Enfermagem de emergência: a atuação do Instituto de Higiene durante a guerra civil brasileira de 1932

Enfermagem de emergência: a atuação do Instituto de Higiene durante a guerra civil brasileira de 1932

Autores:

Maria Cristina da Costa Marques,
Danilo Fernandes Brasileiro,
Felipe Daiko Fraga

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.23 no.2 Rio de Janeiro 2019 Epub 11-Fev-2019

http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2018-0290

INTRODUÇÃO

Conhecida como a “Revolução Constitucionalista de 1932”, a guerra civil brasileira teve sua gênese no movimento oposicionista do estado de São Paulo ao Governo Provisório de Getúlio Vargas.1,2 Os motivos do conflito foram, principalmente, a necessidade de retomada da autonomia política do estado de São Paulo e o anseio pela realização de uma nova Constituição e eleições para presidente, pois os paulistas consideravam o governo de Getúlio ilegal.3,4

Em meio à turbulência nas relações de disputa pelo poder, o sentimento de regionalismo paulista ou paulistanidade proveniente das elites culturais e políticas de São Paulo, em oposição à brasilidade, foi disseminado, paulatinamente, entre a maioria da população, de modo que clamores por autonomia foram entoados e justificados pela concepção de que São Paulo era a locomotiva do país e não deveria render-se às imposições do Governo de Getúlio Vargas.1,5

Em 9 de julho de 1932, o conflito armado contra o governo federal teve início e perdurou até 2 de outubro do mesmo ano (85 dias). Esse evento foi considerado por muitos como a pior “guerra civil vivida pelo país”1,6, com cerca de 60 mil combatentes paulistas (maioria voluntários) contra 350 mil do Governo Provisório (marinha, exército, forças públicas estaduais, etc.), em cinco frentes principais de combate (Vale do Paraíba, Mineira, Mato Grosso, Sul ou do Paraná e Litoral), tendo provocado centenas de feridos e ceifado a vida de 600 a 830 combatentes, número superior às vítimas fatais dos pracinhas brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial.5,7

A maioria dos combatentes do efetivo paulista alistaram-se voluntariamente, influenciados por uma estratégia persuasiva de recrutamento, que mobilizava a população. Assim, várias ações que expressavam a dimensão político social do cuidado como imprescindível estratégia de defesa e proteção das forças paulistas, como a formação de enfermeiros práticos pela Cruz Azul de São Paulo8, a formação de Enfermeiras da Legião Negra pela Cruz Vermelha Brasileira9,10, além do Instituto de Higiene de São Paulo, que promoveu o Curso de Enfermagem de Emergência, também conhecido como Curso de Enfermeiras de Guerra.11

Sabe-se que o Instituto de Higiene, que atuou na promoção do curso supracitado, antes do conflito de 1932, enfrentava questões atinentes a sua afirmação enquanto instituição de ensino e que persistiram no período pós-guerra.12 Sendo fundado em 1918 e vinculado à Cadeira de Higiene e Anatomia da Faculdade de Medicina de São Paulo, nomeado em 1923 como Instituto de Hygiene e reorganizado em 1931, quando foram concluídas as obras da atual sede (parceria entre o Governo de São Paulo e a Fundação Rockefeller), ocasião em que passou a se chamar Instituto de Hygiene e Saúde Pública, permaneceu como um departamento da Faculdade de Medicina de São Paulo até 1945, quando se transformou em um instituto autônomo, a, então, Faculdade de Higiene e Saúde Pública, atualmente Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).11,13

No mesmo período, a enfermagem brasileira imprimia movimentos importantes para a consolidação da categoria profissional. Em 1923, foi criada a Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP) no Rio de Janeiro, símbolo da enfermagem moderna, três anos mais tarde, pelo decreto 17.268 de 31 de março de 1926 a escola passou a se chamar Escola de Enfermeiras D. Ana Nery, considerada oficial em todo território nacional pelo decreto 20.109 de 1931, enquanto padrão de equiparação para as demais escolas até o ano de 1949, Lei 775/49. O ano de 1926 também foi marcado pela fundação da Associação de Enfermeiras Diplomadas, atual Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn).14,15

Em solo paulista, desde o início do século XX e reproduzindo os movimentos da categoria no nível nacional, a enfermagem que era exercida, em sua maioria, por enfermeiros práticos, foi aos poucos, promovendo iniciativas de formação pautadas na enfermagem moderna, como por exemplo, o curso de Enfermeiras do Hospital Samaritano (1894), o Curso de Enfermeiras do Hospital São Joaquim (1908) e o Curso de Enfermeiras da Cruz Vermelha (1912)16, que precederam a fundação da primeira instituição de ensino de enfermagem em nível superior da cidade de São Paulo, a Escola de Enfermeiras do Hospital São Paulo (EEHSP), com atividades iniciadas em 1 de março de 1939.17

Assim, considerando a reverberação do impacto desse conflito em nível nacional, além da mobilização da sociedade paulista, em nível local, sobretudo pela realização dos inúmeros cursos de formação de civis em ”enfermeiros práticos” para assistência direta aos feridos, em especial, o promovido pelo recente Instituto de Higiene, que naquele período buscava sua afirmação enquanto instituição de ensino, da mesma forma que a enfermagem brasileira e paulista lutava para se afirmar, questiona-se: Como foi a atuação do instituto de Higiene na formação de “enfermeiros de emergência” durante a guerra civil de 1932?

A iniciativa do estudo foi apoiada em três perspectiva: 1- O ineditismo da documentação, pois apesar dos poucos competentes estudos, que se propuseram a analisar a atuação da enfermagem na Guerra de 1932, não existem estudos disponíveis que abordaram o fenômeno específico aqui proposto9,10,18; 2- A atualidade e magnitude do tema, uma vez que as guerras, sejam mundiais19 ou civis, estas últimas, geralmente, oriundas de conflitos internos em vários países, são constantes objetos de interesse investigativo, sobretudo porque tais conflitos, ao longo da história, têm feito centenas de milhares de vítimas em todo o mundo; 3 - Necessidade do resgate histórico dos fragmentos atinentes à formação da identidade da enfermagem paulista e suas relações institucionais, a partir do início do século XX.16

Portanto, o objetivo do presente estudo foi analisar e descrever a atuação do Instituto de Higiene na formação de “enfermeiros de emergência” durante a guerra civil de 1932.

MÉTODO

Estudo descritivo, histórico-documental de abordagem qualitativa. Estudos, que utilizam o método qualitativo, são, aqui, compreendidos como aqueles que se ocupam do nível subjetivo e relacional da realidade social, sendo tratado na perspectiva da história, do universo, dos significados, dos motivos, das crenças, dos valores e das atitudes dos atores sociais.20

A pesquisa compartilha do pensamento de que o estudo do passado só é relevante quando está a serviço do presente, tanto que, buscou-se sustentação no referencial teórico proposto por Breihl21, sobretudo por considerar que a investigação histórica deve propor uma releitura dos avanços das ciências da saúde e das contribuições individuais e coletivas dos seus atores.

O corpus documental pesquisado faz parte da “Coleção da Revolução de 1932”, que compõe o acervo do Centro de Memória da Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, datados entre 13 de julho de 1932 a 25 de agosto de 1965. Após formalização da autorização institucional, os 420 documentos da coleção, foram submetidos ao processo de digitalização e organização em um banco de dados digital, que permitiu acesso instantâneo a cada documento digitalizado.

Em seguida, iniciou-se o procedimento pré-analítico, com a leitura individual de todo acervo digitalizado e seleção final de 92 páginas documentais que, em consenso, os três pesquisadores julgaram contemplar pertinência em relação às circunstâncias que envolviam desde a criação, condução e desdobramentos posteriores do Curso de Enfermagem de Emergência.

Após a seleção dos 92 documentos, iniciou-se a caracterização dos participantes do referido curso, por meio da aplicação do uso de frequência relativa e valor absolutos. Logo após, iniciou-se a análise qualitativa, em que foram selecionados excertos, seguindo critérios de pertinência e similaridade, permitindo que os achados fossem organizados, categorizados, descritos e discutidos com base na literatura científica pertinente e disponível.

Por se tratar de uma pesquisa com fontes documentais disponíveis, não foi necessário submeter o projeto à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.22 Todavia, optou-se por preservar o sigilo em relação à identidade dos participantes do curso, utilizando abreviações, diante de excertos que mencionavam os nomes completos dos participantes.

RESULTADOS

Enfermeiros Colaboradores Eficientíssimos - o perfil dos voluntários

Entre 13 de julho e 31 de agosto do ano de 1932, foram iniciadas e finalizadas as aulas do Curso de Enfermagem de Emergência, também denominado de Curso de Enfermagem de Guerra, organizado pelo Instituto de Higiene de São Paulo. O curso foi ministrado nas dependências do Instituto de Higiene, em cinco edições (1ª - 13 a 22 de julho; 2ª - 18 de julho a 02 de agosto; 3ª - 27 de julho a 05 de agosto; 4ª - 08 a 17 de agosto; e 5ª - 22 a 31 de agosto), com média de dez dias de aulas, das 09:00 às11:30 e das 14:00 às 17:00, exceto fins de semana, com turmas formadas, à medida que os participantes voluntariamente eram recrutados pela Cruzada Pró-Infância, pelo Batalhão de Justiça, pela Faculdade de Medicina de São Paulo e pelo Instituto de Higiene.

Além dos inúmeros postos de alistamentos voluntários, a imprensa colaborou para mobilização e naturalização da transformação de civis em enfermeiros de guerra, pois à medida que romantizava tal prática, a legitimava, divulgando-a como imprescindível para alcance dos anseios propostos por São Paulo, como o excerto abaixo:

“Ninguém ignora o que representa o enfermeiro num hospital de sangue de um campo de batalha. Sua atuação humanitária e desassombrada na assistência aos soldados feridos, sua abnegação e heroísmo pelos quais, às vezes, dá até a própria vida, tudo isso faz dos enfermeiros colaboradores eficientíssimo da victoria de uma causa.”23:1

Assim, 383 alunos matricularam-se nas cinco edições do curso (1ª - 106; 2ª - 100; 3ª -87; 04ª - 56; e 5ª- 34), a maioria composta por mulheres, isto é, 312 (81,5%), com média de idade de 26 anos, moda de 21 anos, sendo a mais jovem, com 14 anos, estudante, aluna do primeiro curso, enquanto a mais velha, com 52 anos, costureira, aluna do terceiro curso.

As ocupações mais comuns desempenhadas por essas alunas estavam ligadas ao serviço doméstico, sendo mais frequente no terceiro curso, representada por 35 (49,3%) das 71 alunas mulheres, enquanto que a profissão de professora foi a segunda mais comum, de modo geral, sendo mais frequente entre as alunas do primeiro curso, representada por 25 (24,3%) das 103 mulheres matriculadas. Outras alunas exerciam profissões como dentista, datilógrafas e funcionárias públicas. Duas funcionárias do Instituto do Café do Estado de São Paulo obtiveram autorização para participar da 2ª edição do curso, expedida pelo presidente do supracitado órgão, conforme excerto a seguir:

“Acusamos o recebimento de sua carta nº 58, de 19 da corrente, em resposta ao qual temos o prazer de comunicar a V.S. que, atendendo ao seu pedido, o Sr. Presidente concordou em dispensar das suas atribuições neste Institutos Srtas M.A.A.M e N.O.C a fim de poderem seguir o curso de enfermagem dessa instituição. Atenciosamente saudações.”24:1

Quanto aos 71 (18,5%) homens matriculados no curso, a participação foi aumentando gradativamente, no entanto permaneceu discreta, atingindo equilíbrio na sua última versão, já que na primeira edição matricularam-se três (2,8%), na segunda 13 (13%), na terceira 16 (18,4), na quarta 22 (39,3%) e na quinta 17 (50%). A maioria dos homens era composta por comerciantes, além de alguns estudantes da Faculdade de Medicina de São Paulo, como o caso de dois alunos de 20 anos de idade, participantes da quinta edição.

Definidas as turmas que comporiam cada edição do curso, subsequentemente, iniciavam-se as aulas teóricas e práticas, que seguiam um conteúdo programático padronizado pré-definido dividido em 2 partes, a primeira relacionada a sete disciplinas, predominantemente, de cunho biológico e a segunda, estritamente, direcionada à enfermagem, que serão descritas a seguir.

Epidemiologia de guerra - a saúde da tropa é a garantia da vitória

As disciplinas da primeira parte do conteúdo eram ministradas por professores do Instituto de Higiene, assim: 1-Noções de Anatomia e Fisiologia, por Dorival Fonseca Ribeiro e José Maria Gomes; 2- Noções de Bacteriologia e Imunologia, por Lucas Assumpção, Francisco Borges Vieira; 3- Noções de Histologia, por Otávio A. Rodovalho e Moacir Amorim; 4- Noções de Patologia, por José Maria Gomes, John Lane, Otavio Guimarães Silva e Ulhôa Cintra; 5- Epidemiologia de Guerra, por Francisco Borges Vieira; 6 - Dietética Hospitalar, por Ulhôa Cintra e 7- Exame Qualitativo de Urina, por Gastão Fleury da Silveira e Alexandre Wancolle.

A disciplina Epidemiologia de Guerra, elaborada e ministrada por Francisco Borges Vieira, merece destaque pela originalidade no contexto singular do curso, uma vez que procurava disseminar uma concepção higienista de intervenção (higiene militar), cujas aulas eram divididas em três subcategorias (1 - epidemiologia e doenças transmissíveis; 2- recrutamento e saneamento da tropa; e 3 - saneamento das instalações). Francisco Borges Vieira propunha interface da higiene com o campo de batalha e seus combatentes, já que considerava que “A saúde da tropa é a garantia da vitória”.25:3

A primeira subcategoria enfatizava questões referentes à história das guerras no mundo, etiologia das doenças transmissíveis, profilaxia individual e geral, animais transmissores (mosquitos, pulgas, carrapatos, percevejos, moscas, ratos, cães e cavalos) e as principais doenças que afetariam a tropa, como apontado na citação abaixo:

“Em todas as reuniões de homens tornam-se mais fáceis a disseminação de doenças epidêmicas, mercê de diversos fatores. Esse perigo em tempo de guerra é muito maior que em tempo de paz. Todas as tropas que se travaram no início deste século, viram os exércitos dizimados por doenças, como tifo exantemático, a varíola, a cólera, a peste, a febre tifoide, as desinteiras, etc., as suas vítimas sendo frequentemente superior às produzidas por ferimentos.”25:1

A segunda subcategoria abordava concepções atinentes ao recrutamento e saneamento da tropa, como medidas seletivas ideais (idade, altura, peso, perimetria torácica, visão, audição), exame físico e mental, regras de higiene pessoal, com asseio do corpo (banhos e vestuário militar), cuidado com os intestinos, educação sanitária, alimentação do soldados, exercícios físicos e marcha (pés, coração, trabalho em marcha), ilustrada pelo excerto abaixo:

“Uma medida que logo se impõe é a do exame médico na admissão à vida militar. Tem essa medida por um duplo fim; si por um lado visa somente permitir a entrada para o exército de indivíduos fisicamente aptos à dura vida militar, por outro lado, e este é o seu principal aspecto sanitário, procura pelo exame rigoroso, verificar se o mesmo não é portador de doença transmissível.”25:1

A terceira subcategoria enfatizava questões sobre saneamento das instalações, como barracas, alojamentos, acampamentos, trincheiras e hospitais de sangue, que continham regras a serem adotadas por soldados para ingestão de água, destinos de tratamento do lixo, dos excrementos humanos e dos animais, além de regras acerca da adequada confecção de instalação de emergência, levando-se em conta o conhecimento de características relacionadas às condições de umidade, ventilação, poeiras e confinamento, conforme citação abaixo:

“Um dos fatores de disseminação de doenças nos exércitos, como o dissemos no início, é a aglomeração, os alojamentos superlotados, que tornam mais próxima a possibilidade de transmissão. Não se deverá, portanto, descuidar do saneamento pelo destino conveniente de fezes e urina, pela desinfecção de água de bebida, pela remoção constante dos resíduos que atraem as moscas, também disseminadoras.”25:2

Merece destaque também a disciplina denominada Noções de Patologia, que contemplava o ensino exclusivo aos alunos homens, acerca de noções de profilaxia de doenças venéreas, com estágio prático acompanhado pelo professor José Maria Gomes, na Associação Comercial de São Paulo.

Enfermagem de Guerra

A disciplina denominada Enfermagem de Guerra, continha nove subcategorias de conteúdo, ministrada pela enfermeira Iracema Niebler, que era auxiliada pelas monitoras de ensino, como Maria Rosa de Sousa Pinheiro, Grasiela Marques Leite, Noêmia Ippolito, dentre outras (figura 1). Conforme a imagem, nas dependências do Instituto de Higiene, Iracema Niebler, uniformizada como “enfermeira diplomada”, ministrava uma aula de técnicas de enfermagem, manipulando um manequim para uma sala repleta de alunas, auxiliada por três monitoras, vestidas de branco (em pé), uma na extremidade esquerda, outra ao centro e outra na extremidade direita da imagem

As nove subcategorias da disciplina Enfermagem de Guerra incluíam: 1- enfermagem geral (transporte, arranjo de leito, cuidados com doente acamado); 2 - técnica de enfermagem (pulso, termometria, pressão arterial e preenchimento de gráficos); 3 - técnica de enfermagem médica (injeções subcutâneas/intramuscular/endovenosa e lavagem de estômago-intestino; 4 - enfermagem cirúrgica (síndromes cirúrgicas, sala operatória de emergência, esterilização: assepsia e antissepsia. Anestesia geral/raquídea/local); 5 - material cirúrgico; 6 - ataduras e pensos; 7 - primeiros socorros aos feridos de trincheira; 8 -cuidados pré e pós-operatórios; 9 - complicações pós-operatórios (choque, hemorragia interna e externa, peritonite, obstrução intestinal e sinais de morte eminente).

Na sétima subcategoria - Primeiros Socorros aos Feridos de Trincheira, ensinava-se a regra geral para lidar com todos os tipos de ferimentos, além de medidas especificas para os diversos tipos de ferimento, como cabeça, peito, abdômen, membros inferiores e superiores com fratura exposta. Em situações de ferimento em membros inferiores com fratura exposta, orientava seguir a regra geral para todo ferimento e realização com esparadrapo, imobilizando os membros com triângulos ou talas improvisadas (galhos de árvores, etc.) e oferecer água e alimento à vontade ao ferido.

O tema hemorragia era classificado nas aulas como interna e externa, de origem arterial, venosa ou capilar, sempre orientado que na vigência de eventos hemorrágicos externos deveria realizar compressão indireta com garrote ou torniquete, que deveria ser improvisado com pedra, atadura, cinta, triângulo, um lápis ou um pedaço de pau roliço.

Figura 1 Aula Prática de Enfermagem do Curso de Enfermagem de Emergência. São Paulo, 1932. Fonte: Centro de Memória FSP-USP  

Além da descrição teórica, havia desenhos que ilustravam minuciosamente as técnicas de primeiros-socorros (figura 2) a serem desempenhadas pelas enfermeiras de guerra, que incluíam apresentação dos materiais à base de tecido-algodão a serem utilizados (pensos, triângulos, ataduras), além de diferentes técnicas de imobilização e compressões de ombro, crânio, braço, nádegas e pernas.

Finalizado o bloco teórico, iniciava o estágio prático, que tinha duração média de três dias e era realizado em turmas compostas em média por dez alunos, que se apresentavam sistematicamente no Hospital Santa Catarina, Hospital Alemão, Santa Casa de Misericórdia e na Policlínica. Ao fim do estágio, realizava-se exame final que avaliava o desempenho das alunas, que subsequentemente eram diplomadas em cerimônia formal nas dependências do Instituto de Higiene, como nota-se a seguir:

“Realizou-se, ontem, no instituto de higiene de São Paulo a cerimônia de Juramento e entrega de certificado à 3ª turma de moças e rapazes que seguiram o Curso de Emergência em Enfermagem, ministrado por aquele estabelecimento. Abriu a sessão o Prof. Paula Souza, diretor do Instituto, a qual deu a palavra a enfermeira-chefe do mesmo , D. Iracema Niebler, que, com palavras de exaltado civismo e brasilidade, exortou os novos enfermeiros à prática do bem, na assistência aos soldados feridos ou ao civil que deles carecessem, apontando-lhes como guias as figuras heroicas de D. Ana Nery, que tão ótimos serviços prestou na campanha do Paraguai e patrona dos enfermeiros brasileiros e de Florence Nightingale, a “dama da lâmpada” da guerra da Criméia.”26:1

Figura 2 Ilustrações da Disciplina “Primeiros Socorros aos Feridos de Trincheira” do Curso de Enfermagem de Emergência. São Paulo, 1932. Fonte: Centro de Memória FSP-USP 

Nas cerimônias de diplomação realizava-se o “Juramento da Enfermeira de Emergência”, de autoria de Iracema Niebler: “Perante Deus e a Nação, juro a São Paulo, ministrar cuidados com honra, nobreza, dignidade e lealdade, ao soldado brasileiro ferido em campo de batalha e ao civil que dele necessite.”27:1 Uma vez diplomadas, as enfermeiras de emergência estavam aptas a prestar assistência e eram encaminhadas para o Quartel do Batalhão Paulista para compor a lista de enfermeiras, que seriam chefiadas pelo Dr. João Rebelo Neto, além dos médicos auxiliares Francisco Ourique, Passos Cunha, Honório Dias Soares e Faustino Ferreira Gomes.

Muitas das enfermeiras diplomadas atuaram durante o conflito, tanto que a Liga de Defesa Paulista, em 24 de setembro, por meio de documento formal enviado a Superintendência Geral de Transportes, declarou que uma das ex-alunas estava prestando serviços de assistência aos soldados, logo sua família necessitava de autorização para livre trânsito de automóveis oficiais. Outros indícios dos desdobramentos da atuação dessas participantes podem ser verificados através das comprovações de participação no curso em análise, emitidas formalmente pelos Diretores do Instituto de Higiene após o ano de 1948, como percebe-se no excerto a seguir:

“Certifico, para os devidos fins de direito, que Dona O.R.B, seguiu o 3º Curso de Enfermagem de Emergência de Guerra, realizado pelo antigo Instituto de Higiene de São Paulo, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, conforme constam dos arquivos daquela repartição, tendo sido encaminhada, após o seu término, paro o Hospital “Alemão” hoje “Oswaldo Cruz” e , posteriormente, à Santa Casa de Misericórdia (Secção de sangue para onde foram transportados os feridos da frente próxima da capital), a fim de prestar os serviços de enfermagem.”28:1

DISCUSSÃO

Considera-se que o curso em análise legitimou o alinhamento ideológico do Instituto de Higiene, que lutava para se afirmar autonomamente no campo de ensino da saúde com os interesses do governo e da elite paulista. Tal movimento ocorreu em confronto aos interesses do Governo Provisório, dada a ligação relevante do Instituto com a Faculdade de Medicina de São Paulo, sendo que a primeira, desde a sua fundação até o ano de 1924, funcionou como uma seção da última que, por sua vez, era oposicionista convicta do Governo Vargas.29

Foi crucial para São Paulo, sobretudo pela fragilidade do efetivo dos insurrectos, arregimentar o maior número de voluntários possíveis, pois em uma única frente de combate da Região Sul, a diferença era de dez mil homens em favor das tropas federais, além da relação de distribuição de armas automáticas, que era de uma para cada três soldados federais, contra uma para cada 50 soldados paulistas.5

Assim, os voluntários foram recrutados através de grupos civis organizados, como a Cruzada Pró-Infância, a Liga das Senhoras Católicas, o Batalhão de Justiça, a Faculdade de Medicina de São Paulo, o Instituto de Higiene, entre outros, que promoveram o alistamento dos seus funcionários e forneceu alojamento e alimentação às forças em beligerância.3 Menciona-se que estratégias publicitárias, com foco na mobilização e recrutamento de voluntários, foram implementadas pelos meios de comunicação proselitistas, pautadas no discurso da autoridade, competência e paulistanidade,5 tanto que um dos cartazes mais divulgados era de uma enfermeira solene, com o dedo esquerdo em riste, mão direita sobre o tórax (lado esquerdo), que dizia: “Paulista: eu já cumpri o meu dever. E você?.”3

O Departamento de Alistamento Civil e Propaganda utilizou a imprensa como aliada, enaltecendo o papel social da figura da enfermeira, sensibilizando civis no intuito de transformá-los em enfermeiras de guerra, sobretudo se considerar que o proprietário do jornal O Estado de S. Paulo, Júlio de Mesquita Filho, foi um dos entusiastas do engajamento da imprensa na Guerra de 1932.3

Frente às inúmeras iniciativas de formações de enfermeiras de guerra (Cruz Azul, Cruz Vermelha, Legião Negra etc.), considera-se que o curso do Instituto de Higiene, capacitou um número considerável de enfermeiras práticas, especialmente se comparado com o grupo de 168 moças voluntárias do Governo Provisório que realizou o “Curso de Primeiros Socorros e Enfermagem Prática”, ministrados pela EEAN durante o mesmo conflito.18

Apesar de ser um curso prático, constatou-se uma notável participação feminina, ou seja, 308 (81,2%), tendência observada inclusive em outras frentes voluntárias, como a participação de 70 mil mulheres em oficinas de costuras5, além de inúmeras voluntárias vinculadas à Cruz Azul, que atuaram na entrega de medicamentos nas residências dos feridos de guerra e serviços de correspondência/informação entre os combatentes e seus familiares.3

Embora a capacitação em enfermagem de emergência tenha permitido rupturas no discurso tradicionalista e paternalista, que afirmava o lugar da mulher, contribuiu para mantê-la dentro da moldura da suposta vocação natural para a profissão30, naturalizando a relação mulher - cuidado. Realiza-se tal afirmação porque o Estado poderia nomear o curso apenas como “curso prático de socorristas” e aceitar voluntários de ambos os gêneros, mas preferiu utilizar do arquétipo da “profissão enfermagem”, que embora enfrentasse uma estruturação imagético-discursiva, sobretudo pela institucionalização do ensino (Decreto n. 20.109, de 15 de junho de 1931) e adesão de novos conceitos, mantinha-se permeada por influências eugenistas e elitistas, tanto que a admissão em escolas de enfermagem oficiais, era hegemonicamente de mulheres brancas e de camadas sociais mais favorecidas.9,31

A realização dos cinco cursos com formação de centenas de “enfermeiras e enfermeiros” de guerra, entre 13 de julho e 31 de agosto, foi um acontecimento impactante no processo de legitimidade do Instituto de Higiene frente a sociedade e medicina paulista. O fato de que o primeiro curso começou depois de apenas cinco dias da eclosão do conflito armado, com, segundo a documentação pesquisada, um processo de organização, tanto de estrutura institucional como de aporte pedagógico e científico, altamente complexa, demonstra uma mobilização que antecedeu o início da guerra de 1932. A questão que a documentação pesquisada nos aponta: Houve, por parte coordenadores do Instituto de Higiene e outras instituições, um planejamento prévio para um curso totalmente estruturado, com corpo docente e auxiliares de ensinos preparados, além de conteúdos teóricos e práticos meticulosamente organizado?

A pesquisa parece apontar para uma resposta positiva, bem como, para a não divulgação anterior, considerando, no contexto do período, o conhecimento de informações e ações que, conhecidas pelo lado oponente, poderiam antecipar represálias ou mesmo uma invasão armada.

As disciplinas da primeira parte do conteúdo introduziram as alunas nos conceitos da ciência médica, com ênfase à concepção higienista, permeada por conhecimentos de fisiologia, microbiologia, histologia e patologia, em que com as devidas proporções, assemelhavam-se às disciplinas de cursos ministrados à educadoras sanitárias por aquele Instituto a partir de 1926.29 O mesmo ocorria, considerando a grade de disciplinas do curso de enfermagem de emergência, ministrado pela Cruz Azul, sob liderança do professor Raul Briquet, que abordava noções de anatomia de superfície, bacteriologia, enfermagem médica elementar, enfermagem cirúrgica, patologia e primeiros cuidados aos feridos.3

As aulas de venereologia, exclusivas aos homens, como preconizado, podem ser justificadas pela elevada prevalência da sífilis, assim como outras doenças venéreas (cancro mole, gonorreia, entre outras) naquele período, sendo uma das doenças que mais abateram os combatentes nas trincheiras da guerra de 1932.5 Desde a década 1910, na Marinha do Brasil, medidas educativas e profiláticas eram disseminadas no intuito de combater tal agravo, considerado um empecilho para o projeto de nação brasileira moderna que se ansiava.32

Na disciplina Epidemiologia de Guerra, foi identificada influência de conceitos higienistas e de disciplinalização dos corpos33 propositalmente preparada por Francisco Borges Vieira, professor-responsável pela seção de epidemiologia do Instituto de Higiene e que desde 1931 exercia o cargo de Diretor Geral do Serviço Sanitário do Estado. Ao longo da sua carreira publicou inúmeros estudos epidemiológicos, inclusive com Gastão Fleury da Silveira, também professor do curso em análise.29,34

As disciplinas de enfermagem estavam voltadas à exposição de conceitos e informações para formação de mão de obra exclusivamente prática, de modo que os alunos estariam aptos a atuar em hospitais de campanha, sendo executores restritamente de técnicas básicas, além de procedimentos atinentes à higiene, manuseio e cuidado com materiais cirúrgicos, assim como ações relacionadas à assistência do paciente em situações de iminente risco de morte, geralmente submetidos a procedimentos cirúrgicos e feridos nas trincheiras, como foi ilustrado pela figura 2.

A participação de Iracema Isabel Niebler, enfermeira formada pela EEAN, vinculada ao Instituto de Higiene desde o início da década de 1930, foi de destaque, dado que ela lecionou em muitos outros cursos realizados pela instituição, como os de educadores sanitários, sendo até o ano de 1949 responsável pela supervisão dos mesmos.35 Entre as auxiliares de ensino destaca-se a presença de Maria Rosa de Sousa Pinheiro, educadora sanitária formada pelo Instituto de Higiene no ano de 1930, graduada em Enfermagem (1944), em Toronto no Canadá, assumindo em 1955 o cargo de diretora da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.36

A realização do estágio prático hospitalar como último requisito antes da conclusão do curso, além de permitir a prática do conhecimento teórico aprendido, também buscava habituar as alunas com aquele espaço de assistência, onde, provavelmente, atuariam, fosse na capital ou no interior. Os hospitais públicos e privados, em todo estado de São Paulo, dispunham de cerca de 2.000 leitos ao atendimento de feridos, o que a princípio poderia parecer suficiente. Entretanto, em comparação com o quantitativo de atendimentos hospitalares nas trincheiras da Frente Norte, parece ter sido em número insuficiente, pois, segundo algumas fontes, durante o conflito, foram realizadas 1.006 internações, sendo que 588 eram feridos de guerra, entre eles, 77 feridos por granada e 75 por armas de fogo.3

Ao final da capacitação, a cerimônia de formação das alunas, a realização de juramento, parece ter sido uma solicitação de Iracema Niebler, sobretudo por ser enfermeira formada pela EEAN. Os emblemas e rituais (touca, véu, passagem de lâmpada, juramento, etc.), ao longo da trajetória da História da Enfermagem brasileira, fizeram parte do cotidiano das instituições de ensino, supostamente sob influência religiosa e militar, no intuito de transmitir e reforçar predicados como hierarquia e disciplina.37

O presente estudo, mesmo com o limite imposto pela documentação pesquisada, sobretudo referente ao cenário de participação efetiva das enfermeiras de emergência na assistência a feridos no campo de batalha, pós formação, apontou para um processo formativo de sucesso frente ao projeto institucional. Alguns registros permitiram aproximações para tal questão, principalmente, pelo elevado número de solicitações e certificações de comprovação de participação no curso em análise, expedidos após o ano de 1948.

As solicitações foram motivadas pelo interesse de instruir processos dirigidos à Comissão do Art. 30 das Disposições Transitórias da Constituição do Estado, de 09 de Julho de 194738, principalmente após 1948, em que foi sancionada a Lei nº 211,de7 de dezembro de 1948, que regulamentou as vantagens, concedidas pela referida Comissão do Art. 30, aos participantes ativos da Revolução Constitucionalista de 1932, dentre as quais, incluíam preferência para ingresso no serviço público, promoção interna aos funcionários públicos, doação de lotes de até 50 hectares para quem desejasse dedicar-se à atividades rurais, entre outros.39

CONCLUSÃO E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA

A realização do curso de Enfermagem de Guerra promovido pelo Instituto de Higiene caracteriza a sua participação na guerra civil de 1932, pois a atuação na preparação de voluntários expôs o seu posicionamento de aliança ao movimento e às instituições da ciência paulista, além de legitimar e fortalecer o seu papel frente a formação de profissionais de saúde inseridos no projeto modernizador de São Paulo.

Embora o curso tenha iniciado suas atividades durante o conflito, acredita-se que havia um planejamento acerca da sua realização, que estava condicionado à eclosão do conflito, dado a logística, mobilização de pessoal e estruturação do conteúdo teórico e prático.

Além disso, o estado de São Paulo utilizou da enfermagem, profissão que começava a se afirmar naquele período, como mecanismo de institucionalização e racionalização das práticas de cuidados necessárias ao seu efetivo de combatentes e aos civis, permitindo que estudantes, datilógrafos, donas de casa, entre outros, fossem “mobilizados pelo dever cívico” e transformadas em “enfermeiras de guerra”. Não é equívoco afirmar que tal iniciativa tenha colaborado para afirmação da profissão em meio a sociedade paulista.

Considerando a desigualdade de gêneros no acesso à educação e formação, a superioridade de participação feminina aponta para uma maneira das mulheres, sobretudo jovens, saírem do convívio doméstico e participarem da guerra, aprendendo uma profissão ao passo que exerciam o dever cívico aclamado nas propagandas de mobilização de voluntários.

Quanto ao curso, seu repertório possuía conteúdo variado e bem estruturado, divididos em dois eixos principais, sendo uma estratégia pedagógica necessária, dado o curto tempo e o perfil dos alunos. Destaca-se a presença do paradigma higienista, evidente na disciplina denominada “Epidemiologia de Guerra” e a participação de Francisco Borges Vieira.

Ressalta-se a presença de uma enfermeira como docente responsável pelo ensino da disciplina exclusiva à enfermagem, com destaque ao conteúdo denominado “Primeiros Socorros aos Feridos de Trincheira”, que por mais que tal conteúdo estivesse inserido em um curso prático e rápido, não é exagero considerar que se tratou de um exemplo fiel das primeiras iniciativas do ensino e da prática de primeiros-socorros da enfermagem brasileira em situações de emergência.

A documentação estudada, com as limitações apontadas anteriormente, possibilitou uma primeira aproximação do tema, cumprindo sua proposta inicial de contribuição com o resgate da memória do Instituto de Higiene e da enfermagem no conflito de 1932. Uma contribuição que pode somar às abordagens sobre a atuação da enfermagem em situações de conflitos, violências em massa, catástrofes e guerras, em diferentes tempos históricos, sobretudo na atualidade.

Outras questões emergiram da documentação estudada, apontando para futuros trabalhos, entre elas, o entendimento de como as “enfermeiras” formadas pelo Instituto de Higiene ou por outras instituições, foram distribuídas nas frentes de batalha pelo estado de São Paulo e como atuaram na assistência dos feridos, durante os 85 dias de conflito da guerra de1932.

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