Comparação da incapacidade percebida e independência funcional em indivíduos com lesão medular atletas e não atletas

Comparação da incapacidade percebida e independência funcional em indivíduos com lesão medular atletas e não atletas

Autores:

Kamilla Gomes Batista,
Karine Braga Reis,
Raquel de Carvalho Lana Campelo,
Mariana Ribeiro Volpini Lana,
Janaine Cunha Polese

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão impressa ISSN 1809-2950versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.26 no.4 São Paulo out./dez. 2019 Epub 02-Dez-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1809-2950/18046626042019

RESUMEN

Las disfunciones funcionales en personas con lesión de médula espinal (LME) generan complicaciones secundarias. El malo condicionamiento físico es preponderante y un exacerbador de las complicaciones de la lesión. El objetivo fue evaluar la discapacidad percibida y la independencia funcional en atletas y no atletas con LME. Los cuestionarios WHODAS 2.0 y SCIM III se aplicaron a 37 voluntarios con LME que tuvieron sus datos sociodemográficos colectados. Se compararon las puntuaciones totales de WHODAS 2.0 y SCIM III de individuos con LM torácica y cervical mediante la prueba de Mann-Whitney. Con respecto a la discapacidad percibida, se observó una diferencia significativa en WHODAS 2.0 entre atletas y no atletas con LME torácico. En cuanto a la independencia funcional, no hubo diferencias significativas entre los grupos en SCIM III. Aunque los deportes promueven beneficios para la salud, no se encontraron diferencias significativas en el grupo de individuos con LME cervical, lo que puede explicarse por el mayor grado de deterioro motor en estos individuos.

Palabras clave| Clasificación Internacional del Funcionamiento, de la Discapacidad y de la Salud; Fisioterapia; Lesiones de Médula Espinal; Actividad Física

INTRODUÇÃO

A lesão medular (LM) pode ser entendida como uma agressão à medula espinhal que gera danos neurológicos e provoca alterações no estilo de vida, com perda parcial ou total da motricidade e da sensibilidade, além de causar comprometimento vasomotor, intestinal, vesical e sexual1), (2. Os prejuízos da funcionalidade em indivíduos com LM podem variar e restringir as habilidades em atividades de vida diária (AVD), causando diferentes níveis de dependência.

Embora a perda dos movimentos seja a principal consequência após uma LM, aqueles que vivem com sequelas funcionais geralmente estão propensos a complicações que ocasionam impactos negativos na qualidade de vida e, muitas vezes, levam a um aumento do uso dos serviços de saúde1), (3. Entre as complicações mais comuns estão o descondicionamento físico, lesões musculoesqueléticas, dor, osteoporose, depressão, entre outras2)- (4. O descondicionamento físico é preponderante entre pessoas com LM, podendo ser um importante exacerbador das complicações da lesão, uma vez que a perda de aptidão física e redução da independência associada à inatividade afetam diretamente o bem-estar físico e psicossocial3), (5.

Define-se atleta com LM o indivíduo com LM que pratica esportes6. Sabe-se que as atividades físicas, recreativas ou esportivas, propostas a indivíduos com LM possuem grande valor terapêutico. Entre seus benefícios estão: a melhora da agilidade para propelir a cadeira de rodas, do equilíbrio dinâmico e estático, da coordenação motora, da resistência física, além do aprimoramento de aspectos neuromotores, da readaptação física e da inserção em grupos sociais, o que minimiza a vulnerabilidade a qual esses indivíduos estão expostos3), (7), (8), (9), (10.

As AVD são habilidades fundamentais que envolvem cuidar de si e do próprio corpo, cuidados pessoais, mobilidade e alimentação11. A funcionalidade individual num domínio específico é uma interação ou relação complexa entre a condição de saúde e os fatores contextuais (ambientais e pessoais) (12.

Tendo em vista que a funcionalidade do indivíduo com LM relaciona-se com seus níveis de atividade física, fator que interfere em suas atividades, participação e qualidade de vida, este estudo avaliou a incapacidade percebida e a independência funcional em AVD por meio do questionário World Health Organization Disability Assessment Schedule (WHODAS 2.0) e quantificou a independência funcional, através do instrumento Spinal Cord Independence Measure - Self Reported Version (SCIM III), em atletas e não atletas com LM e entre subgrupos por nível de lesão.

METODOLOGIA

Realizou-se um estudo transversal cuja amostra foi constituída de indivíduos com LM, atletas e não atletas. Para participar do estudo os seguintes critérios foram considerados em ambos os grupos: (1) voluntários entre 18 e 50 anos; (2) tempo pós-lesão superior a um ano; (3) assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Além disso, praticar esportes há mais de seis meses foi um critério para os atletas. Indivíduos que apresentaram outras disfunções neurológicas além da LM foram excluídos. Pacientes que relataram realizar apenas fisioterapia foram considerados não atletas.

Para caracterização da amostra, foram coletados dados sociodemográficos e avaliadas a funcionalidade, por meio do WHODAS 2.013), (14), (15), (16), (17, e as AVD, através do SCIM III. Optou-se por aplicar os questionários em entrevistas, com a intenção de eliminar possíveis erros de interpretação.

Os dados sociodemográficos foram avaliados por meio de estatística descritiva (média e desvio padrão). A distribuição de frequência do sexo entre os grupos foi analisada por meio do teste de Fisher. Os escores totais do WHODAS 2.0 e do SCIM III foram comparados entre os indivíduos com LM torácica e LM cervical, por meio do teste de Mann-Whitney. O nível de significância adotado foi de p<0,05. Para as análises estatísticas utilizou-se o programa estatístico gratuito R, versão 3.4.3.

RESULTADOS

A Tabela 1 mostra um perfil da amostra com dados sociodemográficos18 como: escolaridade, sexo, tempo de lesão e tempo de prática esportiva. A amostra foi constituída essencialmente por adultos jovens com LM, com idade média de 33,4±8,1 (atletas) e 38,3±10,5 (não atletas). Em ambos os grupos observou-se que o tempo de lesão era superior a 10 anos (12,4±7,5 entre atletas; 13,2±8,8 entre não atletas).

Tabela 1 Dados sociodemográficos da amostra e resultados dos questionários WHODAS 2.0 e SCIM III 

Variável n (%) Atletas (n=24) Não atletas (n=12) Valor p
Sexo
Feminino 5 (13,9) 3 (12,5) 2 (16,7) 0,99
Masculino 31 (86,1) 21 (87,5) 10 (83,3)
Idade - anos 33,4±8,1 38,3±10,5 0,179
Tempo de lesão - anos 12,4±7,5 13,2±8,8 0920
Escolaridade
Analfabeto 0 (0,0) 0 (0,0%) 0 (0,0%)
Ensino fundamental 2 (5,6) 1 (50%) 1 (50%)
Ensino médio incompleto 3 (8,3) 0 (0,0%) 3 (100,0%)
Ensino médio 18 (50,0) 16 (88,9%) 2 (11,1%)
Nível técnico 1 (2,8) 0 (0,0%) 1 (100,0%)
Ensino superior incompleto 7 (19,4) 4 (57,1%) 3 (42,9%)
Ensino superior 5 (13,9) 3 (60,0%) 2 (40,0%)
Total 24 (66,7%) 12 (33,3%)
Nível de lesão
LM Cervical 16 (47,2)
LM Torácica 18 (50,0%)
LM Lombar 3 (8,3%)
LM Sacral 0 (0,5%)
Tempo de lesão - anos (média ± desvio-padrão) 12,6±7,8
Nível de atividade
Atleta 24 (66,7)
Não atleta 12 (33,3)
Tempo de prática - meses (média ± desvio-padrão) 64,8 ± 24,5
WHODAS 2.0 (média ± desvio-padrão) 64,6±15,8 61,5±15,6 71,0±14,9 0,059
SCIM III (média ± desvio-padrão) 48,9±14,2 49,9±13,8 46,7±15,3 0,391

LM: lesão medular, WHODAS 2.0: World Health Organization Disability Assessment Schedule; SCIM III: Spinal Cord Independence Measure - Self Reported Version.

Levando-se em consideração as variáveis idade e o escore total no WHODAS 2.0 e no SCIM III, não foram encontradas diferenças significativas quanto à funcionalidade e à independência entre atletas e não atletas na amostra total. Na análise por subgrupo pelo questionário WHODAS 2.0, comparando os indivíduos pelo nível da lesão observou-se diferença quanto à funcionalidade entre atletas e não atletas com LM torácica, com melhor resultado para o grupo de atletas (Tabela 2). Uma vez que o número de indivíduos com LM lombar foi pouco expressivo, não foi possível incluí-los nessa análise.

Tabela 2 Dados sociodemográficos da amostra e escores dos questionários WHODAS 2.0 e SCIM III em média±DP 

Lesão Variável Atleta Não-atleta Valor-p
Cervical IDADE n=12 n=4 -
34,3±8,4 41,8±9,5 -
WHODAS 2.0 69,9±12,6 73,8±18,9 0,855
SCIM III 44,0±14,8 42,5±15,8 0,503
Torácica IDADE n=10 n=8 -
33,6±7,8 36,5±11,1 -
WHODAS 2.0 54,2±15,1 69,6±13,7 0,013*
SCIM III 55,6±10,3 48,8±15,7 0,154

*diferenças significativas para p<0,05.

DISCUSSÃO

Os níveis de incapacidade percebida e independência funcional não sofreram influência das características sociodemográficas, mas sim do nível de lesão. a análise estatística apontou diferença entre atletas e não atletas com LM torácica, no resultado do WHODAS 2.0.

Quanto às variáveis socioeconômicas, os achados deste estudo estão em consonância com a literatura, uma vez que a média de idade entre os grupos de atletas e não atletas com LM corresponde à porção economicamente ativa19), (20), (21. A prevalência da LM nessa população é um problema social, pois afeta fortemente atividade profissional e perspectiva de vida, inclusive das pessoas ao seu redor.

Em relação à escolaridade, as pesquisas não encontraram conexão entre o nível de escolaridade e a aptidão de autoeficácia na gestão de incapacidades. No entanto, programas de educação voltados para esses indivíduos se mostram uma abordagem promissora para ajudá-los a gerenciar condições secundárias, frequentemente preveníveis22), (23), (24.

O tempo de lesão foi superior a 10 anos nessa amostra, indicando indivíduos adaptados e funcionais em suas condições de saúde. Embora a LM exija um programa contínuo de reabilitação, elevado número de indivíduos não o realiza e menos frequente ainda é a prática de atividade física25), (26.

Este é o primeiro estudo que investiga a relação entre a incapacidade percebida e independência funcional em indivíduos com LM, atletas e não atletas, por meio do WHODAS 2.0 e do SCIM III. Diversos estudos utilizam o SCIM III na população com LM para avaliar a independência funcional nas AVD. Osterthun et al. (27 usaram o SCIM III para avaliar a recuperação funcional em pessoas com LM e verificaram a existência de uma forte correlação da pontuação motora de membros superiores com o domínio de autocuidado28), (29), (30. Estudos confirmaram que em uma amostra grande e heterogênea, o SCIM III é uma medida válida e confiável de recuperação funcional do indivíduo com LM31), (32), (33), (34), (35), (36. Mulcahey et al. (37) avaliaram as propriedades psicométricas do SCIM-III em população com LM aguda e crônica e, por meio da análise dos escores totais da subescala de autocuidado, confirmaram haver diferenças significativas entre o nível neurológico e a mobilidade interna e externa, ainda que tenham observado efeito teto. Conjectura-se que isso tenha ocorrido em razão do alto nível funcional demonstrado pela amostra estudada.

Neste estudo os não atletas realizavam fisioterapia, sendo funcionalmente treinados. Desse modo, possíveis diferenças entre atletas e não atletas poderiam ser perceptíveis em outros parâmetros fisiológicos não testados, por exemplo, o consumo de oxigênio.

Em relação ao WHODAS 2.0, a literatura científica é escassa em estudos que abordam a avaliação da funcionalidade em indivíduos com LM. O estudo de Kuo et al. (38 foi realizado com pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE) e com LM, observando-se que os pacientes com TCE apresentaram maiores dificuldades na cognição, interação e participação enquanto os pacientes com LM mostraram dificuldades na mobilidade e autocuidado. Estudos que compararam a eficiência do WHODAS 2.0 com outras escalas, correlacionando a qualidade de vida, a atividade e a participação afirmaram que o WHODAS 2.0 é ideal, pois contém informações objetivas e subjetivas, e apresenta efeitos mínimos de piso e teto37), (39.

Hossain et al. (40 desenvolveram um estudo com amostra composta por indivíduos com LM após alta hospitalar. Utilizando várias escalas e o componente de participação do WHODAS 2.0, relataram a dura realidade acerca da qualidade de vida dessas pessoas, demonstrando que muitas estão em situação de vulnerabilidade e risco social. Observaram que a maioria dos participantes apresentava nível escolar até o ensino médio e provavelmente baixos valores de proventos ou pensão. A pesquisa de Kader et al. (41, por meio do WHODAS 2.0, identificou fatores sociodemográficos e relacionados à LM que limitaram as atividades e a participação, indicando nível da lesão e local de residência como principais agravantes.

A diferença não significativa em relação ao SCIM III pode ser atribuída a um perfil jovem da amostra, e ao fato de os indivíduos realizarem reabilitação neurofuncional. Em contrapartida, o WHODAS 2.0 fornece uma visão biopsicossocial mais ampla, permitindo perceber diferença significativa entre os grupos de atletas e não atletas com LM torácica.

Não se sabe como alguns aspectos não abordados neste estudo influenciam os resultados obtidos, por exemplo, os atletas não praticarem a mesma modalidade esportiva; nem todos contarem com acompanhamento fisioterapêutico em seus clubes e não apresentarem o mesmo nível de escolaridade nem o mesmo nível socioeconômico.

CONCLUSÃO

Apesar de a prática esportiva promover benefícios para a saúde, foi possível verificar diferença entre atletas e não atletas com LM torácica somente no resultado do WHODAS 2.0. Entre os participantes com lesão cervical não se observou diferenças significativas, o que pode ser explicado pelo maior grau de comprometimento motor desses indivíduos. Deve-se também considerar a limitação de um reduzido número de participantes, especialmente no grupo de não atletas com lesão cervical.

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