Descrição interpretativa: uma abordagem metodológica viável para a pesquisa em enfermagem

Descrição interpretativa: uma abordagem metodológica viável para a pesquisa em enfermagem

Autores:

Ilara Parente Pinheiro Teodoro,
Vitória de Cássia Félix Rebouças,
Sally Elizabeth Thorne,
Naanda Kaana Matos de Souza,
Lídia Samantha Alves de Brito,
Ana Maria Parente Garcia Alencar

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.22 no.3 Rio de Janeiro 2018 Epub 19-Mar-2018

http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2017-0287

INTRODUÇÃO

Tem-se destacado a importância e a necessidade do uso de referenciais teóricos e metodológicos para apoiar as pesquisas qualitativas na área da Enfermagem de forma a agregar cientificidade e qualidade aos estudos, aspectos estes debatidos e ressaltados desde o final do século passado.1 Muitos desses referenciais - tais como a Fenomenologia, a Teoria Fundamentada nos Dados e a Etnografia - são provenientes de outros campos de conhecimento, evidenciando, assim, a necessidade de a Enfermagem investir na elaboração de referenciais que possam explicar as especificidades da produção de conhecimento nessa área.2

Nesse contexto, uma pesquisadora canadense da University of British Columbia (UBC), auxiliada por estudantes de pós-graduação da mesma instituição, propôs um referencial metodológico para o desenvolvimento de pesquisas em Enfermagem - aplicável também a outras áreas da Saúde - denominado pela autora como "Interpretive Description" (Descrição Interpretativa).2,3

A "Descrição Interpretativa" consiste numa abordagem analítica indutiva, projetada com a finalidade de criar maneiras de compreender a saúde humana e os aspectos relacionados à vivência de uma enfermidade que produzem consequências para o contexto clínico e para a prática em Saúde e que são de interesse para pesquisadores de Enfermagem.3 Destaca-se como um método de pesquisa qualitativa capaz de gerar conhecimento disciplinar confiável e significativo, permitindo a evolução da aplicação metodológica qualitativa no âmbito da Enfermagem. Tal referencial vem sendo usado como base para apoiar vários estudos de Enfermagem em um contexto internacional.4-9

Entretanto, analisando as principais revistas de Enfermagem nacionais, é notório que este referencial ainda é inexplorado em pesquisas desenvolvidas por enfermeiros brasileiros. Portanto, objetivou-se apresentar uma reflexão teórica sobre a origem e os pressupostos do método de "Descrição Interpretativa", e discutir sua aplicabilidade nas pesquisas em Enfermagem e em Saúde.

Acredita-se que essa discussão possa contribuir para divulgar novos métodos que venham a subsidiar as pesquisas em Enfermagem e, assim, ampliar as possibilidades no que tange à produção do conhecimento, facilitando a expansão e o desenvolvimento das técnicas de pesquisa para além das abordagens convencionais.

CRIAÇÃO DO MÉTODO E DEFINIÇÕES

A "Descrição Interpretativa" pode ser compreendida como um método que fornece uma direção metodológica aos pesquisadores das Ciências Aplicadas, como a Enfermagem, para conduzir a elaboração de questões de pesquisa voltadas para aspectos práticos dessas áreas de conhecimento, bem como, a entrada no campo de maneira lógica, sistemática e justificada, e a criação de uma análise de dados de modo que o engajamento do pesquisador com os dados torne possível uma interpretação do contexto estudado para além do óbvio.2

Para compreender a necessidade da criação do método, faz-se necessário, inicialmente, resgatar alguns aspectos relacionados ao surgimento da pesquisa qualitativa no contexto da Enfermagem. Por volta dos anos 1980, pesquisadores de Enfermagem passaram, por meio das pesquisas de natureza qualitativa, a explorar novas possibilidades de produção do conhecimento para além das pesquisas quantitativas há muito empregadas nas Ciências da Saúde. Para isso, esses pesquisadores guiavam-se pela tradição metodológica formal proveniente das Ciências Sociais, como uma maneira de conferir maior credibilidade ao conhecimento produzido em seus estudos, em um meio totalmente orientado para o modelo biomédico.10

Por isso, grande parte das pesquisas qualitativas tradicionais em Saúde deriva, metodologicamente, das Ciências Sociais, especialmente dos métodos propostos pela Antropologia, Sociologia e Psicologia. O problema em adaptar métodos das Ciências Sociais para as pesquisas em Saúde é que, embora os estudiosos das Ciências Sociais possam pesquisar aspectos voltados a situações práticas, as origens e características dessas áreas de conhecimento estão solidamente direcionadas e fundamentadas mais para a compreensão de problemas de natureza mais teórica, do que aos problemas práticos. Assim sendo, quando métodos usados nas Ciências Sociais são aplicados às pesquisas em Saúde, o seu objetivo, portanto, não é o de resolver problemas do cotidiano de pessoas em seu processo saúde-doença, mas sim, responder a problemas de natureza mais elementar relacionados com a compreensão a respeito, por exemplo, de como os grupos sociais se comportam e o que constitui a natureza da experiência humana.2

Se por um lado as abordagens científicas quantitativas se mostraram insuficientes para responder a todas as questões teóricas e práticas da Enfermagem, por outro, as abordagens qualitativas derivadas de outras disciplinas nem sempre atenderam às demandas específicas dos pesquisadores de Enfermagem,3 podendo-se afirmar que, apesar do apelo inicial da metodologia qualitativa das Ciências Sociais e de sua adoção imediata como fundamento para as pesquisas qualitativas de Enfermagem, a ortodoxia das técnicas de investigação propostas por cientistas sociais, com o tempo, revelaram-se incongruentes com o pragmatismo, objetivo e características únicas da busca do conhecimento da Enfermagem.11

É tendo em vista esse cenário que o método da "Descrição Interpretativa" surgiu, partindo da necessidade de uma abordagem de pesquisa qualitativa capaz de gerar melhor entendimento de situações que ocorrem nos contextos em que a prática de saúde se desenvolve e, assim, respondendo às necessidades no âmbito da ciência de Enfermagem, possibilitando o desenvolvimento de conhecimentos para dar suporte à prática clínica. O método foi apresentado como uma forma de tentar responder questões complexas relacionadas ao processo saúde-doença que são relevantes tanto para Enfermagem como para outras disciplinas de Saúde, mas que não são prontamente respondidas por metodologias qualitativas tradicionais.2

Os estudos para o desenvolvimento deste método iniciaram-se no final da década de 1990, quando Sally Elizabeth Thorne e dois estudantes de pós-graduação publicaram um artigo intitulado "Interpretive Description: a noncategorical qualitative alternative for developing nursing knowledge",3 um manuscrito metodológico original para um público de estudiosos de Enfermagem sobre a necessidade de uma alternativa às abordagens qualitativas convencionais para pesquisa aplicada à Saúde. Posteriormente, Sally Thorne apresentou o método de uma maneira mais aprofundada e com maior detalhamento em um livro denominado "Interpretive Description - qualitative research for applied practice",2 já em sua segunda edição.2

A autora é professora e pesquisadora da University of British Columbia - Schoolof Nursing, em Vancouver, Canadá. Suas pesquisas têm sido direcionadas ao estudo das doenças crônicas, sobretudo, a questões relacionadas às experiências de pessoas com câncer.

Na compreensão da proponente do método, quando os componentes de um projeto de pesquisa qualitativa são direcionados pela epistemologia disciplinar de enfermagem, isto proporciona uma estrutura teórica altamente efetiva para projetar estudos clínicos aplicados, garantindo que o pesquisador irá seguir uma linha lógica de raciocínio fidedigna à natureza e estrutura do conhecimento da prática.2 Para Thorne,10 o papel do pesquisador na "Descrição Interpretativa" será sempre delineado pela necessidade de sua realidade para geração de novos conhecimentos, cabendo ao pesquisador combinar a compreensão daquilo que é conhecido com o desejo autêntico de novas possibilidades na estruturação do conhecimento, que podem alterar a forma como a situação analisada era interpretada.

A utilidade deste método tem sido reconhecida por estudiosos de diversas áreas da saúde, sendo possível verificar a aplicabilidade desse referencial em investigações, tanto na Enfermagem, quanto de outras disciplinas, conforme será detalhado nesse artigo. Como bem destaca Thorne,10 dentro do contexto da variação humana, esse método ajuda a orientar os enfermeiros, bem como outros profissionais da saúde, a contextualizar as doenças nos mundos experiencial, espiritual, sociocultural e geopolítico da vida humana.

Para seguir as etapas da "Descrição Interpretativa", faz-se necessário gerar perguntas no campo clínico para os quais o conhecimento disponível ainda não é suficiente, realizar uma revisão da literatura com a intenção de conhecer e tirar conclusões sobre o "estado da arte" em relação ao problema clínico e enquadrar um projeto de estudo utilizando estratégias para um estudo confiável para, então, entrar no campo, momento em que também já se inicia a análise. Essa análise realizada repetidamente, de acordo com Thorne10 permite que a mente do pesquisador pondere, desafie, avalie e fragmente pedaços de dados até que eles possam ser formados em partes que parecem informar algo, individual e coletivamente, do que não se sabia anteriormente sobre o fenômeno.

Este método oferece base para que se possa identificar padrões entre dados, ou "vínculos conceituais", quando se tenta localizar algo mais íntimo dentro de um contexto geral, ou mesmo a subjetividade da experiência do pesquisador dentro de uma realidade comumente já entendida.2

Esta abordagem de pesquisa propõe criar uma descrição rica e detalhada de algum fenômeno, descobrindo associações, relações e padrões que auxiliem o leitor a entender aspectos mais profundos, completos e ricos, para vinculá-los de modo que se produza uma melhor compreensão do fenômeno, desencadeando uma visão e uma ação relacionadas à prática.2

Ao aplicar o método, o pesquisador descreve um fenômeno colocando-o em seu contexto, com todas as suas nuances e influências, sem, entretanto, ter a intenção de fornecerem modelo explicativo para este. A confiabilidade global dos dados, dos estudos que utilizam esse método, é reforçada pela aplicação de múltiplas estratégias para abordar credibilidade, confiabilidade, e transferibilidade. Utilizando métodos comparativos constantes, pesquisadores e participantes "co-constroem" uma narrativa ordenada, coerente e persuasiva que pode subsidiar a prática clínica.

A "DESCRIÇÃO INTERPRETATIVA" E OS REFERENCIAIS DA ETNOGRAFIA, TEORIA FUNDAMENTADA NOS DADOS E FENOMENOLOGIA

A "Descrição Interpretativa" é um método que tem raízes na Fenomenologia, na Etnografia e na Teoria Fundamentada nos Dados.2 Desse modo, utiliza ferramentas metodológicas comuns a esses métodos. Entretanto, quando a "Descrição Interpretativa" usa essas ferramentas, tem a preocupação de que o uso delas não seja para teorizar demasiadamente os resultados, e sim oferecer soluções práticas para os problemas que as profissões de saúde apresentam.

Embora cada uma destas tradições disciplinares tenha um papel a desempenhar no espaço mais amplo de ideias, nenhuma dessas abordagens isoladamente é compatível com as exigências pragmáticas das disciplinas aplicadas, pois permanecem solidamente fundamentadas em problemas teóricos e empíricos, em vez de práticos.2

Desse modo, a "Descrição Interpretativa" é direcionada às pesquisas em Ciências Aplicadas - particularmente à Enfermagem - ao mesmo tempo em que busca distanciar-se das Ciências Sociais, assumindo que o método usado nessas Ciências não produziria resultados aplicáveis à prática clínica. Na percepção da autora isso se justifica tendo em vista que os enfermeiros reúnem grandes quantidades de conhecimento prático que são testados e validados na experiência diária do paciente, o que os diferenciaria dos pesquisadores sociais, os quais tendem a ver os problemas práticos como uma ocasião adicional para teorizar; e os profissionais de saúde, especificamente os enfermeiros, usam a teoria como uma forma de oferecer respostas para solucionar problemas do mundo real.

De fato, alguns objetivos que são centrais para determinado método das Ciências Sociais nem sempre são metas a serem buscadas pelos enfermeiros na produção do conhecimento que subsidie a sua atuação. Para tornar clara esta afirmação, pode-se citar a Etnografia, que possui uma forma de extrair informações por meio de entrevistas e observação, e que poderia ser considerada de interesse para pesquisadores da Enfermagem. Entretanto, a meta da Etnografia de interpretar de forma ampla o contexto cultural de determinada realidade, não necessariamente, seria de interesse para enfermeiros que buscam respostas a questões de pesquisa de natureza prática.11

A autora acrescenta que, apesar de já existir uma gama variada de métodos provenientes das Ciências Sociais e que podem ser utilizados por pesquisadores de Enfermagem, quando esses métodos são usados de forma não crítica e apenas para respeitar fidedignamente os pressupostos metodológicos da técnica ou abordagem adotada, podem ser produzidos resultados menos úteis às necessidades da área de Enfermagem. Assim, a "Descrição Interpretativa" pode ser uma opção no sentido de ir além da inflexibilidade e direcionamento teórico encontrados em alguns métodos de pesquisas tradicionais das Ciências Sociais.11

APLICAÇÃO DO MÉTODO NAS PESQUISAS DA ENFERMAGEM E DE DISCIPLINAS DA SAÚDE

Com vistas ao entendimento de como os pressupostos e as etapas da "Descrição Interpretativa" têm sido aplicados, são apresentados a seguir alguns estudos que a utilizaram como guia metodológico, destacando-se aspectos tais como o contexto em que tais estudos aplicaram o método e questões metodológicas de natureza prática, como tamanho da amostra, forma de seleção dos participantes, instrumentos e técnicas usados para coletar dados e a forma como os estudos reportam o processo de análise dos dados. Ao exemplificar o uso do método com os artigos a seguir, busca-se oferecer subsídios para auxiliar, de forma prática, pesquisadores que tenham a intenção de aplicar essa abordagem metodológica para o desenvolvimento de suas pesquisas.

Em artigos que utilizaram esse referencial metodológico, pode-se perceber que essa abordagem pode ser aplicada a várias áreas pertencentes às Ciências da Saúde. Dentre os trabalhos selecionados para evidenciar a aplicação da "Descrição Interpretativa", faz-se aqui alusão a estudos na área da Enfermagem e a pesquisas nos campos de saberes da Saúde, as quais se apresentam como outras possíveis áreas de aplicação dessa abordagem.

Dos estudos que usaram o método na área da Enfermagem, reportam-se aqui pesquisas que se voltaram ao estudo das percepções e vivência de pacientes, familiares e profissionais de saúde nos mais diversos contextos, tais como estudos direcionados à análise da experiência dos pais de crianças com asma;7 dos cuidadores dos doentes migrantes;4 dos traumas parentais associados ao nascimento prematuro;5 da menopausa prematura induzida por quimioterapia;12 da comunicação na tomada de decisão compartilhada nos paciente com câncer;13 dos enfermeiros de saúde pública nas visitas a domicílio com mães jovens vulneráveis;14 e das necessidades de comunicação em toda a trajetória do câncer a partir da perspectiva dos próprios pacientes.15

Sobre as pesquisas usando o método e que eram voltadas a outras áreas da saúde, também se percebe que os temas de pesquisa investigados envolvem uma gama diversificada de tópicos, tais como: os relacionados às preferências dos pacientes quanto aos comportamentos dos médicos durante a comunicação de fim de vida;6 às crenças, experiências e atitudes relacionadas à prática baseada em evidências na educação em fisioterapia clínica;16 às experiências de jovens adolescentes em relação à prática de atividades física;8 bem como alguns estudos que exploraram e compreenderam as experiências de pessoas com doenças mentais e vícios em farmácias comunitárias;9 e as perspectivas de fisioterapeutas sobre a preparação para o trabalho na prática privada.17

Outro aspecto a ser destacado aqui em relação à aplicação prática da "Descrição Interpretativa", diz respeito ao número e formas de seleção de participantes em pesquisas que usam esse referencial. A esse respeito, Thorne2 considera que a amostra pode ser de variados tamanhos, embora a grande maioria dos estudos dentro desta abordagem seja susceptível à formação de grupos amostrais relativamente pequenos (entre cinco e 30 participantes). É por intermédio do envolvimento aprofundado com um pequeno número de indivíduos familiarizados com o pesquisador e dispostos a compartilhar suas experiências, que, segundo a autora, seja possível produzir algo digno de documentar.

O tamanho adequado da amostra para pesquisas desenvolvidas nessa abordagem metodológica deve ser definido em alinhamento com a natureza do fenômeno em estudo, da mesma forma que dependerá da interpretação do estado da ciência relacionada com a circunstância clínica estudada e do nível esperado de desenvolvimento teórico que o estudo pretende alcançar. Para isso, o pesquisador deve entender o que é conhecido, realizando uma relação entre o tamanho da amostra e os tipos de interpretações que podem ser feitas com base nisso.10

Nos estudos que aqui exemplificam o uso desse método, as amostras variaram entre seis a 32 participantes. Entretanto, também é possível, a depender das características específicas da pesquisa, ter um tamanho amostral bem maior, tal como ocorre em um estudo desenvolvido por Thorne e colaboradores,13 que apresentou uma amostra composta por 60 participantes. Nesse estudo, os pesquisadores apresentam resultados de uma coorte em que foram analisadas as modificações das necessidades e das percepções de pacientes com câncer, em relação à comunicação, ao longo de diversas fases da trajetória da doença.

Na definição do percurso metodológico de qualquer investigação existe, além da preocupação com o tamanho da amostra, a atenção por parte dos pesquisadores em definir a maneira como os participantes do estudo serão selecionados. No que se refere a esse ponto, a "Descrição Interpretativa" não estabelece uma única forma e nem procedimentos rígidos para a obtenção do grupo amostral de uma pesquisa. Como afirma Thorne,2 a noção de representação e a compreensão sobre como trabalhar o tamanho da amostra e decidir sobre os procedimentos de amostragem são partes inerentes de todos os planos de investigação e indica que, à semelhança de outros métodos de pesquisa qualitativa, ao usar a "Descrição Interpretativa" as técnicas de amostragem usuais são a amostragem por conveniência, por saturação teórica e a intencional, destacando que, independente da técnica de usada, o importante é que o pesquisador mantenha uma integridade de interpretação de acordo com os limites e as possibilidades que a amostra selecionada e a natureza da técnica de amostragem, de fato, permitam.18

A liberdade de usar técnicas diferentes de recrutamento de participantes é bem evidente quando analisamos alguns estudos que aplicaram a "Descrição Interpretativa" como guia metodológico. Em algumas dessas pesquisas, os pesquisadores optaram pelo uso da amostragem intencional para seleção da amostra.5,7,16 Nessa estratégia, o pesquisador busca identificar, com antecedência, os principais agrupamentos ou condições dos indivíduos que possam contribuir de forma significativa para os objetivos do estudo.2

Em outras pesquisas6,17 há referência à utilização da amostragem por saturação teórica, a qual Thorne2,3 se reporta como sendo uma forma de seleção da amostra que ocorre de forma contínua, com o refinamento das variáveis demográficas ou do fenômeno, na tentativa de encontrar a variação máxima de informações sobre o mesmo, adicionando variáveis que não apareceriam antes de entrar no estudo. Mesmo apontando a saturação teórica como uma técnica de amostragem que pode ser empregada, a autora2 alerta para os desafios inerentes ao seu uso, sobretudo quando se considera que os pacientes podem apresentar uma variação infinita nas suas experiências em relação aos cuidados de saúde, reconhecendo que "outliers" - ou seja, aqueles indivíduos com características bastante diferenciadas dos demais de um grupo - poderão existir.

Ainda em relação à forma de seleção da amostra e para exemplificar o uso da amostragem por conveniência, pode-se citar o estudo de Murphy9 que utilizou essa técnica para o recrutamento de pessoas com experiência de doenças mentais e vícios. Quanto ao uso desse tipo de amostragem, apesar de constar no rol das técnicas apontadas por Thorne,2 as amostras por conveniência podem criar uma forte base para a "descrição". No entanto, este tipo de amostragem tende a criar, proporcionalmente, maiores desafios para justificar a interpretação.

No que se refere ao processo de coleta de dados, ao adotar a "Descrição Interpretativa" como referencial metodológico, o pesquisador pode usar abordagens múltiplas e diversas de obtenção de dados, destacando-se a entrevista individual, considerada na "Descrição Interpretativa" - e reiterando outros métodos já consagrados - como um pilar na pesquisa qualitativa em geral, e especificamente, em Enfermagem, por conter grande quantidade de informações contextuais e fundo de significância para o participante do estudo, os quais, a princípio, podem não ser totalmente relevantes para as finalidades do estudo, mas que, ao longo do processo analítico, podem se apresentar como fundamentais para uma interpretação mais densa e expressiva.17 Dependendo da forma como a entrevista é construída, essa técnica de coleta de dados poderá ser usada tanto em estudos transversais, quanto em estudos longitudinais.10,18

Nos artigos em que se aplica o método, é notória a importância que a entrevista possui no processo de obtenção dos dados, com os devidos ajustes ao objeto investigado e às características dos participantes das pesquisas. Na aplicação da entrevista, por exemplo, o tempo médio de duração variou de 20 minutos a duas horas e meia e pôde-se observar que os pesquisadores utilizaram essa técnica de coleta de dados de diferentes formas, como nos estudos de Abdul-Razzak et al.,6 e o de Kalengayi et al.,4 cujas entrevistas constaram de apenas uma pergunta aberta, solicitando aos participantes que compartilhassem quaisquer experiências relevantes associadas ao tema investigado para, então, ao longo do processo, o guia de entrevista ser refinado com base em questões e observações emergentes. Ou ainda, o roteiro de entrevista semiestruturada, do estudo de Archibald et al.,7 que foi elaborado com base em uma revisão da literatura e projetado para a captura de dados que se adequassem ao alcance dos objetivos.

A forma de aplicação da entrevista também é muito variável, embora se perceba uma tendência dos pesquisadores em realizá-la apenas em um único momento, ainda que esta não seja uma regra imposta pela "Descrição Interpretativa". Como exemplo, pode-se mencionar o estudo de Clark et al.,8 em que os dados foram coletados em dois momentos, sendo a entrevista inicial mais exploratória e a segunda entrevista guiada pelos insights, conceitos e temas que surgiram no primeiro conjunto; e o estudo de Thorne et al.,13 em que, após a entrevista inicial, que foi levemente orientada de acordo com um conjunto de questões preliminares para estabelecer uma base comum, o processo de entrevistas continuou com periodicidade bimensal, pessoalmente ou por telefone.

Para potencializar as informações proporcionadas pela entrevista e auxiliar o processo analítico, Thorne2 destaca a importância de, junto aos participantes, fornecer e obter feedback em relação às informações coletadas, visto que proporcionará mais uma oportunidade para que os participantes ajudem a "co-criar" as conclusões do estudo. É o que se observa, por exemplo, no estudo de Clark et al.,8 em que, no segundo momento de entrevistas, o investigador principal compartilhou alguns dos primeiros resultados a fim de obter feedback para avançar e refinar a análise. Já no estudo de Brisbois,12 após a revisão final do tema, três participantes receberam um resumo dos resultados por e-mail, para o feedback. E, ainda, o estudo de Atkinson e McElroy17 em que os participantes tiveram a oportunidade de modificar suas transcrições para promover a confiabilidade dos dados e incentivar a reflexão e perspicácia adicional após a entrevista.

Além da entrevista, poderão ser utilizadas outras formas de obtenção dos dados, como a coleta de dados em grupos focais, a observação participante e a análise documental. O importante é que o pesquisador realize combinações de abordagens apropriadas, a fim de alcançar uma melhor compreensão, sem depender dos limites inerentes a qualquer abordagem singular. O pesquisador também poderá usar fontes de dados alternativas (registros de pacientes, depoimentos publicados, dentre outros) que podem ter um enorme valor para o material primário, não devendo ser negligenciado.10,18

Em relação aos grupos focais, Thorne2 destaca que podem ser uma boa estratégia, os quais propiciam descobrir ou criar perspectivas compartilhadas, como uma poderosa ferramenta para a opinião pública ou de construção de consciência social, em vez da atenção somente às diferenças individuais. Alguns artigos que usaram a abordagem metodológica proposta por Thorne reportam uso de grupos focais,9,14 tais como o estudo de Dmytryshyn et al.,14 que utilizou grupos focais na primeira etapa da coleta de dados, como forma de direcionar os aspectos a serem aprofundados na fase de entrevistas.

Quanto à observação participante - a qual representa a oportunidade de entrar no campo, observar e participar em muitos encontros no ambiente de pesquisa, realizando uma série de observações-chave - a autora ressalta que uma vantagem significativa desta técnica é que ela permite ao pesquisador operar a partir de um ponto de vista que não é excessivamente influenciado pela subjetividade. Assim, a tarefa do observador participante é sistematicamente garantir que a "lente" através da qual o pesquisador está operando seja aberta, transparente e clara, bem como a qualidade de seu produto de investigação dependerá inteiramente de quão convincente o pesquisador conseguirá expor.2

Dentro do contexto de artigos que reportam o uso da "Descrição Interpretativa", o estudo de Kalengayi et al.,4 refere ter coletado dados por meio de observação participante de forma associada à entrevista.

Outro ponto a destacar em relação à coleta de dados é que vários pesquisadores recorrem a técnicas específicas, como a triangulação de fontes de dados, para aumentar a credibilidade dentro de um estudo de "Descrição Interpretativa",2 tal como ocorre no estudos de Olsen et al.,16 que, em contraste com as entrevistas individuais - em que foram analisadas ​​os aspectos únicos da experiência de cada participante em profundidade e em contexto -, a sessão de grupo focal criou um mecanismo pelo qual padrões analíticos e conclusões pudessem ser geradas a partir dos dados sintetizados para serem validados, esclarecidos ou refinados através da discussão em grupo.

Ainda em relação à coleta, Thorne2 orienta o registro, em um "caderno em branco", do contexto de todos os episódios de coleta de dados, vinculando esses contextos aos fenômenos em estudo. Isso permite ao pesquisador fazer questionamentos entre os casos, anotando padrões emergentes que se deseja acompanhar, o que desperta a reflexão crítica do pesquisador, disciplinando o desafio interpretativo contínuo. Referidas notas de campo independem das técnicas de coleta ou instrumentos utilizados e podem auxiliar o pesquisador à medida em que ele coleta os dados e, mais tarde, ajudando-o a contextualizar esses dados no processo de análise.

Em estudos usando a "Descrição Interpretativa",4,6-9,14,17 os pesquisadores mencionaram ter usado notas de campo para capturar as observações feitas durante as entrevistas e os contextos nos quais elas ocorreram, como reações e linguagem não-verbal e anotações de temas emergentes, funcionando também como um diário reflexivo para capturar mudanças de ideias ou respostas pessoais para a pesquisa em andamento.

Sobre o processo analítico, a abordagem metodológica proposta por Thorne2,18 pode-se dizer que é caracterizado por um ágil e contínuo relacionamento entre a coleta de dados e a análise, com cada uma iterativamente subsidiando a outra. As entrevistas são gravadas e transcritas literalmente; e as notas de campo, realizadas para capturar as observações feitas durante as entrevistas, servem de apoio para contextualizar os dados durante a análise, ajudando a manter a integridade das histórias dos participantes e a coerência ao longo do processo comparativo.2

Nos estágios iniciais da análise, o pesquisador é encorajado a se concentrar em apreender questões amplas do quadro geral, ou seja, apreender o que está sendo desenvolvido dentro do contexto dos dados, ao invés de analisar somente sobre as minúcias dos dados, o que pode tornar o estudo limitado.2,3 Nessa etapa, é importante se concentrar em perguntas como "O que está acontecendo aqui?" e "O que estamos aprendendo sobre isso?", em um esforço para passar do particular para o todo.5 Thorne2 ressalta que perguntas como estas irão estimular quadros analíticos mais coerentes para a "Descrição Interpretativa", combinando grandes quantidades de pequenas unidades de dados. Isto irá permitir um melhor relacionamento de cada caso a partir do qual temas relevantes irão surgindo ao longo da análise dos dados, articulando uma compreensão holística sobre o fenômeno em estudo.

Para aumentar a validade dos resultados, todos os dados transcritos devem ser lidos detalhadamente várias vezes, para desenvolver um sentido do todo para além da impressão imediata do que eles contêm. Assim, é possível obter uma visão abrangente dos dados para considerar semelhanças e diferenças em relação a uma ampla gama de dimensões entre as diferentes entrevistas.2 Olsen et al.16 corroboram com a autora quando destacam que através desse exercício é possível ir comparando e contrastando tanto dentro como entre as entrevistas, possibilitando gerar padrões e temas dentro do conjunto de dados. Com base nessa atividade, pode-se avaliar a necessidade em modificar o guia de entrevista para o próximo encontro, dado que os pressupostos analíticos iniciais são buscados na coleta de dados em andamento.

Neste sentido, o processo de análise torna-se desafiador, devendo o pesquisador imergir nos dados na medida em que há uma necessidade estratégica de comparações e combinações objetivas e subjetivas entre as informações, para conhecê-las e apreende-las de forma satisfatória, a fim de propor diversas formas de ordená-las e organizá-las. Ao seguir esses passos, é possível garantir que o resultado final aponte a melhor representação possível do fenômeno em questão.18

Várias ferramentas e técnicas podem ser úteis para facilitar o trabalho com os dados. A codificação pode apoiar esse processo, mas nunca deve dominá-lo. O pesquisador deve ter a capacidade contínua para interrogar os dados com níveis crescentes de compreensão e questionamento, por isso, a codificação antecipada pode impedir esse processo.10 Como exemplos, pode-se citar os estudos de Lasiuk et al.,5 e Olsen et al.,16 os quais, após a identificação dos temas, realizaram a codificação aberta, em que cada segmento significativo do texto recebeu um código conceitual para classificar e organizar a informação em uma forma gerenciável. Registre-se, no entanto, que esses temas são provisórios e os pesquisadores estão abertos a modificá-los ou excluí-los à medida que o processo é desenvolvido, ao contrário das categorias de codificação usadas, por exemplo, na Análise Conteúdo Quantitativa.

À medida que os códigos se tornam saturados, passa-se para a codificação de padrões, momento em que os códigos são refinados e as dimensões específicas das experiências serão agrupadas em temas recorrentes.5 Por meio disto, Thorne2 ressalta que é possível criar uma descrição rica e detalhada de algum fenômeno, de uma maneira que ajude o leitor a entender aspectos mais profundos, completos e ricos.

Como último aspecto a ser abordado em relação à análise, destaca-se que, segundo Thorne,2 nesse procedimento o pesquisador pode lançar mão de ferramentas como softwares que podem ser de grande ajuda no processo de gerenciamento de dados, e que são altamente favoráveis à organização e classificação, por remover o trabalho de organização manual convencional. Alguns dos estudos utilizaram um sistema de gerenciamento de software qualitativo (NVivo) que suporta a classificação e apresentação de dados para análise.7,9,13,14,16,17,19 No entanto, Thorne2 destaca que esses programas não conduzem a análise indutiva e, assim, aqueles que não têm experiência com o seu uso, devem usar esses recursos com cautela.

Considerando os aspectos discutidos nesse tópico, com exemplos que ilustram como o método da "Descrição interpretativa" vem sendo aplicado na prática, é possível constatar que este vem sendo aceito no meio acadêmico como recurso metodológico para orientar as pesquisas. Acredita-se que esse fato possa ser atribuído ao caráter prático e claro como o método é apresentado e em razão de não se constituir uma abordagem metodológica com etapas demasiadamente rígidas, tendo em vista que, em todos os textos onde o método é apresentado, é muito clara a opção da autora em propor uma abordagem de pesquisa que, embora prime pela qualidade, esteja voltada ao mundo real das pesquisas em áreas do conhecimento aplicadas.

CONCLUSÕES

Tendo em vista os aspectos aqui abordados, pode-se concluir que a "Descrição Interpretativa" vem cumprindo seu objetivo de fornecer uma opção metodológica que possa melhor representar os interesses de pesquisadores em Ciências Aplicadas, tal como a Enfermagem. Prova disso, é a receptividade por parte de pesquisadores que adotaram o método como guia para o desenvolvimento de suas pesquisas.

Considera-se que os passos metodológicos propostos por Thorne - aqui descritos resumidamente - são exequíveis e operacionalizáveis, podendo-se advogar pela sua utilidade e significância como recurso para produção das pesquisas não apenas na área da Enfermagem, mas nas pesquisas em Saúde em âmbito geral.

Apesar do entusiasmo ao descrever esta abordagem metodológica, nunca é demais lembrar que qualquer método de pesquisa representa apenas o meio pelo qual os pesquisadores irão produzir soluções para problemas do seu cotidiano, método este que não será capaz de atingir todo seu potencial sem que os pesquisadores saibam fazer boas perguntas de pesquisa, tenham um olhar crítico acerca da realidade que os cerca e possuam a capacidade de entender e extrair de forma aprofundada as informações que o método lhes possibilita obter.

REFERÊNCIAS

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