Dança como uma intervenção para melhorar a mobilidade e o equilíbrio em idosos: uma revisão de literatura

Dança como uma intervenção para melhorar a mobilidade e o equilíbrio em idosos: uma revisão de literatura

Autores:

Cléia Rocha de Oliveira,
Anelise Ineu Figueiredo,
Aniuska Schiavo,
Lucas Athaydes Martins,
Maria Eduarda Telles,
Giovana Adamatti Rodrigues,
Regis Gemerasca Mestriner

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.25 no.5 Rio de Janeiro maio 2020 Epub 08-Maio-2020

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232020255.20002018

Abstract

The aim of the present review was to identify whether dance protocols can benefit mobility and balance in elderly. A literature review was conducted in which 927 potentially relevant studies were identified (published in Portuguese, English, French, German, Spanish or Italian). There was no publication period restriction. After reading the titles, abstracts and review of the exclusion criteria, 15 randomized controlled trials were included. Most of the studies evaluated female subjects, using heterogeneous protocols of intervention and unspecific control groups. In addition, the period of exposure to dance was generally short: 2.6 weekly practices, of 59.1 minutes each, performed through 12.1 weeks. Dance was shown to be beneficial in 77.6% of the evaluated outcomes, exhibiting a moderate effect size for static balance and functional balance; and small effect size for mobility and strength/resistance of the lower limbs. However, future studies with the use of specific control groups and adoption of longer lasting protocols are necessary to evaluate the actual size effect that dance has on the maintenance of mobility and balance in elderly.

Key words Dance; Balance; Mobility; Elderly

Introdução

O envelhecimento humano é considerado um processo natural, contínuo e inexorável, no qual ocorrem alterações morfológicas, funcionais, químicas/neuroquímicas e psicológicas, que resultam na perda gradativa da vitalidade e da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente. A depender da intensidade de tais alterações existirá maior ou menor susceptibilidade à incidência de doenças1-3. Neste contexto, a fragilidade física é um dos fatores que predispõem o sujeito às disfunções de funcionalidade e participação na vida diária. Sabe-se que esta tipicamente acompanha a perda de peso não intencional, redução da performance muscular (tanto aeróbia quanto anaeróbia), exaustão e baixa velocidade e/ou elevada variabilidade da marcha, dentre outros achados clínicos4-8. Ainda, as disfunções de mobilidade resultam no aumento do risco para a ocorrência de quedas da própria altura, contribuindo para um aumento da morbimortalidade em idosos. Cabe salientar que as quedas não resultam apenas em incapacidade física, mas frequentemente deflagram problemas psicológicos e sociais, prejudicando ainda mais a saúde desta população9-11. Ante ao exposto, a busca por estratégias que sejam capazes de contribuir para um envelhecimento bem-sucedido constitui-se como um importante desafio para a saúde pública mundial.

A dança é uma atividade física e social agradável, motivadora, que envolve a musicalidade e que pode ser desenvolvida de forma grupal ou individual. Tal atividade desafia o controle motor por meio de movimentos coreografados e realizados dentro de compassos musicais. Acredita-se que o hábito de dançar possa prevenir alguns dos efeitos deletérios que levam à fragilidade no idoso, sendo capaz de estimular o sistema cognitivo e neuromusculoesquelético. Assim, a dança pode atuar de forma protetora na prevenção de quedas e na manutenção do equilíbrio corporal, contribuindo, desta maneira, para uma melhor qualidade de vida, funcionalidade e um envelhecimento mais saudável12-15. Culturalmente, a dança pode ser praticada durante todas as etapas da vida, podendo suscitar sentimentos positivos e sensação de bem-estar. Existem estudos na literatura sugerindo que esta prática também pode ser benéfica para melhorar a auto expressão, a comunicação, a motivação, a percepção de diversão e prazer com a vida, a espiritualidade, a identificação cultural, assim como promover uma ruptura e revitalização da sociedade15,16. No entanto, ainda não está suficientemente claro se tal prática pode ser benéfica para prevenir a ocorrência de quedas e proporcionar a manutenção do equilíbrio funcional em idosos, o que seria extremamente útil para a promoção e prevenção em saúde.

Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi realizar uma revisão da literatura visando identificar se protocolos de intervenção utilizando a dança podem beneficiar a mobilidade e o equilíbrio postural em idosos.

Métodos

Estratégia de busca

Foi realizada uma revisão de literatura nas bases de dados PubMed e Cochrane Library e incluídos artigos publicados nos idiomas português, inglês, francês, alemão, espanhol ou italiano, sem restrição de ano de publicação. Para a busca, foram utilizados os seguintes descritores e seus termos relacionados: Dance Therapy, Dancing, Aged, 80 and over, aged. Além disso, utilizou-se o filtro randomized controlled trial [pt] a fim de selecionar apenas ensaios clínicos randomizados (ECR). O plano metodológico desta revisão foi publicado na base de registros International prospective register of systematic reviews (PROSPERO) sob registro CRD42018093303, e está demonstrado no Quadro 1. Para a condução desta revisão foram seguidos critérios da Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA Statement).

Quadro 1 Exemplo da estratégia de busca na base de dados Medline (Pubmed). 

PICOT (Problema, Intervenção, Comparação, Desfechos e Tipo de estudo)
P: A dança pode beneficiar a mobilidade e o equilíbrio postural em idosos?
I: Qualquer tipo de dança.
C: Sedentário ou outro tipo de atividade física.
O: Mobilidade, equilíbrio estático e dinâmico.
T: Ensaio clínico controlado e randomizado.
Descritores e Termos relacionados
#1 "Dance Therapy" OR "Therapy, Dance" OR "Dance Therapies" OR "Therapies, Dance";
#2 "Dancing" OR "Dance" OR "Ballet" OR "Square Dance" OR "Dance, Square" OR "Hip-Hop Dance" OR "Dance, Hip-Hop" OR "Hip Hop Dance" OR "Jazz Dance" OR "Dance, Jazz" OR "Tap Dance" OR "Dance, Tap" OR "Modern Dance" OR "Dance, Modern" OR "Salsa Dancing" OR "Dancing, Salsa" OR "Line Dancing" OR "Dancing, Line";
#3 "Aged, 80 and over" OR "Oldest Old" OR "Nonagenarians" OR "Nonagenarian" OR "Octogenarians" OR "Octogenarian" OR "Centenarians" OR "Centenarian";
#4 "Aged" OR "Elderly";
#5 (randomized controlled trial[pt] OR controlled clinical trial[pt] OR randomized controlled trials[mh] OR random allocation[mh] OR double-blind method[mh] OR single-blind method[mh] OR clinical trial[pt] OR clinical trials[mh] OR ("clinical trial"[tw]) OR ((singl*[tw] OR doubl*[tw] OR trebl*[tw] OR tripl*[tw]) AND (mask*[tw] OR blind*[tw])) OR ("latin square"[tw]) OR placebos[mh] OR placebo*[tw] OR random*[tw] OR research design[mh:noexp] OR follow-up studies[mh] OR prospective studies[mh] OR cross-over studies[mh] OR control*[tw] OR prospectiv*[tw] OR volunteer*[tw]) NOT (animal[mh] NOT human[mh]).
Estratégia de busca
#1 OR #2 = #6;
#3 OR #4 = #7;
Busca final = #6 AND #7 AND #5.

Critérios de elegibilidade

A presente revisão incluiu ECR que avaliassem intervenções terapêuticas de dança em idosos. Os critérios de inclusão foram: (1) participantes acima de 60 anos de idade submetidos a um protocolo de dança, (2) realização de testes que avaliassem mobilidade/equilíbrio dinâmico, equilíbrio estático e/ou força de membros inferiores. Foram excluídos artigos que não estivessem disponíveis para a leitura na íntegra.

Seleção dos estudos e extração dos dados

Os títulos e resumos dos artigos identificados nas buscas foram analisados, de forma independente, por 2 revisores e eventuais discordâncias encontradas no processo de seleção foram resolvidas por consenso. Os resumos que não apresentaram a informação completa em relação aos critérios de elegibilidade foram selecionados para a leitura na íntegra. Os desfechos de interesse para o presente estudo foram mobilidade, equilíbrio estático e força nos membros inferiores. Além disso, foi utilizado um formulário para a extração de dados adicionais, tais como características da amostra, modalidade da dança utilizada, frequência, duração e o tempo de intervenção.

Análise dos dados

Os dados de interesse foram extraídos de cada um dos estudos incluídos pelos revisores independentes e expressos em média (µ), mediana (M) e porcentagem (%), bem como desvio padrão (DP), erro padrão (EPAD), intervalos interquartílicos 25% (IQ25) e 75% (IQ75). Além disso, como a realização de metanálise não foi aconselhada em decorrência da alta variabilidade metodológica dos estudos (vide a sessão de resultados para maiores detalhes) optou-se pelo cálculo do tamanho de efeito (d de Cohen) intra e intergrupos para cada medida individual, sendo este pequeno entre 0,20 e 0,30, médio entre 0,40 e 0,70 e grande quando ≥ 0,80. Tal procedimento visou facilitar a leitura crítica conjunta dos resultados obtidos na revisão.

Resultados

Dentre os 927 artigos potencialmente relevantes, 15 deles foram selecionados de acordo com os critérios de elegibilidade. Todos os artigos incluídos foram escritos em língua inglesa e publicadas em periódicos indexados em bases de dados internacionais. Os detalhes relacionados ao processo de seleção dos artigos estão sumarizados na Figura 1. Em relação ao período de publicação, observou-se que os artigos incluídos foram publicados entre os anos de 1990 e 2016. A qualidade metodológica dos estudos não foi avaliada empregando escalas específicas, contudo verificamos que a grande maioria dos trabalhos não apresentou detalhes suficientes para atingir níveis ótimos de qualidade metodológica conforme preconizado pela Cochrane Library.

Figura 1 Fluxograma de revisão. 

O Quadro 2 apresenta o perfil das intervenções realizadas pelos grupos dança e as atividades utilizadas como controle nos estudos incluídos. Ainda no Quadro 2, observa-se que existiu uma grande variedade de protocolos de dança empregados, predominando as terminologias “dança de salão” (incluindo tango e salsa) e a “dança aeróbica de baixo impacto”. Já em relação aos grupos controle, a grande maioria dos estudos empregou a manutenção das atividades usuais e rotineiras do idoso, sem o fornecimento de maiores detalhes metodológicos. Apenas três estudos utilizaram grupos controle com intervenção comparadora, sendo elas: a prática de caminhadas17, orientações sobre a implementação de exercícios aeróbicos na rotina18 e o treino de equilíbrio e alongamentos19. Um dos estudos não mencionou especificamente qual o tipo de intervenção controle utilizada20.

Quadro 2 Caracterização das modalidades de dança e as atividades comparadoras empregadas nos diferentes estudos. 

Estudo Intervenção Comparador
Hopkins et al., 199040 Dança aeróbica de baixo impacto Seguir atividades usuais/rotineiras
Shigematsu et al., 200241 Dança baseada em exercícios aeróbicos Seguir atividades usuais/rotineiras
McKinley et al., 200817 Tango Caminhadas
Eyigor et al., 200942 Dança folclórica turca e orientação sobre caminhadas Seguir atividades usuais/rotineiras
Sofianidis et al., 200920 Dança tradicional grega Não mencionado
Borges et al., 201234 Dança de salão Seguir atividades usuais/rotineiras
Granacher et al., 201243 Salsa Seguir atividades usuais/rotineiras
Janyacharoen et al., 201318 Dança tailandesa Orientações sobre exercícios aeróbicos na rotina
Kattenstroth et al., 201321 Dança para idosos (tipo não especificado) Seguir atividades usuais/rotineiras
Krampe, 201323 Dança aeróbica de baixo impacto Seguir atividades usuais/rotineiras
Borges et al., 201444 Dança de salão Seguir atividades usuais/rotineiras
Coubard et al., 201445 Dança contemporânea Seguir atividades usuais/rotineiras
Cruz-Ferreira et al., 201546 Dança criativa (sem estilo definido) Seguir atividades usuais/rotineiras
Eggenberger et al., 201619 Dança interativa com videogame Treino de equilíbrio e alongamentos
Merom et al., 201637 Dança folclórica australiana ou de salão* Seguir atividades usuais/rotineiras

*A escolha dependia da preferência do participante.

Em relação ao tamanho amostral, o número de sujeitos alocados no grupo dança variou entre 12 e 279 e, para o grupo controle, variou entre 10 e 251. Já em relação à idade dos idosos pesquisados, a média variou entre 64,9 e 85 anos. O gênero de maior prevalência foi o feminino.

Quanto ao tempo de intervenção, observou-se grande variação nos estudos revisados (entre 4 e 48 semanas), com uma mediana igual a 12,1 semanas. A frequência semanal da prática das sessões/aulas de dança variou entre 1 e 3, com média de 2,6 sessões semanais. Apenas um estudo21 realizou 1 sessão semanal. O tempo médio e o desvio padrão da duração de cada sessão/aula foi de 59 e 21,4 minutos, respectivamente. A Tabela 1 apresenta a compilação dos dados referentes às características dos volumes/doses de intervenção empregados.

Tabela 1 Caracterização da amostra e da dose de intervenção (frequência semanal e duração) ofertada nos ensaios clínicos incluídos na presente revisão. 

Estudo Amostra (n) Idade (anos) Gênero fem. (%) Frequência semanal Duração
Sessão (min)
Tempo de Intervenção (semanas)
Dança Controle Dança Controle Dança Controle
Hopkins et al., 199040 35 30 65,0±3,7 66,0±3,8 100 100 3 50 12
Shigematsu et al., 200241 20 18 78,6±4,0 79,8±5,0 100 100 3 60 12
McKinley et al., 200817 14 11 78,1±7,6 74,6±8,4 78,6 72,7 2 120 10
Eyigor et al., 200942 19 18 73,5±7,6 71,2±5,5 100 100 3 60 8
Sofianidis et al., 200920 14 12 69,23±4,4 72,57±5,3 92,9 58,3 2 60 10
Borges et al., 201234 39 36 67,95±1,3 67,22±1,3 NI NI 3 50 32
Granacher et al., 201243 14 14 71,6±5,3 68,9±4,7 65 57 2 60 8
Janyacharoen et al., 201318 20 18 64,9±4,0 66,8±6,0 95,5 95 3 40 6
Kattenstroth et al., 201321 25 10 68,6±1,5 72,3±1,8 68 70 1 60 24
Krampe, 201323 12 15 85,0±8,5 85,0±8,9 73 50 3 45 6
Borges et al., 201444 30 29 68,0±8,3 67,0±7,7 NI NI 3 50 12
Coubard et al., 201445 19 19 70,6±7,3 72,6±8,6 100 95 3 90 4
Cruz-Ferreira et al., 201536 32 25 71,1±3,9 72,8±4,5 100 100 3 50 24
Eggenberger et al., 201619 19 14 72,8±5,9 77,8±7,4 12,6 9,6 3 30 8
Merom et al., 201637 279 251 43%(>80)* 35%(>80)* 83 86 2 60 48

*O estudo não apresenta valores exatos, apenas o percentual de sujeitos com idade > 80 anos.

Na Tabela 2 são apresentados os desfechos avaliados pelos diferentes estudos, antes e depois do período de intervenção, bem como o cálculo dos respectivos tamanhos de efeito intragrupo e intergrupos. O tamanho de efeito (d de Cohen) foi considerado como pequeno (0,20 – 0,30), médio (0,40 – 0,70) ou grande (≥ 0,80). Observa-se o predomínio do tamanho de efeito pequeno e médio para as análises intergrupos (42,67% e 41,33%, respectivamente), sendo que 16% dos desfechos avaliados tiveram tamanho de efeito grande.

Tabela 2 Medidas de desfecho avaliadas pelos estudos incluídos, antes e após os protocolos de intervenção. 

Estudo Desfechos Dança (Pré)
Média ± DP
Dança (Pós)
Média ± DP
Dança (TE)
d de Cohen
Controle (Pré)
Média ± DP
Controle (Pós)
Média ± DP
Controle (TE)
d de Cohen
Δd
Hopkins et al., 199040 Alcance funcional modificado (cm) 28,0±7,6 30,5±7,6 0,32 30,5±7,6 30,5±7,6 0,00 ↑ 0,32
Sentar e levantar em 30s (repetições) 13,0±5,0 21,0±4,0 1,77 11,0±4,0 11,0±4,0 0,00 ↑ 1,77
Equilíbrio unipodal (s) 25,0±8,0 28,0±10,0 0,33 20,0±6,0 20,0±10,0 0,00 ↑ 0,33
Shigematsu et al., 200241 Equilíbrio unipodal, olhos abertos (s) 23,1±18,1 24,6±17,3 0,08 17,9±13,8 16,6±15,8 -0,09 ↑ 0,17
Equilíbrio unipodal, olhos fechados (s) 2,8±1,2 4,1±2,0 0,79 6,1±10,2 5,3±5,3 -0,09 ↑ 0,88
Alcance funcional (cm) 23,7±4,5 26,1±3,6 0,59 24,1±8,8 23,3±7,6 -0,09 ↑ 0,68
Caminhada entre 2 cones (s) 31,8±7,3 25,7±5,0 -0,97 32,4±8,4 33,6±9,0 0,14 ↑ 1,11
Teste de caminhada de 3 min (m) 212,4±27,9 193,9±39,5 -0,54 204,6±16,8 212,0±16,1 0,45 ↓ 0,99
McKinley et al., 200817 Escala ABC (%) 71,3±13,7 81,9±12,63 0,80 86,2 ± 9,75 87,15 ± 9,61 0,09 ↑ 0,71
Teste de sentar e levantar (repetições) 17,12±7,05 12,36±4,46 -0,81 14,30 ± 2,47 12,31 ± 3,39 -0,67 ↓ 0,14
Marcha usual (m/s) 86,4±22,0 99,0±27,8 0,50 84,4 ± 0,15 93,3 ± 19,8 0,64 ↓ 0,14
Marcha rápida (m/s) 111,4±28,5 124,4±34,3 0,41 117,4 ± 16,98 129,4 ± 23,02 0,59 ↓ 0,18
Eyigor et al., 200942 Caminhada 20 metros (s) 12,2±1,6 11,9±1,8 -0,18 13,9±2,3 14,6±2,7 0,28 ↑ 0,46
TC6 (m) 419,10±84,10 488,8±51,20 1,00 402,2±62,1 413,9±69,4 0,18 ↑ 0,82
Escala de Equilíbrio de BERG 54,1±2,2 55,3±0,85 0,72 53,6±2,1 53,9±1,7 0,16 ↑ 0,56
Subir e descer escadas (s) 10,3±1,8 9,2±2,3 -0,53 11,1±2,7 10,9±2,3 -0,08 ↑ 0,45
Levantar da cadeira (s) 10,3±2,0 8,3±1,0 -1,26 10,8±2,5 10,7±2,5 -0,04 ↑ 1,22
Sofianidis et al., 200920 Romberg sensibilizado:
COPmax (x; cm) 3,34±0,69 3,50±0,57 0,25 3,49±0,63 3,45±0,31 -0,08 ↓ 0,33
COPmax (y; cm) 2,67±0,90 2,50±1,04 -0,17 2,30±0,59 2,49±0,84 0,26 ↑ 0,43
COPdp (x; cm) 0,71±0,16 0,73±0,13 0,14 0,74±0,16 0,73±0,11 -0,07 ↓ 0,21
COPdo (y; cm) 0,48±0,14 0,46±0,19 -0,12 0,45±0,11 0,47±0,17 0,14 ↓ 0,26
TRmax (x; °) 2,30±1,05 2,35±0,77 0,05 3,25±1,75 2,65±1,51 -0,37 ↑ 0,42
TRmax (y; °) 2,15±1,08 2,39±0,91 0,24 3,05±1,61 2,53±1,48 -0,34 ↓ 0,58
TRdp (x; °) 0,56±0,24 0,58±0,20 0,09 0,65±0,32 0,63±0,37 -0,06 ↓ 0,15
TRdp (y; °) 0,54±0,25 0,61±0,24 0,29 0,64±0,27 0,62±0,38 -0,06 ↓ 0,35
Equilíbrio unipodal:
COPmax (x; cm) 6,33±3,74 4,61±1,59 -0,59 4,94±1,58 4,57±1,68 -0,23 ↓ 0,36
COPmax (y; cm) 8,59±5,87 5,09±3,06 -0,75 7,20±4,42 6,17±3,50 -0,26 ↑ 0,49
COPdp (x; cm) 1,33±0,92 0,94±0,25 -0,58 0,95±0,21 0,91±0,28 -0,16 ↑ 0,42
COPdo (y; cm) 1,74±1,16 1,07±0,06 -0,82 1,42±0,90 1,25±0,64 -0,22 ↑ 0,60
TRmax (x; °) 6,68±3,82 3,28±1,46 -1,18 4,65±1,67 3,62±1,67 -0,62 ↑ 0,56
TRmax (y; °) 9,03±4,44 4,60±3,07 -1,16 5,57±3,23 5,37±3,02 -0,06 ↑ 1,10
TRdp (x; °) 1,52±0,83 0,81±0,36 -1,11 1,13±0,39 0,89±0,49 -0,54 ↑ 0,57
TRdp (y; °) 2,09±1,18 1,13±0,74 -0,97 1,36±0,72 1,30±0,79 -0,08 ↑ 0,89
Borges et al., 201234 Índice GDLAM 62,55±9,57 55,56±8,21 -0,78 63,40±9,34 62,34±9,58 -0,11 ↑ 0,67
Granacher et al., 201243 Equilíbrio unipodal:
CoP AP (cm) 131,50±43,75 114,55±45,99 -0,38 133,51±33,28 140,13±40,34 0,18 ↑ 0,56
CoP ML (cm) 121,05±34,27 107,85±44,10 -0,33 144,88±35,89 131,04±29,74 -0,42 ↑ 0,09
CoP TOT (cm) 198,44±58,48 174,46±67,07 -0,38 219,23±43,41 214,09±45,77 -0,12 ↑ 0,26
CoP Area (cm2) 1,56±0,92 1,38±0,74 -0,22 1,64±0,84 1,47±0,96 -0,19 ↑ 0,03
CoP Vel (cm/s) 6,71±1,95 5,93±2,30 -0,55 7,43±1,47 7,29±1,56 -0,09 ↑ 0,46
Granacher et al., 201243 Caminhada:
Velocidade de passada (cm/s) 133,80±20,20 148,90±25,80 0,65 141,80±14,40 142,20±14,20 0,03 ↑ 0,62
Tempo de passada (s) 1,02±0,07 0,98±0,07 -0,57 1,04±0,06 1,05±0,07 0,15 ↑ 0,72
Comprimento da passada (cm) 136,80±22,00 145,50±26,80 0,35 147,60±15,00 148,40±13,30 0,06 ↑ 0,29
Velocidade de passada, %CV 2,70±1,50 2,40±1,10 -0,23 2,30±1,00 2,40±0,70 0,12 ↑ 0,35
Tempo de passada, %CV 1,70±1,00 1,90±0,60 0,24 1,40±0,70 1,60±0,40 0,35 ↑ 0,11
Comprimento da passada, %CV 1,90±0,80 1,90±1,10 0,00 1,90±0,80 1,70±0,60 -0,28 ↑ 0,28
Janyacharoen et al., 201318 TC6 (m) 360,10±59,20 416,70±58,70 0,96 348,00±51,20 345,70±55,10 -0,04 ↑ 1,00
Sentar e levantar 5 vezes (s) 12,90±2,10 10,20±1,50 -1,48 14,80±3,70 14,40±3,30 -0,11 ↓ 1,37
Alcance funcional modificado (cm) 10,40±3,80 14,90±3,50 1,23 10,70±5,70 11,10±5,70 0,07 ↑ 1,16
Kattenstroth et al., 201321 Índice de deslocamento postural 0,41±0,15 0,49±0,20 0,45 0,55±0,13 0,54±0,13 -0,08 ↑ 0,53
Índice de tempo de reação 0,61±0,10 0,73±0,10 1,2 0,60±0,09 0,57±0,09 0,33 ↑ 0,87
Krampe, 201323 Alcance anterior (cm) 9,88±4,28 9,02±2,62 -0,24 13,20±3,06 11,45±1,57 -0,72 ↑ 0,48
Alcance para direita (cm) 6,90±2,33 7,71±2,73 0,32 8,73±2,56 9,34±1,76 0,28 ↑ 0,04
Alcance para esquerda (cm) 7,96±2,94 8,56±2,91 0,21 9,59±2,31 9,57±1,93 -0,01 ↑ 0,22
Alcance posterior (cm) 4,75±2,31 2,50±1,36 -1,19 5,48±2,23 2,27±1,23 -1,78 ↑ 0,59
Velocidade marcha (cm/s) 61,84±31,10 65,00±28,13 0,11 67,80±22,42 71,77±21,51 0,18 ↓ 0,07
Diferença de passada (cm) 2,88±2,45 2,67±2,28 -0,09 3,91±2,35 3,72±2,47 -0,08 ↑ 0,01
Deambulação funcional (%) 71,85±19,93 72,92±14,47 0,06 75,82±15,87 78,00±14,50 0,14 ↓ 0,08
Borges et al., 201444 Dif. distribuição de carga em MMII (Kg) 6,14±NR 3,29±NR NC 6,10±NR 6,30±NR NC NC
Coubard et al., 201445 Estabilidade Postural, olhos fechados:
CoP TOT (cm) 64,45±16,00 61,51±12,77 -0,20 62,28±17,65 67,47±21,01 0,27 ↑ 0,47
CoP Area da Elipse 90-100% (cm) 19,52±8,15 22,84±14,12 0,29 19,41±9,42 19,92±12,90 0,05 ↓ 0,24
CoP velocidade média (cm/s) 1,26±0,31 1,20±0,26 -0,21 1,22±0,35 1,32±0,39 0,27 ↑ 0,48
CoP variação da velocidade (cm/s) 8,53±5,36 8,11±4,88 -0,08 8,22±6,19 10,55±7,72 0,33 ↑ 0,41
Estabilidade Postural, olhos abertos:
CoP TOT (cm) 54,81±11,16 54,13±8,33 -0,07 51,95±16,17 58,82±14,56 0,45 ↑ 0,52
CoP Area da Elipse 90-100% (cm) 16,95±6,97 20,36±11,51 0,36 13,87±8,15 18,23±11,90 0,43 ↑ 0,07
Coubard et al., 201445 CoP velocidade média (cm/s) 1,07±0,22 1,06±0,17 -0,05 1,02±0,31 1,15±0,31 0,42 ↑ 0,47
CoP variação da velocidade (cm/s) 5,69±3,31 6,26±2,79 0,19 5,32±3,75 6,91±3,88 0,42 ↑ 0,23
Romberg (olhos fechados/abertos) 1,32±0,83 1,19±0,48 -0,19 1,60±0,92 1,14±0,39 -0,65 ↓ 0,46
Cruz-Ferreira et al., 201546 Sentar e levantar em 30s (repetições) 13,33±3,51 15,10±3,28 0,52 12,04±2,95 12,17±4,75 0,03 ↑ 0,49
TC6 (m) 401,49±71,22 438,10±77,73 0,49 355,88±66,55 330,12±102,50 -0,30 ↑ 0,79
TUG (s) 7,98±2,49 6,57±1,13 0,82 8,41±2,65 9,01±3,80 0,18 ↑ 0,64
Eggenberger et al., 201619 Escore de Equilíbrio 4,95±1,35 4,95±1,83 0,00 5,07±1,61 5,79±1,23 0,50 ↓ 0,50
Teste de caminhada de 4 m (s) 3,40±0,44 3,40±0,44 0,00 3,50±0,37 3,5±0,75 0,00 ↔ 0,00
Sentar e levantar 5 vezes (s) 9,00±2,18 7,80±1,74 -0,61 9,30±2,24 8,30±1,87 -0,48 ↑ 0,13
Merom et al., 201637 Escore de mobilidade SPPB 10,20±1,80 7,90±4,80 -0,63 10,60±1,60 8,80±4,30 -0,55 ↑ 0,08
Velocidade da marcha (m/s) 0,94±0,25 0,90±0,28 -0,15 1,01±0,22 0,91±0,24 -0,43 ↑ 0,28
Sentar e levantar 5 vezes (s) 12,70±4,50 17,80±10,80 0,62 12,30±4,30 16,10±9,90 0,50 ↑ 0,12

Abreviaturas: ABC: Activities-specific Balance Confidence Scale; TC6: Teste da caminhada de 6 minutos; COPmax: deslocamento do centro de pressão, valor máximo; COPdp: deslocamento do centro de pressão, desvio padrão; TRmax: deslocamento angular do tronco, máximo; TRdp: deslocamento angular do tronco, desvio padrão; CoP AP: deslocamento do centro de pressão, anteroposterior; CoP ML: deslocamento do centro de pressão, médio-lateral; CoP TOT: deslocamento do centro de pressão, total; CoP Area: deslocamento do centro de pressão, área; CoP Vel: deslocamento do centro de pressão, velocidade; %CV: percentual do coeficiente de variação; Dif.: diferença; TUG: Timed Up and Go test; SPPB: Short physical performance battery; GDLAM: bateria de testes do Grupo de Desenvolvimento Latino-Americano para a Maturidade; TE: tamanho de efeito (valor d de Cohen); Δd: Diferença do tamanho de efeito entre os grupos dança e controle. ↑: favorável ao grupo dança; ↓: favorável ao grupo controle; ↔: indiferente ao grupo; NR: Não-reportado; NC: não-calculável.

Quanto às medidas relacionadas aos desfechos avaliados, observa-se que 59,9% delas estiveram relacionadas com o equilíbrio estático, 27,6% com a mobilidade/equilíbrio dinâmico, 9,2% com a força de membros inferiores e 9,2% com escalas funcionais relacionadas ao equilíbrio. Cabe destacar, ainda, a existência de grande variabilidade metodológica nos procedimentos empregados para a mensuração dos desfechos de interesse, o que, somado ao baixo nível de rigor metodológico dos estudos incluídos e variabilidade nos protocolos de dança empregados, desaconselhou a realização de técnicas de metanálise na presente revisão. No entanto, para facilitar a leitura dos resultados, optamos por realizar uma descrição simplificada com base no percentual de efeitos benéficos conforme os tamanhos de efeito encontrados.

De um modo geral, 77,6% das medidas realizadas pelos estudos sugeriram que a dança apresenta benefícios, enquanto 22,4% delas foram indiferentes ou favoráveis ao grupo controle. Especificamente em relação ao equilíbrio estático, 80,5% das medidas foram favoráveis à prática da dança, com mediana do tamanho de efeito igual a 0,42 (IQ25=0,05 /IQ75=0,54). Por sua vez, as medidas de mobilidade/equilíbrio dinâmico foram favoráveis à dança em 76,2% dos casos, com mediana do tamanho de efeito igual a 0,28 (IQ25=-0,07 /IQ75=0,64). Para a força de membros inferiores, as medidas também favoreceram a dança em 71,4% das avaliações, com mediana do tamanho de efeito igual a 0,13 (IQ25=-0,14 /IQ75=1,22). Por fim, os idosos expostos a dança também demonstraram resultados favoráveis nas escalas funcionais de equilíbrio em 85,7% das vezes, com mediana do tamanho de efeito igual a 0,56 (IQ25=0,08 /IQ75=0,71).

Discussão

O presente estudo buscou observar se protocolos de intervenção utilizando a prática de dança são capazes de beneficiar a mobilidade e o equilíbrio postural em idosos, visto que o envelhecimento geralmente acarreta em mudanças fisiológicas e estruturais que impactam sobre o controle motor22.

De modo interessante, verificamos que 77,6% das medidas de equilíbrio e mobilidade realizadas pelos estudos foram favoráveis à dança, predominando os tamanhos de efeito médios e pequenos, o que está de acordo com estudos prévios23. No entanto, observamos que a soma do percentual de tamanhos de efeito médios (41,33%) e grandes (16%) confere uma superioridade da prática de dança em 57,33% dos casos, o que é um dado bastante razoável. Recentemente, um estudo publicado por Fong Yan et al.24 demonstrou que a prática de um programa de dança estruturado pode produzir efeitos semelhantes ou até mesmo superiores em comparação com outras atividades físicas, sendo a dança uma intervenção recomendável para o público idoso. Na mesma direção, Kattenstroth et al.22 sugerem que a prática de dança possui bom potencial para promover benefícios relacionados à mobilidade e equilíbrio em idosos. Sabe-se que a manutenção de uma vida fisicamente ativa melhora a destreza de movimentos, reduz o risco de lesões e quedas da própria altura. Sendo assim, os efeitos da dança possivelmente estão associados com uma melhora do equilíbrio, da força e resistência muscular, da coordenação, ritmo, lateralidade e consciência corporal, contribuindo para a redução da ocorrência de quedas.

Apesar da análise geral dos resultados ser favorável aos sujeitos que praticam a dança quanto aos desfechos estudados, observa-se uma variabilidade muito grande entre os tamanhos de efeito. Assim, diversos fatores limitantes devem ser considerados quando da eleição da dança como atividade física de escolha. Tais fatores, inclusive, devem ser considerados para a realização de estudos futuros que sejam mais consistentes.

Inicialmente destaca-se o estilo de dança, uma vez que o estilo adotado poderia impactar na avaliação dos desfechos – haja vista que algumas danças são folclóricas enquanto outras são classificadas como danças de salão, dança criativa, ou até mesmo dança aeróbica, sem o fornecimento de maiores detalhes sobre as execuções realizadas. Ritmos e intensidades diferentes talvez produzam tamanhos de efeito diferentes, uma vez que uma dança lenta e com posturas estáticas tende a estimular o sistema neuromusculoesquelético de modo diferente de danças aeróbicas, de maior explosão ou, ainda, daquelas que possuem um maior componente de instabilidade25.

Um estudo recente sugere que dançarinos profissionais apresentam maior capacidade do sistema postural em gerenciar a instabilidade, sendo o feedback visual um dos principais componentes neste processo26. Portanto, o grau de proficiência e experiência com a prática de dança também deve ser considerada quando avaliamos os efeitos de tal intervenção.

Outro aspecto potencialmente relevante para a variabilidade dos tamanhos de efeito observados diz respeito a escolha da intervenção comparadora (grupo controle). Na presente revisão, observamos que a grande maioria dos estudos utilizam grupos controle inespecíficos. Assim, pode-se concluir que a prática de dança é superior a manutenção da rotina usual, supostamente sedentária, mas não se pode concluir que a dança será realmente superior à outras formas de atividade física. Além disso, um estilo de vida sedentário, sabidamente ligado a disfunções fisiológicas e doenças crônicas, pode representar, potencialmente, um viés sobre determinadas interpretações de um dado estudo, o que deve ser considerado ao analisarmos os seus resultados27.

Evidencia-se também que os estudos não descrevem suficientemente como ocorre a estruturação dos protocolos de dança empregados, o que possivelmente impacta nos volumes de treino e doses efetivamente entregues. Sabe-se que volumes e estruturas de treino pouco definidos dificultam a obtenção dos resultados desejados28, bem como a avaliação da reprodutibilidade dos mesmos29.

Em relação ao tempo de intervenção, observa-se que a maioria dos estudos empregou protocolos relativamente curtos, cerca de 3 meses. Embora frequentemente adotado de forma protocolar em estudos com intervenções baseadas em movimento, estas típicas 12 semanas não necessariamente são suficientes para estimar um tamanho de efeito máximo da intervenção se considerarmos os princípios fisiológicos do exercício30. Sendo assim, novos estudos mais longos, com acurado controle de volumes/doses efetivamente entregues por sessão de prática, são necessários para avaliar o real tamanho de proteção que a dança possui sobre o equilíbrio e mobilidade de pessoas idosas.

É relevante ressaltar que os procedimentos/métodos de avaliação utilizados variam consideravelmente entre os estudos, o que dificulta a precisão na comparabilidade entre os achados e a interpretação mais detalhada dos fenômenos observados em conjunto. Apesar disso, nós procuramos categorizar os testes empregados de acordo com seus desfechos relacionados para facilitar a leitura crítica da revisão. Assim, observou-se que 59,9% das medidas foram relacionadas com o equilíbrio estático. Portanto, não podemos afirmar que os tamanhos de efeito gerais encontrados com a prática de dança são aplicáveis igualmente para a mobilidade31 e/ou força e resistência de membros inferiores32 – variáveis físicas tipicamente associadas com a chance ou risco de quedas. Ademais, Britten e colaboradores33 relatam que a dança tem o potencial não só de minimizar o risco de quedas diretamente pela melhora nos componentes físicos, mas também atua no psicológico, como no medo de cair, no humor, na depressão, trazendo benefícios em mais de uma área da vida – variáveis estas que também compõem o espectro de complexidade que deve ser levado em consideração nos estudos que avaliam os efeitos da prática de dança.

Cabe ainda destacar que, dentre os vieses encontrados, está a insuficiente descrição da história de saúde pregressa e atual dos participantes dos estudos. Por exemplo, problemas relacionados propriocepção, audição ou visão podem ser, por si só, limitantes da performance do equilíbrio e da mobilidade, influenciando no tamanho de efeito da intervenção34-36.

Por fim, excetuando-se o estudo de Merom et al.37, que contou com 279 participantes, todos os demais possuem tamanho amostral mínimo ou insuficiente, dificultando a validação externa de seus achados. Ainda sobre as amostras estudadas, vale ressaltar que a grande maioria dos sujeitos era do gênero feminino. Isso pode dever-se a diversos fatores, tais como a dança ser historicamente atrelada como uma atividade feminina38 em decorrência da construção de estereótipos que setorizam atividades de acordo com o gênero. Outras possibilidades de especulação são a maior longevidade e maior costume de cuidar da saúde39, bem como a maior inscrição feminina em atividades desta natureza.

Conclui-se, desta maneira, que a prática de dança é capaz de promover efeitos protetores sobre o equilíbrio estático e funcional em idosos, embora seus efeitos possam ser superestimados pela carência de grupos controles mais específicos. Assim, novos estudos são necessários para determinar os reais efeitos de cada modalidade de dança e de suas doses ideais para a manutenção da mobilidade e equilíbrio em idosos.

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