Enfoque atual das doenças infecciosas na infância

Enfoque atual das doenças infecciosas na infância

Autores:

Renato S. Procianoy

ARTIGO ORIGINAL

Jornal de Pediatria

versão impressa ISSN 0021-7557versão On-line ISSN 1678-4782

J. Pediatr. (Rio J.) vol.96 supl.1 Porto Alegre mar./abr. 2020 Epub 17-Abr-2020

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2019.12.001

Apesar da diminuição significativa da mortalidade infantil no Brasil nas últimas décadas e do grande avanço no programa de imunização, as doenças infecciosas ainda ocupam um lugar de destaque entre os problemas de saúde pública.

A mortalidade de crianças brasileiras abaixo de 5 anos reduziu em 67,6% em 25 anos, entre 1990 e 2015. Entretanto, entre as 10 principais causas de óbito em 2015, as diversas doenças infecciosas ainda ocupam espaço de destaque.1

O principal componente da mortalidade das crianças abaixo de 5 anos é a mortalidade neonatal.1 Numa estimativa recente de causas de mortalidade neonatal que envolveu 4 milhões de óbitos no mundo, as causas infecciosas ocupavam o primeiro lugar, são responsáveis por 35% dos óbitos.2

Esses dados já são suficientes para justificar a importância da escolha do tema infecção para o presente suplemento. Aqui abordaremos a sepse neonatal, o choque séptico, diarreia e encefalites, que são causas importantes de mortalidade infantil.

Não esquecemos as arboviroses, entre elas a Zika, que causou uma epidemia nacional de microcefalia, especialmente no Nordeste brasileiro,3 as pneumonias comunitárias, que, globalmente, são causa frequente de mortalidade de crianças abaixo de 5 anos,4 a tuberculose, que continua prevalente em nosso meio,5 infecções oportunísticas, infecções osteoarticulares e a infecção urinária tão frequente em pacientes ambulatoriais.

Não poderíamos deixar de abordar num artigo o item número 1 do choosing wisely da Academia Americana de Pediatria, “antibióticos não devem ser usados para doenças respiratórias virais (sinusite, faringite, bronquite e bronquiolite)”.6

Espero, desta forma, que os leitores possam desfrutar e se inteirar do enfoque atual das doenças infecciosas na infância.

REFERÊNCIAS

1 França EB, Lansky S, Rego MA, Malta DC, França JS, Teixeira R, et al. Leading causes of child mortality in Brazil, in 1990 and 2015: estimates from the Global Burden of Disease study. Rev Bras Epidemiol. 2017;20:46-60.
2 Lawn JE, Wilczynska-Ketende K, Cousens SN. Estimating the causes of 4 million neonatal deaths in the year 2000. Int J Epidemiol. 2006;35:706-18.
3 Lowe R, Barcellos C, Brasil P, Cruz OG, Honório NA, Kuper H, et al. The Zika Virus Epidemic in Brazil: From Discovery to Future Implications. Int J Environ Res Public Health. 2018;15:pii:E96.
4 Haq IJ, Battersby AC, Eastham K, McKean M. Community acquired pneumonia in children. BMJ. 2017;356:j686.
5 Carvalho AC, Cardoso CA, Martire TM, Migliori GB, Sant’Anna CC. Epidemiological aspects, clinical manifestations, and prevention of pediatric tuberculosis from the perspective of the End TB Strategy. J Bras Pneumol. 2018;44:134-44.
6 American Academy of Pediatrics. Ten things physicians and patients should question. [Cited 15 Nov 2019]. Available at: .
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