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Dessincronia Intra-atrial à Ressonância Magnética Cardíaca para Quantificação da Remodelação Tecidual em Pacientes com Fibrilação Atrial

Dessincronia Intra-atrial à Ressonância Magnética Cardíaca para Quantificação da Remodelação Tecidual em Pacientes com Fibrilação Atrial

Autores:

Luisa Allen Ciuffo,
João Lima,
Henrique Doria de Vasconcellos,
Muhammad Balouch,
Susumu Tao,
Saman Nazarian,
David D. Spragg,
Joseph E. Marine,
Ronald D. Berger,
Hugh Calkins,
Hiroshi Ashikaga

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.112 no.4 São Paulo abr. 2019 Epub 15-Abr-2019

https://doi.org/10.5935/abc.20190064

Resumo

Fundamento:

Estudos recentes sugerem que o realce tardio com gadolínio (RTG) no átrio esquerdo (AE) pode quantificar a remodelação tecidual subjacente que abriga a fibrilação atrial (FA). No entanto, a quantificação do RTG-AE requer um trabalho intenso de aquisição por ressonância magnética e pós-processamento em centros experientes. A avaliação da dessincronia intra-atrial no AE é uma técnica de imagem emergente que prediz a recorrência da FA após ablação por cateter. Nós levantamos as hipóteses de que 1) a dessincronia intra-atrial está associada ao RTG-AE em pacientes com FA e 2) a dessincronia intra-atrial é maior em pacientes com FA persistente do que naqueles com FA paroxística.

Método:

Realizamos um estudo transversal comparando a dessincronia intra-atrial no AE e o RTG-AE em 146 pacientes com história de FA (60,0 ± 10,0 anos, 30,1% com FA não paroxística) submetidos à ressonância magnética cardíaca (RMC) durante ritmo sinusal antes da ablação da FA. Com utilização de RMC com tissue tracking, medimos o strain longitudinal do AE em cortes de duas e quatro câmaras. Definimos a dessincronia intra-atrial como o desvio padrão (DP) do tempo até o pico do strain longitudinal (DP-TPS, em %) e o DP do tempo até o pico do strain antes da contração atrial corrigido pela duração do ciclo (DP-TPSpreA, em %). Utilizamos a razão da intensidade da imagem (RIM) para quantificar o RTG-AE.

Resultados:

A análise da dessincronia intra-atrial levou 9 ± 5 minutos por caso. A análise multivariada mostrou que a dessincronia intra-atrial no AE esteve independentemente associada ao RTG-AE. Além disso, a dessincronia intra-atrial no AE foi significativamente maior em pacientes com FA persistente do que naqueles com FA paroxística. Por outro lado, não houve diferença significativa no RTG-AE entre pacientes com FA persistente e paroxística. A dessincronia intra-atrial no AE mostrou excelente reprodutibilidade e sua análise foi menos demorada (5 ± 9 minutos) do que o RTG-AE (60 ± 20 minutos).

Conclusão:

A dessincronia intra-atrial no AE é um índice rápido, reprodutível e independentemente associado ao RTG-AE para indicar remodelação tecidual subjacente. (Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):441-450)

Palavras-chave Átrios do Coração; Fibrilação Atrial; Diagnóstico por Imagem; Ecocardiografia/métodos; Espectroscopia de Ressonância Magnética

Abstract

Background:

Recent studies suggest that left atrial (LA) late gadolinium enhancement (LGE) can quantify the underlying tissue remodeling that harbors atrial fibrillation (AF). However, quantification of LA-LGE requires labor-intensive magnetic resonance imaging acquisition and postprocessing at experienced centers. LA intra-atrial dyssynchrony assessment is an emerging imaging technique that predicts AF recurrence after catheter ablation. We hypothesized that 1) LA intra-atrial dyssynchrony is associated with LA-LGE in patients with AF and 2) LA intra-atrial dyssynchrony is greater in patients with persistent AF than in those with paroxysmal AF.

Method:

We conducted a cross-sectional study comparing LA intra-atrial dyssynchrony and LA-LGE in 146 patients with a history of AF (60.0 ± 10.0 years, 30.1% nonparoxysmal AF) who underwent pre-AF ablation cardiac magnetic resonance (CMR) in sinus rhythm. Using tissue-tracking CMR, we measured the LA longitudinal strain in two- and four-chamber views. We defined intra-atrial dyssynchrony as the standard deviation (SD) of the time to peak longitudinal strain (SD-TPS, in %) and the SD of the time to the peak pre-atrial contraction strain corrected by the cycle length (SD-TPSpreA, in %). We used the image intensity ratio (IIR) to quantify LA-LGE.

Results:

Intra-atrial dyssynchrony analysis took 5 ± 9 minutes per case. Multivariable analysis showed that LA intra-atrial dyssynchrony was independently associated with LA-LGE. In addition, LA intra-atrial dyssynchrony was significantly greater in patients with persistent AF than those with paroxysmal AF. In contrast, there was no significant difference in LA-LGE between patients with persistent and paroxysmal AF. LA intra-atrial dyssynchrony showed excellent reproducibility and its analysis was less time-consuming (5 ± 9 minutes) than the LA-LGE (60 ± 20 minutes).

Conclusion:

LA Intra-atrial dyssynchrony is a quick and reproducible index that is independently associated with LA-LGE to reflect the underlying tissue remodeling.

Keywords Heart Atria; Atrial Fibrillation; Diagnostic Imaging; Echocardiography/methods; Magnetic Resonance Spectroscopy

Introdução

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia mais prevalente1 e um fator preditor independente de acidente vascular cerebral2 e demência.3 O tratamento de base para a FA refratária a medicamentos é a terapia invasiva de ablação por cateter com isolamento das veias pulmonares (IVP), mas a taxa de recorrência após IVP é relativamente alta.4 A avaliação pré-procedimento do realce tardio com gadolínio (RTG) no átrio esquerdo (AE) é um preditor de recorrência de FA após IVP.5,6 O RTG-AE pode ser considerado um indicador de remodelação tecidual subjacente, representada pela substituição fibrótica que promove a FA. Embora o RTG-AE tenha potencial para melhorar os desfechos clínicos do IVP ao refinar a seleção de pacientes, sua principal limitação é a exigência de trabalhosa aquisição por ressonância magnética (RM) e pós-processamento, que nem sempre são compatíveis com o fluxo de trabalho clínico. Além disso, o RTG-AE requer administração de contraste endovenoso, o que é contraindicado em subgrupos de candidatos ao IVP, como indivíduos com insuficiência renal ou reações alérgicas a contrastes à base de gadolínio. Com isto, o RTG-AE não faz parte da prática clínica padrão, exceto em centros experientes.7

Nós demonstramos recentemente que a avaliação pré-procedimento da dessincronia intra-atrial no AE prediz recorrência de FA após IVP,8 A avaliação utiliza a tecnologia de tissue tracking que pode ser aplicada a qualquer cinerressonância rotineira e que não requer administração endovenosa de contraste.9 É simples e rápida, baseada apenas em dois cortes de eixo longo (duas e quatro câmaras) de cinerressonância de rotina. Como a estrutura e a função do AE refletem a fibrose tecidual subjacente,10 é possível que a dessincronia intra-atrial no AE sirva como um substituto para o RTG-AE.

Neste estudo, nós levantamos a hipótese de que a dessincronia intra-atrial no AE está associada ao RTG-AE em pacientes com FA. Além disso, supomos que a dessincronia intra-atrial no AE é maior em pacientes com FA persistente do que naqueles com FA paroxística. Para testar estas hipóteses, realizamos um estudo transversal para avaliar a dessincronia intra-atrial no AE e o RTG-AE em pacientes com FA paroxística ou persistente. Também quantificamos o tempo necessário para o pós-processamento e a reprodutibilidade interleitor e intraleitor da dessincronia intra-atrial no AE.

Métodos

População do estudo

Foram incluídos 146 pacientes consecutivos com FA sintomática e refratária a medicamentos, encaminhados para ablação por cateter no Johns Hopkins Hospital entre junho de 2010 e dezembro de 2015 e submetidos a RM cardíaca (RMC) antes do procedimento. Pacientes com prévia ablação de FA ou procedimento cirúrgico no AE foram excluídos. Com base nas diretrizes mais recentes da Heart Rhythm Society, a FA paroxística foi definida como FA com reversão espontânea ou por intervenção dentro de 7 dias do seu início. A FA persistente foi definida como FA contínua, sustentada além de 7 dias.7 Pacientes em FA no momento da RMC também foram excluídos. O protocolo foi aprovado pelo Conselho de Revisão Institucional do Johns Hopkins Hospital, e todos os pacientes forneceram consentimento informado por escrito.

Protocolo de RMC

A RMC foi realizada com um aparelho de 1,5 Tesla (Avanto; Siemens Medical Systems, Erlangen, Alemanha), uma bobina de corpo do tipo arranjo de fase (phased array) de 6 canais em combinação com uma bobina de coluna de 6 canais. As imagens de cine-RMC foram adquiridas em sincronia com o ECG (gated) no eixo longo de duas e quatro câmaras por sequência true fast imaging with steady-state precession (TrueFISP) com os seguintes parâmetros: TE/TR 3,0/1,5 ms; ângulo de inclinação 78º; dimensão do pixel no plano de 1,5 × 1,5 mm2; espessura do corte 8 mm; intervalo entre cortes 2 mm; 30 imagens por intervalo R-R no ECG com uma resolução temporal de 20-40 ms. Os pacientes também foram submetidos ao RTG com navegador respiratório e em sincronia com o ECG (gated) para quantificação da fibrose no AE (Figura 3). As imagens de RTG foram adquiridas dentro de 15-25 minutos após a injeção de gadopentetato de dimeglumina (0,2 mmol/kg; Bayer Healthcare Pharmaceuticals, Montville, NJ, EUA) com utilização de uma sequência 3D do tipo fast spoiled gradient-recalled echo com saturação de gordura e inversão-recuperação com os seguintes parâmetros: TE/TR 1,52/3,8 ms; ângulo de inclinação 10º; dimensão do pixel no plano de 1,3 × 1,3 mm2; espessura do corte 2,0 mm. O tempo de disparo para as imagens tridimensionais (3D) do RTG foi otimizado para a aquisição de dados de imagem durante a diástole do AE, conforme determinado pelas imagens de cine-RMC. O tempo de inversão ideal foi determinado por uma sequência scout para o tempo de inversão (mediana 270 ms, intervalo 240-290 ms) para maximizar a anulação do miocárdio no AE. A razão da intensidade de imagem (RIM),11 foi medida para quantificar o RTG-AE com utilização do QMass MR (versão 7.2; Medis Medical Imaging Systems bv, Leiden, Holanda) em imagens axiais de dados de imagem axial 3D. Resumidamente, a RIM é uma intensidade de sinal do RTG-AE normalizada pela média da intensidade do sinal do pool de sangue do AE. O limiar da RIM de 1,22, que corresponde à voltagem bipolar de 0,3 mV no eletrograma intracardíaco, foi utilizado para definir a fibrose miocárdica.12,13 As imagens de RMC obtidas antes do procedimento foram adquiridas dentro de um intervalo de 15 a 25 minutos (média 18,8 ± 2,4 minutos).

Análise da ressonância magnética

Dessincronia intra-atrial no átrio esquerdo

O programa Multimodality Tissue Tracking (MTT, versão 6.1, Toshiba, Japão) foi utilizado para quantificar no AE o strain longitudinal e os strain rates em cortes de duas e quatro câmaras. A acurácia e a reprodutibilidade do MTT foram validadas anteriormente.9,14 Resumidamente, um operador experiente, cegado para o tipo de FA, definiu as bordas endocárdica e epicárdica do AE ao final da diástole do AE (Figura 1). A confluência das veias pulmonares e o apêndice atrial esquerdo foram excluídos conforme apropriado. O programa propaga automaticamente as bordas endocárdicas/epicárdicas durante todo o ciclo cardíaco através de um algoritmo de correspondência de modelos.14 Por último, o operador verificava a qualidade do tracking gerado pelo MTT. O programa divide automaticamente o AE em seis segmentos de comprimento igual em cada um dos cortes de duas e quatro câmaras, resultando em um total de 12 segmentos (Figura 1). O strain longitudinal e o strain rate foram calculados dentro de cada um dos 12 segmentos (Figura 2). Com base nestas curvas, definimos cinco índices de dessincronia intra-atrial no AE, da seguinte forma:15,16

Figura 1 Quantificação da função regional atrial esquerda com cinerressonância magnética cardíaca. As imagens mostram um total de 12 segmentos codificados por cores no átrio esquerdo. A: corte de duas câmaras com seis segmentos de comprimento igual; B: corte de quatro câmaras com seis segmentos de comprimento igual. 

Figura 2 Curvas de strain de todos os 12 segmentos. Pontos verdes, desvio padrão do tempo até o pico do strain longitudinal (DP-TPS) de cada segmento; pontos azuis, desvio padrão do tempo até o pico do strain antes da contração atrial (DP-TPSpreA) de cada segmento. 

Figura 3 Ressonância magnética cardíaca (RMC) com realce tardio com gadolínio no átrio esquerdo (AE). A - B: corte anterior “em concha” do AE com áreas de realce (vermelho). C - D: corte posterior “em concha” do AE com áreas de realce (vermelho). E - F: quantificação do realce no AE pela RMC com utilização da razão da intensidade da imagem (RIM). Lado esquerdo (A, C e E), indivíduo com baixo realce - lado direito (B, D e F), indivíduo com alto realce. 

  • DP-tempo até o pico do strain (DP-TPS): desvio padrão do tempo até o pico do strain longitudinal em 12 segmentos. Este índice quantifica a dessincronia intra-atrial da função de reservatório do AE.

  • DP-tempo até o pico do strain antes da contração atrial (DP-TPSpreA): Desvio padrão do tempo até o pico do strain antes da contração atrial nos 12 segmentos. Este índice quantifica a dessincronia intra-atrial do reservatório e da função de condução do AE.

Um valor mais alto de cada índice reflete um grau maior de dessincronia intra-atrial. Também apresentamos os valores da dessincronia do AE em porcentagem (DP, %) do intervalo R-R'. Uma avaliação semelhante da dessincronia no AE foi publicada e validada anteriormente com utilização da ecocardiografia 3D versus a ecocardiografia bidimensional (2D) padrão em uma população de indivíduos com FA paroxística e FA persistente em relação a indivíduos saudáveis.17,18 De um total de 1.752 segmentos, 34 (1,94%) foram excluídos da análise por não terem apresentado picos bem definidos nas curvas de strain/strain rate. Ao todo, 22 indivíduos apresentavam ao menos um segmento não analisável, dos quais 15 estavam no grupo com FA persistente e 7 no grupo com FA paroxística (p = 0,02).

Função do AE

A análise funcional do AE foi descrita anteriormente.16 O strain longitudinal do AE e o strain rate foram calculados pela média dos valores do strain em todos os 12 segmentos obtidos nos cortes de eixo longo de duas e quatro câmaras. Valores positivos e negativos de strain indicam alongamento e encurtamento, respectivamente, em relação à configuração de referência ao final da diástole ventricular, definida como o pico da onda R no ECG de superfície. O strain longitudinal máximo do AE (Smax) e o strain de contração pré-atrial (SpreA) foram identificados a partir da curva de strain (Figura 2); os strain rates na sístole do ventrículo esquerdo (VE; SRs), início da diástole do VE (SRe) e na contração do AE (SRa) foram obtidos a partir da curva de strain rate. A curva de volume do AE foi gerada pelo método biplano de Simpson modificado, que foi validado pelo método de área-comprimento19-21 e o volume máximo do AE (Vmax), volume pré-contração do AE (VpreA) e o volume mínimo do AE (Vmin) foram extraídos. Todos os volumes do AE foram normalizados pela área de superfície corporal com base na fórmula de Haycock.22 As frações de esvaziamento (FE) do AE foram calculadas da seguinte forma: FE total do AE = (Vmax - Vmin) × 100% / Vmax; FE passiva do AE = (Vmax - VpreA) × 100% / Vmax e FE ativa do AE = (VpreA - Vmin) × 100% / VpreA.

Protocolo de ablação

O tratamento da FA com ablação por cateter com IVP foi realizado com auxílio de um sistema de mapeamento eletroanatômico com um módulo de integração de imagens (CARTO e CARTOMERGE®, Biosense Webster, Irvine, CA, EUA) para integrar a RMC pré-procedimento. O isolamento elétrico das veias pulmonares foi confirmado por um cateter de mapeamento multipolar circular (Lasso, Biosense Webster, Irvine, CA, EUA). Nos casos de FA persistente, o procedimento de ablação incluía habitualmente estratégias de ablação complementar. A ablação foi realizada com um cateter de ablação por radiofrequência por irrigação aberta com ou sem sensor de força, ou com um cateter balão para crioablação.

Reprodutibilidade

A reprodutibilidade intraleitor foi estabelecida por um observador que realizou análise dupla dos 15 estudos, com um intervalo de 7 dias entre as duas análises. A reprodutibilidade interleitor foi avaliada por dois observadores que analisaram os mesmos 15 casos. O segundo observador estava cegado em relação aos resultados do primeiro observador.

Análise estatística

Os dados estão apresentados como média ± DP para variáveis contínuas com distribuição normal, como mediana e intervalo interquartil (IIQ) para variáveis contínuas com distribuição não normal e como porcentagens para variáveis categóricas. Comparação entre os grupos foi realizada por meio do teste t de Student, teste do qui-quadrado e teste exato de Fisher, conforme apropriado. Análises de regressão linear multivariada e correlação de Pearson também foram utilizadas para examinar a relação entre a dessincronia intra-atrial no AE e o RTG-AE. Quatro modelos de regressão linear são apresentados: Modelo 1 (não ajustado), Modelo 2 (ajustado para as seguintes características clínicas: idade, sexo, tipo de FA, índice de massa corporal [IMC], história de insuficiência cardíaca, hipertensão e apneia obstrutiva do sono) e Modelo 3 (Modelo 2+ Vmin e Smax). Índices de dessincronia intra-atrial no AE e RTG-AE foram transformados em log por terem distribuição não normal. Também avaliamos a possibilidade de interação entre a dessincronia intra-atrial no AE e o tipo de FA. O coeficiente de correlação de Pearson foi categorizado com as seguintes correlações: fraca, 0; leve, 0,01-0,20; baixa, 0,21-0,40; moderada, 0,41-0,60; boa, 0,61-0,80 e excelente, 0,81-1,00. Em um subgrupo de participantes selecionados aleatoriamente (n = 15), foi realizada análise de Bland-Altman para quantificar a reprodutibilidade intraobservador e interobservador e a reprodutibilidade interestudo. Além disso, foi avaliado o coeficiente de correlação intraclasse (CCI) com um modelo aleatório de duas vias, no qual a concordância foi categorizada da seguinte maneira: CCI < 0,40, pobre; CCI 0,40-0,75, regular a boa; e CCI > 0,75, excelente. A análise estatística foi realizada com o programa Stata, versão 12.0 (StataCorp LP, College Station, Texas, EUA).

Resultados

Clínico

Foram incluídos na análise final 146 pacientes, cujas características clínicas estão resumidas na Tabela 1. Havia 61 (29,3%) pacientes do sexo feminino e a média de idade foi de 60,0 ± 10,0 anos. Um total de 102 pacientes (69,8%) apresentava FA paroxística no período do procedimento. As características clínicas basais e o uso de medicamentos foram semelhantes nos pacientes com FA paroxística e naqueles com FA persistente, conforme demonstrado na Tabela 1; 4 de 44 pacientes (9,1%) no grupo persistente e 2 de 102 pacientes (2,0%) no grupo paroxístico haviam sido submetidos à cardioversão 3-4 semanas antes da RMC (p = 0,158).

Tabela 1 Características basais 

Geral (n = 146) FA paroxística (n =102) FA persistente (n = 44) p
Clínico
Idade, anos 60,0 ± 10,0 60,0 ±10,1 59,7 ± 9,8 0,906
Índice de massa corporal, kg/m2 28,4 ± 5,5 28,0 ± 5,4 29,9 ± 5,3 0,073
Homens, n (%) 102 (70,0) 74 (72,5) 28 (63,3) 0,134
Insuficiência cardíaca, n (%) 14 (9,6) 8 (7,8) 6 (13,6) 0,082
Doença arterial coronariana/doença vascular, n (%) 12 (8,2) 10 (9,8) 2 (4,5) 0,536
Diabetes, n (%) 15 (15,4) 12 (11,8) 3 (6,8) 0,704
Hipertensão, n (%) 60 (41,1) 42 (41,2) 18 (40,9) 0,154
História de AVC/AIT, n (%) 9 (6,2) 8 (7,8) 1 (2,3) 0,351
CHA2DS2-VASC 1,60 ± 1,5 1,5 ± 1,6 1,6 ± 1,2 0,942
Apneia obstrutiva do sono, n (%) 23 (15,8) 17 (16,7) 6 (13,6) 0,796
Estratégia de ablação (crioablação), n (%) 34 (23,3) 28 (27,5) 6 (13,6) 0,324
Medicamento
IECA/BRA, n (%) 37 (25,3) 24 (23,5) 13 (29,5) 0,389
Betabloqueadores, n (%) 81 (56,3) 62 (60,8) 19 (43,2) 0,788
Bloqueadores dos canais de cálcio, n (%) 33 (22,9) 26 (25,5) 7 (15,9) 0,637
Número de drogas antiarrítmicas 1,2 ± 0,8 1,2 ± 0,8 1,4 ± 0,7 0,108

Os valores estão apresentados como média ± desvio-padrão, n (%) ou mediana. FA: fibrilação atrial; AVC: acidente vascular cerebral; AIT: ataque isquêmico transitório; IECA/BRA: inibidor da enzima conversora de angiotensina e bloqueador do receptor da angiotensina; CHA2DS2-VASC: escore de avaliação do risco de acidente vascular cerebral na fibrilação atrial.

Função atrial esquerda, dessincronia intra-atrial e tipo de fibrilação atrial

Pacientes com FA persistente apresentaram menor fração de esvaziamento do AE (FEAE) total, FEAE ativa, SR, SRe, SRa e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) em relação aos pacientes com FA paroxística (Tabela 2). Além disso, o DP-TPS foi significativamente maior em pacientes com FA persistente do que naqueles com FA paroxística (medianas 3,6% e 2,9%, respectivamente, p = 0,036). O DP-TPSpreA não foi significativamente diferente entre os tipos de FA (4,6% versus 3,7%, respectivamente, p = 0,227) (Tabela 2). A análise da dessincronia foi realizada de forma consistente em todos os casos e levou 5 ± 9 minutos por caso. Não houve diferença na quantidade de tempo necessária para a análise da dessincronia entre os tipos de FA (p = 0,35).

Tabela 2 Parâmetros funcionais do átrio esquerdo por grupos 

FA paroxística (n = 102) FA persistente (n = 44) p
Média IC 95% Média IC 95%
Estrutura do AE
Índice do volume mínimo do AE, mm3/m2 19,0 ± 7,8 18,5 - 21,4 23,0 ± 10,1 19,5 - 26,5 0,062
Índice do volume máximo do AE, mm3/m2 38,8 ± 10,5 36,8 - 40,8 39,6 ± 11,7 35,6 - 43,7 0,691
Função do AE
FEAE total, % 49,5 ± 10,0 47,6 - 51,4 44,0 ± 12,6 39,6 - 48,3 0,008
FEAE passiva, % 22,9 ± 7,3 21,6 - 24,3 20,7 ± 8,3 17,8 - 23,5 0,128
FEAE ativa, % 34,6 ± 10,8 32,5 - 36,6 29,5 ± 14,1 24,6 - 34,3 0,026
Smax, % 28,9 ± 8,9 27,2 - 30,5 26,0 ± 11,8 22,0 - 30,1 0,132
SR 1,1 ± 0,4 1,1 - 1,2 1,1 ± 0,5 0,9 - 1,3 0,347
SRe -1,1 ± 0,5 -1,2 - -1,0 -0,8 ± 0,4 -1,0 - -0,7 0,010
SRa -1,4 ± 0,5 -1,5 - -1,3 -1,1 ± 0,6 -1,3 - -0,9 0,011
FEVE, % 58,4 ± 6,0 57,0 - 59,8 53,4 ± 10,3 49,4 - 57,4 0,004
Mediana IIQ Mediana IIQ p
Dessincronia
Média TPS, ms 397,8 374,5 - 420,2 403,5 369,9 - 429,0 0,538
DP-TPS, % 2,9 2,1 - 3,9 3,6 2,3 - 4,9 0,036
Log - DP-TPS, % 1,0 0,7 - 1,4 1,1 0,8 - 1,6 0,036
Média DP-TPSpreA, ms 795,3 692,4 - 884,9 846,7 760,6 - 967,4 0,046
DP-TPSpreA, % 4,6 3,0 - 8,6 3,7 2,9 - 5,4 0,227
Log - DP-TPSpreA, % 1,5 1,1 - 2,2 1,3 1,1 - 1,7 0,177
Extensão RTG (% superfície do AE) 11,6 6,0 - 17,6 13,8 7,6 - 28,4 0,061
Log da extensão RTG (% superfície do AE) 2,4 1,8 - 2,9 2,6 2,0 - 3,3 0,061

Os dados estão apresentados como mediana (intervalo interquartil [IIQ]) ou média ± desvio padrão (DP). AE: átrio esquerdo; IC: intervalo de confiança; FEAE: fração de esvaziamento do AE; Smax: strain longitudinal máximo do AE; SR: pico da taxa do strain longitudinal; SRe: strain rate no início da diástole; SRa: strain rate na diástole tardia; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; TPS: tempo até o pico do strain; TPSpreA: tempo até o pico do strain antes da contração atrial; RTG: realce tardio com gadolínio.

Dessincronia do AE e RTG-AE

Não houve diferença significativa na extensão da fibrose do AE quantificada por RTG entre os tipos de FA (11,6 [6-17,6]% da superfície do AE versus 13,8 [7,6-28,4] % da superfície do AE; p = 0,061). No Modelo 1, o DP-TPS e o DP-TPSpreA transformados em log foram associados com o grau de realce do RTG-AE do AE transformado em log (Tabela 3). Após ajuste para a idade, sexo, IMC, tipo de FA, história de insuficiência cardíaca, apneia obstrutiva do sono, hipertensão, Vmin, e Smax, ambos os índices DP-TPS e DP-TPSpreA permaneceram significativamente associados ao RTG-AE (DP-TPS, β: 0,60, p = 0,001; DP-TPSpreA, β: 0,18, p = 0,045) (Tabela 3). A Figura 4 mostra a relação entre o RTG-AE e a dessincronia intra-atrial do AE. Não houve uma interação multiplicativa significativa entre o tipo de FA e a dessincronia intra-atrial no AE (termos de interação para DP-TPS: 0,008, p = 0,258 e para DP-TPSpreA: 0,003, p = 0,158). A análise do RTG-AE foi realizada de forma consistente em todos os casos e levou 60 ± 20 minutos por caso, dependendo da qualidade da imagem.

Figura 4 Associação entre a dessincronia intra-atrial no átrio esquerdo (AE) e realce tardio com gadolínio no AE (RTG-AE). A, regressão entre RTG-AE e o desvio padrão do tempo até o pico do strain longitudinal (DP-TPS); B, regressão entre RTG-AE e o desvio padrão do tempo até o pico do strain antes da contração atrial (DP‑TPSpreA). Linha azul, linha de regressão linear. Log: variáveis transformadas em log; DP: desvio padrão. 

Tabela 3 Análises univariada e multivariada 

Modelo 1
Não ajustado
Modelo 2
Variáveis clínicas
Modelo 3
Modelo 2 + Vmin + Smax
β p β p β p
Log - DP-TPS, % 0,66 < 0,001 0,57 0,001 0,60 0,001
Log - DP-TPSpreA, % 0,19 0,034 0,21 0,020 0,18 0,045

Modelo 2: ajustado para idade, sexo, tipo de fibrilação atrial, índice de massa corporal, história de insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono. Modelo 3: covariáveis incluídas no Modelo 2: além de volume mínimo do átrio esquerdo e strain longitudinal máximo do átrio esquerdo. Vmin: volume mínimo do AE; Smax: strain longitudinal máximo do AE; DP: desvio padrão; TPS: tempo até o pico do strain; TPSpreA : tempo até o pico do strain antes da contração atrial.

Dessincronia: reprodutibilidade interleitor e intraleitor

A variabilidade interobservador e intraobservador da análise do AE para o método de MTT foi avaliada em 15 indivíduos selecionados aleatoriamente (Tabela 4, Figura 5). Todos os parâmetros apresentaram excelente reprodutibilidade intraobservador (CCI 0,86 e 0,85 para DP-TPS e DP-TPSpreA, respectivamente, p < 0,001) (Figura 5), sem viés sistemático significativo. Além disso, ambos os parâmetros apresentaram boa a excelente reprodutibilidade interobservador (CCI 0,86 e 0,74 para DP-TPS e DP-TPSpreA, respectivamente, p < 0,001) (Figura 5).

Figura 5 Reprodutibilidade intraleitor e interleitor - gráfico de Bland-Altman. A) reprodutibilidade intraleitor do desvio padrão do tempo até o pico do strain longitudinal (DP-TPS). B) reprodutibilidade intraleitor do desvio padrão do tempo até o pico do strain antes da contração atrial (DP-TPSpreA). C) reprodutibilidade interleitor DP-TPS. D) reprodutibilidade interleitor DP-TPSpreA. R1: primeiro observador; R2: segundo observador. 

Tabela 4 Reprodutibilidade interleitor e intraleitor das medidas atriais esquerdas (AE). Os resultados estão representados como média ± desvio padrão (DP). 

Interleitor CCI p
Parâmetro AE Diferença (média ± DP)
DP-TPS, % -0,05 ± 0,21 0,86 < 0,001
DP-TPSpreA,% -0,09 ± 0,83 0,74 < 0,001
Intraleitor CCI p
Parâmetro AE Diferença (média ± DP)
DP-TPS, % 0 ± 0,25 0,86 < 0,001
DP-TPSpreA,% -0,03 ± 0,73 0,85 < 0,001

DP: desvio padrão; CCI: coeficiente de correlação intraclasse; TPS: tempo até o pico do strain; TPSpreA: tempo até o pico do strain antes da contração atrial.

Discussão

Os principais resultados estão resumidos a seguir: 1) A dessincronia intra-atrial no AE esteve independentemente associada ao RTG-AE, 2) a dessincronia intra-atrial no AE foi significativamente maior nos pacientes com FA persistente do que naqueles com FA paroxística, 3) a dessincronia intra-atrial no AE é um índice reprodutível e 4) a análise da dessincronia intra-atrial no AE é menos demorada do que o RTG-AE.

RTG-AE e dessincronia

Nossa análise multivariada mostrou que a dessincronia intra-atrial no AE está associada ao RTG-AE após ajuste para fatores de risco clínicos, incluindo o tipo de FA. Este achado serve como evidência para o uso potencial da dessincronia intra-atrial no AE como um substituto para o RTG-AE. Além disso, nossa análise mostrou que pacientes com FA persistente apresentavam dessincronia intra-atrial no AE significativamente maior do que aqueles com FA paroxística. Por outro lado, não houve diferença significativa no RTG-AE entre pacientes com FA persistente e FA paroxística, embora tenha ocorrido uma tendência para uma extensão maior de RTG-AE com FA persistente. Uma explicação possível para estes resultados é que a dessincronia intra-atrial provavelmente reflete mudanças sutis na arquitetura atrial que podem gerar FA, mas que não são captadas pelo RTG ou por outros índices de função do AE. De fato, a dessincronia mecânica foi um marcador mais específico de recorrência de FA após ablação de FA quando comparada à cicatriz e função atrial esquerda (8). Dificuldades técnicas associadas à aquisição e processamento do RTG-AE também podem explicar o achado. Por exemplo, a parede fina do AE (~3 mm) representa um desafio para a resolução espacial da RMC. Além disso, apenas uma pequena fração do contraste administrado por via endovenosa perfunde a parede do AE, pois a grande maioria perfunde os ventrículos através das artérias coronárias. Nosso resultado também mostrou que a análise da dessincronia intra-atrial do AE foi menos demorada (5 ± 9 minutos) do que o RTG-AE (60 ± 20 minutos). Este achado sugere que a implementação da análise de dessincronia intra-atrial no AE na prática clínica diária não impediria significativamente o fluxo de trabalho clínico na avaliação pré-procedimento. A possibilidade de que o atordoamento atrial induzido por cardioversão possa ter confundido nossos achados é baixa, pois: 1) a cardioversão foi realizada em apenas uma minoria de pacientes em ambos os grupos e 2) não houve diferença significativa na fração de pacientes submetidos à cardioversão entre os dois grupos.

Reprodutibilidade da dessincronia no AE

Nossos resultados mostraram excelente reprodutibilidade intraleitor da dessincronia intra-atrial do AE, com variação do CCI de 0,74 a 0,86 para DP-TPS, e 0,85 a 0,95 para DP-TPSpreA e diferença média de 0 e -0,03, respectivamente (Tabela 4, Figura 5). A reprodutibilidade interleitor foi também de excelente a boa, com variação do CCI de 0,86 para DP-TPS e 0,74 para DP-TPSpreA e uma diferença média de -0,05 e -0,09, respectivamente (Tabela 4, Figura 5). Tanto a reprodutibilidade intraleitor quanto a interleitor mostraram valores semelhantes aos descritos em estudos com ecocardiografia 2D e 3D.17

Limitações

Este estudo foi uma análise unicêntrica, retrospectiva e transversal de pacientes encaminhados para IVP para tratamento de FA refratária a medicamentos em um centro terciário. Portanto, existe uma chance não desprezível de viés de seleção. Para a análise de dessincronia, utilizamos apenas cine-RMC de duas e quatro câmaras, que foi incluída em um protocolo rotineiro de aquisição de imagens. Portanto, é possível que nossa análise tenha subestimado o grau de dessincronia ao ignorar regiões não incluídas nestes dois cortes. Como o strain foi 2D e obtido apenas na direção do plano, os valores de strain podem ter sido subestimados em comparação com os de strain 3D. Além disso, a resolução temporal da RMC também pode explicar nossos valores mais baixos de dessincronia em comparação à ecocardiografia.17 Há uma chance de termos subestimado a dessincronia devido à restauração espontânea do ritmo sinusal algumas semanas antes da RMC. No entanto, acreditamos que esse fato tenha ocorrido com maior frequência em indivíduos com FA paroxística; assim, nossos achados podem ter subestimado a real diferença da dessincronia entre indivíduos com FA paroxística e persistente por subestimar a dessincronia no grupo paroxístico. Por último, tivemos que excluir indivíduos que não estavam em ritmo sinusal no momento da aquisição da cineimagem, o que poderia ser uma limitação para a aplicação do nosso método em indivíduos com FA persistente.

Conclusões

A dessincronia intra-atrial do AE está significativamente associada ao RTG-AE, independentemente de fatores de risco cardiovasculares tradicionais ou da estrutura e função do AE. Além disso, a dessincronia intra-atrial do AE foi maior em indivíduos com FA persistente do que naqueles com FA paroxística, enquanto o RTG-AE não foi significativamente diferente entre os dois tipos de FA. A dessincronia intra-atrial no AE é um índice reprodutível para quantificar a remodelação do AE e requer menos tempo do que o RTG-AE. A dessincronia intra-atrial pode ser utilizada como substituta para a remodelação tecidual subjacente em pacientes com FA.

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