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CSP: bem comum da Saúde Coletiva

CSP: bem comum da Saúde Coletiva

Autores:

Marilia Sá Carvalho,
Cláudia Medina Coeli,
Luciana Dias de Lima

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos de Saúde Pública

versão On-line ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.33 no.8 Rio de Janeiro 2017 Epub 21-Ago-2017

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311x00133517

Para que serve uma revista científica? Pode parecer óbvio, mas a resposta do “para que” depende do “para quem”. Uma revista poderá ter sentidos diversos para diferentes atores. Em geral, os leitores esperam que a revista publique artigos de qualidade, que contribuam para o avanço do conhecimento e que tenham relevância social. Já os autores, buscam na revista um veículo para a divulgação dos resultados de suas pesquisas e ideias de forma ampla, permitindo tanto o debate acadêmico entre pares como a tomada de decisão qualificada pelos formuladores de políticas.

Outro ator importante é a instituição mantenedora. Dependendo da sua natureza, os objetivos variam. Editoras comerciais incorporam necessariamente o lucro entre os seus objetivos. A principal forma utilizada para expandir o lucro, uma vez que autores e revisores trabalham gratuitamente, é aumentar as vendas de assinaturas e/ou a cobrança para a publicação de artigos, por meio da ampliação de seu prestígio entre leitores e pesquisadores. Ainda que o fator de impacto sofra muitas críticas 1, este tem sido usado como um indicador para medir a relevância da revista, independentemente de qualquer real impacto na sociedade. Além disso, publicar artigos de pesquisadores líderes do campo é importante, bem como ter a primazia na publicação de grandes descobertas. Não foi por acaso que as grandes revistas comerciais deram acesso aberto aos artigos sobre Zika: se não o fizessem, perderiam espaço acadêmico e, consequentemente, prestígio. Todos os pesquisadores queriam ter seus artigos sobre o tema publicados rapidamente, de forma aberta, para que outros pudessem usar os resultados iniciais.

Espera-se que revistas não comerciais, entretanto, tenham uma lógica diferente. Mesmo mantendo a busca de prestígio acadêmico, seu papel deve incluir a publicação de temas relevantes para o seu campo de atuação, considerando a produção de conhecimento e seu impacto na sociedade. Um exemplo é o British Medical Journal (BMJ) que, mantendo a tradição da publicação acadêmica de excelência, tem também liderado campanhas (https://www.statnews.com/2016/01/04/bmj-editor-fiona-godlee/) voltadas para questões importantes como dados abertos, mudança climática, sobrediagnóstico e o desperdício de recursos em cuidados de saúde desnecessários (http://www.bmj.com/campaigns).

CSP, contando com o apoio da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca/Fundação Oswaldo Cruz, sua instituição mantenedora, busca responder às demandas de autores e leitores, cumprindo o seu papel no campo da Saúde Coletiva/Saúde Pública, em âmbito nacional e internacional. Como editoras, é nossa responsabilidade apresentar de forma transparente a política editorial a todos os atores envolvidos na construção e uso da revista como fonte de conhecimento. Nossos editoriais são o canal preferencial para esse diálogo, sendo o número de dezembro, em particular, dedicado à reflexão crítica das conquistas e desafios da política editorial desenvolvida. Mas o ano de 2016 foi diferente. Em um contexto de perplexidade diante da crise econômica e ruptura política e institucional, o Editorial de dezembro 2 apresentou o Espaço Temático sobre “austeridade fiscal, direitos e saúde”, tema fundamental frente às restrições impostas ao financiamento das políticas sociais e suas repercussões para a saúde no Brasil.

Visando a preencher essa lacuna, elaboramos uma apresentação (material suplementar) na qual sintetizamos os princípios que norteiam nossa política editorial, assim como vários indicadores atuais de CSP. Entre eles, destacamos as informações da Avaliação Quadrienal 2017 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que aponta CSP como a revista com o maior número de artigos publicados, 6,7% do total, por docentes do quadro permanente dos programas brasileiros de pós-graduação da área de Saúde Coletiva, no período de 2013 a 2016 (Werneck GL, 2017, comunicação pessoal). Pelo volume publicado, por não limitar referências e por ser indexada nas principais bases bibliográficas, somos responsáveis também por parte relevante das citações recebidas pelas demais publicações da área, contribuindo para o fortalecimento deste ecossistema de revistas e, desta forma, da Ciência e da Saúde Coletiva/Saúde Pública, no Brasil e no mundo.

Por tudo isso, CSP é bem comum da Saúde Coletiva, compartilhado por todos aqueles envolvidos na produção e divulgação de conhecimento e interessados no debate sobre temas relevantes para a melhoria das condições de vida e saúde das populações.

REFERÊNCIAS

1. Stephan P, Veugelers R, Wang J. Reviewers are blinkered by bibliometrics. Nature 2017; 544:411-2.
2. Lima LD, Travassos C, Carvalho MS, Coeli CM. 2016: um ano de perplexidade. Cad Saúde Pública 2016; 32:eED011216.