Convulsão febril: estudo de base populacional

Convulsão febril: estudo de base populacional

Autores:

Juliane S. Dalbem,
Heloise H. Siqueira,
Mariano M. Espinosa,
Regina P. Alvarenga

ARTIGO ORIGINAL

Jornal de Pediatria

versão impressa ISSN 0021-7557versão On-line ISSN 1678-4782

J. Pediatr. (Rio J.) vol.91 no.6 Porto Alegre nov./dez. 2015

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2015.01.005

Introdução

Crise febril é o evento convulsivo mais comum em crianças menores de cinco anos e acomete 2% a 5% da população pediátrica,1 são consideradas benignas e autolimitadas2 e classificadas em simples e complexas.1 Infecções virais das vias aéreas superiores são os fatores desencadeantes mais frequentes.3,4 O risco de desenvolver epilepsia posteriormente é de 6,9%5 e apesar de ter um ótimo prognóstico, causam ansiedade nos pais e parentes.6

Os sinais clínicos das crises febris não são diferentes entre as populações, mas as características clínicas e demográficas não são idênticas nas várias partes do mundo,7 o que justifica a necessidade deste estudo. Não há estudo brasileiro que descreva as características clínicas e epidemiológicas dos pacientes com crise febril.

O objetivo deste estudo é determinar a prevalência e descrever as características clínicas e epidemiológicas dos pacientes com crise febril.

Métodos

Área do estudo e população investigada

O estudo foi feito em Barra do Bugres, Mato Grosso, de agosto de 2012 a agosto de 2013. A população estimada em 2013 foi de 33.022 habitantes,8 3.445 na faixa até cinco anos e 11 meses. Desses, 1.775 do sexo masculino e 1.670 do feminino.8 Aproximadamente 60% da população são compostos por negros. No município, 77% dos domicílios recebem tratamento de esgoto e 55% água encanada. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é de 0,693 e a renda per capita baseada no Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 foi de US$ 6.740.8 O município conta com seis equipes de Programa de Saúde da Família (PSF) e 46 agentes de saúde que fazem a cobertura de 75% da população e 25% da população que não são assistidos pelo PSF recebem atendimento em uma unidade de saúde no centro da cidade. O fato de o município contar com uma boa cobertura do PSF e essa funcionar regularmente facilitou o estudo.

Fases do estudo

Estudo descritivo transversal, de base populacional, feito em duas fases. Na primeira fase as agentes de saúde fizeram busca ativa nos domicílios, à procura de casos suspeitos de crise convulsiva. Usamos um questionário com oito perguntas (Tabela 1). As questões foram modificadas do guidelines da Organização Mundial de Saúde e são similares às usadas nos estudos epidemiológicos feitos no Equador9 e validadas previamente em um estudo brasileiro com sensibilidade de 95,8% e especificidade de 97,8%.10 Esse questionário de triagem também foi usado em um estudo de prevalência da epilepsia na infância no Estado de São Paulo.11 As agentes de saúde receberam treinamento prévio com explicações sobre crises convulsivas/epilepsia e como aplicar o questionário. Os casos em que houve pelo menos uma resposta positiva entre as oito questões foram encaminhados para a segunda fase da avaliação (confirmação diagnóstica), na qual fizemos a história clínica e o exame neurológico.

Tabela 1 Questionário de triagem.10  

Nome: Idade:
Número de crianças e adolescentes no domicilio até 19 anos: Idade:
1. As crianças/adolescentes até 19 anos de sua casa já tiveram (ou ainda têm) crises (ataques, convulsões) nas quais eles ou elas perderam a consciência e caíram repentinamente? Sim ( ) Não ( )
2. As crianças/adolescentes até 19 anos de sua casa já tiveram (ou ainda têm) crises nas quais eles ou elas perderam contato com a realidade e ficaram "fora do ar"? Sim ( ) Não ( )
3. As crianças/adolescentes até 19 anos de sua casa já tiveram (ou ainda têm) crises nas quais eles ou elas tiveram movimentos bruscos/violentos repentinos dos braços, nas pernas ou na boca ou giraram a cabeça para o lado? Sim ( ) Não ( )
4. As crianças/adolescentes até 19 anos de sua casa já tiveram (ou ainda têm) episódio(s) de desmaio e que, ao recuperar os sentidos, você percebeu que eles ou elas urinaram ou defecaram nas roupas por acidente? Sim ( ) Não ( )
5. As crianças/adolescentes até 19 anos de sua casa já tiveram (ou ainda têm) crises nas quais eles ou elas sentiram uma sensação ruim como "pressentimento" ou um "nó" no estômago que sobe para a garganta, após os quais eles ou elas sentiram‐se inconscientes? A pessoa que presenciou pode dizer que eles ou elas ficaram mexendo nas roupas, mastigaram ou ficaram olhando para um ponto distante? Sim ( ) Não ( )
6. Um médico ou profissional da área da saúde ou até mesmo membros da sua família já mencionaram que a criança na sua casa teve convulsões febris na infância ou durante qualquer doença séria? Sim ( ) Não ( )
7. As crianças/adolescentes até 19 anos de sua casa já tiveram (ou ainda têm) movimentos bruscos similares a um "choque" nos braços (ele ou ela derruba coisas) ou pernas, com ou sem quedas, principalmente durante a manhã? Sim ( ) Não ( )
8. As crianças/adolescentes até 19 anos de sua casa que sofrem de epilepsia já estiveram internadas em algum hospital de Mato Grosso? Sim ( ) Não ( )
Se houver alguma resposta afirmativa, encaminhar a criança/adolescente para consulta. Sim ( ) Não ( )

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Geral Universitário (Registro: n° 128 CEP/UNIC - protocolo n° 2011-128).

Critérios de inclusão e exclusão

Foram incluídas crianças com história de pelo menos um episódio de crise febril residentes em Barra do Bugres até cinco anos. Excluímos os pacientes que não se enquadraram na definição de crise febril. As crises febris sem sintomas motores não foram consideradas pela dificuldade de afirmarmos se realmente tratava-se de crises epilépticas pela descrição dos parentes.

Definições

Crise febril foi definida como crise epiléptica que ocorre em crianças maiores de um mês e menores do que cinco anos associada a doença febril. Excluem-se dessa definição crises ocorridas em vigência de infecção do sistema nervoso central ou casos com antecedente de crises epilépticas no período neonatal, crises não provocadas e crises sintomáticas agudas.12 As crises febris podem ser classificadas como simples ou complexas. As simples são aquelas primariamente generalizadas, com duração menor do que 15 minutos e sem recorrência dentro de 24 horas e complexa quando as crises são focais, com duração maior do que 15 minutos e com recorrência dentro de 24 horas.1

Processamento e análise estatística dos dados

Os dados coletados na entrevista, em questionários pré-codificados, foram processados em microcomputador, digitados em duplicata para reduzir possíveis erros de digitação em um banco de dados eletrônico no programa Excel (Microsoft 2003, Redmond, Washington, EUA). Quando houve dados inconsistentes verificaram-se no questionário original e fizeram-se as devidas correções. Os dados foram analisados de forma descritiva e para a análise inferencial dos dados foram construído intervalos de confiança de 95% para as respectivas prevalências. Essa técnica foi usada uma vez que a escala de medida das comparações foi categórica ou não quantitativa.

Resultados

Barra do Bugres tem 3.445 habitantes na faixa até cinco anos e 11 meses. Foram triados 2.811 habitantes (81,6%), as perdas na primeira fase do trabalho ocorreram por não ser possível encontrar moradores nas unidades habitacionais em mais de uma visita pelos agentes de saúde. A prevalência de crise febril nessa amostra foi de 6,40/1.000 habitantes (IC 95% 3,8-0,10). A idade da primeira crise variou entre um mês e 60 meses (média de 19,38). As variáveis clínicas e sociodemográficas são apresentadas na Tabela 2.

Tabela 2 Distribuição da frequência observada, porcentagem e intervalo de confiança de 95% dos 18 pacientes com crise febril segundo variáveis clínicas e sociodemográficas. Barra do Bugres, MT, 2014 

Variável Frequência observada (n) Porcentagem (%) IC 95%
Sexo
Masculino 9 50,00 (26,02 a 73,98)
Feminino 9 50,00 (26,02 a 73,98)
Etnia
Branca 7 38,89 (17,30 a 64,25)
Parda 11 61,11 (35,74 a 82,70)
Número de episódios convulsivos
Episódio único 16 88,89 (65,29 a 98,62)
Duas crises 1 5,56 (0,14 a 27,29)
Três crises 1 5,56 (0,14 a 27,29)
Fármaco antiepiléptico em uso
Fenobarbital 2 11,11 (1,38 a 34,71)
Valproato 3 16,67 (3,58 a 41,42)
Nenhuma 13 72,22 (46,52 a 90,30)
Tipo de crise convulsiva
Generalizada 16 88,89 (65,29 a 98,62)
Focal 2 11,11 (1,38 a 34,71)
Ameaça de aborto na gestação
Sim 2 11,11 (1,38 a 34,71)
Não 16 88,89 (65,29 a 98,62)
Feitura de pré‐natal (> 6 consultas)
Sim 18 100
Tipo de parto
Normal 9 50,00 (26,02 a 73,98)
Cesária 9 50,00 (26,02 a 73,98)
Idade gestacional
Termo 17 94,44 (72,71 a 99,86)
Prematuro 1 5,56
Peso ao nascimento
2.000g ≤ Peso < 2.500g 2 11,11 (1,38 a 34,71)
2,500g ≤ Peso ≤ 3.000g 5 27,78 (9,70 a 53,48)
Peso > 3.000g 11 61,11 (35,74 a 82,70)
Apgar > 7
Sim 18 100
Intercorrência neonatal (infecção)
Sim 2 11,11 (1,38 a 34,71)
Não 16 88,89 (65,29 a 98,62)
Desenvolvimento neuropsicomotor
Normal 18 100
História familiar de epilepsia
Sim 2 11,11 (1,38 a 34,71)
Não 16 88,89 (65,29 a 98,62)
História familiar de crise febril
Sim 6 33,33 (13,34 a 59,01)
Não 12 66,67
Consanguinidade
Não 18 100
Escolaridade do pai
Ensino fundamental incompleto 9 50,00 (26,02 a 73,98)
Ensino fundamental completo 3 16,67 (3,58 a 41,42)
Ensino médio incompleto 1 5,56 (0,14 a 27,29)
Ensino médio completo 4 22,22 (6,41 a 47,64)
3° grau 1 5,56 (0,14 a 27,29)
Escolaridade da mãe
Ensino fundamental incompleto 8 44,44
Ensino fundamental completo 2 11,11 (1,38 a 34,71)
Ensino médio incompleto 2 11,11 (1,38 a 34,71)
Ensino médio completo 5 27,78 (9,69 a 53,48)
3° grau 1 5,56 (0,14 a 27,29)
Renda familiar
1 salário mínimo 7 38,89 (17,30 a 64,25)
Entre 1 e 2 salários mínimos 1 5,56 (0,14 a 27,29)
2 salários mínimos 6 33,33 (13,34 a 59,01)
Mais de 3 salários mínimos 4 22,22 (6,41 a 47,64)

IC 95%, intervalo de confiança de 95%.

Discussão

A prevalência da crise febril nessa amostra foi de 6,4/1.000 habitantes. A literatura mostra uma variação de 3,5/1.00013-17/1.000.14 Dois estudos brasileiros avaliaram a prevalência de crises febris e mostraram uma taxa de 13,9/1.000 em São Paulo/SP e 16/1.000 em Pelotas/RS.11,15 Na área estudada, observamos que a prevalência foi menor do que a encontrada nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Essas diferenças nas taxas de prevalência podem ser justificadas por diferentes metodologias usadas para captação dos pacientes, fatores socioeconômicos e particularidades na população de cada região estudada. Nesta pesquisa usamos como método de captação dos pacientes a busca ativa nas residências, na qual tivemos perdas de 18,4% dos indivíduos nessa faixa etária. Ao compararmos com o estudo feito em Pelotas, que usou uma coorte de nascimento, as perdas foram de 26,2% de indivíduos que não puderam ser avaliados, o que aponta uma maior análise populacional no presente estudo. A pesquisa feita em São Paulo usou uma amostra de conveniência, na qual foram avaliados os indivíduos que frequentavam na ocasião o Complexo Einstein na Comunidade Paraisópolis, e gerou, assim, um viés que poderia justificar uma prevalência maior nesta pesquisa.

Diferenças socioeconômicas também podem justificar a menor prevalência encontrada em Mato Grosso. Na comparação da existência de saneamento básico no município (tratamento de esgoto e água encanada), renda per capita e IDHM com as outras regiões estudadas, podemos observar indicadores de melhores condições socioeconômicas em Barra do Bugres.

Apesar de mais de 60% da população serem constituídos por negros, a região tem colonização de várias áreas do Brasil, Sudeste, Sul e Nordeste. Dessa forma, a população estudada é bem particular e reflete a miscigenação que temos no nosso país. Isso a difere de outras regiões brasileiras nas quais a população é mais homogênea e indica, assim, que Barra do Bugres se assemelha muito mais ao perfil populacional brasileiro. Neste trabalho consideramos, ainda, apenas crises febris com manifestações motoras, o que pode justificar, associada aos fatores já citados, a menor prevalência encontrada.

Estudos mostram uma variação de crise febril simples de 55,2-85,6%.16,17 Em nossa série encontramos uma proporção de 88,8%, similar ao relatado na Tunísia, Turquia, em Camarões, na Índia, China, Irã e Inglaterra.16-23 Não observamos estado de mal epiléptico secundário a convulsão febril, diferentemente do estudo feito em Camarões, que o identificou em 10% dos casos.24

Ao analisar a frequência da crise febril em relação ao sexo não observamos diferença, semelhantemente à pesquisa feita por Pavlovic et al.,25 que difere de alguns estudos nos quais os autores descrevem uma maior frequência no sexo masculino.7,16,19,26 Apenas Sillanpää et al. encontraram predomínio no sexo feminino.27

A história familiar de crise febril e epilepsia em parentes de primeiro grau foi encontrada respectivamente em 33,3% e 11,1% dos casos. Estudos mostram variação de 14,7-39,3%16,17,19,20,22-24,28 em relação à história familiar de crise febril e 2,7-12,71%16,17,20,24 em relação à epilepsia.

A renda familiar foi de até dois salários mínimos em 77,7% dos casos. Estudos mostram que a prevalência de crise febril não está associada com a classe social e a escolaridade dos pais.22,23 A Tabela 3 mostra uma síntese das principais variáveis estudadas em artigos publicados até o momento, na qual podemos observar a escassez de dados relacionados ao período pré/perinatal e a heterogeneidade das variáveis pesquisadas, o que dificulta a comparação e até mesmo a feitura de metanálises relacionadas ao tema.

Tabela 3 Características avaliadas nos principais estudos sobre crise febril 

Autor/ano País Captação dos pacientes Média idade 1a crise (meses) Prevalência/1000 Sexo masculino História familiar crise febril História familiar epilepsia Crise febril simples
Sampaio, 201011 Brasil Transversal (Busca ativa) 13,9
Nunes, 201115 Brasil Coorte 16
Al Rajeh, 200113 Arábia Saudita Transversal (Busca ativa) 3,55
Sfaihi, 201216 Tunísia Registros hospitalares 58,7% 14,7% 5,6% 55,2%
Nguefack, 201018 Camarões Registros hospitalares 24,6 36,4% 58,7%
Yakinci, 200017 Turquia Transversal 23,0 3,24 37,28% 12,71% 85,6%
Banerjee, 200919 Índia Transversal (Busca ativa) 1,11 84,7%
Chung, 200620 China Registros hospitalares 25 17,5%
Fallah, 201021 Irã Registros hospitalares 24 67%
Verity, 198522 Inglaterra Coorte 24 16,2% 7,5% 76,9%
Sillanpää, 200827 Finlândia Coorte
Aydin, 200828 Turquia Transversal, escolares 15‐17,3%

Concluímos que a prevalência da crise febril na Região Centro-Oeste foi menor do que a encontrada em outras regiões brasileiras, provavelmente relacionada à inclusão apenas das crises febris com manifestações motoras e às diferenças socioeconômicas entre as regiões brasileiras pesquisadas.

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