Delirium em idosos internados via unidades de emergência: um estudo prospectivo

Delirium em idosos internados via unidades de emergência: um estudo prospectivo

Autores:

Lucas Henrique Rosso,
Guilherme Assoni Gomes,
Luis Felipe Chaga Maronezi,
Ivana Loraine Lindemann,
Rogério Tomasi Riffel,
Júlio César Stobbe

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Psiquiatria

versão impressa ISSN 0047-2085versão On-line ISSN 1982-0208

J. bras. psiquiatr. vol.69 no.1 Rio de Janeiro jan./mar. 2020 Epub 08-Maio-2020

http://dx.doi.org/10.1590/0047-2085000000261

ABSTRACT

Objectives

To determine the incidence of delirium in the elderly admitted to a tertiary hospital and to verify its distribution according to predictor variables.

Methods

Elderly patients admitted to the emergency room from April to September 2018 were included. The sample was characterized and the difference in the incidence of delirium within five days if hospitalization regarding the predictor variables was observed (Chi-square test, 5%).

Results

The sample consisted of 300 predominantly male participants (52%), aged 60-69 years (50.7%), eutrophic (49.3%) and with three or more pre-hospitalization diseases (42%). The incidence of delirium was 12% (95% CI 9-16). A statistically significant difference was observed in relation to the number of diseases prior to hospitalization (p = 0.025), the exit from bed during hospitalization (p < 0.001) and the use of bladder tube (p < 0.001).

Conclusion

The recognition of this disorder is fundamental in the emergency routine of hospitals, where patients with multiple chronic diseases are treated, as delirium commonly underdiagnosed, leading to an increase in morbidity and mortality rates.

Key words: Neurocognitive disorders; aged; emergency medical services

INTRODUÇÃO

O delirium , também chamado de estado confusional agudo, configura-se como um distúrbio neuropsiquiátrico muito comum em ambiente hospitalar, particularmente em idosos1 . A epidemiologia é bastante diversificada, sobretudo pela variação da idade, situação clínica e contexto de intervenção no paciente. Um terço dos pacientes com mais de 70 anos apresenta o distúrbio na admissão hospitalar e outra metade, durante o período de internação2 . Também é um quadro frequente naqueles submetidos à cirurgia, com risco entre 10% e 50%, principalmente em fraturas de quadril e intervenções cardíacas3 . Já em unidade de terapia intensiva (UTI) a frequência pode atingir 80%4 .

Está associado a maior tempo de internação, alto custo nos serviços de saúde, dano funcional e cognitivo em longo prazo e aumento da mortalidade. Estima-se que nos EUA o estado confusional agudo seja responsável por um acréscimo de 60 mil dólares por paciente/ano, o que resulta em sobrecarga econômica de 38 a 152 bilhões de dólares anualmente5 . Os dados brasileiros são escassos a respeito da epidemiologia, entretanto a doença foi responsável por 56% das interconsultas psiquiátricas em idosos em um hospital geral6 .

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais , quinta edição (DSM-5)7 , o delirium requer uma perturbação na atenção e na consciência, que se desenvolve agudamente e tende a flutuar. Isso resulta em um distúrbio cognitivo ou perceptivo que não é mais bem explicado por um quadro de demência preexistente, estabelecida ou em evolução.

Constitui-se em uma síndrome multifatorial e vários fatores exercem efeitos favoráveis a essa desordem neuropsíquica. Dentre eles, destacam-se idade avançada, sexo masculino, déficit sensorial, história de alcoolismo, depressão e doenças neurológicas. Além disso, podem existir fatores precipitantes ao quadro de delirium como doença aguda grave, polifarmácia, desidratação, distúrbios metabólicos, desnutrição, entre outros8 .

Diante desse panorama, o objetivo deste estudo foi determinar a incidência de delirium em idosos internados em um hospital terciário, bem como verificar sua distribuição de acordo com variáveis preditoras.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo clínico, observacional e prospectivo, realizado em um hospital terciário de ensino, sendo a amostra constituída por pacientes de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 60 anos, que se internaram via emergência entre abril e setembro de 2018. Foram excluídos aqueles que estavam desorientados e não apresentavam condições de responder aos instrumentos de coleta de dados, bem como aqueles com antecedentes de acidente vascular encefálico, demência ou outra doença cerebrovascular, politraumatizados, em estado cardiorrespiratório instável e internados para cirurgia eletiva.

A coleta de dados foi realizada em três momentos distintos. Primeira: diariamente, entre as 06h00 e as 12h00 e entre as 18h00 e a 00h00, na secretaria do setor de emergência, era obtida a lista dos pacientes internados no dia e feita a consulta ao sistema de informações hospitalares para a verificação dos critérios de seleção. A partir disso, os pacientes selecionados eram convidados a participar do estudo e, em caso de consentimento, era aplicado o Miniexame do Estado Mental (MEEM)9 , instrumento fácil e rápido, utilizado para avaliar a função cognitiva, com pontos de corte estabelecidos de acordo com o nível de escolaridade do indivíduo. Em seguida, o algoritmo Confusional Assessment Method (CAM), instrumento capaz de ser aplicado em menos de 5 minutos, que avalia a presença do estado confusional agudo, composto por nove critérios clínicos, dos quais os quatro primeiros mostram maior sensibilidade e especificidade para a detecção do quadro: início agudo e curso flutuante, desatenção, pensamento desorganizado e alteração do nível de consciência10 .

Foram considerados positivos para delirium e excluídos do estudo os pacientes que apresentavam os critérios 1 e 2, mais os critérios 3 e/ou 4 da referida escala. Nos pacientes negativos para delirium , a coleta de dados prosseguia, com aplicação de questionário e busca em prontuário: sexo, idade, cor da pele, renda mensal individual, local de residência, condições de moradia, tabagismo, consumo de bebida alcoólica, prática regular de atividade física, peso, altura, número de doenças anteriores à internação, doença cardiovascular, infecciosa e/ou psiquiátrica, tanto prévias quanto apresentadas durante a permanência no hospital, saída do leito durante a internação, uso de sonda nasogástrica, uso de sonda vesical de demora, uso de cateter venoso central, realização de fisioterapia, cirurgia na internação atual, uso de opioides, uso de hipnóticos/sedativos e uso de anti-hipertensivos, prévios ou iniciados na internação.

Segunda coleta: no terceiro dia da internação (72 horas), foi reaplicado o algoritmo CAM (ainda no setor de emergência ou nas enfermarias, conforme a disponibilidade de leitos no hospital) e buscaram-se novos dados em prontuário: introdução de sondagem nasogástrica, vesical e/ou de cateter de acesso venoso central, saída do leito, diagnóstico de doença psiquiátrica, cardiovascular ou infecciosa, início de fisioterapia, introdução de opioide, hipnótico/sedativo ou anti-hipertensivo e realização de procedimentos cirúrgicos. Em caso de delirium , a coleta era interrompida.

Terceira coleta: nos pacientes negativos para delirium no terceiro dia, no quinto dia de internação (120 horas), ainda no setor de emergência ou nas enfermarias, conforme a disponibilidade de leitos no hospital, repetiu-se a coleta realizada no terceiro dia.

Da segunda e da terceira etapa, foram excluídos os pacientes que evoluíram a óbito e os que obtiveram alta hospitalar ou que foram transferidos para UTI.

Após digitação e validação dos dados, foi considerada como variável dependente a incidência de delirium em até cinco dias de internação (incidência no terceiro e no quinto dia), sendo analisadas como preditoras as variáveis sexo, idade, consumo de bebida alcoólica, resultado do MEEM, número de doenças anteriores à internação, doença cardiovascular, infecciosa e psiquiátrica, deambulação, uso de sonda vesical, nasogástrica e de cateter venoso central, fisioterapia, cirurgias e uso de opioides, de hipnóticos/sedativos e de anti-hipertensivos. Procedeu-se à estatística descritiva, ao cálculo da incidência do delirium (IC de 95%) e à verificação da sua distribuição de acordo com as variáveis preditoras (teste do qui-quadrado, 5%).

O protocolo de estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da instituição proponente, em conformidade com a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.

RESULTADOS

A amostra foi composta por 300 idosos caracterizados predominantemente como do sexo masculino (52%), com idade entre 60 e 69 anos (50,7%), cor da pele branca (73,7%), renda mensal entre 1 e 2 salários mínimos (51,6%), residentes em zona urbana (78,6%), em casa ou apartamento com parentes ou outras pessoas (49%). No que se refere aos hábitos de vida, 44% não eram tabagistas, 85,8% não consumiam bebida alcoólica e 65,9% não praticavam atividade física.

Em relação à caracterização da saúde, a maior parte dos idosos obteve a pontuação mínima no MEEM (54,7%), era eutrófica (49,3%) e apresentava três ou mais doenças prévias à internação (42%), sendo 80% doença cardiovascular, 9% infecciosa e 8,3% psiquiátrica. A maioria deambulou durante a internação (76,4%) e 17,7% fizeram uso de sonda vesical, 8,2% de sonda nasogástrica e 5,5% de cateter venoso central. Fisioterapia foi realizada por 39,6% e 20,3% foram submetidos a cirurgia no período. Em relação aos medicamentos, 29,4% usaram opioide, 49,6%, hipnótico/sedativo e 85,7%, anti-hipertensivos ( Tabela 1 ).

Tabela 1 Caracterização sociodemográfica, de hábitos de vida e de saúde de uma amostra de idosos internados via emergência em um hospital terciário – Passo Fundo, RS, 2018 (n = 300) 

Variáveis n %
Sexo
Masculino 156 52,0
Feminino 144 48,0
Idade (anos completos)
60-69 152 50,7
70-79 90 30,0
≥80 58 19,3
Cor da pele
Branca 221 73,7
Outras 79 26,3
Renda mensal em salários mínimos (n = 279)*
≤1 90 32,3
1-2 144 51,6
>2 45 16,1
Local de residência (n = 294)
Zona urbana 231 78,6
Zona rural 63 21,4
Condições de residência (n = 298)
Casa ou apartamento sozinho 27 9,1
Casa ou apartamento com cônjuge 125 41,9
Casa ou apartamento com parentes ou outras pessoas 146 49,0
Tabagismo (n = 298)
Sim 43 14,4
Não 131 44,0
Ex-tabagista 124 41,6
Consumo de bebida alcoólica (n = 296)
Sim 42 14,2
Não 254 85,8
Atividade física (n = 293)
Sim 100 34,1
Não 193 65,9
Miniexame do Estado Mental
Aprovado 164 54,7
Não aprovado 136 45,3
Estado nutricional (n = 280)
Baixo peso 36 12,9
Eutrofia 138 49,3
Sobrepeso 106 37,8
Número de doenças anteriores à internação
0-1 90 30,0
2 84 28,0
≥3 126 42,0
Doença cardiovascular 240 80,0
Doença infecciosa 27 9,0
Doença psiquiátrica 25 8,3
Deambulação (n = 144) 110 76,4
Uso de sonda vesical (n = 147) 26 17,7
Uso de sonda nasogástrica (n = 146) 12 8,2
Uso de cateter venoso central (n = 145) 8 5,5
Fisioterapia (n = 144) 57 39,6
Cirurgias (n = 143) 29 20,3
Uso de opioides (n = 119) 35 29,4
Uso de hipnóticos/sedativos (n = 119) 59 49,6
Uso de anti-hipertensivos (n = 119) 102 85,7

* Salário mínimo – R$ 957,00.

A incidência de delirium foi de 12% (IC95% 9-16) e a tabela 2 apresenta a sua distribuição de acordo com as variáveis preditoras. Foi observada diferença estatisticamente significativa em relação ao número de doenças anteriores à internação (p = 0,025), à saída do leito durante a internação (p < 0,001) e ao uso de sonda vesical (p < 0,001).

Tabela 2 Incidência de delirium em idosos internados via emergência em um hospital terciário, conforme variáveis preditoras – Passo Fundo, RS (n = 300) 

Variáveis Com delirium Sem delirium p*

n % n %
Sexo 0,332
Masculino 22 14,1 134 85,9
Feminino 15 10,4 129 89,6
Idade (anos completos) 0,540
60-69 13 8,6 139 91,4
70-79 12 13,3 78 86,7
≥80 12 20,7 46 79,3
Consumo de bebida alcoólica (n = 296) 0,956
Sim 5 11,9 37 88,1
Não 31 12,2 223 87,8
Miniexame do Estado Mental 0,665
Aprovado 19 11,6 145 88,4
Não aprovado 18 13,2 118 86,8
Número de doenças anteriores à internação 0,025
0-1 4 4,4 86 95,6
2 13 15,5 71 84,5
≥3 20 15,9 106 84,1
Doença cardiovascular 0,136
Sim 33 13,8 207 86,2
Não 4 6,7 56 93,3
Doença infecciosa 0,101
Sim 6 22,2 21 77,8
Não 31 11,4 242 88,6
Doença psiquiátrica 0,491
Sim 2 8,0 23 92,0
Não 35 12,7 240 87,3
Deambulação (n = 144) <0,001
Sim 4 3,6 106 96,4
Não 10 29,4 24 70,6
Uso de sonda vesical (n = 147) <0,001
Sim 8 30,8 18 69,2
Não 6 5,0 115 95,0
Uso de sonda nasogástrica (n = 146) 0,385
Sim 2 16,7 10 83,3
Não 12 9,0 122 91,0
Uso de cateter venoso central (n = 145) 0,779
Sim 1 12,5 7 87,5
Não 13 9,5 124 90,5
Fisioterapia (n = 144) 0,755
Sim 5 8,8 52 91,2
Não 9 10,3 78 89,7
Cirurgias (n = 143) 0,087
Sim 5 17,2 24 82,8
Não 8 7,0 106 93,0
Uso de opioides (n = 119) 0,160
Sim 6 17,1 29 82,9
Não 7 8,3 77 91,7
Uso de hipnóticos/sedativos (n = 119) 0,133
Sim 13 10,9 106 89,1
Não 4 6,7 56 93,3
Uso de anti-hipertensivos (n = 119) 0,472
Sim 12 11,8 90 88,2
Não 1 5,9 16 94,1

DISCUSSÃO

Pesquisas brasileiras recentes que avaliem a incidência de delirium em idosos internados em hospitais terciários são escassas, sobretudo se relacionadas ao setor de emergência hospitalar. Esta foi realizada em um hospital de grande porte de um município localizado na região sul do Brasil, evidenciando uma incidência de 12% (IC95% 9-16) em até cinco dias de internação de pacientes com idade igual ou superior a 60 anos. O resultado é semelhante ao encontrado em uma coorte histórica canadense constituída por 200 pacientes acima de 65 anos que permaneceram por ao menos 12 horas no setor de emergências, onde se constatou uma incidência de 18% de estados confusionais agudos11 .

Estudo observacional prospectivo desenvolvido em um hospital universitário de Boston, Massachusetts (EUA), englobou 700 pacientes, com 65 ou mais anos de idade, que se apresentaram para cuidados no setor de emergências médicas. O resultado foi um total de 9% dos participantes delirando no momento da entrevista12 , valor levemente abaixo dos encontrados em outras pesquisas, com variação entre 14% e 24%13 - 15 , mas muito próximo ao ora apresentado. Incidências mais elevadas foram mostradas recentemente em associação a malignidades oncológicas, em unidades de cuidado prolongado ou em pós-operatório de cirurgias complexas, afetando de 20% a 40% dos indivíduos16 - 19 .

Na amostra estudada, observou-se maior frequência de delirium em idosos restritos ao leito durante internação (p < 0,001). Essa restrição, não só relacionada ao espaço de confinamento comumente visto nos setores de emergência, mas também a condições clínicas do paciente que comprometem sua deambulação, está diretamente associada ao quadro. Grandes estudos, como o Delirium Day 13 desenvolvido com mais de 1.800 idosos internados em hospitais e centros de reabilitação da Itália, já demonstraram que a restrição física é um forte fator precipitante para o surgimento e para a persistência de estados confusionais agudos, resultados concordantes com os encontrados e nos demais postulados na literatura2 , 20 .

Também de modo semelhante à literatura13 , foi observada maior incidência de delirium em idosos que fizeram uso de sonda vesical (p < 0,001).

Verificou-se ainda diferença de frequência do delirium de acordo com o número de doenças anteriores à internação (p = 0,025). Estudos com análise semelhante são escassos na literatura, e a coorte canadense não encontrou significância estatística na relação entre as duas variáveis11 . A dessemelhança, entre outros fatores, pode estar relacionada às características regionais das populações, às diferentes abordagens terapêuticas nos hospitais e às metodologias divergentes dos estudos.

Embora a maioria das pesquisas aponte doenças infecciosas, psiquiátricas, neurológicas, cardiovasculares e metabólicas e traumas relacionados ao surgimento do delirium 14 , 17 - 21 , o mesmo não foi observado neste estudo. Além disso, não se observou diferença quanto ao uso de medicamentos, ainda que esteja estabelecido na literatura que o uso de benzodiazepínicos, opioides, hipnóticos e sedativos, anti-histamínicos (especialmente os de primeira geração), anticolinérgicos, anticonvulsivantes, antidepressivos, antiparkinsonianos, antipsicóticos e barbitúricos é um forte fator de risco para o desenvolvimento do quadro, exigindo cautela na sua utilização em pacientes idosos expostos a outros fatores de risco13 , 14 , 17 , 18 , 21 , 22 .

Em relação ao sexo, observou-se que 14,1% dos homens e 10,4% das mulheres desenvolveram delirium . Embora sugestivo, e mesmo que a literatura mostre discreta associação do distúrbio com o sexo masculino11 , 16 , 17 , nenhum estudo recente conseguiu comprovar a associação entre as variáveis. Quanto à idade, entretanto, diversas pesquisas mostraram um acréscimo no risco de desenvolvimento do quadro com o avanço dela11 , 13 , 14 , 18 .

Ainda, não foi observada relação entre o desenvolvimento do delirium e as demais variáveis abordadas (consumo de bebida alcoólica, uso de sonda nasogástrica ou cateter venoso central, realização de fisioterapia e cirurgias durante a internação), mesmo que a literatura aponte sua presença como fator precipitante do delirium 13 , 22 . Os achados divergentes podem, possivelmente, ser resultado dos cuidados aprimorados no hospital de execução da pesquisa, como também das características regionais da população.

O presente estudo retrata a realidade de um único serviço de emergência, refletindo condições particulares clínicas e demográficas que contribuem para gerar resultados específicos, não permitindo a generalização, traduzindo-se, portanto, na sua principal limitação.

Entretanto, embora distintas pesquisas brasileiras apontem dados sobre a prevalência de delirium em idosos hospitalizados14 , 23 - 26 , este estudo contribui de forma importante, na medida em que traz dados recentes, nacionais, de incidência e referentes a pacientes internados via emergência, tratados clínica ou cirurgicamente, não se restringindo a pacientes de UTI, como outros encontrados na literatura21 , 27 .

CONCLUSÃO

Este estudo retratou a incidência de delirium em pacientes com até cinco dias de internação em unidade de emergência de um hospital terciário do norte do Rio Grande do Sul, além de outros elementos relacionados a sua epidemiologia e etiologia, e os resultados encontrados, em sua maioria, vão ao encontro do que é descrito na literatura. Em virtude da relevância do tema, a pesquisa visa contribuir com a literatura nacional, levando em consideração a escassez de publicações acerca do assunto.

Diante disso, a identificação desse transtorno é fundamental na rotina de emergência dos hospitais, onde são atendidos pacientes com múltiplas doenças crônicas, pois o delirium é comumente subdiagnosticado, levando a um aumento nas taxas de morbimortalidade. Por fim, o reconhecimento do distúrbio, um ato puramente clínico, baseado na observação do paciente e na valorização dos dados fornecidos pela família, deve ser realizado sistematicamente em pacientes nesse contexto, de modo a aumentar o diagnóstico de um quadro mórbido com importantes implicações prognósticas.

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