Dislipidemia Associa-se com Falta de Aptidão e Sobrepeso-Obesidade em Crianças e Adolescentes

Dislipidemia Associa-se com Falta de Aptidão e Sobrepeso-Obesidade em Crianças e Adolescentes

Autores:

Cézane Priscila Reuter,
Priscila Tatiana da Silva,
Jane Dagmar Pollo Renner,
Elza Daniel de Mello,
Andréia Rosane de Moura Valim,
Luiza Pasa,
Rafaela da Silva,
Miria Suzana Burgos

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.106 no.3 São Paulo mar. 2016 Epub 16-Fev-2016

https://doi.org/10.5935/abc.20160025

Resumo

Fundamento:

Falta de aptidão aeróbica e obesidade, em separado, estão associadas com perfis lipídicos anormais.

Objetivo:

Identificar possíveis relações de dislipidemia com aptidão cardiorrespiratória e obesidade, combinadas, em crianças e adolescentes.

Métodos:

Estudo transversal incluindo 1.243 crianças e adolescentes (563 meninos e 680 meninas) entre 7 e 17 anos de idade oriundos de 19 escolas. Avaliou-se obesidade usando o índice de massa corporal (IMC). Aptidão cardiorrespiratória foi determinada com o teste de corrida/caminhada de 9 minutos. Os seguintes marcadores foram utilizados para compor o perfil lipídico de cada participante: colesterol total, frações de colesterol (lipoproteínas de alta densidade e de baixa densidade) e triglicerídeos. Os dados foram analisados com o programa SPSS v. 20.0, usando-se razão de prevalência (RP) e regressão de Poisson.

Resultado:

Dislipidemia é mais prevalente em crianças e adolescentes do tipo inapto/sobrepeso-obesidade em comparação a meninos e meninas do tipo apto/abaixo do peso-peso normal (RP: 1,25; p = 0,007 e RP: 1,30; p = 0,001, respectivamente).

Conclusões:

A prevalência de dislipidemia está diretamente relacionada a obesidade e baixos níveis de aptidão cardiorrespiratória.

Palavras-chave: Dislipidemias; Obesidade; Sobrepeso; Aptidão Física

Abstract

Background:

Both poor aerobic fitness and obesity, separately, are associated with abnormal lipid profiles.

Objective:

To identify possible relationships of dyslipidemia with cardiorespiratory fitness and obesity, evaluated together, in children and adolescents.

Methods:

This cross-sectional study included 1,243 children and adolescents (563 males and 680 females) between 7 and 17 years of age from 19 schools. Obesity was assessed using body mass index (BMI) measurements, and cardiorespiratory fitness was determined via a 9-minute run/walk test. To analyze the lipid profile of each subject, the following markers were used: total cholesterol, cholesterol fractions (high-density lipoprotein and low-density lipoprotein) and triglycerides. Data were analyzed using SPSS v. 20.0, via prevalence ratio (PR), using the Poisson regression.

Results:

Dyslipidemia is more prevalent among unfit/overweight-obese children and adolescents compared with fit/underweight-normal weight boys (PR: 1.25; p = 0.007) and girls (PR: 1.30, p = 0.001).

Conclusions:

The prevalence of dyslipidemia is directly related to both obesity and lower levels of cardiorespiratory fitness.

Keywords: Dyslipidemias; Obesity; Overweight; Physical Fitness

Introdução

Alterações no estilo de vida, incluindo obesidade, aumentaram a prevalência de dislipidemia em crianças e adolescentes.1 Tanto aptidão aeróbica deficiente quanto mau gerenciamento de peso acham-se associados com perfis lipídicos anormais, e tais achados reforçam a importância da triagem para dislipidemia em jovens como uma nova ferramenta para promoção da saúde pública.2 Além disso, fatores tanto genéticos quanto ambientais podem ser determinantes de dislipidemia.3

No Brasil, estudos prévios observaram uma alta prevalência de distúrbios lipídicos durante a infância e a adolescência. Um estudo conduzido em Campina Grande, Paraíba, indicou a presença de dislipidemia em 66,7% dos adolescentes e níveis reduzidos de colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL-C) em 56,7% desses indivíduos.4 Franca e Alves,5 avaliando 414 crianças e adolescentes saudáveis em Pernambuco, concluíram que 29,7% apresentavam perfis lipídicos indesejáveis, caracterizados por níveis elevados de triglicerídeos (TG), colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) e colesterol total (CT).

Portanto, medir os níveis séricos de CT, LDL-C, HDL-C e TG, assim como avaliar outros fatores de risco para doença cardíaca, como obesidade e inatividade física, é necessário para a predição de doença cardiovascular.6,7 Este estudo teve por objetivo identificar possíveis relações de dislipidemia com níveis baixos de aptidão cardiorrespiratória (ACR) e obesidade em crianças e adolescentes.

Métodos

Este estudo transversal incluiu 1.243 crianças e adolescentes oriundos de 19 escolas municipais em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil, sendo 563 meninos e 680 meninas, entre 7 e 17 anos de idade (mediana, 12,0 anos), das áreas urbana e rural. Este estudo é parte do "Projeto Saúde Escolar", uma coorte longitudinal maior, iniciada em 2004, e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Humana da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) (protocolo 714.216). Foi conduzido conforme os padrões requeridos pela Declaração de Helsinque. Os pais/responsáveis assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido para a participação de seus filhos neste estudo.

Todas as avaliações foram realizadas na UNISC. Calculou-se o índice de massa corporal (IMC) com a fórmula: IMC = peso (kg)/altura (m)². Com base no sexo e na idade dos participantes, os valores obtidos foram classificados através de curvas de percentil do CDC/NCHS8 como se segue: abaixo do peso, < p5; peso normal, ≥ p5 e < p85; sobrepeso, p ≥ 85 e < p95; e obesidade, ≥ p95. Como recomenda o "Projeto Esporte Brasil",9 avaliou-se a ACR através do teste de corrida/caminhada de 9 minutos e, com base nos resultados de ACR, elaborou-se a seguinte classificação: 1) apto (alto nível de ACR) e 2) inapto (baixo nível de ACR). Através da combinação dos dados de IMC e ACR previamente obtidos, elaboramos uma nova classificação de tipo corporal: 1) apto/abaixo do peso-peso normal; 2) apto/sobrepeso-obesidade; 3) inapto/abaixo do peso-peso normal; e 4) inapto/sobrepeso-obesidade.

Após jejum de 12 horas, coletou-se sangue. O perfil lipídico foi composto tendo por base os marcadores CT, HDL-C, LDL-C e TG, usando-se o equipamento automático Miura One (ISE, Roma, Itália) e kits comerciais (DiaSys Diagnostic Systems, Alemanha). Calculou-se o LDL-C com a equação de Friedewald.10 Em seguida, cada valor foi classificado de acordo com o National Heart, Lung, and Blood Institute,11 que utiliza os seguintes pontos de corte: 1) CT: ≥ 200 mg/dL; 2) LDL-C ≥ 130 mg/dL; e 3) TG: ≥ 100 mg/dL (0-9 anos) ou ≥ 130 mg/dL (10-19 anos). Um valor de HDL-C < 40 mg/dL foi considerado baixo. Os participantes foram considerados dislipidêmicos quando pelo menos um dos parâmetros listados estava alterado.

Os dados foram analisados usando-se o programa SPSS v. 20.0 (IBM, Chicago, IL, EUA). Usou-se análise descritiva (números e porcentagens) para caracterizar as amostras. As relações entre as variáveis categóricas, estratificadas por sexo, foram avaliadas com o teste do qui-quadrado. As relações entre dislipidemia e ACR e obesidade nas crianças e nos adolescentes foram avaliadas usando-se razão de prevalência (RP) e regressão de Poisson. As diferenças foram consideradas significativas se p < 0,05.

Resultados

A Tabela 1 apresenta as características descritivas dos participantes deste estudo. Houve uma alta porcentagem de crianças com dislipidemia (42,1%) assim como de crianças com sobrepeso ou obesas (29,1%), apresentando baixos níveis de ACR (50,8%).

Tabela 1 Características da amostra 

n (%)
Sexo
Meninos 563 (45,3)
Meninas 680 (54,7)
Colesterol total
Aceitável + limítrofe 902 (72,6)
Alto 341 (27,4)
HDL-colesterol
Aceitável + limítrofe 1167 (93,9)
Baixo 76 (6,1)
LDL-colesterol
Aceitável + limítrofe 960 (77,2)
Alto 283 (22,8)
Triglicerídeos
Aceitável + limítrofe 1170 (94,1)
Alto 73 (5,9)
Dislipidemia
Não 720 (57,9)
Sim 523 (42,1)
Indice de massa corporal (IMC)
Abaixo do peso + peso normal 881 (70,9)
Sobrepeso + obesidade 362 (29,1)
Aptidão cardiorrespiratória
Apto 611 (49,2)
Inapto 632 (50,8)
Aptidão cardiorrespiratória/IMC
Apto/abaixo do peso-peso normal 479 (38,5)
Apto/sobrepeso-obesidade 132 (10,7)
Inapto /abaixo do peso-peso normal 402 (32,3)
Inapto /sobrepeso-obesidade 230 (18,5)

A Tabela 2 mostra maior prevalência de dislipidemia entre as meninas (p < 0,001). Além disso, observou-se maior porcentagem de indivíduos do tipo apto/abaixo do peso-peso normal (40,3%) entre os meninos do que entre as meninas (37,1%).

Tabela 2 Dislipidemia e combinação de aptidão cardiorrespiratória (ACR) e índice de massa corporal (IMC) por sexo 

Meninos (n = 563) Meninas (n = 680) p*
n (%) n (%)
Dislipidemia
Não 357 (63,4) 363 (53,4)
Sim 206 (36,6) 317 (46,6) < 0,001
ACR/IMC
Apto/abaixo do peso-peso normal 227 (40,3) 252 (37,1)
Apto/sobrepeso-obesidade 77 (13,7) 55 (8,1)
Inapto/abaixo do peso-peso normal 150 (26,6) 252 (37,1) < 0,001
Inapto/sobrepeso-obesidade 109 (19,4) 121 (17,7)

*Teste do qui-quadrado

A Tabela 3 apresenta a relação entre dislipidemia e ACR/IMC. Após ajuste para idade, dislipidemia mostrou maior prevalência entre os escolares do tipo inapto/sobrepeso-obesidade comparados aos do tipo apto/abaixo do peso-peso normal, tanto para meninos (RP: 1,25; p = 0,007) quanto para meninas (RP: 1,30; p = 0,001).

Tabela 3 Relação entre dislipidemia e combinação de aptidão cardiorrespiratória e índice de massa corporal 

Dislipidemia p Dislipidemia p
RP bruta (IC 95%) RP ajustada* (IC 95%)
Meninos
Apto/abaixo do peso-peso normal 1 1
Apto/sobrepeso-obesidade 1,05 (0,96-1,15) 0,317 1,20 (0,99-1,44) 0,062
Inapto/abaixo do peso-peso normal 0,97 (0,90-1,04) 0,424 0,80 (0,71-0,92) 0,001
Inapto/sobrepeso-obesidade 1,10 (1,03-1,20) 0,009 1,25 (1,06-1,46) 0,007
Meninas
Apto/abaixo do peso-peso normal 1 1
Apto/sobrepeso-obesidade 0,99 (0,89-1,10) 0,846 1,12 (0,90-1,39) 0,317
Inapto/abaixo do peso-peso normal 1,01 (0,95-1,07) 0,857 0,91 (0,81-1,02) 0,091
Inapto/sobrepeso-obesidade 1,13 (1,05-1,21) 0,001 1,30(1,11-1,51) 0,001

Regressão de Poisson; RP: razão de prevalência; IC: intervalo de confiança;

*para idade

Os perfis lipídicos foram analisados separadamente. A Tabela 4 mostra maior prevalência de altos níveis de TG no tipo inapto/sobrepeso-obesidade, tanto para meninos (RP: 1,08; p = 0,017) quanto para meninas (RP: 1,11; p = 0,001). Altos níveis de CT associaram-se apenas com o tipo inapto/sobrepeso-obesidade entre meninos (RP: 1,09; p = 0,036). Além disso, a Tabela 4 indica que HDL-C e LDL-C não diferiram significativamente em relação à ACR e ao IMC.

Tabela 4 Relação entre altos níveis de TG, CT, HDL-C e LDL-C e combinação de aptidão cardiorrespiratória e índice de massa corporal 

TG p CT p
RP ajustada* (IC 95%) RP ajustada* (IC 95%)
Meninos
Apto/abaixo do peso-peso normal 1 1
Apto/sobrepeso-obesidade 1,03 (0,97-1,09) 0,310 1,02(0,93-1,11) 0,721
Inapto/abaixo do peso-peso normal 0,99 (0,96-1,01) 0,258 1,02 (0,95-1,09) 0,613
Inapto/sobrepeso-obesidade 1,08 (1,01-1,14) 0,017 1,09 (1,01-1,18) 0,036
Meninas
Apto/abaixo do peso-peso normal 1 1
Apto/sobrepeso-obesidade 1,11 (1,02-1,20) 0,020 0,99 (0,89-1,01) 0,989
Inapto/abaixo do peso-peso normal 1,01 (0,98-1,05) 0,470 1,01 (0,95-1,08) 0,659
Inapto/sobrepeso-obesidade 1,11 (1,05-1,18) 0,001 1,06 (0,98-1,15) 0,132
HDL-C p LDL-C p
RP ajustada* (IC 95%) RP ajustada* (IC 95%)
Meninos
Apto/abaixo do peso-peso normal 1 1
Apto/sobrepeso-obesidade 1,02 (0,96-1,09) 0,510 1,05 (0,96-1,15) 0,309
Inapto/abaixo do peso-peso normal 1,01 (0,97-1,06) 0,557 0,97 (0,91-1,04) 0,362
Inapto/sobrepeso-obesidade 1,05 (0,99-1,12) 0,084 1,00 (0,93-1,08) 0,920
Meninas
Apto/abaixo do peso-peso normal 1 1
Apto/sobrepeso-obesidade 1,00 (0,94-1,06) 0,961 0,94 (0,85-1,04) 0,216
Inapto/abaixo do peso-peso normal 0,99 (0,96-1,03) 0,719 0,94 (0,89-1,00) 0,057
Inapto/sobrepeso-obesidade 1,03 (0,97-1,08) 0,357 1,04 (0,96-1,12) 0,314

Regressão de Poisson; RP: razão de prevalência; IC: intervalo de confiança; TG: triglicerideos; CT. colesterol total; HDL-C: colesterol da lipoproteína de alta densidade; LDL-C: colesterol da lipoproteína de baixa densidade;

*para idade.

Discussão

Neste estudo, dislipidemia foi mais prevalente entre meninas (46,6%) do que entre meninos (36,6%). Os resultados são similares aos observados em crianças na Noruega, onde as meninas apresentaram perfis lipídicos menos favoráveis caracterizados por maiores níveis de TG (p = 0,007) e de LDL-C (p = 0,013) e menores concentrações de HDL-C (p = 0,004) do que os meninos.12 No Brasil, um estudo realizado com pré-escolares da cidade de Diamantina, Minas Gerais, mostrou uma prevalência de dislipidemia de 65,19%.13

Estudos recentes relataram que crianças com risco de sobrepeso e altos níveis de ACR apresentavam perfis metabólicos superiores comparadas àquelas com risco de sobrepeso e baixos níveis de ACR. Altos níveis de ACR podem reduzir o impacto do IMC no desenvolvimento de síndrome metabólica e melhorar os perfis metabólicos,14-16 sugerindo que a ACR reduza o risco cardiometabólico geral em crianças.17

Os dados deste estudo indicam que o aumento da gordura corporal, assim como da ACR, parece influenciar a ocorrência de dislipidemia. Quando ajustada para idade, a dislipidemia foi mais prevalente nos escolares do tipo inapto/sobrepeso-obesidade do que nos do tipo apto/abaixo do peso-peso normal, tanto para meninos (RP: 1,25; p = 0,007) quanto para meninas (RP: 1,30; p = 0,001). Além disso, meninos e meninas do grupo apto/abaixo do peso-peso normal apresentaram menor prevalência de dislipidemia (RP: 0,80 e 0,91, respectivamente) do que aqueles do grupo apto/sobrepeso-obesidade (RP: 1,20 e 1,12, respectivamente), sugerindo que o IMC adequado possa ser um fator de saúde mais importante do que níveis mais elevados de ACR em escolares.

Observou-se resultado semelhante em um estudo conduzido em Atenas, Grécia, que incluiu 2.410 crianças e examinou as diferenças nos fatores de risco cardiometabólico em crianças com diferentes perfis de IMC e níveis de ACR. O resultado do estudo indicou que as crianças classificadas como "magras e menos aptas" apresentaram níveis mais baixos de TG e CT e elevados de HDL-C em comparação àquelas "mais pesadas e mais aptas".18 Outro estudo conduzido na China, incluindo 676 estudantes, relatou que aqueles com níveis mais baixos de gordura apresentaram menor risco de desenvolver síndrome metabólica.16

Telford et al.19 observaram que os lipídeos séricos são sensíveis às alterações normais que ocorrem na porcentagem de gordura corporal e na ACR em adolescentes, sugerindo que se deva prestar atenção à composição corporal para se evitar o desenvolvimento de doença cardiovascular na idade adulta. Vranian et al.20 relataram que, em adultos jovens, obesidade e ACR acham-se associadas com um aumento do risco cardiometabólico e que seus efeitos são cumulativos. Entretanto, obesidade está mais associada com distúrbios metabólicos, ressaltando a importância da combinação de perda de peso e melhor ACR. Na Espanha, o IMC medeia a relação entre ACR e síndrome metabólica em escolares, enfatizando que altos níveis de ACR associam-se com menor risco cardiometabólico, particularmente no contexto de perda de peso.21 Um estudo com adolescentes realizado em Vitória, Espírito Santo, Brasil, revelou a relação negativa dos baixos níveis de ACR com fatores de risco cardiovascular, em particular, sobrepeso.22

Logo, sabendo que alterações no perfil lipídico podem causar problemas para a saúde das crianças, como aterosclerose, a prevenção precoce, pela adoção e manutenção de um estilo de vida saudável, é fundamental.23

Este estudo reforça a importante relação entre dislipidemia e sobrepeso ou obesidade e os baixos níveis de ACR em crianças e adolescentes. Além disso, avaliou-se ACR e obesidade em uma amostra representativa. Até onde se sabe, as associações aqui examinadas não haviam sido anteriormente analisadas para crianças e adolescentes brasileiros. As associações de aptidão aeróbica deficiente e obesidade com perfis lipídicos anormais só foram demonstradas separadamente em estudos anteriores. Entretanto, nosso estudo tem limitações. Embora o teste de corrida/caminhada de 9 minutos seja amplamente usado no Brasil, ele não inclui a fórmula para predição da VO2max. Além disso, este foi um estudo transversal que não acompanhou os escolares ao longo do tempo.

Conclusão

Este estudo demonstrou que dislipidemia é mais prevalente entre crianças e adolescentes do tipo inapto/sobrepeso-obesidade do que entre aqueles do tipo apto/abaixo do peso-peso normal. Logo, esta investigação sugere que intervenções terapêuticas e práticas interdisciplinares sejam importantes para a prevenção e o controle da obesidade, como são o encorajamento de prática de atividade física e a prevenção de problemas de saúde.

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