Depressão, uma questão de saúde pública

Depressão, uma questão de saúde pública

Autores:

Lúcia Abelha

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1414-462Xversão On-line ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.22 no.3 Rio de Janeiro jul./set. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1414-462X201400030001

Os transtornos mentais se caracterizam como um grupo de doenças com alto grau de sobrecarga, não só para o indivíduo que sofre, mas também para seus familiares e cuidadores. Entre eles, a depressão é atualmente responsável pela mais alta carga de doença entre todas elas. Sua característica insidiosa vai destruindo as esperanças e o brilho da vida de seus portadores, tendo consequências devastadoras na vida dos que estão ao seu redor. A depressão se caracteriza pela perda de interesse e prazer por tudo, pelo sentimento de tristeza e baixa da autoestima. Os quadros mais graves podem levar ao suicídio. Apesar disso, a doença permanece escondida e não tratada.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que hoje, no mundo, 350 milhões de pessoas vivam com depressão. As mulheres são mais afetadas, e 1 a 2 em cada 10 mulheres têm depressão pós-parto1. Através do programa Mental Health Gap Action Programme (mhGAP)2, a OMS e parceiros dão suporte a quem sofre de depressão e estimulam os países a formularem programas para ajudar pessoas com transtornos mentais

A depressão pode ser identificada e tratada na atenção básica, e, para isso, o treinamento e as campanhas de conscientização são fundamentais, e não só dos profissionais, mas também da população geral, incentivando a busca por ajuda. O custo da depressão geralmente é muito alto, e não só em termos de perda monetária; pode custar relacionamentos, empregos, e, não raro, a própria vida. O mais trágico desfecho da depressão é o suicídio. A cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo, e as ações preventivas são urgentes. É importante divulgar algumas iniciativas da OMS para a prevenção do suicídio, como o vídeo I had a black dog: his name was depression3; publicações sobre o uso de pesticidas4 e outras publicações sobre a prevenção do suicídio5.

Vencer o estigma, promover atitudes positivas da comunidade em relação aos portadores de transtornos mentais e estimular a procura pelo tratamento são atitudes e questões urgentes da saúde pública.

REFERÊNCIAS

. Marcus M, Yasamy MT, Ommeren M, Chisholm D, Saxena S. WHO Department of Mental Health and Substance Abuse; 2012. [cited 2014 Sept 24]. Available from: http://www.who.int/mental_health/management/depression/who_paper_depression_wfmh_2012.pdf?ua=1
. World Health Organization. mhGAP Intervention Guide for mental, neurological and substance use disorders in non-specialized health settings; 2010. [cited 2014 Sept 24]. Available from: http://whqlibdoc.who.int/publications/2010/9789241548069_eng.pdf
. World Health Organization. Vídeo "I had a black dog: his name was depression"; 2014. Available from: [Stream video - duration 04:17 mins] http://video.who.int/strea/ming/NMH/MSD/COPR_depression_01OCT2012.wmv
. World Health Organization. Clinical management of acute pesticide intoxication: prevention of suicidal behaviours; 2008. [cited 2014 Sept 24]. Available from: http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/pesticides_intoxication.pdf?ua=1
. World Health Organization. Preventing suicide, a global imperative; 2014. [cited 2014 Sept 23]. Available from: http://www.who.int/mental_health/suicide-prevention/exe_summary_english.pdf?ua=1
Política de Privacidade © Copyright, Todos os direitos reservados.