Diferenças nos aspectos cognitivos entre idosos praticantes e não praticantes de exercício físico

Diferenças nos aspectos cognitivos entre idosos praticantes e não praticantes de exercício físico

Autores:

Roges Ghidini Dias,
Inês Amanda Streit,
Paula Fabricio Sandreschi,
Tânia Rosane Bertoldo Benedetti,
Giovana Zarpellon Mazo

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Psiquiatria

versão impressa ISSN 0047-2085

J. bras. psiquiatr. vol.63 no.4 Rio de Janeiro out./dez. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/0047-2085000000041

ABSTRACT

Objective

To compare de cognitive development of the seniors that practice and the one that doesn’t practice physical exercises.

Methods

This transversal study was made with 104 senior citizens, 64 belonging to the physical exercises Practicing Group (G1) and 40 belonging to the Non Practicing Group (G2), registered on Health Centers. It was a applied a Mini Exam of Mental Health (MEEM) to assess the cognitive health and a record for the characterize the sample. Afterwards, it was applied a Battery of Cognitive Computerized Evaluation (CogState) to assess the cognitive development of the senior citizens. There was utilized the U Mann Whitney test to compare the groups and the computation of the measure of effect d of Cohen, to verify if the practice of physical exercise influence on the cognitive development. To the descriptive assessment there was utilized data expressed in average, standard deviation, median and percentage. There was accepted the level of significance of 5%.

Results

The score on the MEEM have presented statistically significant differences between the groups. About the cognitive development, mensured by CogState, the groups diverged significantly to all the analyzed variables, presenting the G1 the best performance on the time tests of time and simple reaction, of choice and assisted attention; on the other hand, the G2 had better performance on the tests of short time memory and work.

Conclusions

Senior citizens practicing physical exercises have better performance for simple reaction time, choice reaction time and assisted care, when compared to older non-practicing.

Key words: Cognition; aged; motor activity

INTRODUÇÃO

O envelhecimento é um processo complexo e usualmente acompanhado de alterações biopsicossociais. Com essas alterações ocorre o declínio dos processos cognitivos e funcionais1,2. Alguns processos cognitivos, como o tempo de reação, a memória de curto prazo, a memória de trabalho e a atenção, são de suma importância para o idoso, assim como as outras funções cognitivas. Eles determinam o tempo de resposta a um estímulo, a recordação de informações recentes e do planejamento executivo para realizar ações cotidianas e a concentração necessária para realizar tais ações com eficácia3,4.

As perdas nos processos cognitivos, como a memória, influenciam na execução de tarefas funcionais diárias1 e também podem se relacionar com o aumento da prevalência das doenças degenerativas como o Alzheimer. Isso pode acarretar consequências negativas para a autonomia, a independência e a qualidade de vida, tornando-se um desfecho irreversível para os idosos5.

Em busca da prevenção aos declínios dos processos cognitivos provenientes do envelhecimento, diversos estudos e organizações mundiais evidenciam a prática de atividade física como uma abordagem não farmacológica6-11. Etgen et al.12 constataram que a atividade física moderada ou vigorosa está associada com um menor risco de desenvolver algum transtorno cognitivo. Reforçando essa hipótese, Sofi et al.13, em uma metanálise, concluíram que os estudos analisados em sua revisão destacam a importância do papel da atividade física como fator protetor das funções mentais, mesmo em indivíduos saudáveis. Além disso, sugerem que mais estudos sejam realizados para reforçar a ação da atividade física na integração da função cognitiva.

Na perspectiva de relacionar o nível de atividade física com a saúde mental, um estudo de base populacional com amostragem probabilística, incluindo 875 idosos da cidade de Florianópolis, mostrou que um nível de atividade física baixo se relaciona com uma pior saúde mental em idosos14. Posteriormente, um estudo realizado por Borges et al.15 evidenciou que idosos praticantes de exercícios físicos há menos de um ano residentes na mesma cidade apresentaram prevalência de depressão (17,4%) e transtornos cognitivos (9,1%).

Assim, com base nas evidências de que o processo de envelhecimento ocasiona o declínio das funções cognitivas e funcionalidade motora, da necessidade da realização de novos estudos para que se possa esclarecer a diferença entre a cognição de idosos que praticam e aqueles que não praticam exercícios físicos e da lacuna existente quanto à falta de estudos que utilizaram avaliação de capacidades como tempo de reação, memória de curto prazo, memória de trabalho e atenção sustentada, este estudo teve como objetivo comparar o desempenho cognitivo de idosos praticantes e não praticantes de exercícios físicos.

MÉTODOS

Delineamento do estudo e sujeitos

Trata-se de um estudo observacional, transversal, no qual o processo de seleção da amostra se deu de forma intencional. A amostra do estudo foi estratificada de acordo com a exposição à prática de exercício físico (G1 = praticantes; G2 = não praticantes). Portanto, participaram do estudo 104 idosos com média de idade de 65,4 ± 4,1, sendo 64 pertencentes ao G1 (51 mulheres e 13 homens) e 40 ao G2 (34 mulheres e 6 homens).

Os idosos pertencentes ao G1 foram selecionados por meio do Programa Floripa Ativa Fase B, da Secretaria Municipal de Saúde, de Florianópolis, SC, Brasil. A fase “B” desse programa desenvolvia aulas de ginástica funcional, com intensidade moderada, três vezes na semana e com duração de 60 minutos/sessão em centros de saúde (CS) de Florianópolis (Capoeiras, Córrego Grande, Ingleses e Saco Grande). Nessas aulas eram enfatizados diferentes componentes da capacidade funcional, principalmente a força, o equilíbrio, a flexibilidade, a coordenação e a resistência aeróbia.

Para definir a amostra do G1, foram adotados os seguintes critérios de inclusão: ser idoso (60 anos ou mais de idade); participante do programa Floripa Ativa – Fase B há pelo menos seis meses; não apresentar mais de duas faltas consecutivas durante o programa e apresentar escores adequados no teste do Miniexame do Estado Mental (MEEM)16, ou seja, atingir 20 pontos para analfabetos, 25 para 1 a 4 anos de estudo, 26,5 para 5 a 8 anos, 28 para 9 a 11 anos e 29 para indivíduos com escolaridade superior a 11 anos17. Também foi utilizada como critério de exclusão depressão diagnosticada por um profissional da saúde.

Os idosos pertencentes ao G2 foram indicados pelos idosos do G1, pois deveriam estar pareados em relação à idade, residir no mesmo bairro e estar cadastrados nos CS (Capoeiras, Córrego Grande, Ingleses e Saco Grande). Os critérios de inclusão foram: ser idoso (60 anos ou mais de idade) e apresentar escores adequados no teste do MEEM. Foram excluídos da amostra inicial idosos que possuíam depressão diagnosticada.

Instrumentos e coleta de dados

O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob o protocolo 75/2008.

Foram utilizados os seguintes instrumentos para a coleta de dados:

–Uma Ficha Diagnóstica foi formulada com questões fechadas relacionadas aos dados sociodemográficos (idade, sexo, escolaridade) e as condições de saúde (doenças autorreferidas e medicamentos utilizados).

–O MEEM é um instrumento composto por questões agrupadas em sete categorias, cada qual planejada com o objetivo de avaliar a capacidade cognitiva global e funções cognitivas específicas. São elas: orientação (tempo e local), registro de três palavras (memória curto prazo), atenção e cálculo, recordação das três palavras (evocação), linguagem e capacidade visuoconstrutiva. O escore do MEEM varia de 0 a 30 pontos, sendo que valores mais baixos apontam para possível déficit cognitivo18. Os pontos de corte foram determinados de acordo com os critérios de Brucki et al.17.

Os idosos selecionados foram submetidos aos cinco testes de avaliação do desempenho cognitivo, que compõem a Bateria de Avaliação Cognitiva Computadorizada – CogState19. Os testes e sua respectiva descrição estão apresentados no quadro 1.

Quadro 1 Apresentação da ilustração e da descrição dos testes que compõem a Bateria de Avaliação Cognitiva Computadorizada – CogState 

Esta bateria fornece resultados em milissegundos (ms) e valores logarítmicos normalizados de base 10. Para esse estudo foram empregados apenas os resultados obtidos em milissegundos21.

Análise estatística

Os dados foram tabulados, tratados e analisados no software estatístico SPSS® versão 17.0, para Windows. Para análise descritiva, utilizaram-se dados expressos em média, desvio-padrão, mediana e percentil. Para análise inferencial, inicialmente foi testada a hipótese de distribuição normal dos dados por meio do teste de Kolmogorov-Smirnov. Após a rejeição de tal hipótese, utilizou-se o teste U Mann Whitney para comparação dos grupos, bem como o cálculo da medida de efeito d de Cohen, para verificar se a prática de exercício físico influencia no desempenho cognitivo. Admitiu-se nível de significância de 5%.

RESULTADOS

Quanto às características sociodemográficas, os idosos pertencentes ao G1 apresentaram, em média, maior idade (G1 = 66,8 ± 5,1; G2 = 64 ± 3,2) e escolaridade (G1 = 6,1 ± 3; G2 = 5,5 ± 2,5), além da capacidade cognitiva global (Miniexame do Estado Mental – MEEM) superior quando comparados aos idosos do G2 (G1 = 26,4 ± 1,6; G2 = 25,4 ± 1,4). No entanto, somente a pontuação no MEEM apresentou diferença estatisticamente significativa entre grupos, além das funções cognitivas específicas: registro, linguagem e habilidades construtivas. A tabela 1 apresenta as características sociodemográficas e do perfil cognitivo dos idosos participantes do estudo.

Tabela 1 Características sociodemográficas e perfil cognitivo dos idosos praticantes (G1) e não praticantes (G2) de exercícios físicos em Centros de Saúde de Florianópolis/SC 

Variáveis sociodemográficas G1 (n = 64) Média ± DP G2 (N = 40) Média ± DP U p
Idade (anos) 66,8 ± 5,1 64 ± 3,2 990,000 0,05
Escolaridade (anos) 6,1 ± 3,0 5,5 ± 2,5 1123,000 0,271
MEEM 26,4 ± 1,6 25,4 ± 1,4 790,500 0,001*
Orientação 9,22 ± 0,5 9,20 ± 0,5 1254,000 0,863
Registros 3 ± 0 2,78 ± 0,5 992,000 0,002*
Atenção e cálculo 3,39 ± 0,9 3,43 ± 0,9 1254,500 0,854
Lembrança 2,2 ± 0,5 2,23 ± 0,4 1259,000 0,826
Linguagem 7,86 ± 0,3 7,25 ± 0,6 637,500 > 0,001*
Habilidade construtiva 0,8 ± 0,3 0,5 ± 0,5 912,000 0,003*

MEEM: Miniexame do Estado Mental; DP: desvio-padrão; U = teste U de Mann-Whitney; p = nível de significância. * p < 0,05.

Observou-se melhor desempenho cognitivo (Bateria de Avaliação Cognitiva Computadorizada – CogState) entre os idosos participantes de programas de exercícios. Os grupos apresentaram diferença em todas as variáveis analisadas: melhor desempenho no tempo de reação simples, tempo de reação de escolha e atenção sustentada, e pior desempenho na memória de curto prazo e memória de trabalho.

Na tabela 2 apresenta-se a medida de efeito da prática de exercício físico no desempenho cognitivo (d de Cohen). Os resultados mostram efeito moderado nas variáveis Tempo de Reação Simples (TRS) e Atenção Sustentada (AS) e efeito alto nas variáveis Tempo de Reação de Escolha (TRE), Memória de Curto Prazo (MCP) e Memória de Trabalho (MT).

Tabela 2 Desempenho cognitivo de idosos praticantes (G1) e não praticantes (G2) de exercícios físicos em Centros de Saúde de Florianópolis/SC 

Teste G1 Me/Md/DP G2 Me/Md/DP U p d
TRS 412,99/366,26/154,06 499,53/489,88/109,03 596,00 < 0,001* 0,64
TRE 634,94/616,53/110,65 739,39/730,50/138,29 687,00 < 0,001* 0,834
MCP 911,43/789,58/335,55 690,15/718,43/140,15 819,00 0,002* 0,860
MT 1200,78/999,30/641,97 742,92/735,30/150,67 380,00 < 0,001* 0,981
AS 491,58/468,13/141,01 935,09/777,55/978,30 162,00 < 0,001* 0,634

Me: média; Md: mediana; U: Teste U de Mann Whitney; DP: desvio-padrão; p: nível de significância; d: d de Cohen;* p < 0,05. Tempo de Reação Simples (TRS) e Atenção Sustentada (AS) e efeito alto nas variáveis Tempo de Reação de Escolha (TRE), Memória de Curto Prazo (MCP) e Memória de Trabalho (MT).

DISCUSSÃO

O presente estudo teve como objetivo comparar o desempenho cognitivo de idosos praticantes e não praticantes de exercícios físicos. Constatou-se que o G1 apresentou melhor desempenho na pontuação geral do MEEM e nos testes de tempo de reação e atenção sustentada da bateria CogState. Ainda, ao avaliar a medida de efeito da prática de exercício físico no desempenho cognitivo, foi verificado um efeito moderado nos testes de Tempo de Reação Simples e Atenção Sustentada, além de efeito alto nos demais testes.

Diante das características sociodemográficas dos idosos participantes deste estudo, é possível verificar que não houve diferença significativa em relação à idade entre o G1 e o G2. Ainda se tratando da caracterização da amostra, os idosos do G1 apresentaram pontuação total no MEEM significantemente superior à obtida pelo G2.

Outros estudos22,23 tiveram resultados semelhantes. Um grupo de iranianos com 55 anos ou mais de idade que praticavam atividades físicas regularmente apresentou 24,8 ± 0,22 pontos no MEEM, enquanto o grupo que não era ativo fisicamente obteve 22,53 ± 0,49 pontos23. Nessa perspectiva, Banhato et al.21, ao avaliarem 394 idosos brasileiros utilizando o MEEM, verificaram que a prática de atividade física influencia o desempenho cognitivo, identificando escores significativamente mais altos em idosos ativos fisicamente quando comparados aos sedentários.

Em relação ao desempenho cognitivo dos idosos do presente estudo quanto às tarefas da bateria de avaliação cognitiva (CogState), verificou-se que o G1 apresentou melhor desempenho nos testes que avaliaram o tempo de reação (TRS e TRE) e atenção sustentada (AS), enquanto para os testes que avaliaram a memória de curto prazo e de trabalho (MCP e MT) o desempenho foi pior para esse grupo. Luft et al.23 constataram que há uma tendência das idosas sedentárias de apresentarem pior resultado nos testes de tempo de reação da bateria CogState quando comparadas àquelas com histórico ativo fisicamente. No entanto, relatam que essas diferenças não foram estatisticamente significantes e explica que isso pode ter ocorrido pelo fato de o processo de envelhecimento ser mais complexo em pessoas idosas.

Tal fato também pode ser aplicado ao presente estudo para esclarecer a medida de efeito moderado da prática de atividade física sobre o TRS e AS, bem como um efeito alto para TRE, MCP e MT, uma vez que não houve padrão quanto ao melhor desempenho do G1 tão quanto ao efeito dessa comparação.

Contrapondo os resultados do presente estudo, Schaeffer et al.24, ao compararem o desempenho cognitivo entre idosos ativos e inativos fisicamente, não encontraram diferença significante entre os valores obtidos pelos grupos no teste de atenção sustentada. Kramer e Willis25 e James e Coyle26 observaram que os motivos relacionados ao déficit cognitivo e o envelhecimento não estão bem estabelecidos, no entanto, entre as propostas mais frequentemente levantadas está o decréscimo de atenção. Esse fato pode estar relacionado à evidência sobre um dispêndio maior de tempo para realizar tarefas mais complexas, como foi verificado por Corazza et al.27, em que idosos motoristas praticantes de exercícios físicos apresentaram melhor desempenho no TRS em relação ao TRE (média de 395,19 ms e 642,31 ms, respectivamente). Essa tendência em apresentar maior tempo de resposta para realizar tarefas cognitivas, conforme aumenta a dificuldade das tarefas, também é corroborada por Spirduso1 e Luft et al23.

Quanto ao desempenho nos testes de memória, Schaeffer et al.24 constataram que o grupo de idosos fisicamente ativos submetidos a um teste de memória episódica, de longo prazo, apresentou desempenho significativamente melhor do que o grupo inativo. No presente estudo verificou-se pior desempenho dos idosos praticantes de exercícios físicos no teste MCP e MT, o que, apesar de não tratar do mesmo mecanismo de memória avaliado no estudo de Shaeffer et al.24, apresenta resultados opostos a este. Outro estudo constatou que a prática de exercícios aeróbios é eficaz na reversão da perda do volume hipocampal em idosos e isso pode ser refletido na melhora da memória28. Além disso, Ruscheweyh et al.29 verificaram que a intervenção de exercícios físicos em idosos é benéfica tanto em intensidade leve quanto moderada.

No entanto, não há consenso quanto ao melhor tipo de exercício físico para melhora da memória. Silva et al.30, em revisão bibliográfica, demonstram que a literatura não dispõe de estudos para determinar qual o tipo de exercício físico para a melhoria efetiva da memória em idosos, no entanto, observam a hipótese supracitada de que a atividade física, de forma geral, é benéfica para a memória de idosos. Além disso, Denkinger et al.31 enfatizam que não há exercícios específicos que podem ser recomendados, mas a evidência científica disponível sugere que a prática de mais do que um tipo de exercícios parece ser mais benéfica em idosos. Portanto, no presente estudo, os resultados em relação a MCP e MT podem ser atribuídos ao fato de os exercícios não serem específicos para estimular ou aprimorar a memória ou demais capacidades cognitivas.

Para Greenwood e Parasuraman32, a efetividade da prática da atividade física para a cognição ainda não foi bem estabelecida com humanos e de maneira geral os estudos encontrados na literatura são apenas observacionais. No entanto, estudos de metanálises com experimentos em modelos animais evidenciaram efeitos positivos dessa prática para a cognição. Diniz et al.33, por outro lado, em revisão crítica, constataram que a influência positiva da atividade física no desempenho cognitivo em idosos não é encontrada em todos os estudos que foram analisados. Os autores atribuem tal hipótese provavelmente ao fato da utilização de medidas indiretas, como questionários, para a mensuração do nível de atividade física.

No presente estudo, ao observar o fato de que os grupos não apresentaram diferença significativa quanto à escolaridade e essa diferença ter sido verificada no MEEM, constata-se que o melhor resultado do G1 pode ser atribuído à prática do exercício físico, uma vez que os valores obtidos no MEEM estejam dentro dos pontos de corte propostos.

Assim, destaca-se que a prática de exercício físico, sistematizada e assistida, realizada pelo G1, possa ter contribuído de forma significativa para a melhora ou, pelo menos, manutenção de alguns componentes da função cognitiva em comparação ao G2. Preconiza-se, contudo, que o nível de atividade física mensurado diretamente poderia vir ao encontro dos resultados encontrados sobre a diferença no desempenho cognitivo entre os grupos. Considera-se, portanto, que a não mensuração do nível de atividade física desses idosos foi uma limitação do estudo.

CONCLUSÕES

Idosos praticantes de exercícios físicos demonstram possuir melhor desempenho para o tempo de reação simples, tempo de reação de escolha e atenção assistida, quando comparados aos idosos não praticantes.

Sob uma ótica direcionada às vivências práticas dos profissionais de Educação Física, os resultados deste estudo fornecem insumos para que o planejamento das ações em saúde direcionadas à população idosa incorpore medidas de incentivo ao aumento do nível de atividade física e implementem programas de exercícios físicos supervisionados direcionados a essa população. Ao considerar o contexto de programas de promoção de saúde em que o estudo foi realizado, a relevância torna-se ainda evidente por tratar-se de uma ação pública e coletiva.

Recomendam-se estudos experimentais utilizando medida direta do nível de atividade física e que analisem o comportamento de idosos quando submetidos a tratamentos por meio de exercícios físicos específicos para melhorar o desempenho cognitivo.

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