Características profissionais, de formação e distribuição geográfica dos fisioterapeutas do Paraná - Brasil

Características profissionais, de formação e distribuição geográfica dos fisioterapeutas do Paraná - Brasil

Autores:

Milton Carlos Mariotti,
Rafaella Stradiotto Bernardelli,
Renato Nickel,
Abdo Augusto Zeghbi,
Maria Luiza Vautier Teixeira,
Ruy Moreira da Costa Filho

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.24 no.3 São Paulo jul./set. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1809-2950/16875724032017

RESUMEN

Este estudio tuvo como objetivo conocer el perfil de los fisioterapeutas paranaenses en el año de 2015, sus características sociodemográficas, tendencias en la formación y el mercado de trabajo, en una investigación cuantitativa de carácter transversal. La muestra fue compuesta por 377 fisioterapeutas, de los 11272 inscritos en el Consejo Profesional en el año de 2015, que respondieron a un cuestionario estructurado disponible en línea. Los resultados mostraron que los fisioterapeutas de Paraná se constituyen predominantemente por jóvenes de 21 a 40 años (el 81,7%), del sexo femenino (el 77,7%), y se concentran en la macrorregión de Curitiba (el 53,6%). La gran parte se graduó en los últimos diez años (el 59,9%) y posee postgrado lato sensu (el 73,7%), sin embargo, pocos poseen maestría o doctorado. La gran parte (el 82,8%) trabaja exclusivamente con la profesión, en un único empleo (el 53,3%), en institución privada (el 59,2%), como autónomos (el 55,7%), con carga horaria de más de ocho horas diarias (el 35,5%). Con relación el área de actuación, el 68,7% trabajan en más de un área, siendo la Traumatología y la Ortopedia las que presentan el número de profesionales actuantes más grande (el 59,9%), después de la Neurofuncional (el 41,1%) y de la Respiratoria (el 38,7%). La gran parte de los profesionales tienen ingreso mensual entre el piso salarial y cuatro mil reales (el 42,9%). Así, fue posible plantear el perfil del fisioterapeuta de Paraná en 2015, vislumbrando la identidad de la profesión en el estado y la proyección de tendencias futuras, lo que posibilitará las instituciones de enseñanza superior y las entidades representativas de la categoría la creación de estrategias futuras para la formación y la regulación del mercado de trabajo.

Palabras clave: Fisioterapia; Empleos en Salud; Encuestas Demográficas

INTRODUÇÃO

A Fisioterapia é uma profissão relativamente nova se comparada a outras profissões da área da saúde. O Decreto-Lei 938, de 13 de outubro de 1969, regulamenta a profissão e define as atividades profissionais, direitos e deveres da classe, garantindo a autonomia1.

A profissão vem crescendo e se desenvolvendo em ritmo intenso e expandindo-se científica e culturalmente2. No Brasil, em 1970 existiam seis cursos de graduação e 700 profissionais em uma população de 90 milhões de habitantes, totalizando uma média de 0,008 fisioterapeutas por mil habitantes. Atualmente existem 672 cursos de graduação e 220.550 fisioterapeutas em uma população de mais de 204 milhões de habitantes, totalizando uma média de 1,08 fisioterapeuta por mil habitantes3 4 5, o que mostra crescimento de 1340% na proporção de fisioterapeutas por mil habitantes.

No estado do Paraná existem atualmente 36 cursos de graduação3 e 12.040 profissionais6 numa população de mais de 11 milhões de habitantes7, totalizando uma média de 1,07 fisioterapeuta por mil habitantes.

O amadurecimento e a consolidação de uma profissão dependem do trabalho de seus componentes na ampliação e aprimoramento do corpo de conhecimentos disponíveis para a atuação profissional, de forma a torná-lo capaz de gerar diretrizes para uma prática profissional eficiente e eficaz8 9 10.

As entidades de classe, especialmente os Conselhos profissionais, por possuírem o papel de fiscalização do exercício da profissão, visando garantir à sociedade a qualidade dos serviços prestados, têm o dever de apontar as deficiências e os potenciais dos profissionais que compõem as categorias11. Para tanto é importante que desenvolvam pesquisas periódicas para identificar as características dos profissionais. Tais pesquisas poderão servir como subsídio para que os conselhos de classe, o sindicato e as associações científicas desenvolvam ações de suporte em relação às necessidades apresentadas pela categoria em busca da identidade profissional, valorização e reconhecimento. Além de orientar as instituições de ensino superior quanto ao mercado de trabalho e as necessidades da profissão, a fim de formar profissionais cada vez mais qualificados, visando oferecer melhores serviços à sociedade.

A literatura apresenta estudos sobre o perfil dos fisioterapeutas dos estados de São Paulo12 e Santa Catarina13, das cidades paranaenses de Curitiba14 e Londrina2 e dos egressos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)15. Foi descrito também o perfil nas áreas de atuação de Cardiovascular16, Terapia Intensiva17, Esportiva18 e de Pesquisador9. No entanto não há pesquisas que descrevam o perfil dos fisioterapeutas em todo o estado do Paraná.

Diante do exposto, esta pesquisa teve por objetivo conhecer as características profissionais, de formação e de distribuição geográfica dos fisioterapeutas do estado do Paraná no ano de 2015.

METODOLOGIA

Esta é uma pesquisa quantitativa de caráter transversal, realizada em parceria de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) com o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Oitava Região (CREFITO 8).

A população estudada foram os 11.272 profissionais fisioterapeutas registrados no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Oitava Região (CREFITO 8) até o primeiro semestre de 2015. Todos os fisioterapeutas foram convidados a participar de forma voluntária por meio de e-mail eletrônico, redes sociais e site institucional. Previamente ao início da coleta, foi realizado o cálculo do tamanho amostral, que indicou que, para esta população finita de 11.272 profissionais, uma amostra de 377 seria representativa, com 95% de confiança e erro padrão de 2%. Assim, para este estudo foram utilizados os primeiros 377 questionários respondidos entre os meses de maio e junho de 2015, não havendo perdas amostrais.

Seguiu-se a resolução CNS 466/12 e obteve-se parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná (CEP-UFPR) pelo número 1.062.506 de 13/05/2015. Os dados foram coletados por meio de questionário semiestruturado, criado especificamente para este fim e baseado em questionários utilizados em pesquisas similares9 17 19 20.

O instrumento foi construído por meio do aplicativo Google Forms e composto por 32 questões fechadas. Os profissionais recebiam, no e-mail de convite, o link de acesso ao questionário. Ao abrir o link, estava disponível o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e as orientações para preenchimento do questionário. Apenas os que marcavam o campo aceitando participar da pesquisa eram direcionados para o questionário.

Após a obtenção das respostas, os dados foram organizados em tabelas no programa Excel 2010 e as questões foram agrupadas em três grandes tópicos: perfil sociodemográfico; perfil de formação; e perfil profissional. Nas questões relativas a área de especialização e área de atuação foi utilizado como critério a terminologia proposta pelo COFFITO para as áreas de especialidade profissional, tendo sido acrescido o item docência. O item “outros” foi utilizado pelos pesquisadores para aquelas respostas que continham o ano de conclusão da especialização mas que não se enquadravam nas opções propostas.

As variáveis numéricas foram categorizadas em: idade, com faixas etárias de 10 anos; ano de formação (graduação, especialização, mestrado e doutorado), em períodos de conclusão de 5 anos, e cidade onde reside e trabalha, em macrorregiões. Os dados foram analisados no pacote estatístico SPSS versão 22.0. Todos os resultados do perfil profissional e sociodemográfico foram descritos por meio de frequência absoluta e relativa. Testou-se a associação e a correlação da variável faixa de renda com as variáveis faixa etária, período de conclusão da graduação e vínculo profissional e da variável regime de trabalho com carga horária de trabalho diária por meio dos testes Qui-quadrado e Correlação de Pearson, respectivamente, mantendo significância estatística estipulada em 95%.

RESULTADOS

Características sociodemográficas

O estudo evidenciou que 77,7% dos profissionais são mulheres, 81,7% têm idade entre 21 e 40 anos. A maioria, 60,2%, vive em união conjugal e 61,5% não têm filhos ou dependentes.

O CREFITO 8, para efeitos de fiscalização, divide o Estado do Paraná em quatro macrorregiões sendo elas: Curitiba, Cascavel, Londrina e Maringá. Cada macrorregião é composta pela cidade que a denomina e por um grupo de cidades em seu entorno. Na pesquisa observa-se que a maioria dos profissionais reside na macrorregião de Curitiba (53,6%), seguida pelas macrorregiões de Cascavel (19,1%), Maringá (15,1%) e Londrina (11,7%).

Características de formação

A Tabela 1 mostra a distribuição dos fisioterapeutas paraenses de acordo com a formação e período de conclusão dos cursos de graduação, pós-graduação lato sensu e stricto sensu.

Tabela 1 Distribuição em frequência absoluta (N) e relativa (%) dos fisioterapeutas de acordo com a formação e período de conclusão dos cursos 

Curso Período N %
Graduação De 2011 a 2015 106 28,1
De 2006 a 2010 120 31,8
De 2001 a 2005 68 18,0
De 1996 a 2000 35 9,3
De 1991 a 1995 18 4,8
1990 antes 30 8,0
Total 377 100
Pós-graduação (Especialização) De 2011 a em andamento 121 43,5
De 2006 a 2010 80 28,8
De 2001 a 2005 48 17,3
De 1996 a 2000 16 5,8
1995 antes 13 4,7
Total 278 100
Pós-graduação Mestrado De 2011 a em andamento 16 34,0
De 2006 a 2010 17 36,2
De 2001 a 2005 11 23,4
De 1996 a 2000 3 6,4
Total 47 100
Pós-graduação Doutorado De 2011 a em andamento 9 64,3
De 2005 a 2010 4 28,5
1995 1 7,1
Total 14 100

Estatística descritiva

Com relação às instituições formadoras, 82,2% dos respondentes graduaram-se em instituições particulares, e as paranaenses apresentam-se como as principais formadoras (87%).

Entre os profissionais, 73,5% relatam ter cursado ou estar cursando especialização e 11,7% possuem o título de especialidade profissional. A distribuição destes profissionais por área de especialização e de título de especialidade profissional está demonstrada na Tabela 2.

Tabela 2 Distribuição em frequência absoluta (N) e relativa (%) dos fisioterapeutas por área de especialização cursada e título de especialista profissional 

Área de especialização Título de especialista profissional
N % N %
Traumato-ortopedia 72 19,7 17 28,3
Acupuntura 41 11,2 5 8,3
Neurofuncional 32 8,7 4 6,7
Respiratória 32 8,7 5 8,3
Terapia Intensiva 32 8,7 13 21,7
Dermatofuncional 30 8,2 5 8,3
Osteopatia 28 7,7 1 1,7
Esportiva 22 6,0 4 6,7
Do Trabalho 22 6,0 5 8,3
Saúde Coletiva 10 2,7 - -
Saúde da Mulher 6 1,6 0 0
Oncologia 4 1,1 1 1,7
Aquática 4 1,1 - -
Quiropraxia 3 0,8 0 0
Docência 14 3,8 - -
Outras 14 3,8 - -
Total 366 100 60 100

Estatística descritiva. O símbolo “-” representa as áreas de especialidades para as quais ainda não foi realizada prova de título

Características da atuação profissional

Trabalham exclusivamente com a profissão 82,8% dos respondentes, e 14,9% atuam também fora dela.

Relataram possuir um único emprego 53,3% dos profissionais; 32,6%, dois empregos; 8,2%, três; 2,1% mais que três; e 3,7% afirmaram estar desempregados.

Trabalham apenas em instituições privadas 59,2%, seguidos por 19,1% que trabalham apenas em instituições públicas e 2,7% que trabalham em instituições filantrópicas. Os 14% restantes trabalham em mais de um destes três tipos de instituições.

A maioria, 55,7%, é autônoma, seguida dos estatutários, que representam 22,5%; celetistas, que somam 19,1%; empresários do ramo, 14,3%; cooperados totalizam 2,9%, e, por fim, bolsistas e residentes, 2,1%.

Dos que têm emprego público, 62,9% trabalham em instituições municipais, 25,9% em estaduais, 9,5% em federais e 1,7% diz ter mais que um emprego público.

Quanto à carga horária de trabalho, 35,5% dos fisioterapeutas trabalham mais que oito horas; 23,1%, oito horas; 24,9%, seis horas; e apenas 13,8%, menos que seis horas diárias.

Ao associar regime de trabalho com carga horária de trabalho diária observa-se que estas são dependentes entre si (X2=44,238 e p<0,001). Observou-se que a maioria, 41,7% dos estatutários e 42,9% dos cooperados, trabalha 6 horas diárias; 37% dos celetistas trabalham 8 horas; 48,6% dos autônomos; 80,7% dos empresários do ramo e 80% dos bolsistas e residentes trabalham 8 horas ou mais.

A maioria trabalha em mais de um nível de atenção à saúde (69,8%), sendo que 71,6% trabalham na atenção secundária; 69%, na atenção terciária; e 49,7%, na primária, além dos 18% que atuam na docência.

Na distribuição dos profissionais de acordo com a área de atuação, 259 (68,7%) trabalham em mais de uma área e 118 (31,3%) trabalham em uma única área.

A distribuição dos fisioterapeutas por área de atuação está descrita na Tabela 3.

Tabela 3 Distribuição em frequência absoluta (N) e relativa (%) de acordo com a área de atuação profissional 

Área de atuação N %
Traumato-ortopedia 226 59,9
Neurofuncional 155 41,1
Respiratória 146 38,7
Esportiva 64 17,0
Do Trabalho 52 13,8
Saúde Coletiva 49 13,0
Terapia Intensiva 49 13,0
Dermatofuncional 47 12,5
Saúde da Mulher 34 9,0
Osteopatia 31 8,2
Acupuntura 26 6,9
Oncologia 26 6,9
Aquática 20 5,3
Quiropraxia 6 1,6
Docência 51 13,5

Estatística descritiva: O cálculo percentual considerou o número total de entrevistados (377) e não o número total de respostas, visto que cada profissional pode trabalhar em mais de uma área

A maioria (78,8%) tem seus atendimentos custeados por convênios, com planos de saúde e pagamentos de clientes particulares. Destes, 39,3% recebem apenas pagamentos de clientes particulares, 9,5% recebem apenas por convênios com planos de saúde, e 30% têm seus atendimentos custeados por estas duas fontes.

A distribuição dos profissionais por faixa de renda mensal é mostrada no Gráfico 1.

Gráfico 1 Renda mensal 

Ao avaliar a associação entre faixa de renda e faixa etária, observou-se que estas são dependentes entre si (X2=66,580 e p<0,001) e têm correlação positiva (R=0,390 e p<0,001). O mesmo é observado ao testar a associação entre faixa de renda e tempo de formação representado pelo período de conclusão da graduação (X2=108,733 p<0,001, R=0,492 e p<0,001). Na faixa de renda igual ou menor ao piso salarial predominam os profissionais que têm de 21 a 30 anos (66,4%) e formados de 2011 a 2015 (48,7%). Na faixa de renda que vai do piso até 4 mil reais há maior concentração de profissionais de 21 a 30 anos (48,7%) e graduados entre 2006 e 2010 (38,3%). Dos que recebem entre 4 e 8 mil reais, a maioria, 36,4%, têm idade entre 31 a 40 anos e concluíram a graduação entre 2001 e 2010 (50%). Aqueles que estão na faixa de renda entre 8 e 12 mil reais têm sua maioria concentrada de 31 a 40 anos (64,7%) e foram graduados entre 1996 e 2005 (58,8%). Por fim, 55,5% dos que recebem acima de 12 mil reais encontram-se na faixa etária entre 41 e 62 anos e graduaram-se até 1990.

Ao analisar a relação entre vínculo de trabalho, dos que possuem apenas um emprego, com faixa de renda, verifica-se que o tipo de vínculo influencia o salário (X2=106,757 p<0,001). A maioria dos que possuem vinculo de estatutário ou celetista tem renda mensal entre o piso e 4 mil reais (51,7% e 53,5% respectivamente), porém o segundo maior grupo dos estatutários (22,4%) recebe entre 4 e 8 mil reais, enquanto que o segundo maior grupo dos celetistas (25,6%) tem renda igual ou menor que o piso salarial. Já o maior grupo de profissionais autônomos concentra-se na faixa de renda mais baixa (50,3%) seguidos pelos que tem renda entre o piso e 4 mil reais (36,9%). A maior parte dos profissionais empresários do ramo concentra-se na faixa de renda do piso de 8 mil reais (67,7%), sendo o único grupo a atingir renda acima de 12 mil reais (19,4%).

DISCUSSÃO

Os profissionais fisioterapeutas do Estado do Paraná constituem-se predominantemente por mulheres jovens. Este fato corrobora os dados da Confederação Mundial de Fisioterapia, que mostram que, em 2015 no Brasil, 70% dos profissionais são do sexo feminino21, o que parece estar relacionado aos antecedentes morais do cuidado à saúde, ligados as características femininas22 23.

O fato de a maioria destes profissionais serem jovens está relacionado ao perfil de formação, o que se justifica pelo crescimento do número de cursos de graduação em Fisioterapia ofertados no Brasil24. Estas características também são evidenciadas por pesquisas com fisioterapeutas das cidades paranaenses de Londrina2 e Curitiba14, dos estados de São Paulo12, de Santa Catarina13 e nutricionistas do Brasil12.

A concentração de profissionais paranaenses na macrorregião de Curitiba pode estar relacionada ao fato de que é a região com maior concentração de instituições de ensino na área.

A maioria dos fisioterapeutas paranaenses graduou-se após 2001 em instituições privadas, o que também é visto no perfil dos fisioterapeutas paulistas19 e já era esperado como reflexo do plano de expansão do ensino superior no Brasil adotado em 199724 25 26. Tal fato pode ser apontado como causa do maior número de especializações concluídas nos últimos cinco anos. Porém essa expansão nas especializações mais recentemente também pode estar relacionada à abertura das residências multiprofissionais em saúde e maior abertura de cursos de pós-graduação lato sensu27.

A maioria dos fisioterapeutas (73,5%) optou por realizar pós-graduação lato sensu; número ainda maior no estado de São Paulo - 87,7% dos profissionais como alguma especialização12 - e menor em Santa Catariana - 52,6% com alguma especialização13. Embora a pesquisa evidencie pequeno número de profissionais mestres e doutores, observa-se crescimento nos últimos dez anos, concretizando um dos grandes desafios da profissão, que é a formação de novos pesquisadores e o avanço e desenvolvimento do conhecimentos28.

O fato de a área de Traumato-ortopedia ser a que tem o maior número de fisioterapeutas trabalhando e também maior número de pós-graduados, advém do fato do fisioterapeuta receber em sua formação conteúdos que predominam a partir do modelo curativo reabilitador12 24.

A maioria dos profissionais ainda trabalha na atenção secundária e terciaria, o que decorre do histórico da profissão; no entanto um número expressivo já trabalha na atenção primária que está se desenvolvendo e sendo estimulada pelas políticas públicas mais recentemente29.

O fato de a maioria dos profissionais possuir mais que um emprego e trabalhar mais que 8 horas diárias é visto também em estudo com fisioterapeutas de Londrina/PR2 e está em desacordo com a Lei Federal que limita a jornada de trabalho em 30 horas semanais30. Os dados ainda revelam associação da jornada de trabalho com o regime de trabalho, mostrando que profissionais liberais (autônomos e empresários) trabalham mais horas diárias que estatutários e celetistas. Esta tendência tem sido descrita para profissionais da área da saúde12 13 31.

O fato de a maioria dos respondentes ser autônoma e trabalhar em instituições privadas corrobora estudo realizado em todo o Brasil que demonstra que 60% dos cadastros de trabalho de fisioterapeutas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos em Saúde (CNES) são do setor privado, sendo que no sul do país este valor sobe para 76,3%32, o que confirma o perfil curativo-reabilitador privativista do fisioterapeuta já descrito na literatura24.

A fisioterapia é uma profissão relativamente jovem, se comparada a outras profissões da saúde, e sua expansão no Paraná se deu nos últimos dez anos. Desta forma, crescente número de profissionais vem sendo formado desde então; portanto é compreensível que estes ainda não tenham atingido faixas de renda mais elevadas33.

Considera-se que com essa pesquisa foi possível identificar as características dos fisioterapeutas do Paraná, com base em amostra representativa, que denota associação com a lógica curativa-reabilitadora privatista que advém ainda das características da criação da profissão e que ainda não sofreu grandes alterações no Paraná nas últimas décadas. Contudo observou-se um início de movimento de mudança deste padrão, quando constata-se crescimento do número de profissionais trabalhando na atenção primária, além de crescimento na produção científica da profissão por meio do aumento de mestres e doutores.

Apesar de a pesquisa ser realizada por meio de questionário on-line de preenchimento facilitado e ainda que tenha sido divulgada em todos os meios eletrônicos do Crefito-8, o presente estudo apresenta limitação por não ter utilizado outro meio de divulgação que não o eletrônico. Desta forma, não é possível afirmar que todos os profissionais receberam o convite para participar da pesquisa, diante da possibilidade de um número de profissionais não ter acesso à internet e/ou não ser familiarizado com ela.

CONCLUSÃO

Aponta-se que os fisioterapeutas do Paraná constituem-se predominantemente por profissionais jovens do sexo feminino que graduaram-se nos últimos dez anos e possuem pós-graduação lato sensu. A maioria atua como autônomo e trabalha mais de oito horas diárias. Conclui-se também que a faixa etária, o tempo de formação e o vínculo de trabalho são fatores relevantes para obtenção de maior renda mensal.

As possibilidades de exploração deste perfil do profissional não foram esgotadas. Sugere-se, ainda, o desenvolvimento de estudos futuros que complementem os dados.

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