Doenças crônicas não transmissíveis e fatores associados em adultos numa área urbana de pobreza do nordeste brasileiro

Doenças crônicas não transmissíveis e fatores associados em adultos numa área urbana de pobreza do nordeste brasileiro

Autores:

Silvia Pereira da Silva de Carvalho Melo,
Eduarda Ângela Pessoa Cesse,
Pedro Israel Cabral Lira,
Anete Rissin,
Rachel de Sá Barreto Luna Callou Cruz,
Malaquias Batista Filho

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.8 Rio de Janeiro ago. 2019 Epub 05-Ago-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018248.30742017

Abstract

The scope of this study is to analyze the prevalence and factors associated with Chronic Noncommunicable Diseases (CNCD) in adults living in an impoverished urban area located in Recife in the Brazilian northeast. It is a cross-sectional study with a sample of 631 adults of 20 to 59 years of age. The possible associations of CNCD with demographic, socioeconomic, behavioral and health-related factors were analyzed using Poisson Regression, considering a p value of < 0.05 as being statistically significant. The prevalence of CNCD was 56.7%; highest among males (60.8%); adults aged 50-59 years (80.5%); lower economic class (57.7%); and lower level of schooling (62%). The problem was also associated with individuals with BMI ≥ 25 kg/m2 (34.2%) as well as individuals who reported poor health status (76.4%). In the multivariate hierarchical model, the statistically significant variables were: schooling, BMI, health perception, gender and age bracket. A high prevalence of at least one CNCD was observed, as well as a statistically significant association between CNCD and the following variables: schooling, BMI, health perception, gender and age bracket. These results suggest the need to intensify health promotion actions in poor communities, aiming at enhanced control of health in general.

Key words Chronic disease; Risk factors; Poverty

A situação de saúde no Brasil se caracteriza por uma transição demográfica acelerada e por um perfil epidemiológico de tripla carga de doenças (uma agenda não superada de doenças infecciosas e carenciais, uma carga importante de causas externas e uma marcante presença das condições crônicas), trazendo neste contexto as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)1. Fazem parte do grupo das DCNT as doenças cerebrovasculares, cardiovasculares, dislipidemias, diabetes mellitus, doenças respiratórias obstrutivas e neoplasias, responsáveis pelas maiores taxas de mortalidade no mundo2-4.

Essas doenças atingem indivíduos de todas as camadas socioeconômicas e, de forma mais intensa, aqueles pertencentes a grupos vulneráveis, como os de baixa escolaridade e renda5,6. Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), essas doenças criam um círculo vicioso com a pobreza, impactando negativamente sobre o desenvolvimento macroeconômico dos países, especialmente daqueles de média e baixa renda7.

Em 2008, as DCNT foram responsáveis por 63% dos óbitos no mundo, constituindo-se na primeira causa de mortalidade, com predominância de mortalidade prematura, principalmente em populações mais pobres8,9. Já no Brasil, a estimativa foi de 79,8% das mortes, no ano de 201410.

Em estudo sobre a carga global das doenças, no Brasil, realizado por Leite et al.11, foi demonstrado que 77,2% dos anos de vida perdidos por incapacidade eram representados pelo grupo das DCNT. As piores situações foram encontradas nas regiões Norte e Nordeste, o que pode ser reflexo de piores condições de vida e de acesso aos serviços de saúde, dificultando o controle dos fatores de risco para o tratamento das doenças, determinando maior incidência de sequelas e mortalidade precoce.

As DCNT compartilham diversos fatores de risco, como hereditariedade, raça, sexo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, dislipidemias, consumo insuficiente de frutas, legumes e verduras e sedentarismo12. A inatividade física e o excesso de peso são responsáveis, respectivamente, por 3,2 e 2,8 milhões de mortes/ano. Ao tabagismo e ao consumo abusivo de álcool são atribuídas 2,3 e 6 milhões de mortes ao ano13. O monitoramento das DCNT e de seus fatores de risco é prioridade no Brasil, e acompanha os esforços globais que estão sendo desenvolvidos8. A vigilância epidemiológica dessas doenças é essencial, uma vez que propicia o melhor entendimento, de distribuição, magnitude e tendência desses fatores14; contudo, essa ação é ainda incipiente em áreas urbanas de pobreza (favelas). No Brasil, cerca de 11 milhões de pessoas moram nessas áreas (6%), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE15.

De acordo com uma recente publicação da revista “Lancet”, o crescimento maciço das favelas no mundo não foi acompanhado por um aumento proporcional de estudos científicos, que permanece rudimentar quando comparado com outras realizadas em áreas não faveladas16. Reconhecendo-se a escassez de estudos nessas áreas e o seu impacto no processo saúde/doença da população, justifica-se o presente estudo, que objetivou analisar a prevalência e os fatores associados às DCNT, em adultos com idade de 20 a 59 anos, residentes numa área urbana de pobreza, situada em Recife, Nordeste do Brasil.

Métodos

Foi realizado um estudo de corte transversal utilizando dados da pesquisa “Saúde, nutrição e serviços assistenciais numa população favelada do Recife: um estudo baseline”, desenvolvido pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira – IMIP, em parceria com o Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e Prefeitura do Recife. É um inquérito proposto para estabelecer a linha de base de um projeto de coorte com intervenção para os próximos dez anos, especificamente focado nos problemas de saúde de interesse dominante (ou prioritários) na época investigada. A coleta de dados foi de base domiciliar e ocorreu entre junho a dezembro de 2014, numa área conhecida como Comunidade dos Coelhos, município do Recife, capital do Estado de Pernambuco. Para o cálculo da amostra tomou-se como referência um universo de 3.816 adultos com idade entre 20 e 59 anos, estimado pelo Sistema de Informação de Atenção Básica (SIAB) – Recife. Foi estimada uma prevalência de 50%, um erro amostral de 4% e um nível de confiança de 95%. Assim obteve-se uma amostra 498 adultos para a qual foi acrescentado um percentual de 20% para compensar possíveis perdas e/ou inconsistências dos questionários, resultando assim, numa amostra de 623 indivíduos. A amostra final, entretanto, contou com um total de 631 adultos. A amostragem foi do tipo probabilística e os adultos foram indicados por sorteio aleatório simples, a partir de uma listagem numerada dos adultos de 20 a 59 anos residentes dos domicílios, numa relação de um em cada quatro pessoas, sem substituição. Na ausência do indivíduo indicado no sorteio, eram realizadas mais duas visitas; se ainda assim o indivíduo não fosse encontrado no domicílio não era permitida a substituição. Foram excluídas as gestantes, os indivíduos com limitação física congênita ou adquirida que impossibilitassem a aferição das medidas antropométricas e os casos com edema visível ou transtornos psíquicos que dificultassem a colaboração.

Uma vez que o presente estudo procurou identificar as variáveis associadas com as DCNT, cálculos a posteriori foram realizados para estimar as diferenças do conjunto de variáveis independentes. Para tanto, considerou-se um erro de 1-α de 95% e poder de estudo 1-β de 80%. Assim, este estudo teria um poder suficiente para detectar razões de prevalência de 1,33 ou mais como fator de associação. Para o cálculo da amostra foi utilizado o programa estatístico Epi info versão 6.04 para estudos transversais.

A variável dependente foi construída pela presença de pelo menos uma das seguintes DCNT: Diabetes Mellitus (DM), Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), dislipidemia. Para o DM e dislipidemia foram realizados exames bioquímicos (glicemia de jejum, LDL-colesterol e triglicerídeos). Em relação ao DM, os adultos com glicemia sanguínea maior ou igual a 126 mg/dL ou com relato de uso prescrito de hipoglicemiante foram classificados como diabéticos17. Aqueles como valor do LDL-colesterol ≥ 160 mg/dL ou valor dos triglicerídeos ≥ 150 mg/dL foram classificados como portadores de dislipidemia4. Quanto à HAS foi realizada a aferição da pressão arterial, segundo procedimentos padronizados18, tendo sido efetuadas duas medidas em momentos distintos. Considerou-se como casos de HAS os adultos que apresentaram pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e∕ou de pressão arterial diastólica ≥ 90 mmHg ou que relataram o uso de medicação anti-hipertensiva.

As variáveis independentes foram agrupadas em:

a) demográficas: sexo (masculino e feminino) e faixa etária (20-29, 30-39, 40-49 e 50-59);

b) socioeconômicas: classe econômica (B1/B2, C1/C2 e D/E), a qual foi avaliada com base no critério da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa – ABEP19 e definida a partir de um sistema de pontos que considera a posse de bens e o grau de instrução do chefe de família; escolaridade (0-8, 9-11 e ≥ 12 anos de estudo); raça autorreferida (branca, preta, parda e outras); ocupação (trabalho esporádico, empregado/autônomo, não trabalha/desempregado e benefícios sociais) e saneamento básico - destino do lixo, destino dos dejetos e saneamento básico (rede geral/coleta pública e outros);

c) comportamentais: consumo alimentar semanal - feijão, frutas, verduras e legumes, doces e refrigerantes ou sucos artificiais (inferior a cinco vezes e igual ou maior a cinco vezes na semana); consumo de sal (adequado e alto); carnes com excesso de gordura (não e sim). Estas variáveis, referentes ao consumo alimentar, incluindo o consumo de sal, foram investigadas e classificadas com base no questionário de consumo semanal utilizado pelo Ministério da Saúde20. A atividade física foi classificada em “suficientemente ativa” e “insuficientemente ativa”, teve como referência o “Questionário Internacional de Atividade Física – IPAQ”, em sua versão curta21, que contém quatro categorias do nível de atividade física: muito ativo, ativo, irregularmente ativo e sedentário. Para fins de análise, a variável foi recategorizada em: “suficientemente ativa” (muito ativa + ativa), aplicada às pessoas que referiram praticar atividade vigorosa com frequência maior ou igual a três vezes na semana por 20 minutos ou mais ou que praticavam atividade moderada ou de caminhada com frequência maior ou igual a cinco vezes na semana, no mínimo 30 minutos ou, ainda, qualquer atividade que somada fosse equivalente a uma frequência maior ou igual a cinco vezes na semana e maior ou igual a 150 minutos na semana (caminhada + atividade moderada + atividade vigorosa) e “insuficientemente ativa” (irregularmente ativa + sedentário), as pessoas não enquadradas no critério supracitado. O tabagismo foi classificado em: fumante atual, ex-fumante e não fuma. Para avaliar o consumo abusivo ou não de bebida alcoólica (sim e não), foi considerada a ingestão de cinco ou mais doses (homens) e quatro ou mais doses (mulheres), em uma única ocasião, pelo menos uma vez nos últimos 30 dias’. Foi considerada uma dose de bebida alcoólica a quantidade correspondente a meia garrafa ou uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de cachaça, whisky ou qualquer outra bebida alcoólica destilada20;

d) características relativas à saúde: Índice de Massa Corporal (IMC) – peso adequado: IMC < 25Kg/m2 e excesso de peso: IMC ≥ 25Kg/m2. O peso e estatura foram aferidos e os adultos foram classificados de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde22. A aferição do peso deu-se em balança digital, da marca Seca® 876, com capacidade de até 250 Kg e escala de 100 gramas, com os indivíduos descalços, usando indumentária mínima e sem qualquer objeto nos bolsos, nas mãos ou na cabeça. Para medição da altura, utilizou-se estadiômetro portátil, marca Alturaexata, Ltda., milimetrado, com precisão de até 1 mm em toda a sua extensão. Os voluntários ficaram em posição ereta, descalços, com membros superiores pendentes ao longo do corpo. A percepção da própria saúde (autorreferida) foi classificada em: muito bom/bom, regular e ruim; a categoria “muito ruim” não foi considerada no questionário da pesquisa primária.

Inicialmente, realizaram-se análises descritivas para caracterizar a distribuição de frequência das variáveis. Para análise de possíveis colinearidades entre as variáveis independentes foi usado o teste de correlação de Pearson, considerando valores de r ≥ 0,50. Posteriormente, foram efetuadas análises bivariadas, através da Regressão de Poisson simples, para evidenciar possíveis associações de DCNT com as variáveis independentes. A categoria das variáveis que apresentou a melhor condição ou a menor prevalência do desfecho foi considerada como referência para as análises. As variáveis que apresentaram nas análises bivariadas valor de p < 0,20 foram selecionadas para análise de regressão multivariada, de forma hierarquizada. Seguindo uma modelagem por blocos, as variáveis socioeconômicas (escolaridade, ocupação e destino de lixo) foram incluídas no primeiro bloco, mantendo-se no modelo as variáveis que evidenciaram associação estatisticamente significante com a DCNT (p < 0,05). Esse procedimento foi repetido para os blocos seguintes, sendo assim constituídos: segundo bloco (variáveis comportamentais – consumo de doce e atividade física), terceiro bloco (variáveis referente às características relativas à saúde – IMC e percepção da própria saúde) e quarto bloco (variáveis demográficas – sexo e faixa etária). As análises foram realizadas por meio de Regressão de Poisson, com ajuste robusto do erro padrão. Os resultados foram expressos por RP ajustadas com respectivos Intervalos de Confiança de 95% (IC95%). As análises estatísticas foram processadas com o auxílio de software SPSS, versão 13.0 (SPSS Inc., Chicago, Estados Unidos) e Stata, versão 14.0 (Stata Corp.,College Station, Estados Unidos).

A pesquisa primária foi aprovada pelo Comitê de Ética de Pesquisa do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (CEP – IMIP), de acordo com os preceitos da Resolução do CNS 466/1223. Os adultos investigados foram informados quanto à participação voluntária na Pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Resultados

A prevalência de DCNT (diabetes ou hipertensão ou dislipidemia) encontrada entre os adultos residentes na comunidade estudada foi de 56,7%.

Ao se analisar as doenças segundo variáveis demográficas e socioeconômicas (Tabela 1), verificou-se que houve uma predominância entre os homens (60,8%), quando comparado às mulheres (54,6%). Foi observado um aumento progressivo das prevalências de DCNT a partir da faixa de 30-39 anos, com maior frequência na faixa de 50-59 anos (80,5%). Em relação às classes econômicas, foi observada uma maior prevalência das DCNT entre as classes D/E (57,7%), ressaltando-se, entretanto, que as demais classes apresentaram valores semelhantes. No que se refere à escolaridade, maiores frequências das doenças entre aqueles com menores níveis de instrução foram encontradas com valores de 62% (0-8 anos de estudo) e 60,5% (9-11 anos de estudo). Evidenciou-se uma maior prevalência de DCNT entre os adultos da raça parda e outras (57,4%) e para a ocupação profissional foi observada na categoria “benefícios sociais” (73,3%). Para as variáveis relativas ao saneamento básico (destino de lixo, destino de dejetos e abastecimento de água) foram encontrados valores em torno de 57% entre aqueles que possuíam coleta pública/rede geral. Na Tabela 2 verificou-se que variáveis relativas ao consumo alimentar e de sal apresentaram prevalências de DCNT semelhantes, oscilando entre 50,9% (consumo de doces ≥ 5 vezes na semana) e 58,8% (consumo de frutas ≥ 5 vezes na semana). Quanto à prática de atividade física constatou-se maior prevalência na categoria “insuficientemente ativa” (63,2%) e em relação ao tabagismo foi maior entre aqueles que eram ex-fumantes (68%). No que se refere ao consumo abusivo de bebida alcoólica, os resultados foram similares, com prevalência de 57%. Observou-se uma maior prevalência de DCNT entre os indivíduos com excesso de peso, IMC ≥ 25kg/m2 (64,3%). Para a percepção da própria saúde, a maior prevalência foi encontrada entre os que referiram estado de saúde ruim (76,4%). Após ajuste dos fatores associados mediante análise multivariada hierarquizada (Tabela 3), permaneceram quatro variáveis: escolaridade (bloco I), IMC e percepção da própria saúde (bloco III), sexo e faixa etária (bloco IV), as quais se associaram estatisticamente ao desfecho em estudo (p < 0,05).

Tabela 1 Prevalência e razão de prevalência bruta de Doenças Crônicas não Transmissíveis de adultos (20-59 anos), segundo variáveis demográficas e socioeconômicas. Comunidade dos Coelhos. Recife, 2014. 

Variáveis Amostra DCNTa RP bruta p
n % n % (IC 95%)
Demográficas
Sexo 631 0,125
Feminino 414 65,6 226 54,6 1,0
Masculino 217 34,4 132 60,8 1,11 (0,97-1,28)
Faixa etária (anos) 631 < 0,001
20-29 125 19,8 34 27,2 1,0
30-39 174 27,6 85 48,9 1,79 (1,29-2,48)
40-49 168 26,6 106 63,7 2,34 (1,71-3,20)
50-59 164 26,0 129 80,5 2,95 (2,20-3,98)
Socioeconômicas
Classe econômica 631 0,940
B1/ B2 (3½ - 7 SMb) 37 5,9 21 56,8 1,0
C1/C2 (1½ -2 SM) 372 58,9 209 56,2 0,99 (0,74-1,33)
D/E (1 SM) 222 35,2 128 57,7 1,01 (0,75-1,37)
Escolaridade (anos) 620j 0,008
≥ 12 225 36,3 108 48,0 1,0
9-11 129 20,8 78 60,5 1,26 (1,04-1,53)
0-8 266 42,9 165 62,0 1,29 (1,09-1,52)
Raça/etnia 628j 0,803
Preta 75 11,9 40 53,3 1,0
Branca 116 18,5 65 56,0 1,05 (0,80-1,37)
Parda e outrasc 437 69,6 251 57,4 1,08 (0,86-1,35)
Ocupação 630j 0,038
Trabalho esporádicod 112 17,7 56 50,0 1,0
Empregado/Autônomo 296 47,0 163 55,1 1,10 (0,89-1,36)
Não trabalha/Desempregadoe 192 30,5 116 60,4 1,21 (0,97-1,50)
Benefícios Sociaisf 30 4,8 22 73,3 1,47 (1,10-1,95)
Saneamento Básico
Destino do lixo 631 0,193
Coleta pública 567 89,8 327 57,7 1,0
Outrosg 64 10,2 31 48,4 0,84 (0,64-1,09)
Destino dos dejetos 631 0,895
Rede geral 307 48,6 175 57,0 1,0
Outrosh 324 51,4 183 56,3 0,99 (0,86-1,13)
Abastecimento de água 631 0,294
Rede geral 592 93,8 340 57,4 1,0
Outrosi 39 6,2 18 46,2 0,80 (0,57-1,14)

RP: Razão de prevalência IC95%: Intervalo de Confiança = 95%. a: DCNT- presença de pelo menos uma das seguintes doenças - HAS, DM ou dislipidemia. b: SM- salário mínimo. c: outras - raças amarela e indígena. d: trabalho esporádico/biscateiro/ambulante. e:nunca trabalhou e donas de casa ou já trabalhou, mas estava desempregado há 30 dias ou mais. f: aposentado, pensionista, benefícios provisórios. g: queimado, terreno baldio, depositado em caçamba para coleta e demais situações. h: fossa com e sem tampa, curso de água, céu aberto e demais situações. i: poço, cisterna, chafariz e demais situações. j: As diferenças de valores amostrais em algumas variáveis se devem às perdas de observações, por conta de questionários incompletos e/ou por inconsistência de dados.

Tabela 2 Prevalência e razão de prevalência bruta de Doenças Crônicas não Transmissíveis de adultos (20-59 anos), segundo variáveis comportamentais e características relativas à saúde. Comunidade dos Coelhos. Recife, 2014. 

Variáveis Amostra DCNTa RP bruta p
n % n % IC 95%
Comportamentais
Consumo alimentar semanal
Feijão 631 0,492
≥ 5 vezes 430 68,1 248 57,7 1,0
< 5 vezes 201 31,9 110 54,7 0,95 (0,81-1,10)
Verduras e legumes 631 0,392
≥ 5 vezes 271 43,0 159 58,7 1,0
< 5 vezes 360 57,0 199 55,3 0,94 (0,82-1,08)
Frutas 631 0,488
≥ 5 vezes 194 30,7 114 58,8 1,0
< 5 vezes 437 69,3 244 55,8 0,95 (0,82-1,10)
Refrigerante ou suco artificial 631 0,283
< 5 vezes 433 68,6 252 58,2 1,0
≥ 5 vezes 198 49,4 106 53,5 0,91 (0,79-1,07)
Doces 631 0,180
< 5 vezes 515 81,6 299 58,1 1,0
≥ 5 vezes 116 31,4 59 50,9 0,87 (0,72-1,06)
Carnes com excesso de gordura 631 0,490
Não 430 68,1 240 55,8 1,0
Sim 201 31,9 118 58,7 1,05 (0,91-1,21)
Consumo de sal 631 0,964
Adequado 539 85,4 306 56,8 1,0
Alto 92 14,6 52 56,5 0,99 (0,82-1,21)
Atividade física 631 0,068
Suficientemente ativo 495 78,4 272 54,9 1,0
Insuficientemente ativo 136 21,6 86 63,2 1,15 (0,99-1,34)
Consumo abusivo de bebida alcoólica 631 0,992
Não 400 63,4 227 56,8 1,0
Sim 231 36,6 131 56,7 1,00 (0,87-1,14)
Tabagismo 631 0,407
Não fumante 468 74,2 264 56,4 1,0
Fumante 138 21,9 77 55,8 0,99 (0,83-1,17)
Ex-fumante 25 3,9 17 68,0 1,20 (0,91-1,60)
Características relativas à saúde
IMC (kg/m2)b 631 <0,001
<25 186 29,5 72 38,7 1,0
≥25 445 70,5 286 64,3 1,66 (1,37-2,01)
Percepção da própria saúde 631 <0,001
Muito bom/Bom 37 5,9 15 40,5 1,0
Regular 222 35,2 147 66,2 1,39 (1,20-1,60)
Ruim 55 8,7 42 76,4 1,60 (1,33-1,92)

RP: Razão de prevalência IC95%: Intervalo de Confiança = 95% a: DCNT- presença de pelo menos uma das seguintes doenças - HAS, DM ou dislipidemia. b:IMC: Índice de Massa Corporal.

Tabela 3 Modelo final. análise multivariada hierarquizada de Doenças Crônicas não Transmissíveis de adultos(20-59 anos) Comunidade dos Coelhos. Recife, 2014. 

Blocoa Variáveis RP ajustada IC 95% p
I Escolaridade (anos) 0,021
≥ 12 1,0 1,0
9-11 1,24 1,05-1,48
0-8 1,06 0,90-1,24
III IMC (kg/m2)b <0,001
< 25 1,0 1,0
≥ 25 1,52 1,26-1,82
Percepção da própria saúde 0,021
Muito bom/Bom 1,0 1,0
Regular 1,20 1,04-1,38
Ruim 1,22 1,02-1,47
IV Sexo 0,030
Feminino 1,0 1,0
Masculino 1,15 1,01-1,31
Faixa etária (anos) <0,001
20-29 1,0 1,0
30-39 1,59 1,15-2,19
40-49 2,07 1,53-2,82
50-59 2,62 1,94-3,54

RP: Razão de prevalência IC95%: Intervalo de Confiança = 95%. a: Bloco I ajustado por ocupação e destino de lixo. Bloco II foi composto pelas variáveis consumo de doce e atividade física, porém não permaneceram no modelo porque não foram significativas. Bloco III ajustado por escolaridade. Bloco IV ajustado por escolaridade, IMC e percepção da própria saúde. b: IMC: Índice de Massa Corporal.

Discussão

As populações residentes em áreas urbanas carentes (favelas tradicionais ou “aglomerados urbanos subnormais”) representam cerca de 11 milhões de habitantes no Brasil (6%), ou seja, quase o dobro da proporção encontrada em 1991 (3,1%)15. Há de se considerar a realidade complexa das favelas, que é marcada pela desigualdade, condições precárias de saneamento, habitações insalubres, falta ou insuficiência de serviços de saúde. Não obstante, características semelhantes de vulnerabilidade socioeconômica também podem ser identificadas em populações residentes em outras áreas urbanas, considerando-se as diferentes condições de acesso da população a diferentes políticas públicas, como por exemplo, o acesso ao saneamento básico.

No presente estudo, a elevada prevalência de DCNT (56,7%) identificada foi semelhante a que foi verificada em uma comunidade de baixa renda dos Estados Unidos (60,2%) por Smolen et al.24. Em estudo representativo no Brasil, identificou-se uma magnitude de 75,3% de DCNT na região nordeste, a qual foi identificada como uma das regiões com as maiores taxas de doenças crônicas. A carga elevada deste grupo de doenças nesta região pode ser reflexo de piores condições de vida e de acesso aos serviços de saúde para controle dos fatores de risco e para controle das doenças crônicas, determinando mortes mais precoces e maior incidência de sequelas11.

Em relação à escolaridade, encontrou-se maior prevalência de DCNT entre aqueles com menos de oito anos de estudo. Achados semelhantes foram identificados em pesquisas nacionais e internacionais25-28. De acordo com Braveman et al.29, as pessoas com menos escolaridade e que vivem em localizações geográficas menos favorecidas, são desproporcionalmente afetadas por doenças crônicas, muitas vezes como resultado de desvantagens sociais e maior vulnerabilidade.

A prevalência de DCNT foi maior no sexo masculino do que no feminino, com diferença estatisticamente significante. Rocha-Brischiliari et al.30 em estudo em Maringá-PR, também encontraram predominância de doenças crônicas entre os homens, porém não foi constatada associação. Já Barreto e Figueiredo25 e Almeida et al.26 em estudos no país demostraram associação entre sexo e DCNT, contudo, a maior prevalência foi entre as mulheres. Tais divergências podem apontar que a diferença entre os sexos para a prevalência de DCNT ainda não está bem estabelecida na literatura científica, principalmente em pesquisas com dados aferidos, uma vez que os estudos citados acima utilizaram dados autorreferidos de doença.

Observou-se associação estatisticamente significante entre as DCNT e a faixa etária, com aumento linear da prevalência do problema, corroborando com Bhojani et al.31 em estudo com adultos pobres da Índia e no Brasil por Rocha-Brischiliari et al.30.

O problema predominou entre os adultos com IMC ≥ 25, representado pelo excesso de peso, com diferença estatisticamente significante. Gigante et al.32 ao realizarem um estudo com base nos dados obtidos pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), demonstraram que os indivíduos com IMC mais elevado tiveram maior prevalência de doenças crônicas autorreferidas. Estudos tem evidenciado uma tendência de aumento do excesso de peso em populações menos favorecidas no mundo29,33-35, caracterizando uma situação bastante preocupante, uma vez que o excesso de peso está intimamente relacionado com o risco das Doenças Crônicas Não Transmissíveis.

Verificou-se que os adultos que referiram “estado de saúde “regular” e “ruim” apresentaram uma maior risco para DCNT em comparação com a categoria “muito bom/bom” (respectivamente RP: 1,20; IC95%: 1,04-1,38; RP: 1,22; IC95%: 1,02-1,47). No Brasil, Theme Filha et al.3 também encontraram essa condição, assim como Brow et al.28 nos Estados Unidos (Los Angeles). Segundo Idler e Benyamini36, indivíduos que auto-avaliam sua saúde como ruim tendem a apresentar mais comportamentos de risco para saúde.

Uma alimentação inadequada, rica em gorduras, pobre em frutas, legumes e verduras, está associada ao aparecimento de diversas doenças crônicas como hipercolesterolemia, hipertensão arterial, diabetes mellitus e câncer8 e a realidade atual aponta para um consumo inadequado de alimentos, sobretudo, em populações de baixa renda37,38. Entretanto, não foi encontrada associação entre ter pelo menos uma DCNT e as variáveis de consumo alimentar. A prevalência de doenças crônicas foi praticamente a mesma entre as categorias de alimentos classificados como de risco ou de proteção. Isso pode ser atribuído ao possível viés de falsidade intencional, que ocorre quando os indivíduos tendem a relatar hábitos saudáveis quando na realidade não o fazem. Essa tendência é frequentemente observada em estudos populacionais sobre consumo alimentar39,40. Ainda deve ser considerado que a possibilidade do viés de causalidade reversa, ou seja, as mudanças no modo de vida podem decorrer da presença da doença. E nesse caso, é um indicador positivo, pois sinaliza cuidado com a saúde entre aqueles que estão doentes.

Também não foi constatada associação entre atividade física e DCNT. Contudo, a inatividade física é um importante fator de risco para essas doenças8. Considerando-se os baixos níveis da prática de atividade física verificados no país nos últimos anos41 e que também foi confirmada nesta investigação (21,6% dos adultos eram insuficientemente ativos), um pequeno aumento do nível de atividade física na população brasileira representaria uma intervenção importante para a melhoria da saúde coletiva, dado seu reconhecido papel na prevenção primária de hipertensão arterial, diabetes tipo 2, doença coronariana, acidente vascular cerebral, osteoporose, alguns tipos de câncer, dislipidemia, obesidade e depressão42.

Considerando que o consumo abusivo de álcool e o tabagismo são potenciais fatores de risco para as doenças crônicas4,30,43, no presente estudo essa associação não foi observada. Contudo, este resultado pode ter sido comprometido pelo tamanho amostral, bem como pelo fato da coleta dessas variáveis não terem sido bem discriminadas, por se tratar de limitações do questionário, podendo não refletir a condição real do comportamento dos indivíduos.

O substancial crescimento desses aglomerados não tem sido devidamente analisado e acompanhado, tendo em vista a escassez de estudos científicos, que permanece rudimentar quando comparados com os muitos estudos em áreas não faveladas44. Ressalta-se a necessidade de se intensificar os estudos relacionados com a DCNT, que se apresentam com elevadas prevalências no atual perfil epidemiológico internacional e nacional e em diferentes contextos socioeconômicos, inclusive os mais carentes.

Conclusões

A elevada prevalência de DCNT e os fatores associados, identificados neste estudo, são de fundamental importância para auxiliar na elaboração e implementação de estratégias de controle, prevenção e promoção de saúde, necessárias para diminuir o alarmante índice de morbidade crônica nessa e em outras áreas menos favorecidas. Os fatores associados significantemente à DCNT que compuseram o modelo multivariado hierarquizado foram: escolaridade, IMC, percepção de saúde, idade e faixa etária.

Considerando a escassez de estudos em áreas urbanas pobres e as relevantes prevalências das DCNT encontradas, o presente trabalho aponta a importância do monitoramento dessas doenças e de seus fatores associados. Um maior e mais detalhado conhecimento do quadro epidemiológico desse problema possibilitará um melhor planejamento e controle dessas doenças e a priorização de ações de promoção à saúde da população nessas áreas.

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