Consumo de álcool e fatores associados ao binge drinking entre universitárias da área de saúde

Consumo de álcool e fatores associados ao binge drinking entre universitárias da área de saúde

Autores:

Ana Karina Rocha Hora Mendonça,
Carla Viviane Freitas de Jesus,
Maria Bernadete Galrão de Almeida Figueiredo,
Daisy Pereira Valido,
Marco Antonio Prado Nunes,
Sonia Oliveira Lima

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.22 no.1 Rio de Janeiro 2018 Epub 18-Dez-2017

http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2017-0096

INTRODUÇÃO

Dentre as substâncias psicoativas, o álcool é a mais consumida no mundo e os jovens que iniciam a vida universitária têm apresentado um aumento expressivo do seu consumo.1 A maior autonomia e liberdade dos seus atos aliadas à independência proporcionada pela maioridade e, em muitos casos, associada ao fato de residir longe dos seus familiares, tornam os universitários expostos ao consumo de álcool.2,3 Além disso, os eventos comemorativos por eles realizados, na maioria das vezes, encontram-se associados ao consumo de bebidas alcoólicas o que, além de prejudicar o desempenho acadêmico destes indivíduos, pode expô-los a comportamentos de risco, como dirigir após beber, envolvimento em agressões, brigas e acidentes de trânsito.4

Nesse contexto, o uso abusivo do álcool pelos jovens, incluindo os universitários, consiste em importante problema de saúde pública, na medida em que representa fator de risco para a morbidade, mortalidade e incapacidades dos mesmos e da sociedade em geral.5,6 Estudos têm demonstrado elevada prevalência de abuso agudo de bebidas alcoólicas, também chamado de binge drinking ou beber pesado episódico, entre os jovens.7-10 Este padrão de consumo de alto risco pode ser caracterizado pelo consumo de grande quantidade de álcool em uma única ocasião, o que corresponde a quatro ou mais doses de bebidas alcoólicas para mulheres e cinco ou mais doses para homens, independentemente da frequência deste consumo. Em termos de concentração alcoólica sanguínea, equivale a aproximadamente 80 mg/dl (0,08%) no indivíduo adulto.11

As mulheres são mais vulneráveis ao uso de bebidas alcoólicas quando comparadas com os homens, devido ao menor peso e maior proporção de gordura corporal, como também pela menor capacidade de metabolismo hepático do etanol. Dessa forma, as concentrações alcoólicas sanguíneas atingidas em mulheres são superiores às dos homens, para uma mesma quantidade de ingestão alcoólica.12 Pesquisa nacional representativa recente detectou que as mulheres, em especial as mais jovens, representam grupo populacional de risco para consumo de álcool e que estão bebendo de forma mais nociva.13

Práticas de consumo alcoólico ainda mais perigosas para a saúde física e mental do indivíduo, e que são comumente realizadas pelos jovens, correspondem à intoxicação alcoólica aguda inerente à ingestão de dez ou mais doses de álcool em um curto intervalo de tempo, podendo ser categorizadas como níveis extremos de binge drinking.9 No Brasil, há uma escassez de estudos epidemiológicos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas e prática de binge drinking, inclusive de níveis extremos.

Destacam-se como padrões de consumo alcoólico, além do binge drinking, o uso nocivo e a dependência alcoólica crônica. No binge drinking ocorre um estado agudo e transitório de perturbação da consciência e/ou do estado cognitivo decorrente da intoxicação alcoólica. O uso nocivo ou abusivo provoca complicações físicas e/ou psíquicas e pode ser definido como o padrão de beber que traz prejuízos e riscos à saúde, além de consequências sociais e econômicas para o indivíduo, para as pessoas ao seu redor e para a sociedade em geral. O alcoolismo crônico ou síndrome de dependência é caracterizado por um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após repetido consumo de bebida alcoólica.1

Entre os acadêmicos da área de saúde, o consumo de álcool merece uma atenção diferenciada, pois este fator poderá influenciar de forma negativa a prática profissional futura destes alunos, no que concerne às habilidades diagnósticas e terapêuticas. Além disso, esses futuros profissionais serão modelos de comportamento para seus pacientes, em relação às medidas de prevenção e promoção à saúde.14

O uso abusivo do álcool, ainda que ocasional, em suas dimensões econômica, social e individual é uma questão complexa, de maneira que se faz necessário o conhecimento profundo desta problemática no intuito de proporcionar intervenções de prevenção e controle do uso indevido desta droga.15

O objetivo desta pesquisa foi avaliar o padrão de consumo alcoólico e a prevalência e fatores associados ao binge drinking entre universitárias da área de saúde de Aracaju/SE.

MÉTODOS

Estudo observacional, transversal, prospectivo e analítico, de abordagem quantitativa, realizado na região Nordeste do Brasil, na cidade de Aracaju, capital do Estado de Sergipe, a qual possui uma população aproximada de 571.149 habitantes16 e representa o principal polo urbano e universitário do estado.

A pesquisa foi realizada nas duas instituições de ensino superior classificadas como universidades no estado, sendo uma de natureza pública e outra privada. A fim de selecionar quais dos nove cursos da área de saúde seriam avaliados, realizou-se sorteio aleatório com probabilidades iguais dos mesmos. Dessa forma, a população do estudo foi constituída por alunas dos cursos de graduação de Medicina, Odontologia, Enfermagem, Fisioterapia e Nutrição. Na etapa de seleção amostral seguinte, optou-se pela escolha das turmas do primeiro e do penúltimo período de cada curso avaliado, a fim de diminuir a variabilidade da amostra, quanto ao conhecimento teórico-científico adquirido pelas estudantes durante a graduação.

No período da coleta de dados, de dezembro de 2015 a abril de 2016, os arquivos das duas instituições contavam com um total de 1.178 estudantes do sexo feminino regularmente matriculadas nos referidos períodos dos cursos em questão. Estimou-se uma prevalência conservadora de 50%, margem de erro de 5% e intervalo de confiança de 95%. A amostra mínima determinada pela fórmula de Pocock17 foi de 1.049 universitárias.

Os critérios de inclusão da amostra foram: estudantes do sexo feminino, com idade igual ou superior a 18 anos, presentes em sala de aula no momento da coleta de dados.

Os dados foram coletados por pesquisadores treinados e periodicamente supervisionados durante a pesquisa. Foram realizadas três tentativas de coleta dos dados, em dias e horários diferentes, para cada sala de aula abordada. O preenchimento dos instrumentos foi realizado de forma individual, em sala de aula e de acordo com horário pré-estabelecido pelas coordenações dos cursos da área de saúde em questão.

Os instrumentos de coleta de dados foram dois questionários estruturados e autoaplicáveis. Para avaliar a variável dependente, que se refere ao padrão de consumo de álcool, foi utilizado o questionário desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), composto por 10 questões relacionadas ao consumo de álcool nas versões brasileiras do Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT) a fim de se rastrear o consumo alcoólico nos últimos 12 meses. Recomenda-se que todo indivíduo com escore de AUDIT maior ou igual a oito seja considerado consumidor alcoólico de risco. De zero a sete pontos classifica-se como abstinência ou consumo de baixo risco; de oito a 15 pontos como padrão de consumo de risco; de 16 a 19 pontos como padrão de consumo nocivo; e maior ou igual a 20 pontos como possível dependência de álcool.18

Para investigar as características sociodemográficas das universitárias, foi aplicado um questionário com informações autorreferidas sobre variáveis independentes como idade, estado civil, atividade física, tabagismo, prática religiosa, trabalho remunerado, curso e período de graduação, ambiente familiar, consumo alcoólico, idade de início e permissividade ao uso de álcool pelos pais, dirigir e/ou pegar carona com motorista alcoolizado, uso de bebidas energéticas, envolvimento em brigas com agressão física, uso de drogas ilícitas e/ou controladas e influência de campanhas publicitárias de bebidas alcoólicas. Este mesmo questionário continha ainda indicadores referentes à variável dependente binge drinking, capazes de caracterizar o indivíduo como praticante ou não de diferentes níveis de binge drinking, de acordo com o número de doses ingeridas (quatro, 10 ou 15) e o tempo gasto para esta ingestão. Questionário adaptado ao utilizado pelo VI Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio das Redes Pública e Privada de Ensino nas 27 Capitais Brasileiras - 2010.19

Participaram de teste piloto 30 universitários da área de saúde não inclusos na amostra pesquisada, a fim de se identificar dúvidas a respeito do preenchimento dos instrumentos.

Os dados sistematizados foram digitados em planilha do software SPSS, versão 16.0. A análise descritiva das variáveis qualitativas abrangeu frequência e porcentagem e das variáveis quantitativas, média e desvio padrão (DP). A variável binge drinking foi dicotomizada em sim e não. Para testar a associação entre o binge drinking e as variáveis independentes, utilizou-se do teste qui-quadrado. Nessa etapa, para avaliar a magnitude das associações, as variáveis com p < 0,10 foram incluídas na análise múltipla por regressão logística. Foram considerados valores estatisticamente significantes quando p < 0,05. As variáveis independentes religião e moradia foram dicotomizadas para inclusão nos modelos de regressão logística.

Esta pesquisa foi aprovada em 12 de novembro de 2015, pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Tiradentes (UNIT), pelo Parecer nº 1.383.959. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

RESULTADOS

Da amostra populacional de 1.049 alunas matriculadas no primeiro e penúltimo períodos dos cursos da área de saúde, excluíram-se 137 alunas, 102 por serem menores de 18 anos e 35 por recusas. Participaram do estudo 865 universitárias (82,5%), sendo 217 (25,1%) da rede pública e 648 (74,9%) da rede privada de ensino. Com relação ao período, 470 (54,3%) cursavam o primeiro, enquanto que 395 (45,7%), o penúltimo. Os cursos de Enfermagem e Nutrição apresentaram maior quantidade de participantes, 282 (32,6%) e 266 (30,8%), respectivamente.

A média de idade das estudantes foi de 21,97 anos (DP = 4,43). Observou-se maior prevalência de alunas solteiras (93,1%); católicas (68,8%); praticantes religiosas (72,1%); residentes com os pais ou familiares (74,4%); não tabagistas (99,2%) e que não exerciam trabalho remunerado (82,2%). Verificou-se ainda que 51,6% praticavam atividade física (Tabela 1).

Tabela 1 Perfil sociodemográfico e hábitos de vida de mulheres estudantes de ciências da saúde de duas instituições de ensino superior na capital de Sergipe - Brasil, 2015-2016 (n = 865) 

Variável N %
Estado civil
Solteira 800 93,1
Casada 59 6,9
Religião
Católica 590 68,8
Espírita 69 8,0
Evangélica 126 14,7
Outras 73 8,5
Prática religiosa
Sim 621 72,1
Não 240 27,9
Reside
Pais/familiares 643 74,4
Repúblicas 43 5,0
Sozinha 87 10,1
Outros 91 10,5
Trabalho remunerado
Sim 154 17,8
Não 710 82,2
Atividade física
Sim 446 51,6
Não 418 48,4
Tabagismo
Sim 7 0,8
Não 858 99,2

Observou-se que 814 alunas (95,0%) conviviam em ambiente familiar tranquilo e que 845 (98,5%) não tinham sido agredidas fisicamente por um adulto da família no último mês. A prevalência do consumo alcoólico pelos pais das estudantes foi de 52,6% (n = 451). Mais da metade dos pais das alunas que usavam álcool, mostraram-se permissivos (54,8%) ao consumo alcoólico de suas filhas.

Das universitárias que referiram consumir bebidas alcoólicas, 34% (n = 236) costumavam fazê-lo associado com bebidas energéticas. Outros comportamentos de risco, como dirigir sob efeito de álcool e pegar carona com motorista alcoolizado, foram negados por 92,2% e 79,7% do total das alunas pesquisadas, respectivamente. Mais de 90% das estudantes negaram envolvimento em brigas e uso de outras drogas e/ou medicação controlada.

Pouco mais da metade das estudantes (50,2%) referiram achar as campanhas publicitárias sobre bebidas alcoólicas atrativas e 82% delas (n = 708) negaram o desejo de consumir álcool consequente à mídia televisiva.

A prevalência do consumo de bebida alcoólica pelo menos uma vez na vida das estudantes foi de 79,7% (n = 689) e a média de idade de experimentação foi 16,03 anos (DP = 2,46). Dentre as estudantes consumidoras de bebidas alcoólicas, os estabelecimentos comerciais foram os locais mais citados para aquisição do álcool (89,1%). Em 71,5% dos casos, a bebida foi ofertada inicialmente por amigos e em 16,5%, por familiares. Nos últimos 12 meses, o álcool foi consumido por 65,9% (n = 566) das alunas, dado que demonstra o uso atual do álcool.

De acordo com a classificação AUDIT, 723 alunas (83,6%) puderam ser classificadas como abstinentes ou consumidoras de baixo risco, enquanto que 142 (16,4%) fazem uso problemático do álcool e foram enquadradas no padrão de consumo de risco (Tabela 2).

Tabela 2 Classificação AUDITentre mulheres estudantes de ciências da saúde de duas instituições de ensino superior na capital de Sergipe - Brasil, 2015-2016 (n = 865) 

AUDIT N %
Abstinente/Consumidora de baixo risco 723 83,6
Consumidora de risco 119 13,8
Consumidora nociva 11 1,3
Provável dependência alcoólica 12 1,4

Binge drinking foi referido por 48,0% (n = 374) das estudantes avaliadas, excetuando-se aquelas que relataram não lembrar de já terem efetuado esta prática alguma vez na vida, o que correspondeu a um percentual de 9,2% (n = 80) (Tabela 3). A mesma tabela revela ainda as prevalências de níveis extremos de binge drinking, caracterizados pelo consumo igual ou superior a dez ou 15 doses em curto intervalo de tempo.

Tabela 3 Prática referida de diferentes níveis de binge drinking entre mulheres estudantes de ciências da saúde de duas instituições de ensino superior na capital de Sergipe - Brasil, 2015-2016 (n = 865) 

Binge drinking N %
≥ 4 doses 374 48,0
≥ 10 doses 115 13,4
≥ 15 doses 47 5,5

Segundo a análise multivariada de regressão logística, os fatores significativamente associados ao binge drinking, referente a quatro ou mais doses de bebidas alcoólicas, foram: estado civil; trabalho remunerado; ambiente familiar; consumo de álcool pelos pais; permissividade dos pais ao consumo alcoólico das estudantes; desejo de consumir álcool consequente à mídia televisiva; uso associado com bebidas energéticas; dirigir alcoolizada e pegar carona com motorista alcoolizado (Tabelas 4 e 5).

Tabela 4 Modelo de regressão logística ajustado das características gerais associadas ao binge drinking entre mulheres estudantes de ciências da saúde de duas instituições de ensino superior na capital de Sergipe - Brasil, 2015-2016 (n = 374)  

Variável Binge drinking (≥ 4 doses)
n (%) OR bruta*
(IC95%)
OR ajustada**
(IC95%)
Valor de p***
Estado civil
Solteira 353 (94,9) 1,77 (0,10-3,16) 3,20 (1,32-7,80) 0,010
Casada 19 (5,1) 1,00 1,00
Período
Primeiro 181 (48,4) 1,00 1,00
Penúltimo 193 (51,6) 1,63 (1,23-2,17) --- 0,001
Religião
Católica 270 (72,2) 1,40 (1,03-1,90) --- 0,030
Outras 104 (27,8) 1,00 1,00
Prática religiosa
Sim 248 (66,5) 1,00 1,00
Não 125 (33,5) 1,83 (1,33-2,51) --- < 0,001
Atividade física
Sim 214 (57,2) 1,51 (1,14-2,00) --- 0,005
Não 160 (42,8) 1,00 1,00
Trabalho remunerado
Sim 75 (20.1) 1,42 (0,98-2,06) 2,45 (1,38-4,37) 0,002
Não 298 (79,9) 1,00 1,00
Ambiente familiar
Tranquilo 340 (91,9) 1,00 1,00
Conflituoso 30 (8,1) 3,48 (1,68-7,22) 6,33 (1,77-22,60) 0,004
Agressão física por um adulto da familia no último mês
Sim 9 (2,4) 3,29 (0,88-12,24) ---
Não 365 (97,6) 1,00 1,00
Consumo de álcool pelos pais
Sim 241 (64,4) 2,41 (1,81-3,22) 1,55 (1,03-2,33) 0,034
Não 133 (35,6) 1,00 1,00
Pais permissivos
Sim 240 (64,2) 2,37 (1,72-3,27) 2,03 (1,35-3,05) 0,001
Não/Indiferentes 134 (35,8) 1,00 1,00

*OR bruta: Odds Ratio bruta;

**OR ajustada: Odds ratio ajustada;

***Valor de p - derivado da Regressão logística com teste Odds Ratio.

Tabela 5 Modelo de regressão logística ajustado dos fatores contextuais associados ao binge drinking entre mulheres estudantes de ciências da saúde de duas instituições de ensino superior na capital de Sergipe - Brasil, 2015-2016 (n = 374)  

Variável Binge drinking (≥ 4 doses)
n (%) OR bruta*
(IC95%)
OR ajustada**
(IC95%)
Valor de p***
Opinião sobre as campanhas publicitátrias
Atrativas 214 (57,2) 1,62 (1,22-2,15) --- 0,001
Não atrativas 160 (42,8) 1,00 1,00
Desejo de consumir álcool consequente à mídia televisiva
Sim 102 (27,3) 3,23 (2,18-4,79) 1,74 (1,04-2,89) 0,034
Não 272 (72,7) 1,00 1,00
Uso de bebidas energéticas
Sim 161 (43,9) 3,73 (2,54-5,48) 3,37 (2,15-5,30) < 0,001
Não 206 (56,1) 1,00 1,00
Dirigir alcoolizado
Sim 59 (15,8) 18,64 (6,70-51,86) 12,24 (3,41-43,92) < 0,001
Não 315 (84,2) 1,00 1,00
Pegar carona com motorista alcoolizado
Sim 132 (35,4) 7,08 (4,59-10,92) 4,18 (2,36-7,40) < 0,001
Não 241 (64,6) 1,00 1,00
Envolvimento em acidentes de trânsito na condição de condutora do veículo
Sim 22 (5,9) 2,04 (1,00-4,19) --- 0,051
Não 352 (94,1) 1,00 1,00
Uso de outras drogas
Sim 28 (7,5) 5,37 (2,20-13,12) --- < 0,001
Não 346 (92,5) 1,00 1,00
Uso de medicação controlada
Sim 40 (10,7) 2,18 (1,26-3,78) --- 0,005
Não 334 (89,3) 1,00 1,00

*OR bruta: Odds Ratio bruta;

**OR ajustada: Odds ratio ajustada;

***Valor de p - derivado da Regressão logística com teste Odds Ratio.

As análises multivariadas expostas nas tabelas 4 e 5 mostram que dirigir alcoolizada e a convivência em ambiente familiar conflituoso referida pelas estudantes, foram as variáveis que apresentaram associações mais fortes com o binge drinking igual ou superior a quatro doses, entre os dois modelos calculados.

Todas as alunas que relataram o envolvimento em brigas com agressão física ou em problemas com a lei (n = 12), assim como aquelas que referiram tabagismo (n = 6), praticaram binge drinking igual ou superior a quatro doses.

DISCUSSÃO

O álcool é a substância psicotrópica mais utilizada entre os universitários brasileiros e o consumo inadequado desta droga acarreta diversos prejuízos à saúde, assim como origina problemas sociais e econômicos para o país.20 Estudo comparativo entre os sexos sobre o consumo de álcool e a expectativa de beber realizado com universitários da área de saúde de Ribeirão Preto, revelou uma elevada prevalência do padrão de consumo binge drinking, independentemente do sexo do indivíduo.21 No presente estudo, a prevalência do consumo de álcool pelas estudantes pelo menos uma vez na vida foi de 79,7%, semelhante às observadas entre estudantes da área da saúde da Universidade Estadual de Montes Claros/MG (74,9%);4 entre estudantes de 13 a 17 anos de escolas públicas de Uberlândia/MG (80,9%)22 e em estudantes de Medicina mexicanos na faixa etária de 17 a 25 anos (71,9%).5 Prevalências de uso de álcool na vida de aproximadamente 90% foram verificadas entre universitários de 27 capitais brasileiras;23 em estudantes das Faculdades das Ciências da Saúde de Maceió;24 e entre estudantes de Medicina do estado de Minas Gerais.25 Estes dados mostram o elevado consumo alcoólico entre jovens estudantes de ambos sexos, incluindo as universitárias de ciências da saúde. O consumo alcoólico nesse grupo populacional merece atenção especial devido às funções que estes desempenharão junto aos seus pacientes após a formação acadêmica, transmitindo os seus conhecimentos nos cuidados com a saúde e muitas das vezes servindo de exemplo de conduta.

A média de idade de início de consumo do álcool foi de 16,03 anos, idade inferior à considerada legal para venda e consumo de bebidas alcoólicas no Brasil. Outros estudos com universitários também detectaram idades precoces de experimentação alcoólica,5,14,24,25 assim como a associação positiva do binge drinking com o início do uso de álcool antes do ingresso no ensino superior.25 Pesquisa realizada entre universitários do Sul do país verificou que mais de 90% daqueles que consumiam bebidas alcoólicas iniciaram tal hábito antes de ingressar na universidade.20 Este fato chama a atenção para a necessidade de implementação de medidas educativas e preventivas desde o ensino médio, na intenção de reduzir a problemática do consumo de álcool em idades precoces.

Na presente pesquisa, 34,1% das estudantes referiram abstinência alcoólica, enquanto 65,9% consumiram bebidas alcoólicas no último ano. Pesquisas que utilizaram os mesmos instrumentos para aferir o consumo alcoólico entre universitários de Minas Gerais, obtiveram resultados similares ao do presente estudo: 36,4% de abstinência e 63,6% de indicadores de consumo alcoólico entre estudantes do curso de Medicina26 e 71,5% de consumo regular de bebidas alcoólicas entre estudantes de Ciências da Saúde.8 No México, estudantes de Medicina também apresentaram prevalência de consumo alcoólico (62,3%)5 semelhante à observada aqui em Aracaju/SE. Entre estudantes da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus/BA,27 também no Nordeste brasileiro, a prevalência do consumo de bebidas alcoólicas foi inferior (41,3%) à da presente pesquisa, provavelmente a divergência destes resultados tenha sido causada pelo uso de um instrumento diferente para aferição do consumo alcoólico. Apesar destas pesquisas terem sido realizadas com estudantes de áreas relacionadas com saúde e doença, observou-se elevada prevalência de consumo etílico entre eles, embora conheçam os efeitos nocivos do álcool.

No que se refere ao padrão de consumo alcoólico, 16,4% das universitárias foram classificadas como consumidoras de risco e 83,6% como abstinentes ou consumidoras de baixo risco. Pesquisa realizada entre estudantes de Medicina do Sudeste brasileiro revelou um percentual de 25,2% de consumidores de risco e de 74,8% de abstinentes ou consumidores de baixo risco.26 Percentual mais elevado de consumo alcoólico em níveis problemáticos foi verificado entre estudantes de Medicina mexicanos (46,0%).5 Nestes dois últimos estudos, as prevalências de consumo de risco foram superiores à da presente investigação, provavelmente por terem incluído na amostra estudantes do sexo masculino. De maneira geral, é relatado que os homens bebem mais que as mulheres.23,27 Considerando-se o agravante da vulnerabilidade do sexo feminino ao uso indevido de bebidas alcoólicas, torna-se urgente a necessidade de intervenções e medidas educativas que abordem o uso inadequado do álcool e seus efeitos deletérios no âmbito universitário, como também a composição de grupos de apoio para atendimento de estudantes que estejam utilizando o álcool de forma problemática.

Na presente investigação, a prática do binge drinking foi identificada em 374 estudantes (48,0%). As literaturas nacional e internacional abordam elevadas prevalências do padrão de consumo binge drinking entre estudantes universitários do sexo feminino.10,21,23 Em estudos realizados com universitários da área da saúde do norte de Minas Gerais, binge drinking foi observado entre aproximadamente 15% dos estudantes,4,8 porém o instrumento empregado por estas duas pesquisas para aferição do binge drinking diferiu do utilizado no presente estudo. Pesquisa nacional representativa entre universitários apontou a existência de uma tendência do gênero feminino ao aumento do consumo de álcool.23 Este fato pode decorrer da incessante busca pela igualdade entre gêneros impulsionada pela pós-modernidade, o que proporciona menor preconceito e maior aceitação social do consumo de álcool por mulheres. Estes resultados mostram a exposição deste grupo populacional ao binge drinking e a importância de serem desenvolvidos programas preventivos mais específicos que reduzam os prejuízos sociais e para a saúde dessas jovens.

Este estudo revelou que, pelo menos uma vez na vida, 13,4% das universitárias beberam no padrão binge de dez ou mais doses e que 5,5% já ingeriram quinze ou mais doses de álcool num curto intervalo de tempo. Em amostra representativa de alunos do ensino médio dos Estados Unidos, com idade média de 18 anos, verificou-se prevalências de 10,5% de bebedores em binge de dez ou mais doses e 5,6% de 15 ou mais doses,9 resultados semelhantes aos encontrados em Aracaju/SE. Esses dados mostram que o binge drinking vem sendo praticado, em níveis elevados, por parcela significativa de estudantes, tanto do ensino médio quanto do superior. Tal situação preocupa devido às consequências negativas inerentes a acidentes e agravos motivados pelo binge drinking e pela possibilidade de danos para a saúde a longo prazo.

Com relação ao âmbito familiar, possível fator influenciador para o uso de drogas entre adolescentes,28,29 verificou-se nesta pesquisa que grande parte dos pais das estudantes era permissiva ao uso do álcool (54,8%) e consumia bebida alcoólica (52,6%). Segundo a análise ajustada de regressão logística deste estudo, observou-se associação do binge drinking tanto com a permissividade dos pais ao consumo alcoólico das universitárias (OR = 2,03), quanto ao consumo de álcool pelos mesmos (OR = 1,55). Este comportamento parental pode estar atrelado à elevada prevalência do consumo alcoólico dessas jovens que, além da exemplificação dos pais e do ambiente familiar permissivo ao uso de álcool, também contam com maior liberdade e falta de supervisão no âmbito universitário.

Nesta pesquisa, observou-se que a grande maioria das alunas (95,0%) referiram conviver em ambiente familiar tranquilo. Das que viviam em ambiente conflituoso, 75,0% referiram ter praticado binge drinking, demonstrando a existência de forte associação deste ambiente familiar com o abuso agudo de bebidas alcoólicas por estas jovens (OR = 6,33). De forma semelhante, o consumo alcoólico de risco entre estudantes adolescentes de Uberlândia/MG apresentou associação com o ambiente familiar conflituoso destes indivíduos.22 Estudos indicam que a maioria das famílias de adolescentes abusadoras e/ou dependentes de substâncias psicoativas possuem características como laços familiares conflitivos, pouca proximidade entre os seus membros, falta de uma hierarquia bem definida e pais que não dão exemplo positivo quanto ao uso de drogas.28 Estes resultados mostram que as disfunções familiares influenciam o consumo alcoólico, principalmente nas fases da adolescência e acadêmica. Por se tratar de fator de risco modificável, uma adequada orientação para o fortalecimento da relação familiar e atitudes menos liberais dos pais quanto ao uso do álcool por seus filhos podem reduzir os transtornos ocasionados pelo uso indevido desta droga entre jovens e adolescentes.

Do total das alunas avaliadas nesta pesquisa, pouco mais da metade (50,2%) referiu achar as propagandas de bebidas alcoólicas atrativas, enquanto que a maioria (82,0%) relatou não sentir vontade de beber após assisti-las. De acordo com a análise ajustada de regressão logística, as alunas que desejavam consumir álcool em decorrência da mídia televisiva apresentaram 1,74 vezes mais chance de praticar o binge drinking, quando comparadas às estudantes que negaram tal fato. Associação entre sentir vontade de beber após assistir a propagandas de bebidas alcoólicas e uso de álcool na vida foi observada em pesquisa com 638 adolescentes estudantes de um município do interior brasileiro.22 A literatura aponta a existência de uma relação causal entre publicidade e consumo alcoólico, uma vez que o interesse pelo anúncio publicitário aumenta o desejo e a intenção de comprar a bebida.30 O fato de raramente inferir-se a palavra "droga" ao álcool facilita a sua aceitação e veiculação por meio das propagandas que visam associar seus produtos a imagens apelativas e a situações de alegria e diversão.31 Acredita-se que a regulamentação direcionada à liberdade desenfreada desse tipo de mídia pudesse favorecer a redução do consumo inadequado de álcool pela sociedade e principalmente pelos jovens em fase de formação.

Neste estudo detectou-se baixa prevalência de tabagismo (0,8%), o que corrobora com pesquisas realizadas entre universitários do Nordeste Brasileiro.27,32 Entre as alunas que referiram tabagismo, binge drinking foi uma constante. Ações de promoção da saúde, como as políticas públicas antitabagismo, incrementam a qualidade de vida e reduzem os riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes.33 A elevada prevalência de estudantes não tabagistas observada neste estudo pode decorrer da influência positiva e eficácia das políticas antifumo. A associação positiva entre consumo alcoólico de risco e tabaco demonstra a necessidade de intervenções precoces no sentido de reduzir tais práticas entre as universitárias.

Apesar da maior parte das estudantes da amostra (82,2%) não exercer trabalho remunerado e da média de idade de experimentação da droga ter sido inferior a 18 anos, 89,1% delas referiram comprar bebidas alcoólicas em estabelecimentos de venda. Supõe-se, dessa forma, estar havendo desrespeito à lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a indivíduos menores de idade e que seus pais ou responsáveis podem estar contribuindo financeiramente para a aquisição da bebida. Segundo a análise ajustada de regressão logística, o binge drinking foi mais praticado pelas estudantes que exerciam trabalho remunerado (OR = 2,45), quando comparadas àquelas que não trabalhavam, como também por alunas solteiras (OR = 3,20), em relação às casadas. A autonomia financeira das universitárias revelou associação positiva com o binge drinking, embora um alto percentual de jovens dependentes economicamente dos pais também faça uso regular do álcool. Portanto, é provável que um melhor controle financeiro familiar possa reduzir o uso de bebidas alcoólicas entre indivíduos dessa faixa etária.

A maioria das estudantes que relataram o uso associado de álcool com energéticos (78,5%) já praticaram binge drinking (OR = 3,37). Pesquisas realizadas entre universitários mostraram que as bebidas energéticas aumentam o desejo pelo consumo do álcool, bem como a suscetibilidade ao binge drinking34 e à dependência alcoólica.35 Faz-se necessário que as medidas preventivas que abordem o uso de álcool entre jovens, também alertem para a perigosa associação com energéticos que vem sendo praticada indiscriminadamente.

Nesta pesquisa, todas as alunas que relataram o envolvimento em brigas com agressão física ou em problemas com a lei praticaram binge drinking. Pesquisas entre universitários da área de saúde também mostraram associação do binge drinking com situações de violência.4,8 Na presente investigação, as praticantes de binge drinking apresentaram maiores chances para outros comportamentos de risco, como dirigir alcoolizada (OR = 12,24) e pegar carona com motorista alcoolizado (OR = 4,18). Pesquisa entre universitários de 27 capitais brasileiras alerta que o consumo de mais doses de álcool aumenta a probabilidade de engajamento em comportamentos arriscados no trânsito.23 As alterações neuromotoras ocasionadas pelo etanol induzem à euforia, reduzem a atenção, deturpam a percepção de velocidade, e causam dificuldade para discernir luminosidades distintas.36 O padrão de consumo binge drinking oferece riscos a acidentes automobilísticos e violência,1 que podem acarretar perdas de anos de vida, ou incidentes que levem a sequelas incapacitantes temporárias ou permanentes, em idades jovens, constituindo em importante problema de saúde pública.

Este estudo apresentou limitações em decorrência de grande parte das alunas pesquisadas não terem preenchido por completo o instrumento ABIPEME, utilizado para aferir a classificação do nível socioeconômico. É também possível ter havido subnotificação do uso abusivo de álcool inerente ao receio da exposição desta prática, o que provavelmente não interferiu nos resultados obtidos devido ao elevado tamanho amostral empregado nesta investigação. Os dados desta pesquisa permitem comparações com os de futuros estudos que abranjam universitários submetidos a estratégias educacionais de intervenção breve contra o consumo excessivo de álcool, como o Brief Alcohol Screening and Intervention for College Students (BASICS).37

CONCLUSÃO

Na cidade de Aracaju/SE, no período avaliado, a experimentação de bebidas alcoólicas, entre universitárias da área da saúde, ocorreu em idades precoces e observou-se elevadas prevalências do consumo alcoólico de risco e do binge drinking.

Os resultados deste estudo indicaram que estudantes universitárias solteiras, tabagistas e que exercem trabalho remunerado apresentam maiores chances para o binge drinking.

Fatores que influenciaram a prática de binge drinking entre as universitárias foram os anúncios comerciais que incitam o consumo de bebidas alcoólicas e ambientes familiares marcados por ligações conflituosas, pais permissivos e consumidores de bebidas alcoólicas.

Comportamentos de risco significativos e associados ao binge drinking neste grupo populacional foram o envolvimento em brigas com agressão física ou em problemas com a lei; uso de energéticos em associação ao álcool; dirigir alcoolizada e pegar carona com motorista alcoolizado.

O consumo de álcool entre adolescentes que ainda não ingressaram no ensino superior, uma vez que foi relatado o início quando ainda menores de idade, e no meio acadêmico apresenta necessidade de intervenções da saúde. A implementação de programas educativos, que conscientizem as estudantes quanto aos danos físicos e psicossociais decorrentes do uso problemático do álcool, pode orientá-las quanto ao consumo responsável de bebidas alcoólicas.

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