Caracterização de publicações científicas sobre terapia ocupacional em periódicos não específicos da profissão no período de 2004 a 2015

Caracterização de publicações científicas sobre terapia ocupacional em periódicos não específicos da profissão no período de 2004 a 2015

Autores:

Otavio Augusto de Araujo Costa Folha,
Débora Ribeiro da Silva Campos Folha,
Daniel Marinho Cezar da Cruz,
Patrícia Carla de Souza Della Barba,
Maria Luísa Guillaumon Emmel

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional

versão On-line ISSN 2526-8910

Cad. Bras. Ter. Ocup. vol.27 no.3 São Carlos jul./set. 2019 Epub 22-Ago-2019

http://dx.doi.org/10.4322/2526-8910.ctoao1700

1 Introdução

Como uma profissão que visa favorecer o engajamento das pessoas em ocupações, a terapia ocupacional demanda e produz conhecimento empírico e teórico relacionado aos seus contextos de intervenção profissional e de compreensão acerca do homem, dos seus fazeres e da sua relação com o mundo (BROWN et al., 2018, 2017; LOPES et al., 2008).

Atualmente, os periódicos científicos são os principais meios de publicação do conhecimento produzido relacionado à terapia ocupacional e o mais valorizado academicamente (BROWN et al., 2017; LOPES et al., 2016). Nos últimos anos, o aumento do número de artigos publicados na profissão tem sido reportado tanto no Brasil quanto no âmbito internacional (BROWN et al., 2018, 2017; LOPES et al., 2016; POTTER, 2010).

Historicamente, estudos e pesquisas têm sido publicados em periódicos científicos específicos e não específicos da profissão. Os primeiros são aqueles que contêm a palavra “terapia ocupacional” em seu título e que trazem em seu escopo a disseminação de manuscritos relacionados à categoria. Os últimos são aqueles que, embora não apresentem em seus títulos o nome da profissão, publicam artigos sobre temáticas de interesse aos terapeutas ocupacionais (BROWN, 1997; BROWN et al., 2018, 2017).

Nas últimas décadas, em virtude da facilidade de acesso e ampla difusão, periódicos e artigos relacionados à profissão têm sido analisados com o propósito de se compreender as características da produção de conhecimento neles contida (FOLHA; CRUZ; EMMEL, 2017; LOPES et al., 2016; POTTER, 2010; OLIVER, 2009; BROWN; RODGER; BROWN, 2005). As primeiras pesquisas com este enfoque, desenvolvidas ainda na década de 1980, visavam obter informações para subsidiar as atividades acadêmicas nos cursos de graduação (JOHNSON; LEISING, 1986). Na década seguinte, as pesquisas analisaram os veículos de comunicação científica específicos de terapia ocupacional quanto ao seu público-alvo, o processo de revisão adotado, a equipe editorial e os tipos de textos publicados, por exemplo (BROWN et al., 2017).

Nas primeiras décadas do século XXI, associada à caracterização dos artigos publicados em determinados periódicos, questões específicas sobre a publicação científica na profissão foram investigadas, tais como: autoria (LOPES et al., 2016); indicadores de qualidade e os critérios de escolha para publicação, como a reputação do periódico, o rigor e qualidade do processo de revisão e o impacto sobre práticas, serviços e políticas (RODGER; MCKENNA; BROWN, 2007); fontes de indexação (OLIVER, 2008, 2009) e indicadores de impacto e citação (BROWN et al., 2018, 2017; FOLHA; CRUZ; EMMEL, 2017).

Os estudos mencionados possibilitam entender que elementos relacionados à produção e difusão da publicação científica em terapia ocupacional têm sido analisados, principalmente no que diz respeito ao escopo, à audiência e à influência do conhecimento produzido sobre as práticas e sobre os serviços desenvolvidos pela categoria profissional. No contexto nacional, observa-se que a produção de conhecimento científico pelos terapeutas ocupacionais tem recebido atenção, principalmente, pelo maior envolvimento desses profissionais em pesquisa e em programas de pós-graduação (OLIVER et al., 2016; LANCMAN; MÂNGIA, 2017; MALFITANO, 2015; OLIVER, 2009; BARROS; OLIVER, 2003).

Considera-se que um elemento central ao fortalecimento da profissão, nesse contexto, envolve a difusão do conhecimento gerado em periódicos de qualidade ampla e internacionalmente reconhecida (MALFITANO et al., 2013; OLIVER, 2008). A publicação nesses periódicos tem sido um aspecto balizador para a entrada e permanência de docentes na pós-graduação stricto sensu (LANCMAN; MÂNGIA, 2017; OLIVER, 2009; LOPES et al., 2008; BARROS; OLIVER, 2003), para a melhoria de indicadores institucionais e recebimento de financiamento por órgãos de fomento à pesquisa; essenciais para o desenvolvimento das atividades acadêmicas e de pesquisa dos programas (OLIVEIRA, 2015; LOPES et al., 2010).

A despeito de que a pós-graduação regulamentada e regulada no Brasil tenha se iniciado nos anos 1960 (OLIVEIRA, 2015), o credenciamento de terapeutas ocupacionais como docentes em programas de mestrado e doutorado no país ocorreu somente na década de 1990 (LANCMAN; MÂNGIA, 2017; OLIVER, 2008). Primeiramente, esse ingresso se deu em programas de áreas afins, tais como Educação, Educação Especial e em Ciências da Reabilitação. Somente em 2009 foi criado o primeiro programa de pós-graduação específico de terapia ocupacional (MALFITANO et al., 2013).

No Brasil, a pós-graduação é organizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal e de Nível Superior (CAPES) que, entre outras funções, avalia os programas de mestrado e doutorado no país. Estes programas são agrupados com base em afinidades temáticas em 49 áreas de avaliação. Essas áreas, por sua vez, são agrupadas em nove grandes áreas e estas, por conseguinte, são agrupadas em três colégios de ciências (SOMA; ALVES; YANASSE, 2016). A terapia ocupacional constitui com a fisioterapia, a educação física e a fonoaudiologia, a denominada área 21, situada na grande Área da Saúde, juntamente à outras grandes áreas das Ciências da Vida. Atualmente, a área 21 conta com 67 programas de pós-graduação que ofertam cursos de mestrado e doutorado (RODACKI; GUIRRO; KESKE-SOARES, 2017).

A CAPES realiza periodicamente uma avaliação sobre os programas de pós-graduação no país e um dos critérios de avaliação considera a análise da produção intelectual de docentes e discentes, a qual pode ocorrer de várias formas, principalmente por meio da publicação de artigos em periódicos científicos (BARATA, 2016; SOMA; ALVES; YANASSE, 2016).

Para avaliar especificamente essa produção, a CAPES utiliza um conjunto de critérios (Qualis), empregados por várias áreas do conhecimento para classificar todas as publicações em periódicos científicos desenvolvidas por docentes e discentes dos programas de pós-graduação de uma determinada área. Desta classificação resulta uma listagem de periódicos categorizados (Webqualis) em oito estratos, com diferentes níveis de qualificação e gradação crescente, a saber: C, B5, B4, B3, B2, B1, A2 e A1 (RODACKI, 2016).

Com base nesta classificação a posteriori, os artigos publicados pelos docentes e estudantes dos programas de pós-graduação são quantificados, tornando-se o seu resultado um importante indicador do processo de avaliação (BARATA, 2016; RODACKI, 2016; SOMA; ALVES; YANASSE, 2016). Um dos critérios de classificação comuns à todas as áreas é que a somatória dos títulos dos periódicos classificados como A1 e A2 não pode ultrapassar 25% do total de periódicos utilizados no ano de avaliação (SOMA; ALVES; YANASSE, 2016). A área 21, conforme o relatório de avaliação referente ao quadriênio 2013-2016 (RODACKI; GUIRRO; KESKE-SOARES, 2017), envolveu, além dos critérios comuns às outras áreas de conhecimento, dois critérios específicos: um relacionado à aderência dos periódicos aos temas, objetivos e saberes das subáreas que compõem a área 21, e outro balizado por indicadores bibliométricos e pela qualidade das fontes de indexação.

Considerando a recente inserção da terapia ocupacional na pós-graduação (MALFITANO et al., 2013), associada à existência de um único programa específico com turmas concluídas no país (RODACKI; GUIRRO; KESKE-SOARES, 2017) e ao número reduzido de terapeutas ocupacionais que orientam em programas de pós-graduação (LANCMAN; MÂNGIA, 2017; LOPES et al., 2010), é possível hipotetizar que um número limitado de periódicos específicos da profissão tem sido classificados nos estratos superiores. Sobre este aspecto, dados disponíveis na Plataforma Sucupira da CAPES indicam que somente 11 (onze) periódicos específicos da profissão foram utilizados para veiculação das publicações desenvolvidas por programas da área 21 no período de 2013 e 2016, sendo que apenas 4 (quatro) estão nos estratos A1 (American Journal of Occupational Therapy e Canadian Journal of Occupational Therapy) e A2 (Occupational Therapy International e Scandinavian Journal of Occupational Therapy) (COORDENAÇÃO..., 2018a).

No Brasil, considera-se que, atualmente, é importante compreender as trajetórias e características do conhecimento difundido em periódicos específicos e não específicos da área, com o intuito de favorecer os processos de publicação e difusão de conhecimento científico desenvolvido no país. Nesse contexto, análises bibliométricas recentes identificaram que artigos de grande impacto para a profissão têm sido publicados tanto em periódicos específicos quanto em não específicos (BROWN et al., 2018, 2017; FOLHA; CRUZ; EMMEL, 2017). Embora estudos de caracterização sobre periódicos específicos tenham sido desenvolvidos tanto no âmbito internacional (BROWN, 1997; BROWN; RODGER; BROWN, 2005) quanto no contexto nacional (LOPES et al., 2016; OLIVER, 2009), há poucos estudos sobre a produção de conhecimento publicada em periódicos não específicos (RODGER; MCKENNA; BROWN, 2007; BROWN; RODGER; BROWN, 2005).

Com o objetivo de caracterizar as publicações de terapia ocupacional nos periódicos não específicos da profissão, este estudo buscou responder às seguintes questões:

  1. Quais são os periódicos não específicos de terapia ocupacional que têm publicado manuscritos relacionados à profissão? Quais são os países de origem desses periódicos? Qual é o escopo de publicação desses periódicos?

  2. Quais são os objetivos e os tipos de estudo que têm sido publicados? Quais são os tipos de manuscritos que têm sido veiculados? Quem são as populações estudadas nas pesquisas?

  3. Quem são os autores que publicaram sobre terapia ocupacional nesses periódicos e as suas origens geográficas e institucionais?

2 Método

Foi realizado um estudo descritivo de abordagem quantitativa para caracterização dos periódicos em relação ao número de artigos veiculados, ao país de origem e ao escopo de publicação dos mesmos. Além disso, foi realizada a descrição dos artigos publicados quanto as áreas temáticas, os objetivos abordados, os métodos utilizados e o público investigado. Esse tipo de pesquisa tem sido amplamente utilizado para analisar a literatura científica produzida pela profissão em trabalhos anteriores (FOLHA; CRUZ; EMMEL, 2017; LOPES et al., 2016; POTTER, 2010; OLIVER, 2008).

2.1 Ferramenta de pesquisa e seleção dos periódicos

Este estudo utilizou o critério desenvolvido pela CAPES para a classificação dos periódicos (BARATA, 2016). Foram selecionados periódicos A1 e A2 da área 21 da CAPES. Como mencionado anteriormente, os periódicos classificados nestes estratos representam aproximadamente 25% dos periódicos classificados relacionados à área 21, que inclui, entre outras áreas de conhecimento, a terapia ocupacional (RODACKI; GUIRRO; KESKE-SOARES, 2017; SOMA; ALVES; YANASSE, 2016).

Considera-se que nos estratos A1 e A2 estão os periódicos com os melhores indicadores de aderência, bibliométricos e de indexação relacionados à grande área 21 (RODACKI; GUIRRO; KESKE-SOARES, 2017; RODACKI, 2016). No período da coleta de dados, o estrato A1 do WebQualis da Área 21 estava composto por um universo de 122 periódicos e o estrato A2 por 134. Foram selecionados os periódicos não específicos de terapia ocupacional, no período de 2004 a 2015. Esse período de busca foi escolhido por permitir o levantamento e análise da produção de conhecimento mais recente, uma vez que, conforme demonstrado em investigações recentes (BROWN et al., 2018, 2017; FOLHA; CRUZ; EMMEL, 2017; LOPES et al., 2016), o número de artigos publicados por terapeutas ocupacionais aumentou gradativamente nos últimos anos principalmente em virtude do envolvimento desses profissionais em atividades de pesquisa e pós-graduação.

2.2 Fontes de informação e estratégias de busca

Primeiro foram obtidos os periódicos de cada estrato por meio do acesso à Plataforma Sucupira no portal da CAPES. Em seguida, foi utilizada a base de dados Web of Science (Clarivate Analytics) para identificar textos sobre terapia ocupacional publicados nos periódicos não específicos elencados anteriormente. Esta identificação ocorreu por meio do cruzamento do descritor “occupational therapy”, nos filtros “título”, “corpo do resumo” e “palavras-chave” com o nome de cada periódico no filtro “nome da publicação”.

Destaca-se que o acesso à base de dados Web of Science ocorreu entre os meses de janeiro a julho de 2016, via Portal de Periódicos da CAPES. Este portal reúne e disponibiliza para instituições de ensino e pesquisa no Brasil o acesso à produção científica internacional (COORDENAÇÃO..., 2018b). Estudos anteriores têm utilizado estratégias metodológicas semelhantes, seja pela utilização do descritor (BROWN et al., 2018, 2017; FOLHA; CRUZ; EMMEL, 2017) ou pelo acesso via Portal de Periódicos da CAPES (GUIMARÃES; MARTINS; BARKÓKEBAS JÚNIOR, 2012).

2.3 Critérios de inclusão e exclusão

Foram incluídos periódicos não específicos de terapia ocupacional e os textos que apresentaram o termo “occupational therapy” no título, resumo ou palavras-chave neles publicados. Foram excluídos textos que não apresentassem essas informações.

2.4 Universo de periódicos e de artigos

Conforme mencionado anteriormente, no período da coleta de dados, a somatória de periódicos nos estratos superiores do WebQualis da Área 21 foi correspondente a 256 periódicos, sendo 122 publicações no estrato A1 e 134 no estrato A2. Nos 256 periódicos, 851 artigos foram encontrados, no entanto, após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 182 artigos foram excluídos. Por fim, 669 artigos foram considerados como amostra final para categorização e análise.

2.5 Procedimentos para coleta e análise dos dados

Inicialmente, os títulos, resumos e palavras-chaves foram analisados de acordo com os critérios de inclusão apresentados acima, conforme estudos anteriores (BROWN et al., 2018, 2017; ANDRESEN; TANG; BARNEY, 2006). Em seguida, foi elaborado um roteiro para extração dos dados em uma planilha do Programa Microsoft Excel® para obtenção das seguintes informações: autoria, tipo de artigo, país e instituição de origem, objetivo do estudo, delineamento, abordagem de pesquisa, população estudada e faixa etária. Além disso, os periódicos foram classificados quanto ao número de artigos encontrados, ao país de origem, ao fator de impacto e quanto ao seu escopo. A classificação quanto ao escopo tomou como base a categorização dos periódicos desenvolvida pela base de dados Web of Science, conforme realizado por estudos recentes (BROWN et al., 2018, 2017).

As categorias extraídas de cada variável estão descritas a seguir:

  1. Filtro de seleção do artigo: Título, Resumo e Palavra-chave;

  2. Continente e País de Origem do 1° autor: América do Norte, Europa, Ásia, Oceania, África e América do Sul;

  3. Instituição de origem do 1° autor: Universidade ou Outras instituições;

  4. Autoria: Quantidade de autores por artigo;

  5. Objetivo do estudo: Avaliação, Intervenção, Serviços, Fundamentos e Formação;

  6. Tipo de Artigo: Artigo original, Ensaio e Relato de Experiência;

  7. Abordagem do Artigo Original: Quantitativa, Qualitativa e Mista;

  8. Populações estudadas: Usuários, Familiares e Cuidadores, Profissionais e Estudantes de terapia ocupacional e outros;

  9. Faixa etária do público estudado (Usuários): Crianças, Adolescentes, Adultos e Idosos.

Quanto ao objetivo do estudo, esta variável foi classificada de acordo com a finalidade principal dos estudos em 5 categorias, a saber:

  1. Avaliação: envolve estudos destinados à avaliação incluindo a descrição, adaptação transcultural e propriedades psicométricas de instrumentos de medida;

  2. Intervenção: inclui estudos de prognóstico e descrição situacional do público investigado, utilização de recursos, técnicas, métodos e processos de tratamento, bem como a descrição da efetividade das intervenções;

  3. Serviços: aborda a descrição de serviços, programas e ações e inclui estudos sobre planos de saúde e avaliações econômicas;

  4. Formação profissional: aborda metodologias de ensino e experiências da formação profissional em terapia ocupacional;

  5. Fundamentos: apresenta e discute aspectos teóricos e históricos relacionados à constituição e à prática da terapia ocupacional e aborda percepções de profissionais sobre aspectos profissionais.

Quanto aos tipos de artigos, classificaram-se os mesmos em:

  1. Artigo Original: baseados em informações geradas por meio de pesquisa empírica ou revisão sistemática da literatura. Mais especificamente, os artigos originais foram subdivididos em estudos de Revisões de Literatura, com e sem meta-análise; Observacionais, como os estudos descritivos qualitativos e estudos quantitativos transversais e longitudinais; e Interventivos, como os estudos do tipo antes e depois e ensaios clínicos randomizados e não randomizados. Os estudos observacionais e interventivos foram classificados quanto à abordagem de pesquisa em quantitativos, qualitativos e mistos;

  2. Ensaio: relato teórico e reflexivo sobre um determinado tema relacionado à terapia ocupacional; e

  3. Relato de Experiência: descrição de experiências ligadas à prática da profissão.

Para análise dos dados optou-se pela abordagem quantitativa e descritiva dos dados, com a utilização de gráficos e tabelas, semelhante a outros estudos (BROWN et al., 2018, 2017; FOLHA; CRUZ; EMMEL, 2017; LOPES et al., 2016; OLIVER, 2008; BROWN; RODGER; BROWN, 2005; BROWN, 1997).

3 Resultados

Os dados são apresentados, primeiramente, pelo número de artigos publicados em cada periódico por ano, pelo seu fator impacto, país de origem e escopo dos mesmos. Em seguida, são caracterizados os textos encontrados nestes periódicos quanto às variáveis supramencionadas.

3.1 Sobre a publicação em periódicos não específicos de terapia ocupacional da área 21 da CAPES

Dos 256 periódicos analisados, 27,34% (n=70) publicaram pelo menos um artigo relacionado à terapia ocupacional, 8,98% (n=23) publicaram 6 ou mais artigos e 5,47% (n=14) publicaram 12 ou mais artigos nos últimos 12 anos, o que configura que somente em um número restrito de periódicos houve média mínima de um artigo por ano.

A média do fator de impacto dos periódicos que publicaram pelo menos um artigo relacionado à terapia ocupacional (n=70) foi de 3,560 em 2015 e nos últimos 05 anos foi de 3,699. Estes periódicos estão distribuídos nos Estados Unidos (60,0%) e em países da Europa, como a Inglaterra (17,14%), Holanda (7,14%) e Suíça (4,29%). Destaca-se que países como Alemanha, Austrália, Croácia, Emirados Árabes, Itália, Japão, Nova Zelândia e Suécia totalizaram 1,43% dos periódicos cada.

Quanto ao escopo, os periódicos que publicaram pelo menos um manuscrito relacionado à terapia ocupacional apresentaram distribuição diversificada em 28 categorias diferentes da Web of Science (Tabela 1). Identificou-se que um mesmo periódico foi classificado em mais de uma categoria nesta base de dados. As categorias com maior número de periódicos que publicaram pelo menos um manuscrito sobre terapia ocupacional (n=70) foram: reabilitação 40% (n=28), neurociências e neurologia 25,71% (n=18), ciências do esporte 18,57% (n=13) e fonoaudiologia 8,57% (n=6).

Tabela 1 Distribuição das categorias de escopo dos periódicos não específicos da terapia ocupacional nos estratos A1 e A2 da Área 21 da CAPES no período de 2004-2015. 

Categorias (Escopo) N de artigos % % de artigos
Reabilitação 28 40,00
Neurociências e Neurologia 18 25,71
Ciências do Esporte 13 18,57
Audiologia e Fonoaudiologia 6 8,57
Geriatria e Gerontologia 5 7,14
Ortopedia 5 7,14
Pediatria 5 7,14
Medicina Interna e Geral 4 5,71
Saúde Pública, Ambiental e Ocupacional 4 5,71
Anestesiologia 3 4,29
Ciências e Serviços de Cuidados em Saúde 3 4,29
Linguística 3 4,29
Otorrinolaringologia 3 4,29
Psicologia 3 4,29
Cardiologia (Sistema Cardiovascular) 2 2,86
Engenharia 2 2,86
Pneumologia (Sistema Respiratório) 2 2,86
Educação e Pesquisa educacional 1 1,43
Endocrinologia e Metabolismo 1 1,43
Medicina Complementar e Integrativa 1 1,43
Nutrição e Dietética 1 1,43
Patologia 1 1,43
Farmacologia e Farmácia 1 1,43
Fisiologia 1 1,43
Psiquiatria 1 1,43
Radiologia, Medicina Nuclear e de Imagem 1 1,43
Ciência e Tecnologia e Outros tópicos 1 1,43
Cirurgia 1 1,43

A somatória das frequências absolutas e relativas ultrapassa o número total de periódicos que publicaram pelo menos um artigo relacionado à profissão (n=70) em virtude de um mesmo periódico ter sido classificado pela base de dados em mais de uma categoria.

3.2 Manuscritos publicados em periódicos não específicos de terapia ocupacional da área 21 da CAPES

Foram analisados 669 textos relacionados à terapia ocupacional. Quanto aos filtros de seleção, identificou-se que poucos estudos apresentaram o descritor “occupational therapy” em seu título (1,35%), ou nas combinações entre título e palavras-chave (0,60%) e título e corpo do resumo (2,99%). Quase metade dos estudos foi selecionada por conter o descritor no corpo do resumo (48,73%), nas palavras-chave (29,15%) ou na combinação entre ambas (10,61%). Somente 6,58% apresentaram o termo de busca nos três filtros.

Em 2004, foram publicados 30 textos e, em 2015, 82, o que representa um aumento de 173% no número de manuscritos publicados (Figura 1). Em 2014, observou-se que houve uma diminuição na quantidade de estudos publicados (71).

Figura 1 Número de artigos publicados em periódicos não específicos de terapia ocupacional na área 21 da CAPES no período de 2014-2015. 

Em relação ao número de autores por estudo, observou-se manuscritos com autoria única até publicações com 19 autores. No entanto, aproximadamente 74% (n=497) dos estudos apresentaram de 2 a 6 autores. No período de 2004 a 2015 a maior média de autores por trabalho foi em 2013, com 4,95 autores, e a menor foi em 2005, com 1,05.

Sobre o país de origem dos textos, quase 70% têm origem em países da América do Norte (39,01%) e Europa (29,45%). Países da Ásia (17,34%) e da Oceania (11,81%) também apresentam um importante volume de produções. Países da América do Sul (1,49%) e África (0,90%) tiveram menor frequência na divulgação do conhecimento veiculado em periódicos não específicos da profissão.

Quanto aos objetivos dos estudos, identificou-se que 66,67% (Figura 2) dos textos tinham como assunto principal discutir sobre estratégias de intervenção em terapia ocupacional, principalmente ilustrando a eficácia de determinados métodos, técnicas e recursos em um grupo de sujeitos. Outros estudos buscaram discutir o prognóstico dos pacientes em tempos inicial e final de determinados serviços (12,56%). Aspectos relacionados à avaliação, tais como a adaptação transcultural e propriedades psicométricas de instrumentos de medida foram identificadas (10,16%). Estudos voltados para aspectos teóricos e de fundamentação da profissão (5,98%) ou relacionados à formação acadêmica dos profissionais (4,63%) foram observados com menor frequência.

Figura 2 Distribuição de artigos publicados no período de estudo 2004-2015 (n=669) em periódicos não específicos de terapia ocupacional na área 21 da CAPES, segundo os objetivos do estudo. 

Quanto aos tipos de manuscritos publicados, observou-se o predomínio de artigos originais (93,12%) em detrimento de ensaios (4,04%) e relatos de experiência (2,84%). Dentre os tipos de artigos originais desenvolvidos (n=623), mais da metade dos manuscritos eram do tipo observacionais (54,74%), seguido dos experimentais/interventivos (29,86%) e dos artigos de revisão sistemática da literatura (15,41%). Ao buscar compreender as abordagens de pesquisa dos artigos originais com pesquisa de campo (n=526), não incluídos os artigos de revisão de literatura, a análise mais frequente foi a quantitativa (81,56%), seguidos de artigos com abordagem qualitativa (14,07%) e mista (4,37%). Quanto à população estudada, notou-se (Figura 3) um predomínio de estudos voltados para os usuários (81,91%) de serviços de terapia ocupacional. Destaca-se que a somatória das variáveis ultrapassa 100% da amostra em virtude de alguns estudos focarem mais de um público-alvo.

Figura 3 Distribuição de artigos publicados no período de estudo 2004-2015 (n=669) em periódicos não específicos de terapia ocupacional na área 21 da CAPES, segundo o público-alvo do estudo. 

A Figura 4 apresenta a distribuição dos textos que envolveram usuários e familiares/cuidadores (n=442) e que abordaram principalmente adultos (59,50%) e idosos (48,19%). Os adolescentes (6,11%) foram o público menos estudado. Mais uma vez observa-se que a somatória das variáveis ultrapassa 100% da amostra em virtude de alguns estudos focarem mais de uma faixa etária.

Figura 4 Distribuição de artigos publicados no período de estudo 2004-2015 em periódicos não específicos de terapia ocupacional na área 21 da CAPES, segundo a faixa etária dos artigos voltados para usuários e familiares e cuidadores (n=442). 

4 Discussão

Primeiramente, é importante destacar que os dados obtidos neste estudo não abordam de forma isolada os periódicos utilizados por terapeutas ocupacionais e pesquisadores vinculados aos programas de pós-graduação da área 21, uma vez que a análise foi realizada com base na listagem produzida a partir das produções de todas as subáreas da referida área de conhecimento, incluindo, então, outros campos profissionais e acadêmicos. Embora com restrições, eles podem refletir padrões e tendências de periódicos classificados nos estratos superiores.

Os periódicos não específicos de terapia ocupacional representam a possibilidade de diálogo interdisciplinar entre a terapia ocupacional e áreas afins e uma ampliação da visibilidade da profissão, favorecendo seu fortalecimento e reconhecimento científico e social (POTTER, 2010; ANDRESEN; TANG; BARNEY, 2006; JOHNSON; LEISING, 1986). No entanto, menos de 1/3 (n=70) dos periódicos não específicos de terapia ocupacional listados nos estratos A1 e A2 da Webqualis da área 21 da CAPES publicaram pelo menos um texto relacionado à profissão. Além disso, somente 5,47% apresentaram frequência mínima de um manuscrito por ano no período pesquisado. O fator de impacto médio destes periódicos (3,560), em 2015, é três vezes maior que a média dos fatores de impacto de periódicos específicos de terapia ocupacional (1,059) identificados no Journal Citation Reports, indicador bibliométrico da Web of Science. O periódico da profissão com maior fator de impacto no período da coleta de dados era o American Journal of Occupational Therapy com 1,806, referente ao ano de 2015.

Estes dados indicam que, embora um número razoável de periódicos (n=70) com fator de impacto tenham publicado manuscritos relacionados à terapia ocupacional no período estudado, poucos (n=14) apresentaram uma regularidade mínima anual de publicação no campo. Analisando o foco e o escopo destes periódicos, observam-se públicos e temas específicos, principalmente relacionados à saúde física e reabilitação de determinadas condições de saúde. Estudos pioneiros na década de 80 sobre a produção de conhecimento em terapia ocupacional já identificavam essa contribuição da literatura divulgada em canais não específicos para a profissão (JOHNSON; LEISING, 1986).

As diferenças no fator de impacto de periódicos específicos e não específicos indica a necessidade de reflexão pelos pesquisadores da área. A despeito de alguns estudos demonstrarem que o fator de impacto é uma métrica não muito forte dos periódicos da área e que autores terapeutas ocupacionais não consideram esta medida como prioritária para a escolha de um periódico para publicação de seus trabalhos (RODGER; MCKENNA; BROWN, 2007), indagar-se sobre o que publicar em cada periódico, específico ou não, é uma questão importante atualmente e, certamente, para além do critério fator de impacto.

Além disso, é importante considerar também que, em virtude da lista WebQualis da Área 21 derivar das publicações difundidas pelos programas de pós-graduação de todas as subáreas que a compõem, como da fisioterapia, da educação física e da fonoaudiologia (RODACKI, 2016), é possível supor que a terapia ocupacional, por apresentar o menor número de cursos de mestrado e doutorado e de pesquisadores na Área 21 (RODACKI; GUIRRO; KESKE-SOARES, 2017), apresente uma menor influência na composição dos estratos superiores da área. Dessa forma, o número de publicações e a diferença no fator de impacto entre os periódicos específicos e não específicos pode refletir essa diferença numérica entre as subáreas.

A evidência acerca do descritor “terapia ocupacional” ter sido mais frequentemente localizado no corpo do resumo e nas palavras-chave, em detrimento do título, pode ser explicada pelo fato de serem periódicos não específicos do campo. Por outro lado, os temas relacionados a métodos, técnicas, recursos, instrumentos de avaliação e serviços oferecidos podem refletir objetos de estudos comuns e de interesse interdisciplinar, onde a terapia ocupacional tradicionalmente encontra-se inserida. Estudos anteriores sobre periódicos específicos já indicavam esta tendência das pesquisas da profissão (BROWN, 1997).

Ainda sobre os desdobramentos da utilização dos descritores em nosso estudo, é importante destacar que o predomínio da língua inglesa encontra-se relacionado diretamente à utilização do termo “occupational therapy”, o que justifica, e de certa forma restringe, a recuperação de periódicos que publicam neste idioma. Embora exista um esforço para a ampliação da publicação em outros idiomas, como, por exemplo, o espanhol, ainda predomina a língua inglesa na comunicação científica do cenário mundial atual, seja de forma primária nos países falantes dessa língua ou secundária naqueles países cuja língua materna é outro idioma (BROWN et al., 2018, 2017; BROWN, 1997).

A identificação do aumento da produção de conhecimento de terapia ocupacional indica que estes periódicos têm sido crescentemente considerados como importantes veículos de divulgação do conhecimento da profissão, somado ao fato de que outros pesquisadores recentemente têm analisado os mesmos para identificar a publicação científica do campo (BROWN et al., 2018, 2017; ANDRESEN; TANG; BARNEY, 2006).

Pesquisas prévias identificaram um aumento do volume de artigos publicados sobre terapia ocupacional em bases de dados e em periódicos específicos da profissão (BROWN et al., 2017; POTTER, 2010), nesse estudo também foi observada essa tendência de crescimento em periódicos não específicos. Esse aumento pode ser um reflexo tanto da expansão das atividades de pesquisa e de divulgação da profissão quanto do aumento da capacidade produtiva de pesquisadores do campo, observada pelo maior envolvimento em orientações de pesquisadores e na publicação das pesquisas desenvolvidas na pós-graduação (BROWN et al., 2017; FOLHA; CRUZ; EMMEL, 2017; LOPES et al., 2016; POTTER, 2010; OLIVER, 2008, 2009).

Sobre este último aspecto, verificou-se um aumento do número de autores nos artigos analisados. Esse crescimento pode estar relacionado ao estabelecimento de redes de colaboração em virtude da complexidade dos objetos de pesquisa e como uma possível estratégia com a meta de impulsionar a produção científica (OLIVER, 2008, 2009).

Embora a lista da WebQualis seja gerada a partir das atividades de pós-graduação desenvolvidas na academia (BARATA, 2016; RODACKI, 2016; SOMA; ALVES; YANASSE, 2016), as publicações disseminadas nesses periódicos foram produzidas tanto por autores filiados ao ambiente universitário quanto por autores vinculados às instituições não acadêmicas. Conforme esperado, o ambiente acadêmico foi predominante. Estudos anteriores têm identificado uma mudança longitudinal na origem das publicações, uma vez que, inicialmente, estes trabalhos eram desenvolvidos por profissionais vinculados à prática profissional e atualmente estão mais relacionados às atividades de pesquisa desenvolvidas nas universidades (FOLHA; CRUZ; EMMEL, 2017; LOPES et al., 2016; BROWN; BROWN, 2005). Sobre os trabalhos oriundos de países da América do Norte e da Europa, alguns estudos de terapia ocupacional apontam que essa concentração tem forte influência sobre o que é pensado e sobre o que é considerado importante para a profissão no panorama mundial (HAMMELL, 2011). Porém, sabe-se que estas influências muitas vezes podem não refletir as demandas e necessidades de terapeutas ocupacionais situados em outros contextos geográficos e sociais, como no caso do contexto brasileiro (MALFITANO, 2015; OLIVER, 2008, 2009).

A identificação das principais categorias de periódicos não específicos produziu um perfil sobre o escopo de publicação dos mesmos, com maior frequência das categorias de: reabilitação, neurociências e neurologia e ciências do esporte. A primeira categoria, conforme descrito na base de dados investigada, abrangeu estudos sobre terapia e estratégias que visam auxiliar na reabilitação das capacidades físicas, mentais e sociais de pessoas com algum tipo de condição de saúde ou do processo de um ciclo de desenvolvimento específico, como é o caso do envelhecimento humano. De certa forma, pode-se discutir que este resultado era esperado, uma vez que a listagem de periódicos analisada nesta pesquisa deriva das publicações decorrentes dos programas de mestrado e doutorado de quatro áreas profissionais e acadêmicas que historicamente têm estado envolvidas na intervenção com pessoas em processo de reabilitação.

Há de se considerar o fato de que a existência de certo perfil de periódicos com escopos específicos pode não refletir de forma abrangente a realidade da produção de conhecimento relacionado à profissão no Brasil e isso tem implicação em uma limitação das possibilidades de difusão dos trabalhos desenvolvidos no país neste universo de periódicos. Estas reflexões têm sido reiteradamente evidenciadas por alguns docentes terapeutas ocupacionais vinculados às pós-graduações na área 21 (LANCMAN; MÂNGIA, 2017; MALFITANO, 2015; OLIVER, 2009; BARROS; OLIVER, 2003).

Com maior frequência na intervenção profissional, as pesquisas analisadas sinalizam temas envolvendo a avaliação de usuários e a oferta de serviços, sendo estes essenciais para a prática baseada em evidências e pelo caráter de uma constituição que é alimentada por pesquisas aplicadas em detrimento das básicas. Quanto aos objetivos das pesquisas, apesar do predomínio de propostas relacionadas à intervenção, observou-se, ainda, textos voltados para os fundamentos da profissão e para a formação profissional. Esta abrangência pode estar relacionada com a diversificada audiência que periódicos específicos e não específicos possuem, que vão desde pesquisadores, profissionais da assistência a estudantes (BROWN, 1997).

O destaque para maior frequência de abordagens de pesquisa quantitativas, assim como dos estudos observacionais e de intervenção é atribuído ao fato de seus objetivos buscarem verificar e demonstrar a eficiência de um recurso, técnica ou método avaliativo; tendência impulsionada pela demanda de pesquisas que forneçam evidências para subsidiar as práticas profissionais (GUTMAN, 2008).

Acredita-se que, em virtude dos critérios adotados pelo sistema de avaliação da CAPES, com melhores estratos para periódicos de acordo com o seu fator de impacto e que demonstram indicadores bibliométricos significativamente elevados, o perfil de periódicos classificados nos estratos superiores tende a mudar pouco, a menos que políticas e ações estratégicas incisivas sejam realizadas em favor de alternativas de classificação.

Embora autores alertem para os usos indevidos e equivocados do WebQualis, principalmente no que concerne a se constituir como um balizador para a escolha de periódicos na difusão dos estudos na pós-graduação (BARATA, 2016; RODACKI, 2016), observa-se que a lista do WebQualis tem influenciado substancialmente as ações desenvolvidas no ambiente acadêmico (SOMA; ALVES; YANASSE, 2016; OLIVEIRA, 2015; OLIVER, 2008, 2009; BARROS; OLIVER, 2003).

A proposta de caracterização desenvolvida neste estudo não teve a finalidade de identificar a escolha de um tipo de pesquisa a ser seguido e disseminado nos periódicos avaliados. Diante dos importantes desafios impostos à pós-graduação para terapeutas ocupacionais na área 21, o levantamento de informações aqui coletadas direciona-se para a compreensão de um panorama, ação fundamental para a elaboração e implementação de estratégias individuais e coletivas. Essa é uma demanda que tem sido reiteradamente abordada por pesquisadores da área no país (LOPES; CRUZ; MALFITANO, 2017; LOPES et al., 2016, 2014; OLIVER et al., 2016).

4.1 Limitações e recomendações para futuras pesquisas

A utilização do termo “occupational therapy” para identificar os artigos é uma limitação de nosso estudo, uma vez que é possível a existência de um grande número de artigos sobre terapia ocupacional que não adotam necessariamente o termo no título, resumo ou palavras-chave. Dessa forma, os dados relatados neste estudo devem ser analisados com cautela, relativizando os critérios utilizados para essa investigação.

A escolha pela análise do WebQualis da área 21 também é uma limitação pelo fato que há terapeutas ocupacionais orientadores em outros programas de pós-graduação que não compõem a área 21. Além disso, a categorização descritiva para classificação dos estudos encontrados pode não ter sido suficiente para o entendimento da distribuição da produção de conhecimento em terapia ocupacional no Brasil.

Sugerem-se novos estudos com outros critérios, bases de dados e classificações para uma compreensão mais ampla da produção em terapia ocupacional no país. Um bom critério seria utilizar a autoria das publicações por terapeutas ocupacionais em detrimento da área da saúde, por exemplo. Além disso, investigações acerca das publicações difundidas em periódicos específicos da profissão são essenciais para a compreensão do campo de conhecimento atual da área.

Cabe destacar aqui que a publicação sobre terapia ocupacional em periódicos de áreas afins é essencial para a divulgação do conhecimento produzido pela profissão, dado que a terapia ocupacional é uma profissão de caráter interdisciplinar, fazendo-se fundamental o diálogo com outros campos do conhecimento.

5 Conclusão

Esta pesquisa buscou responder questões pertinentes aos periódicos não específicos de terapia ocupacional mas que publicaram estudos e pesquisas relacionados à mesma no período de 2004 a 2015. Obtiveram-se informações específicas sobre a audiência, entendida aqui como as pessoas que veiculam informações nesses periódicos e ao escopo dos mesmos, traduzido nas temáticas, objetivos, métodos e populações investigadas.

Poucos periódicos não específicos de terapia ocupacional de relevante prestígio internacional listados no Webqualis da área 21 da CAPES publicaram artigos relacionados à profissão de acordo com os critérios adotados para essa pesquisa. Aqueles que publicaram com maior frequência apresentaram temas envolvendo um perfil de determinados públicos e audiências, o que pode, em parte, limitar os espaços de diálogo e interlocução com diferentes atores e práticas profissionais. Esses periódicos estão concentrados em poucos países, o que pode restringir as possibilidades de divulgação científica oriundas de outros contextos, realidades e modos diferentes de pensar e fazer ciência.

Por ter considerado a classificação da CAPES, o presente estudo pode indicar o que os Programas de Pós-Graduação da área 21 têm publicado sobre terapia ocupacional. Para além do cenário nacional, identificou-se quem e de onde são os interlocutores que difundem estudos em periódicos de reconhecida reputação científica e internacional, utilizados pelos pesquisadores brasileiros.

Dessa forma, acredita-se que obter informações sobre a audiência e as características dos estudos difundidos sobre terapia ocupacional nesses periódicos poderá contribuir para identificar os veículos científicos que não trazem a área em seu cerne principal, mas que oferecem espaço para publicação de estudos da profissão. Tais informações poderão auxiliar na escolha dos canais onde seria possível publicar o conhecimento produzido pela profissão.

O presente estudo forneceu informações sobre os escopos de interesse de difusão de conhecimento que estes periódicos apresentam, podendo auxiliar na compreensão de um recorte do panorama da divulgação científica em terapia ocupacional, bem como fomentar a elaboração de ações capazes de fortalecer a disseminação do saber da profissão e contribuir para a pesquisa brasileira no âmbito internacional.

REFERÊNCIAS

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