram a ser adicionados aos cigarros devido ao vínculo encontrado entre câncer de pulmão e tabagismo. Nesse mesmo período, o teor de alcatrão também era uma preocupação, e a indústria do tabaco foi forçada a reduzir seus níveis nos cigarros. Esses fatores poderiam explicar a maior incidência de adenocarcinoma em mulheres.

O aumento observado na incidência de adenocarcinoma e a diminuição no subtipo de células escamosas estão de acordo com achados relatados em países desenvolvidos, como EUA, Japão e países da Europa ocidental.9,13,24 Em contraste, um estudo realizado no norte da Índia não mostrou alterações na histologia do câncer de pulmão nas últimas três décadas.25 O diagnóstico de adenocarcinoma é atualmente muito importante, porque é mais frequentemente associado a anormalidades moleculares específicas (mutações do receptor do fator de crescimento epidérmico e fusões da quinase do linfoma anaplásico), e diretrizes internacionais recomendam ensaios de rotina em pacientes com adenocarcinoma. A prática atual requer a disponibilidade das informações necessárias para fazer a recomendação terapêutica mais apropriada.

A diminuição significativa nas taxas de pneumonectomia observadas no presente estudo reflete mudanças nas técnicas de manejo cirúrgico e nas indicações de tratamento. A diminuição da incidência de carcinoma de células escamosas está diretamente relacionada a uma menor prevalência de lesões centrais que requerem pneumonectomia.23 Além disso, o uso da broncoplastia permite que parte do pulmão seja poupada.

Acredita-se que a diminuição observada na incidência de câncer de células escamosas no Brasil seja atribuível ao declínio do número de fumantes desde 1960, bem como à maior disponibilidade de cigarros com filtro e baixo teor de alcatrão, como também ocorreu em países desenvolvidos.8 Isso provavelmente é devido à incapacidade dos filtros de eliminar pequenas partículas e ao fato de que o fumante tende a aumentar o tempo de inalação para compensar a menor quantidade de fumaça que passa pelo filtro. A consequência imediata é uma maior deposição de carcinógenos menores na periferia, local mais comum para o adenocarcinoma.8,9 O aumento relatado na incidência de adenocarcinoma apenas entre fumantes dá apoio a essa teoria. Além disso, um estudo multicêntrico demonstrou que fumantes de cigarros com filtro têm menores riscos de desenvolver carcinoma de células escamosas do que fumantes de cigarros sem filtros, embora o risco de adenocarcinoma não difira entre os dois grupos.13

Sabe-se que análises observacionais baseadas em dados clínicos têm limitações metodológicas,26 como a falta de informações sobre o status tabágico ou outras variáveis clínicas importantes. No entanto, acreditamos que nossas descobertas são relevantes. Elas fornecem uma descrição do perfil histológico do câncer de pulmão em um estado no sul do Brasil, o qual teve uma maior incidência de câncer de pulmão nos últimos 30 anos do que qualquer outro estado no país. Se nossos resultados podem ou não ser generalizados para outros estados no Brasil é um assunto para pesquisas futuras. Uma força do nosso estudo é o fato de que todas as lâminas foram analisadas pelo mesmo grupo de patologia, utilizando o sistema de classificação de estadiamento mais recente, e que a equipe cirúrgica permaneceu uniforme ao longo de todo o período de estudo.

Em resumo, houve mudanças significativas na epidemiologia do câncer de pulmão no sul do Brasil nas últimas três décadas. A incidência de câncer de pulmão entre as mulheres na região aumentou. O adenocarcinoma tornou-se o tipo histológico mais comum, especialmente entre as mulheres, e a média de idade dos pacientes elegíveis para ressecção do câncer de pulmão aumentou para ambos os sexos.

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