Efeito da suplementação de colecalciferol nos RNA mensageiros urinários associados ao podócito em pacientes com doença renal crônica

Efeito da suplementação de colecalciferol nos RNA mensageiros urinários associados ao podócito em pacientes com doença renal crônica

Autores:

João Rodolfo Teló Timm,
Cristina Karohl,
Mariane dos Santos,
Maysa Lucena de Souza,
Rafael Zancan,
Rafael de Almeida,
Francisco Veríssimo Veronese

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Nephrology

versão impressa ISSN 0101-2800versão On-line ISSN 2175-8239

J. Bras. Nefrol. vol.38 no.2 São Paulo abr./jun. 2016

http://dx.doi.org/10.5935/0101-2800.20160026

Introdução

O nível de vitamina D no soro, abaixo do ideal, é um achado comum em pacientes com doença renal crônica (DRC)1,2 Vários estudos observacionais têm demonstrado uma associação entre a deficiência de vitamina D e aumento da albuminúria, menor taxa de filtração glomerular (TFG) e maior risco de mortalidade.3-5 Estudos experimentais e clínicos sugeriram que a ativação do receptor de vitamina D (VDR) pode reduzir a albuminúria, hiperfiltração glomerular, perda de podócitos, glomeruloesclerose, fibrose intersticial, e até mesmo mortalidade cardiovascular e mortalidade por todas as causas.6-12 Portanto, a vitamina D poderia têm efeitos antiproteinúricos e renoprotetores e, possivelmente, através de diferentes mecanismos, incluindo vias anti-fibróticas, anti-inflamatórias e anti-apoptóticas.13

A vitamina D ativa e seus análogos conseguem reduzir a albuminúria através da proteção de podócitos.7,8 Estudos experimentais demonstraram que vitamina D1-α-hidroxilase e VDR são expressos em podócitos, sugerindo que estas células são capazes de sintetizar a vitamina D ativa, a 1,25-di-hidroxivitamina D, que pode atuar por vias de sinalização parácrina e/ou autócrina.14 A 1,25-di-hidroxivitamina D interage intracelularmente com o VDR, e este complexo é translocado para o núcleo e liga-se a elementos de resposta à vitamina D, estimulando a transcrição de proteínas associadas à fenda diafragmática, tais como a nefrina e a podocina.9,15

Em camundongos diabéticos, sem VDR, há maior expressão de fibronectina renal e fatores pró-fibróticos, e menos nefrina expressos em comparação com os ratos diabéticos de tipo selvagem, enquanto que a administração de vitamina D em podócitos em cultura aumentou a expressão de nefrina.16 Além disso, a vitamina D atenuou os danos podocitários, reduzindo o índice de fusão podocitária, a apoptose e a perda na urina em modelos experimentais de diabetes15 e nefrose induzida por adriamicina.8

O desprendimento podocitário em células viáveis ou apoptóticas, leva à perda de podócitos na urina e, finalmente, proteinúria. A podocitúria pode ser quantificada medindo-se os subprodutos dos podócitos ou seus fragmentos na urina. Embora esta ferramenta não-invasiva de diagnóstico não seja ainda utilizada na prática clínica, tem sido sugerido que a podocitúria seja mais precisa do que a proteinúria na detecção de danos na filtração glomerular, a atividade da doença e sua progressão.17 Até hoje, não existem estudos clínicos que tenham avaliado o efeito da suplementação de colecalciferol como uma estratégia de proteção para minimizar a lesão podocitária em pacientes com DRC estabelecida de diferentes etiologias, que apresentam níveis séricos de 25(OH)D abaixo do ideal. Portanto, temos a hipótese de que a suplementação de colecalciferol possa reduzir a excreção urinária de mRNA associados a podócito nesta população de pacientes.

Material e métodos

Este estudo prospectivo intervencionista, aberto, de um único centro recrutou 27 pacientes adultos com DRC de agosto de 2013 a maio de 2014. Os critérios de inclusão foram: idade ≥ 18 anos, TFG estimada (eTFG) entre 15 e 89 mL/min/1,73m2 medido de acordo com a equação da Colaboração Epidemiológica da Doença Renal Crônica (DRC-EPI),18 função renal estável nos três meses anteriores, coeficiente de proteína para creatinina (Pr/Cr) numa amostra de urina aleatória superior a 0,5, e uma concentração sérica de 25(OH)D < 30 ng/ml. Os critérios de exclusão foram doença aguda intercorrente, tratamento atual com imunossupressores ou outras preparações com vitamina D, incluindo calcitriol ou análogos, gravidez, positividade para HIV, anticorpos para hepatite B ou da hepatite C e transplante renal.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HCPA e realizado de acordo com a Declaração de Helsinki de 1975. Todos os participantes forneceram consentimento informado por escrito antes da inscrição. O Comitê de Ética em Pesquisa está registrado no Comitê Brasileiro de Proteção de Humanos em Pesquisas do Ministério da Saúde sob o número 00000921 do Conselho Institucional de Revisão.

Intervenção

Todos os pacientes receberam colecalciferol oral, durante 6 meses nas doses recomendadas nas diretrizes da Kidney Disease Outcomes Quality Initiative (K-DOQI).19 O tratamento foi prescrito como se segue: a) 25(OH)D < 5 ng/mL:50.000 UI por semana durante 12 semanas, seguido de 10.000 IU por semana; b) 25(OH)D entre 5 e 15 ng/ml: 50,000 IU por semana durante 4 semanas, seguido de 10.000 IU por semana; c) 25(OH)D, entre 16 a 30 ng/ml: 10,000 IU por semana.

Os níveis séricos de cálcio e fósforo foram reavaliados no terceiro mês de suplementação de colecalciferol. Caso o cálcio sérico estivesse acima dos limites normais superiores, a suplementação de colecalciferol seria retirada. Se os níveis de fósforo estivessem acima dos valores de referência, um aglutinante de fosfato seria administrado, ou a dose seria ajustada (500 a 1000 mg de carbonato de cálcio por via oral às refeições).

Características clínicas e parâmetros laboratoriais

Os seguintes dados clínicos foram coletados de cada participante: idade, gênero, raça, pressões arteriais sistólica (PAS) e diastólica (PAD), índice de massa corporal (IMC) calculado pelo peso e altura (kg/m2), etiologia da DRC, e medicamentos atuais. Os exames laboratoriais foram realizados no início e aos 3 e 6 meses de acompanhamento. As seguintes variáveis foram avaliados no início do estudo: glicemia, creatinina, cálcio, fósforo, colesterol total, colesterol HDL e triglicérides (espectrofotométricas, Roche Diagnostics, Rotkreuz, Suíça), colesterol LDL (fórmula de Friedewald), albumina, hormônio intacto da paratireóide medido pela quimiluminescência (Sede global da Siemens, Muenchen, Alemanha). Creatinina sérica e na urina foram medidas utilizando a reação de Jaffe (Modular P Roche Diagnostic, Mannheim, Alemanha). A eTFG foi calculada usando-se a fórmula DRC-EPI, e a proteinúria foi quantificada usando-se o coeficiente Pr/Cr. Os níveis séricos de 25(OH)D foram avaliados usando-se o imunoensaio DiaSorin 25OH para vitamina D em um auto-analisador LIAISON(tm) (DiaSorinInc, Northwest, MN, EUA). Os níveis de cálcio e fósforo foram reavaliados em 3 meses; e do paratormônio sérico intacto, cálcio, fósforo, 25(OH)D, e os níveis séricos e urinários de Pr/Cr foram reavaliados aos 6 meses.

Níveis de MRNA associado ao podócito

A expressão de mRNA associado a podócitos nas células sedimentares urinárias de uma amostra de urina matinal (fluxo total) foi determinada por reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR), como anteriormente descrito.20 As amostras foram triadas para os seguintes transcritos de RNAm: nefrina, podocina, podocalixina, receptor transiente potencial canal de cátion 6 (TPC6), fator de crescimento endotelial vascular (VEGF-a) como um marcador de proliferação endotelial, e fator de transformação de crescimento beta (TGF-ß1) como um marcador de fibrose intra-renal. Os níveis de RNA mensageiro foram medidos no início do estudo e após seis meses de suplementação com colecalciferol.

Em resumo, o RNAm foi extraído utilizando o Mini Kit QIAmp™ RNA (Qiagen Inc., Chatsworth, CA, EUA), segundo as instruções do fabricante. O RNA total foi quantificado utilizando um Espectrofotômetro NanoDrop(tm) 1000 v.3.7 (Thermo Fisher Scientific, DE, EUA) e a pureza do RNA foi determinada pela razão de absorvância a 260 e 280 nm. O RNA foi transcrito de forma reversa utilizando o Kit de DNA de alta capacidade (Applied Biosystems, Foster City, CA, EUA), de acordo com as instruções do fabricante, até obter um volume de 20 µL. Executamos uma RT-PCR usando um Master Mix Taqman Universal PCR, contendo AmpliTaq Gold(tm) DNA polimerase, Amperase UNG, (ROX) referência passiva, solução tampão e dNTP (Applied Biosystems, Foster City, CA, EUA), além dos primers específicos para a amplificação dos seguintes genes: NPSH1, nefrina (ID: Hs00190446_m1); NPSH2, podocina (ID: Hs00387817_m1); podocalixina (ID: Hs01574644_m1); TRPC6 (ID: Hs00989190_m1); VEGF-A (ID: Hs00173626_m1) e TGF-ß1 (ID: Hs00998133_m1), de acordo com as instruções do fabricante (Applied Biosystems, Foster City, CA, EUA).O rRNA 18s (Taqman(tm) PDAR) foi usado como controle endógeno. A RT-PCR foi realizada em duplicidade em placas de 96 poços contendo 2 mL de cDNA.

As reações foram repetidas a 50°C durante 2 minutos, 60°C durante 30 minutos, seguido de desnaturação a 95°C durante 5 minutos, e 40 ciclos a 94°C durante 20 segundos e 62°C durante 60 segundos. A amplificação foi realizada num ABI Prism 7000 SDS termociclador (Applied Biosystems, Foster City, CA, EUA). A quantificação relativa da expressão do gene alvo foi realizada usando o método comparativo 2-ΔΔct em que o valor de CT (ciclo limite) é definido como o ponto em que se verificou um aumento estatisticamente significativo na fluorescência.

Análise estatística

As variáveis contínuas foram descritas em termos de média e desvio padrão (DP) ou mediana e intervalo interquartil, enquanto as variáveis categóricas foram expressas em proporções. A normalidade de distribuição foi determinada utilizando os testes de Kolmogorov-Smirnov e Shapiro Wilk. Os valores de RNA mensageiro foram transformados em logaritmos, em conformidade com os pressupostos de normalidade. As variáveis contínuas foram comparadas pelo teste-t independente, ou pelos testes de Mann-Whitney ou Kruskal Wallis. Os resultados pré e pós-tratamento foram comparados usando testes-t pareados ou teste ranqueado de Wilcoxon. A associação entre mRNAs associados a podócito urinário, níveis séricos de 25(OH)D, eTFG e proteinúria foram avaliados utilizando coeficientes de correlação de Spearman.

A mudança na expressão do RNAm após seis meses de suplementação de colecalciferol foi analisada utilizando as Equações de Estimativas Generalizadas (GEE) com um modelo gama-logarítmico e correção de Bonferroni para comparações múltiplas. As GEE foram utilizadas para avaliar diferenças e mudanças entre os grupos ao longo do tempo, além de interações de grupo-por-tempo. Os resultados foram expressos como média e intervalos de confiança (IC 95%). Os dados foram analisados usando o software SPSS para Windows (versão 18.0, SPSS Inc., Chicago, IL). Os resultados foram considerados significativos para p < 0,05.

Resultados

Características demográficas e clínicas

As características demográficas e clínicas estão resumidos na Tabela 1. Dez pacientes (37%) apresentavam glomerulonefrite crônica, porque eles foram encaminhados do ambulatório de doenças glomerulares. Quinze pacientes (55,6%) apresentavam estágio 4 de DRC, enquanto o restante tinha uma eTFG ≥ 30 mL/min/1,73 m2. Aproximadamente metade dos pacientes estavam utilizando inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA) ou antagonistas dos receptores da angiotensina II (ARA-2). Todos os pacientes apresentaram nível sérico abaixo do ideal para 25(OH)D (< 30 ng/ml). Depois de seis meses de suplementação de colecalciferol por via oral, os níveis séricos de 25(OH)D aumentaram em 90,4% em pacientes com valores iniciais de 25(OH)D < 20 ng/ml (p < 0,001), e um aumento menor, mas significativo de 66% nos níveis séricos de 25(OH)D também foi observado em pacientes com valores basais de 25(OH)D ≥ 20 ng/ml (p = 0,005); esses aumentos refletem a eficácia do tratamento prescrito.

Tabela 1 Características clínicas e demográficas de pacientes com insuficiência renal crônica 

N = 27
Idade (anos) 56 ± 13
Género (feminino) 14 (52)
Etnia (Caucasiano) 17 (63)
IMC (kg/m2) 28,7 ± 5,4
Etiologia da DRC
Hipertensão 7 (26)
Diabetes 5 (18,5)
Glomerulonefrite 10 (37)
Outros 5 (18,5)
Estágio da DRC
2 2 (7,4)
3 10 (37)
4 15 (55,6)
Hipertensão 23 (85)
PAS (mmHg) 140 ± 21
PAD (mmHg) 86 ± 10
Uso de ACE-I 15 (55,5)
Uso de ARA-2 14 (51,8)

IMC: Índice de Massa Corporal; DRC: Doença Renal Crônica; PAS: Pressão Arterial Sistólica; PAD: Pressão Arterial Diastólica; ACE-I: Inibidor da Enzima Conversora de Angiotensinogênio; ARA-2: Antagonista do receptor 2 de angiotensina. Valores expressos em termos de media ± DP ou número de pacientes (%).

A eTFG diminuiu significativamente durante o período de acompanhamento (-4,71 mL/min/1,73 m2, p < 0,010 vs. valores basais). Os pacientes com uma eTFG entre 15-29 mL/min/1,73 m2 mostraram níveis séricos de 25(OH)D de 19,7 ± 6,0 e 28,9 ± 9,9 ng/mL no início do estudo e após 6 meses, respectivamente (p < 0,001). Em pacientes com taxa de filtração glomerular ≥ 30 ml/min/1,73 m2, os valores correspondentes foram de 18,2 ± 7,2 e 26,7 ± 13,4 ng/ml (p = 0,042). O valor urinário de Pr/Cr não se alterou após seis meses de suplementação de colecalciferol, como mostrado na Tabela 2.

Tabela 2 Avaliação laboratorial da função renal, proteinúria, metabolismo ósseo e mineral basais e após suplementação com colecalciferol 

Basal 6 meses p
eTFG (mL/min/1,73m2) 32,74 ± 15,56 28,03 ± 16,30 0,010
Pr/Cr (urina) 2,53 ± 2,14 2,62 ± 2,51 0,855
Cálcio sérico (mg/dL) 8,83 ± 0,60 8,98 ± 0,68 0,084
Fósforo sérico (mg/dL) 3,70 ± 0,49 3,98 ± 0,74 0,204
PTH intacto (pg/mL) 222 ± 162 286 ± 221 0,086
Albumina sérica (g/dl) 4,08 ± 0,30 4,10 ± 0,22 0,101
25(OH)D (ng/mL) 19 ± 7 28 ± 11 0,003

eTFG: taxa estimada de filtração glomerular; Pr/Cr: índice proteína/creatinina em amostra urinária aleatória; PTH: hormônio da paratireóide. Dados expressos na forma de média ± DP.

Os parâmetros metabolismos ósseo e mineral (cálcio, fósforo e paratormônio intacto) não diferiram entre os valores basais e aqueles aos seis meses de acompanhamento. No entanto, encontramos uma tendência para níveis crescentes em ambos, paratormônio (p = 0,086) e cálcio sérico (p = 0,084).

Expressão de MRNAS associado ao podócito após suplementação com colecalciferol

A excreção urinária de mRNA associado a podócitos não se alterou de forma significativa entre os valores basais e aqueles do pós-tratamento (Tabela 3). Para avaliar o efeito de se alcançar níveis séricos mais elevados de 25(OH)D em comparação com os níveis mais baixos sobre a expressão urinária de mRNAs associados a podócitos, a amostra foi classificada de acordo com os níveis de 25(OH)D (< 20 ng/mL ou ≥ 20 ng/mL). Além disso, os pacientes foram classificados de acordo com o estágio da DRC: DRC estágio 4 (eTFG 15-29 mL/min/1,73 m2) ou DRC estágios 2-3 (eTFG ≥ 30 mL/min/1,73 m2) no final do seguimento para determinar se uma função renal melhor ou pior poderia explicar as diferenças na expressão de mRNA.

Tabela 3 Expressão basal de mrna urinário associado a podócitos e após suplementação com colecalciferol em pacientes com doença renal crônica 

mRNA Basal 6 meses p
Nefrina 3,24 (2,30-4,46) 2,71 (1,86-3,43) 0,349
Podocina 3,10 (2,25-4,53) 2,60 (1,79-3,89) 0,400
Podocalixina 2,72 (1,75-3,74) 2,79 (1,97-4,18) 0,109
TRPC6 2,82 (1,93-3,97) 2,53 (1,52-5,46) 0,665
VEGF-A 2,85 (1,82-3,86) 2,41 (1,52-3,83) 0,239
TGF-β1 3,16 (2,26-3,67) 3,05 (2,32-3,94) 0,923

TRPC6: Receptor catiônico potencial transiente do canal 6; TGF-β1: Fator transformador de crescimento beta; VEGF-A: fator de crescimento vascular endotelial.

Mediana e percentis (P25-P75) de mRNA log10 (2-ΔΔct)

Ambos os grupos - com níveis superiores ou inferiores de 25(OH)D em 6 meses - mostrou uma variação não significativa na expressão de mRNA de proteínas podocitárias e fatores de crescimento. Do mesmo modo, a expressão de mRNA de proteínas podocitárias e fatores de crescimento não se alterou em pacientes com melhor função renal (eTFG ≥ 30 ml/min/1,73 m2).

Embora o valor de log10 do mRNA de nefrina, podocina e podocalixina (mas não dos mRNA podocitários remanescen tes) diminuiu desde o início até os 6 meses de acompanhamento, estes valores não diferiram entre os grupos ou mostraram interações grupo-por-tempo. Este foi o caso da nefrina, cujos níveis diminuíram de 4,48 (3,03-5,93) para 2,79 (1,46-4,12); (Valor de p = 0,08) em pacientes com 25(OH)D ≥ 20 ng/mL, e aumentou de 3,12 (2,41-3,10) para 4,61 (2,83-6,40); (Valor p = 0,07) em pacientes com níveis de 25(OH)D < 20 ng/mL. O mRNA da podocina também diminuiu de 3,43 (2,54-4,32) para 2,50 (1,21-3,15), (valor p = 0,08) em pacientes com níveis de 25(OH)D ≥ 20 ng/ml, mas não mostrou tendência inversa em pacientes com vitamina D < 20 ng/ml. A expressão da podocalixina não se alterou em doentes com níveis mais elevados de 25(OH)D, mas aumentou significativamente no período de seguimento em pacientes com níveis séricos baixos de 25(OH)D: 2,71 (2,10-3,42) vs. 3,63 (2,64-4,52), (p = 0,009).

Analisando a expressão de cada mRNA podocitário de acordo com o tercil de níveis séricos de 25(OH)D no início e após 6 meses de suplementação de colecalciferol, não foi observada correlação entre níveis mais altos de 25(OD)D e a menor expressão de mRNA de mRNA associados a podócito em qualquer tercil. Como mostrado nas Figuras 1 e 2, a variabilidade de cada um dos genes em ambos os períodos foi pequena ao longo da distribuição de tercis de 25(OH)D.

Figura 1 mRNA urinario de nefrina, podocina, e podocalixina segundo os tercis de 25(OH)D serico - Efeitos da suplementacao de colecalciferol no mRNA urinario de nefrina, podocina e podocalixina segundo os tercis de 25(OH)D serico antes e apos a intervencao. O tercil 1 inclui individuos com os niveis sericos mais baixos de 25(OH)D (< 23 ng/mL); o tercil 2 incluiu individuos com niveis medio de 25(OH)D (23-30 ng/mL), e o tercil 3 incluiu individuos com os niveis mais elevados de 25(OH)D (> 30 ng/mL). Os graficos de caixas, barras cruzadas e barras horizontais representam os valores de mediana, minimo e maximo de cada Log10 de mRNA urinario. Nao houve correlacao significativa entre os tercis de 25(OH)D e a expressao de mRNA de proteinas podocitarias (valor de p > 0,05). 

Figura 2 O mRNA urinario de TRPC6, VEGF-A, e TGF-β1 segundo os tercis sericos de 25(OH)D - Efeitos da suplementacao de colecalciferol sobre o mRNA urinario de TRPC6, VEGF-A, e TGF-β1 segundo os tercis sericos de 25(OH)D antes e depois da intervencao. O tercil 1 incluiu individuos com os mais baixos niveis sericos de 25(OH)D (< 23 ng/mL); o tercil 2 incluiu individuos com niveis medios de 25(OH)D (23-30 ng/mL), e o tercil 3 incluiu individuos com os niveis mais altos de 25(OH)D (> 30 ng/mL). Os graficos de box caixas, barras cruzadas e barras horizontais representam os valores de mediana, minimo e maximo de cada Log10 do mRNA urinario. Nao houve correlacao significativa entre os tercis de 25(OH)D e a expressao de proteinas podocitarias (valor de p > 0,05). 

Correlações entre mrnas associados a podócitos, 25(oh)d, proteinúria e função renal

As correlações de Spearman não mostraram relação entre a expressão de mRNA associados a podócitos e níveis de 25(OH)D, seja no início ou aos 6 meses de seguimento. Da mesma forma, não foram observadas correlações entre a expressão de mRNA e eTFG ou proteinúria. Os níveis séricos de 25(OH)D foram positiva e significativamente correlacionados com a excreção urinária de proteínas, tanto no início do estudo (r = 0,517, p = 0,008) quanto aos seis meses de seguimento (r = 0,539, p = 0,005).

Discussão

O presente estudo não encontrou melhora no perfil de mRNA de subprodutos associados a podócitos na urina após 6 meses de suplementação com colecalciferol. A proteinúria também não se alterou. No entanto, aqueles com mais elevados níveis séricos de 25(OH)D aos 6 meses (≥ 20 ng/ml) exibiram uma tendência de diminuição nas expressões de nefrina e podocina, enquanto o padrão oposto foi observado em pacientes com níveis baixos de 25(OH)D.

Estudos recentes têm demonstrado que, além do seu papel no metabolismo de cálcio e fósforo, a vitamina D também participa da regulação das funções renal, cardiovascular e imunológicas.21 Estudos clínicos e experimentais têm relatado que a vitamina D diminui a excreção de albumina urinária e retarda a progressão da doença renal.10,11,14-16,22 A ativação do VDR pela 1,25(OH)2D3 ou seus análogos desencadeia várias vias de sinalização envolvidas na proteção podocitária, tais como a inibição do sistema renina-angiotensina, a atenuação da apoptose e fibrose renal, e o aumento na expressão gênica podocitária, preservando assim a estrutura e a função dos podócitos.7-9,14-16,23,24

Em modelos animais com nefropatia induzida, descobriu-se que a vitamina D reduz a quantidade de podocitopenia, podocitúria, hipertrofia podocitária e apoptose, aumenta a expressão de nefrina, podocina, integrina α3β1 e distroglicana, e suprime a expressão de TGF-β1 e expressão de TRPC6.6,25-28 Estes resultados sugerem que os efeitos combinados de vitamina D ou seus análogos sobre podócitos glomerulares podem ser críticos para a renoproteção, que têm um impacto significativo na redução da albuminúria e no dano renal crônico.

A TRPC6 é uma proteína da fenda diafragmática, cuja expressão aumenta como resultado de lesão podocitária em nefropatias proteinúricas. Inibidores da ECA aumentam a expressão de TRPC6, assim como o uso de calcitriol. Descobriu-se que 1,25(OH)2D3 é capaz de normalizar a expressão glomerular de TRPC6, restaurar a morfologia de podócitos e reduzir a proteinúria em dois modelos experimentais de nefropatia induzida,25,28 provavelmente devido aos seus efeitos sobre o promotor TRPC6. No presente estudo, embora a suplementação de colecalciferol tenha causado elevação sérica de 25(OH)D, a intervenção não teve efeito sobre a expressão de TRPC6 na urina, independentemente da 25(OH)D sérica ou níveis de uma melhor ou pior taxa de filtração glomerular. No entanto, ao contrário dos estudos citados anteriormente, nós não medimos a transcrição do gene e o mRNA da TRPC6 no tecido renal, uma vez que não seria ético fazer biópsia nesses pacientes.

Baixos níveis séricos de 25(OH)D e 1,25(OH)2D3 são normalmente associados a taxas mais elevadas de albuminúria em pacientes com DRC.29 Liu et al.30 avaliaram os efeitos de três meses de tratamento com calcitriol em pacientes com nefropatia por IgA; enquanto Zeeuw et al.11 avaliaram os efeitos de paricalcitol em indivíduos com diabetes do tipo 2 no estudo VITAL. Estes estudos relataram reduções sustentadas de proteinúria e albuminúria pós-tratamento, respectivamente, sem um aumento de eventos adversos, tais como hipercalcemia.

No entanto, ambos os fármacos podem estar associados a eventos adversos que não podem ser negligenciados, tais como hipercalcemia, hipercalciúria, e hipoparatireoidismo; no estudo VITAL, por exemplo, uma maior proporção de pacientes em uso de 2 mg de paricalcitol foi retirada do estudo devido a eventos adversos (p = 0,018 v.s. placebo).11 Agarwal et al.31 realizaram um ensaio randomizado controlado por placebo envolvendo paricalcitol em pacientes com DRC nos estágios 3 ou 4 e hiperparatiroidismo secundário. Os autores relataram uma redução significativa na proteinúria, mesmo após o ajuste para várias covariáveis, tais como diabetes mellitus e a utilização de bloqueadores da angiotensina. Alborzi et al.10 identificaram efeitos semelhantes de paricalcitol sobre a albuminúria em pacientes com RC nos estágios 2 ou 3, independentemente de seus efeitos sobre a supressão do hormônio da paratireóide.

Estes dados foram confirmados em uma recente revisão sistemática, que constatou que o calcitriol e o paricalcitol reduziu a proteinúria em 16% nos pacientes com DRC, enquanto os controles mostraram um aumento de 6%.32 Uma vez que nossos pacientes têm dano renal crônico mais avançado, e níveis mais elevados de proteinúria, não foi possível demonstrar uma associação desse tipo, provavelmente porque os níveis séricos de 25(OH)D e albuminúria se correlacionam nas fases iniciais da doença renal.

Os efeitos protetores da vitamina D sobre a perda da taxa de filtração glomerular e a progressão da doença renal estão ainda para serem demonstrados em ensaios clínicos. De Boer et al.5 avaliaram 1.705 idosos com função renal predominantemente normal e descobriram que uma redução de 10 ng/ml na concentração sérica de 25(OH)D aumentou o risco de perda rápida de 25% na TFG. No presente estudo, a taxa de filtração glomerular diminuiu de forma significativa por uma média de 4 ml/min/1,73 m2, após seis meses de tratamento com colecalciferol. Esses achados estão de acordo com os de Liu et al.,30 que relataram um aumento na creatinina sérica e uma diminuição na taxa de filtração glomerular em pacientes tratados com calcitriol. No entanto, também devem ser considerados os efeitos da vitamina D no metabolismo de creatinina nos pacientes com DRC. É sabido que a vitamina D aumenta a geração de creatinina, levando a níveis superiores de creatinina sérica, sem efeito real sobre a TFG.33,34 Ensaios clínicos em fases iniciais de DRC ainda são necessários para se determinar os efeitos renoprotetores de longo prazo da vitamina D na função renal e a morbimortalidade nos pacientes.

Para avaliar a distribuição de mRNA de cada podócito urinário segundo valores basais e após o tratamento sérico em 25(OH)D, determinamos os tercis de 25(OH)D (< 23, 23-30 e > 30 ng/mL). Teoricamente, esperaríamos níveis mais elevados de subprodutos podocitários na urina no tercil basal mais baixo de vitamina D. Por outro lado, os níveis mais baixos de mRNA podocitários no tercil mais alto de 25(OH)D seriam considerados após a suplementação de colecalciferol, sugerindo um efeito presumido da vitamina D na "recuperação morfológica e funcional" de células epiteliais glomerulares, e consequentemente baixa podocitúria. No entanto, a distribuição irregular de mRNA podocitários ao longo dos tercis não confirma nossa hipótese principal.

É possível que um limite mais alto para os níveis de 25(OH)D ou um período mais longo de suplementação possam ser necessários para restaurar a transcrição do gene e a expressão de proteínas podocitárias no glomérulo. Além disso, a substituição do colecalciferol pode não ser eficaz para reduzir a proteinúria na doença renal crônica avançada. Caso contrário, o grau de lesão em podócitos na DRC mais avançada, que está associado a uma percentagem mais elevada de esclerose glomerular, pode resultar em dano podocitário irreversível e morte celular por meio de mecanismos apoptóticos ou não-apoptóticos.

Existem várias limitações a este estudo. O pequeno tamanho da amostra e a ausência de um grupo controle poderiam impedir quaisquer conclusões sobre os efeitos reais do colecalciferol sobre a podocitúria, e o curso de mRNA podocitário na urina durante a progressão da DRC. Outra limitação é a heterogeneidade do grupo de estudo com relação a diferentes etiologias e estágio da DRC, ambos os quais podem ter implicações para a lesão e recuperação de podócitos. No entanto, o método utilizado para detectar lesão podocitária no presente exemplo, isto é, a quantificação de mRNA associado a podócitos na urina, oferece um método acurado e não invasivo, apesar de indireto, para medir a podocitúria, com nenhum dos riscos associados aos métodos invasivos, tal como a biópsia renal.

Os efeitos da 1,25(OH)2D3 são mais susceptíveis a influências pela concentração sérica de 25(OH)D após a suplementação (que pode precisar atingir um determinado ponto de corte, antes de qualquer efeito ser visto), uma maior duração do tratamento, e/ou o início de vitamina D nas fases iniciais da DRC, em vez dos níveis basais de 25(OH)D em si. Além disso, a utilização de formas ativas de vitamina D ou seus análogos, tais como o calcitriol ou paricalcitol, em vez do substrato colecalciferol, pode ser necessário para maximizar a ativação direta do VDR em células podocitárias que conduzem a uma resposta biológica.

Podemos também considerar que o colecalciferol não está devidamente convertido em calcitriol ativo em estágios mais avançados da DRC. Esta menor conversão de vitamina D nativa ao calcitriol pode estar associada à inibição da 1-alfa-hidroxilase no rim devido a níveis mais elevados do fator 23 de crescimento de fibroblastos através da ativação da via de sinalização ERK1/2,35 além da perda de massa renal funcional.

Conclusão

Em conclusão, seis meses de suplementação de colecalciferol não teve nenhum efeito no perfil de mRNA podocitário na urina, proteinúria ou função renal em pacientes com DRC nos estágios 2 a 4. No entanto, os pacientes com níveis mais elevados de 25(OH)D, mostraram uma tendência na redução de mRNA da nefrina e da podocina após o tratamento. Mais estudos são necessários para avaliar os efeitos protetores da vitamina D ou seus análogos em podócitos, talvez, nas fases iniciais da DRC e com um maior tempo de seguimento.

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