Embolia pulmonar por cimento ósseo

Embolia pulmonar por cimento ósseo

Autores:

Manuel Lessa Ribeiro Neto,
Marcel Lima Albuquerque,
Daniela Barboza Santos Cavalcante,
João Ricardo Maltez de Almeida

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Pneumologia

versão impressa ISSN 1806-3713versão On-line ISSN 1806-3756

J. bras. pneumol. vol.41 no.4 São Paulo jul./ago. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132015000000061

Uma paciente de 74 anos de idade, submetida à fixação de coluna com vertebroplastia (injeção de cimento de polimetilmetacrilato) devido a fraturas osteoporóticas há três anos, apresentava história de dispneia aos esforços há um mês. Sua pressão sanguínea era de 164/90 mmHg. Seu eletrocardiograma era normal, e a gasometria arterial não indicou hipoxemia. Os níveis de peptídeo natriurético cerebral e de troponina I eram normais (65,5 pg/ml e < 0,01 ng/ml, respectivamente). A ultrassonografia com Doppler das extremidades inferiores não indicou trombose venosa profunda, e a ecocardiografia indicou disfunção diastólica do ventrículo esquerdo (grau 1) sem anormalidades no lado direito. A TC de tórax mostrou cimento de polimetilmetacrilato embolizado no sistema ázigos e nas artérias pulmonares (Figuras 1 e 2, respectivamente). Foi iniciada a anticoagulação.

Figura 1 TC axial. As setas brancas indicam o polimetilmetacrilato embolizado no sistema ázigos e nas artérias pulmonares. 

Figura 2 TC reconstruída com projeção de intensidade máxima tridimensional no plano oblíquo sagital (em A) e no plano coronal (em B). As setas brancas indicam material de alta atenuação, correspondente ao polimetilmetacrilato no plexo venoso paravertebral, estendendo-se dentro da veia hemiázigos e embolizado na direção dos vasos pulmonares. 

Embora a embolia pulmonar por cimento ósseo (EPCO) seja uma complicação já conhecida da vertebroplastia, sua incidência exata permanece controversa, variando entre 2,1%, em um estudo retrospectivo,1 e 24,0%, em um estudo prospectivo. 2Segundo o primeiro estudo,1 todos os pacientes com EPCO permaneceram assintomáticos no primeiro ano de seguimento; o segundo estudo relatou que a maioria dos êmbolos eram pequenos e periféricos.2 Entretanto, sintomas podem se desenvolver, e já foram descritos eventos fatais.2

Em uma revisão sistemática, Krueger et al.3 não identificaram uma estratégia de manejo ideal, mas concluíram que os pacientes com EPCO e embolias periféricas sintomáticas deveriam receber anticoagulação plena por seis meses.

REFERÊNCIAS

. Venmans A, Lohle PN, van Rooij WJ, Verhaar HJ, Mali WP. Frequency and outcome of pulmonary polymethylmethacrylate embolism during percutaneous vertebroplasty. AJNR Am J Neuroradiol. 2008;29(10):1983-5.
. Kim YJ, Lee JW, Park KW, Yeom JS, Jeong HS, Park JM, et al. Pulmonary cement embolism after percutaneous vertebroplasty in osteoporotic vertebral compression fractures: incidence, characteristics, and risk factors. Radiology 2009;251(1):250-9.
. Krueger A, Bliemel C, Zettl R, Ruchholtz S. Management of pulmonary cement embolism after percutaneous vertebroplasty and kyphoplasty: a systematic review of the literature. Eur Spine J. 2009;18(9):1257-65.
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