Dor e desconforto musculoesquelético em policiais militares do Grupamento de Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas

Dor e desconforto musculoesquelético em policiais militares do Grupamento de Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas

Autores:

Katianna Karolinna Fernandes Maia Braga,
Francis Trombini-Souza,
Michele Vantini Checchio Skrapec,
Diego Barbosa de Queiroz,
Andréa Marques Sotero,
Tarcísio Fulgêncio Alves da Silva

ARTIGO ORIGINAL

BrJP

versão impressa ISSN 2595-0118versão On-line ISSN 2595-3192

BrJP vol.1 no.1 São Paulo jan./mar. 2018

http://dx.doi.org/10.5935/2595-0118.20180007

INTRODUÇÃO

Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) são comuns em diversas profissões e resultam em alta proporção de lesões. Entre os fatores de risco para o surgimento dos DORT, se destacam os movimentos repetitivos, contundentes ou incômodos, além de pressão contínua, uso excessivo de estruturas ou regiões anatômicas específicas, alteração postural ou posicionamento inadequado, bem como força, tensão excessivas e vibrações impostas ao corpo1.

Das diversas classes de trabalhadores, destacam-se aqueles responsáveis pela preservação da ordem pública: os policiais militares. Esses profissionais podem estar expostos, constantemente, a inúmeros fatores de risco para o desenvolvimento de DORT. Um recente estudo canadense onde foram avaliados, por questionário online, 3.589 policiais militares de patrulhamento com automóvel, mostrou que 67,7% relataram dor lombar crônica (DLC) e 96,5% deles perceberam que a presença de DLC foi parcialmente relacionada ao seu trabalho dentro da corporação canadense de polícia2.

No Brasil, destacam-se as motocicletas como outra modalidade de patrulhamento. O Grupamento das Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) foi criado com o intuito de inovar um modelo de policiamento voltado especificamente para o combate aos delitos praticados por meliantes que utilizam a motocicleta como meio de suas investidas criminosas3.

Entre as atividades desempenhadas pelos policiais militares da ROCAM pode-se destacar o montar e o desmontar da moto em tempo hábil, a realização de abordagem policial durante a pilotagem, ultrapassagens e manobras perigosas, atenção com o trânsito e com a própria equipe de ronda, considerando que o emprego operacional deve ser realizado por, no mínimo, dois policiais a cada patrulha3. O desgaste físico e mental inerente a essa atividade laboral, o peso do armamento, do fardamento e do equipamento, bem como a sobrecarga na coluna, nos membros superiores e inferiores e a tensão emocional devido à pilotagem policial e o calor emitido pelo motor das motocicletas podem ser responsáveis pelos altos níveis de absenteísmo desses trabalhadores4,5.

Todos esses aspectos mecânicos da motocicleta e das vias de rodagem, bem como aqueles biomecânicos e emocionais sofridos por esses profissionais motociclistas, podem contribuir para o crescente problema de saúde pública mundial nesse segmento de trabalhadores militares.

No entanto, em nível nacional brasileiro, e em especial, no que tange ao importante e indispensável trabalho desenvolvido pelos policiais militares da ROCAM, ainda não se tem um panorama epidemiológico sobre os DORT. Além disso, não se dispõe de estudos que evidenciam se esse tipo de atividade laboral, de fato, pode influenciar a percepção álgica e de desconforto corporal sofrido por esses policiais.

Caso isso seja confirmado pelo presente estudo, alguns determinantes para incapacidades e absenteísmo nesses trabalhadores6-8 podem ser mais bem abordados para minimizar os prejuízos subsequentes da utilização excessiva imposta ao sistema musculoesquelético, principalmente quando associado à falta de tempo para recuperação após uma longa escala de trabalho sobre motocicletas. De forma complementar, com os resultados deste estudo, será possível veicular informações científicas que poderão servir de subsídio para o planejamento de ações de intervenção voltadas para a melhoria das condições gerais de prestação de serviços da ROCAM.

As hipóteses foram que: (i) o tipo de atividade laboral exercida pelos policias da ROCAM poderia evidenciar maior prevalência de dor e desconforto corporal, principalmente, na região inferior das costas (região lombar) e punhos/mãos; (ii) o tempo de serviço dos policiais na ROCAM poderia estar associado com uma maior prevalência de dor e desconforto nas regiões supracitadas.

O objetivo deste estudo foi analisar a ocorrência de sintomas de DORT em policiais da ROCAM da PMPE em Petrolina.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo do tipo transversal desenvolvido entre os meses de fevereiro a junho de 2016 na Policlínica da PMPE. De acordo com o cálculo amostral, realizado no programaGPower 3.0, no qual foi adotada uma estatística X2, com tamanho de efeito W=0,8,a=0,05, poder de testeb=0,90 e uma população de 33 membros que compõem a ROCAM do 5° Batalhão de Polícia Militar (BPM), chegou-se a uma amostra de 26 policiais necessários para as conclusões do presente estudo. No entanto, ao se considerar uma possível perda amostral de 5%, foi necessário avaliar 28 militares, cujo único critério de elegibilidade era que ele exercesse essa função de motopatrulheiro há pelo menos 12 meses.

A coleta de dados foi desenvolvida de acordo com a escala de serviço dos policiais no início do plantão, que foi previamente autorizada pelo comandante da ROCAM, sem que houvesse prejuízo ao andamento do serviço.

Os dados foram obtidos, após consentimento, por meio de um questionário autoaplicável, incluindo as seguintes variáveis: características sociodemográficas (sexo, estado civil, idade e escolaridade); características profissionais (tempo de serviço, tempo na ROCAM, horas trabalhadas semanalmente e horas extras); outras informações (realização de exercício físico e diagnóstico de alguma doença nos últimos 12 meses). Foi aplicado o Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares (QNSO), instrumento validado e adaptado para população brasileira por Pinheiro, Troccoli e Carvalho9, que contém múltiplas escolhas para a ocorrência de sintomas osteomusculares nas diversas regiões anatômicas, bem como a escala analógica visual (EAV), que avalia a percepção da intensidade da dor. O escore álgico final, variando de zero a 10, em que zero significa ausência de dor e 10 a pior dor possível, foi categorizado segundo Boonstra et al.10 como: leve (escores ≤5), moderado (escores 6 ou 7) e intenso (escores ≥8).

No presente estudo não foram incluídos cinco dos 33 policiais da ROCAM, pelo fato de que estes exerciam a atividade de motopatrulhamento a menos de um ano.

Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Pernambuco (UPE), seguindo a Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012 do Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde (CAAE: 53811816.5.0000.5207).

Análise estatística

Foi utilizado o programaStatistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 22.0.

RESULTADOS

A amostra estudada foi composta por 28 policiais da ROCAM do 5° BPM, apresentando idade de 34±5 anos, variando entre 24 e 48 anos, com predominância do sexo masculino, sendo 82,1% com estado civil classificado como "casado". Na amostra estudada, a maioria referiu trabalhar na PMPE há menos de 10 anos e exercer a função de motopatrulheiro da ROCAM há menos de 5 anos. Quanto à jornada de trabalho, observou-se uma média de 62±8h trabalhadas por semana, das quais 14,28% da amostra referiu não realizar horas extras em outras atividades da PMPE. Quando questionados em relação à prática de exercício físico, a maioria relatou realizar três vezes por semana com duração mínima de 30 minutos, dentre elas, musculação, corrida e artes marciais (Tabela 1).

Tabela 1 Caracterização da amostra, segundo variáveis sociodemográficas, características profissionais e prática de exercício físico. Petrolina, PE, 2016 

Variáveis n %
Sexo
Feminino 01 3,6
Masculino 27 96,4
Estado civil
Solteiro 04 14,3
Casado 23 82,1
Divorciado 01 3,6
Tempo de serviço na PMPE (anos)
<10 22 78,6
>10 06 21,4
Tempo de serviço na ROCAM (anos)
<5 15 53,6
>5 13 46,4
Exercício físico
Sim 19 67,8
Não 09 32,2

Nafigura 1 observa-se que a região anatômica mais acometida por dor e desconforto na amostra estudada foi a lombar, apresentando uma prevalência de 50%, seguida pelo joelho com 43%. Os segmentos corporais menos acometidos foram o ombro (7%) e punho/mão (7%).

Figura 1 Prevalência das regiões anatômicas mais acometidas por dor e desconforto 

Pela intensidade dos sintomas osteomusculares relatada pelos policiais da ROCAM, de acordo com a EAV, identificou-se que as regiões anatômicas que apresentaram maior intensidade de dor intensa foram a coluna vertebral e os membros inferiores (Tabela 2).

Tabela 2 Frequências das intensidades dos sintomas osteomusculares relatadas pelos policiais da ROCAM, de acordo com a escala visual analógica 

Regiões anatômicas Leve Moderada Intensa
Coluna vertebral (19) 0 84,2% 15,8%
MMSS (04) 0 100% 0
MMII (16) 0 81,2% 18,8%

MMSS = membros superiores; MMII = membros inferiores.

Quanto à caracterização da dor, segundo a frequência "quase sempre" e "sempre", 46,4% relataram surgimento da dor ao trabalhar conforme demonstrado na tabela 3. Quando questionados se os sintomas se agravavam ao trabalhar, 28,6% dos indivíduos apresentaram sintomas osteomusculares.

Tabela 3 Caracterização da dor, segundo a frequência 

Frequência da dor Surgem antes de trabalhar Surgem ao trabalhar
Nunca 10,7% 0
Quase nunca 14,3% 3,6%
Às vezes 53,6% 50%
Quase sempre 14,3% 21,4%
Sempre 7,1% 25%
Total 100% 100%

DISCUSSÃO

Observou-se que a maioria dos indivíduos era composta, predominantemente, por policiais do sexo masculino. De acordo com Capelle11, a Polícia Militar é considerada uma organização de caráter masculino, onde se faz necessário agir de forma enérgica nos quadros de violência urbana, transpassando uma representação notada pela agressividade. Ferreira, Bonfim e Augusto12 afirmaram em seu estudo com policiais militares de Pernambuco, tratar-se de um efetivo predominantemente masculino, com um ingresso recente e gradual do sexo feminino na carreira militar.

No que concerne ao tempo de serviço, a maioria dos entrevistados apontaram para um quadro efetivo relativamente recente, menos de 10 anos na corporação, o que corresponde em torno de um terço do tempo total na carreira militar, refletindo uma política de manutenção e substituição das vacâncias no quadro operacional da organização militar5. Em relação à jornada de trabalho, observou-se uma média de 62 horas trabalhadas por semana, incluindo carga horária semanal e horas extras. Para Minayo, Assis e Oliveira5, a carga horária desses profissionais mostra-se aumentada por se submeterem à prestação de serviços nos dias de folga, como forma de complementação.

Na atividade policial militar, de forma específica, é imprescindível a prática de atividade física, visto que diante das intercorrências de sua função, torna-se necessário o bom desempenho físico no intuito de garantir a preservação da ordem pública4,5. Entre os policiais estudados, a maioria relatou realizar exercício físico, entretanto, uma parcela importante expôs não realizar atividade física de forma alguma, o que pode gerar prejuízos no desempenho profissional, uma vez que servidores sedentários apresentam menor capacidade física para realizar movimentos funcionais nas Atividades da Vida Diária (AVD) e laborais, ficando expostos a sintomas osteomusculares13,14.

Dentre as regiões acometidas, a lombar destacou-se por apresentar maior queixa álgica entre os militares estudados. Oliver e Middledith15 demonstraram alguns efeitos sobre a curva lombossacral e verificaram que durante a sedestação em ângulo reto ocorre retificação da curvatura lombar; esses resultados corroboram com o estudo de Marques, Hallal e Gonçalves16. Esse fato supostamente pode acontecer com a população estudada, já que durante a jornada de trabalho, o policial militar da ROCAM permanece em sedestação em torno de 16-18 horas a 90° de quadril e joelhos, somando-se a carga adicional dos equipamentos, armamento e fardamento, bem como o impacto da motocicleta ao transpassar obstáculos em rodovias, becos e vielas, Minayo, Assis e Oliveira5 em seu estudo com policiais militares e civis verificou que dores na coluna estão entre os agravos osteomusculares mais frequentes nessa população. Santos et al.17, Gonçalves, Trombetta e Gessinger18, relataram prevalência de incômodos osteomusculares na coluna em mototaxistas, o que corrobora com os resultados deste estudo.

Oliveira e Santos19, ao estudarem policiais, verificaram que a maior parte da população estudada, sempre ou às vezes, sentiam-se cansados, física e emocionalmente, após o dia de trabalho. Neste estudo pode-se observar que foi comum ocorrer sintomas osteomusculares, às vezes ou sempre, ao trabalhar e que estes pioram com a execução de movimentos. A ocorrência de lombalgias em policiais militares torna-se frequente em virtude da sobrecarga imposta ao sistema osteomuscular, requerendo, por vezes, o uso da força e agilidade durante as ocorrências, situações essas inerentes à profissão13.

Observou-se também que a maioria dos policiais da ROCAM acredita que os sintomas osteomusculares possuam relação com as atividades laborais. Destacam-se que os traumas físicos vivenciados por policiais estão extremamente ligados à sua atividade profissional8,19 que exige que eles corram, abordem, saltem, pilotem, requerendo uma grande demanda física e bom nível de aptidão20. De acordo com Tavares Neto et al.13, a atividade laboral do policial militar tende naturalmente ao surgimento de queixas álgicas lombares.

As limitações deste estudo implicam numa amostra relativamente pequena, podendo-se justificar pelo fato da ROCAM do 5º BPM apresentar um número de efetivo menor. Por ser um estudo de caráter descritivo, não foi possível fazer correlação com avaliação postural, sendo necessários novos estudos sobre o tema. Com os dados obtidos pode-se identificar a presença de sintomas osteomusculares em policiais militares da ROCAM.

CONCLUSÃO

Os resultados deste estudo corroboraram a notória presença de sintomas osteomusculares na população estudada de forma unânime, onde a coluna lombar mostrou-se a região com maior queixa álgica e que se agravou ao trabalhar, sugerindo possíveis distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho.

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