Diferenças entre homens e mulheres na qualidade da dieta: estudo de base populacional em Campinas, São Paulo

Diferenças entre homens e mulheres na qualidade da dieta: estudo de base populacional em Campinas, São Paulo

Autores:

Daniela de Assumpção,
Semíramis Martins Álvares Domene,
Regina Mara Fisberg,
Ana Maria Canesqui,
Marilisa Berti de Azevedo Barros

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.22 no.2 Rio de Janeiro fev. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232017222.16962015

Introdução

Os diferenciais de morbimortalidade constatados entre homens e mulheres1-3 resultam, em grande parte, de diferenças do estilo de vida e dos comportamentos relacionados à saúde4,5. No que tange à alimentação, o aumento da ingestão de frutas e vegetais, e a redução do consumo de sal e gorduras saturadas e trans, são recomendados pelo potencial que guardam de prevenção de doenças6,7 e de redução significativa dos óbitos por doenças cardiovasculares e neoplasias de algumas localizações8.

Pesquisas nacionais que utilizam marcadores de consumo alimentar saudável e não saudável apontam que comparados às mulheres, os homens apresentam prevalências mais elevadas de ingestão de sal9, de refrigerantes e de carnes com excesso de gordura, bem como menor ingestão de frutas e hortaliças4,5,10.

Estudos que analisaram o perfil alimentar de adultos brasileiros e norte-americanos por meio do Índice de Qualidade da Dieta Revisado (IQD-R) ou do Healthy Eating Index-2005 encontraram qualidade superior da dieta no sexo feminino11-13, em decorrência do maior consumo de frutas, vegetais, óleos, leite e derivados11,12.

Levando em conta que a alimentação é um dos elementos implicados na desigualdade de saúde da população, o presente estudo busca analisar os padrões alimentares de homens e mulheres por meio do IQD-R. Tal instrumento permite avaliar o atendimento às recomendações nutricionais de um conjunto de alimentos, nutrientes e/ou ingredientes culinários14. O IQD-R originou-se do Healthy Eating Index-200515 que, criado em 199516, está em sua terceira versão17 e é periodicamente revisado para incorporar os avanços da ciência da nutrição. O IQD-R sofreu algumas adaptações de forma a considerar as diretrizes alimentares definidas para a população brasileira no ano de 200618.

Considerando a maior carga de trabalho dos adultos no sustento e no cuidado da família, o menor tempo dedicado à própria saúde, as implicações do ritmo de trabalho sobre o consumo de alimentos, que as diferenças de gênero constituem um aspecto relevante das desigualdades sociais em saúde1-3, além da constatada importância da alimentação na prevenção de doenças e na promoção de vida saudável6,7, o presente estudo teve por objetivo: avaliar as diferenças da qualidade da dieta entre homens e mulheres adultos considerando o indicador global e os diversos componentes investigados pelo IQD-R, e também identificar possíveis diferenças entre os sexos quanto aos padrões de fatores associados à qualidade alimentar.

Métodos

As informações utilizadas neste artigo foram obtidas do Inquérito de Saúde do município de Campinas (ISACAMP 2008), que é um estudo transversal de base populacional.

O inquérito se propôs a analisar as condições de saúde dos estratos etários de adolescentes (10-19 anos), adultos (20-59 anos) e idosos (60 anos e mais). A população alvo foi a não institucionalizada residente em domicílios da área urbana do município de Campinas. Nesta pesquisa optou-se por analisar o segmento de adultos.

Foram sorteadas amostras independentes e de tamanhos iguais a 1.000 pessoas em cada estrato de idade, levando em conta a estimativa de uma proporção de 0,50, com erro de amostragem entre 4 e 5 pontos percentuais, intervalo de confiança de 95% e efeito de delineamento de 2.

O processo amostral do ISACAMP 2008 foi organizado em dois estágios: setor censitário e domicílio. No primeiro, realizou-se o sorteio sistemático de 50 setores censitários com probabilidade proporcional ao número de domicílios. Foram utilizados os setores do IBGE definidos para o Censo de 2000 e considerando o tempo decorrido desde então, foi feita a atualização dos endereços nos setores selecionados. No segundo estágio foi definido o número de domicílios que deveriam ser sorteados para atingir o tamanho desejado de amostra, com base na razão pessoas/domicílios de cada grupo de idade. Dessa forma, foram sorteados 700 domicílios para entrevistas com adultos, já incluindo as perdas por esperar-se uma taxa de resposta de 80%.

Entrevistadores treinados e supervisionados realizaram as entrevistas nos domicílios selecionados, diretamente com os moradores sorteados.

As informações foram coletadas entre fevereiro de 2008 a abril de 2009, utilizando um questionário estruturado em 14 blocos temáticos, testado em estudo piloto. O bloco temático sobre consumo alimentar incluiu o recordatório de 24 horas (R24h), método que consiste no levantamento e na quantificação de todos os alimentos e bebidas ingeridos no dia anterior à entrevista. O caráter quantitativo do R24h resulta em uma estimativa mais precisa das quantidades e dos tipos de alimentos consumidos e permite verificar o quanto a ingestão atende ou não aos valores de recomendação nutricional. As entrevistas foram conduzidas nos diferentes dias da semana e meses do ano para minimizar a variabilidade do consumo de alimentos19.

Variáveis analisadas neste estudo

A variável dependente foi a pontuação global do Índice de Qualidade da Dieta Revisado (IQD-R)14. O instrumento é formado por 12 componentes, sendo oito referentes a grupos de alimentos (Frutas totais; Frutas integrais; Vegetais totais e leguminosas; Vegetais verdes-escuros e alaranjados e leguminosas; Cereais totais; Cereais integrais; Leite e derivados; Carnes, ovos e leguminosas), e quatro relativos a nutrientes e/ou ingredientes culinários (Sódio; Gordura saturada; Óleos; Gord_AA, que representa o percentual de participação das gorduras, saturada e trans, álcool e açúcar de adição em relação ao valor energético total da dieta).

Os componentes receberam pontuações específicas que variam de zero (mínima) a máximos de 5, 10 ou 20 dependendo do componente (Quadro 1). A pontuação mínima é atribuída ao consumo nulo (componentes 1 a 9) ou ao consumo acima do limite preconizado (componentes 10 a 12), enquanto a pontuação máxima de cada componente é estabelecida quando atingido ou ultrapassado o valor recomendado de ingestão. Escores para os valores intermediários de ingestão, compreendidos no intervalo entre os critérios de pontuação mínima e máxima, são calculados proporcionalmente. Os componentes de 1 a 9 avaliam a adequação do consumo e os de 10 a 12 a moderação de ingestão, o que confere sentidos opostos ao significado das pontuações, ou seja, o aumento do consumo reflete positivamente na pontuação dos grupos 1 a 9, e negativamente nos grupos de 10 a 12. O IQD-R total é representado pela soma dos componentes, podendo atingir o máximo de 100 pontos. O cálculo do IQD-R baseou-se nas informações obtidas pela aplicação de um recordatório de 24h.

Quadro 1 Critérios de pontuação dos componentes do IQD-R. 

Componentes do IQD-R Faixa de pontuação (mínima a máxima) Critério de pontuação mínima Critério de pontuação máxima
Adequação (maior escore significa maior consumo)
1. Frutas totais* 0 a 5 Não consumo 1,0 porção/1.000 kcal
2. Frutas integrais 0 a 5 Não consumo 0,5 porção/1.000 kcal
3. Vegetais totais 0 a 5 Não consumo 1,0 porção/1.000 kcal
4. Vegetais verdes-escuros e alaranjados 0 a 5 Não consumo 0,5 porção/1.000 kcal
5. Cereais totais 0 a 5 Não consumo 2,0 porções/1.000 kcal
6. Cereais integrais 0 a 5 Não consumo 1,0 porção/1.000 kcal
7. Leite e derivados 0 a 10 Não consumo 1,5 porção/1.000 kcal
8. Carnes e ovos# 0 a 10 Não consumo 1,0 porção/1.000 kcal
9. Óleos** 0 a 10 Não consumo 0,5 porção/1.000 kcal
Moderação (maior escore significa menor consumo)
10. Gordura saturada 0 a 10 ≥ 15% do VET*** ≤ 7% do VET
11. Sódio 0 a 10 ≥ 2,0g/1.000 kcal ≤ 0,75g/1.000 kcal
12. Gord_AA 0 a 20 ≥ 35% do VET ≤ 10% do VET
IQD-R total 0 a 100

Fonte: Previdelli et al.14.

* Representam o consumo de frutas na forma de suco natural; ** Incluem as gorduras das oleaginosas e de peixes; *** VET: valor energético total. # As leguminosas foram excluídas do componente carnes e ovos.

Durante o trabalho de campo, o conteúdo dos recordatórios era verificado minuciosamente por uma nutricionista para identificar as correções necessárias. Foi realizada a quantificação dos recordatórios com o propósito de transformar em gramas ou mililitros as quantidades de alimentos e preparações referidas em medidas caseiras. Para isto, foram utilizadas informações disponíveis em tabelas de medidas caseiras20,21, rótulos de alimentos e serviços de atendimento ao consumidor.

O software Nutrition Data System for Research (NDS-R), versão 2007, foi utilizado para a entrada das informações de consumo alimentar e gerar os valores necessários para o cálculo do IQD-R. Para corrigir os erros de digitação, realizou-se a análise de consistência dos dados checando os recordatórios que somavam menos que 800 kcal ou mais que 3.500 kcal.

Baseado no Healthy Eating Index-2005, o IQD-R utiliza a energia das leguminosas para adicionar pontos ao componente carnes e ovos, e havendo ainda excesso de pontuação gerado pelas leguminosas, estes pontos irão sendo acrescentados sucessivamente ao componente de vegetais totais e ao de vegetais verdes-escuros e alaranjados. Pelo fato da população brasileira ingerir mais leguminosas do que a norte-americana, este método resulta em escores superestimados nos componentes referidos. Além disso, feijões e carnes, assim como feijões e vegetais apresentam diferenças importantes no perfil nutricional e na qualidade e aproveitamento proteico. Assim, no presente estudo, as leguminosas não foram incluídas nesses três componentes.

Foram selecionados quatro conjuntos de variáveis independentes para a análise dos fatores associados à qualidade da dieta em cada sexo:

. Demográficas e socioeconômicas: idade (em anos), raça/cor da pele autorreferida, número de residentes no domicílio, situação conjugal, número de equipamentos no domicílio (rádio, televisão, geladeira, freezer, ar condicionado, aspirador de pó, entre outros), renda familiar per capita (em salário mínimo) e escolaridade (em anos de estudo).

. Comportamentos relacionados à saúde: tabagismo, disposição de regras no domicílio sobre o tabagismo; frequência de consumo de bebida alcoólica, dependência do uso de álcool avaliada pelo Alcohol Use Disorder Identification Test (AUDIT) com ponto de corte igual ou maior a oito em uma faixa de 0-4022; atividade física em contexto de lazer mensurada pelo Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), versão longa, categorizada em: ativos (adultos que praticam ao menos 150 minutos por semana, distribuídos, no mínimo, por três dias), insuficientemente ativos (os que praticam menos de 150 minutos por semana, ou praticam mais porém em menos de três dias na semana) e sedentários (os que não praticam qualquer tipo de atividade física de lazer em nenhum dia da semana); se gostaria de mudar o peso (ganhar ou perder) e se faz algo para emagrecer (cuidado com a alimentação, dieta, prática de exercício físico, uso de medicamentos e omissão de refeições).

. Morbidades: número de doenças crônicas entre as incluídas em checklist (hipertensão, diabetes, doença do coração, câncer, reumatismo/artrite/artrose, osteoporose, asma/bronquite/enfisema, tendinite/LER/DORT e problemas de circulação).

. Índice de massa corporal (IMC): calculado por meio de informações referidas de peso e altura23,24. O estado nutricional foi classificado conforme a recomendação da Organização Mundial da Saúde para adultos25: baixo peso IMC < 18,5kg/m2, eutrofia IMC entre 18,5 e 24,9kg/m2, sobrepeso IMC entre 25,0 e 29,9kg/m2 e obesidade IMC ≥ 30kg/m2.

Foram executadas análises independentes para homens e mulheres. Inicialmente foram estimados os valores médios do IQD-R global e de cada componente, bem como do IQD-R global segundo as categorias das variáveis independentes pelo uso de regressão linear simples, com intervalo de confiança de 95% (IC95%). Em seguida, foi desenvolvido modelo de regressão linear múltipla em duas etapas. Na primeira, foram introduzidas as variáveis demográficas e socioeconômicas com alguma categoria apresentando nível de significância inferior a 0,20 na análise bivariada, tendo permanecido no modelo aquelas com p < 0,05. Na segunda, foram mantidas no modelo as variáveis que permaneceram na primeira etapa e acrescidas as de comportamentos relacionados à saúde e morbidades com p < 0,20 na análise bivariada, ficando na segunda etapa, as variáveis com p < 0,05. Os modelos foram ajustados pela energia total da dieta, segundo recomendação de Willett et al.26.

As entrevistas foram digitadas em banco de dados elaborado com o uso do Epidata 3.1 (Epidata Assoc., Odense, Dinamarca) e as análises estatísticas foram feitas no módulo svy do programa Stata 11.0 (Stata Corp., College Station, Estados Unidos), que permite a análise de dados de amostras complexas.

O projeto deste estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (sistema CEP/CONEP).

Resultados

Dos 957 adultos identificados para participar da pesquisa, oito recusaram-se a responder o recordatório de 24 horas. A presente análise incluiu 949 indivíduos, sendo 444 homens e 505 mulheres, com idades médias de 37,0 anos (IC95%: 36,0-37,9) e 37,8 anos (IC95%: 36,9-38,8), respectivamente.

A classificação de dieta de “melhor” ou “pior” qualidade utilizada neste estudo baseia-se no atendimento às recomendações nutricionais dos alimentos e nutrientes dispostos no IQD-R.

Os componentes do IQD-R que apresentaram as piores pontuações, para o conjunto da população adulta analisada, demonstrando um consumo inadequado, foram cereais integrais, sódio, frutas totais e integrais, leite e produtos lácteos e vegetais verdes-escuros e alaranjados. Comparadas aos homens, as mulheres tiveram escore inferior apenas no componente de carnes e ovos, e pontuações superiores nos relativos a frutas, vegetais e leite e derivados (Tabela 1).

Tabela 1 Escore médio de cada componente do IQD-R segundo o sexo em adultos de 20 a 59 anos. Inquérito de Saúde de Campinas (ISACAMP, 2008). 

Componentes do IQD-R Total Sexo

Média global* Masculino (1) Feminino (2) Valor de p#(2)-(1)
Cereais totais 4,63 4,64 4,62 0,728
Cereais integrais 0,22 0,19 0,25 0,143
Vegetais totais 2,97 2,74 3,18 0,000
Vegetais verdes-escuros e alaranjados 1,45 1,24 1,65 0,006
Frutas totais 1,80 1,41 2,16 0,000
Frutas integrais 1,91 1,52 2,26 0,000
Leite e derivados 4,12 3,67 4,53 0,001
Carnes e ovos 8,37 8,62 8,12 0,003
Óleos 8,73 8,86 8,61 0,319
Sódio 2,27 2,12 2,41 0,063
Gordura saturada 6,29 6,40 6,40 0,244
Gord_AA 9,92 9,76 10,07 0,382
IQD-R total 52,70 51,22 54,10 0,000

* Médias obtidas por meio de regressão linear simples; # Em negrito valor de p < 0,05.

A qualidade global da dieta atingiu 52,7 pontos, sendo significativamente maior nas mulheres (54,1; IC95%: 51,7-56,4) do que nos homens (51,2; IC95%: 50,0-52,3).

Entre os homens, foi verificado um aumento nos escores do IQD-R a partir dos 40 anos de idade, e a menor média de pontos nos solteiros situou-se no limiar da significância estatística. Nas mulheres, a qualidade da alimentação mostrou-se maior nas pessoas de mais idade, assim como nos homens, e foi superior no segmento que relatou possuir 15 ou mais equipamentos na residência. Por outro lado, as mulheres que viviam em domicílios com seis ou mais moradores tiveram pior qualidade da dieta em relação às que residiam sozinhas ou com apenas mais um morador (Tabela 2).

Tabela 2 Médias do IQD-R total segundo variáveis demográficas e socioeconômicas em homens e mulheres adultos de 20 a 59 anos. Inquérito de Saúde de Campinas (ISACAMP, 2008). 

Variáveis Homens Mulheres


n Médias** Valor de p# n Médias** Valor de p#
Faixa etária (em anos)
20 a 29* 153 48,92 150 50,43
30 a 39 100 50,97 0,108 131 54,39 0,005
40 a 49 96 52,54 0,002 124 56,13 0,000
50 a 59 95 54,01 0,001 100 56,84 0,000
Raça / cor da pele
Branca* 322 51,40 367 54,40
Preta 42 51,74 0,847 43 52,13 0,337
Parda 76 50,41 0,533 92 53,64 0,574
Número de pessoas no domicílio
1 a 2* 102 51,62 112 56,06
3 a 5 268 51,31 0,803 307 54,02 0,061
6 ou + 74 50,34 0,433 86 51,73 0,005
Estado conjugal
Com cônjuge* 276 51,75 311 54,67
Separado 33 52,82 0,624 57 54,60 0,973
Solteiro 132 49,66 0,053 125 52,34 0,063
Número de equipamentos no domicílio
1 a 9* 168 50,86 170 52,83
10 a 14 140 50,70 0,892 170 53,58 0,566
15 ou + 135 52,27 0,406 164 55,82 0,040
Renda familiar per capita (em salários mínimos)
< 1* 160 51,76 216 54,16
1 a 3 201 50,76 0,291 193 53,18 0,439
> 3 83 51,32 0,753 96 55,70 0,379
Escolaridade (em anos)
0 a 7* 119 51,50 153 54,33
8 a 11 188 50,07 0,190 211 53,38 0,422
12 e + 137 52,49 0,521 141 54,89 0,698

* Categoria de referência utilizada para comparação; ** Médias obtidas por meio de regressão linear simples; # Em negrito valor de p < 0,05.

Os subgrupos do sexo masculino que alegaram que gostariam de perder peso e que realizavam algo para emagrecer apresentaram dietas de pior qualidade. Pontuações inferiores do IQD-R foram encontradas nas mulheres que residiam em domicílios em que era permitido fumar, enquanto escores superiores foram constatados entre as fisicamente ativas no lazer, que manifestaram fazer algo para perder peso e que referiram a presença de doença crônica (Tabela 3).

Tabela 3 Médias do IQD-R total segundo variáveis de comportamentos relacionados à saúde, morbidades e Índice de Massa Corporal (IMC) em homens e mulheres adultos de 20 a 59 anos. Inquérito de Saúde de Campinas (ISACAMP, 2008). 

Variáveis Homens Mulheres

n Médias** Valor de p# n Médias** Valor de p#
Tabagismo
Nunca fumou* 280 50,98 363 54,19
Ex-fumante 53 51,70 0,627 56 56,66 0,166
Fumante 110 51,66 0,613 85 52,07 0,133
Regras do domicílio quanto ao tabagismo
Não é permitido fumar* 186 51,70 204 55,92
É permitido fumar em alguns lugares / horários 117 50,46 0,355 145 52,98 0,010
Não existem regras 140 51,28 0,689 155 52,83 0,010
Frequência de consumo de álcool
Não bebe* 174 51,97 323 54,59
1 a 4 vezes no mês 172 50,23 0,115 155 53,39 0,423
2 ou + vezes na semana 98 51,68 0,848 25 52,47 0,435
AUDIT***
Negativo* 375 51,61 487 54,25
Positivo 69 49,12 0,140 17 49,72 0,145
Prática de atividade física de lazer (IPAQ)
Sedentário* 260 50,65 377 53,17
Insuficientemente ativo 100 51,37 0,530 54 56,66 0,102
Ativo 84 52,74 0,210 74 56,88 0,010
Gostaria de mudar o peso
Não* 251 51,84 152 54,39
Sim, ganhar 49 52,96 0,543 37 49,94 0,068
Sim, perder 143 49,58 0,038 312 54,37 0,982
Faz algo para emagrecer
Não* 397 51,67 373 53,09
Sim 47 47,41 0,021 132 56,87 0,005
Número de doenças crônicas
0* 301 50,49 288 52,30
1 ou + 140 52,63 0,091 210 56,52 0,001
IMC (Kg / m2)
Baixo peso / eutrofia* 223 51,44 264 54,05
Sobrepeso 152 51,75 0,809 147 54,51 0,676
Obesidade 58 49,44 0,213 85 54,01 0,979

* Categoria de referência utilizada para comparação; ** Médias obtidas por meio de regressão linear simples; ***Alcohol Use Disorder Identification Test; # Em negrito valor de p < 0,05.

Os resultados da análise de regressão linear múltipla para o sexo masculino mostram médias de pontos significativamente maiores nos indivíduos com 40 anos ou mais e média significativamente menor nos que disseram fazer algo para emagrecer (Tabela 4). Nas mulheres foi observado melhor qualidade da dieta com o aumento da idade, nas que praticam algum nível de atividade física no lazer e nas que referiram ter alguma doença crônica. Mulheres fumantes e as que viviam em moradias com três ou mais pessoas tiveram pior qualidade da alimentação (Tabela 4).

Tabela 4 Modelos de regressão linear múltipla: variáveis associadas às médias globais do IQD-R em homens e mulheres de 20 a 59 anos. Inquérito de Saúde de Campinas (ISACAMP, 2008). 

Homens

Variáveis Primeira etapa**(IC95%) Valor de p# Segunda etapa***(IC95%) Valor de p#
Energia (Kcal) 54,79 (50,60-58,98) 55,35 (51,20-59,50)
Faixa etária (em anos)
20 a 29* 54,79 (50,60-58,98) 55,35 (51,20-59,50)
30 a 39 56,84 (50,15-63,52) 0,106 57,42 (50,79-64,07) 0,101
40 a 49 57,18 (50,61-63,74) 0,048 57,65 (51,07-64,24) 0,064
50 a 59 59,07 (51,91-66,24) 0,006 59,71 (52,50-66,92) 0,006
Faz algo para emagrecer
Não* 55,35 (51,20-59,50)
Sim 50,82 (43,30-58,35) 0,010

Mulheres

Variáveis Primeira etapa**(IC95%) Valor de p# Segunda etapa***(IC95%) Valor de p#

Energia (Kcal) 58,70 (54,80-62,60) 57,55 (53,46-61,64)
Faixa etária (em anos)
20 a 29* 58,70 (54,80-62,60) 57,55 (53,46-61,64)
30 a 39 62,07 (55,65-68,48) 0,010 60,82 (54,19-67,44) 0,013
40 a 49 63,73 (57,31-70,14) 0,000 62,05 (55,10-69,00) 0,003
50 a 59 63,88 (56,76-71,00) 0,002 61,31 (53,89-68,73) 0,028
Número de pessoas no domicílio
1 a 2* 58,70 (54,80-62,60) 57,55 (53,46-61,64)
3 a 5 56,52 (50,52-62,51) 0,042 55,37 (49,26-61,47) 0,034
6 ou + 54,55 (47,65-61,46) 0,008 53,63 (46,43-60,83) 0,014
Tabagismo
Nunca fumou* 57,55 (53,46-61,64)
Ex-fumante 58,14 (50,49-65,79) 0,741
Fumante 54,01 (47,03-61,01) 0,018
Prática de atividade física de lazer (IPAQ)
Sedentário* 57,55 (53,46-61,64)
Insuficientemente ativo 61,49 (53,80-69,18) 0,033
Ativo 60,44 (53,64-67,23) 0,037
Número de doenças crônicas
0* 57,55 (53,46-61,64)
1 ou + 60,50 (53,98-67,02) 0,018

* Categoria de referência utilizada para comparação; ** Na primeira etapa do modelo, foram introduzidas para o sexo masculino, faixa etária, estado conjugal e escolaridade e, para o feminino, faixa etária, número de pessoas no domicilio, estado conjugal e número de equipamentos na residência; Ajustada por energia e pelas variáveis demográficas e socioeconômicas; *** Na segunda etapa, foram incluídas para o sexo masculino a frequência de consumo de bebida alcoólica, uso de risco de álcool avaliado pelo AUDIT, se gostaria de mudar o peso, se faz algo para emagrecer e número de doenças crônicas e, no modelo do sexo feminino, tabagismo, regras do domicílio quanto ao tabagismo, AUDIT, prática de atividade física, se gostaria de mudar o peso, se faz algo para emagrecer e número de morbidades; Ajustada por todas as variáveis da tabela; # Em negrito valor de p < 0,05.

Discussão

Os achados deste artigo apontam melhor qualidade da dieta nas mulheres, especialmente em razão do maior consumo de frutas, vegetais e leite e derivados em relação aos homens.

Outros pesquisadores também verificaram na população americana que a qualidade da dieta das mulheres é superior à dos homens11, sendo que Hiza et al.12 obtiveram valores médios de 54,0 nos homens e de 59,0 nas mulheres com idade entre 18 e 64 anos participantes do NHANES 2003-04 (National Health and Nutrition Examination Survey). Estes escores são superiores aos observados no presente estudo que foram de 51,2 no sexo masculino e 54,1 no feminino. Entretanto, a diferença superior das mulheres não foi confirmada em outros estudos brasileiros que encontraram maior pontuação do Índice de Qualidade da Dieta nos adolescentes27 e nos adultos28 do sexo masculino.

As pontuações dos componentes de frutas, vegetais e leite e laticínios foram significativamente mais elevadas nas mulheres. Outros autores documentaram a superior pontuação das mulheres nos componentes de frutas, vegetais, óleos e no que avalia o percentual energético oriundo das gorduras sólidas, álcool e açúcar de adição11,12. O inquérito Vigitel também mostra, no sexo feminino, maior prevalência de consumo de frutas e hortaliças e menor de refrigerantes/refrescos e carne com gordura aparente4.

Outras pesquisas brasileiras têm revelado melhor padrão alimentar das mulheres também em relação a outros nutrientes. Dados do Inquérito Nacional de Alimentação (INA, 2008-09) apontam nas mulheres ingestão mais baixa de sódio e mais elevada de vitaminas A e C, zinco e riboflavina29.

A melhor qualidade da dieta das mulheres tem sido atribuída a distintos fatores. Em relação aos homens, as mulheres estão mais preocupadas com a qualidade dos alimentos e tendem a verificar com maior frequência e atenção as informações nutricionais contidas nos rótulos de alimentos, inclusive a lista de ingredientes, o tamanho da porção e o apelo nutricional30. O cuidado das mulheres com a seleção e o preparo dos alimentos resulta, em parte, do fato de que essas tarefas têm sido historicamente mais desempenhadas por elas31. A pressão do trabalho e a necessidade de se alimentar rápido propicia a procura por lanchonetes de fast foods, bares, botecos e barracas de rua, podendo também contribuir para os menores escores dos homens. No que tange ao consumo de alimentos fora do domicílio, os homens se destacaram perante as mulheres em todas as regiões do Brasil32.

O escore inferior das mulheres no componente carnes e ovos é consistente com a ingestão de ferro observada no INA, com divergente prevalência de inadequação do nutriente entre homens (4,1%) e mulheres (31,5% no estrato etário de 20-50 e 8,9% no de 51-59)29. Por outro lado, em relação ao consumo de carnes, dados do Vigitel revelam menor prevalência no sexo feminino de ingestão de carnes com gordura aparente4.

A racionalidade da ciência da nutrição convive com o imaginário em relação aos alimentos, com os saberes tradicionais acumulados, com as crenças e as representações geradas pelo ato de se alimentar, e com a hierarquia de necessidades mediada pelo poder de compra das famílias. A tradição dietética de classificar os alimentos como “quente/frio”, “forte/fraco” e “reimoso” é ancorada por um conjunto de crenças que configura a ideologia alimentar33. Para os homens, a carne bovina simboliza a masculinidade, a virilidade e a prosperidade alimentar, sendo considerada um alimento forte, que propicia saciedade por um longo tempo. Frutas, verduras e legumes são considerados mais adequados para mulheres, idosos e crianças, e compreendem os itens alimentares desnecessários em situação de dificuldade financeira31.

Quanto aos fatores associados à qualidade da dieta, o único que foi evidenciado em ambos os sexos foi a idade, que com seu avanço houve aumento das médias de pontos do IQD-R. Em pesquisa que analisou os escores do Healthy Eating Index-2005 de três grupos etários, foi verificada tendência de piora da qualidade alimentar dentro da faixa de 2-17 anos, e tendência de melhora nas faixas de 18-64 e de 65 anos ou mais12. Estudo baseado nas informações do inquérito de saúde ISACAMP não detectou diferenças na qualidade da dieta com o crescimento da idade na faixa de 12 a 19 anos34, mas outra pesquisa sobre a população idosa, com a mesma base de dados, encontrou melhor qualidade da alimentação nos indivíduos com 80 anos ou mais comparados aos de 60-69 anos35.

Contrastando com as mulheres, os homens que alegaram fazer algo para emagrecer tiveram pior qualidade da dieta que os que referiram não fazer nada. Na análise bivariada, o fazer algo para perder peso nas mulheres se mostrou associado com melhor qualidade da dieta, mas não permaneceu no modelo final pela força da variável de atividade física. Também na análise bivariada, os homens que relataram que gostariam de perder peso apresentaram pior escore do que os que não o pretendiam mudar. Este achado é importante, pois revela que mesmo os homens com preocupação com o peso corporal e que se engajaram em alguma dieta ou atividade para perder peso, apresentaram padrão de dieta ainda pior. Este resultado pode decorrer de comportamentos distintos entre homens e mulheres no que se refere ao acesso aos serviços de saúde e na busca por informações nutricionais. É provável que os homens estejam tentando emagrecer por conta própria, não ingerindo a quantidade necessária de energia ou excluindo/evitando certos tipos de alimentos. A adesão maior de mulheres do que homens a consultas para orientação nutricional foi verificada entre adultos com até 74 anos, não havendo diferença depois desta idade36.

Apenas para as mulheres, o número de moradores no domicílio esteve associado com a qualidade da dieta. Avaliando os dados da PNAD de 2004, Hoffmann37 observou que a proporção de domicílios em situação de segurança alimentar diminui com o aumento do número de pessoas na moradia, tendo em vista que domicílios com maior número de moradores abrigam indivíduos com menor nível socioeconômico. A tarefa de gerenciar e controlar a distribuição de cotas alimentares para o grupo doméstico é um dos deveres da mulher como mãe e dona de casa31. Em Campinas, 78% das mulheres que residiam com seis ou mais pessoas apresentavam renda familiar mensal per capita inferior a um salário mínimo. Portanto, é possível que além da restrição econômica que impede a aquisição de alimentos saudáveis como frutas e hortaliças, estas mulheres regulem seu consumo de forma a privilegiar outros membros da família38. Pesquisa realizada por Canesqui31 aponta que distribuição da comida segue um escalonamento de prioridades segundo idade, gênero e o fato de trabalhar ou não.

Diferentemente dos homens, as mulheres que fumam e que não praticam atividade física tiveram escores inferiores do IQD-R. Estes resultados revelam uma congruência de comportamentos saudáveis nas mulheres e não nos homens, ou seja, as mulheres que apresentam uma alimentação mais saudável tendem em maior proporção a praticar exercícios físicos e a não fumar. Inclusive, na análise bivariada, apresentavam melhor qualidade alimentar as mulheres que moravam em casas onde prevaleciam regras de proibição do tabagismo. Em relação à qualidade da dieta, Guenther et al.15 observaram que os fumantes tinham 8,6 pontos a menos no escore do Healthy Eating Index-2005 comparados aos não fumantes. Em inquérito no município de São Paulo, os ex-fumantes apresentaram 5,4 pontos a mais frente aos que nunca fumaram39, provavelmente resultante de causalidade reversa, ou seja, o aparecimento de doenças pode ter forçado o indivíduo a ingerir alimentos mais saudáveis.

A presença de doença crônica mostrou-se associada à qualidade da dieta apenas nas mulheres. Este achado pode resultar da maior preocupação das mulheres com a própria saúde e maior atenção aos sinais e sintomas das doenças. As mulheres também utilizam mais os serviços de saúde e trocam experiências de saúde com outras mulheres. O impacto do diagnóstico de doença crônica pode levar o indivíduo a aderir a uma dieta mais saudável como parte do tratamento40. Em pesquisa desenvolvida com adultos de 20 anos ou mais, observou-se um gradiente de melhora dos escores do Healthy Eating Index-2005 com o aumento do número de morbidades41.

Entre as limitações deste estudo, destaca-se a aplicação de apenas um recordatório de 24h o que pode não traduzir a ingestão usual do indivíduo devido à variabilidade intraindividual da ingestão alimentar. Entretanto, quando aplicado em base populacional e de forma a considerar os diferentes dias e meses do ano, pode-se estimar uma média da ingestão para a população alvo42. Por outro lado, o estudo de corte transversal impede interpretar as associações encontradas como resultantes de relação de causa e efeito. O inquérito utilizado como fonte dos dados deste estudo abrange uma temática ampla, não sendo uma pesquisa específica de nutrição, o que reduz o detalhamento de questões sobre consumo alimentar, mas por sua vez amplia as dimensões de saúde que podem ser avaliadas em sua relação com a dieta. Também é importante mencionar que posteriormente à realização deste estudo houve a revisão das diretrizes nacionais sobre alimentação, publicadas por meio do Guia Alimentar para a População Brasileira no ano de 201443, que traz implicações para as análises de qualidade da dieta.

É importante salientar que o reconhecimento do pior perfil de saúde, das maiores taxas de mortalidade e da maior resistência dos homens em procurar os serviços de saúde, levou à criação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem44 com a perspectiva de qualificar a atenção à saúde dos homens com foco na integralidade dessa atenção.

As diferenças observadas na qualidade do consumo de alimentos e nos fatores associados à qualidade da dieta entre homens e mulheres podem decorrer do fato de que é predominante no sexo masculino um padrão de vida marcado pela maior carga de trabalho, pela dificuldade de procurar por cuidado de saúde, seja pela falta de tempo ou por acreditar que não há necessidade, além do maior consumo de alimentos fora do domicílio. Os resultados sinalizam a necessidade de medidas que promovam melhorias na alimentação do conjunto da população e que atenção especial deve ser direcionada aos homens, pois como mostra este estudo, eles apresentam pior qualidade da dieta.

Levando em conta o envelhecimento populacional e o aumento da expectativa de vida, estudar o segmento de adultos é fundamental devido à possibilidade de promover intervenções focadas nos comportamentos relacionados à saúde, visando reduzir a incidência de doenças crônicas na velhice e melhorar a qualidade de vida.

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