Cirurgia bariátrica e transtornos alimentares: uma revisão integrativa

Cirurgia bariátrica e transtornos alimentares: uma revisão integrativa

Autores:

Julia M. Novelle,
Marle S. Alvarenga

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Psiquiatria

versão impressa ISSN 0047-2085versão On-line ISSN 1982-0208

J. bras. psiquiatr. vol.65 no.3 Rio de Janeiro jul./set. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/0047-2085000000133

ABSTRACT

Objective

To conduct a revision about disordered eating and eating disorders related to bariatric surgery.

Methods

Integrative literature’s review on databases PubMed, Lilacs, Bireme, portal SciELO using indexed keywords; inclusion criteria was provide data about the presence or frequency of eating disorders or disordered eating behaviors previously and/or after surgery.

Results

One hundred and fifty studies were selected (14 in Brazil and 136 other countries): 80.6% were evaluation of patient’s pre or post-surgery; 12% were case studies and 7.3% were revision studies. Diverse scales and questionnaires were used for evaluation, mostly the Questionnaire on Eating and Weight Patterns, the Binge Eating Scale and the Eating Disorders Examination Questionnaire. Binge eating was the most common behavior evaluated, with frequencies/prevalence from 2% to 94%; for Binge Eating Disorder frequencies/prevalence’s range from 3% to 61%. Studies also describe anorexia and bulimia nervosa, night eating syndrome and grazing. Some studies point improvement of symptoms while others call attention for the emergence or aggravation of problems.

Conclusion

Despite the variability among methods and results, the presence of disordered eating behaviors is highly frequent among bariatric surgery candidates, and could emerge or get worse after surgery. Health care providers must consider carefully these problems due their impact on surgery results and quality of life.

Key words: Bariatric surgery; eating disorders; obesity; review; gastroplasty

INTRODUÇÃO

A obesidade é dos mais importantes problemas de saúde pública da atualidade. No Brasil, entre 1974-1975 e 2008-2009 houve crescimento de mais de quatro vezes entre os homens adultos (2,8% para 12,4%), e mais de duas vezes entre as mulheres adultas (8% para 16,9%)1.

Entre os tratamentos propostos, a cirurgia bariátrica (CB) surgiu nos anos 1950 nos Estados Unidos da America (EUA)2. No Brasil se iniciou a partir de 1970, com as técnicas cirúrgicas jejuno-ileais. O bypass gástrico, gastroplastia horizontal e vertical com anel foram introduzidos a partir de 1980; nos anos 1990 desenvolveu-se a derivação biliopancreática de Scopinaro e o aprimoramento das derivações gástricas em Y de Roux. As derivações obtiveram variantes como a duodenal Switch; todas as técnicas foram adaptadas à via videolaparoscópica3; e mais atualmente a técnica Sleeve (gastrectomia vertical) substituiu a banda gástrica – estando entre as mais utilizadas4. O Brasil é o segundo país no mundo que mais realiza a CB, com cerca de 80 mil registros por ano3. A última resolução do Conselho Federal de Medicina ampliou o rol de comorbidades para indicação5 em pacientes com índice de massa corpórea (IMC) entre 35 e 40 kg/m2, o que pode representar ampliação desses índices.

Enquanto a maioria dos tratamentos convencionais para obesidade grave apresenta um impacto modesto e curto, a CB tem mostrado resultados em longo prazo na perda de peso com melhora das comorbidades clínicas6-8. No entanto, consequências adversas também podem surgir, como complicações pós-operatórias e problemas psicossociais relacionados com o funcionamento físico, mental e social – bem como à imagem corporal e a aspectos cognitivos9. Os fatores psicológicos e comportamentais relacionados aos piores resultados da CB ainda têm recebido pouca atenção10. De modo geral, a CB resulta em melhoras físicas e psicológicas, mas uma parte dos pacientes não responde positivamente à perda de peso11. Mais recentemente, alguns estudos passaram a focalizar o comportamento alimentar e a existência de patologia alimentar em pacientes pré- e pós-CB, examinando a relação entre os problemas alimentares e a CB8,12.

Indica-se que de 20% a 70% dos pacientes que procuram a CB têm histórico de algum transtorno mental e, portanto, os candidatos à CB constituem grupo de risco para transtornos psíquicos diversos13 – incluindo os transtornos alimentares (TA), estes caracterizados por graves alterações da imagem corporal, comportamento e atitude alimentar; os principais quadros são a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar2.

As primeiras publicações sobre os TA e a CB são da década de 198014-16. A compulsão alimentar em candidatos a CB e sua evolução pós-cirúrgica estão documentadas internacionalmente desde 199017,18; e mais especificamente a avaliação de TA e outras disfunções, como o transtorno de compulsão alimentar (TCA), são descritos internacionalmente a partir de 200019,20. No Brasil, relatos de caso surgiram a partir de 200421,22. A partir de 1993 há descrição da síndrome alimentar noturna também casos pré- e pós-CB18,23. O primeiro estudo de revisão internacional é de 2012 nos EUA24, mas trata-se da apresentação de investigações empíricas e casos clínicos; um estudo mais amplo revisou 15 estudos no mesmo ano8. No Brasil, apenas uma revisão seletiva foi realizada13, com foco em acompanhamento psiquiátrico de pacientes bariátricos – com menção a dados relacionados aos TA.

Entre as diversas questões sobre TA e CB, há o relato que na presença do TCA pré-/pós-CB há menor perda de peso e pior qualidade de vida e persistência de sentimentos de perda do controle relacionados à alimentação13. O consumo de pequenas quantidades de alimento durante períodos extensos de tempo, denominado comportamento beliscador (do Inglês grazing), também tem sido descrito25-27, e os indivíduos que apresentam compulsão alimentar antes da CB podem ter alto risco de apresentar comportamento beliscador após a CB – um comportamento com potencial contribuição para reganho de peso12,13,25,28-30.

Dada a abrangência da realização da CB no Brasil, a emergência de diversos problemas alimentares no pós-cirúrgico, o impacto negativo dos TA (e comportamentos relacionados) e a escassa discussão sobre essa problemática no cenário nacional, o objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão integrativa sobre a presença e frequência das disfunções alimentares e/ou TA relacionados à CB e sintetizar os achados considerando forma de avaliação, tipo do TA e amplitude do problema.

MÉTODOS

Esta é uma revisão integrativa da literatura nacional e internacional31, realizada nas bases de dados Bireme e PubMed (US National Library of Medicine), e portal SciELO (The Scientific Electronic Library Online), sem restrição de período, língua ou tipo de estudo para a busca bibliográfica – encerrada em fevereiro de 2016. Foram utilizados os descritores “cirurgia bariátrica”, e combinação com “transtornos alimentares”, “bulimia nervosa”, “anorexia nervosa”, e “compulsão alimentar” – em português e inglês.

Os critérios de inclusão foram: estudos que avaliassem ou revisassem TA e/ou comportamentos alimentares/compulsão previamente e/ou após CB – e que incluíssem especificamente dados de presença/frequência/prevalência. Também foram considerados os artigos sobre avaliação/seguimento/questões psicológicas e/ou psiquiátricas antes ou após CB – desde que incluíssem questões alimentares (para verificação da menção à presença/frequência/prevalência dos TA ou correlatos).

A análise e a seleção começaram com a leitura dos títulos, excluindo-se aquelas que não tinham foco no objetivo da revisão e também as repetidas. Na sequência, os resumos dos trabalhos foram lidos, e nesta fase foram excluídas aquelas que não avaliavam TA ou questões alimentares propriamente ditas – ou que não apresentassem dados da presença de TA e correlatos. Por fim, os trabalhos restantes foram lidos na íntegra. Utilizou-se também a estratégia de “repescagem” verificando as listas de referências de cada artigo (especialmente dos artigos de revisão de literatura selecionados) para a inclusão de estudos que não haviam sido localizados nas bases de dados e que preenchessem os critérios de inclusão, e também foi realizada “repescagem” por meio da busca no Google Acadêmico.

Embora primeiramente o termo “síndrome alimentar noturna” – SAN (do inglês night eating syndrome) não tenha sido usado na estratégia de busca – porque as revisões incluíram este TA mais recentemente – na repescagem os artigos sobre SAN foram também incluídos. Também primeiramente o termo “vômito” (vomiting) não foi incluído como termo, pois inclusive pode ser uma “complicação” física da CB. Mas, uma vez que alguns trabalhos incluíram vômitos provocados/associados a TA, os estudos com foco nesse comportamento compensatório foram também incluídos na repescagem.

Pela extensão dos resultados iniciais foram adotados os limites população adulta e palavras-chave no título/resumo, identificando-se 555 publicações. Após avaliação dos títulos e resumos, 122 artigos foram potencialmente elegíveis. Depois da leitura, 75 foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão. Embora não tenha havido restrição de língua (para se conhecer o estado da arte sobre o tema em qualquer idioma publicado), um artigo estava em alemão e não foi incluído pela impossibilidade de leitura e compreensão na íntegra. Na repescagem, pelas questões apontadas nos métodos, um número expressivo de artigos foi localizado (137), os quais tiveram primeiramente seus resumos checados para averiguação dos critérios de inclusão. Novamente um estava em língua alemã e não foi incluído. Do total inicial, 103 foram incluídos. A Figura 1 ilustra as etapas de seleção de artigos desta revisão.

Figura 1 Etapas de seleção dos artigos incluídos na revisão integrativa. 

RESULTADOS

Foram destacados (quando disponibilizados) autoria, ano de publicação, local, população, idade, IMC, objetivo do estudo, método (maneira de avaliação do TA/comportamento correlato), e resultados (frequência, presença, prevalência) – com a maior padronização possível de dados. Os objetivos dos estudos foram listados, mas os resultados destacados são os de objeto desta revisão: presença/frequência/prevalência de TA e quadros relacionados. Foram incluídos 14 estudos nacionais e 136 internacionais: 12% eram estudos de caso e 7%, de revisão, entretanto a maioria (80,6%) era de avaliação de pacientes pré-/prós-cirúrgicos (Tabelas 1, 2 e 3).

Dos artigos nacionais, nove foram avaliações com pacientes submetidos à CB22,32,34-40 e três com candidatos a CB33,41,42. Três eram qualitativos32,37,38 e cinco de segmento22,34,35,36,39 com reavaliação de seis meses34 a cinco anos35 após CB. Há um estudo de caso21 e um artigo de revisão (não incluído na Tabela 1)13. O número de pacientes avaliados, excluindo-se o estudo de caso, variou de 5 a 21622,34,37 – com imensa maioria de mulheres (75%-100%). Nos estudos que utilizaram questionários, dois utilizaram o Bulimic Investigatory Tesf of Edinburgh – BITE36,39 e quatro, a Binge Eating Scale – BES33,40-42.

Tabela 1 Estudos nacionais realizados sobre cirurgia bariátrica (CB) e transtornos alimentares (TA) e comportamentos alimentares disfuncionais (N = 13) 

Autores/local Público Objetivo Método Resultados
Segal et al., 200422 São Paulo, SP 5 ♀ submetidas à CB. Tipo de cirurgia: Capella. Média de idade: 44 anos. IMC médio: 50,2 Estudar comportamentos alimentares disfuncionais específicos e propor novo critério Avaliação dos comportamentos de TA 2 a 4 anos após a CB – de acordo com os critérios diagnósticos do DSM-IV - 40% (2) sintomas de compulsão alimentar e 20% de BN; 60% (3) vômito autoinduzido, e 80% (4) recusa em comer Os critérios completos para AN e BN não foram atingidos nos 5 casos
Cordás et al., 200421 São Paulo, SP 1 ♀ submetida à CB. Idade: 40 anos. IMC pré-cirúrgico: 56,5. Tipo de cirurgia: bypass gástrico Descrever caso clínico com sintomas de AN (mesmo sem baixo peso), 11 meses após CB Estudo de caso Paciente com perda de 50% peso pré-cirúrgico após 11 meses (IMC 26,0 kg/m2). Preencheu critérios de TA não especificado com presença de vômitos autoinduzidos, distorção da imagem corporal, recusa alimentar e medo intenso do ganho de peso
Lemos, 200632 Cascavel, PR 9 submetidos à CB (% ♂ e ♀ não informada). Tipo de cirurgia e IMC não mencionados Verificar mudanças na qualidade de vida, comorbidades, e adaptação psicossocial Estudo qualitativo, avaliações por meio de entrevista após 1 ano - 6 pacientes (66,7%) relataram sintomas de compulsão alimentar antes da CB e não apresentaram mais estes após a CB; 3 mencionaram episódios de compulsão alimentar após a CB
Petribu et al., 200633 Recife, PE 67 candidatos à CB (73% ♀). Média de idade: 42,1 anos. IMC médio: 48,5 Avaliar a frequência da compulsão alimentar e transtornos psiquiátricos Avaliação por meio da BES e Mini International Neuropsychiatric Interview - 56,7% com sintomas de compulsão alimentar (25,4% moderado e 31,3% grave); transtornos psiquiátricos mais frequentes = ansiedade generalizada e depressão (aqueles com compulsão = piores escores em qualidade de vida)
Sallet et al., 200734 São Paulo, SP e Austrália 216 submetidos à CB (82,4% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média de idade: 36,3 anos. IMC médio: 45,9 Investigar compulsão alimentar e sintomas psicopatológicos como preditores de perda de peso; e associação com imagem corporal, ansiedade e depressão Avaliação antes e após 6 meses, 12 meses, 24 e 36 meses da CB por meio da Structured Clinical Interview for DSM-IV e BSQ; Beck Depression Inventory; Hamilton Rating Scale for Anxiety - 44 (20%) com TCA antes e 6 meses após CB (74%♀); média 35,6 anos; IMC médio: 45,9. Destes 22,3% aos 12 meses, 25,9% aos 24 meses, 34,7% aos 36 meses; 129 (60%) com compulsão subclínica antes e 6 meses após CB (86%♀); média 37,2 anos; IMC médio 45,9. Destes 56,8% aos 12 meses, 48,8% aos 24 meses, 34,7% aos 36 meses
Machado et al., 200835 São Paulo, SP 50 submetidos à CB (86% ♀). Tipo de cirurgia: Fobi-Capella Média de idade: 42,4 anos. IMC médio: 48,5 Avaliar sintomas de compulsão alimentar antes e após a CB Estudo prospectivo com avaliação antes, e de 2 e 5 anos após CB. Avaliação psicológica com entrevista clínica após a CB - 94% dos pacientes com compulsão alimentar antes da CB e 60% após CB - 33,3% adquiriram hábito beliscador após a CB, e 63% tinham hábito beliscador antes e permaneceram com o mesmo comportamento
Schünemann et al., 200936 Rio de Janeiro, RJ 16 ♀ submetidas à CB. Tipo cirurgia: Fobi-Capella. Média de idade não informada. IMC médio: 40,6 Avaliar sintomas de bulimia nervosa de 2 a 5 anos após a CB Estudo transversal com sintomas de BN avaliados por meio do BITE - 18,7% apresentaram escore compatível com padrão alimentar não usual e 31,2% com grupo subclínico para BN - 6,2% apresentaram escore compatível com presença de BN
Ehrenbrink et al., 200937 Vitória, ES 5 ♀ submetidas à CB Idades entre 20 e 45 anos. IMC e tipo cirurgia não mencionados Avaliar mudanças psicológicas ocorridas no pós-operatório Estudo qualitativo por meio de entrevista semiestruturada e análise de conteúdo - 2 relataram a presença de sintomas de TA com vômitos constantes até 2 anos após a CB; 1 mencionou sintomas de AN antes da CB
Magdaleno Junior et al., 201038 Campinas, SP 7 ♀ submetidas à CB Média de idade: 40 anos. Tipo de cirurgia e IMC médio: não informados Avaliar alterações do “impulso alimentar”, transformações nos hábitos alimentares, e readaptação e reorganização emocional após CB Avaliação de 1,6-3 anos após CB, por entrevistas e análise psicanalítica. Categorias: transformações da fome; fome como elemento não simbolizável na obesidade; saciedade versus satisfação - Descrições da fome antes e após CB diferiram (dificuldade das pacientes em controlar “impulso” de comer e descrever o que sentiam) - O comportamento “beliscador” e “impulsos compulsivos” esteve presente antes e após a CB; a saciedade foi alterada pela cirurgia, mas a saciação não: voltaram a comer grandes quantidades de alimento, continuamente, e em pequenas porções, como modo de obter satisfação
Tae et al., 201439 Santo André, SP 32 ♀ submetidas à CB (23 reavaliadas no pós-cirúrgico). Tipo de cirurgia: não informada. Média de idade: 41 anos. IMC antes e após cirurgia: 45,7 e 33,6 Avaliar sintomatologia psiquiátrica, uso de substâncias, qualidade de vida e o comportamento alimentar de pacientes submetidos à CB Avaliações de 1 a 3 meses antes da CB, e entre 6 e 10 meses após CB, e testes incluindo o BITE - Comportamento de BN em 78,3% antes da CB e 21,7% após CB
Venzon e Alchieri, 201440 Natal, RN 40 submetidos à CB (75% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico Média de idade: 42,2 anos IMC médio não informado Investigar os indicadores de compulsão alimentar em pacientes operados há pelo menos 2 anos e possíveis diferenças de funcionamento da personalidade e temperamento Grupo I: perda de peso < 50% do excedente inicial (N = 20); Grupo II: perda de peso > 50% do excedente inicial. Avaliados por meio da BES - 32,5% sintomas de compulsão alimentar (95% no grupo I –especialmente nos que reganharam peso, e 40% no grupo II) - Gravidade da compulsão segundo BES: Grupo I – 20% compulsão grave/40% moderada; Grupo II – 0% compulsão grave/5% moderada
Horvath et al., 201541 Porto Alegre, RS 116 candidatos à CB (78% ♀). Média de idade: 44,5 anos. IMC médio: 48,4 Avaliar e comparar a ingestão energética de candidatos à CB, com e sem TCA Avaliação por meio da Structured Clinical Interview for DSM-IV e BES - 46% com TCA segundo BES; média 42,3 anos; IMC médio: 49,8 – destes, 20,7% com TCA moderada e 25,9% severa
Costa e Pinto, 201542 Palmas, TO 77 candidatos à CB (80,2% ♀). Média de idade: 38,1 anos. IMC médio: não mencionado Avaliar associação entre presença e o nível do TCA e qualidade de vida Estudo ambulatorial por meio da BES – e Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey - 44,2% dos pacientes com TCA (29,9% moderado e 14,3% grave)

♀ = mulheres / ♂ = homens.

IMC: índice de massa corpórea (kg/m2); AN: anorexia nervosa; BN: bulimia nervosa; TCA: transtorno da compulsão alimentar; DSM-IV: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 4ª edição; DSM-V: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5ª edição; BES: Binge Eating Scale; BSQ: Body Shape Questionnaire; BITE: Bulimic Investigatory Test of Edinburgh.

Desconsiderando-se o estudo de caso/revisão, o comportamento mais avaliado foi a compulsão alimentar (por entrevistas ou questionário). Esta foi descrita de maneira frequente no pré-cirúrgico, variando de 20% a 94%32-35,41,42 – com redução32,35 ou não34 após CB. O mesmo foi verificado para presença de comportamento beliscador35,38 e bulímico36,37,39.

O estudo de caso descreve sintomas de anorexia nervosa (AN), mesmo sem baixo peso (preenchendo critério de TA não especificado, com presença de vômitos autoinduzidos, distorção da imagem corporal, recusa alimentar e medo intenso do ganho de peso) em uma mulher submetida à CB após 11 meses21.

O estudo de revisão seletiva sintetizou dados de acompanhamento psiquiátrico de pacientes bariátricos localizando 26 referências sobre compulsão alimentar e CB13. A prevalência de compulsão foi alta entre os candidatos à CB: 10% a 25% (e ainda mais se considerados os casos subclínicos), e houve associação com menor perda ponderal e pior qualidade de vida no pós-CB. O estudo menciona ainda a presença de bulimia nervosa (BN) de 1,8% e 3,5%13, que é apontada também em outro estudo com pacientes pós-cirúrgicos36. Sobre o TCA, a revisão destaca prevalência de 11% a 32% e casos subclínicos de 39% a 50%.

Embora haja um estudo que apenas descreve questões sobre fome, saciedade e comportamento beliscador num grupo de sete pacientes (sem percentual para os achados)38, ele foi mantido na revisão pela escassez de estudos nacionais sobre a temática e ilustra os achados com população pós-CB.

Dada à extensão dos estudos internacionais, eles foram divididos em realizados nos EUA na Tabela 2 e demais países na Tabela 3.

Tabela 2 Estudos internacionais (Estados Unidos da América – EUA) realizados sobre cirurgia bariátrica (CB) e transtornos alimentares (TA) e comportamentos alimentares disfuncionais (N = 63)* 

Autores/local Público Objetivo Método Resultados
Shamblin et al., 198414 Luisiana 100 submetidos à CB (96% ♀). Tipo de cirurgia: gastroplastia de grampo vertical. Média 36 anos. IMC não mencionado Descrever os resultados da CB no peso e complicações pós-operatórias Avaliação 1, 3, 6, 12 e 18 meses após CB por exames clínicos e entrevista clínica 1 ♀ com 20 anos de idade teve AN segundo autores, perdendo 38,6 kg (IMC mínimo não mencionado), e apresentou vômito autoinduzido para perda de peso; houve reconstrução do estômago para recuperação do peso
Mitchell, 198515 Minnesota 1 ♀ submetida à CB. Tipo de cirurgia: grampo gástrico. Idade: 41 anos. IMC não mencionado Descrever os sintomas de BN Relato de caso com descrições obtidas por entrevista clínica Paciente com história de compulsão que apresentou compulsão alimentar nas primeiras semanas após CB, além de uso de diuréticos para controlar o peso. Sintomas de BN remitidos após 3 meses de tratamento
Thompson et al., 198516 Flórida 1 ♀ submetida à CB. Idade: 37 anos. IMC: 31,7 Descrever “BN” desenvolvida após a CB Estudo de caso Paciente com náusea e vômitos 2 meses após CB, desenvolvendo hábito de vômito autoinduzido por medo de diminuir a perda de peso. Iniciou tratamento para BN
Rand e Kuldau, 199323 Flórida 253 submetidos à CB: (74,7% ♀). Média 36,5 a 37,1 anos. IMC médio não mencionado. Tipo de cirurgia: bypass Comparar características de adultos com obesidade mórbida na população geral e em pacientes de CB Avaliação pré-CB por entrevista – itens sobre compulsão e alimentação noturna - Nos pacientes cirúrgicos, 26% com padrão de alimentação noturna, 27,5% ♀ e 21% ♂ - 47,8% com compulsão alimentar, 52,9% ♀ e 32,8% ♂
Hsu et al., 199618 Massachusetts 24 ♀ submetidas à CB. Tipo de cirurgia: banda gástrica vertical. Média 39,7 anos. IMC médio 48,8 Examinar o efeito dos TA na perda de peso após a CB Avaliações antes e 12 e 18 meses após a CB por meio de entrevistas e EDE Antes da CB: 37,5% preencheram critérios DSM-IV para TCA; 20,8% para BN com purgação: 16,6% com vômito autoinduzido e 1 com abuso de laxantes e diuréticos; 42% apresentaram SAN Após a CB: 20,8% apresentaram TCA; 20,8% BN, 16,6% com vômito autoinduzido e 1 com abuso de laxantes; 8,3% com SAN e BN
Hsu et al., 199783 Massachusetts 27 ♀ submetidas à CB. Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 40,4 anos. IMC médio 48,8 Examinar da CB e interação entre o TA pré-cirúrgico Avaliação antes e em média 20,8 meses após a CB por entrevista e EDE - 48,1% com TCA (DSM-IV) antes da CB e 7,4% após a CB; - 1 com BN (DSM-IV), com vômito e abuso de laxante, antes da CB e mantido após a CB - 33,3 % (n = 9) com SAN (5 dos 9 com TCA/BN) antes da CB e 11,1% com SAN após CB
Rand et al., 199756 Flórida 2.097 participantes da população (57,7% ♀); 111 submetidos à CB (93,1% ♀). Tipo de cirurgia não mencionado Determinar a prevalência da SAN em amostra da população geral e entre pacientes de CB Avaliação antes e em média 32 meses após CB, por entrevista e Diagnostic Interview Schedule - 1,5% dos participantes da amostra geral (média 52,8 anos; IMC médio 24,9) com SAN - 30,6% dos pacientes de CB (média 44,6 anos; IMC médio 28,7) com SAN antes da CB e 27% após a CB
Kalarchian et al., 199884 Nova Jersey 64 candidatos à CB (76,5 % ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico Avaliar comportamento alimentar, atitudes com peso e forma Avaliação por meio do TFEQ e EDE -39% (n = 25) dos pacientes com compulsão pelo menos 1 vez/semana (64 % ♀; 36% ♂). Média 40,4 anos; IMC médio: 53,9 -39 candidatos sem compulsão (84,6% ♀). Média 38 anos; IMC médio: 50,7
Powers et al., 199943 Flórida 116 submetidos à CB (83% ♀). Tipo de cirurgia não mencionado. Média 39,6 anos. IMC médio 53,4 Determinar a prevalência de patologia alimentar e avaliar a relação com várias medidas psicopatológicas e o resultado da CB Avaliação antes e em média 5,5 anos após a CB por meio de entrevista e EDQ; Binge Scale e EAT Antes da CB: 52% com compulsão; 16% completaram critérios para TCA e 10% com SAN (15,7% daqueles com TCA também tinham SAN) Após a CB (50% responderam): 79% com vômito ocasional, 33% com vômito semanal – 1 destes reconheceu vômito para perda de peso (sem frequência especificada). Nenhum paciente relatou compulsão alimentar
Saunders, 199959 Virgínia 125 candidatos à CB (90,4% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 39,4 anos. IMC médio 49,3 Avaliar TCA alimentar antes da CB Medidas de autorrelato, BES, Beck Depression Inventory e QWEP - 61,3% compulsão alimentar e hábito de beliscar (59,8%) - 33,3% “grave”; os “beliscadores” tiveram mais problemas de compulsão grave (43,1%). Métodos compensatórios: vômitos (10,4%), uso de laxativos (10,4%), jejuar (15,2%), exercício excessivo (12,8%), uso de drogas não especificadas (37,6%)
Scioscia et al., 199951 Virgínia 1 ♀ submetida à CB. Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Idade: 38 anos. IMC: 56 Descrever o desenvolvimento de AN após a CB Relato de caso - 2 após a CB apresentou uso de 100 laxativos/dia; hábito de jejuar, restrição alimentar, e vômitos 5 vezes/dia
Kalarchian et al., 200019 Pensilvânia 98 candidatos à CB (77,5% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 38,4 anos. IMC médio 52,2 Comparar 2 instrumentos de avaliação da psicopatologia dos TA Avaliação por meio do EDE e EDE-Q Número médio de episódios bulímicos = EDE: 9,3 e EDE-Q: 5,7 (sem diferença); 52% dos candidatos com 1 episódio de compulsão nos dois instrumentos Concordância modesta quanto à classificação de compulsão pelos 2 instrumentos
Mitchell et al., 200120 Dakota do Norte 78 submetidos à CB (83% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média 56,8 anos. IMC médio 43,8 Examinar associação entre sintomas de TCA alimentar pré- e após 13-14 anos CB e reganho de peso Avaliações por entrevista e Merit Care Long Term Post-Operative e Questionnaire for Gastric Bypass - 49% atingiram os critérios diagnósticos (DSM-IV) para TCA antes da CB; 37,1% apresentaram TCA antes, mas não após a CB; e 11,5% apresentaram TCA antes e após a CB - 30% dos pacientes com TCA alimentar apresentaram aumento no ganho de peso após a CB
Counts, 200152 Maryland 1 ♂ submetido à CB. Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Idade: 39 anos. IMC: 17,4 Descrever AN em paciente após CB Relato de caso (entrevista 28 anos após CB) O paciente anos com síndrome de Prader-Willi – submetido à CB aos 11 anos. Apresentou restrição alimentar severa a partir da CB, por evacuar após qualquer refeição
Kalarchian et al., 200244 Pensilvânia 96 submetidos à CB (80,3% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux Caracterizar peso, comportamento alimentar e atitudes diante da forma e peso corporal Avaliações antes e 2-7 anos após CB: EDE-Q e TFEQ - 45,8% (n = 44) dos pacientes com compulsão alimentar; média 40,4 anos; IMC médio: 48,8. Após a CB: IMC foi significantemente reduzido sem diferenças entre os pacientes com e sem compulsão alimentar. Houve > aumento no IMC e reganho de peso no grupo com compulsão
Hsu et al., 200285 Massachusetts 37 candidatos à CB (83,7% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico Avaliar diferenças entre sujeitos com e sem TCA Avaliação por meio de entrevista e EDE e TFEQ - 25% (9) com TCA (77,7% ♀): 11% completaram os critérios e 14% completaram critérios parciais (DSM-IV). Média de idade: 41,1 anos; IMC médio: 54,2
Malone e Alger-Mayer, 200475 Nova Iorque 109 submetidos à CB (83,5% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico Avaliar os resultados da CB de acordo com a severidade da compulsão alimentar pré-cirúrgica Avaliação antes e 1 ano após CB por meio da BES; Beck Depression Inventory; Short-Form 36 Antes da CB: 28% (n = 31) pacientes com compulsão moderada (79% ♀). Média 44 anos; IMC médio: 47,5; 24% (n = 26) dos pacientes com compulsão severa (88% ♀); média de idade: 45 anos; IMC médio: 48,1
Boan et al., 200476 Carolina do Norte 40 submetidos à CB (85% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média 41,2 anos. IMC médio 52,9 Avaliar as mudanças no comportamento de compulsão, peso, qualidade de vida Avaliação antes e 6 meses após CB: BES E TFEQ Antes da CB: 10% com compulsão alimentar severa; 20% com compulsão moderada; 70% sem compulsão Após a CB: 100% dos pacientes sem compulsão alimentar
Saunders, 200425 Massachusetts 64 submetidos à CB (% ♀ e ♂ não informada). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média idade e IMC não mencionado Avaliar os padrões alimentares após a CB e identificar a compulsão alimentar e comportamento beliscador Avaliações antes e 12 meses após a CB por meio de entrevistas, autorrelato e QEWP e BES - 60% foram identificados com alto risco para compulsão ou comportamento beliscador antes da CB - 80% relataram perda do controle alimentar (que reapareceu 6 meses após CB); 15% dos identificados como de alto risco antes da CB apresentaram vômito autoinduzido e 4,6% relataram ruminação
Green et al., 200460 Arizona 65 submetidos à CB (73,8% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média 39,3 anos. IMC médio 54,8 Avaliar o resultado da CB antes e 5-7 meses após entre pacientes com compulsão alimentar Avaliação por meio de entrevista e QEWP-R e TFEQ -50,7% dos com compulsão alimentar antes da CB: 51,5% com TCA e 48,4% com TCA subclínico (DSM-IV) -33 com compulsão alimentar (75,7% ♀♂). Média 40 anos; IMC médio: 56,7
Dymek-Valentine et al., 200461 Carolina do Norte 168 candidatos à CB (85,9% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 39,5 anos. IMC médio 50,8 Examinar a utilidade de 2 instrumentos diagnósticos do TCA Avaliação por meio de entrevista (DSM-IV) e QEWP-R - 26,7 % com diagnóstico de TCA pelo QEWP-R vs. 14,2% pelo ED-SCID - 55,9% sem compulsão alimentar pelo QEWP-R vs. 67,8% pelo ED-SCID - 16% com compulsão subclínica pelo QEWP-R vs. 17,2 % pelo ED-SCID
Sarwer et al., 200462 Pensilvânia 90 candidatos à CB (82,2% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico, banda gástrica vertical. Média 43,4 anos. IMC médio 54,9 Investigar os diagnósticos e história de tratamento psiquiátrico Avaliação por meio do Weight and Lyfestile Inventory e QEWP - 26,6% com diagnóstico de TCA - 15,5% com TCA subclínica - 2,2% com BN
Grilo et al., 200588 Connecticut 260 candidatos à CB (83% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 43,2 anos. IMC médio 51,3 Avaliar insatisfação corporal e associações com IMC e compulsão alimentar Avaliação por meio do QEWPR e EDE-Q - 21,5% da amostra com compulsão alimentar (1 ou mais episódios por semana)
Grilo et al., 200563 Connecticut 260 candidatos a CB (83,1% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 43,2 anos. IMC médio 51,3 Avaliar presença de TA, checagem e esquiva corporal Avaliação por meio do Body BSQ e EDE-Q - 21,5% relataram compulsão alimentar uma ou mais vezes por semana. A checagem corporal foi positivamente associada com a restrição (mas não com a compulsão); esquiva foi positivamente associada com a compulsão alimentar (mas não com a restrição)
Allison et al., 200664 Pensilvânia 210 candidatos à CB (82% ♀). Tipo de cirurgia não informado. Média 44,4 anos. IMC médio 50,4 Avaliar presença da SAN e do TCA Avaliação por entrevistas e Night Eating Questionnaire – NEQ e QEWP-R -23,7% relataram hiperfagia noturna pelo NEQ (e 3,7% na entrevista); - 7,2% relataram ingestões noturnas - 13,9% combinação de ingestão e hiperfagia - 0,5% atingiram os critérios de BN (excesso de exercícios e jejum como comportamentos compensatórios) sem SAN
Elder et al., 200665 Connecticut 249 candidatos à CB (82,7% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 43,5 anos. IMC médio 51,4 Comparar 2 questionários de autorrelatos na avaliação da compulsão alimentar Avaliação com QEWP-R e EDE-Q - 20,7% dos pacientes com compulsão alimentar pelo EDE-Q e 23,2% pelo QEWP-R - 13,9 % dos pacientes com compulsão alimentar 2 vezes/semana no QEWP-R e 8,9% pelo EDE-Q
Bocchieri-Ricciardi et al., 200666 Illinois 72 submetidos à CB (79% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média 41,2 anos. IMC médio 54 Comparar comportamento alimentar e resultados no peso entre pacientes com e sem compulsão Avaliação antes e 12, 18 meses após a CB por do QEWP-R e TFEQ Antes da CB: - 33% com compulsão alimentar (1 episódio/semana): 23,6% destes com TCA (2 episódios/semana)
Rosenberger et al., 200657 Connecticut 174 candidatos à CB (75,3% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média 42,9 anos. IMC médio 50,2 Examinar a prevalência de transtornos psiquiátricos e associação com TA Avaliação por meio de entrevista clínica estruturada (DSM-IV) - 13,8% com qualquer TA na história anterior (13% ♀) e 10,3% com qualquer TA atual (9,2% ♀); 9,2% dos pacientes com história anterior de TA não especificado (8,4% ♀) e 6,9% com transtorno não especificado atual (5,3% ♀); 4,6% com história anterior de TCA (4,6% ♀) e 3,4% com TCA atual (3,8% ♀)
White et al., 200689 Connecticut 139 submetidos à CB (89,2% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 42,4 anos. IMC médio 51,7 Examinar relação da compulsão alimentar pré-operatória e resultados após 12 meses da CB Avaliação antes e após CB por meio do EDE-Q Frequência de compulsão alimentar (antes da CB / após 12 meses): – nenhuma: 60,4% / 90,5%; pouco frequente: 15,8% / 8,8%; regular: 13,7% / 0,7% - frequente: 10,1% / nenhuma
Mazzeo et al., 200667 Virgínia 487 candidatos à CB (83,9% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 39,9 anos. IMC médio 48,3 Examinar diferenças de sexo e correlatos nos TA Avaliação antes da CB por meio do QEWP e BES Não houve diferença significativa entre os sexos em compulsão alimentar pelo BES – 26,4% ♂ e 25,4% ♀ apresentaram todos os critérios de TCA pelo QEWP – sem diferenças de sexo em comportamento beliscador
Wolfe e Terry, 2006156 Novo México 93 submetidos à CB (87,1% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico Y em Roux. Média ♀ 43,3 anos; ♂ 50,9 anos. IMC médio 52,5 Identificar expectativas sobre os resultados da CB e o impacto psicossocial da cirurgia e perda de peso Avaliação antes e 3 a 12 meses após a CB por revisão dos prontuários médicos, e questionários - 59,1% dos pacientes com compulsão alimentar com frequência de 1-2 vezes/semana - 40,9% dos pacientes sem compulsão alimentar
Fischer et al., 200768 Illinois 144 submetidos à CB (80,6% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média 40,2 anos. IMC médio 54,1 Descrever padrões alimentares emocionais e compulsão alimentar antes CB, e avaliar efeitos na perda de peso após CB Avaliações antes e 8-13 meses depois da CB por meio do QEWP; Emotional Eating Scale – EES e TFEQ - 31,5% apresentaram compulsão 2 vezes por semana; 60,1% menos de 1 por semana ou nenhuma e 8,4% com 1 vez por semana; 12,5% apresentaram alguma forma de vômito autoinduzido, uso de diurético, laxantes e medicamento para emagrecer. “Alimentação emocional” foi positivamente associada com compulsão alimentar
Kalarchian et al., 2007166 Pensilvânia 288 candidatos à CB (83,3% ♀). Média 46,2 anos. IMC médio 52,2 Examinar a relação da psicopatologia ao grau de obesidade e condição de saúde Avaliação antes da CB por entrevista estruturada (DSM-IV) e Medical Outcomes Study 36-item - 27% com TCA preexistente e 16,3% na avaliação antes da CB - 3,5% com BN preexistente e presente em 1 paciente na avaliação antes da CB; 29,5% com qualquer TA preexistente e 16,3% na avaliação antes da CB - AN ausente nas duas medidas
Rusch e Andris, 200753 Wisconsin 3 ♂ submetidas à CB. Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Idades: 38, 51 e 36 anos. IMC não mencionado no caso I; 49 no II, e 43 no III Descrever as respostas clínicas na CB Estudo de caso com descrições dos sintomas de TA por meio de autorrelatos Caso I – AN: no seguimento de 2 meses após CB com comportamentos de esquiva alimentar e recusa de suplementos vitamínicos por medo de aumento da fome e ganho de peso. Caso II – perda excessiva de peso por restrição 12 meses após CB por medo do ganho de peso; seguida por uso de laxantes (3 anos após CB) e reganho de peso (4 anos após CB). Várias tentativas de perda de peso, mas com reganho e continuando a sentir-se gorda. Caso III – náusea e vômito persistente por desidratação e náusea 1 semana após CB com diminuição da ingestão de líquidos agravando a náusea, e pulando refeições. Aos 3 meses após a CB desenvolveu aversão aos alimentos e vômitos
Zimmerman et al., 2007154 Rhode Island 500 candidatos à CB (81,4% ♀). Média 41,5 anos. IMC médio 47,7 ♀; 51,1 ♂ Examinar as decisões para recomendação da CB, frequência da não indicação e os motivos Avaliação pela Structured Clinical Interview (DSM-IV); Rohde Island Bariatric Surgery Interview, Surgery Clearance Form -18,4% não foram recomendados para a CB e os motivos foram a presença de: superalimentação (62%); TA (27,2%), e destes: 16,3% TCA; 7,6% TA não especificado; 2,1% com TA pelo Surgery Clearance Form, mas não pela entrevista clínica estruturada; 1% BN
Friedman et al., 200877 Carolina do Norte 94 candidatos à CB (73,4% ♀). Média 47,8 anos. IMC médio 47,8 Avaliar associação estigmatização, funcionamento psicológico e compulsão alimentar Avaliação por entrevista clínica de acordo com o DSM-IV, e BES - 25% dos pacientes completaram os critérios diagnósticos de TCA
Morrow et al., 2008167 Nova Iorque 24 submetidos à CB (91,6% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média 18 a 52 anos. IMC médio 40 a 70 Comparar pacientes com e sem alimentação noturna e resultados no peso, e imagem corporal Avaliação antes e 2, 5 meses após a CB, pelo Night Eating Questionnaire – NEQ - 41,6% apresentaram alimentação noturna
Sansone et al., 200869 Ohio 121 candidatos à CB (85,9% ♀). Média 44,6 anos. IMC médio 47,2 Examinar a prevalência do TCA alimentar e transtorno borderline Avaliação por meio do QEWP-R - 76% (n = 92) dos candidatos à CB completaram o QEWP-R, destes, 6,5% com TCA
Alger-Mayer et al., 200945 Nova Iorque 157 submetidos à CB (86% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Avaliar o efeito da compulsão alimentar pré-CB na perda de peso Avaliação antes e de 1 a 6 anos após CB, pela BES; Short-Form 36 Medical Outcomes Antes da CB (média 45 anos; IMC médio 50,7): - 23,5% com compulsão alimentar severa - 31,8% com compulsão alimentar moderada - 44,5% sem compulsão alimentar
White et al., 201046 Connecticut 361 submetidos à CB (86,1% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 43,7 anos. IMC médio 51,1 Avaliar perda de controle alimentar na CB Seguimento com avaliações antes e 6, 12, 24 meses. Avaliação pelo EDE-Q Perda do controle alimentar: 61% antes da CB (grandes ou pequenas quantidades); 31% aos 6 meses de seguimento; 36% aos 12 meses; 39% aos 24 meses (significantemente > aos 12 e 24 meses após a CB) Pacientes com perda do controle após CB perderam significantemente menos peso aos 12 e 24 meses
Kofman et al., 201026 Nova Iorque 497 submetidos à CB (96,5% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 43,2 anos. IMC médio não mencionado Avaliar relações entre comportamentos alimentares, resultados do peso e qualidade de vida Avaliação 3 a 10 anos após a CB por meio de autorrelatos via Internet e QEWP-R - 49,9% relataram sintomas de compulsão alimentar ou perda do controle alimentar - 27% referiram superalimentação - 18% com compulsão alimentar atingiram o critério modificado do DSM-IV para TCA - 46,6% relataram comportamento beliscador
Azarbad et al., 201078 Illinois 384 ♀ candidatas à CB. Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 39,3 a 44,6 anos. IMC médio 47,6 a 51,7 Comparar características demográficas, psicossociais e sintomas de TCA Avaliação por meio de entrevista e BES Com diagnóstico passado e atual de TCA pelo DSM-IV variou de 11,5% a 15,7% Sem diferenças significativas entre os três grupos quanto à classificação da sintomatologia de compulsão alimentar severa: variou de 5,7% a 9,5%
Hood et al., 201179 Illinois 272 submetidos à CB: 142 por bypass em Y-Roux (83,1% ♀); 130 por banda gástrica (88,5% ♀) Comparar os resultados no IMC e estresse psicológico Avaliação antes da CB por meio da BES Prevalência de compulsão alimentar: - Grupo de bypass (média 44 anos; IMC médio 50,1): compulsão alimentar leve (67,4%), moderada (26,2%), severa (6,4%) - Grupo banda gástrica (média 44,7 anos; IMC médio 47,1): compulsão alimentar leve (80%), moderada (17,7%), severa (2,3%)
Rutledge et al., 2011168 Califórnia 70 pacientes não cirúrgicos (16% ♀). Média 53,6 anos. IMC médio 42; 25 candidatos à CB (25,7% ♀). Média 51,3 anos. IMC médio 42 Examinar fatores biomédicos e psicológicos na CB Avaliados pelo Managing Overweight/Obesity Questionnaire - 88% dos candidatos à CB apresentaram compulsão alimentar pelo menos uma vez/semana versus 82,3% dos pacientes não cirúrgicos
Jones-Corneille et al., 201270 Pensilvânia 105 candidatos à CB Comparar pacientes com ou sem compulsão na perda de peso Avaliação por meio de entrevista clínica estruturada e QEWP e EDE - 41,9% diagnosticados (DSM) com TCA (77,3% ♀). Média 47,9 anos; IMC médio: 49,1. Destes: 1 (2,3%) com qualquer TA e 1 (2,3%) com AN
Zunker et al., 201228 Dakota do Norte 29 submetidos à CB (93% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média 46,7 anos. IMC médio 29,0 Explorar comportamentos alimentares e compreensão do termo “beliscar constante” do ponto de vista dos pacientes Estudo qualitativo diante das questões “o que é beliscar” e “como isto te afeta” Avaliados em média 8 anos após a CB As definições dos pacientes foram: “beliscar” = comer com frequência, o dia todo, comer sem controle (8 relatos); por aborrecimento, sem fome, em pequenas porções, sem a ideia do excesso de consumo (28 e 20 relatos). Também incluídos: alimentação descuidada e não planejada, não saudável, similar a maus hábitos (8); exceder os limites físicos, com purgação e voltar a comer (6)
Crowley et al., 2012169 Virgínia 138 submetidos à CB (78,2% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico; sleeve gastrectomia, banda gástrica. Média 46,6 anos. IMC médio 49,9 Investigar o valor preditivo do Food Craving Questionnaire-Trait para avaliar resultados na perda de peso Avaliação pré- e 6 meses após a CB por entrevista clínica e Food Craving Questionnaire-Trait - 12,3% relataram compulsão alimentar (81,1% negaram compulsão alimentar e 6,5% não responderam) - 58,6% relataram “alimentação emocional” (36,9% negaram alimentação emocional e 4,3% não responderam)
Lent e Swencionis, 201271 Nova Iorque 97 candidatos à CB (85,6% ♀). Média 41 anos. IMC médio 45,2 Examinar relação entre personalidade aditiva e comportamentos alimentares em candidatos à CB Avaliação pelo Overeating Questionnaire; QEWP-R e Eating Attitudes and Behaviors Questionnaire - 22,6% com TCA
Mitchell et al., 201286 Dakota do Norte 199 candidatos à CB (83% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux ou banda gástrica ajustável. Média 46 anos. IMC médio 44,9 Descrever psicopatologias, qualidade de vida, humor e frequência de uso de drogas psicotrópicas pré- e pós-CB Avaliação por entrevista clínica estruturada (DSM-IV) e EDE e EDE-BSV TA na história prévia: 15,6% (15,8% ♀) com qualquer TA (sem TA não especificado); 26,6% (28% ♀) com qualquer TA (com TA não especificado); 13,1% com TCA (13,3% ♀); 13,1% com TA não especificado (15,2 % ♀); 2,5% com BN (3% ♀). TA atuais (antes da CB): 11,1% (11,5% ♀) com qualquer TA (sem TA não especificado); 10,1% com TCA (10,3% ♀); 1% com BN
Faulconbridge et al., 201372 Pensilvânia 36 pacientes com compulsão, submetidos à CB (72,2% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média 47 anos. IMC médio 48,9; 49 pacientes com compulsão, sem cirurgia (79,6% ♀). Média 43,8 anos. IMC médio 44,3 Comparar mudanças no peso, depressão e qualidade de vida em indivíduos com TCA submetidos à CB ou modificação do estilo de vida Avaliação por meio do EDE, Beck Depression e QEWP Aos 6 meses de seguimento: - 94% dos pacientes de CB e 87,8% do grupo estilo de vida não completaram os critérios para TCA - Aos 12 meses de seguimento: - 91,7% do grupo CB e 85,7% do grupo estudo de vida não completaram os critérios de TCA Não houve diferenças significantes entre os grupos para compulsão alimentar no seguimento
Marek et al., 201380 Ohio 982 candidatos à CB (67% ♀). Média 46 anos. IMC médio 49,1 Descrever dados de avaliações pré-cirúrgicas de candidatos à CB Avaliação por meio de entrevista semiestruturada, teste psicológico e BES - 22,1% com TCA - 3,4% com SAN - 6,3% com uso de laxantes e diuréticos - 4,4% com vômitos para perder peso
Marek et al., 201481 Ohio 586 candidatos à cirurgia bariátrica Comparar personalidade de pacientes com e sem TCA Avaliação por meio da BES e entrevista semiestruturada (DSM-IV-TR) - 50,6% (n = 297) com TCA (71,7% ♀). Média de idade: 45,1 anos; IMC médio: 51,1 - 49,3% (n = 289) sem TCA (73,3% ♀). Média de idade: 45,5 anos; IMC médio: 51,1
Marek et al., 201482 Ohio 1.283 candidatos à CB (72,4% ♀). Média 45,9 anos; IMC médio 49,1 Examinar prevalência do TCA – critérios DSM-IV versus DSM-IV-TR Avaliação por meio da BES e entrevista estruturada (DSM-IV-TR) - 23,1 (n = 297) com TCA pelo DSM-IV (71,7% ♀). Média de idade: 45,2 anos; IMC médio: 51,1 - 3,43% (n = 44) com TCA pelo DSM-V. Na amostra total (n = 341) a prevalência de TCA aumentou de 23,1% para 26,5% quando se usa o DSM-V
Kalarchian et al., 201487 Pensilvânia 144 submetidos à CB (92% ♀). Tipo de cirurgia: 87 bypass em Y-Roux e 56 banda gástrica. Média 44,8 e 45 anos. IMC médio: 46,8 e 43,5 Relatar os efeitos colaterais gastrointestinais após a CB Avaliação antes e 6 meses após CB por meio de entrevistas e questionários adaptados do EDE - 68,6% dos pacientes de bypass e 65,1% dos pacientes de banda gástrica relataram vômito 6 meses após a CB; e 1 dos pacientes relatou vômito autoinduzido associado com preocupação com a forma ou peso
Lavender et al., 201458 Dakota do Norte 68 submetidos à CB (89,7% ♀). Tipo de cirurgia não mencionado. Média 42,9 anos. IMC médio 46,5 Examinar TCA e mudanças no funcionamento cognitivo após a CB Avaliação por meio de entrevista clínica estruturada de acordo com os critérios do DSM IV - 29,4% com história anterior de TCA subclínico - 8,8% dos participantes com TCA após a CB
Miller-Matero et al., 2014170 Michigan 142 candidatos à CB (81 % ♀). Tipo de cirurgia não mencionado. Média 46,2 anos. IMC médio 49 Estimar prevalência de alimentação emocional e “adição à comida” e outros comportamentos alimentares Avaliação por entrevista clínica (DSM-IV) e Emotional Eating Scale; Yale Food Addiction Scale - 15,5% com compulsão alimentar preexistente e 4,9% com compulsão alimentar na avaliação pré-cirúrgica
Mitchell et al., 201547 Dakota do Norte 2.266 candidatos à CB (78,6% ♀). Média 46 anos. Tipos de cirurgia: bypass gástrico, banda gástrica; Sleeve; desvio biliopancreático com switch duodenal. IMC médio 45,9 Descrever prevalência de comportamentos alimentares problemáticos, e fatores associados com o TCA Avaliação por meio do Longitudinal Assessment of Bariatric Surgery-2 - 43% com perda do controle alimentar; 17,7% com SAN; 15,7% com TCA; 2% com BN Fatores associados à compulsão alimentar antes da CB: comer mais vezes ao dia; tomar medicação psiquiátrica; transtornos do uso de álcool; baixa autoestima, e sintomas depressivos
Mitchell et al., 201573 Dakota do Norte 2.225 candidatos à CB Determinar o TCA e a associação com comorbidades médicas Avaliação 30 dias antes e 6 meses antes da CB por meio do QEWP-R -15,7% (n = 350) pacientes com TCA (80,2% ♀). Média de idade: 47 anos; IMC médio: 45,6 - 10,8% do grupo sem o TCA atingiram o critério de subsíndrome (DSM-V)
Sondike et al., 201554 Virgínia 1 ♀ submetida à CB. Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Idade: 18 anos. IMC 37,1 Descrever síndrome clínica completa de BN após a CB, sem psicopatologia pré-mórbida Relato de caso, avaliação por meio de entrevista (DSM-V) - Iniciou compulsão e vômito autoinduzido após 3 meses; cuspir o alimento após 6 meses; compulsão severa e extrema rigidez com a comida após 12 meses; e evitação comer em público e isolamento social, ansiedade e depressão, reganho de peso aos 24 meses
Shear e DeFilippis, 201555 Nova Iorque 1 ♀ submetida à CB. Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Idade: 52 anos. IMC 17,6 Descrever AN antes e reemergência após a CB Relato de caso por meio de entrevista, com diagnóstico da AN pelo DSM-V Paciente com história anterior de AN, restrição alimentar, excesso de exercícios e uso de laxantes na adolescência e reemergência dos sintomas aos 34 anos. Após tratamento, com compulsões por mais de 10 anos atingiu obesidade mórbida. Após a CB apresentou restrição alimentar, exercício excessivo e uso de laxantes, resistência ao plano alimentar, restrição alimentar e vômitos
Koball et al., 201674 Minnesota 923 candidatos à CB (71% ♀). Média 47,9 anos. IMC médio 45,8 195 submetidos à CB. Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux Identificar a “adição ao alimento” e associação com humor, TA e uso de substâncias, e a relação com os resultados pós-CB Avaliações antes, e 6 e 12 meses após a CB por meio de entrevista, testes psicológicos e: Yale Food Addiction Scale e QEWP - 14 % (n = 130) apresentaram adição alimentar, segundo Yale Food Addiction Scale pré-CB antes da CB e 85,9% (n = 793) sem adição alimentar - No grupo com “adição alimentar” 37,7% (n = 49) tinham compulsão alimentar; e 8,7% (n = 11) SAN - No grupo sem adição alimentar: 3,7% (n = 29) com compulsão alimentar e 2,2% (n = 17) com SAN
Goodpaster et al., 201630 Oregon 288 candidatos à CB (77,4% ♀). Média 45,8 anos. IMC médio 48,0 Caracterizar o comportamento beliscador e perda de controle alimentar Avaliação com entrevista semiestruturada, teste psicológico e BES - 33% dos pacientes relataram comportamento beliscador (destes, 32% perda do controle alimentar), e apresentaram mais TCA (43,3% pelo DSM-IV-TR) do que os sem perda de controle
Wadden et al., 2016159 - errata (1ª publicação em 2011) Pensilvânia Amostra de 144 sujeitos: 95 pacientes submetidos à CB. Tipo de cirurgia: bypass gástrico e banda gástrica ajustável Comparar as mudanças no peso após 1 ano da CB entre indivíduos com e sem TCA Avaliação pré- e pós-CB por meio de entrevista clínica e Weight and Lifestyle Inventory e EDE Antes da CB: 33 (34,7%) TCA (♀ 72%). Média 47 anos; IMC médio: 48,9; 49 (34,0%) grupo de comparação: obesos com compulsão alimentar (♀ 79,6%). Média 43,8 anos; IMC médio: 44,3 Após a CB: 94,4% não completaram os critérios do TCA aos 6 meses, e 91,7% aos 12 meses

* Por ordem de publicação / ♀ = mulheres / ♂ = homens; IMC: índice de massa corpórea (kg/m2); AN: anorexia nervosa; BN: bulimia nervosa; TCA: transtorno da compulsão alimentar; SAN: síndrome de alimentação noturna; DSM-IV: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 4ª edição; DSM V: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5ª edição; BES: Binge Eating Scale; BSQ: Body Shape Questionnaire; BITE: Bulimic Investigatory Test of Edinburgh; EDE: Eating Disorders Examination; EDE-Q: Eating Disorder Examination Questionnaire; EDE-BSV: Eating Disorder Examination-Bariatric Surgery Version; TFEQ: Three Factor Eating Questionnaire; EDQ: Eating Disorder Questionnaire; EAT: Eating Attitudes Test; QWEP: Questionnaire on Weight and Eating Patterns; QWEP-R: Questionnaire on Eating and Weight Patterns-Revised.

Tabela 3 Estudos internacionais (países diversos) realizados sobre cirurgia bariátrica (CB) e transtornos alimentares (TA) e comportamentos alimentares disfuncionais (N = 63)* 

Autores/Local Público Objetivo Método Resultados
Ringel, 1987108 Local não especificado 1 ♀ submetida à CB. Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Idade: 40 anos. IMC 35,8 Descrever “BN” desenvolvida após a CB Relato de caso com informações obtidas por entrevista clínica Paciente com compulsão antes da CB; vômito autoinduzido para evitar ganho de peso 5 meses pós-CB (8-10 vezes/semana). Recusou tratamento mantendo 4-5 vezes vômitos/dia 1 ano após a CB
Rowston et al., 1992102 Inglaterra 16 submetidos à CB (75% ♀). Tipo de cirurgia: Scopinaro. Média de idade não mencionada (de 23-55 anos). IMC médio: 45,5 Investigar os efeitos da CB na autoestima, imagem corporal, padrões alimentares Avaliações antes e 3, 12 e 24 meses após a CB por meio de entrevista semiestruturada e BITE - 43,7% relataram medicamento para emagrecer, uso de diuréticos e laxantes, e vômito autoinduzido (artigo não separa por comportamentos) antes da CB – que não continuaram após esta; 12,5% apresentaram esses comportamentos (não separa por comportamentos) após a CB
Viens e Hranchuk, 199299 Canadá 1 ♀ submetida à CB. Tipo de cirurgia: gastrectomia parcial. Idade: 35 anos. IMC não mencionado Descrever o tratamento de BN severa após CB Estudo de caso por meio de entrevista e autorrelato e Beck Depression Inventory Paciente com história prévia de episódios frequentes de compulsão. Após CB = compulsão e vômito autoinduzido e falta de controle alimentar
Pekkarinen et al., 199417 Finlândia 27 submetidos à CB (70,3% ♀). Tipo de cirurgia: banda gástrica vertical. Média: 36 anos. IMC médio: 50 Investigar os resultados da CB em seguimento de 4 vezes por ano (média por 5,4 anos) e avaliar preditores do resultado no peso Medidas de qualidade de vida, e BES e BITE - 37,1% com compulsão alimentar (os sem compulsão perderam em média 50% do excesso de peso vs. 24% dos com compulsão; e o reganho de peso dos com compulsão = média de 23 kg vs. 5 kg dos sem compulsão); 7,4% dos com compulsão tiveram 82% de redução do peso após 4 anos, mas apresentaram purgação e uso de medicação para evitar o reganho de peso
Adami et al., 1995138 Itália 92 candidatos à CB (71,7% ♀). Média: 37 anos. IMC médio: 47 Avaliar prevalência da compulsão alimentar e hábitos alimentares Avaliação por meio de entrevista clínica semiestruturada e TFEQ e EDI - 46,7% preencheram critério TCA - 21,7% com compulsão alimentar subjetiva
Bonne et al., 1996109 Israel 2 ♂ submetidos à CB. Tipo de cirurgia: banda gástrica. Idade: 19 e 27 anos. IMC: 45 e 47 Descrever o desenvolvimento de AN após a CB Estudos de caso avaliados 2 anos após CB por entrevistas e autorrelatos Ambos apresentaram restrição visando à perda de peso, e 1 relatou vômito autoinduzido. Um perdeu 76 kg e outro atingiu peso 15% abaixo mínimo
Atchison et al., 199891 Austrália 2 ♀ submetidas à CB (44 anos e 53 anos). Tipo de cirurgia: bypass gástrico e outra técnica não mencionada Descrever AN após a CB Relato de caso por entrevista clínica 12 meses após CB no 1º caso, e 17 meses após CB no 2º caso - As 2 pacientes descreveram medo intenso do reganho de peso, com restrição severa e vômitos autoinduzidos; 1 apresentou excesso de exercícios; ambas relataram uso de laxantes - IMC mínimo atingido = 15 e 19
Adami et al., 1999115 Itália 63 submetidos à CB (76,1% ♀). Tipo de cirurgia: desvio biliopancreático. Média: 37,6 anos. IMC médio: 46,9 Investigar as relações entre TCA e alimentação noturna Avaliação antes e 1, 2 e 3 anos após a CB, por meio de entrevista estruturada Antes da CB: 42,8% com TCA, 7,9% com alimentação noturna e TCA; 2 anos após a CB: 3,1% com compulsão. Daqueles sem TCA antes, 11,1% iniciaram compulsão mais de 2 vezes/semana; 3 anos após a CB: 42,8% dos com compulsão não mais apresentavam. Dos pacientes sem TCA antes, apenas 1 permaneceu com transtorno; 6,3% com alimentação noturna
Guisado et al., 2002110 Espanha 1 ♀ submetida à CB. Tipo de cirurgia não mencionado. Idade: 32 anos. IMC não mencionado Descrever sintomas de AN subclínica após a CB Relato de caso clínico Paciente obesa desde os 12 anos; após CB se achava “muito gorda” e tinha grande preocupação com flacidez; perdeu 55 kg (IMC 24,2) e queria perder mais peso apresentando importante restrição alimentar, vômitos, uso de diuréticos e amenorreia após 5 meses
Lang et al., 2002103 Suíça 66 submetidos à CB (87,9% ♀). Tipo de cirurgia: banda gástrica. Média: 38,1 anos. IMC médio: 48,1 Descrever as mudanças no comportamento alimentar durante o 1º ano após a CB Avaliação antes e 3, 6, 9 e 12 meses após a CB, por meio do Eating Inventory; Binge Scale Questionnaire e BSQ - 63,6% com episódios de compulsão na avaliação pré-CB (destes, 39,4% não apresentaram compulsão após 1 ano); dos 36,4% sem compulsão antes, 4,5% relataram surgimento de compulsão; após 1 ano da CB: 28,8% com compulsão alimentar
Macias e Leal, 2003143 Espanha 140 submetidos à CB (60% ♀). Tipo de cirurgia: gastroplastia de banda vertical Avaliar o status psicopatológico daqueles com TCA e outros obesos Pacientes avaliados pré- e após 18 meses de CB por meio da BES e TFEQ - 17,8% com compulsão (60% ♀). Média 36,4 anos; IMC médio não mencionado. Aqueles com compulsão tiveram < perda de peso após 18 meses (24,5% vs. 31,1%) e apresentaram mais psicopatologias, menos restrição, mais desinibição e mais fome do que aqueles sem compulsão
de Zwaan et al., 2003129 Alemanha 110 candidatos à CB (87,3% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média: 39,2 anos. IMC médio: 48,5 Investigar a prevalência do TCA de psicopatologia geral e qualidade de vida Avaliação por meio do EDQ, EDEQ, QEWP e TFEQ -17,2% com TCA. Média 41,3 anos; IMC médio 48. Na amostra geral, 10,4% com vômito (sem diferenciação); 12% com uso de laxantes; 11% com uso de diuréticos e 80% com uso de medicação para emagrecer
de Zwaan et al., 2004125 Alemanha 45 submetidos à CB (86,6% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico Média 42 anos; IMC médio: 51,8 Comparar 2 métodos de avaliação de características dos TA em pacientes após a CB Avaliação de 6 meses a 3 anos após a CB, por meio da EDE e EDE-Q - 17,7% relataram superalimentação ou episódios de compulsão, de acordo com EDE. Houve concordância entre EDE-Q e EDE: 53,3% sem compulsão e 15,5% com compulsão; 4,4% das ♀ relataram vômito autoinduzido para redução do peso (discordância nos escores episódios bulímicos: 2,13% EDE e 1,78% EDE-Q)
Larsen et al., 2004148 Holanda 250 submetidos à CB (88,4% ♀). Tipo de cirurgia: banda gástrica ajustável. Média: 39,6 anos Avaliar a compulsão alimentar a curto e longo prazo após a CB e a relação com o peso e qualidade de vida Avaliados antes e após CB por meio da BES, DEDE e DEBQ -93 (37,2%) avaliados antes CB; IMC médio 46,5 = 55,9% com compulsão -48 (19,2%) com seguimento de 8-24 meses após CB; IMC médio 45,5 = 31,9% com compulsão; 109 (43,6%) com seguimento de 25-68 meses após CB; IMC médio 45,4 = 37,4% com compulsão
Latner et al., 200492 Nova Zelândia e USA 65 ♀ à CB. Tipo de cirurgia: bypass gástrico. Média: 39,5 anos IMC médio: 54,1 Examinar a prevalência dos TA antes e após a CB e relação com resultados no peso Avaliação antes da CB por meio de entrevista semiestruturada e por telefone após CB por meio do PRIME-MD e EDE - 48% com TCA antes da CB e nenhum após a CB; 1 paciente completou os critérios para BN antes da CB, mas não após (60% com vômito involuntário após CB); 20% com episódios de superalimentação sem perda do controle antes da CB, e nenhum após a CB; 55% com alimentação noturna antes da CB, e 2% após a CB
Busetto et al., 2005116 Itália 379 submetidos à CB (% ♀ e ♂ não informada). Tipo de cirurgia: banda gástrica ajustável laparoscópica Obter dados objetivos para apoiar ou rejeitar a seleção de indivíduos com compulsão alimentar como candidatos à CB Avaliação antes e após 5 anos da CB por entrevista clínica e diagnóstico do TCA de acordo com DSM-IV Antes da CB: 34,3% (n = 130) com compulsão alimentar (79,2% ♀), médio 36 anos; IMC médio 47,6; 10,8% com alimentação noturna e 49,2% com comportamento beliscador; 65,6% (n = 249) sem TCA (71,5% ♀), média 38,3 anos; IMC médio 46,6 = destes, 0,8% com alimentação noturna e 32,5% com comportamento beliscador
Burgmer et al., 2005144 Alemanha 149 submetidos à CB (68% ♀). Tipo de cirurgia: banda gástrica vertical e desvio biliopancreático. Média: 38,8 anos; IMC médio: 50,9 Investigar dimensões do comportamento alimentar e TA na perda de peso após a CB Avaliação antes e após 12 meses da CB, por entrevista estruturada (DSM-IV) e TFEQ - 37,6% com compulsão (38,2% ♀) antes da CB e 20,1% (17,5% ♀) após CB; 7,4% dos com TCA (7,8% ♀) antes da CB; 2% com TCA após CB - 3,4% com BN (4,9 % ♀) antes da CB e 1 ♂ com BN após a CB; 24,2% com comportamento beliscador (30,4% ♀) antes da CB; e 19,5% após CB (24,5% ♀)
Poole et al., 2005124 Inglaterra 32 submetidos à CB Tipo de cirurgia: banda gástrica ajustável laparoscópica Avaliar e identificar TA passados e atuais, comportamento beliscador e transtornos psiquiátricos Avaliação com revisão dos registros cirúrgicos e psiquiátricos de acordo com o DSM-IV Grupo pouco cumpridor dos cuidados (N = 9) versus cumpridores (N = 9): comportamento beliscador (78% vs. 22%); TCA (44% vs. 22%), 22% BN no pouco cumpridor. Cumpridores “caóticos” (n = 7) vs. controles (n = 7): comportamento beliscador (86% vs. 14%); TCA (29% vs. 29%); 29% BN no grupo “caótico”
Kinzl et al., 2006117 Áustria 104 ♀ submetidas à CB Tipo de cirurgia: banda gástrica. Média: 44 anos. IMC médio: 43,7 Avaliar comportamento alimentar, transtornos psiquiátricos, e peso após a CB Avaliação antes e após 30-84 meses da CB, por meio da Structured Clinical Interview for Mental Diseases (SCID) Antes da CB: 37,5% com TCA; 27,8% com superalimentação; 9,6% com comportamento beliscador e SAN (sem diferenciação)
Taylor et al., 2006100 Canadá 1 ♀ submetida à CB Tipo de cirurgia: banda gástrica ajustável laparoscópica. Idade: 25 anos IMC não mencionado Descrever BN após CB Relato de caso Paciente com histórico prévio de BN, com uso de laxantes e purgação; banda apertada 2 anos após CB para promover perda de peso, levando a quadro de disfagia severa, com dificuldade em engolir a saliva. Foi orientada a ajustar o acesso subcutâneo, e passou a fazê-lo como instrumento “bulímico” (junto a compulsões)
Colles et al., 200793 Austrália Amostra de 431 sujeitos: - 180 candidatos à CB (78,3% ♀) - 93 grupo de apoio (91,4% ♀) - 158 comunidade geral (78,5% ♀) Investigar significância clínica da SAN e lanche noturno com obesidade, TCA Avaliação por meio de autorrelatos, entrevistas, QEWP-R e TFEQ Frequência de SAN = 48% com diferença entre os grupos: 19,4% nos candidatos à CB (média 44,8 anos; IMC médio: 44,5); 4,3% no grupo de apoio (média: 55,1 anos; IMC médio: 32,7); 5,7% na comunidade (média: 41,3 anos; IMC médio: 24,8). Frequência de lanches noturnos > entre os candidatos, e compulsão associada com a SAN
Scholtz et al., 2007118 Inglaterra 37 submetidos à CB (96,5% ♀) Tipo de cirurgia banda gástrica ajustável. Média: 39 anos IMC médio: 45 Descrever os TA e transtornos psiquiátricos após 5 anos da CB Análise dos dados dos prontuários e entrevista clínica estruturada para diagnóstico de TA (DSM-IV) - 41% com história prévia de TCA; 10% de BN e 3% de NA; 17% diagnosticados com TCA no pré-CB; 13% com compulsão; 37% com superalimentação; 13,5% TCA após CB; 10,8% compulsão; 2,7% restrição alimentar e AN (mas com IMC nos limites normais); 66% com história de TCA o eliminaram após CB, e 33% permaneceram com o transtorno
Colles et al., 200812 Austrália 129 submetidos à CB (79,9% ♀). Tipo de cirurgia: banda gástrica Média: 45,2 anos IMC médio: 44,3 Avaliar comportamentos alimentares antes e 1 ano após CB e associações clínicas e impacto na perda de peso Avaliação por meio de entrevistas semiestruturadas, autorrelatos, QEWP-R e TFEQ A frequência antes da CB e após 1 ano foi de: - TCA: 14% e 3,1%; descontrole alimentar: 31% e 22,5%; SAN: 17% e 7,8%; comportamento beliscador: 26,4% e 38,0%; restrição alimentar: 8,3% e 13%. Descontrole alimentar e comportamento beliscador identificados como de alto risco para reganho de peso após CB
Colles et al., 200894 Austrália - 180 candidatos à CB (78,3% ♀). Média: 44,8 anos. IMC médio: 44,5; 93 grupo perda de peso não cirúrgico (91,3% ♀); 158 comunidade (78,4% ♀) Investigar características comportamentais da compulsão alimentar Avaliação por entrevista semiestruturada (DSM-IV), QEWP-R e TFEQ - 17,8% dos candidatos à CB com diagnóstico de TCA; 3,2% do grupo não cirúrgico (média 55,1 anos; MC médio 32,7); 1,2% dos participantes da comunidade (média: 41,3 anos; IMC médio: 24,8) - 13,3% dos candidatos à CB apresentaram perda do controle alimentar; 10,8% do grupo não cirúrgico; e 7,6% dos participantes da comunidade
de Man-Lapidoth et al., 2008152 Suécia 54 candidatos à CB (75,9% ♀). 46 grupo perda de peso não cirúrgico (67,4% ♀) Investigar diferenças com relação ao diagnóstico de TA e sintomas de compulsão alimentar e psicopatologia geral Avaliação por meio do EDO, de acordo com o DSM-IV - 13% dos candidatos (média: 40,3 anos; IMC médio: 46,7) à CB apresentaram compulsão alimentar e 18,5%, TA - 26,1% do grupo não cirúrgico (média: 45,3 anos; IMC médio: 39,3) apresentaram compulsão alimentar e 4,3% apresentaram TA
Mauri et al., 2008147 Itália 282 candidatos à CB (79,8% ♀). Média: 42,1 anos. IMC médio: 43,5 Avaliar presença de transtornos psiquiátricos pré-CB Avaliação por entrevistas clínicas, escala de depressão e BITE Além de transtornos de humor, depressão, ansiedade, e de personalidade, 12,8% apresentaram sintomas de TA (1,8% BN e 10,9% TCA)
Ronchi et al., 2008119 Itália - 50 submetidos à CB (76% ♀). Tipo de cirurgia: desvio biliopancreático. Média: 42,6 anos. IMC médio: 44,5; 50 grupo não cirúrgico Comparar o comportamento alimentar de pacientes cirúrgicos e não cirúrgicos Avaliação por meio de entrevista clínica com questões elaboradas pela equipe bariátrica - 10% do grupo cirúrgico apresentou alimentação noturna e 8% no grupo não cirúrgico (70% ♀); média 40,8 anos; IMC médio: 40,7
Wölnerhanssen et al., 2008120 Suíça 380 submetidos à CB (78% ♀). Tipo de cirurgia: banda gástrica. Média: 40 anos. IMC médio: 44,3 Avaliar os resultados preditores da CB, em média 5 anos após a CB Avaliação por autorrelatos e entrevista de acordo com DSM-IV - 41% dos pacientes com TCA = 57% com comportamento beliscador e 59% com TA não definido
Mühlhans et al., 2009126 Alemanha 146 candidatos à CB (71,9% ♀). Média: 38,7 anos IMC médio: 49,3 Investigar a prevalência da psicopatologia e comparar com os resultados da literatura Avaliação por entrevista clínica (DSM-IV) e EDE - 50% com história anterior de qualquer TA (61% ♀) e 37,7% com qualquer TA atual (47% ♀); 50% daqueles com história anterior de TA não especificado = TCA (61% ♀) e 23% com TCA atual (29,5% ♀); 6,8% dos pacientes com história anterior de BN (9,5% ♀) e BN atual ausente
Kruseman et al., 2010104 Suíça 80 ♀ submetidas à CB. Tipo de cirurgia: bypass gástrico Y em Roux. Média: 37 anos IMC médio: 45,9 Documentar mudanças comportamento alimentar e estado psicológico após CB Avaliação antes e após 8 anos da CB por meio de diário alimentar; entrevista semiestruturada e EDI-II - 51 % apresentaram sintomas de compulsão alimentar ou SAN no mês antecedente à avaliação; após 8 anos da CB houve melhora nos escores do EDI-II; bulimia e insatisfação com o corpo
Dahl et al., 2010149 Noruega 157 candidatos à CB (73,2% ♀). Média ♀: 40,6 e ♂ 42,1 anos. IMC médio: ♀ 46,7, ♂ 48,0 Avaliar a frequência dos TA e diferenças entre sexos Avaliação do TA por meio do EDO 17,8% relataram um TA: 0,6% BN; 3,8% TA não especificado; 13,4% TCA; 14,6% compulsão alimentar. Frequência dos TA entre ♀ e ♂: - BN 0% e 2,4%; TA não especificado 3,5% e 4,8%; compulsão alimentar 17,4% e 11,9%
de Zwaan et al., 201011 Alemanha 59 submetidos à CB (84,7% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico Média: 44,5 anos IMC médio: 51,3 Descrever comportamento alimentar após a CB, e associações com a psicopatologia geral Avaliações 18 e 35 meses após CB, por meio de entrevistas, QEWP e EDE-BSV Antes da CB, 23,7% atingiram critério completo para TCA pelo QEWP, e 28,8% pelo EDE-BSV (84,7% de concordância). Em média após 2 anos da CB apresentaram: perda do controle alimentar = 25%; vômitos autoinduzidos = 11,9%; episódios bulímicos = 25%
Abilés et al., 2010136 Espanha 50 candidatos à CB (78% ♀): Obesidade III (76,7% ♀). Média: 39,3 anos. IMC médio: 44,9; Obesidade IV (79,2% ♀). Média: 38,5 anos. IMC médio: 55,9. Grupo controle (64% ♀). Média: 40,7 anos. IMC médio: 23,6 Analisar as características psicopatológicas de candidatos à CB Estudo prospectivo com avaliação por meio do General Health Questionnaire; Rosenberg Self-Esteem Scale; Food Craving Questionnaire-Trait e 4 - EDEQ4 - Compulsão objetiva: obesos III = 46,2 % / obesos IV = 66,7% / grupo de controle = 16%; Compulsão subjetiva: obesos III = 38,5% / obesos IV = 50% / grupo controle = 8% - Vômitos: obesos III = 3,8% / obesos IV = 12,5% / grupo controle = 4%; Uso de laxativos: obesos III = 3,8% / obesos IV = 4,2% / grupo controle = 0%; Uso de diuréticos: obesos III = 7,7% / obesos IV = 12,5% / grupo controle = 0% - Exercícios excessivos: grupo III = 15,4% / grupo IV = 41,7% / grupo controle = 24%
Noli et al., 2010145 Itália 150 candidatos à CB (64,6% ♀); 132 pacientes submetidos à CB (63,6% ♀). Tipo de cirurgia: desvio biliopancreático Investigar a relação entre alexitimia e comportamento alimentar Avaliação por entrevista e questionários Toronto Alexithymia Scale e TFEQ - 16% dos candidatos à CB (média 42 anos; IMC médio 46,6) com TCA e 5% dos pacientes de CB (média 43 anos; IMC médio 34,4) - 51% dos candidatos à CB com alimentação emocional e 31% no grupo de CB
Bonfa et al., 2010139 Itália 111 candidatos à CB (77,5% ♀). Média: 43,4 anos IMC médio: 45,4 Avaliar as características sociodemográficas e psicológicas de candidatos à CB Avaliação por meio de entrevista clínica semiestruturada (DSM-IV-TR), EDI e BES - 28% com diagnóstico atual de TCA; 36% relataram “alimentação emocional”; 27% relataram compulsão alimentar; 9,9% relataram comportamentos purgativos; 65,8% sem TCA
de Man-Lapidoth et al., 2011130 Suécia 130 submetidos à CB (78,4% ♀). Tipo de cirurgia bypass gástrico; banda gástrica; banda vertical e desvio biliopancreático. Média: 40,6 anos. IMC médio: 45,8 Investigar as associações em longo prazo entre compulsão alimentar e o resultado da CB Avaliações antes e 3 anos após a CB por meio do EDE-Q - 18,5 % apresentaram sintoma de compulsão alimentar antes da CB - 17,6 % relataram compulsão alimentar antes da CB e 28,4% após a CB
Legenbauer et al., 2011121 Alemanha - 151 submetidos à CB (66,9% ♀). Tipo de cirurgia não mencionado - 245 grupo perda de peso não cirúrgico (72,7% ♀) Investigar influência dos TA na perda de peso a curto e longo prazo, após tratamento cirúrgico e não cirúrgico Avaliação após 1, 3 e 4 anos por meio de entrevistas estruturadas (DSM-IV) - Frequência de TA anterior e atual não diferiu entre os grupos cirúrgico (média: 38,8 anos; IMC médio: 50,9) e não cirúrgico (média: 41,7 anos; IMC médio: 41,2): 8,6% versus 8,2%
Díaz et al., 2012131 Espanha 27 submetidos à CB (66,6% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico Média: 41 anos IMC médio: 43,7 Avaliar validade e concordância de 2 questionários para avaliação do TCA Pacientes avaliados por meio do EDE-Q, e QEWP-R - QEWP-R diagnosticou 7 pacientes (25,9%) com sintomas de compulsão e EDE-Q 5 (18,5%) – concordância diagnóstica foi pobre, mas houve forte associação entre os 2 nos itens que faziam referência a importância do peso e figura; sentimento de culpa depois de comer, sofrimento por comer em excesso e perder o controle
Müller et al., 2012132 Alemanha 90 candidatos à CB (72,2% ♀). Média: 37,9 anos. IMC médio: 48,8 Investigar relação entre compulsão alimentar e variáveis psicopatológicas Avaliação por meio do EDE-Q - 24,4 % com compulsão alimentar: 77,3% ♀ e 22,7 % ♂
Dahl et al., 2012150 Noruega 160 candidatos à CB (73,1% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico Média: 41,1 anos IMC médio: 47,2 Investigar sintomas psicopatológicos em pacientes com TA e com subdiagnóstico de TCA Avaliação dos sintomas por meio do EDO - 17,5% com diagnóstico de TA: destes, 3,5% BN, 13% TCA e 21,4% TA não especificado; 14,3% com subdiagnóstico de TA Pacientes com TA apresentaram níveis mais altos de depressão, ansiedade e neuroticismo
Beck et al., 2012140 Dinamarca 45 submetidos à CB (82,2% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média: 43,6 anos. IMC médio: 46,1 Investigar os sintomas de TA, depressão e ansiedade após a CB, e relações com perda de peso Avaliação de 14 a 30 meses após a CB por meio do EDI II - 27% apresentaram 3 ou mais sintomas de compulsão alimentar; 42% comiam porções maiores de comida do que o recomendado (36% com “Dumping”); 35% perda do controle alimentar; 37% sentimento de culpa após comer; 7% continuaram a comer apesar de sentir desconforto; 7% comeram sozinhos por vergonha
Abilés et al., 2013137 Espanha 110 candidatos à CB (70% ♀). Média 41 anos. IMC médio: 49,0. Divididos em: Obesos grau III (54,5%), Obesos grau IV (45,4%) Analisar mudanças na psicopatologia após a terapia cognitivo-comportamental (TCC), e diferenças entre pacientes com e sem TCA Avaliações por meio de entrevistas diagnósticas (DSM-TR), Food Craving Questionnaire e EDEQ4 Antes da TCC: TCA em 61% dos obesos grau III e 48% do grupo grau IV. Preocupação com o peso, imagem corporal e comida foi maior no grupo com compulsão Após TCC: redução na compulsão alimentar objetiva para 35,5% dos pacientes e cessação para 8% deles
Lautenbach et al., 2013111 Alemanha Uma ♀ submetida à CB. Tipo de cirurgia: Gastrectomia em sleeve e cirurgia de desvio duodenal após 1 ano Idade: 49 anos IMC: 50,3 Discutir perda de peso progressiva após CB Relato de caso Avaliação do TA por meio de relatos na psicoterapia após a 2ª cirurgia Paciente com compulsão alimentar e padrões alimentares anormais preexistente (infância e juventude), levando à obesidade severa; perda de peso insuficiente motivou 2ª intervenção. Após a 2ª cirurgia, compulsão se intensificou com comportamentos de restrição e intolerância subjetiva à gordura; má absorção e perda progressiva de peso levaram a IMC 17,3 e internações
Lier et al., 2013160 Noruega 127 submetidos à CB (74% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média: 41,3 anos. IMC médio: 45,3 Examinar a prevalência de transtornos psiquiátricos antes e 1 anos após a CB Avaliação antes e 1 ano após a CB por meio da Structured Clinical Interview - SCID-II Na avaliação pré-cirúrgica: 11% com TA e destes = 1% com BN e 10% com TCA. No seguimento de 1 ano (n = 87): 2% com TA (sem diferenciação) – os mesmos pacientes tiveram TA na avaliação antes da CB
Lin et al., 201390 China 841 pacientes: 54,1% submetidos à CB (70,5% ♀). Média: 34,1 anos. IMC médio: 39,5; 45,9% grupo não cirúrgico (67,1% ♀). Média: 37,2 anos. IMC médio: 31,2. Tipos de cirurgia: gastrectomia em sleeve; banda gástrica; bypass gástrico Avaliar frequência de transtornos mentais entre pacientes cirúrgicos e não cirúrgicos Avaliações por meio do Taiwanese Depression Questionnaire Chinese Health Questionnaire Pacientes submetidos à CB apresentaram mais TA. Frequência de TA (cirúrgico/não cirúrgico respectivamente): BN 1,1% / 1,6%; AN 0% / 0,2%; TCA 10,3% / 4,4%; qualquer TA 10,8% / 6,0% Frequência de TA por sexo: BN (♀ 1,6%, ♂ 0,8%); AN (♀ 0,3%, ♂ 0%); TCA (♀ 9,8%, ♂ 2,7%); qualquer TA (♀ 11,0%, ♂ 3,1%)
Conceição et al., 2013112 Portugal 3 ♀ submetidas à CB. Tipo de cirurgia: Gastrectomia em sleeve e bypass gástrico. Idade: 40, 31 e 45 anos. IMC: 46,0, 41,0 e 49,9 Descrever sintomas de TA desenvolvidos após CB Estudos de caso com relatos em psicoterapia. Seguimento de 6 meses a 2 anos após a CB Relatos em comum de comportamentos de restrição alimentar, com medo do ganho de peso e necessidade de controle obsessivo da alimentação, iniciados após a diminuição da perda de peso. Sintomas de AN em uma paciente; sintomas de BN em outra (compulsão/purgação)
Conceição et al., 2013113 Portugal 12 ♀ submetidas à CB Tipo de cirurgia: bypass gástrico (9); revisão de banda vertical (1); desvio duodenal (1); banda gástrica (1). Média: 46,8 anos. IMC médio: 51,1 Descrever síndromes de TA desenvolvidas após CB pelos critérios do DSM-V Estudo de caso por revisão de prontuários. Critérios diagnósticos pelo DSM-IV e DSM-V - Sintomas de AN na admissão (n = 10): 6 atingiram o critério diagnóstico (3 com subtipo/purgativo, 3 com subtipo restritivo). BN: 2 pacientes diagnosticadas. História de sintomas de TA antes CB (n = 8): maioria com história familiar de AN, TA não especificado e síndrome parcial, e outros transtornos psiquiátricos
Díaz et al., 2013141 Espanha 45 submetidos à CB (71,4% ♀). Tipo de cirurgia: bypass gástrico laparoscópico Média: 40 anos. IMC médio: 44,4 Avaliar se o TCA prediz piores resultados após a CB Avaliação 12 meses após CB por meio do QEWPR e Bariatric Analysis and Reporting Outcome System – BAROS - 21,4% apresentaram TCA
Gradaschi et al., 2013146 Itália 75 candidatos à CB (60% ♀). Tipo de cirurgia: desvio biliopancreático Média: 42,7 anos IMC médio: 40,2; 75 grupo não cirúrgico (66,7% ♀). Média: 50,9 anos. IMC médio: 40,2 Avaliar diferenças entre candidatos à CB e tratamento não cirúrgico, em suas condições clínicas, comportamentais, e psicológicas Avaliação por meio do TFEQ e Toronto Alexithymia Scale - 22,6% dos candidatos com TCA vs. 6,6% do grupo não cirúrgico; 41% dos candidatos à CB com perda do controle alimentar vs. 41% do não cirúrgico - 34% dos candidatos à CB com “alimentação emocional” vs. 39% no grupo não cirúrgico; 19% de alimentação noturna entre candidatos à CB vs. 11% no grupo não cirúrgico
Sandberg et al., 2013151 Noruega 143 candidatos à CB Tipo de cirurgia: bypass gástrico laparoscópico Investigar diferenças entre pacientes com TCA ou subdiagnóstico Avaliação por meio do EDO (DSM-IV) - 16,8% (n = 24) com TA (média: 39,8 anos; IMC médio: 47,2): 1,4% BN; 12,6% TCA e 3,5% TA não especificado; – 14% com TCA subclínico
Sioka et al., 2013142 Grécia 110 submetidos à CB Tipo de cirurgia: gastrectomia em sleeve laparoscópica Avaliar o comportamento alimentar após a CB, determinar os padrões alimentares e avaliar o impacto na perda de peso Avaliação antes e após a CB por meio de entrevista (European Accreditation Council for Bariatric Surgery) e QEWPR Antes da CB: 29,1% com comportamento beliscador; 23,6% com TCA; 14,5% com alimentação emocional; 5,5% com alimentação noturna. Após a CB (sem diferenciação por tempo de follow-up): 3,6% com TCA; 82,7% de diminuição na alimentação emocional, alimentação noturna e comportamento beliscador (sem diferenciação)
Castellini et al., 2014133 Itália 83 pacientes à CB (90,4% ♀). Tipo de cirurgia: banda gástrica, bypass gástrico e desvio biliopancreático. Média: 43,8 anos. IMC médio: 44,8 Comparar 3 procedimentos cirúrgicos e na eficácia na perda do peso, e efeitos psicológicos Avaliações antes e 12 meses após a CB, por meio de entrevistas, EDE-Q e Emotional Eating Scale - 26,5% apresentaram-se com TCA pelo DSM-IV (sem diferença entre os procedimentos). Todos os tratamentos foram associados com melhora significativa na redução da sintomatologia da compulsão alimentar (> no grupo desvio biliopancreático)
Castellini et al., 2014122 Itália 394 candidatos à CB (73,4 % ♀) 683 pacientes não cirúrgicos (80,1% ♀) Comparar candidatos à CB com pacientes em tratamento clínico para perda de peso Avaliação por entrevista, EDE-Q e Eating Disorder Examination Interview - 31,8% dos candidatos (média: 44,9 anos; IMC médio: 44,6) com TA (sem diferenciação); - 25% dos não cirúrgicos (média: 46,7 anos; IMC médio: 37,8) com TA – sem diferenciação
Hayden et al., 201495 Austrália 204 submetidos à CB (82,4 % ♀) Tipo de cirurgia: banda gástrica. Média: 45,2 anos. IMC médio: 42,7 Investigar características psicológicas, comportamentais, e resultados na perda de peso Avaliação antes e 2 anos após a CB por entrevista clínica estruturada (DSM –IV) - 13,7% história prévia de TCA (13,6% completaram critérios diagnósticos antes da CB) Após 2 anos CB diminuição dos TA: 4,7% com TCA; 1 com história prévia de BN, mas não pré- e após 2 anos da CB; 2 com AN preexistente, mas ausente na avaliação antes e após 2 anos CB
Conceição et al., 2014134 Portugal 303 candidatos e submetidos à CB (88,2% ♀) Tipos de cirurgia: banda gástrica, bypass gástrico Média: 43,3 anos IMC médio: 44,5 Investigar a compulsão alimentar objetiva, subjetiva, comportamento beliscador, antes e após a CB, e associação com resultados no peso Avaliações antes da CB e após 6, 12 e 24 meses, por meio de entrevistas, EDE-Q, Outcome Questionnaire, Obesity Disordered Eating Questionnaire e BSQ Compulsão objetiva: antes CB = 9,8%; 6 meses = 0% banda e 0% bypass; 12 meses = 2,9% gástrica e 0% bypass; 24 meses = 14,5% gástrica e 0% bypass. Compulsão subjetiva: antes da CB = 9,8%; 6 meses = 7,4% gástrica e 1,6% bypass; 12 meses = 11,8% gástrica e 9,7% bypass; 24 meses = 12,9% gástrica e 3,6% bypass. Comportamento beliscador: antes da CB = 29,5%; 6 meses = 14,8% gástrica e 17,5% bypass; 12 meses = 47,1% gástrica e 30,6% bypass; 24 meses = 43,5% gástrica e 47,3% bypass
Conceição et al., 2014127 Portugal 176 candidatos à CB (88,6 % ♀); 110 < 2 anos seguimento (89,1% ♀). Média: 42,1 anos. IMC médio: 44,4; 53 seguimento > 2 anos (88,1% ♀). Média: 43,5 anos. IMC médio: 45,1. Tipo de cirurgia: banda gástrica, gastrectomia em sleeve e bypass gástrico Investigar a frequência da perda do controle alimentar e a associação dos TA com resultados no peso e características psicológicas Avaliação por entrevista clínica semiestruturada e medidas de autorrelato por meio do EDE, EDE-Q, BSQ; Beck Depression Inventory - 26,7 % perda de controle alimentar no grupo pré-operatório (média 41,6 anos; IMC médio 44,1); 15,9% compulsão alimentar; e 10,8% compulsão subjetiva - Seguimento de curto prazo: 11,8% perda de controle alimentar; 0,9% compulsão alimentar; e 10,9% compulsão subjetiva - Seguimento de longo prazo: 16,9% perda do controle alimentar; 7,5 % compulsão alimentar; e 11,3% compulsão alimentar subjetiva
Tortorella et al., 2015114 Itália 1 ♀ submetida à CB Tipo de cirurgia: bypass biliointestinal e processo restaurativo Idade: 29 anos IMC: 46,0 Descrever o tratamento da AN pós-CB Estudo de caso com avaliação por meio de escalas e entrevista estruturada (DSM-IV), TFEQ, EDI-2 e BITE Antes da CB avaliação não revelou TA; perda de peso significante a partir do 8º mês e excesso de água, restrição e purgação. Realizada cirurgia de restauração aos 30 meses (IMC mínimo 16,4) pela má absorção, com ganho de peso e diminuição da restrição (IMC 28,9 aos 36 meses)
Baldofski et al., 2015128 Alemanha 233 candidatos à CB (68,0% ♀). Média: 45,3 anos IMC médio: 48,7 Avaliar prevalência do TCA e SAN e associações de acordo com os critérios de DSM-V Avaliações por entrevistas e EDE, EDE-Q, DEBQ Emotional Eating, Eating in the Absence of Hunger Questionnaire, Yale Food Addiction Scale - 4,3% com diagnóstico TCA; 8,6% com TCA subclínico; 8,2% diagnóstico de SAN; 6,9% quadro subclínico (destes, 11,6% relataram alimentação excessiva; 2,1% levantavam da cama para comer e 1,3% com alimentação excessiva após o jantar e levantando-se para comer) - Compulsão alimentar significantemente > no grupo de TCA, comparado à SAN e sem compulsão alimentar
Calderone et al., 2015123 Itália 494 candidatos à CB (78,5% ♀). Média: 48 anos ♀; 46 anos ♂. IMC médio: 45 ♀; 46 ♂ Examinar características qualitativas do descontrole alimentar em pacientes com e sem compulsão alimentar Avaliação por meio da Structured Clinical Interview of Mental Disorders; Structured Clinical Interview for Anorexic-Bulimic Spectrum - 9,7% (n = 48) TCA; 8,9% com compulsão: os sujeitos com compulsão preencheram 15 dos 19 itens de descontrole incluindo modo de consumo e ingestão (47,9%) e inabilidade para controlar a sensação de fome (60,4%) - A média dos escores nos itens de descontrole foi mais alta nos pacientes com compulsão alimentar
Coker et al., 201596 Austrália 197 ♀ candidatas à CB. Media: 39,8 anos. IMC médio: 43 Determinar como o aumento da especificidade do critério de compulsão alimentar afeta a prevalência autorrelatada Avaliação antes da CB por meio de entrevista e questionário de autorrelato e por meio da Eating and Exercise Examination (com questões sobre TA) - 75% com compulsão e perda do controle alimentar, 25% compulsão sem perda do controle; 91% relataram superalimentação = 59% com perda de controle alimentar e 22% com perda do controle mas sem compulsão; 92% relataram “TA” = 62,9% medo de perda do controle alimentar; 23,4% preocupação com peso; 15,7% preocupação com comida; 29,4% de sentir fome e aflição se a compulsão for interrompida
Morseth et al., 2015135 Noruega 60 submetidos à CB (70% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux, e desvio biliopancreático com switch Duodenal Média: 35,6 anos. IMC médio: 55 Avaliar TA em pacientes antes e após 5 anos da CB Avaliações antes, 6 meses, 1, 2, 5 anos, por meio do EDE-Q - 29% episódios bulímicos no grupo de bypass antes da CB e 32% no grupo switch duodenal (com aumento de 17% e 22%, e 17% e 7% respectivamente, após 2 e 5 anos); 42% superalimentação no grupo bypass e 48% no switch duodenal antes da CB (18% e 18% respectivamente após 5 anos); vômito autoinduzido para 1 paciente em cada grupo e não mais ao longo do seguimento
Nicolau et al., 201529 Espanha 60 submetidos à CB (78,3% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux, gastrectomia em sleeve Média: 46,3 anos IMC médio: 48,3 Avaliar a influência do comportamento beliscador nos resultados clínicos, bioquímicos e psicológicos da CB Avaliação antes da CB por entrevista semiestruturada e por meio do Beck Depression Inventory - 5% TCA, 0,6% (1) BN e 0,6% (1) TA não especificado - 41,7% comportamento beliscador: 1 com TCA, 1 com BN, 1 com TA não especificado; 61,5% com comportamento beliscador com vômito (não diferenciado se espontâneo ou provocado)
Royal et al., 2015101 Canadá 226 candidatos à CB (79% ♀). Tipo de cirurgia: bypass em Y-Roux. Média: 43,8 anos. IMC médio: 49,8 Examinar relação entre perda do controle alimentar e psicopatologia de TA e variáveis psicológicas Avaliação antes da CB por meio do Eating Disorder Examination Questionnaire – EDE-Q e Night Eating Questionnaire – NEQ - 54,4% relataram perda do controle alimentar no mês anterior à avaliação (significantemente mais altos em alimentação noturna no NEQ, no EDE-Q, e para depressão)

* Por ordem de publicação / ♀ = mulheres / ♂ = homens. IMC: índice de massa corpórea (kg/m2); AN: anorexia nervosa; BN: bulimia nervosa; TCA: transtorno da compulsão alimentar; SAN: síndrome alimentar noturna; DSM-IV: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 4ª edição; DSM-V: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5a edição; BES: Binge Eating Scale; BSQ: Body Shape Questionnaire; BITE: Bulimic Investigatory Test of Edinburgh; EDO: Eating Disorders in Obesity; TFEQ: Three Factor Eating Questionnaire; EDI: Eating Disorder Inventory; EDE: Eating Disorder Examination; EDQ: Eating Disorders Questionnaire; EDEQ: Eating Disorders Examination-Questionnaire; EDE-BSV: Eating Disorder Examination-Bariatric Surgery Version; QEWP: Questionnaire on Eating and Weight Patterns; QEWP-R: Questionnaire on Eating and Weight Patterns Revised; DEDE: Dutch Eating Disorder Examination.

Nos EUA houve 56 estudos de avaliação, sendo 29 com candidatos e 27 com pacientes submetidos à CB (19 de seguimento, com reavaliação de dois a 36 meses pós-CB; cinco de longo prazo – 5,5 a 14 anos)20,43-46. Nesses estudos de avaliação, o número de pacientes (excluindo-se o estudo de caso) variou de 22 a 2.26623,47, com maioria feminina (26%-100%). Um era qualitativo (com questões elaboradas pelos autores e autorrelato)28, quatro eram de revisão (não incluídos na Tabela 2)8,48-50, e sete eram estudos de casos15,16,51-55.

Nas avaliações, três usaram somente entrevistas56-58. Dos instrumentos, 18 usaram o Questionnaire on Eating and Weight Patterns – QEWP (ou a versão revisada QEWP-R)25,26,59-74; 13 a BES25,30,45,46,59,67,75-82; 11 o Eating Disorders Examination – EDE18,19,43,70,72,74,83-87, sete o Eating Disorders Examination Questionnaire – EDEQ19,44,46,63,65,88,89 e um o EDE-Bariatric Surgery Version – EDE-BSV86, e sete utilizaram o Three Factor Eating Questionnaire – TFEQ44,60,66,68,76,84,85 – além de outros (Tabela 2).

A primeira revisão nos EUA é de 199848 examinando 12 estudos: ela encontrou sete estudos sobre TCA (um mencionou BN antes da CB e ausência após 24 meses; outro 2% de BN e ausência após a CB); dois estudos encontraram compulsão alimentar (que não foi especificamente examinada); um estudo constatou 68% de reapresentação da compulsão após a CB; e outros dois com mulheres observaram que 50% apresentaram TCA antes da CB. A segunda revisão é de 200749 incluindo 32 estudos com foco em compulsão; nos 14 transversais a frequência de TCA foi de 5,6% a 68%; nos 14 estudos prospectivos, de 10% a 61%, e nos 4 retrospectivos, de 37,5% a 49%. Outra revisão incluiu trabalhos realizados em vários países para avaliar o desenvolvimento de TA após CB8; em 15 artigos houve surgimento de TA após CB, com sintomas como vômito autoinduzido (9 casos), BN (4 casos), compulsão alimentar (3 casos), abuso de laxativos (2 casos), restrição alimentar (6 casos) e recusa alimentar (4 casos). E revisão com foco em compulsão alimentar, TCA e perda do controle incluiu 15 estudos50, com variação de 14% a 55% de compulsão alimentar/TCA antes da CB; de 3% a 7,4% após a CB; 13% a 61% de perda do controle antes e de 8% a 50% após a CB.

Desconsiderando-se os estudos de caso, revisões e estudo qualitativo, os comportamentos mais frequentes pré-CB foram compulsão e o TCA. As taxas de compulsão variaram de 5% a 88%, e do TCA, de 3% a 52% (Tabela 2). O vômito autoinduzido foi mencionado em quatro estudos (de 4% a 17%)18,68,80,83. A BN foi descrita como presente antes da CB e ausente após esta48. Há também estudo de revisão com relatos de casos e menção a sintomas de purgação (vômito autoinduzido e abuso de laxativos), restrição alimentar e compulsão após a CB8.

Os relatos de caso incluídos na Tabela 2 descrevem: em 1985 paciente com história de compulsão, mas sem vômito induzido, que apresentou compulsão nas primeiras semanas após CB (e continuou por dois anos), e uso de diuréticos para controlar o peso15. O outro caso de 198516 é de paciente com vômitos autoinduzidos dois meses após CB por medo de diminuir a perda ponderal (sem compulsão). Há também relato de desenvolvimento de BN dois anos após CB51 em paciente que negou vômito antes, mas após apresentou uso de laxantes, jejuns, restrição alimentar, e vômitos cinco vezes ao dia por dois anos (atingindo IMC 16,2 kg/m2). E há descrição de diagnóstico completo de BN em paciente que iniciou compulsão e vômito autoinduzido três meses após CB, cuspindo o alimento e extremamente rígido com a comida aos 12 meses; aos 24 meses evitava comer em público e apresentava isolamento social, ansiedade, depressão e reganho de peso54.

Com foco em sintomas de AN, há relato de paciente com diagnóstico de síndrome de Prader-Willi associada à hiperfagia compulsiva52 operado aos 11 anos, com restrição severa após CB, atingindo IMC 17,4 kg/m2 e encaminhado para tratamento apenas 28 anos depois. Também descrição de AN antes da CB com reemergência55 (história de AN, com reemergência dos sintomas aos 34 anos, que, após tratamento, passou a apresentar compulsões atingindo obesidade mórbida) e após a CB – em idade não mencionada – apresentou restrição alimentar, exercício excessivo e uso de laxantes e vômitos, atingindo IMC 17,6 kg/m2. Um dos três casos descritos por Rusch e Andris53 se trata do desenvolvimento de AN, comportamentos de esquiva alimentar e recusa de suplementos por medo de aumento da fome e ganho de peso, que, após estabilizar peso, iniciou estimulantes e laxativos diários, restrição e esquiva alimentar extrema e vômitos autoinduzidos cinco vezes ao dia por 24 meses após a CB; os outros dois casos deste artigo tratam de perda excessiva de peso após restrição alimentar seguida do uso de laxantes, com reganho de peso; e um de aversão alimentar e vômitos três meses após CB depois de náusea e desidratação uma semana após a cirurgia53.

O estudo qualitativo com análise de conteúdo28 descreve comportamento beliscador em termos de frequência e descontrole alimentar (incluindo purgação). Constatou-se alto risco de compulsão e “beliscar” antes da CB e descontrole alimentar, que reapareceu seis meses após CB25. Embora sem dados comparativos antes da CB, foi constatada também a presença de “beliscar” de três a dez anos após a CB26.

Dentre as avaliações pré- e pós-CB, nove apontaram redução nos TA após cirurgia18,20,43,46,56,58,76,83,89. Uma revisão observou evidências de redução de compulsão, perda do controle alimentar e TCA após a CB – com ampla variabilidade desses comportamentos50. Nas avaliações pós-CB, houve reemergência do descontrole alimentar, vômito autoinduzido e ruminação25, aumento da perda do controle alimentar aos 12 e 24 meses após a CB46, e aumento nas taxas de compulsão e SAN74.

No caso dos outros países, a maioria se concentra na Europa, mas há um na Ásia90, nove na Oceania12,91-98, além do Canadá99-101 (Tabela 3).

Destes, 31 são com pacientes submetidos à CB e 22 com candidatos à CB; 24 de seguimento variando de três meses102,103 a oito anos104 após CB. Nestes estudos de avaliação, o número de pacientes, excluindo-se o estudo de caso, variou de 16102 a 84190 – com maioria feminina (60 – 100%). Foram selecionados também sete estudos de revisão (não incluídos na Tabela 3)27,97,98,105-107,161 e dez estudos de caso91,99,100,108-114.

Nos estudos de avaliação, dez usaram somente entrevistas95,115-123 e um utilizou registros cirúrgicos e psiquiátricos124. Com relação aos questionários, cinco utilizaram o EDE92,125-128, 11 o EDE-Q101,122,127-135, três o Eating Disorders Examination Questionnaire 4 – EDE-Q-4125,136,137, quatro o Eating Disorder Inventory-EDI (e versão EDI-II)104,138-140, oito o QEWP (alguns a QEWP-R)11,12,93,94,129,131,141,142, nove o TFEQ12,93,94,129,138,143-146, cinco o Eating Disorders in Obesity121,136,140,142,147, quatro a BES17,139,143,148, três o BITE17,102,147 – além de outros (Tabela 3).

Quanto aos estudos de revisão fora dos EUA, Conceição et al.127 revisaram a literatura para características clínicas associadas ao comportamento beliscador e descreveram o mesmo variando de 19,5% a 59,8% no pré-cirúrgico e de 32,2% a 46,6% após a CB. Uma revisão focou em candidatos à CB98 verificando que a frequência de “beliscar” variou de 20% a 60%, a de TCA variou de 4% a 45%, e a de SAN, de 2% a 42%. Há revisão sobre a presença de SAN no pré-CB97, que variou de 8% a 55%, enquanto revisão sobre critério diagnóstico e prevalência da SAN107 referiu a coocorrência da SAN e TCA, variando de 3,9% a 30% em pacientes pré-CB; e frequência de SAN de 6% a 28,5% após a CB, mas chegando até 51% de episódios irregulares de compulsão ou alimentação noturna após CB. A comparação pré- e pós-cirurgia em uma revisão106 descreveu compulsão de 6% a 64% após a CB; TCA de 4% a 49% antes da CB, e de 0 a 10% de diagnóstico completo após CB; e SAN de 1,9% a 17,7% antes da CB – com evidências de manutenção após. E outra revisão descreveu grande disparidade nas taxas de TCA (de 0 a 46%)105 e discutiu a dificuldade de comparação pela variação nas definições adotadas.

Os estudos de caso descreveram a presença de BN e AN após a CB. O primeiro de BN é de 1987 em paciente que já tinha compulsão pré-CB e que desenvolveu vômitos autoinduzidos frequentes cinco meses após CB108; o segundo de 1992 também foi em paciente que já tinha compulsão pré-CB, intensificando-a pós-CB e iniciando vômitos (que foram reduzidos de 20 para 4,5 vezes ao dia após tratamento)99. O terceiro caso de BN foi no Canadá100 em paciente com histórico prévio de uso de laxantes e purgação não identificada no pré-CB, que, após ter a banda apertada para promover perda de peso, desenvolveu disfagia severa. Orientou-se a ajustar o acesso subcutâneo e passou-se a fazê-lo como instrumento “bulímico” (após compulsões).

Nos casos de AN, há descrição de dois casos de restrição extrema em Israel: um com vômitos associados, levando à perda de peso intensa109; e dois casos na Austrália com restrição severa, vômitos autoinduzidos e uso de laxantes levando à perda de peso extrema91. Ainda há também descrição de caso diagnosticado como TA não especificado (AN subclínica) na Espanha110 em paciente que apresentou importante restrição alimentar, vômitos, uso de diuréticos e amenorreia cinco meses após CB; e outro caso na Itália com perda de peso significante oito meses após CB, chegando a fazer cirurgia de restauração aos 30 meses pela má absorção114.

Desconsiderando-se os estudos de caso e revisões, os comportamentos mais frequentes na avaliação pré-CB foram o TCA e a compulsão. As taxas do TCA observadas em 27 estudos variaram de 4% a 61%. Em 17 a compulsão variou de 9% a 64%. A BN foi descrita em 11 estudos, com taxas de 0,6% a 10%, e um estudo mencionou “episódios bulímicos” em 29% da população135. A SAN foi identificada variando de 5% a 55%12,92,93,104,115,116,128,142,146. A presença do “beliscar” variou de 10% a 86%12,29,116,117,124,134,142,144. Os comportamentos purgativos/vômito autoinduzido tiveram taxas de 4% a 44%29,102,129,135,136,139. O descontrole alimentar foi mencionado de 13% a 54%12,94,101,127,146; a superalimentação (overeating) variou de 20% a 91%92,96,117,118; e a “alimentação emocional”, de 15% a 51%139,142,145,146. O TA não especificado variou de 0,6% a 21%29,149-151. O TA (sem diferenciação) foi descrito de 19% a 92%96,133,152. Em um estudo houve 37% de qualquer TA126 e outro com presença de 8% de restrição alimentar12.

Dentre os estudos pré- e pós-CB, oito descreveram redução da compulsão após CB103,104,115,118,127,134,144,148. Uma revisão encontrou evidências de diminuição nos escores médios e diminuição no número de dias de compulsão após CB105. Sete trabalhos descreveram a redução ou eliminação do TCA12,92,95,118,142,144,145. A redução da SAN foi observada em três estudos12,92,115. A BN ou episódios bulímicos mostraram redução em quatro estudos92,118,135,144, e houve redução do comportamento beliscador em um estudo144 e de superalimentação em outro92. Por outro lado, houve aumento do “beliscar” após CB em três estudos12,134,142, e aumento da compulsão no seguimento de longo prazo em dois estudos127,148. Em quatro trabalhos, observou-se emergência ou surgimento de comportamentos inexistentes na avaliação pré-CB: compulsão103,115, TCA, BN e TA não especificado104, e descontrole alimentar, vômitos autoinduzidos e episódios bulímicos11.

DISCUSSÃO

Um número expressivo de estudos foi localizado com foco em dados de presença/frequência/prevalência de TA no pré- ou pós-cirúrgico; a maioria com número significativo de pacientes (máximo 2.266), especialmente mulheres (26%-100%). Tal dado é relevante uma vez que os TA acometem mais mulheres: em estudos da prevalência do TCA (o TA mais avaliado) na população geral e de pacientes de cuidados primários da saúde, encontrou-se que de 2,5% a 83% eram mulheres153.

As avaliações utilizaram majoritariamente instrumentos validados. Há, no entanto, muita variabilidade (instrumentos diversos versus entrevista). Os três mais utilizados foram: QEWP e sua forma revisada QEWP-R (40%), BES (31%), e EDE-Q (29%). O EDE, TFEQ são usados para rastrear sintomas gerais e TA; já o BES e o QEWP são específicos para sintomas de compulsão e TCA (e BITE para BN). Esses instrumentos, no entanto, podem não ser adequados para pacientes bariátricos – considerando-se suas particularidades. Dois específicos foram utilizados, o Merit Care Long Term Post-Operative Questionnaire – desenvolvido para avaliar o histórico e a saúde de pacientes bariátricos20, e o Rhode Island Bariatric Surgery Interview154 (disponível com os autores). O EDE-BSV foi utilizado em dois estudos11,86 – trata-se de adaptação com adição de algumas questões específicas associadas à CB, que não está disponível em publicação e pode ser solicitada aos autores11. Revisão sistemática recente155 para avaliar critérios diagnósticos e medidas usadas na avaliação de problemas alimentares em candidatos à CB localizou 147 artigos, com 34 questionários diferentes (QEWP o mais usado) e 45 tipos de entrevista (Structured Clinical Interview for DSM a mais comum). Os autores chamam a atenção para a escassez de instrumentos específicos para população bariátrica, atestando que pouquíssimos estudos avaliaram as propriedades psicométricas dos instrumentos nesta população.

Chama atenção também as definições muito diversas para compulsão e “beliscar”. A frequência e a duração das compulsões variam muito entre as avaliações, e a própria definição do que seriam comportamentos transtornados155. O comportamento beliscador é frequente em pacientes com TA e também na população bariátrica; a associação com a psicopatologia não é clara, mas pode ter um impacto negativo no peso após a CB27 e, se presente antes da cirurgia, persistir 12 a 18 meses depois12,29,59,134,144,149. Ainda, a relação entre compulsão e “beliscar” foi observada em pacientes pré- e pós-CB59, sendo que aqueles que apresentavam compulsão antes mudaram para comportamento beliscador após a cirurgia25,59. Na presente revisão, a presença de “beliscar” variou de 10%117 a 94%35. Aponta-se que o comportamento beliscador está associado ao reganho de peso após a CB25,26,29,116,134,144, e menor perda do excesso de peso12,26,29,142 – embora alguns estudos não tenham encontrado diferença no peso entre aqueles com e sem “beliscar”116,144 .

No caso da compulsão, alguns autores utilizam a nomenclatura objetiva e subjetiva127,130,134,136-138. A compulsão objetiva é definida como ingestão de quantidades objetivamente grandes de alimento, maior do que a maioria das pessoas no mesmo período de tempo, acompanhada da sensação de perda do controle. Já a subjetiva seria caracterizada pela ingestão de quantidades não objetivamente grandes, mas avaliadas como excessivas pelo indivíduo, e acompanhada de perda do controle106. A perda de controle, portanto, pode ser o principal critério dos pacientes para definir a compulsão96. Uma exploração do conceito de descontrole em candidatos à CB aponta que ele não é necessariamente diferente entre aqueles com e sem compulsão123 e parece ainda não estar relacionado à frequência. Assim, embora a frequência seja critério diagnóstico do TCA e BN, o descontrole pode representar uma dimensão independente relacionada à psicopatologia96. Na atual revisão, a compulsão teve taxas de 2% a 94%, o que corrobora a alta frequência indicada na literatura geral13,50. Mas, considerando-se diferentes critérios e medidas de avaliação, além da possibilidade de compulsão subjetiva, deve-se considerar o número com ressalvas106. A relação da compulsão e menor perda ponderal foi indicada em vários estudos17,34,60,102,140,143,148 – além do reganho de peso17,18,40,44,104. Por outro lado, alguns não apontam diferenças para pacientes “com e sem” compulsão para perda de peso45,66,68,89,130,156.

Quando se considera a prevalência do TCA entre pacientes bariátricos (e não de compulsão isoladamente), encontra-se também grande variabilidade – dependendo dos métodos de avaliação (geralmente de autorrelato e entrevista), tamanho das amostras, tipo de procedimentos cirúrgicos, definição de compulsão e mudanças nos critérios do TCA – que foram revistos recentemente2. Outros fatores que podem dificultar o diagnóstico são a determinação da duração e a frequência dos episódios de compulsão, da quantidade consumida e do relato de estresse e perda de controle – que dificultam a identificação correta de compulsões e afetam a prevalência do problema96. Recomenda-se determinar com precisão os níveis de compulsão e TCA na população bariátrica, na pesquisa e prática clínica96.

As taxas de TCA, nos estudos que a focaram nesta revisão, variaram de 3% a 61%13,98,106. De qualquer forma, ele é considerado o TA mais prevalente também na população geral – e não apenas na população bariátrica153. Estudos apontam também que há predomínio de mulheres nas amostras avaliadas (39%-100%)153. Nos estudos que diferenciaram as taxas por sexo, o TCA variou de 3% a 84% entre mulheres, e de 0,8% a 25% entre homens153,157,158. A importância da alta frequência de TCA no público bariátrico se centra em suas consequências e implicações: associação com menor perda de peso11,120,159, especialmente quando associado à “alimentação emocional”142, e reganho de peso20.

A compulsão e o TCA foram “os TA” mais frequentes, mas deve-se considerar que os trabalhos podem ter mostrado apenas aquilo que se propuseram a avaliar e não necessariamente os problemas alimentares mais prevalentes. Dessa forma, também não se pode afirmar que são os problemas mais frequentes no público bariátrico.

A SAN foi avaliada em 16 estudos, mas deve-se considerar que falta clareza nos critérios, produzindo problemas na interpretação da sua presença. Encontra-se inclusive que 15% a 20% apresentam SAN e TCA conjuntamente, embora eles não sejam variantes do mesmo transtorno157; mas discute-se a dificuldade de diferenciá-los unicamente com base na ingestão alimentar e sensação subjetiva de descontrole107. Não foi encontrada associação entre SAN e perda de peso, ou evidências de que a SAN pré-CB afeta negativamente a perda ponderal pós-CB107. E, mesmo quando associada com TCA, discute-se que não há clareza sobre ser fator de risco que comprometa a perda de peso106.

As taxas de BN variaram de 0,2% a 78%39,154. Alguns estudos indicaram redução e/ou eliminação após a CB39,92,95,144, outros a persistência das taxas pré-operatórias18,83,160 e aumento após CB135, e relato do desenvolvimento da BN após CB11,16,104,112. A prevalência de BN antes da CB pode ser subestimada, pela negação ou minimização dos sintomas que poderiam contraindicar a cirurgia47,106.

O vômito autoinduzido/voluntário variou de 4% a 61%29,136. Alguns indicaram melhoras com a redução e/ou eliminação após a CB102,125,135, mas outros apontaram desenvolvimento do vômito que inexistia na avaliação pré-CB11,17,43,59,87. Pacientes bariátricos podem apresentar vômito espontâneo ou autoinduzido em resposta ao comer rápido, mastigar pouco ou alívio de desconforto físico e podem considerá-lo como facilitador do controle e perda de peso106. No entanto, mesmo que involuntário ou intencional, trata-se de comportamento disfuncional, associado às sequelas negativas, podendo representar um TA grave ou agravar a “síndrome de dumping”, e deve ser considerado como objetivo de intervenção161.

Quanto à AN, apenas um estudo de avaliação pré-CB constatou o quadro70. A AN na história de vida de pacientes bariátricos foi verificada em dois estudos, mas não na avaliação pré-operatória95,118: um deles apontou desenvolvimento após CB14, e outro, recorrência após CB118. Discute-se que faltam informações sobre o histórico prévio de AN nesses pacientes106.

De qualquer maneira, mesmo considerando-se os problemas discutidos quanto aos métodos de avaliação e à variabilidade dos resultados, pode-se afirmar que há um problema relevante quanto à presença de TA (e problemas correlatos) na população bariátrica – pré- e pós-CB. Os TA neste público podem ter particularidades, e o fato de eles muitas vezes não preencherem os critérios diagnósticos fez com que se propusesse o “Transtorno Alimentar de Evitação Pós-Cirúrgica”22. Os critérios incluiriam história de obesidade com CB realizada há menos de dois anos; perda de peso mais rápida; uso de estratégias purgativas/redução da ingestão alimentar (com ou sem compulsão); reação de ansiedade e/ou atitude negativa diante da introdução da correção nutricional por medo do reganho de peso, entre outros. Para os autores, grande parte dos TA seria mais bem definida como não especificada e eles sugerem que os comportamentos alimentares disfuncionais podem ser específicos nos pacientes após a CB22.

Para entendimento desses “comportamentos alimentares disfuncionais”, deve-se considerar que, além dos fatores fisiológicos e hormonais gerados pela restrição gástrica da CB, os fatores psicológicos podem também contribuir para emergência de comportamentos específicos após CB e implicar a variabilidade dos resultados em longo prazo142. A perda de peso e sua manutenção estão relacionadas aos padrões alimentares após a CB e devem ser abordadas diferencialmente nas orientações nutricionais – com uma discussão ampla sobre o que é perda de peso “saudável” e o que pode impactar a manutenção do peso em longo prazo – visando a melhoras nos resultados162. A perda ponderal máxima geralmente ocorre um ano após a cirurgia, mas o reganho de peso não parece seguir um padrão predizível, evidenciando ampla variação individual. Os preditores do sucesso são inúmeros e sua interação dificulta a avaliação precisa dos seus efeitos104. Verificou-se, de qualquer forma, que os sintomas dos TA surgem em média entre 12 e 24 meses após CB, sugerindo que as melhoras encontradas podem não se manter ao longo do tempo. Os pacientes com TCA podem mostrar uma perda de peso inicial mais alta do que o usual nos primeiros meses, mas a compulsão tende a ser reassumida parcialmente após 12 meses de cirurgia105 – quando os pacientes aprendem a lidar com a nova condição e as limitações. Há relato também de desenvolvimento de comportamentos de evitação ou esquiva alimentar em mulheres submetidas à CB, caracterizando possível transtorno “causado” pela CB22.

Sobre a evolução dos sintomas de TA, alguns estudos da presente revisão indicaram melhoras com redução e/ou eliminação, além de melhora nos escores de depressão e ansiedade39,68,122,156,160, mas psicopatologias podem também persistir163. A presença de sintomas de TA pode comprometer os resultados da CB, com consequências adversas, além dos resultados do peso – como piora ou reaparecimento do TA após a fase de estabilização – seja comportamento beliscador12,134,142, ou compulsão127,148 – e desenvolvimento de TA inexistentes nas avaliações pré-bariátricas (como compulsão103,115, TCA104, BN11,16,104 e vômito autoinduzido11,17,43,59,87). Dadas as discrepâncias nos métodos, forma de avaliação etc., é impossível concluir sobre estabilização, melhora ou piora de TA após CB. Para entender esse fato, é necessário que se façam padronização dos parâmetros e estudos bem delineados que permitam uma metanálise de dados no futuro.

Recente revisão sistemática (publicada após o encerramento das buscas desta revisão) pré- e pós-CB aponta exatamente a mesma questão e tenta verificar as mudanças em diferentes comportamentos de TA por tipo de cirurgia, o que também não se mostra consistente em função dos problemas metodológicos e evidências limitadas164. De qualquer forma, considerando as diferentes formas de avaliação e amplitude do problema, os achados desta revisão sugerem que os TA podem persistir ou mesmo se desenvolver após a CB. Dentre os mais prevalentes, o TCA, a compulsão e o “beliscar” aparecem como fatores de risco potenciais de mau prognóstico. Evidências indicam que a presença dos TA pós-CB é preditora de piores resultados na perda ponderal e está associada com altas taxas de estresse psicológico161 – alguns desenvolvem abuso de álcool/substâncias, e complicações associadas ao comportamento impulsivo13. Muitos dos estudos incluídos nesta avaliação focalizaram o impacto na qualidade de vida29,39,60,76,130,148, e associações com psicopatologias – especialmente depressão e ansiedade29,59,63,68,72,75,79,90,95,118,121,122,124,140,143,156,160, além da perda de peso – chamando atenção para o fato de que uma série de consequências adversas pode advir da presença de um problema alimentar em pacientes bariátricos. Outros comportamentos podem colaborar com a piora nos resultados da CB, como a não adesão à dieta e à atividade física, fatores importantes para a manutenção da perda ponderal165.

A obesidade pode ter graves consequências psicossociais e possíveis transtornos do humor e de ansiedade. Mas, apesar dos indícios de transtornos psiquiátricos em candidatos à CB, discute-se que os traços de personalidade e história de tratamento psicológico ou psiquiátrico não são preditores confiáveis para a perda ponderal em longo prazo95,121,140,162. De qualquer forma, o paciente bariátrico apresenta vulnerabilidade a problemas psicológicos e sociais, tornando de suma importância o diagnóstico e o tratamento dos fatores etiológicos que contribuem para sua manutenção ou agravamento13. A avaliação pré-operatória deve identificar os fatores de risco que possam contraindicar o procedimento ou comprometer o resultado do tratamento – dentre os quais os TA13.

A avaliação de pacientes bariátricos deve ser contínua, em todas as fases do tratamento, por meio de seguimento com equipe interdisciplinar especializada, de modo a prevenir e detectar dificuldades pós-operatórias – médicas, psicológicas e sociais. O tratamento não termina com a cirurgia, e mudanças comportamentais, no estilo de vida e ambientais são exigidas, e mesmo, tratamento individualizado no caso dos transtornos psiquiátricos163. A entrevista tem um papel crítico na identificação precisa da compulsão e outras informações diagnósticas. Já os questionários só podem ser indicadores secundários, fornecendo dados da sintomatologia e informações adicionais13,155.

Dadas as questões discutidas nesta revisão – variação nos critérios diagnósticos, inconsistências nas definições dos TA, avaliações por diferentes instrumentos, falta de avaliação psicométrica dos instrumentos para CB –, a variação encontrada nas taxas de frequência pode ser atribuída à inconsistência e à falta de uma abordagem padronizada de avaliação, o que dificulta as comparações entre os estudos e limita as conclusões. Assim, há necessidade de consenso sobre critérios diagnósticos e medidas de avaliação psicométrica para determinar se estes fornecem uma avaliação válida de TA na população bariátrica, facilitando a identificação precisa e o tratamento adequado155.

Aponta-se como limitação dos achados a dificuldade de comparação entre os estudos, diante da grande variabilidade discutida, bem como delineamento dos estudos, e metodologia de avaliação utilizada. Assim, a comparação entre dados nacionais (de publicações ainda limitadas, de amostras reduzidas) com dados internacionais não é possível – e o conhecimento sobre a comorbidade com TA em pacientes pré- e pós-CB é um desafio em nosso cenário, com limitados centros de tratamento e pesquisa especializados em TA. Pelas mesmas razões, qualquer inferência sobre semelhanças ou diferenças entre “prevalências” entre diferentes países não é possível.

Esta revisão, no entanto, acrescenta amplo conhecimento sobre a presença de TA no cenário da CB, permitindo elucidar pontos desconhecidos ou falhos e caminhos para pesquisa futura. Aponta a necessidade de definição operacional dos conceitos, e de consenso quanto aos critérios e diretrizes que orientem condutas de avaliação, prevenção e tratamento dos TA e dos problemas a eles relacionados em todas as fases do tratamento de pacientes bariátricos.

CONCLUSÃO

A presença de TA, incluindo AN, BN, SAN, mas principalmente o TCA, é alta, tanto no pré- como no pós-cirúrgico, e não necessariamente melhora com o tempo de cirurgia. Além desses, a compulsão alimentar é o comportamento mais avaliado e que parece ser mais frequente. Tal comportamento pode ser mantido após a cirurgia, tendo impacto na perda de peso e qualidade de vida, ou “evoluir” para um comportamento beliscador, também com consequências adversas.

Diferentes metodologias, instrumentos e definições são utilizados, não permitindo uma conclusão sobre a verdadeira frequência do fenômeno em geral. Mas os dados apresentados chamam a atenção para a necessidade de avaliações pré-cirúrgicas mais completas, eventual tratamento prévio de problemas alimentares, avaliações periódicas no pós-cirúrgico englobando os problemas alimentares, bem como tratamento interprofissional para aqueles que apresentam TA e quadros correlatos.

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