Cuidar é... percepções de estudantes de enfermagem: Um olhar heideggeriano

Cuidar é... percepções de estudantes de enfermagem: Um olhar heideggeriano

Autores:

Luciara Fabiane Sebold,
Silvana Silveira Kempfer,
Vera Radünz,
Marta Lenise do Prado,
Francis Solange Vieira Tourinho,
Juliana Balbinot Reis Girondi

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.20 no.2 Rio de Janeiro abr./jun. 2016

http://dx.doi.org/10.5935/1414-8145.20160032

RESUMEN

Objetivo:

Develar las percepciones de los académicos de enfermería sobre el cuidado desde la óptica heideggeriana.

Métodos:

Investigación cualitativa de abordaje fenomenológica, desarrollada con 21 estudiantes del pregrado de Enfermería de la Universidad Federal de Santa Catarina que cursaban la disciplina de Fundamentos para el Cuidado Professional. Los datos fueron recolectados durante la clase sobre cuidado, por medio de relatos espontáneos escritos.

Resultados:

Las definiciones de cuidado fueron construidas a partir de las experiencias de cada estudiante, denotando su modo de ser para el cuidado y, cuando compartían sus opiniones, coexistían con el grupo, construyendo una identidad y relevando su modo de ser-con-el-otro. Los académicos perciben que el cuidado forma parte de la mundanidad de enfermería, del modo de ser de enfermero.

Conclusión:

El cuidado contempla un universo de significados en los cuales los seres humanos están envueltos en situaciones de cuidado y de preocupación con el otro.

Palabras clave: Cuidados de enfermería; Estudiantes de enfermería; Educación en enfermería

INTRODUÇÃO

A enfermagem identifica-se fundamentalmente por meio do cuidado. Este se legitima como objeto epistemológico; assim, as instituições de ensino e os profissionais da prática aprimoram-no, considerando-o a própria essência da profissão. Esse domínio de conhecimento lhe confere a competência de cuidar dos seres humanos em todas as dimensões do seu processo de viver1.

Observa-se, no entanto, que o cuidado de enfermagem vem se modificando no decorrer do tempo e passou por fases pontuais no desenvolvimento do corpus de conhecimento. O "ir e vir" de reflexões sobre o cuidado é um tema em alta na própria ciência do cuidado. É um termo que compõe a linguagem da área; compreende-se como um modo de ser relacional e contextual que se caracteriza como uma das pouquíssimas ações verdadeiramente independentes da enfermagem2.

Na busca pelo aprimoramento das discussões sobre o cuidado, Martin Heidegger, um dos filósofos do século XX, se destaca por suas reflexões sobre a cura e as nuances do cuidado. Inicialmente, o autor utilizou a expressão Dasein para designar a existência própria do homem. Aponta para o jeito de dizer que o ser só é alguma coisa a partir dos modos como ele se revela ao mundo na sua existência, uma ontologia geral que privilegia a pessoa enquanto ser-aí. As mudanças que o ser sofre com o passar do tempo e suas experiências abrem novas possibilidades de convivência à medida que continua existindo no tempo. A partir daí o cuidado manifesta-se nas relações da existência do Dasein. O cuidado que envolve consideração e respeito no modo de ser, de proceder. A preocupação e a ocupação fazem parte do cuidado, pois movem o ser-com-outro. O cuidado pode ser entendido como ato que ocupa um sentido ôntico, ou como possibilidades, um sentido que vai além do ato, além do que se pode perceber, ocupando um sentido ontológico3.

Sendo assim, a discussão sobre o cuidado se mantém viva nos discursos acadêmicos como fundamento da ciência da enfermagem avançando cada vez mais para o aprofundamento destas questões. Na formação profissional inicial em enfermagem faz-se presente nas discussões colocando-se como cerne. Assim, pensar a formação do enfermeiro é também buscar a reflexão sobre o cuidado, aprimorando o ensino do cuidar pautado na atenção individualizada a cada ser humano, visando sua autonomia e bem estar. Dessa forma, é imprescindível ensinar como o cuidado esta presente nas ações de saúde4.

Ao longo da grade curricular do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina, a discussão sobre o cuidado é contemplada em diferentes disciplinas. Na disciplina Fundamentos para o Cuidado Profissional de Enfermagem (na 3ª fase do curso), o tema aparece voltado ao cuidado hospitalar com a intencionalidade de, ao introduzir os alunos nas práticas, reunir elementos teóricos que subsidiem um cuidado que não se limite ao simples fazer técnico. Refletir sobre o tema permite superar a concepção, muitas vezes simplista e mecanicista, que os alunos trazem de suas próprias experiências de vida. Nesse sentido, o desafio consiste em resignificar tal concepção, sendo necessário, para isso, desvelar qual o sentido do cuidado para o acadêmico de enfermagem.

Este texto tem como objetivo desvelar as percepções dos acadêmicos a respeito do cuidado, na disciplina Fundamentos para o Cuidado Profissional em Enfermagem do curso de graduação em enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina.

MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de abordagem fenomenológica heideggeriana, desenvolvida com 21 acadêmicos de enfermagem do terceiro semestre do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina matriculados na disciplina de Fundamentos para o Cuidado Profissional. Os alunos foram convidados para participar da pesquisa e esclarecidos sobre o objetivo do estudo; os que desejaram participar assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido.

A referida disciplina organiza-se a partir de quatro fundamentos para o cuidado: tecnológicos-metodológicos, teórico-filosóficos, ético-estéticos; sociais, políticos e culturais. Dentre os diversos temas discutidos, estão os relativos ao processo de trabalho nas especificidades de cuidar, gerenciar e educar; o cuidado nas diferentes teorias de enfermagem; metodologia de cuidado; semiologia e semiotécnica; ética e bioética.

Realizou-se a coleta de dados durante o desenvolvimento de uma aula com duração de quatro horas, cuja temática era a metodologia do cuidado: importância para a prática de enfermagem e as etapas da metodologia do cuidado nas diferentes teorias. Para a coleta dos dados foi feita uma dinâmica de grupo, a qual se fundamentou em três momentos:

1º momento - Sensibilização. Ao ouvir uma música, os acadêmicos deveriam imaginar uma situação de experiência de cuidado que tivessem vivenciado. Depois, foram encorajados a compartilhar sua experiência.

2º momento - Construção individual da definição de cuidado: cada acadêmico recebeu um papel colorido, com a expressão "Cuidar é...", que deveriam completar.

3º momento - Construção coletiva da definição de cuidado: formaram-se grupos por semelhança das cores dos papéis para construírem coletivamente, a partir de seus conceitos, uma definição de cuidado. Finalmente, compartilharam os conceitos construídos com os demais grupos.

Ao serem constituídos os dados desse estudo, os relatos escritos sobre as definições de cuidado foram estabelecidos coletivamente e analisados por meio da análise compreensiva baseada na fenomenologia de Martin Heidegger, depois organizados em unidades de significados.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Santa Catarina, sob o protocolo nº 193/09, sendo observados os preceitos éticos relativos à Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde/MS, que se refere à pesquisa com seres humanos. Os acadêmicos foram convidados a participar do estudo e esclarecidos que poderiam desistir a qualquer tempo sem prejuízos. A identificação dos participantes deu-se pelas diferentes cores de cada grupo utilizadas na dinâmica.

RESULTADOS

As definições de cuidado construíram-se a partir de vivências e experiências de cada acadêmico; quando se reuniram para discutir sobre o cuidado, estabeleceram uma identidade do próprio grupo. A partir da análise dos dados emergiram as seguintes unidades de significados: cuidar é ser-com-o-outro; cuidar é presença; cuidar é auto cuidado, é cuidar de si.

Cuidar é ser-com-o-outro

Nesta unidade de significado, o cuidado faz parte do contexto familiar aprendido e vivenciado na família, respeitando os valores tradicionais e culturais das pessoas; onde o preocupar-se com os modos de ser traduz o respeito ao próximo, bem como suas experiências no cotidiano.

Cuidar é... preocupar-se com o outro, com o bem estar do mesmo, assim como os membros de uma família que, preocupando-se, cuidam um dos outros e profissionalmente deve haver essa preocupação, colocar-se no lugar do outro respeitando suas crenças e valores. (Grupo amarelo)

Cuidar é... promover o bem-estar físico, mental e social através de ações como carinho, atenção, empatia, amor, orientação, assistência. O cuidado deve ser proporcionado a todos, inclusive a si mesmo. O cuidar se aplica à prevenção, manutenção e restauração do bem estar humano. (Grupo Rosa)

Cuidar é presença

Para estes grupos, o cuidar ultrapassa a dimensão técnica, já que os acadêmicos mencionaram que as necessidades apresentadas pelos pacientes podem ser de ordem física e/ou emocional, e que confortar o paciente já amplia a perspectiva de como é cuidado.

Cuidar é... estar atento às necessidades e procurar a melhor maneira de atendê-las. É se preocupar com o próximo, transmitir carinho, afeto, para fazer o bem ao outro e a si próprio. Estar perto de uma pessoa quando ela mais precisa, dando apoio profissional ou até mesmo falando algo que a conforte. (Grupo branco)

Cuidar é... estar presente, prestar atendimento, dar um abraço, um beijo, um carinho. Na enfermagem é uma arte com base no amor, é observar e executar medidas que visam o conforto, ficar atento às necessidades do outro e fazer o melhor possível para que estas sejam atendidas da melhor maneira possível, buscando a segurança e restabelecimento da saúde do paciente. (Grupo verde)

Cuidar é auto cuidado, é cuidar de si

Com estas falas, o grupo apresenta uma característica a qual ultrapassa não apenas o cuidado direto com o outro, mas o estímulo ao autocuidado e a importância do cuidado de si, nas mais diversas situações do cotidiano.

Cuidar é... dar atenção a alguém da forma que esta pessoa precisar, seja escutando, executando um procedimento, observando. Sempre com o objetivo de promover a saúde da pessoa, com prevenção e estimulando o autocuidado. Também é importante que o cuidador não se esqueça de cuidar de si. (Grupo azul)

Cuidar é... compreender e estar atento às necessidade do outro e auxiliá-lo através do conhecimentos técnicos e humanísticos de forma paciente, amorosa, respeitosa e ética, a fim de promover a saúde, compreendida como bem estar físico, emocional e social do ser, afirmando e incentivando também a importância do autocuidado. (Grupo rosa)

DISCUSSÃO

Os conceitos elaborados pelos acadêmicos colocam em evidência as questões relacionadas às crenças e aos valores presentes no cuidado, revelando o modo de ser dos acadêmicos no exercício do cuidar. Percebem que essa atenção especial poderá determinar e influenciar a forma como o cuidado será realizado. Esta atitude é importante, pois demonstra o respeito e a compreensão de que o ato de cuidar necessita, contemplando os diversos olhares que o ser-aí tem do mundo, ou seja, o ser-aí é e se dá no mundo, o ser-aí é mundo, não existe uma essência, não existe algo geral e pré-determinado que faz do ser-aí o que ele é. A essência do ser-aí é a própria existência, e esta consiste em seu dever-ser3.

O cuidado diz respeito ao cotidiano, ao lugar onde se dão os acontecimentos, manifestações, detalhes e situações relativos à dimensão dos detalhes que fazem parte da vida e das relações5, as quais as mais diversas afinidades são observadas e, dentre estas, a família como celeiro de muitas experiências. Nesse ambiente, o acadêmico tem a possibilidade de apresentar os modos de ser das coisas para o cuidado. O homem e sua relação com o mundo, determinada na cotidianidade pelo seu modo de ser, portanto, o ser-aí enuncia o que o mundo é3.

Percebe-se que a sensibilidade para o cuidado é ampliada no sentido de que cuidar não necessariamente é praticar procedimentos, mas também sentir que o cuidado pode ser realizado com atitudes de subjetividade e, ao compreender que não é linear, procura adaptar-se às diferentes situações enfrentadas no cotidiano.

É importante ouvir o outro, compreender e discordar, entender e concordar com o que é colocado verdadeiramente para o outro e o que o outro coloca, não com a idéia de um horizonte final a ser alcançado, mas sim um horizonte possível e processual, revendo e repensando os obstáculos na interação, de maneira reconstrutiva e suficientemente boa6. O cuidado não pode ser o produto de um saber exclusivamente instrumental provido do saber científico e tecnológico, pois, se assim ocorrer, obtém-se apenas uma parte da dimensão do cuidado, que é o êxito técnico. Se quiser alcançar o sucesso prático para produzir cuidado, é necessária, além da dimensão instrumental, a produção de encontros e de diálogos entre sujeitos, sujeitos profissionais de saúde/serviços, sujeitos usuários e população7.

É imprescindível retomar os conceitos que envolvem o cuidado em saúde, repensando o encontro terapêutico, que não deve ser movido exclusivamente pela técnica, mas com o desafio ético de não deixar a técnica substituir o encontro, buscando a qualidade desse encontro8. Por conta disso, é importante o exercício de ir e vir na discussão acerca do cuidado, sendo necessário ser revisitado como uma questão ontológica para que possa ser disseminado e ensinado em suas diversas maneiras ônticas, sem que se corra o risco de cristalizar o modo inautêntico de cuidado, que, após a formação, ainda é visto pelo egresso com os olhos do professor2.

Neste contexto, o cuidado revela-se nas relações da existência das pessoas que cuidam e que são cuidadas. Envolve consideração e respeito no modo de ser, de proceder. A preocupação e a ocupação fazem parte do cuidado, visto serem estas que movem o ser-com-o-outro3.

Assim, o cuidado está envolto nas ações dos seres humanos integralmente e faz parte da existência humana, como manifestação de compartilhamento, de troca, e de reciprocidade. Neste sentido, o cuidado no campo da saúde está imbricado nas relações entre trabalhador e usuário na medida em que valores e modos de cuidar são compartilhados e construídos demonstrando e estabelecendo negociações para as ações de cuidado5.

Os profissionais de enfermagem, nesse contexto complexo das relações, precisam cuidar de si, compreendendo a singularidade de ser humano, empoderando-se e percebendo suas possibilidades e fragilidades, constituindo o processo de cuidar e curar. O enfermeiro talvez seja o profissional que tem maior contato com o ser doente ou saudável, que convive com o sofrimento do outro, e não pode deixar de cuidar de si, pois só assim pode estar bem com o outro e cuidar9. O cuidado de si do profissional da enfermagem não deve ser esquecido e quando se trata de quem cuida do outro, e a forma de cuidar-se também precisa ser pensada e compreendida10. As condições de labor dos enfermeiros podem refletir em sua saúde e na qualidade da assistência prestada por eles, e para minimizar esta problemática, é indispensável que os profissionais estejam unidos na conquista de melhor qualidade de vida no trabalho e reconheçam a importância do cuidado de si11. Essa temática pode ser discutida desde a graduação, com o intuito de sensibilizar os futuros profissionais para a importância do assunto.

Direcionar o olhar e o agir para além do visível, refletir sobre o ensino-educação na graduação em Enfermagem abrem as possibilidades de qualificação de enfermeiros e pode torná-los flexíveis e tolerantes, promovendo seres humanos e cidadãos saudáveis, com mais consciência de si e dos outros, com mais capacidade para compreender e amar, com mais potencialidades para o cuidar complexo9.

O processo de formação em Enfermagem é balizado pela educação, que está estruturada em um contexto envolvendo o processo de ensino-aprendizagem, a estrutura da instituição de ensino, o corpo docente e o acadêmico, que, juntos formam uma rede em constante movimento. Nesse cenário, "os enfermeiros que atuam na educação em enfer magem buscam refletir sobre suas práticas no cotidiano do ensino-aprendizado, pois encaminhar novos profis sionais enfermeiros ao mercado de trabalho é um desa fio contínuo"12:158.

O enfermeiro professor e os alunos enfrentam desafios constantes para que conhecimentos sejam incorporados em suas vivências, o que nos faz pensar nas estratégias inovadoras implementadas pela pelas propostas pedagógicas e que, apontam para possibilidades para a construção de uma sociedade participativa e solidária, na qual o aluno é sujeito e compreende seu trajeto de aprendizagem criticamente12.

Construir um processo de ensino-aprendizagem que permita a reflexão mútua e contínua do aluno e do enfermeiro professor é um desafio para o ensino, tendo em vista este processo envolver diferentes seres e o cuidado, complexos em si mesmos. Ouvir, falar, pensar sobre o que se quer inserir-se no cotidiano do processo de formação é sem dúvida habilidades importante no ensino do cuidado na enfermagem, "considera-se que escutar seja uma maneira de examinarmos a ampla experiência humana, ou seja, nossos valores, a intensidade de nossas emoções, os padrões de nossos processos de pensamento"13:550.

Por isto, refletir sobre o processo de educar para o cuidado é tarefa complexa, é mais do que o desenvolvimento de destrezas, o papel do educador neste caso é criar possibilidades, envolvendo relação, respeito, ética, reconhecimento do outro e de si, neste cenário, "como profissionais da saúde e da educação que somos, abre-se a possibilidade para fazermos a relação entre o cuidar e o educar, reconhecendo esta interdependência, pois ao educar estamos cuidando e ao cuidar estamos educando"14:298.

O desafio de ensinar o cuidado aos futuros profissionais de enfermagem é mais que passar o conhecimento, é proporcionar ao aluno a própria vivencia de cuidar, ser cuidado e cuidar-se, configurando-se no ciclo de preservação da vida que se dá em todo o processo de viver do ser humano. Assim para exercerem a competência de ensinar enfermagem, os enfermeiros-professores precisam se reconhecem como tal, e têm a consciência de que ser professor de enfermagem não é apenas transmitir conhecimento, mas, sim, envolver-se com este universo no qual o cuidar é aprender e ensinar e, também cuidar é ensinar a aprender, na constante reflexão do seu saber e fazer em enfermagem, bem como dos seus modos de ser enfermeiro15.

CONCLUSÃO

Os relatos desvelaram o que entendem sobre cuidado, compreendendo que a construção do conceito de cuidado é uma atividade complexa, haja vista envolver diversas dimensões contextuais, antropológicas, educacionais, filosóficas e tecnológicas. Os acadêmicos percebem que o cuidado faz parte de um complexo mundo no qual o cuidar e o se cuidar são fatores importantes para a realização das atividades de enfermagem e para que estas possam se fortalecer.

Entretanto, refletir sobre esta temática tão falada pelos profissionais de enfermagem não se configura em uma tarefa fácil, pois o cuidado vai além da realização de técnicas e procedimentos de enfermagem. O cuidado aqui apresentado contempla um universo de significados nos quais os seres humanos estão envoltos de diversas situações nas ações que ultrapassam as barreiras do tecnicismo.

Entende-se que a discussão do tema durante o processo de formação inicial implica para a enfermagem profissionais com a percepção ampla sobre o significado do que é cuidar, de modo que no seu futuro exercício exerçam esta atividade com competência e sensibilidade.

Compreende-se que esta discussão não se esgota, mas que este estudo possa fomentar outros profissionais tanto na docência quanto na assistência de enfermagem a refletir sobre o cuidado por eles realizado e, desta forma, aprimorar a profissão de enfermeiro.

REFERÊNCIAS

1 Pires D. A enfermagem enquanto disciplina, profissão e trabalho. Rev Bras Enferm. 2009 Set./Out; 62(5): 739-44.
2 Queiroz BFB, Garanhani ML. Construindo significados do cuidado de enfermagem no processo de formação: uma pesquisa fenomenológica. Cienc Cuid Saude 2012 Out/Dez; 11(4):775-783.
3 Heidegger M. Ser e tempo. 3 ed. Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista (SP): Universitária São Francisco, 2008.
4 Silva AL, Freitas MG. O ensino do cuidar na Graduação em Enfermagem sob a perspectiva da complexidade. Rev esc enferm. USP. 2010 Set; 44(3): 687-93.
5 Martines WRV, Machado AL. Produção de cuidado e subjetividade. Rev Bras Enferm. 2010 mar-abr; 63(2): 328-33.
6 Mello DF, Lima RAG. O cuidado de enfermagem e a abordagem winnicottiana. Texto contexto - enferm. 2010 set; 19(3): 563-69.
7 Almeida MCP, MishimaI SM, Pereira MJB, Palha PF, Villa TCS, Fortuna CM et al. Enfermagem enquanto disciplina: que campo de conhecimento identifica a profissão? Rev Bras Enferm. 2009 set-out; 62(5): 748-52.
8 Ayres JRCM. Cuidado e humanização das práticas de saúde. In: Deslandes S, organizadora. Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas. Rio de Janeiro (RJ): Fiocruz; 2006. p.49-83.
9 Silva IJ, Oliveira MFV, Silva SÉD, Polaro SHI, Radünz V, Santos EKA et al. Cuidado, autocuidado e cuidado de si: uma compreensão paradigmática para o cuidado de enfermagem. Rev esc enferm. USP. 2009 Sep; 43(3): 697-703.
10 Elias EA, Souza IEO, Vieira LB. Significados do cuidado-de-si-mesmas de mulheres profissionais de enfermagem em uma unidade de pronto atendimento. Esc Anna Nery 2014 jul-set; 18(3):415-420
11 Rodrigues AMS, Duarte MSM, Flach DMAM, Silvino ZR, Andrade M. The impact of the conditions and working hours on workers' health nursing. R. pesq.: cuid fundam online. 2012 Out./dez. [acesso em 20 Out 2012] 4(4):2867-73. Disponível em: .
12 Carraro TE, Sebold LF, Kempfer SS, Frello AT, Bernardi MC. Ensinar-Aprender A Cuidar De Feridas: Experiência De Enfermeiras Estagiárias Docentes. Cogitare Enferm. 2012 Jan/Mar; 17(1):158-61.
13 Camillo SO, Maiorino FT. A importância da escuta no cuidado de enfermagem. Cogitare enferm. 2012 Jul/Set; 17(3):549-55.
14 Prado ML, Riebnitz KS, Gelbcke FL. Aprendendo a Cuidar: A Sensibilidade como Elemento Plasmático para Formação da Profissional Crítico-Criativa em Enfermagem. Texto contexto - enferm, Florianópolis. 2006 Abr-Jun; 15(2):296-302.
15 Sebold LF, Carraro TE. Modos de ser enfermeiro-professor-no-ensino-do-cuidado de-enfermagem: um olhar heideggeriano. Rev. bras. enferm. [Internet]. 2013 Ago [citado 2015 Ago 25];66(4):550-556. Disponível em: .