Condição de saúde bucal autopercebida, capacidade mastigatória e longevidade em idosos

Condição de saúde bucal autopercebida, capacidade mastigatória e longevidade em idosos

Autores:

Clarice Santana Milagres,
Luísa Helena do Nascimento Tôrres,
Anita Liberalesso Neri,
Maria da Luz Rosário Sousa

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.5 Rio de Janeiro maio 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018235.14572016

Abstract

The scope of this article is to assess the oral health conditions and self-perceived chewing ability among the elderly seniors (≥ 80 years). Data from the FIBRA multicentric study were used. The sample consisted of 2,341 individuals with no cognitive impairment, aged ≥ 65 years, between 2008 and 2009, where the elderly were subjected to data collection. Regarding the outcome, age was dichotomized into 65-79 and 80 and over. The association between longevity and the socio-demographic and behavioral variables, general and oral health and self-perceived chewing ability was assessed by Poisson regression. Complete data are now available for 2,126 seniors. The mean age was 70.91 (SD =± 4.11) years among the young elderly and 82.70 (SD =± 2.61) among the elderly seniors. The sample of individuals aged ≥ 80 years was 11.7%. Low education, single marital status and lack of work were associated with longevity, as well as self-reporting of having no natural teeth and difficulty or pain when chewing hard foods. The results suggest an association between longevity with sociodemographic characteristics and oral health.

Key words Elderly; Senior elderly aged 80 and over; Oral health; Self-assessment

Introdução

Mundialmente, estima-se que um em cada dez habitantes seja idoso1. No Brasil, os dados do Censo Demografico 2010 revelaram um aumento da população com 65 anos ou mais de 4,8% em 1991, passando a 5,9%, em 2000, e chegando a 7,4%, em 20102. Além do envelhecimento da população total, a proporção da população idosa longeva, ou seja, idosos com 80 anos ou mais, está crescendo, correspondendo atualmente por 1,6% do total de idosos brasileiros2. Com isso, a alteração da composição etária entre os idosos também se encontra em processo de envelhecimento1,3.

Estima-se que a população longeva apresente características socioeconômicas, psicológicas e morfofisiológicas diferenciadas em relação aos idosos mais jovens, apresentando maior número de doenças crônicas, uso de medicamentos e busca por serviços de saúde, com gastos elevados em saúde e riscos para o desenvolvimento de incapacidades diversas4,5.

Alguns autores têm utilizado o termo “quarta idade” para ressaltar a condição longeva do idoso, assim como uma categoria complementar à “terceira idade”6,7. Sendo assim, os idosos não formariam uma população uniforme, uma vez que apresentam importantes diferenças entre aqueles mais jovens e os longevos7. De acordo com a literatura, idosos acima de 80 anos apresentam uma tendência ao isolamento social, maior frequência de doenças crônicas não transmissíveis, além de outros fatores de ordem social, que tornam esse grupo etário mais vulnerável, como, por exemplo, devido à menor renda e arranjo de moradia fragmentado4,5,8.

O envelhecimento bem-sucedido e saudável surge em contextos variados, gerando preocupações em relação a como manter a saúde geral e a saúde bucal dos idosos. Um aspecto relevante é a autopercepção da saúde bucal, que muitas vezes se relaciona à condição clínica desses indivíduos9,10. Em estudo com idosos, verificou-se que o edentulismo e o uso de próteses estiveram associados ao impacto psicossocial e funcional relacionados às dificuldades de mastigação. Apesar desses dados apresentados, não foi possível observar autopercepção de incômodo na condição bucal. Uma das explicações seria a capacidade de resiliência dos idosos, por considerarem tais condições como inerentes ao processo natural do envelhecimento, avaliando como natural as extrações dentárias, o uso de próteses e até mesmo algumas dificuldades relacionadas à mastigação10. Além disso, a autopercepção de saúde bucal parece estar relacionada com a combinação de comportamentos, atitudes, cultura e experiências do idoso frente à condição questionada11.

Em relação às doenças bucais, verifica-se que as mesmas causam agravos e sequelas como as perdas dentárias, principalmente na população idosa. Esse fenômeno traz consigo uma nova preocupação com o cuidado à saúde do idoso. Na odontologia, os problemas de saúde bucal que mais acometem esta população são declínio da presença de dentes hígidos, alta prevalência de edentulismo, cáries radiculares, alterações nos tecidos moles, doenças periodontais e ausência de utilização de serviços odontológicos2-5,12. Cardos e Bujes12, em uma revisão sistemática, verificaram que as inter-relações entre a saúde bucal com as funções da mastigação e da deglutição se dão pela ausência de dentes no idoso e este fato interfere em uma deglutição eficiente, prejudicando o estado nutricional do idoso. O estudo realizado por Medeiros et al.13 verificou que os idosos referiram possuir maiores dificuldades na mastigação com os alimentos sólidos mais duros, como carnes, frutas e verduras cruas, e cereais, além de sentirem a necessidade de ingerir líquidos durante a refeição para facilitar a deglutição.

Quanto à percepção de saúde bucal entre os idosos, encontram-se variáveis envolvidas não só em relação à capacidade mastigatória autopercebida, mas as condições funcionais de alimentação, a facilidade de ingestão e digestão dos alimentos, a ausência de dores orofaciais e a ligação com os atos de falar e sorrir14. Vasconcelos et al. observaram que a autopercepção de saúde bucal dos idosos estudados estava associada a fatores subjetivos ao invés dos objetivos, ou seja, a avaliação da saúde bucal apresentou-se positiva, divergindo da condição clínica encontrada15. Resultado semelhante foi encontrado no trabalho de Costa et al.14.

O presente estudo objetivou avaliar a saúde bucal e a capacidade mastigatória autopercebida dos idosos longevos em relação aos idosos mais jovens em seis municípios brasileiros. Este trabalho justifica-se por considerar que a maioria dos estudos que verifica o estado de saúde bucal de idosos baseia-se em indicadores clínicos odontológicos9, existindo poucas avaliações sobre a saúde e o bem-estar a partir da percepção do idoso9,10, em especial, do idoso longevo9. Logo, as informações geradas no presente estudo poderão contribuir para o estabelecimento de ações especificas em saúde bucal que contribuam para o envelhecimento saudável desta população considerando o próprio ponto de vista sobre seu estado bucal e sua condição mastigatória.

Materiais e métodos

Estudo seccional, que utilizou dados do Projeto FIBRA, que investiga a fragilidade e variáveis associadas em idosos de 65 anos ou mais residentes em zonas urbanas de diferentes cidades brasileiras, no período 2008 a 2009.

O Projeto FIBRA foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas e este projeto também foi aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade de Odontologia de Piracicaba.

População alvo

A população deste estudo foi constituída por idosos, de 65 anos ou mais, residentes em seis municípios do país: Campinas (SP), Belém (PA), Parnaíba (PI), Poços de Caldas (MG), subdistrito de Ermelino Matarazzo, na cidade de São Paulo (SP) e Ivotí (RS). Foram totalizados 3.478 idosos, recrutados em domicílio e submetidos à sessão única de coleta de dados. Dessa amostra, 2.341 indivíduos não apresentaram déficit cognitivo em ambos os sexos, dos quais 273 (11,7%) apresentaram idade igual ou superior a 80 anos.

Plano amostral

As seis localidades brasileiras, escolhidas por conveniência, selecionaram amostras probabilísticas de setores censitários, cujos domicílios recrutaram idosos compreendendo cotas de homens e mulheres de 65 a 69 anos, 70 a 74, 75 a 79 e 80 e mais, sendo estas, proporcionalmente ao tamanho da população de idosos de cada município.

O plano amostral estabeleceu que o tamanho mínimo da amostra estimada para Campinas e Belém (localidades com mais de 1 milhão de habitantes) deveria ser 601 idosos, para erro amostral de 4%. Para as demais, com menos de 1 milhão de habitantes, a estimativa foi de um mínimo de 384 idosos, para um erro amostral de 5%. No município de Ivoti, que possuía uma população menor, foram contabilizados todos os idosos, num total de 646 indivíduos. Nesse caso, o cálculo amostral utilizado foi de estimativa de uma proporção numa população finita com = 5%, erro amostral de 5% e estimativa de 50% para a distribuição da variável em estudo. Por esses parâmetros, a amostra de Ivoti foi estimada em 235 idosos14. Informações detalhadas sobre a seleção dos participantes, a coleta e o protocolo encontram-se descritos no estudo de Neri et al.16.

Baseado no estudo de Fried et al.17, fragilidade é uma condição clínica geriátrica que envolve o declínio das reservas de energia, a desregulação neuroendócrina, a diminuição da função imune e também da resistência a estressores, sendo resultante da interação dos riscos atuais e acumulados em relação à saúde e a sua funcionalidade. Como consequência, estes indivíduos apresentam uma maior vulnerabilidade a desfechos clínicos adversos17. A mensuração da fragilidade é composta por 5 itens de avaliação: perda de peso não intencional, exaustão/fadiga, força de preensão manual (fraqueza muscular), nível de atividade física e velocidade da marcha. O idoso considerado frágil foi aquele que pontuou três ou mais destes critérios: pré-frágil, quando apresentou pontuação de um a dois critérios; e não frágil (ou robusto), quando não pontuou em nenhum dos cinco critérios estabelecidos17. Esta definição foi usada pelo Estudo FIBRA, no qual foram adotados os seguintes critérios de exclusão: presença de problemas de memória, atenção, orientação e comunicação sugestiva de déficit cognitivo (utilização do MEEM – Mini Exame do Estado Mental, com notas de corte baseadas nos critérios sugeridos pela Academia Brasileira de Neurologia, com base em Brucki et al.18, menos um desvio padrão), incapacidade permanente ou temporária para andar, perda localizada de força e afasia decorrente de acidente vascular encefálico (AVE), comprometimento da fala, da motricidade ou da afetividade decorrente de doença de Parkinson avançada, déficit auditivo ou visual grave e presença de estágio terminal. Em relação aos critérios de inclusão, foram selecionados idosos com 65 anos ou mais, residentes permanentes no domicílio e no setor censitário, capazes de se comunicar, entender instruções e que concordassem em participar, portanto, idosos que não apresentassem déficit cognitivo. Os informantes podiam ser os próprios idosos ou um familiar residente no domicílio.

Em relação às notas de corte utilizadas para exclusão pelo MEEM utilizou-se: 17 pontos para os analfabetos; 22, para idosos com escolaridade entre 1 e 4 anos; 24, para os com escolaridade entre 5 e 8 anos, e 26, para os que tinham 9 anos ou mais anos de escolaridade. A opção por tais notas de corte, também adotada por Fried et al.17, Ferrucci et al.19 e Bandeen-Roche et al.20, foi feita porque déficits cognitivos poderiam prejudicar a confiabilidade das respostas de autorrelato.

Coleta de dados

A coleta de dados ocorreu de setembro de 2008 a junho de 2009, em uma sessão única com 40 a 120 minutos de duração, a partir da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Seguiam-se os questionários de identificação, de dados sociodemográficos, o MEEM e a verificação dos demais critérios de exclusão. Assim, coletavam-se as demais medidas, como saúde geral, acesso a serviços odontológicos, comportamentos/hábitos de vida, saúde bucal e condições funcionais da alimentação autopercebidas dos idosos incluídos neste estudo.

Variáveis do estudo

A variável idade foi coletada através da questão “qual a sua idade” de forma contínua e, posteriormente, foi dicotomizada em 65-79 anos e 80 anos ou mais, sendo o desfecho deste estudo.

As variáveis independentes foram representadas pelos dados sociodemográficos, indicadores de saúde geral; presença de fragilidade, indicadores comportamentais/hábitos de vida e uso de medicamentos, indicadores de acesso a serviços odontológicos, de autopercepção de saúde bucal e condições funcionais da alimentação.

- Dados sociodemográficos: sexo (masculino e feminino), grupo étnico (branco e outros), escolaridade em anos (4 anos ou mais e até 3 anos), estado civil (casado/casado com companheiro e solteiro/viúvo/separado/divorciado), arranjo de moradia (outros e mora sozinho), trabalha atualmente (sim e não).

- Indicadores de saúde geral pelo: número de doenças médicas autorrelatadas (até uma e duas ou mais) que, segundo o idoso, foram diagnosticadas por médico no último ano anterior à entrevista, avaliação da saúde geral (muito boa/boa, muito ruim/ruim e regular), autopercepção da saúde comparada com outros da mesma idade (pior, igual e melhor).

- Fragilidade: pré-frágil e/ou não frágil; frágil.

- Indicadores comportamentais/hábitos de vida e uso de medicamentos: se é fumante atualmente (sim e não), consumo de bebidas alcoólicas (nunca e outros) e quantidade de medicamentos que faz uso nos últimos 3 meses (até um e dois ou mais).

Em relação às variáveis sociodemográficas do estudo, estas foram dicotomizadas de acordo com sua distribuição, onde o grupo étnico como caucasiano e outros, segundo autorrelatado dos idosos no qual foi coletado considerando a classificação: branco, preto, pardo, indígena, amarelo e outros. A escolaridade também foi dicotomizada em anos (4 anos ou mais e até 3 anos), onde foi obtida a partir dos seguintes itens: sem escolaridade formal, 1 a 3, 4 a 8, 9 a 11 e 12 e mais. O arranjo da moradia obteve quatro itens dos quais foram dicotomizados em: mora sozinho e não mora sozinho [com companheiro (a), filho (s) e outros].

Os indicadores de saúde geral e presença de fragilidade utilizaram a variável número de doenças médicas autorrelatadas, no qual foi coletada com os seguintes itens: até uma e duas ou mais doenças. A avaliação da saúde geral foi verificada através das seguintes categorizações: muito boa/boa, ruim/muito ruim e regular.

- Indicadores de acesso a serviços odontológicos (nos últimos 12 meses anteriores à entrevista):rede de serviços de saúde odontológico (SUS e particular/convênio), frequência no dentista nos últimos doze meses (uma vez ou mais e nunca) e motivo de não ir ao dentista último ano (não precisou, não quis ir/dificuldade para conseguir a consulta ou para ir).

- Indicadores de autopercepção de saúde bucal e capacidade mastigatória: presença de dentes naturais, uso de dentaduras (próteses), a dentadura machuca ou cai, alimenta-se com dentadura, dor de dente (nos últimos seis meses), sensação de boca seca (nas últimas quatro semanas), presença de ferida na língua, bochecha, céu da boca ou lábio (há mais de um mês), dificuldade para mastigar e engolir alimentos, dificuldade ou dor para mastigar comida dura e avaliação da saúde bucal (ótima, boa, regular e ruim).

Para o presente estudo, foram avaliadas 2 questões referentes à capacidade mastigatória autopercebida (dificuldade para mastigar e engolir alimentos e dificuldade ou dor para mastigar comida dura), as quais foram dicotômicas (sim e não)21.

Análise dos dados

Para análise de dados foi utilizado os softwares SPSS 18.0. A distribuição das variáveis do estudo foi verificada. As análises bivariadas incluíram o teste do Qui-quadrado para variáveis categóricas. Considerou-se, para todos os testes estatísticos, um nível de significância de p < 0,05.

Foram realizadas análises bivariadas entre as variáveis que foram comparadas, obtendo-secomo medida de associação a razão de prevalência (RP) e os respectivos intervalos de confiança a 95%, por meio da regressão de Poisson com variância robusta. Foram incorporadas na análise multivariada as variáveis que se associaram com o desfecho, na análise bivariada, com valor de p < 0,25 e mantidas no modelo final aquelas com associação significante no nível de p < 0,05.

Resultados

O estudo contou com 3073 idosos que participaram do primeiro bloco do protocolo, sendo que 2341 destes participaram nas duas fases. Entretanto, devido a alguns missings, por questões não respondidas, a análise final contou com dados completos para 2126 idosos, sendo que as variáveis, motivo de não ir ao dentista, alimenta-se com dentadura (prótese), dentadura machuca ou cai e quantidade de medicamentos que faz uso foram respectivamente aquelas que apresentaram maior quantidade de não respostas (missings). Destes com informações completas, foi verificado que 11,7% são idosos longevos (n = 273). De acordo com a Tabela 1, na amostra total de idosos pesquisados, havia maior proporção de mulheres (65,6%). Observou-se predomínio da faixa etária de idosos jovens (88,3%), onde a média da idade verificada entre eles foi de 70,91 anos (DP = ±4,11), enquanto entre os idosos longevos a idade média foi 82,70 anos (DP = ±2,61). Da amostra total, declararam-se casados ou vivendo com companheiro (a), 50,5% dos idosos, sendo a categoria “solteiros” formada por 33,9% de viúvos, 8,3% de solteiros e 7,3% de divorciados/separados/desquitados. Apenas 13,8% relataram morar sozinho, enquanto aproximadamente 83% relatou não mais trabalhar.

Tabela 1 Distribuição e frequência das características sociodemogrâficas, indicadores de saúde geral, presença de fragilidade, indicadores comportamentais/hábitos de vida e uso de medicamentos segundo o desfecho, longevidade. Estudo FIBRA, 2008-2009. 

Variáveis/Categorias N total = 2341 n (%) Idosos jovens n (%) Idosos longevos n (%) P
Sexo
Masculino 805 (34,4) 695 (33,6) 110(40,3)
Feminino 1536 (65,6) 1373 (66,4) 163 (59,7) 0,02
Grupo étnico
Branco 1310(56,5) 1145(55,9) 165 (61,3)
Outros 1007 (43,5) 903 (44,1) 104 (38,7) 0,09
Escolaridade (em anos)
4 anos ou mais 1374(58,7) 1240 (60,0) 134 (49,1)
Até 3 anos 965 (41,3) 826 (40,0) 139 (50,9) 0,001
Estado civil
Casado 1181 (50,5) 1083 (52,5) 98 (35,9)
Solteiro (viúvo, divorciado, solteiro) 1156(49,5) 981 (47,5) 175 (64,1) < 0,001
Arranjo da moradia
Não mora sozinho 2011(86,2) 1794 (87,0) 217 (79,8)
Sozinho 323 (13,8) 268 (13,0) 55 (20,2) 0,001
Trabalha atualmente
Sim 386 (16,6) 356 (17,3) 30(11,1)
Não 1941 (83,4) 1701 (82,7) 240 (88,9) 0,01
Número de doenças médicas autorrelatadas
Até 1 790 (34,1) 685 (33,4) 105 (39,0)
Duas ou mais 1529 (65,9) 1365 (66,6) 164 (61,0) 0,07
Avaliação da saúde geral
Muito boa e boa 853 (36,9) 746 (36,5) 107 (39,9)
Muito ruim e ruim 542 (23,4) 493 (24,1) 49 (18,3)
Regular 917 (39,7) 805 (39,4) 112(41,8) 0,10
Autopercepção da saúde comparada com outros da mesma idade
Pior 152 (4,6) 141 (7,0) 11(4,2)
Igual 524 (16,0) 475 (23,6) 49 (18,9)
Melhor 1594 (79,4) 1395 (69,4) 199 (76,8) 0,04
Presença de fragilidade
Pré-frágil e não frágil 2177 (93,0) 1947 (94,1) 230 (84,2)
Frágil 164 (7,0) 121 (5,9) 43 (15,8) < 0,001
Fumante atualmente
Não 2109 (85,8) 1855 (90,7) 254 (94,4)
Sim 349 (14,2) 190 (9,3) 159 (5,6) 0,04
Já consumiu bebidas alcoólicas
Nunca 1579 (69,1) 1385 (68,6) 194 (72,7)
Outros 707 (30,9) 634 (31,4) 73 (27,3) 0,18
Quantidade de medicamentos que faz uso
Até 1 546 (27,6) 478 (27,4) 68 (28,9)
2 ou mais 1432 (72,4) 1265 (72,6) 167(71,1) 0,63

Quanto aos idosos longevos, houve maior proporção de mulheres (59,7%), caucasianos (61,3%) e estado civil solteiro (64,1%). Apenas 20,2% relataram morar sozinhos, enquanto 88,9% relataram não mais trabalhar (Tabela 1).

Na amostra pesquisada, foi encontrada maior proporção da presença de duas ou mais doenças médicas autorrelatadas tanto entre os idosos mais jovens quanto entre os longevos. Ambos apresentaram maior proporção de avaliação da saúde geral regular e melhor autopercepção da saúde comparada com outros da mesma idade. A fragilidade foi identificada em 5,9% dos idosos mais jovens, enquanto nos idosos longevos foi representada por 15,8% destes indivíduos (Tabela 1).

Verificou-se que nos dois grupos, a maioria dos indivíduos da amostra procurou o serviço odontológico privado ou possuía algum tipo de convênio (72,4%). Entre idosos mais jovens e idosos longevos, foi observado que 62,6% e 67,7%, não frequentaram o dentista no último ano pesquisado, respectivamente (Tabela 2). Quanto à autopercepção de saúde bucal, verificou-se que nos 2 grupos de idosos aproximadamente 70% dos mesmos considerou a saúde bucal como boa ou ótima. Problemas relacionados à capacidade mastigatória autopercebida entre idosos longevos, como dificuldade para mastigar e engolir alimentos; e dificuldade ou dor para mastigar comida dura foram relatados por 20,2% e 43,1% dessa amostra respectivamente (Tabela 2).

Tabela 2 Distribuição e frequência das características segundo indicadores de acesso a serviços odontológicos, autopercepção de saúde bucal e condições funcionais da alimentação, segundo o desfecho, longevidade. Estudo FIBRA, 2008-2009. 

Variáveis/Categorias N total = 2341 n (%) Idosos jovens n (%) Idosos longevos n (%) P
Rede de serviços de saúde odontológico
SUS 834 (27,6) 748 (38,7) 86 (35,0)
Particular/Convênio 2181 (72,4) 1187(61,3) 160 (65,0) 0,26
Frequência no dentista (últimos 12 meses)
Uma vez ou mais 840 (36,8) 755 (37,4) 85 (32,3)
Nunca 1441(63,2) 1263 (62,6) 178 (67,7) 0,11
Motivo de não ir ao dentista
Não precisou 713 (58,7) 618(58,2) 95(62,1)
Não quis ir/dificuldade para conseguir a consulta ou para ir 502 (41,3) 444(41,8) 58 (37,9) 0,36
Presença de dente natural
Sim 1234(53,5) 1123 (55,1) 111 (41,4)
Não 1071 (46,5) 914 (44,9) 157 (58,6) < 0,001
Uso de dentadura (prótese)
Sim 1717(75,3) 1505 (75,0) 212 (80,9)
Não 562 (24,7) 502 (25,0) 60(19,1) 0,03
Dentadura machuca ou cai
Não 1298 (73,9) 1139(74,0) 159 (73,3)
Sim 458 26,1) 400 (26,0) 58 (26,7) 0,82
Alimenta-se com dentadura (prótese)
Sim 1587(91,5) 1394 (91,7) 193 (90,2)
Não 147 (8,5) 126 (8,3) 21 (9,8) 0,45
Dor de dente (últimos 6 meses)
Nenhuma e pouca 2043 (93,8) 1804 (93,4) 239 (96,0)
Moderada e muita 134 (6,2) 124 (6,4) 10 (4,0) 0,14
Sensação de boca seca (últimas 4 semanas)
Não 1349 (58,7) 1186(58,5) 163 (60,8)
Sim 947 (41,3) 842 (41,5) 105 (39,2) 0,46
Presença de ferida na língua, bochecha, céu da boca ou lábio (há mais de 1 mês)
Não 2138(93,1) 1894 (93,3) 244 (91,4)
Sim 158 (6,9) 135 (6,7) 23 (8,6) 0,23
Difìculdade para mastigar e engolir alimentos
Não 1811 (80,2) 1601 (80,2) 210 (79,8)
Sim 448 (19,8) 395(19,8) 53 (20,2) 0,89
Difìculdade ou dor para mastigar comida dura
Não 1456 (63,2) 1304 (64,0) 152 (56,9)
Sim 847 (36,8) 732 (36,0) 115(43,1) 0,02
Avaliação da saúde bucal
Boa/ótima 1616 (70,4) 1429 (70,5) 187 (70,3)
Regular/ruim 678 (29,6) 599 (29,5) 79 (29,7) 0,96

A análise multivariada (Tabela 3) apresentou menor prevalência de indivíduos longevos entre as mulheres (RP = 0,48, IC95% 0,37-0,62), os que não se autorrelataram brancos (RP = 0,73, IC95% 0,57-0,95), os com 2 ou mais doenças (RP = 0,76, IC95% 0,59-0,98) e os que fumam (RP =0,56, IC95% 0,32-0,97); e maior prevalência de idosos longevos entre os com menor escolaridade (RP = 1,47, IC95% 1,15-1,88), os solteiros (RP = 2,27, IC95% 1,76-2,92) e os que não trabalham (RP = 1,55, IC95% 1,06-2,28). As variáveis de saúde bucal associadas com maior prevalência de longevidade foram o autorrelato de não possuir dentes naturais (RP = 1,46, IC95% 1,14-1,87) e de dificuldade ou dor ao mastigar comida dura (RP = 1,34, IC95% 1,05-1,70).

Tabela 3 Resultado final da análise multivariada bruta e ajustada das variáveis associadas à longevidade (≥ 80 anos) e respectivo intervalo de confiança a 95%. Estudo FIBRA, 2008-2009. 

Variáveis/Categorias RP Bruta (IC 95%) P RP Ajustada (IC95%) P
Sexo
Masculino 1,0 1,0
Feminino 0,78 (0,62–0,97) 0,03 0,48 (0,37–0,62) < 0,001
Grupo étnico
Branco 1,0 1,0
Outros 0,82(0,65–1,03) 0,09 0,73(0,57–0,95) 0,017
Escolaridade (anos)
4 anos ou mais 1,0 1,0
Até 3 anos 1,00(1,18–1,84) < 0,001 1,47(1,15–1,88) < 0,002
Estado civil
Casado 1,0 1,0
Solteiro (viúvo, divorciado, solteiro) 1,82(1,44–2,30) < 0,001 2,27(1,76–2,92) < 0,001
Trabalha atualmente
Sim 1,0 1,0
Não 1,59(1,11–2,29) 0,01 1,55(1,06–2,28) 0,025
Número de doenças médicas autorrelatadas
Até 1 1,0 1,0
2 ou mais 0,81 (0,64–1,01) 0,06 0,76(0,59–0,98) 0,036
Fumante atualmente
Não 1,0 1,0
Sim 0,61(0,37–1,00) 0,05 0,56(0,32–0,97) 0,039
Presença de dente natural
Sim 1,0 1,0
Não 1,63 (1,30–2,05) < 0,001 1,46(1,14–1,87) 0,003
Dificuldade ou dor ao mastigar comida dura
Não 1,0 1,0
Sim 1,30(1,04–1,63) 0,02 1,34(1,05–1,70) 0,017

Referência do desfecho: idosos mais jovens (65-79 anos).

Discussão

Os achados deste estudo sugerem que ausência de dentes naturais e dificuldade ou dor para mastigar comida dura estão relacionados à idade mais avançada, sendo mais prevalente nos idosos longevos que nos idosos jovens. O fato dos idosos mais velhos apresentarem maior prevalência de perda dentária possivelmente está relacionado com a exposição dos dentes por mais tempo na cavidade bucal, já que a sequela das doenças bucais tem caráter cumulativo, e apresenta como desfecho final a perda dentária. Ainda estudos brasileiros têm demonstrado que a situação epidemiológica da população idosa em relação ao edentulismo e ao reduzido número de dentes naturais afeta, em especial, a qualidade de vida nesta faixa etária, podendo refletir em uma desfavorável expectativa de vida e longevidade22-26.

Niesten et al.27, em trabalho qualitativo caracterizando uma amostra de 38 idosos e média de idade de 80 anos, verificaram que possuir dentes naturais esteve associado com possuir boa saúde geral e bucal, além da obtenção de um melhor senso de controle, conforto, aparência e funções orais. No entanto, em nosso estudo, apesar de haver menor número de dentes naturais em idosos longevos em relação aos idosos jovens, não foi encontrada diferença significante na avaliação de saúde bucal entre os grupos, possivelmente porque a ausência de dentes não interferiu na autopercepção de saúde bucal predominantemente positiva em ambos os grupos.

A perda dentária foi ainda avaliada por Savoca et al.28 em idosos como um indicador de comprometimento da qualidade da dieta e no qual 35,5% da amostra foi composta por idosos com 75 anos ou mais e representados por diferentes etnias. Segundo os autores, o desconforto percebido pela perda de dentes pode alterar a percepção de saúde bucal dos idosos, ao avaliarem que a mastigação não é realizada com naturalidade e conforto, e que há necessidade de selecionar o tipo de alimento ou a forma de consumi-lo, por meio de estratégias que facilitem a ingestão.

Quanto à mastigação, poder-se-ia pensar na relação entre maior tempo de exposição com maior número de perdas afetando a mastigação. Entretanto, o resultado sugere que a dificuldade de mastigação de alimentos duros pode estar associada às alterações que ocorrem na função do sistema estomatognático com o envelhecimento29, pela perda de tônus e de força muscular orofacial, dificultando o controle do bolo alimentar12. No presente estudo, idosos relataram dificuldade ou dor ao mastigar comida dura. A mudança no padrão alimentar também pode acarretar uma atrofia da musculatura mastigatória, repercutindo na estética facial e autoestima do idoso, além de comprometer a própria longevidade30.

Em outro estudo, a perda de dentes foi associada à diminuição da capacidade de mastigar e deglutir adequadamente o alimento, tendo como consequência o comprometimento da saúde geral e o bem-estar do indivíduo, verificado pela mudança de uma dieta saudável para uma dieta com predominância de carboidratos e alimentos menos consistentes, que não possuem os nutrientes adequados às necessidades dos idosos30. No entanto, no presente estudo, os idosos longevos apresentaram menor prevalência de duas ou mais doenças médicas autorrelatadas em relação aos idosos jovens, com resultado estatisticamente significante. Este comprometimento da saúde geral devido às comorbidades, relatadas pelo número de doenças médicas autorreferidas pode ocorrer por diversos fatores, e a ausência de dentes e ou a dificuldade para mastigar deve ser avaliada neste contexto.

O estudo entre longevos japoneses verificou que a dentição inadequada devido à perda dos dentes pode afetar o comportamento alimentar, incluindo mastigação e escolha dos alimentos, fazendo com que os indivíduos reduzissem substancialmente o consumo de frutas, verduras e outros nutrientes essenciais31. Esses achados também puderam ser vistos por Chen al., no qual idosos longevos e aqueles no final da vida, apresentaram menor capacidade de mastigação dos alimentos, fazendo-a por partes32. Tanto a perda de dentes quanto a dificuldade para mastigar foram relatados por idosos longevos.

Wiener et al. verificaram que na amostra composta por idosos com média de 78 anos, 11,1% apresentavam dificuldade para mastigar comida dura dentre aqueles que apresentavam hiposalivação, enquanto aqueles que possuíam xerostomia, esse percentual era de aproximadamente 17%30. O presente estudo não encontrou associação entre a xerostomia e a longevidade, no entanto, pode constatar que entre idosos mais jovens a sensação de boca seca foi representada por aproximadamente 42%, enquanto nos idosos longevos foi 40%.

Os achados sociodemográficos, deste estudo caracterizaram a amostra de idosos longevos, apresentando maiores prevalências entre caucasianos22,28-32, solteiros, com baixa escolaridade25,26,28-32, ausência de trabalho29-32, reproduzindo o padrão dos idosos em geral dos estudos na literatura, porém no presente estudo foram características significantes no grupo dos idosos longevos. Este perfil sócio demografico pode subsidiar programas de promoção de saúde direcionados a grupos de idosos longevos.

O presente estudo apresenta limitações. Ao considerar a metodologia do FIBRA em que foi almejada a variável fragilidade, foram analisados somente os idosos que não apresentavam déficit cognitivo. Com relação aos indicadores de saúde geral uma característica encontrada em relação aos idosos participantes deste estudo foi maior número de doenças médicas autorrelatadas. Estes dados podem ser acompanhados como viés amostral já que o estudo utiliza uma população especifica em estudo seccional e em idosos. Além disso, a literatura ainda possui reduzido número de trabalhos que abordem a saúde bucal em idosos longevos, portanto, a discussão é pautada em trabalhos que abordaram a população idosa de uma forma geral, porém alguns dos estudos apresentaram amostra com idade média elevada. Quanto ao delineamento seccional do presente estudo, este não permite estabelecer relações temporais de causa e efeito entre a saúde bucal dos idosos longevos e a capacidade mastigatória consideradas. Apesar de ser um resultado esperado pelo efeito cumulativo das doenças bucais, este estudo tem mérito por estudar a saúde bucal, a nível populacional, em um país em desenvolvimento, abordando um grande número de idosos de diferentes localidades. No mais, a literatura, em sua grande maioria, verifica a saúde bucal através de dados clínicos e não de autopercepção, demonstrando assim uma inconsistência entre achados que como a redução do número de dentes naturais e a real condição de saúde bucal dos idosos.

Conclusão

Este estudo sugere que ausência de dentes naturais e dificuldade ou dor para mastigar comida dura podem estar relacionados com longevidade. É importante salientar que os dados obtidos foram de autorrelatos dos idosos participantes da pesquisa. Medidas que visem proporcionar melhores condições de saúde bucal e que atendam às necessidades específicas da população idosa, devem estar presentes para que as condições de saúde necessárias contribuam para um envelhecimento ativo.

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