Efeitos multidimensionais da terapia vocal em pacientes com paralisia unilateral daprega vocal por câncer

Efeitos multidimensionais da terapia vocal em pacientes com paralisia unilateral daprega vocal por câncer

Autores:

Camila Barbosa Barcelos,
Paula Angélica Lorenzon Silveira,
Renata Lígia Vieira Guedes,
Aline Nogueira Gonçalves,
Luciana Dall'Agnol Siqueira Slobodticov,
Elisabete Carrara-de Angelis

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

versão impressa ISSN 1808-8694versão On-line ISSN 1808-8686

Braz. j. otorhinolaryngol. vol.84 no.5 São Paulo set./out. 2018

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2017.07.012

Introdução

A paralisia unilateral das pregas vocais (PUPV) pode apresentar-se como disfonia, perda do registro superior da voz, rouquidão, respiração audível, dor na garganta, episódios de engasgo ou diminuição da resistência vocal.1-5 Pacientes com PUPV podem demonstrar diferentes graus de distúrbio vocal, dependendo da posição da prega vocal paralisada.6-8

O tratamento da paralisia da prega vocal unilateral é projetado para eliminar a aspiração e melhorar a qualidade da voz. Atualmente diferentes técnicas cirúrgicas estão disponíveis: teflon, colágeno, hidroxiapatita ou derme micronizada autógena, injeção de gordura, tireoplastia tipo I e transferência de pedículo neuromuscular representam as técnicas cirúrgicas mais adotadas. Esses estudos fazem avaliações principalmente no período pós-cirúrgico imediato e três meses após a cirurgia.9-18

Apenas três estudos avaliaram a eficácia da terapia vocal para essa população. Schindler et al.19 analisaram retrospectivamente modificações de voz em 40 pacientes com PUPV de diferentes etiologias antes e depois da terapia vocal. Usou-se um protocolo de avaliação multidimensional que incluiu a videoendoscopia, o tempo máximo de fonação (TMF), a escala GRBASI, os espectrogramas, a análise dos distúrbios e o índice de deficiência de voz (VHI). Os dados pré e pós-tratamento inicial foram comparados. Fechamento glótico completo foi observado em oito pacientes antes da terapia vocal e em 14 após o tratamento. O TMF médio aumentou significativamente. Na avaliação perceptiva, a diferença foi significativa para cinco dos seis parâmetros e também foi alcançada uma melhoria significativa na qualidade de vida. D'Alatri et al.20 avaliaram os resultados laringológicos e acústicos obtidos após a terapia vocal em oito pacientes com PUPV causada por diferentes etiologias. Após a terapia comportamental, a prevalência do fechamento glótico completo aumentou significativamente (p < 0,05). Os valores médios pré-terapia dos indivíduos para a Jitter, Shimmer e proporção ruído-harmônico foram significativamente diferentes dos medidos imediatamente e seis meses após o tratamento (p < 0,05). Mattioli et al.21 fizeram um estudo prospectivo de sete anos para avaliar os resultados pós-tratamento vocal inicial de 74 pacientes com PUPV. Os pacientes foram submetidos a avaliação multidimensional pré e pós-tratamento e os resultados mostraram que 51 (68,9%) recuperaram a mobilidade da prega vocal e 23 (31,1%) apresentaram paralisia persistente após a terapia vocal. Nesse grupo de pacientes, o fechamento glótico completo foi observado em cinco casos antes da terapia vocal e em 13 esse fechamento completo foi observado somente após o processo terapêutico (p < 0,0001). Foi encontrada uma redução importante e significativa na frequência fundamental (p < 0,0001); observou-se uma melhoria nos valores médios de Jitter (Jitt%; p = 0,001), Shimmer (Shim%; p < 0,0001) e proporção ruído-harmônico (NHR) (p < 0,0001). Os valores do índice de incapacidade vocal (VHI) mostraram uma melhoria clara e significativa e o TMF médio aumentou significativamente.

Até o momento, não há estudos que relatem os fatores de risco para melhoria vocal após a terapia vocal. Embora existam três estudos anteriores que demonstrem a eficácia da terapia vocal para pacientes com PUPV, não há estudos multidimensionais que avaliem o longo prazo.

Compreender a eficácia da terapia vocal nessa população pode ser um coeficiente importante para definir a abordagem terapêutica. A terapia vocal é uma intervenção não invasiva e uma compreensão dos fatores listados anteriormente é essencial para uma indicação adequada. Este é o primeiro estudo que avaliou a eficácia da terapia vocal para curto, médio e longo prazo em pacientes oncológicos com PUPV e que determinou os fatores de risco para falha da reabilitação vocal.

Método

Pacientes

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Instituição (n° 1399/10). Foram recrutados 61 pacientes com PUPV neste estudo prospectivo. Os critérios de inclusão eram adultos com diagnóstico de PUPV sem lesões estruturais ou disfonia anterior. O grupo de estudo compreendeu 16 (26,2%) homens e 45 (73,8%) mulheres, com média de 52,4 (DP = 13,8) anos. A etiologia da PUPV era decorrente de diferentes tipos de tratamento de câncer, como o de tireoide (44,69%), pulmão (11,5%), esôfago (5,0%) e outros sete locais (14%).

Dos 61 pacientes incluídos, 43 terminaram o tratamento de reabilitação vocal. Nove declinaram e nove apresentaram pioria de sua condição clínica oncológica. Após a terapia vocal, a PUPV persistiu em 28/43 (65,2%). Para análise multidimensional, apenas os 28 que permaneceram com PUPV foram incluídos.

Para a análise clínica, os pacientes foram divididos em três grupos: "melhoria geral" -indivíduos que tinham todos os parâmetros vocais e acústicos apropriados, melhoria na qualidade de vida e sem queixas; "melhoria parcial" - indivíduos sem queixas, porém com persistência de mudanças discretas em parâmetros individuais; "falha" - indivíduos que não apresentaram parâmetros vocais, bem como acústicos e/ou melhoria da qualidade de vida.

Avaliação multidimensional

Os pacientes foram avaliados pré-tratamento e em três momentos após o tratamento vocal: curto prazo (1-3 meses), médio prazo (4-6 meses) e longo prazo (12 meses).

Laringoscopia

Cada indivíduo foi submetido a avaliação por videolaringoscopia com um endoscópio flexível. Os exames endoscópicos foram feitos com um endoscópio Kay9105 acoplado a uma microcâmera Panasonic GP (modelo AD22TA) conectada a um monitor Sony14 polegadas e a um DVD-R 335HDD Philips. A laringe foi avaliada durante a respiração e a fonação sustentada das vogais /e/ e /i/ em ordem aleatória para o ponto de tempo da avaliação (pré, curto, médio ou longo prazo). O examinador foi cegado para o momento da avaliação. Com base em imagens videolaringoscópicas, cada paciente foi avaliado de acordo com a mobilidade das pregas vocais e posição da PUPV. Para a análise de avaliação, usou-se um protocolo adaptado.22,23

Análise de voz perceptiva

A avaliação perceptiva baseou-se na escala GRBASI.24-27 As amostras vocais foram gravadas por computador com o programa de voz multidimensional (MDVP) a partir da boca do paciente durante a produção de um /a/ sustentado. Todas as amostras vocais foram, posteriormente, avaliadas por três profissionais experientes (fonoaudiólogos) sem conhecimento sobre quando a voz foi gravada (pré, curto, médio ou longo prazo). Cinco dias após a primeira avaliação, 35% das vozes foram testadas novamente. Ambos os resultados foram avaliados com um teste de Kappa e o resultado de julgamento mais análogo foi escolhido para o estudo.

Tempo máximo de fonação

Foi obtido durante um /a/ sustentado a um tom e intensidade confortáveis após uma inspiração profunda. Foram feitos três ensaios consecutivos e o melhor foi considerado.

Análise de voz acústica

A análise de voz acústica foi feita com um programa de voz multidimensional (MDVP, Kay Pentax). Os indivíduos foram solicitados a manter a vogal /a/ em um nível confortável de altura e intensidade por pelo menos quatro segundos. Um intervalo de três segundos foi selecionado, eliminou a emissão inicial e final. Foram considerados os seguintes parâmetros: frequência fundamental média (F0 média, hertz), Jitter%, PPQ, Shimmer%, APQ, variação de frequência fundamental (vFo), variação de amplitude (vAm) e índice de turbulência de voz (VTI).

Autoavaliação

Finalmente, cada paciente completou a versão brasileira do VHI para a obtenção de dados de autoavaliação sobre a qualidade de vida relacionada à voz.

Terapia vocal

A terapia vocal foi individualizada, duas vezes por semana, por 30 minutos. Cada paciente envolvido no estudo passou por várias sessões de terapia vocal com um fonoaudiólogo experiente. O número médio de sessões foi de 12 (DP = 6,1). A terapia vocal teve como objetivo melhorar o fechamento glótico e, ao mesmo tempo, evitar comportamentos compensatórios indesejáveis, como a constrição anteroposterior ou lateral das pregas vocais, voz em falsete e tensão muscular oral ou faríngea.

Na primeira sessão, o fonoaudiólogo forneceu aos pacientes informações instrucionais sobre o funcionamento da fonação, suas anormalidades específicas e higiene vocal.

Os pacientes foram submetidos a treinamento específico de voz, dirigido para evitar a compensação hiperfuncional: exercícios de vibração da prega vocal e de adução forçada, como empurrar ou puxar uma cadeira. Os pacientes que usaram a compensação do registro em falsete foram orientados a trazer a voz do tórax ao mover a laringe para a posição mais baixa no pescoço (manualmente ou com técnicas como inalação profunda e bocejo). Para pacientes com hiperfunção ventricular, foram utilizadas técnicas como falar sob inalação e sons nasais.8,28-33

Todos os processos terapêuticos foram feitos com acompanhamento visual dos parâmetros acústicos para ajudar a escolher a melhor técnica para terapia, bem como para facilitar a observação dos resultados do paciente.

Análise estatística

As análises estatísticas foram feitas com o pacote SPSS 11.5 (SPSS Science, Chicago, IL). Para variáveis quantitativas, usou-se o teste exato de Fisher (F) e o qui-quadrado. Para comparação entre dois grupos, usou-se o teste t de Student. A análise de variância (Anova) foi usada para outras análises. Quando a homogeneidade das variâncias não era verificada, o ajuste foi feito com o teste Brown-Forsythe (BF).

Para avaliar as características longitudinais, usou-se o teste de medidas repetidas para dados ordinais. Quando as diferenças foram identificadas entre as avaliações, foram feitas comparações múltiplas especificamente para esse teste.

Quando houve uma diferença significativa entre os tempos, para identificar diferenças nos pontos de tempo de avaliação, foram feitas comparações entre os dois pontos de tempo com o teste de Bonferroni. Essas comparações são apresentadas no fim da tabela 1, indicam quando o valor p < 0,05 (o nível de significância considerado foi de 5%).

Tabela 1 Comparação entre valores da avaliação clínica nos quatro pontos no tempo 

Categorias PT CP MP LP p
n (%)/ dados n (%)/ dados n (%)/ dados n (%)/ dados
G (n = 28) (n = 28) (n = 14) (n = 7)
Normal 0 8 (28,6) 6 (42,8) 4 (57,1)
Alterada 28 (100) 20 (71,4) 8 (57,2) 3 (42,9) 0,001
R
Normal 2 (7,1) 7 (25) 6 (42,8) 5 (71,5)
Alterada 26 (92,9) 21 (75) 8 (57,2) 2 (28,5) 0,001
B
Normal 3 (10,7) 11 (39,3) 10 (71,4) 5 (75,5)
Alterada 25 (89,3) 17 (60,7) 4 (28,6) 2 (28,5) 0,001
A
Normal 28 (100) 28 (100) 14 (100) 7 (100)
Alterada 0 0 0 0 NA
S
Normal 28 (100) 28 (100) 14 (100) 7 (100)
Alterada 0 0 0 0 NA
I
Normal 9 (32,1) 16 (57,1) 11 (78,6) 4 (57,1)
Alterada 19 (67,9) 12 (42,9) 3 (21,4) 3 (42,9) 0,001
Grau de disfonia
Normal 0 8 (25,9) 6 (42,9) 4 (57,1)
Discreta 5 (17,8) 10 (37,0) 7 (50,0) 2 (28,6)
Moderada 12 (42,9) 9 (33,3) 1 (7,1) 1 (14,3)
Grave 11 (39,3) 1 (3,7) 0 0 0,001
TMF /a/
Min-Max 2-15 4-17 4-15 5-14
Mediana 6 12 11 7
Média ± DP 7 ± 3,3 11,1 ± 3,3 10,8 ± 3,6 7 ± 6,2 0,001
Altura
Normal 20 (71,4) 23(82,1) 13 (92,8) 6 (85,7)
Alterada 8 (28,6) 5 (17,9) 1 (7,2) 1 (14,3) 0,001
Intensidade
Normal 9 (32,1) 17 (60,7) 12 (85,7) 6 (85,7)
Alterada 19 (67,9) 11 (39,3) 2 (14,3) 1 (14,3) 0,001

A, astenia; B, respiração ruidosa; CP, curto prazo; DP, desvio-padrão; I, instabilidade; L, grau de disfonia global; LP, longo prazo; Min, mínimo; Max, máximo; MP, médio prazo; PT, pré-terapia; R, rugosidade; S, esforço.

Foram realizadas análises de regressão logística para identificar os fatores de risco que influenciaram as melhorias parciais e não completas. As variáveis que apresentaram um p < 0,10 na análise univariada foram incluídas no modelo inicial.

O método de regressão logística progressiva Stepwise foi usado e não inclui variáveis analisadas conjuntamente no modelo final que não eram significativas. Assim, apenas as variáveis significativas (p < 0,05) ou aquelas com tendência significativa (0,05 < p < 0,10) foram incluídas no modelo final. Todas as outras variáveis não foram incluídas e em todos os testes um valor de p menor do que 0,05 foi considerado significativo.

Resultados

Dos 28 pacientes com PUPV permanente, 18 (69,2%) apresentaram fechamento glótico completo após terapia vocal (p = 0,001).

As comparações de análise auditiva perceptiva pré e pós-terapia (curto, médio e longo prazo) revelaram diferença significativa entre os quatro períodos de tempo de avaliação para a maioria dos parâmetros (grau de disfonia geral, rugosidade, respiração, instabilidade, tempo máximo de fonação, intensidade e altura) (tabela 1). As comparações múltiplas para a escala GRBASI revelaram diferenças significativas nos diferentes momentos de avaliação, exceto entre médio e longo prazos (p < 0,005). Os dados sugerem que houve melhoria da voz ao longo do tempo com a estabilização dos resultados após seis meses (médio prazo).

Os resultados acústicos mostraram melhorias apresentadas nos diferentes estágios de avaliação (pré, curto, médio e longo prazo) (tabela 2). As variáveis que apresentaram diferenças significativas foram PPQ e Shimmer, que foram diminuídas se comparadas com a linha de base. Na análise acústica, houve diferenças significativas ao comparar a melhoria geral e a melhoria parcial dos parâmetros Jitter (p = 0,016) e PPQ (p = 0,006) (tabela 3).

Tabela 2 Comparação de dados de avaliação acústica nos quatro pontos no tempo 

Categorias PT CP MP LP p
Dados Dados Dados Dados
Fo - Homens (n = 28) (n = 28) (n = 14) (n = 7)
Min-Max 84,7-204,7 84-177,5 84-127,2 84-127,2
Mediana 115,3 127,2 96,5 94,392
Média ± DP 127,4 ± 43,4 128,5 ± 30,7 104,1 ± 18,657 100,3 ± 18,889 0,999
Fo - Mulheres
Min-Max 186-259,7 126,8-259,7 208,8-259,7 208,8-227,8
Mediana 205,5 208,8 232,0 216,7
Média ± DP 197,9 ± 55,2 204,4 ± 36,937 232,8 ± 15,932 217,8 ± 9,546 0,999
Jitter (0,633 ± 0,351)
Min-Max 1,218-10,443 1,197-6,355 1,203-3,662 2,266-3,662
Mediana 2,718 2,056 2,067 2,964
Média ± DP 3,398 ± 2,254 2,686 ± 1,695 2,041 ± 0,861 2,964 ± 0,987 0,999
PPQ (0,366 ± 0,235)
Min-Max 0,256-6,945 0,164-3,877 0,164-2,398 0,169-2,398
Mediana 1,550 0,368 0,644 0,308
Média ± DP 1,963 ± 1,448 0,857 ± 0,961 0,733 ± 0,623 0,722 ± 0,841 0,010
vFo (1,149 ± 1,005)
Min-Max 1,213-33,574 1,039-7,920 1,039-4,594 1,262-4,594
Mediana 3,155 2,656 1,713 2,256
Média ± DP 4,613 ± 6,121 3,352 ± 2,491 2,168±1,116 2,592±1,576 0,147
Shimmer (1,997 ± 0,791)
Min-Max 1,787-32,859 1,210-11,201 1,378-8,977 1,378-8,977
Mediana 5,855 3,060 3,046 2,690
Média ± DP 7,375 ± 5,868 4,072 ± 2,811 3,823 ± 3,046 4,271 0,001
APQ (1,397±0,527)
Min-Max 1,382-32,859 1,080-8,228 1,070-6,168 1,367-6,168
Mediana 4,148 2,394 2,352 2,331
Média ± DP 5,332 ± 4,814 3,125 ± 2,030 2,769 ± 1,753 3,299 ± 2,284 0,151
vAm (10,743±5,6)
Min-Max 5,433-43,694 7,873-19,139 4,887-17,506 4,887-17,506
Mediana 13,656 10,865 9,168 9,703
Média ± DP 16,548 ± 9,380 11,809 ± 3,328 10,473 ± 3,927 11,166 ± 4,985 0,998
VTI (0,046 ± 0,012)
Min-Max 0,02-0,15 0,02-0,11 0,01-0,07 0,03-0,07
Mediana 0,06 0,04 0,04 0,05
Média ± DP 0,06 ± 0,03 0,05 ± 0,02 0,04 ± 0,01 0,05 ± 0,01 0,114

CP, curto prazo; DP, desvio-padrão; LP, longo prazo; MP, médio prazo; PT, pré-terapia.

Tabela 3 Comparação de dados entre avaliação acústica do grupo de "melhoria global" e "melhoria parcial" 

Categorias Melhoria global (n = 16) Melhoria parcial
(n = 10)
p
n (%)/ Dados n (%)/ Dados
Fo - Homens (n = 8) (n = 2) (n = 5)
Min-Max 94-177 92-204
Mediana 136 115
Média ± DP 136 ± 58,4 132 ± 48,8 0,857
Fo - Mulheres (n = 19) (n = 14) (n = 5)
Min-Max 186-259 139-245
Mediana 201 228
Média ± DP 192 ± 59,8 212 ± 41,8 0,257
Jitter (0,633 ± 0,351)
Min-Max 1,218-5,532 1,231-10,443
Mediana 2,326 4,196
Média ± DP 2,463 ± 1,156 5,031 ± 2,894 0,016
PPQ (0,366 ± 0,235)
Min-Max 1,100-3,322 1,306-6,945
Mediana 1,670 3,425
Média ± DP 1,741 ± 0,639 3,346 ± 1,675 0,006
vFo (1,149 ± 1,005)
Min-Max 1,213-6,873 1,436-33,574
Mediana 2,620 5,849
Média ± DP 2,695 ± 1,432 7,943 ± 9,902 0,027
Shimmer (1,997 ± 0,791)
Min-Max 1,787-15,062 2,974-32,859
Mediana 5,423 6,769
Média ± DP 6,158 ± 3,674 9,250 ± 8,612 0,182
APQ (1,397 ± 0,527)
Min-Max 1,382-11,181 2,099-27,237
Mediana 3,619 4,919
Média ± DP 4,321 ± 2,639 6,970 ± 7,288 0,121
vAm (10,743 ± 5,698)
Min-Max 5,433-36,578 5,620-43,694
Mediana 14,407 10,684
Média ± DP 15,739 ± 6,815 15,459 ± 12,296 0,363
VTI (0,046 ± 0,012)
Min-Max 0,02-0,11 0,03-0,15
Mediana 0,05 0,06
Média ± DP 0,05 ± 0,02 0,07 ± 0,03 0,135

DP, desvio-padrão.

As comparações de variáveis relacionadas com o questionário VHI ao longo do tempo também mostraram diferenças significativas para todas as variáveis. Para o escore geral, houve uma diferença pré-terapia em comparação com os outros momentos de avaliação (os valores foram, em média, mais altos do que nas avaliações posteriores) (tabela 4).

Tabela 4 Comparação de medidas de tendência central e variabilidade relacionadas com diferentes aspectos (funcional, orgânico, emocional) e escore total de VHI entre as avaliações pré-tratamento (PT, n = 28), curto prazo (CP, n = 28), médio prazo (MP, n = 14) e longo prazo (LP, n = 7) 

Categorias PT CP MP LP p
Dados Dados Dados Dados
Geral (n = 28) (n = 28) (n = 14) (n = 7)
Min-Max 3-97 0-79 0-29 0-29
Mediana 54 18,5 12 9
Média ± DP 50,9 ± 22,4 16,9 ± 4,0 9,2 ± 8,7 9,9 ± 10,2 0,001
Emocional
Min-Max 0-32 0-23 0-5 0-3
Mediana 12 0 0 2
Média ± DP 11,8 ± 8,3 3,6 ± 2,7 1,4 ± 1,7 1,4 ± 1,1 0,001
Funcional
Min-Max 0-35 0-32 0-12 0-12
Mediana 20 1 1 2
Média ± DP 18,7 ± 9,1 6,1 ± 4,9 3,6 ± 2,9 3,6 ± 4,5 0,001
Orgânico
Min-Max 2-39 0-24 0-14 0-14
Mediana 23 2 4 4
Média ± DP 20,9 ± 8,3 6,1 ± 5,2 42 ± 3,9 5 ± 5 0,001

CP, curto prazo; DP, desvio-padrão; LP, longo prazo; MP, médio prazo; PT, pré-terapia.

A tabela 5 apresenta os resultados da regressão logística usada para determinar os fatores de risco para a não melhoria. Os resultados indicaram que Jitter entrou no modelo final como um fator de risco para melhoria parcial. Para cada unidade de Jitter aumentada houve um aumento de 0,1% (1,001) na chance de o paciente ter apenas uma melhoria parcial, o que indica um aumento na chance de nenhuma melhoria completa durante a reabilitação.

Tabela 5 Correlação de regressão logística de Jitter 

Categorias Nível descritivo (valor p) Odds ratio (OR) Limite mínimo Limite máximo
Jitter 0,049 1,001 1,000 1,002
Constante 0,034 0,05

Discussão

Alguns estudos demonstram a eficácia da reabilitação de terapia vocal para PUPV.19-34 O presente estudo confirma a melhoria da voz para reabilitação de médio e longo prazos.

As variáveis altura, intensidade e TMF também apresentaram melhoria ao comparar resultados de avaliação de terapia anteriores e imediatamente posteriores; no entanto, quando comparamos os resultados nas avaliações de médio e longo prazos, as diferenças não foram significativas. Esses dados mostram que os resultados alcançados durante a terapia foram mantidos ao longo do tempo, mas sem melhoria progressiva após seis meses, sugere estabilização da qualidade vocal.

Os resultados da análise acústica (PPQ e Shimmer) indicaram melhoria ao longo do tempo. Esses valores foram, em média, mais baixos em curto, médio e longo prazos quando comparados com a avaliação inicial.

Nos casos com paralisia permanente persistente da prega vocal, a melhoria do fechamento glótico foi completa na maioria dos pacientes quando comparada com a avaliação otorrinolaringológica inicial. Os dados apresentados são compatíveis com outros estudos que avaliaram a eficácia da reabilitação da voz. Diferentes fatores estão envolvidos no fechamento da glote. Por exemplo, a musculatura interaritenoide e a ação do músculo cricotireóideo também podem ajudar no movimento medial da prega vocal e, finalmente, no músculo constritor inferior da faringe, que também pode auxiliar o fechamento glótico. Com base nos resultados encontrados após a terapia vocal, sugerimos que todas essas configurações possam ser favorecidas pelas técnicas usadas durante a reabilitação da fala.

A literatura consultada não apresentou dados que definissem fatores de risco para o desenvolvimento insatisfatório na terapia vocal em pacientes com paralisia unilateral da prega vocal. As características da amostra foram semelhantes nos grupos com melhoria total e parcial. Os resultados da avaliação perceptual auditiva, avaliação otorrinolaringológica e VHI não apresentaram diferenças significativas.

Neste estudo, as medidas acústicas foram o único fator diretamente relacionado à melhoria do paciente com PUPV. Os dados da literatura sugerem que a análise do distúrbio vocal, além de ser um procedimento fácil, pode medir indiretamente e não invasivamente a função laríngea e determinar a condição de vibração da prega vocal.35

Os parâmetros Jitter e Shimmer são amplamente usados no desempenho científico e clínico para prever diagnósticos, bem como para documentar e avaliar o tratamento com disfonia.36-38 Diferentes autores sugerem que Jitter e Shimmer podem ser importantes preditores de alterações no diagnóstico de fisiologia da laringe.39,40 No entanto, há controvérsia sobre a análise de Jitter e Shimmer devido à baixa confiabilidade, sensibilidade e especificidade quando as vozes com alta rugosidade, altura baixa e sinal aperiódico são avaliadas.41

Na amostra do estudo, observa-se que as medidas acústicas Jitter, PPQ e VFO foram fatores associados à melhoria do paciente com PUPV. Aqueles com melhoria parcial apresentaram, em média, valores mais altos desses parâmetros acústicos. Além disso, o Jitter aumentado foi considerado um fator de risco para a falta de melhoria total.

Estudos indicam que existe uma influência da frequência fundamental nos resultados de Jitter. Maiores valores de frequência fundamental resultam em maior Jitter.42,43 As influências fundamentais da frequência, Jitter e Shimmer ainda não são totalmente compreendidas e há necessidade de fazer novos estudos para determinar os motivos dessas relações.44,45

Considerando os aspectos anteriormente mencionados, acreditamos que a taxa de pacientes com voz em falsete pode ter influenciado os achados neste estudo, pois esse comportamento pode ser encontrado em pacientes com deficiência de mobilidade da prega vocal. Brokmann et al.46 observaram que a intensidade vocal tem um forte impacto nas medidas de Jitter e Shimmer. A frequência fundamental teve influência relativamente pequena.

Ortega et al.40 fizeram um estudo sobre pacientes submetidos a cirurgias de tireoide para determinar se avaliações de voz subjetivas e acústicas poderiam complementar ou substituir a laringoscopia. Foram avaliados 74 pacientes antes e após a cirurgia e submetidos à análise acústica, avaliação subjetiva com escala GRBASI e nasofibrolaringoscopia. Os resultados indicaram que Jitter e proporção ruído-harmônico apresentaram as variações mais frequentes entre a primeira e a segunda avaliação (36% e 31%, respectivamente). Sete dias após a cirurgia, cinco (8%) pacientes foram diagnosticados com paralisia da prega vocal, com recuperação de dois casos após um mês (5%). Os valores de GRBASI, Jitter e Shimmer mostraram diferenças entre pacientes com e sem paralisia da prega vocal (p < 0,05) e (p < 0,02). Quando houve uma mudança em três parâmetros de voz, a paralisia da prega vocal foi confirmada por laringoscopia. Os autores concluíram que a paralisia da prega vocal pode ser observada em pacientes submetidos à tireoidectomia, quando há uma alteração na escala GRBASI, Jitter ou alterações importantes de três parâmetros de análise acústica. Além disso, a laringoscopia deveria ser feita somente quando esses parâmetros mudassem.

A observação desses parâmetros (frequência fundamental, Jitter e Shimmer) está bem estabelecida como método não invasivo e objetivo para avaliar quantitativamente o grau de disfonia e alguns aspectos diferentes da paralisia da prega vocal. Esses parâmetros são usados para descrever vozes normais e patológicas, ao mesmo tempo em que fornecem um método objetivo que pode avaliar a eficácia clínica do tratamento.47,48

As mudanças no Jitter em pacientes com PUPV devem ser avaliadas com mais cuidado porque pacientes com alterações importantes nessa medida podem ter um pior prognóstico na reabilitação vocal.

Conclusões

Os resultados obtidos neste estudo indicam que a reabilitação da voz melhora a percepção auditiva, parâmetros de voz acústicos e parâmetros VHI, além de favorecer o fechamento glótico em pacientes com paralisia da prega vocal. Além disso, os resultados foram estáveis ao longo de um ano. O valor de Jitter, quando elevado, é um fator de risco para o sucesso apenas parcial da terapia vocal.

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