Compreendendo e contextualizando a violência nas relações de intimidade entre adolescentes

Compreendendo e contextualizando a violência nas relações de intimidade entre adolescentes

Autores:

Maria das Graças Carvalho Ferriani,
Ana Beatriz Campeiz,
José Eurípedes Martins,
Ailton de Souza Aragão,
Eliana Mendes de Souza Teixeira Roque,
Diene Monique Carlos

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.23 no.3 Rio de Janeiro 2019 Epub 29-Jul-2019

http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2018-0349

INTRODUÇÃO

Relações interpessoais não saudáveis geralmente iniciam-se precocemente e podem durar uma vida inteira. Nas relações de intimidade, pelas especificidades que estas guardam, o aparecimento da violência é ainda mais frequente e difícil de ser abordada. Nos últimos anos, estudos têm denotado importante relevância à violência nas relações de intimidade entre os adolescentes.1-4

Vários termos têm sido usados na literatura para conceituar essa violência entre adolescentes e, neste trabalho, consideraremos o termo teen dating violence. É considerada como a violência física, sexual, psicológica ou emocional em uma relação de intimidade, incluindo a perseguição. É importante evidenciar que essa violência pode ocorrer pessoal ou virtualmente, bem como entre parceiros íntimos eventuais ou formais.5

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos da América (EUA) em 2011, demonstrou que 23% das mulheres e 14% dos homens que haviam sofrido violência sexual, física ou perseguição por um parceiro íntimo, teve a primeira experiência de algum tipo de violência em relações de intimidade entre 11 e 17 anos de idade.1 Outro estudo encontrou que aproximadamente 10% dos estudantes universitários reportaram violência física e 10% reportaram violência sexual por um parceiro no namoro no ano de 2013.2

No Brasil, um importante estudo realizado em dez capitais sobre a violência nas relações afetivo-sexuais de ‘ficar’ ou de namorar entre jovens de 15 a 19 anos de idade, revelou que 86,9% já foram vítimas e 86,8% já praticaram algum tipo de violência durante o relacionamento, seja física, sexual ou psicológica. Observou-se a presença naturalizada e corriqueira da violência, em pelo menos uma de suas manifestações, nas relações de intimidade entre os adolescentes.3 O presente estudo assume que o mito do amor romântico - entendido como uma fusão e complementaridade eternas entre duas pessoas apaixonadas, e associado ao ideal de felicidade3, - pode se apresentar como disparador para situações de violência. Expresso em outras formas, pode estar presente nas relações de intimidade contemporâneas. A violência nas relações íntimas traz consequências à saúde física e mental dos adolescentes, a curto e longo prazo. Estudos longitudinais têm demonstrado que adolescentes que são vítimas dessa violência apresentam maior risco para sintomas relacionados à depressão e ansiedade; envolvimento em comportamento não saudáveis como uso de tabaco, álcool e outras substâncias psicoativas; aparecimento de comportamento antissociais e pensamentos suicidas.4-6

A adolescência é um “período-chave” do desenvolvimento humano que possibilita a implementação de ações que promoverão uma vida adulta saudável.7-8 Deve ser compreendida como uma adolescência plural, sendo que as ações e políticas públicas devem ser pautadas nessa diversidade.9

Destarte, a literatura ainda se apresenta incipiente na discussão da violência nas relações de intimidade entre adolescentes, em especial, em estudos qualitativos, que considerem os contextos onde estes estão inseridos. Considerando tais aspectos, a pergunta norteadora deste estudo é: Qual o significado atribuído à violência nas relações de intimidade pelos adolescentes de escolas de ensino médio? De acordo com o exposto, traz-se enquanto objetivo deste estudo descrever e analisar a violência nas relações de intimidade entre adolescentes de uma escola pública de ensino médio de um município do interior do estado de São Paulo.

MÉTODO

O presente estudo é uma pesquisa qualitativa, do tipo social estratégica ancorada no Paradigma da Complexidade. Este considera o olhar para fenômenos de maneira articulada e polidimensional; busca abarcar aspectos que são indissociáveis na composição de um determinado fenômeno.10 O Paradigma da Complexidade se coloca oportuno para fundamentar essa investigação, possibilitando um olhar para as interações e contextos com abordagem transdisciplinar, buscando abarcar a realidade.10 As noções de contextualização e compreensão direcionaram a análise dos dados.10 Entende-se o contextualizar como o olhar transdisciplinar para determinado fenômeno, a fim de compreendê-lo, considerando sua multidimensionalidade. A compreensão pode ser entendida como a apreensão do significado de um objeto ou acontecimento, considerando suas relações com outros objetos ou acontecimentos.10

O estudo se desenvolveu em um distrito de um município do interior do estado de São Paulo, com aproximadamente 583.542 habitantes. O referido distrito apresenta uma população estimada de 141.998 habitantes; localiza-se em região periférica, a oeste, e de alta vulnerabilidade social. Apresenta um alto índice de violência urbana, doméstica e escolar. A rede pública de saúde possui 18 unidades, sendo uma unidade básica distrital, oito unidades básicas de saúde e nove unidades de saúde da família. Possui nove escolas da rede municipal e oito escolas estaduais, totalizando 4.051 alunos. A pesquisa foi realizada em uma das escolas estaduais, que oferece ensino fundamental e médio nos períodos da manhã, tarde e noite.

Os participantes da pesquisa foram estudantes do 2º ano de ensino médio do período da manhã, regularmente matriculados e frequentando as aulas. Foram excluídos os estudantes que estavam afastados da escola por licença saúde ou outros motivos. A escolha pelo 2º ano se deu pelo momento de transição acadêmica que esses adolescentes vivenciavam, corroborando indicações da literatura, visto que podem vivenciar conflitos nesse processo.11 Na escola selecionada, havia três turmas de 2º ano, sendo que a direção optou por iniciar a atividade em uma turma onde já houve situações de violência em relações de intimidade. De 37 estudantes matriculados nessa turma, dois se encontravam em licença saúde no momento da coleta; e três não estavam frequentando as aulas por motivos desconhecidos. Inicialmente, os demais aceitaram participar da pesquisa, mas apenas 16 assinaram o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE), e do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelo pai e/ou responsável.

Para a coleta de dados, foi utilizada a técnica de grupos focais e de entrevistas semiestruturadas; como complementação, o diário de campo foi utilizado durante todo o processo de coleta para registro das informações da entrada no campo; aproximação dos participantes; detalhes sobre as técnicas de coleta; andamento da pesquisa. Foi realizado um grupo focal no mês de março de 2018, com 16 estudantes, em uma sala reservada para grupos na escola, com boa acústica e luminosidade. O grupo foi realizado em horário que não prejudicou as atividades acadêmicas; conforme indicado, teve a presença de um moderador e dois observadores. Na presente pesquisa, utilizaram-se frases de situações vivenciadas nas relações de intimidade entre adolescentes, que remetem às situações de violências entre adolescentes em relações íntimas e mitos do amor romântico, como “O amor tudo suporta”; “Ele/a é a metade de minha laranja”; “Lugar de mulher é na cozinha”. Posteriormente, essas falas foram problematizadas, com as seguintes questões norteadoras: Como são as relações de intimidade entre adolescentes? Qual o objetivo dessas relações? Quais comportamentos são positivos e quais são prejudiciais nessas relações?

Como forma de complementar os dados, foram realizadas sete entrevistas semiestruturadas, no mês de abril de 2018, com os adolescentes participantes do grupo focal que foram convidados a fazer parte dessas entrevistas; estas foram realizadas na mesma sala em que ocorreu o grupo. O roteiro partiu das seguintes questões abertas e norteadoras: O que você entende por relações de intimidade? Como você acha que acontece a violência nessas relações? Optou-se neste estudo por buscar a saturação de códigos (code saturation); esta é utilizada para identificar os aspectos pertinentes à resposta de uma questão de estudo e formar uma robusta descrição de temas.12 Conforme apontado a seguir, alguns elementos para a compreensão e contextualização da violência nas relações de intimidade entre adolescentes, que começaram a ser repetidos e aprofundados nas falas, nortearam essa saturação - percepções sobre as relações de intimidade estabelecidas; como se desenrola a ocorrência de violência nessas relações; a relevância das redes sociais; o impacto da violência que ocorre em outros espaços na vida dos adolescentes e, em específico, para um contexto mais vulnerável a violências nas relações de intimidade. A saturação ocorreu com as falas do grupo focal e na sétima entrevista.

O grupo focal e as entrevistas foram gravadas por meio de aplicativo de gravação de voz para aparelhos celulares e transcritas manualmente. O grupo focal durou 1 hora, 12 minutos e 41 segundos; a entrevista mais longa apresentou 60 minutos, enquanto que a mais curta durou 45 minutos. Para garantir o anonimato dos participantes, codificaram-se as falas do grupo focal pelas letras GF, e a letra H para adolescentes do sexo masculino e M para o sexo feminino. Para as entrevistas, utilizou-se a letra E, mantendo a mesma codificação para diferenciação de sexo; foram numeradas a partir das sequências em que foram realizadas. Os dados do diário de campo foram utilizados, essencialmente, para descrição do processo de coleta de dados.

Os dados foram analisados mediante o Paradigma da Complexidade, direcionados por duas noções principais: a contextualização e a compreensão.10 Entende-se o contextualizar como o olhar transdisciplinar para determinado fenômeno, a fim de compreendê-lo, considerando sua multidimensionalidade. A compreensão pode ser entendida como a apreensão do significado de um objeto ou acontecimento, considerando suas relações com outros objetos ou acontecimentos.10 A técnica de análise temática direcionou esta análise, por meio dos seguintes passos:13 familiarização com os dados: após transcrição das entrevistas e grupos, foram realizadas leituras e releituras exaustivas do conjunto de dados; codificação: buscou-se referenciar e codificar as informações relevantes em função das questões de pesquisa, por meio de códigos que capturavam a leitura semântica e conceitual dos dados; os códigos foram agrupados com os relevantes dados extraídos do conjunto de informações; busca por temas: um tema é coerente e significativo padrão nos dados relevantes à resposta da pergunta de pesquisa; os códigos da fase anterior foram agrupados nesses temas; revisão de temas: checou-se se os temas trabalharam de acordo com os códigos de dados extraídos e sua relação com o conjunto geral de dados; definição e nomeação dos temas: conduziu-se a escrita detalhada da análise de cada tema, identificando a essência de cada um; escrita final: elemento integral da análise temática, que envolve a tessitura conjunta da narrativa analítica, bem como sua contextualização com literatura relevante da área, dispositivos legais e articulação com os conceitos teóricos. Para garantir maior validade e confiabilidade dos dados, foram realizadas as seguintes estratégias: member-checking: devolutiva dos dados aos participantes para “checagem” da coerência do conteúdo; análise com pares: a construção dos quadros referenciais e categorias se derem por dois pesquisadores do estudo, e validados por um terceiro quando foi necessário; uso do diário de campo, garantindo maior transparência de todo o processo de pesquisa.

As etapas de codificação e definição de temas são apresentadas na Quadro 1.

Quadro 1 Codificação e definição de temas. Elaborado pelos autores. Ribeirão Preto, 2018. 

Códigos iniciais Códigos intermediários Temas finais
Namorar é coisa séria Príncipe e Princesa
Paixão x Amor
Futuro
O príncipe e princesa
Ter um príncipe ou uma princesa
O sentimento transforma
O sentimento transforma
Ter um futuro
Casar e ter filhos
Paixão é mais rápido
Pode ser só sexo
Ciúmes Ciúmes e violência
Redes sociais digitais
Do ciúme à violência
Quando a violência acontece
Tenho problemas com o Facebook
Novas estruturas familiares Separação dos pais
Violência doméstica
Violência na escola
Lá em casa e A escola não fez nada
Separação dos pais
A mãe não fez nada
A escola não fez nada
Bullying

A pesquisa atendeu aos aspectos éticos envolvendo seres humanos, sendo aprovada pelo Comitê de Ética da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (Parecer no. 2.439.567/2017), e autorizada pela escola cenário da pesquisa. Reitera-se que as informações foram coletadas apenas após assinatura do TCLE pelos responsáveis dos estudantes e do TALE pelos estudantes.

RESULTADOS

Entre os 16 alunos participantes, nove eram do sexo feminino e sete do sexo masculino. Destes, sete adolescentes participaram das entrevistas individuais, sendo três do sexo feminino e quatro do sexo masculino. A idade dos adolescentes esteve entre 16 e 17 anos; quatro moravam com o pai e a mãe; seis moravam apenas com a mãe; um morava com o pai e avó paterna; um morava com o pai; e quatro moravam com avós e/ou tios. Todas as famílias possuíam menos de um salário mínimo e residiam em área de vulnerabilidade social.

Duas adolescentes relataram não ter experienciado relações de intimidade; uma adolescente referiu ter sofrido violência nessas relações.

Após análise temática, emergiram três temas, apresentados a seguir.

1º tema - “O príncipe e a princesa”: compreendendo as relações de intimidade entre adolescentes

Neste tema, ficou evidenciado que o ideal do amor romântico, a existência de uma relação que “transforme” o adolescente em “príncipe ou princesa”:

...quando você ama uma pessoa que você gosta, não é que vai ser o príncipe encantado, a princesa. Ela vai ser o seu príncipe, ela vai ser sua princesa... (GFM).

... o sentimento transforma a pessoa numa princesa ou príncipe, não é querendo misturar ficção com realidade, mas é o melhor termo para se colocar nisso. (GFH).

Percebe-se nas falas que os adolescentes mantêm um sentimento idealizado, que transforma o/a outro/a sempre em uma pessoa melhor; utilizam a metáfora “príncipe” e “princesa” para significar o amor romântico. Nesse aspecto, a semântica se torna também importante, pois indica, de alguma forma, a maneira como os adolescentes percebem suas relações, de maneira quase mágica, se dá a transformação do/a outro/a, numa mistura de realidade com ficção.

Ainda nesse aspecto, os adolescentes diferenciam, mesmo que timidamente e em poucas falas, as diferentes relações existentes a partir de dois aspectos. O primeiro se relaciona à intensidade dessa relação por meio de diferenciar ‘paixão’ e ‘amor’; a paixão se associa a relações mais curtas, eventuais, e menos estáveis. Associam alguns termos a essas experiências, como comer:

Vai mais rápido com a paixão, porque a paixão pode ser uma coisa momentânea... (GFM).

Você conheceu a pessoa, achou bonita... ah tenho que comer esta pessoa..., às vezes, numa noite. (GFH).

O segundo aspecto, conforme abordado nessa última fala, evidencia o objetivo final da relação, sendo mais importante o namorar, pois se associa ao ideal de casamento e amor:

A gente começou a se gostar faz três anos, e namorar é para casar, na minha visão o namoro é para casar... (GFM).

O amor é mais tranquilo... se conversa, se completa e também se abraça, beija. (GFH).

Ainda nesses aspectos, percebe-se uma importante diferença pelo gênero. Os adolescentes trazem vocabulários mais coloquiais e agressivos, como comer, enquanto as adolescentes trazem alusão ao namoro, casamento e relação estável. Conforme relatado acima, o mito do amor romântico se associa ao ideal de casamento eterno, e leva alguns adolescentes a viver para o outro, perdendo suas individualidades:

...criar uma vida, ter condições de ter alguém que possa se relacionar e a partir do momento que você se relaciona com alguém... você não só vive a sua vida, você tem que viver a vida dela também, tem que se adaptar com ela (EM1).

2º tema - “Do ciúme à violência”: compreendendo a violência nas relações de intimidade entre adolescentes

Ao adentrar os aspectos violentos das relações de intimidade, os adolescentes trouxeram de forma ressoante a questão do ciúme como disparador da violência nessas relações:

De violência entre os adolescentes, a menina tinha 14 anos e o menino tinha 17 anos, e tanto ciúme chegou a matá-la. (EM1). É um mix de tudo isso, ciúme, violência a pessoa tá morta de ciúme não vai ligar se tava chovendo, tava nevando, se ficou preso no Titanic, você tinha de estar lá. Foda-se não tem mais nada. Você é dela [grifo nosso]. (EH3).

Nas discussões, associou-se o ciúme ao sentimento de posse, conforme evidenciado na fala acima e, a seguir:

[...] meu namorado é muito possessivo, eu não posso conversar com meus primos que ele acha ruim. (GFM).

De maneira dialógica, também emergiu a discussão da presença naturalizada do ciúme na relação, como parte de qualquer relacionamento de intimidade:

Namoro pode passar por alguma briga essas coisas tipo picuinha, se você falar com outra pessoa você está me traindo, eu fico com ciúme... (EH4).

...sentir ciúme do shorts dela, conversar com quem eu não conheço... (EH3).

Ainda foi ressaltado pelos adolescentes que existem o ciúme ‘natural’ à relação e ao amor, e aquele que pode ser ‘patológico’. Dessa forma, existe uma quantificação desse ciúme, entretanto sem definição concreta de qual seria o limite/fronteira do ‘natural’ e ‘patológico’:

...você pode ter ciúme, não muito, porque isso é amor. (EM2).

...ciúme se você gosta da pessoa, você sente ciúme. (EM1).

O ciúme também foi relacionado ao controle. Nesse sentido, ficou evidente a imersão na era digital pelos adolescentes e pela nossa sociedade; este fenômeno (ciúme-controle) é essencialmente percebido pelo uso de redes sociais, em especial pelo compartilhar de ‘senhas eletrônicas’:

...conversar no celular [Whatsapp] ele acha ruim... quer saber a minha senha e eu não gosto. (GFM).

Percebe-se a vivência das relações de intimidade nas redes sociais, de forma pública. Nesse sentido, a violência nessas relações entre adolescentes também se capilariza nesse ambiente, de forma não linear e retroativa:

Eu tenho problemas com o Facebook, porque acho que muita menina vê que o cara é casado e é sem vergonha vai lá manda foto e fala: oi gatinho... (EM2).

Acho estranho seu namorado postar coisas mostrando peito, bunda, tipo frases sem vergonha. (GFM).

Os adolescentes ainda reforçaram alguns aspectos da violência nas relações de intimidade que funcionaram como sinais de alerta. A questão de sentir-se desrespeitado, manipulado e com medo, são relevantes:

...a violência não precisa levar um tapa, a violência pode ser a pessoa desrespeitar, pode ser de certa forma manipular para fazer o que ela não quer como uma relação sexual. (EM1).

...se você no relacionamento, você tá sentindo medo é que algo não está certo. (GFM).

3º tema - “Lá em casa” e “a escola não fez nada”: contextualizando a violência nas relações de intimidade entre adolescentes

Conforme referido na caracterização dos participantes, a maioria das famílias dos adolescentes é de pais separados que vivenciaram a violência, decorrente, especialmente, do uso de substâncias psicoativas e desemprego; a emergência das novas configurações familiares ficou evidente. Foi possível identificar nos diálogos dos adolescentes a vivência de situações de violência entre seus pais, em especial, do homem contra a mulher:

Lembro das brigas que aconteciam e minha mãe falava: “vamos para a [casa da] avó” para não ver as brigas... chegava sábado, ele bebia ia lá em casa e ficava batendo no portão de madrugada, quebrava as coisas e minha mãe dizia “vai embora”... (EH2)

As redes sociais também emergiram como aspecto relevante para conflitos entre os pais dos adolescentes, denotando o papel central das mídias digitais na sociedade:

Lá em casa tá sendo difícil, problema econômico, minha mãe sozinha com três filhos... briga da minha mãe com meu pai normal, foi por causa da minha mãe que começou isso tudo... meu pai pegou o celular dela e ai começou as brigas... E porque ela ficava no celular e ele suspeitava de um amigo dela... (EH3).

Outro ponto que fica evidenciado nas falas desses adolescentes é a falta de diálogo e cuidado no interior da família; alguns buscam e encontram esses comportamentos afetivos junto ao namorado/a:

Este caso [de violência nas relações de intimidade] tinha problema com família... a mãe era usuária de droga, não cuidava, ele entrou para a vida do crime ficou revoltado, e usava drogas e virou tudo isso... (EM1).

Um pouco distante de mim, minha família, meu pai, não dá atenção para mim, minha mãe é aquela pessoa que não tá nem ai... (EM1).

Meu namorado que conversa comigo, eu chego da escola ele que vê meu caderno, pergunta como foi o meu dia. (EM3).

Os adolescentes trazem dificuldades experimentadas nas escolas após separação dos pais e vivências em novas configurações familiares; relatam algumas situações de bullying:

Eu não era assim, eu era uma pessoa extrovertida e acho que isso tem a ver com a separação do meu pai… não querendo culpar só isso, depois fui morar com a minha avó tem a adaptação... (EH2).

Eu comecei enfrentar um monte de problemas tipo “ah com quem que você ficou”, e tal sofri bullying e ai com esses problemas meio que aparece, aí raiva foi entrando em mim, eu fui ficando nervoso, ficando fechado e excluído... (EH3).

Os adolescentes ainda expõem a ausência de apoio social para ajuda no manejo dessas situações vivenciadas:

Eu penso tipo ninguém me ajuda pra dar conselho, então, fico com medo e receio de tentar fazer tipo assim… então, fica dentro de mim entendeu... (EH2).

A vivência (ou não) de relações de intimidade permeia o ambiente escolar; em algumas situações, percebem-se também bullying decorrente dessas questões:

Tem bastante menina que, às vezes, quer ficar comigo, namorar, mas eu falei eu não quero… eu até passo por bullying porque fala que ela é bonita e todo mundo quer namorar ela… Incomoda, enche a cabeça de tanto que eles falam nisso, tipo, mas eu costumo nem ligar, mas fico triste. (EH2).

Apesar dessas violências permearem o contexto escolar, fica evidenciado nas falas a ainda dificuldade de intervenção da escola para enfrentamento dessas situações:

Cinco meninos contra uma menina, aqui na escola, e a escola não fez nada (EM1).

DISCUSSÃO

Considerando o Paradigma da Complexidade,10 que busca compreender as tramas de relações que compõem determinado fenômeno (o que está “tecido junto”), bem como as noções de compreensão e contextualização que sustentam essa análise, elaborou-se o seguinte modelo explicativo (Figura 1) para as violências nas relações de intimidade entre adolescentes.

Figura 1 Modelo explicativo da compreensão e contextualização da Violência nas Relações de Intimidade entre adolescentes.Elaborado pelos autores. Ribeirão Preto, 2018. 

Compreende-se que as relações contemporâneas de intimidade entre adolescentes permanecem demarcadas por mitos do amor romântico. Se por um lado, as relações associadas à paixão são “fortuitas”, corriqueiras e caracterizadas pelo ficar/comer, as relações associadas ao amor são caracterizadas pela estabilidade, pessoa única/ideal e eternizada. Nesse âmbito, o ciúme é considerado inerente às relações, exceto quando pode ser ‘patológico’, marcado pelo sentimento de posse e controle. O ciúme pode avançar a situações de violência, sendo que os adolescentes destacam aspectos desse fenômeno - medo, manipulação e desrespeito. Essas relações são atravessadas pelas mídias digitais, como se existisse um “mundo paralelo” onde esses adolescentes também vivenciam seus relacionamentos. Entende-se que ocorre uma retroalimentação, das características elencadas e vividas pelos adolescentes nas suas relações de intimidade, à ocorrência da violência nessas relações, não podendo ser analisadas separadamente ou em relação causa-efeito. Para além desse aspecto, percebe-se que o todo (violência nas relações de intimidade) está nas partes, bem como as partes encontram-se expressas no todo.10

Como tecido interdependente presente nesse âmbito, encontram-se os contextos imediatos de vida dos adolescentes, a saber, a escola e a família. Esta última emerge com fatores importantes que vulnerabilizam esses adolescentes ao estabelecimento de relações não saudáveis. A ocorrência de violências de gênero entre pais; a falta de diálogo e cuidado na família são alguns fatores. No ambiente escolar, os adolescentes experienciam violências por/entre pares, sem um enfrentamento pró-ativo e efetivo dessa instituição. Denota-se a retroação desses elementos, princípio da complexidade que considera a não linearidade, em que não só a causa age sobre o efeito, mas o efeito retroage sobre a causa. Assim, esses elementos são ao mesmo tempo, produtores e produtos do fenômeno da violência nas relações de intimidade entre adolescentes.10 Cabe esclarecer que tais elementos foram didaticamente separados em categorias para melhor descrição, mas reitera-se o caráter indissociável dos mesmos; tais aspectos podem subsidiar ações para o cuidar em Enfermagem, denotando o olhar ampliado e articulado às vulnerabilidades do adolescente.9

O mito do amor romântico é referenciado e discutido por diversos autores; é apontado como mito por se apresentar como um conjunto de crenças socialmente compartilhadas e pouco flexíveis.14 Neste, alguns aspectos são encontrados nas falas dos adolescentes - a existência de um/a parceiro/a ideal; a onipotência; o casamento; a relação eternizada, exclusivamente por existir a pessoa ideal.14 Liga-se fortemente ao ideal de felicidade e da fusão intensa com o/a outro/a.3 Esses aspectos são referidos pelos participantes do estudo, como na fala “viver a vida do/a outro/a”. O ciúme também emerge como um elemento do mito, a ser melhor discutido posteriormente. Nesse sentido, apesar das novas formas de relacionamento, estas ainda são permeadas por estes mitos.

Os adolescentes apresentaram formas de se relacionar reportadas em outros estudos da área;3,15 entretanto, neste estudo relacionaram fortemente o ‘comer/ficar’ à paixão, e o ‘namorar’ ao amor. Nesse sentido, reforçam os mitos do amor idealizado. Ressalta-se que, apesar das conceituações, as vivências ultrapassam essas categorizações.

Conforme delineado anteriormente, o ciúme foi o principal determinante à ocorrência da violência nas relações de intimidade entre adolescentes; este foi considerado natural e pertencente a qualquer relação de intimidade pelos participantes, ligado ao ideal do amor romântico. O ciúme conduz a uma experiência emocional negativa e complexa; se dá numa percepção de perda ou deterioração de uma relação significativa pelo aparecimento de uma terceira pessoa, podendo essa ameaça ser real ou imaginária.15 Trata-se de uma forma de poder e dominação convertida em estratégia de controle utilizada pelos/as perpetradores/as. Esse controle se dá por meio dos comportamentos do/a outro/a e das relações do/a parceiro/a.15 É, portanto, mais que uma violência implícita. Destarte, os achados deste estudo corroboram fortemente à literatura no que tange à relação entre o ciúme e a posse/controle. Outro estudo brasileiro3 encontrou tais achados, em especial, como fator disparador para as manifestações de todas as formas de violência. Portanto, consideram-se os mitos sustentados pelo amor romântico como fatores de elevada vulnerabilidade à violência nas relações de intimidade entre adolescentes.15 O controle, totalmente direcionado à resposta-consequência do ciúme pelos participantes deste estudo, tem sido apontado como uma das principais manifestações dessa violência entre adolescentes, em especial, no meio digital.16-17

As relações de intimidade entre os adolescentes foram permeadas pelas vivências nas redes sociais virtuais, em especial no Facebook; conforme apontado anteriormente, entende-se que esse ambiente é entendido como natural aos adolescentes, considerados nativos digitais, e um “contorno identitário” contemporâneo.17 Esse ambiente virtual atravessa tanto as relações de intimidade quanto as violências que emergem nelas.16 O “compartilhar senhas” tornou-se a maior prova de amor, sem diferenças por gênero. Estudo qualitativo com jovens universitários corroborou esses achados, desvelando que apesar de críticas à publicização da vida privada, estes reconhecem que trata-se de uma exigência já incorporada à cultura atual.17

A violência nas relações de intimidade digital entre os adolescentes tem sido explorada pela literatura científica internacional nos últimos anos; inclui comportamentos do uso de mídias digitais para monitorar, controlar, ameaçar, ferir, pressionar ou coagir um/a parceiro/a íntimo/a.18 Estudo desenvolvido na Bélgica com estudantes de 16 a 22 anos que estavam em relações íntimas, identificou que o envolvimento em comportamentos online de risco; a maior duração do relacionamento; o envio de mensagens com conteúdo sexual ao parceiro/a; e o maior número de redes sociais utilizadas se relacionaram significativamente à vitimização de violência em relações de intimidade digital mediada pelo controle.19

Estudo qualitativo junto a adolescentes de 12 a 18 anos realizado no Reino Unido buscou explorar o papel do uso de tecnologias em suas relações de intimidade.20 Essas tecnologias podem ter impacto positivo no desenvolvimento e manutenção das relações, mas podem prover um novo caminho para comportamentos não saudáveis. Também podem ser percebidos como menos danosos que a violência “em pessoa”.20 Outro estudo estadunidense com universitários aponta que a violência em relações íntimas vividas em meios digitas é parte de outras violências.21 Nesse sentido, alerta para a importância da descrição dessas violências nos contextos sociais onde são experienciadas, a fim de perceber onde experiências online funcionam como um “presságio” de violências futuras.21 Nesse âmbito, o enfermeiro, pelo lugar privilegiado que ocupa nas equipes e serviços, emerge como figural essencial e primordial para abordagem junto a adolescentes e familiares; pode contribuir para a construção de ações de uso seguro e saudável da Internet, em especial, por meio de ações intersetoriais junto à escola.22

O desrespeito e a manipulação/controle percebidos advindos de situação de violências experienciadas, bem como o medo sentido por ações do/a parceiro/a foram os sinais destacados para busca de ajuda e apoio. Adolescentes que vivenciam esses sentimentos podem ter consequências à saúde física e mental.4,6 Conforme já sinalizado, a identificação dessa violência é dificultada por fatores de ordem pessoal e social. Esse fato é agravado na fase da adolescência, quando as pessoas possuem maior dificuldade para perceber e falar sobre essas situações de violência.5 A enfermagem necessita estar sensível, capacitada e agir de forma coordenada a outros serviços e longitudinal no processo de cuidar da infância e adolescência para acolhimento e enfrentamento das situações de violência a que essa população está exposta.23,24

Nesse âmbito de busca de ajuda e apoio, a família e a escola são os espaços de maior convivência e que poderiam possuir as melhores estratégias para enfrentar e/ou prevenir essas violências entre adolescentes. Revisão de literatura destacou os fatores de risco e de proteção para a perpetração da violência nas relações íntimas entre adolescentes; dentre os fatores de proteção a nível social, ter uma relação positiva com a mãe e sentimento de pertencimento à escola foram identificados.2 Apesar da potência desses contextos, os mesmos ainda não assumem efetivamente seu papel protetivo, conforme relatado pelos participantes do estudo. Esses dados corroboram estudo que analisou a busca por serviços e rede de apoio de adolescentes em Porto Alegre, Brasil, para o enfrentamento da violência nas relações de intimidade.25 Este destacou-se que, dentre os participantes do estudo, apenas 5% buscou ajuda em situações de violência; os amigos foram os mais procurados, seguidos dos familiares.25

Experiências de violências na família, seja testemunhar violências entre os pais ou sofrer violência doméstica, podem ter impacto no desenvolvimento de adolescentes, em especial, na construção de suas relações junto aos pares. Conflitos nas relações entre os pais podem influenciar crenças e comportamentos sobre o que é aceitável em suas próprias relações.26 Violência na infância, mesmo indireta (ou seja, presenciar conflitos entre os pais) e vulnerabilidade econômica são apresentadas como fatores de risco para as violências nas relações de intimidade.26 O estudo citado acima, realizado em Porto Alegre, corrobora que os adolescentes desejam um diálogo aberto com os pais, entretanto existem lacunas entre o que é idealizado e o que acontece na realidade.25

Conforme já citado, o contexto escolar não exerceu a proteção em situações dessas violências; dialogicamente tem emergido como lócus para ocorrência de violências, em especial, o bullying. A literatura tem se voltado para a discussão dessa temática dada sua magnitude como problema de saúde na vida de adolescentes.27 Ressalta-se a vivência do bullying no espaço escolar, motivado por situações de relações de intimidade ou por características familiares; percebe-se que as violências ocorrem de forma concomitante na vida de muitos adolescentes. A literatura tem apontado que muitas formas de violência estão interconectadas e, geralmente, compartilham as mesmas raízes. Elas também podem ocorrer juntas em famílias e comunidades e podem ocorrer ao mesmo tempo ou ao longo dos ciclos de vida.26 A compreensão e implementação de abordagens que previnam fatores de risco e promovam aqueles de proteção comuns a vários tipos e manifestações de violências, podem ajudar profissionais a usar recursos limitados para prevenir as violências e salvar vidas, de forma mais eficiente.26

A enfermagem e a saúde devem pautar sua agenda no reconhecimento da atenção ao adolescente como prática emancipatória, integral, contextual e dialógica. Para tanto, sugere-se a busca de referenciais que respeitem a não universalidade do ser adolescente e os múltiplos aspectos que os vulnerabilizam ou protegem, de forma articulada interdisciplinar e intersetorialmente.9

CONCLUSÕES E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA

Os achados deste estudo desvelaram o caráter polidimensional, retroativo e interdependente dos aspectos relacionados à violência nas relações de intimidade entre adolescentes. Essas relações são permeadas por mitos do amor romântico; o ciúme é visto como principal disparador das violências, associado ao controle. O contexto virtual atravessa as relações e a violência, medo, manipulação e desrespeito são elencados como sinais de alerta de violências em relações íntimas. Violências na família e escola retroagem na produção dessa violência.

A partir desses resultados, apontam-se implicações para a prática em Enfermagem e saúde, a saber: construção de estratégias para promoção de relações de intimidade saudáveis a partir da desconstrução de mitos do amor romântico; ações que promovam uso seguro de redes sociais virtuais pelos adolescentes, como oficinas e dinâmicas para adolescentes e familiares; ações de promoção da parentalidade saudável a famílias e cuidadores de adolescentes; articulação saúde-escola-família, com empoderamento desses espaços enquanto fatores de proteção a violências envolvendo adolescentes.

As limitações do estudo se relacionaram à escolha dos participantes. Trata-se de um contexto específico, e uma turma escolhida por já ter vivenciado a violência em relações íntimas; a diferenciação por gênero também poderia ter sido considerada. Novos estudos com adolescentes mais jovens, pais e/ou cuidadores e profissionais da educação, bem como de avaliação da implementação de programas direcionados à prevenção de violências entre adolescentes, são recomendados.

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