Crise e saúde: implicações para a política, a gestão e o cuidado em saúde

Crise e saúde: implicações para a política, a gestão e o cuidado em saúde

Autores:

Lilian Miranda,
Antônio Ivo de Carvalho,
Claudia Brito,
Maria Helena Magalhães de Mendonça,
Maurício Teixeira Leite de Vasconcellos,
Sheyla Maria Lemos Lima

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.12 Rio de Janeiro dez. 2019 Epub 25-Nov-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320182412.25742019

No contexto contemporâneo, as crises política, social, econômica e de valores se alastraram nos países desenvolvidos e repercutiram tardiamente naqueles de economias emergentes, evidenciando conflitos diversos. Passou-se a observar, então, uma crise na constituição da democracia, e riscos à garantia e/ou instauração de direitos sociais e humanos, redutores das desigualdades. Por conseguinte, crescem antagonismos entre as classes sociais em sua relação com usufruto de privilégios e aquisição de nova cidadania1.

Experimentadas como irrupção inesperada, perdas de sentido, descontinuidades de narrativas e mesmo da sensação de existência, as crises, em suas diferentes dimensões, provocam sofrimentos, paralisias, mas também evocam o pensamento inovador e o compartilhamento de reflexões2. Valorizando tais evocações, o objetivo deste número temático foi estimular discussões sobre as diversas dimensões da crise e sua relação com a saúde, em perspectiva abrangente, abordando seus condicionantes, expressões e desfechos. Tratou-se de uma tarefa desafiadora, dada a concomitância entre a experimentação da crise e a necessidade de estudá-la com algum distanciamento crítico.

Sem fugir desse desafio, este número temático é aberto por dois trabalhos: uma entrevista desenvolvendo diagnóstico da atual crise brasileira e suas implicações nos campos da ciência, da cultura e da educação. E uma revisão sistemática de literatura, apresentando possíveis efeitos, na saúde, das medidas oriundas das políticas de austeridade adotadas como resposta a crises econômicas e fiscais.

Os demais artigos originam-se de investigações científicas e reflexões desenvolvidas em instituições de ensino e pesquisa, algumas delas em parceria com serviços de saúde. Localizados no âmbito nacional, sub-regional, local e internacional, apresentam diversas abordagens metodológicas, caracterizando-se como pesquisa empírica, documental, resenha, artigo de opinião ou ensaio, cada qual orientado por pelo menos um dos seguintes eixos: repercussões sociais e epidemiológicas associadas à crise; efeitos da crise sobre financiamento e gasto em saúde; repercussões da crise na formulação e implementação de políticas sociais e de saúde; implicações da crise na regulação e gestão dos sistemas, serviços e trabalho em saúde; implicações da crise nos modelos de atenção, serviços de saúde e cuidado; direitos, participação e controle social na saúde em contextos de crise.

Desejamos boa leitura!

REFERÊNCIAS

1 Santos BS. A difícil democracia: reinventar as esquerdas. São Paulo: Editora Boitempo; 2016.
2 Kaës R. Crisis, ruptura y superación: análisis transicional en psicoanálisis individual y grupal. 5ª ed. Buenos Aires: Publicación; 1982.
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