Escarro hemoptoico de etiologia desconhecida

Escarro hemoptoico de etiologia desconhecida

Autores:

Filipa Fernandes,
Rita Gomes,
Filomena Luís

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Pneumologia

versão impressa ISSN 1806-3713versão On-line ISSN 1806-3756

J. bras. pneumol. vol.43 no.2 São Paulo mar./abr. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/s1806-37562016000000096

Ex-fumante de 72 anos, sexo masculino, procurou seu médico com relato de tosse e escarro hemoptoico. Negava astenia, perda de apetite e perda significativa de peso. Foi transferido para uma unidade de emergência e se envolveu em um acidente de trânsito durante a transferência inter-hospitalar, resultando em politrauma (incluindo trauma torácico). No momento da admissão, apresentava estabilidade hemodinâmica, dispneia, amnésia e lesão no couro cabeludo. A ausculta pulmonar revelou murmúrio vesicular e roncos bilaterais.

A radiografia de tórax (Figura 1) evidenciou padrão alvéolo-intersticial no pulmão direito, e a TC de tórax (Figura 2) revelou espessamento da parede posterior do brônquio principal direito e redução do calibre da emergência do mesmo e também do calibre distal do brônquio do lobo superior direito.

Figura 1 Radiografia de tórax em incidência posteroanterior revelando padrão alvéolo-intersticial no pulmão direito, com sinais de perda de volume ipsilateral. 

Figura 2 TC axial de tórax evidenciando espessamento da parede posterior do brônquio principal direito e redução do seu calibre, bem como irregularidades na emergência do brônquio do lobo superior direito. 

Dados o contexto de trauma torácico e os achados de imagem, realizou-se broncoscopia para coleta de secreções brônquicas, LBA e amostras de biópsia. A broncoscopia revelou mucosa violácea edematosa, juntamente com infiltrado de acantócitos, no brônquio do lobo superior direito; diminuição do lúmen dos brônquios segmentares; e necrose caseosa semelhante a "pingos de cera de vela" (Figura 3). Os resultados da broncoscopia (sem evidências de sangramento ativo) nos permitiram excluir ruptura brônquica por trauma. A microscopia direta e a cultura bacteriana das secreções brônquicas levaram ao diagnóstico de tuberculose endobrônquica, sendo o agente etiológico identificado como complexo Mycobacterium tuberculosis .

Figura 3 Imagem broncoscópica evidenciando o aspecto da lesão antes da biópsia: infiltrado de acantócitos; diminuição do lúmen dos brônquios segmentares; e necrose caseosa semelhante a "pingos de cera de vela". 

Apesar dos avanços nas modalidades diagnósticas, o diagnóstico de tuberculose endobrônquica continua representando um desafio. A TC de tórax e a broncoscopia são ferramentas valiosas para a obtenção do diagnóstico patológico.

REFERÊNCIAS

1 Chung HS, Lee JH. Bronchoscopic assessment of the evolution of endobronchial tuberculosis. Chest. 2000;117(2):385-92.
2 Sucena M, Amorim A, Machado A, Hespanhol V, Magalhães A. Endobronchial tuberculosis -- clinical and bronchoscopic features [Article in Portuguese]. Rev Port Pneumol. 2004;10(5):383-91.
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