Efeito dos programas de intervenção no âmbito escolar para reduzir o tempo gasto em frente a telas: uma meta-análise

Efeito dos programas de intervenção no âmbito escolar para reduzir o tempo gasto em frente a telas: uma meta-análise

Autores:

Roberta Roggia Friedrich,
Jéssica Pinto Polet,
Ilaine Schuch,
Mário Bernardes Wagner

ARTIGO ORIGINAL

Jornal de Pediatria

versão impressa ISSN 0021-7557versão On-line ISSN 1678-4782

J. Pediatr. (Rio J.) vol.90 no.2 Porto Alegre mar./abr. 2014

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2014.01.003

Introdução

Embora a Organização Mundial da Saúde recomende que crianças e adolescentes não devam passar mais de duas horas diárias em frente à televisão, videogames ou computadores, um estudo de base populacional realizado no Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), mostrou que 78% dos escolares frequentadores do nono ano do ensino fundamental assistiam à televisão por duas ou mais horas diárias. Este indicador variou de 71% a 82,3% entre as capitais brasileiras.1 , 2

O maior tempo que crianças e adolescentes dedicam a atividades como assistir à televisão, jogar videogame e usar computador está associado a inúmeros problemas de saúde, que incluem hipertensão arterial,3 síndrome metabólica4 e excesso de peso, relatados em vários estudos internacionais5 - 9 e em estudos brasileiros.10 - 15 Isso também está associado a mudanças comportamentais negativas, como alterações no sono,16 - 18 nas relações interpessoais e de atenção19 e no aumento da agressividade.20 , 21

O tempo excessivo em frente à tela também está relacionado com a alimentação, principalmente com a baixa ingestão de frutas e verduras,22 elevado consumo de alimentos de alto teor calórico e ricos em gorduras, açúcares e sódio. Além disso, influencia na escolha de alimentos por permanecerem expostos a propagandas daqueles não saudáveis.23 , 24 Também há estudos que indicam essa associação aos distúrbios alimentares.25 - 27

Diante disso, várias estratégias têm focado a mudança no estilo de vida sedentário com a diminuição do tempo diário gasto em frente à televisão, ao videogame e ao computador, através de programas de intervenção, principalmente na prevenção da obesidade.28 - 30

As crianças e os adolescentes são o público prioritário dessas estratégias, que representam a possibilidade de promoção da saúde e a proteção contra a obesidade e doenças crônicas futuras.31 , 32 Por isso, a escola é um espaço importante para promover práticas educativas e motivar os indivíduos a adotarem hábitos de vida saudável e mantê-los durante a vida adulta.33

Este artigo apresenta os principais resultados de uma meta-análise cujo objetivo foi avaliar os efeitos das intervenções sobre o tempo dedicado a atividades como assistir à televisão, jogar videogame e usar computador, no âmbito escolar.

Métodos

Trata-se de uma meta-análise realizada a partir da busca nas bases de dados eletrônicas Lilacs, PubMed, Web of Science, Scopus, Embase e Cochrane Library, entre os anos de 1998 a agosto de 2012, utilizando os seguintes descritores, em inglês: Randomized Controlled Trial,Intervention Study, Sedentary Lifestyle, Media, Screen Time, Television, Computer, Video Games, Children, Adolescents,Overweight, Obesity, Food and Nutrition Education, Physical Education, Physical Activity, Schools . Também foi realizada uma busca através das referências bibliográficas dos estudos relevantes e de revisões sistemáticas que abordavam o tema de interesse. Para a seleção dos estudos foram usados os seguintes critérios de inclusão: estudos controlados randomizados; publicações a partir de 1998 (incluindo esta data); escolares na faixa etária de quatro a 19 anos; pré e pós-mensuração do tempo gasto em frente à televisão, ao videogame ou a computadores; e programas de intervenções que focavam mudanças no comportamento sedentário objetivando reduzir o tempo em frente à tela, com duração mínima de três meses, no âmbito escolar. Por incluir estudos com pré e pós-mensuração do tempo gasto em frente à tela, também foram utilizadas como critérios de elegibilidade as intervenções que focavam a prevenção na obesidade, mudanças no estilo de vida através da educação nutricional e atividade física, sendo, nestes estudos, a redução do tempo em tela um desfecho secundário.

A qualidade interna dos estudos foi avaliada através do critério de sigilo de alocação proposto pela Cochrane Collaboration 34 e complementado pela escala de Jadad et al.35 Na avaliação pelo critério de sigilo de alocação, os estudos foram classificados em quatro categorias: Categoria A ou Adequado, significando que o processo de alocação foi adequadamente relatado; Categoria B ou Indeterminado, significando que o processo de alocação não é descrito, mas é mencionado no texto cujo estudo é aleatório; Categoria C ou Inadequado, estabelecendo que o processo de alocação foi inadequadamente relatado; Categoria D ou Não Utilizado, informando que o estudo não é aleatório. Os estudos classificados como A e B, através da análise pelo sigilo de alocação, foram incluídos. No entanto, os classificados na categoria C e D foram excluídos da revisão, uma vez que não foram considerados experimentos adequadamente conduzidos.34

Os critérios descritos por Jadad et al. para avaliar a qualidade interna, utilizados neste estudo, foram a randomização, o mascaramento duplo cego e as perdas e exclusões. Um máximo de cinco pontos pôde ser obtido. Um estudo é considerado de má qualidade se receber uma pontuação menor ou igual a três pontos.35

Após a busca dos estudos nas bases de dados eletrônicas, a seleção dos estudos iniciou-se a partir da análise dos títulos e dos resumos, por dois avaliadores, de acordo com os critérios de inclusão. No caso da falta de informações no resumo, o estudo foi avaliado pelo texto completo. Posteriormente, somente os estudos classificados como A e B, segundo o sigilo de alocação, foram incluídos na revisão.

Para a coleta de dados dos estudos selecionados, as informações foram extraídas, de forma independente, por dois revisores. Os resultados foram cruzados para verificar a concordância, e os resultados discordantes foram resolvidos por consenso. A avaliação pelos revisores não foi mascarada quanto aos autores e aos resultados dos estudos.

Para a análise estatística, os estudos randomizados controlados foram agrupados na meta-análise e o tempo dedicado às atividades de baixa intensidade como assistir à televisão, jogar videogame e usar computador foi avaliado por horas/dia.

Para o desfecho estudado foi usada medida de sumário baseada na diferença de médias padronizadas (DMP). A obtenção dessa medida de sumário e seus respectivos intervalos de confiança (IC) de 95% seguiu um modelo de efeitos fixos ou randômicos, dependendo da heterogeneidade entre os estudos. O teste de inconsistência (I2) foi usado para avaliar a heterogeneidade entre os estudos, e para I2 > 50% foi utilizado um modelo de efeitos randômicos.36 , 37 O teste I2 descreve a variabilidade total, devido à heterogeneidade; valores iguais a zero não representam heterogeneidade entre os estudos; valores inferiores a 25% representam variabilidade baixa; valores intermediários entre 25 e 50%, moderada e, superiores a 50%, uma variabilidade alta.36 Também foi analisado o efeito das intervenções pela escala de magnitude para efeito estatístico proposto por Cohen, em 1988,38 através da análise da DMP. A análise estatística foi realizada usando o programa Review Manager 5 versão 5.2, produzido pela Cochrane Collaboration. Os resultados foram apresentados por meio de gráficos forest plot.

Resultados

Na figura 1 está sumarizado o fluxograma do processo de seleção dos estudos. Inicialmente, foram identificados 1.552 estudos; destes, 1.373 foram encontrados a partir da busca eletrônica pelas bases de dados e 179 através das referências bibliográficas dos estudos relevantes de revisões sistemáticas que abordavam o tema de interesse.

Figura 1 Fluxograma do processo de seleção dos estudos. 

Posteriormente, os estudos identificados foram importados para o gerenciador de referência bibliográfica Endnote(r) versão X6 e, em seguida, foram removidos 402 estudos duplicados. Em um total de 1.150 estudos identificados, 931 foram excluídos após a análise minuciosa através de seu título e resumo, por não se enquadrarem nos critérios de inclusão. Por falta de informações no resumo, 219 estudos foram analisados pelo texto completo; desses, 190 foram excluídos por não se enquadrarem nos critérios de inclusão. Após a análise pela elegibilidade, 29 estudos foram selecionados para a etapa de verificação de qualidade pelo sigilo de alocação. Os estudos classificados como C e D foram excluídos, totalizando quatro. Assim, 24 estudos foram selecionados para a coleta de dados, pois foram classificados como A e B. Desses, nove foram excluídos após análise por não apresentarem dados suficientes para inclusão na meta-análise. Assim, 16 estudos foram incluídos nesta revisão sistemática.28 - 30 , 39 - 51

Quanto às características dos estudos selecionados, a maioria dos programas de intervenção foi realizada nos Estados Unidos, tinham duração maior ou igual a seis meses e incluíam a participação das famílias (tabela 1).

Tabela 1 Características dos estudos controlados randomizados, incluídos na revisão sistemática 

1º Autor Ano Local n Idade Sexo Componente Tempo de Avaliação do tempo Mensuração Sig Jadad
familiar intervenção em tela tempo em tela Aloc.
(meses)
Robinson28 1999 EUA 192 8,9 F/M S 6 TV H/S B MQ
Gortmaker29 1999 EUA 1.220 11,7 F/M NM 14 TV/VIDEO H/D A MQ
Sahota39 2001 RU 599 8,39 F/M S 9 TV/CPT H/D A MQ
Robinson30 2003 EUA 61 9,5 F S 3 TV/VIDEO/GAME H/S B MQ
Story40 2003 EUA 53 9,3 F S 3 TV H/D B MQ
Fitzgibbon41 2006 EUA 324 4,2 F/M S 3,5 TV H/D A MQ
Foster42 2008 EUA 705 11,2 F/M S 24 TV H/D B MQ
Jones43 2008 EUA 606 12.4 F NM 18 TV/VIDEO/CPT/GAME MIN/DIA A MQ
Weintraub44 2008 EUA 21 9,50 F/M S 6 TV/VIDEO/GAMES/CPT H/S A MQ
Gentile45 2009 EUA 1.318 9,6 F/M S 24 TV/GAME H/S B MQ
Lubans46 2009 Austrália 106 14,1 F/M S 6 TV H/D A MQ
Singh47 2009 Holanda 903 12-14a F/M NM 8 TV/CPT MIN/D A MQ
Sacher48 2010 RU 72 10,2 F/M S 6 TV/CPT H/S A MQ
Bjelland49 2011 Noruega 1.309 11,2 F/M S 8 TV/DVD/CPT/GAMES H/D A MQ
Puder50 2011 Suíça 625 5,1 F/M S 12 TV/VIDEO/CPT/GAME MIN/DIA A MQ
Ezendam51 2012 Holanda 671 12.65 F/M S 12 TV/CPT MIN/D A MQ

Legenda: Ano, ano de publicação; Local, local de realização da intervenção; n, tamanho da amostra; Idade, média da idade; F, feminino; M, masculino; S, Sim; NM, não menciona; Avaliação do tempo em tela: TV, televisão; DVD, Digital Video Disc; CPT, computador; VIDEO, vídeocassete; GAME, Videogame; H/D, horas por dia, H/S, horas por semana; M/S, minutos por semana; M/D, minutos por dia; Sig. aloc., Nível de sigilo de alocação pela Cochrane Collaboration; A, sigilo de alocação adequado; B, sigilo de alocação não é descrito, mas é mencionado no texto cujo estudo é aleatório; Jadad, Escala de Jadad de qualidade dos estudos; MQ, Má qualidade. a Intervalo de idade.

Considerando a qualidade interna dos estudos incluídos, pela sua análise através do sigilo de alocação,34 em 11 estudos o processo de alocação foi descrito de forma adequada (categoria A) e, em cinco deles, o processo não foi descrito, mas mencionado no texto cujo estudo era aleatório (categoria B). Quanto à avaliação pela escala de Jadad et al.,35 todos foram considerados de má qualidade. As características dos estudos incluídos estão descritas na tabela 1.

Em nenhum estudo, os programas de intervenções foram aplicados isoladamente com o objetivo de reduzir o tempo em frente à tela, mas combinados com outros componentes, inclusive a educação nutricional e a atividade física. Também, em alguns deles as intervenções foram realizadas com atividade extraclasse, depois do horário de aula.30 , 40 , 44 Além disso, o tempo de exposição à tela em horas por dia foi o método de mensuração na maior parte dos estudos incluídos. As características das estratégias dos programas de intervenções estão detalhadas na tabela 2.

Tabela 2 Características dos programas de intervenção 

1º Autor Ano Características dos programas de intervenção
Robinson28 1999 Descrição: o programa de intervenção tinha como objetivo reduzir o tempo de dedicação aos
eletrônicos e substituí-los por atividades mais ativas. As aulas foram seguidas por um desafio aos
alunos, pedindo que deixassem seus aparelhos eletrônicos desligados por dez dias. Informativos
foram enviados aos pais para que, também, auxiliassem nesse desafio e levassem seus filhos a ter
uma vida mais ativa, como incentivando a prática de exercício
Gortmaker29 1999 Nome do Programa: Planet Health
Descrição: o programa foi introduzido no currículo escolar e focava quatro mudanças de
comportamento: a redução do tempo em frente à televisão; o aumento do nível de atividade física
para moderada a vigorosa; a diminuição do consumo de alimentos com alto teor de gordura; e o
aumento do consumo de frutas e vegetais
Sahota39 2001 Nome do Programa: Active programme promoting lifestyle in schools (APPLES)
Descrição: programa interdisciplinar com modificações de merenda escolar, bem como o
desenvolvimento e a implementação de planos de ação da escola, destinado a promover uma
alimentação saudável e atividade física, além da participação dos pais nas atividades
Robinson30 2003 Nome do Programa: Stanford GEMS
Descrição: o programa consistia em aulas de dança oferecidas depois do horário de aula (after
school). Realizou-se também intervenção destinada a reduzir o tempo de televisão, vídeo e uso de
videogames
Story40 2003 Nome do Programa: Keys to Eating, Exercising, Playing, and Sharing (KEEPS)
Descrição: o programa foi desenvolvido a partir de reuniões realizadas após o horário de aula (after
school). A intervenção na atividade física tinha como meta aumentar a intensidade da atividade
física para moderada e vigorosa e diminuir o sedentarismo, com a redução do tempo em frente à
tela. Mudanças no hábito alimentar tinham como objetivo diminuir o consumo de alimentos ricos em
gorduras, aumentar o consumo de frutas, verduras e o consumo de água. O programa de intervenção
também teve a participação dos pais, pois eles recebiam folhetos informativos, semanalmente,
sobre a importância da prática da atividade física e da alimentação para a saúde. Eles participaram
de uma prática culinária e de jogos ligados à atividade física, como concurso de dança
Fitzgibbon41 2006 Descrição: o programa de intervenção tinha como objetivo aumentar o consumo de frutas e
vegetais, diminuir a ingestão de alimentos ricos em gordura, diminuir o sedentarismo e aumentar a
atividade física
Foster42 2008 Nome do Programa: School Nutrition Policy Initiative (SNPI)
Descrição: os alunos participaram do desafio 2-1-5, que tinha como objetivo reduzir o sedentarismo
e estimular uma alimentação saudável: [2] duas horas por dia de televisão e videogames, [1]:
uma hora por dia de atividade física e [5]: consumir cinco porções de frutas e vegetais por dia.
Houve uma mudança em todas as refeições servidas nas escolas. Reuniões, entrega de folhetos
informativos e workshops foram realizados com a família, incentivando a redução do sedentarismo o
aumento da atividade física e o consumo de mais frutas e verduras
Jones43 2008 Nome do Programa: The Incorporating More Physical Activity and Calcium in Teens (IMPACT)
Descrição: programa interdisciplinar que tinha como objetivo promover a saúde óssea em meninas,
aumentando o nível de atividade física e o consumo de alimentos ricos em cálcio
Weintraub44 2008 Nome do Programa: Stanford Sports
Descrição: realizado a partir de aulas de futebol oferecidas depois do horário escolar (after school).
As aulas de futebol foram estruturadas para promover experiências positivas através do esporte,
com ênfase ao respeito por si próprio e à importância do trabalho em equipe. Caneleiras, uniformes
e garrafas de água foram fornecidos para cada jogador. Também foram realizados jogos de futebol
envolvendo as crianças, seus pais e os treinadores
Gentile45 2009 Nome do Programa: Switch
Descrição: as intervenções nas escolas foram orientadas para as crianças e suas famílias, com
o objetivo de aumentar a atividade física habitual, reduzir o tempo de televisão e aumentar o
consumo de frutas e verduras. As famílias e os professores receberam informações mensais que
incluíam folhetos impressos descrevendo o projeto, dicas para aumentar a atividade física e o
consumo de frutas e verduras de maneira criativa e atraente, além de planejar as refeições e a lista
de compras no supermercado. A comunidade também recebeu informações sobre a prevenção de
obesidade infantil. Algumas atividades comunitárias foram realizadas: lançamento do projeto em um
evento comunitário, distribuição de cartazes, fornecimento de materiais impressos nos serviços de
saúde pública e privada, produção de uma página na web e informações mensais nos jornais locais
Lubans46 2009 Nome do Programa: Program X
Descrição: as intervenções tinham como objetivo: promover a atividade física; reduzir o tempo
gasto com a televisão, o computador e os jogos eletrônicos; tornar-se mais ativo com amigos e
familiares; aumentar o consumo de frutas e verduras; e beber mais água e reduzir ou trocar as bebidas açucaradas por bebidas de baixo teor de açúcar. Manuais informativos sobre a importância
da prática da atividade física e da alimentação saudável foram entregues aos pais
Singh47 2009 Nome do Programa: Dutch Obesity Intervention in Teenager (DOiT)
Descrição: o programa teve como objetivo conscientizar os alunos sobre a importância da
alimentação saudável e a prática de atividade física para a saúde. Intervenções nas cantinas das
escolas também foram realizadas
Sacher48 2010 Nome do Programa: Mind, Exercise, Nutrition, Do it (MEND)
Descrição: as intervenções tinham como objetivo promover a atividade física e a alimentação
saudável em crianças obesas. As famílias também participaram de uma visita guiada ao
supermercado e receberam materiais com receitas saudáveis
Bjelland49 2011 Nome do Programa: HEalth In Adolescents (HEIA)
Descrição: as intervenções nas escolas orientaram as crianças e suas famílias com o objetivo de
aumentar o nível de atividade física, reduzir o tempo em frente à tela e reduzir o consumo de
bebidas açucaradas
Puder50 2011 Nome do Programa: Ballabeina
Descrição: as intervenções foram desenvolvidas para os alunos, professores e as famílias, e
promoviam a atividade física e a alimentação saudável, além de discutir sobre assuntos como as
limitações do uso da televisão e a importância do sono
Ezendam51 2012 Nome do Programa: The FATaintPHAT
Descrição: as intervenções eram realizadas através da internet durante o período de aula e tinham
como objetivo: reduzir o consumo de bebidas com alto teor de açúcar e lanches de alto valor
calórico; aumentar o consumo de frutas, legumes e pão integral; reduzir comportamentos
sedentários através da redução do tempo em frente à tela; e aumentar a atividade física
(deslocamento para escola, atividades de lazer e esportes)

Para avaliar o tempo em frente à tela, 16 estudos foram agrupados na meta-análise, e o resultado com 8.785 participantes apresentou efeito estatisticamente significativo das intervenções na redução do tempo despendido em frente à tela, com DMP (efeito randômico): -0,25 horas/dia (-0,37; -0,13), p < 0,01 entre o grupo intervenção comparado ao grupo controle, com magnitude de efeito considerada pequena. Houve heterogeneidade entre os estudos com variabilidade alta (I² = 85%) (fig. 2).

Figura 2 Forest plot para os estudos comparando o grupo intervenção com o grupo controle para as intervenções na redução do tempo em frente à tela (horas/dia) em escolares. n, tamanho da amostra; DMP [ER], diferença de médias padronizada com efeitos randômicos; IC, intervalo de confiança; Chi2, valor qui-quadrado; I2, teste de inconsistência; gl, grau de liberdade. 

Discussão

Esta revisão sistemática com meta-análise permite uma visão preliminar sobre o impacto das intervenções aplicadas no âmbito escolar, focando o comportamento sedentário através da redução do tempo em frente à tela, considerado importante na prevenção da obesidade em crianças e adolescentes.

Analisando a literatura internacional, intervenções com resultados relevantes também foram apresentados na redução do comportamento sedentário em crianças com DMP: -0,29 (IC95% = -0,35; -0,22) na meta-análise apresentada por Kamath et al. e em adolescentes no estudo de Biddle et al. com DMP: -0,192 (IC95%: -0,30; -0,08).52 , 53

Já em escolares, o resultado da meta-análise de Maniccia et al. também foi positivo nas intervenções da redução do tempo em frente à televisão, com DMP: -0,15 (IC95%: -0,23; -0,06),54 resultado semelhante ao apresentado em nosso estudo. Segundo Schimidt et al., através de uma revisão sistemática, as estratégias para reduzir o tempo em frente à tela indicaram resultados positivos, com intervenções no âmbito escolar na maioria dos estudos.55 Um estudo controverso apresentado através da meta-análise por Wahi et al. não mostrou mudanças no tempo em tela entre o grupo intervenção comparado ao grupo controle, com DM (diferença das médias): -0,90 (IC95%: -3,47; 1,66).56

Também foi observado na meta-análise de estudos controlados randomizados, que as intervenções que visavam a reduzir o tempo sedentário apresentaram efeito estatisticamente significativo na redução do IMC com DM: -0,89 (IC95%: -1,67; -0,11) no grupo intervenção comparando ao grupo controle. Nesta mesma revisão, através da análise qualitativa de estudos controlados randomizados, longitudinais e estudo de coorte concluiu-se que o fato de assistir à televisão duas ou mais horas por dia está associado ao aumento da composição corporal, à baixa autoestima e ao menor desempenho escolar em crianças e adolescentes em idade escolar (5 a 17 anos).57

Em muitos estudos analisados em nossa revisão, as intervenções que focavam o comportamento sedentário tinham como objetivo reduzir o tempo dedicado a atividades como assistir à televisão, jogar videogame e usar computador. Além disso, a mensuração do sedentarismo era avaliada através do tempo em frente à tela.

Nos estudos incluídos nesta revisão, nenhuma intervenção aplicou isoladamente programas com o objetivo de reduzir o tempo em frente à tela, mas combinados com outros componentes, inclusive a educação nutricional e a atividade física. Isso sugere que estratégias para mudança no comportamento sedentário, além de reduzir o tempo em frente à tela, devem focar tanto a atividade física quanto a educação nutricional, aspectos que deveriam ser preconizados no planejamento de políticas públicas na área da saúde. Embora os estudos não apresentem associação entre o tempo em frente à tela e prática da atividade física,58 , 59 reduzir o tempo em frente a telas, promovendo e estimulando a prática da atividade física, é de suma importância nos programas de intervenção. Essa prática pode ser realizada no âmbito escolar e nas horas de lazer, já que seus benefícios para a saúde, amplamente documentados na literatura, estão associados à saúde esquelética (conteúdo mineral e densidade óssea),60 - 62 ao aumento da flexibilidade e à capacidade aeróbia63 , 64 e na relação inversa com os fatores de risco cardiovasculares.63 , 65 - 68 Além disso, a prática da atividade física regular, quando iniciada na infância e/ou adolescência, protege contra a inatividade física na idade adulta,69 - 71 mesmo que muitos estudos não apresentem a associação entre tempo em frente à tela e o nível de atividade física.

Nas intervenções descritas nos estudos, a família é destacada como componente importante, sobretudo o envolvimento dos pais na promoção de hábitos saudáveis, e deve ser contemplada e estimulada pelos programas de intervenção, pois crianças são influenciadas pelos hábitos de seus pais. Por isso, as orientações introduzidas na escola devem ser seguidas em casa, por meio de exemplos positivos dos pais para seus filhos. As evidências científicas atuais apontam que os programas de intervenção apresentam melhores resultados quando as estratégias utilizadas incluem o componente familiar.72 , 73

As limitações desta meta-análise incluem um número pequeno de estudos, com algumas exclusões devido à falta de dados adequados para o cálculo do tamanho de efeito. Também, a maioria dos estudos incluídos foi realizada com amostra pequena, e todos foram considerados de baixa qualidade pela escala de Jadad et al., por não descreverem detalhadamente o sigilo de alocação, o procedimento de randomização, o mascaramento, as perdas e as exclusões. Além disso, nenhum estudo brasileiro foi incluído nesta revisão por não atender aos critérios de inclusão.

Esta revisão sistemática pode estar sujeita a viés de publicação, pois estudos que relatam efeitos benéficos de determinadas intervenções são mais facilmente publicáveis, em detrimento dos que não descrevem efeitos positivos.

Outra limitação nos estudos incluídos refere-se aos programas de intervenção, pois as maiorias deles não tinha como objetivo específico reduzir o tempo em frente à tela, mas sim promover e incentivar a atividade física e a alimentação saudável. Por esse motivo, depois de uma ampla discussão entre a equipe do projeto, foram incluídos estudos de intervenções com pré e pós-mensuração do tempo em frente à tela, nos quais esta variável é considerada desfecho secundário do estudo.

É necessário ressaltar que, embora o tempo despendido em frente à televisão, computadores e videogames seja representativo de atividades sedentárias mais frequentes, a avaliação deveria considerar também análises do tempo gasto no carro, sentado e descansando, situações que envolvem o trânsito, o trabalho e o lazer.74

Além disso, o autorrelato do comportamento sedentário, através da aplicação de questionários, foi considerada a opção metodológica da maioria dos estudos para avaliar o comportamento sedentário em escolares. Porém, este método não oportuniza medidas tão precisas quanto os sensores de movimento, tais como o uso do acelerômetro. Para muitos autores, o comportamento sedentário geralmente é definido com tempo gasto < 1,5 METs.75 , 76 Por isso, a combinação destes dois métodos poderia ser utilizada na mensuração do comportamento sedentário.

O presente estudo sugere a necessidade de estudos controlados randomizados com critérios metodológicos bem desenhados para avaliar o efeito das intervenções, especialmente em populações brasileiras, além de intervenções que tenham como estratégia principal reduzir o tempo em frente à tela.

Os resultados aqui apresentados devem ser interpretados com cautela, e também poderão auxiliar no planejamento de pesquisas futuras. As evidências apresentadas nesta revisão sistemática com meta-análise sugerem que mudanças no comportamento sedentário, através da redução do tempo despendido em atividades como assistir à televisão, jogar videogame e usar computadores, são possíveis com programas de intervenção no âmbito escolar, embora os efeitos sejam pequenos.

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