Enterocolite necrosante e apendicite no prematuro

Enterocolite necrosante e apendicite no prematuro

Autores:

Adauto D.M. Barbosa

ARTIGO ORIGINAL

Jornal de Pediatria

versão impressa ISSN 0021-7557versão On-line ISSN 1678-4782

J. Pediatr. (Rio J.) vol.94 no.5 Porto Alegre set./out. 2018

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2018.07.001

Prezado Editor,

Li com muito interesse o artigo "Existe associação entre a localização da doença e a idade gestacional ao nascimento de recém-nascidos operados por enterocolite necrosante" de Feldens et al., publicado no Jornal de Pediatria,1 e temos observado descrições cirúrgicas que corroboram as encontradas neste estudo com relação às localizações diversas da enterocolite necrosante (ECN).

Nossa carta ao editor não tem a intenção de contrapor os achados do excelente estudo efetuado pelos autores, mas de levantar uma questão que ainda é pouco explorada e sem explicação plausível e que não temos visto formalmente nos trabalhos que envolvem o assunto. Ao revisar o trato intestinal em recém-nascidos prematuros com ECN durante a laparotomia exploradora, a descrição cirúrgica clássica dos achados se restringe a perfurações que afetam em maior ou menor frequência o jejuno, o íleo terminal e a porção proximal do colo. Não temos, entretanto, encontrado relatos sobre as condições da válvula ileocecal e particularmente do apêndice cecal nos casos de ECN, o que proporcionaria oportuno esclarecimento sobre a participação desse órgão, outrora considerado vestigial, na doença, que poderia apresentar-se como "apendicite aguda" ao iniciar-se.

No Jornal de Pediatria,2 descrevemos um caso intitulado "apendicite em um recém-nascido prematuro", que ocorrera em um recém-nascido com idade gestacional de 34 semanas, levemente asfixiado, e que aos nove dias de vida desenvolveu quadro clínico clássico de ECN, com distensão abdominal, hiperemia de flancos e finalmente pneumoperitônio, que o levou à intervenção cirúrgica, que revelou não uma perfuração jejunal, ileal ou colônica, mas uma perfuração do apêndice cecal, cuja peça, ao ser examinada no setor de anatomia patológica, confirmou tratar-se de um apêndice cecal roto, com intenso processo inflamatório. Nesse sentido, poucas são as descrições que relacionam apendicite no prematuro e ECN,3-5 o que nos dá a oportunidade de indagar se não seria prudente a descrição do estado do apêndice cecal conjuntamente ao exame jejunal, ileal e colônico nos estudos que envolvem casos de ECN. Ou será que a ECN limita-se àqueles segmentos intestinais e a apendicite aguda no prematuro é um mero achado?

REFERÊNCIAS

1 Feldens L, Souza JC, Fraga JC. There is an association between disease location and gestational age at birth in newborns submitted to surgery due to necrotizing enterocolitis. J Pediatr (Rio J). 2018;94:320-36.
2 Barbosa AD, Júnior IF, Caetano RR, Lopes VG, Santos AM, Franco E*D. Appendicitis in the premature newborn. J Pediatr (Rio J). 2000;76:466-8.
3 López-Valdés JC, Escarcega-Servín R. Appendicitis in neonatal (AN) patients with secondary necrotizing enterocolitis (ECN) due to sepsis in the uterus: a case report. Gac Med Mex. 2016;152:419-23.
4 Arias-Llorente RP, Flórez-Díez P, Oviedo-Gutiérrez M, Suárez-Rodríguez M, Costa-Romero M, Solís-Sánchez G, et al. Acute neonatal appendicitis: a diagnosis to consider in abdominal sepsis. J Neonatal Perinatal Med. 2014;7:241-6.
5 Jancelewicza T, Kimb G, Miniatia D. Neonatal appendicitis: a new look at an old zebra. J Pediatr Surg. 2008;43:E1-5.
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